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Histórias de Vida | Edmilson Ferreira da Silva
Em destaque · HD Vídeo · HISTÓRIAS DE VIDA

Histórias de Vida | Edmilson Ferreira da Silva

95 views Publicado 31/07/2026 HD · 21:49
Resumo editorial

Edmilson Ferreira da Silva relata sua trajetória: nascido em contexto familiar violento, foi viver nas ruas de Campinas, onde enfrentou fome, violência e morte de amigos. Maria Ferreira o acolheu e adotou, transformando sua vida. Atualmente trabalha na Fundação Casa de Campinas, utilizando sua experiência para orientar adolescentes em situação vulnerável.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

Ainda criança, Edmilson Ferreira da Silva deixou a Bahia com a mãe e três irmãos rumo a Campinas, onde o companheiro dela passou a agredi-la com socos e xingamentos. Para escapar das surras, os irmãos corriam para a rua e acabaram morando nela, enfrentando fome e presenciando a morte de outro menino em situação de rua ao seu lado. A virada veio com Maria Ferreira, que o tirou das ruas e mais tarde o adotou como filho. Hoje Edmilson usa a própria trajetória para orientar jovens em vulnerabilidade a escolherem outro caminho.

Transcrição completa do vídeo

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[música] [música] Ainda na infância, ele trocou a insegurança de um lar pelas ruas de Campinas. Viveu a fome, a violência [música] e perdeu amigos. Mas um gesto de acolhimento mudou para sempre o destino dele. No Histórias de Vida de Hoje, vamos conhecer a trajetória do Edmilson Ferreira da Silva. que atualmente [música] inspira outros jovens que, assim como ele, um dia ganhar uma nova chance de recomeçar. Edmil, seja bem-vindo ao Histórias de Vida e muito obrigada também por aceitar o nosso convite. Eu que agradeço a TV Câmera e para mim é um prazer e satisfação tá passando a minha história para que seja eh tida como [música] e exemplo aí e que ajude os jovens a fazer uma melhor escolha escolha de vida. Com certeza. Para começar, Edmilson, já falei no começo que você eh deixou um lar de insegurança para viver nas ruas [música] de Campinas. Por que isso aconteceu? E foi com quantos anos? Qual idade você tinha nessa época? Na época, eh, eu com meus irmãos éramos em quatro, né? e muito pequeno, um homem na época eh começou um relacionamento com a minha mãe, onde ele acabou que nos trouxe para pro estado de São Paulo, é, vindo da Bahia. Então, éramos quatro [música] crianças muito pequenas, não tinha experiência de nada e viemos para São Paulo. Eh, chegando em São Paulo, eh, viemos pra cidade de Campinas, né, e onde passamos a conviver então até então com esse esse senhor. Nesse meio tempo, eh, nós começamos a perceber a mudança de comportamento, eh, desse [música] senhor, onde começaram então ali [música] eh eh os as violências, né, contra a minha mãe. Uhum. Então, eh, eles começaram a a brigar muito, né? discutirem e ele muito violento. Começou então aí eh a violência dentro de casa, [música] né, onde ele começou a agredir com palavras, com espancamento, né? E a gente muito pequeno, eh, começou a a a ver tudo isso. Uhum. né? E como criança a gente não sabe o que fazer, né? Ver a nossa mãe sendo agredida eh de várias as formas, né? E agressões verbais, agressões físicas. Então nós começamos a nos retrair e como criança ali, no momento nosso gesto era de de querer proteger a mãe, né? Eh, como acho que toda criança, né, que vê, presencia, eh, criança ou adolescente que presencia eh violências, né, cometida e dentro dos lares, tem essa reação de proteção. E nós começamos a correr, né? Toda vez que ele começava a brigar e as sessões de [música] espancamento, eh, nós começávamos a correr para proteger a mãe da gente e tinha um porão onde a gente saía todos de mada e carregando ela para dentro de um purão. Uhum. entrávamos ali e ficava [música] ficávamos o dia inteiro dentro desse purão, até que ele se acalmasse, até que a gente eh conseguisse a começar a dialogar. Uhum. E voltasse [música] para dentro de casa. Mas com o passado do tempo, isso foi tornando eh mais frequente. Uhum. Né? As sessões [música] de violência, xingamento, espancamento, né? Ele falava muito em tirar a vida da minha mãe. E quando ele se alterava, [música] que a gente ia pedir para ele não fazer nada pra nossa mãe, ele começava a nos agredir também. Uhum. Isso foi provocando um um desconforto, né, ao ponto de nós eh crianças começarem a fugir, correr pra rua. Uhum. Correr pra rua para se proteger, né? Então nós eh adotamos essa estratégia. Uhum. Né? Começavam as agressões, a nossa mãe já gritava, falava: "Corre, corre". E a gente ia correndo pra rua, não tinha outro jeito, a gente saía correndo e corria o máximo que podia. [música] Então, com o tempo, nós saíamos correndo pra rua e com passar dos dias nós fomos ficando na rua. Uhum. Para fugir da violência. Então, inicialmente a rua para você ali era como um refúgio, né? Uma forma de fuga daquela violência sofrida. Sim. Eh, de certa maneira, sim. a rua eh começou a a [música] se tornar minha casa. Uhum. Éonde eu me senti acolhido, né? Embora começaram ali eh outro problema, né? Porque eu muito pequeno, criança. Eh, a rua tem três fases. Tem a fase onde você vai pra rua, tem o primeiro contato que você tem de se estruturar para conseguir sobreviver, porque você é criança. Uhum. Né? a segunda fase, aonde você eh começa a conhecer e a conhecer outros outros ambientes, outras pessoas, outros eh outros moradores [música] de rua, meninos que na época estava em situação de rua também, né? Essa é a segunda fase. E a terceira fase é onde você já tá estruturado na rua para sobreviver. Uhum. Né? É essa fase que você [música] começa a a participar do dia a dia do do menor que tá em situação de rua. Ou seja, [música] menor em situação de rua. Ele não é monitorado, ele é solto, [música] como se fosse um bicho solto, eh, sem parada. Que que acontece? A rua ela é uma selva, é sobrevivência. Uhum. Tá. Eh, acontece vários tipos de violência na e você imagina um um uma criança andando com outras crianças, né? Na época Campinas tinha um problema muito sério de de trombadinho. Uhum. as pessoas nos tratava como fosse trombadinha. E quando as pessoas nos viam, eles se afastavam porque eles tinham receio. Uhum. Né? Porque nós realmente estávamos eh soltos, problemáticos, tá? E muitos sobre efeito de entorpescente. Uhum. E nesse período tem alguma história que te marcou? Eh, você falou que você andava em grupos. Eh, nesse período você perdeu algum amigo? Um fato que eu nunca nunca esqueço foi eh a morte de um menino e que vivia no dia a dia comigo, tá? Ele na época ele tinha um apelido de comea, né? E e esse menino ele causava uma certa raiva, acho que na época no no o pessoal. Uhum. Né? Porque ele ele ele era muito ativo, ele provocava várias situações e as pessoas não gostavam muito dele. Uhum. E uma certa noite tava estávamos dormindo na antiga estação e nós percebemos barulhos, né? Eh, e ele tava muito próximo a mim, que a gente dormia eh um próximo do outro por questão até mesmo de um proteger o outro. Uhum. E eu comecei a perceber vozes, escutar vozes e falava: "Arrasta esse para lá, arrasta esse para lá". E em seguida eu senti que eh começou a espirrar um líquido quente no nas minhas costas e eu escutei vozes, eh, falavam: [música] "Já era, já era". E enfim, eles estavam ali naquele momento ali e assassinando o Comic Cola com tijoladas. [música] E você me contou que ficou 8 anos nessa realidade. Eh, quem que te salvou dessa vida, tá? Eh, depois de desse tempo, esse período, né? Eh, eu tinha por volta de de 12 a 13 anos [música] já. e começaram a aparecer pessoas com sacolas, senhoras com sacola na mão, eh, nos convidando para tomar lanche. Então, como eu já era bastante conhecido na cidade, já tinha um um certo número de adolescente que me acompanhava Uhum. E eu ia para um lado e carregava um monte de adolescente comigo, ia pro lado e levava esses meninos comigo. Então eu já exerci uma certa liderança entre os meninos. Uhum. E uma senhora eh começou a se se aproximar de mim porque percebeu essa facilidade de eu de eu estar junto com os meninos e começou a fazer convite. Foi o primeiro contato que eu tive com a dona Maria Ferreira, tá? E a partir daí nós começamos a nos reunir em frente à catedral e essa senhora começou a desenvolver atividades ali como eh brincadeiras. Uhum. E entre essas brincadeiras eh fazziam um intervalo e distribuíam elas ali, distribuíam lanche, tá? pra gente e pra gente continuar ali, que era uma forma de de nos prender. E a partir daí, eh, a dona Maria Ferreira começou então esse trabalho, né, eh, dessa ONG chamado Casa Maria de Nazaré. Uhum. Aonde eles iam pr pra rua colher esses esses menores, esses meninos em situação [música] de rua. para tentar de alguma forma eh levar, né, para um acolhimento melhor, para dar uma situação melhor para aquelas crianças que estava em situação de rua. Foi aí que começou a história da dona Maria Ferreira, né, e a Casa Maria de Nazaré. Comecei a conviver ali com a dona Maria Ferreira e comecei a a me aproximar dela, mas olhando como uma figura de proteção. Uhum. Uma mãe. Sim. Sabe? E o fato dela nos dar essa atenção, [música] eh, não ter medo do do menino de rua e falar pra gente, ela olhava pra gente, ela falava [música] assim: "É, vocês são muito importantes." Sabia que vocês é importante? Ela falava, olhava nos olhos, pegava assim no nosso rosto e falava. Aí a gente perguntava para ela: "Para quem que a gente é importante?" [música] Uhum. Dona Maria Ferreira, como você contou, ela foi conquistando vocês aos poucos, né? Foi chegando devagarzinho, conquistando vocês. [música] E você falou que para você ela era como uma figura materna de cuidado. Quando que ela realmente virou [música] a sua mãe, que ela te adotou? Sim. Eh, depois de de de um tempo frequentando a a instituição, eh sendo orientado, [música] comecei a estudar, eu saí da rua, não sabia, 13 anos, não sabia assinar o nome, sabia fazer uma letra. Então, eh, comecei a estudar, depois de um tempo, né, eu fui direcionado para menor aprendiz, [música] comecei a trabalhar, trabalhava um período, outro período estudava ficava entidade, às vezes voltava pra rua. Uhum. Só que a partir de aí já tinha criado um vínculo entre [música] eh Edmilson e Maria Ferreira. Uhum. Tanto que nessa época eu já no automático comecei a chamar ela de mãe. Uhum. Tratava ela como a minha mãe, [música] porque ela me dava tudo que uma mãe dá para um filho, que era principal, é amor, atenção, né? Carinho fraterno ali de mãe. Uhum. [música] O abraço, beijo na testa, isso marcou muito. Então, começou a criar esse vínculo muito forte. E aí eu eh comecei a chamar a dona Maria Ferreira de mãe na época. E umas um certo dia, eh, nós já estávamos já bastante eh acostumado um com o outro. Ela chegou para mim e falou: "Eh, a partir de hoje você vai ser o meu filho". No início, eu não entendi o que que era aquilo, né? E eu falei: "Tá bom, mas eu já sou seu filho, né?" E ela falou: "Tudo que você passou na sua vida, eh, você já superou porque você lutou para superar. E a partir de hoje você vai começar a existir como filho meu." Uhum. Né? E eu não entendi até então. E ela falou que tinha entrado com um processo de adoção, aonde o juiz eh já teria autorizado ela a me levar pra casa dela. Uhum. e a conviver ali no mesmo ambiente como o filho dela. [música] E quando que você decidiu que também eh a partir do que ela te ajudou, que você também ajudaria outros jovens e adolescentes, assim como você? [música] Atualmente você é concursado na Fundação Casa, mas também tem uma ONG que presta serviços e para apoiar essas pessoas? Sim. Eh, uma certa época da minha vida, eu comecei a [música] a voltar nas ruas de Campinas e olhar os moradores de rua, as pessoas em situação de rua e frequentar eh comunidades aonde eu observava como que as pessoas estavam vivendo. E eu falei assim: "Poxa vida, eu fui ajudado uma vez na minha vida e agora chegou a hora de eu eh me dedicar um pouco e retribuir o que eu recebi lá no passado. E aí eu criei uma uma ONG chamada Braça Periferia". Uhum. Tá? aonde trabalha [música] diretamente com a periferia de Campinas, com favelas, com [música] núcleos e e pessoas que eh estão eh em situação complicada, né? E aí eu comecei a a [música] fazer esse trabalho, frequentar a comunidade, chamar as famílias, conversarem com [música] as famílias. eh, saber o que tava acontecendo. Uhum. E comecei então a buscar parcerias e pessoas que se interessassem em [música] ajudar o próximo, porque é um trabalho voluntário, tá? Eh, não tem fins lucrativos. E e aí a gente eh começou, eu com outras pessoas que se interessaram a ajudarem, eh, a buscarem pessoas que estariam precisando de ajuda, tá? E o nosso trabalho principal é chegar até a família aonde tem o problema. Uhum. procurar eh orientar de alguma forma eh [música] para que essa família se estruture, para que essa família [música] saia dessa situação. E aqui na Fundação Casa, é como eu te falei, você fez o concurso público, né? Passou, trabalha aqui [música] atualmente na Fundação Casa de Campinas. Como que é o trabalho aqui? Tem alguma história? Eh, a gente conversou um pouquinho antes, você me contou algumas histórias, queria que você contassem aqui também, histórias marcantes, eh, que você vivenciou nessa trajetória trabalhando na Fundação Caso em 2014, eu comecei a a ter a ideia de prestar o concurso. Prestei o concurso, [música] eh, e entrei pra Fundação Casa. Uhum. Hoje eu tenho orgulho de usar a minha história, usar minha experiência de vida para passar para esses adolescentes, para que eles se inspirem de alguma forma em mim, vê, vejam o que eu passei na rua, né? E através de uma oportunidade de vida que me deram, Uhum. Eu consegui a mudar a minha história, né? Consegui a ser uma pessoa do bem. Uhum. Então, eh, hoje a Fundação Casa, ela tem essa responsabilidade de fazer um trabalho de acolhimento, um trabalho de orientação, um trabalho de de resgate desses adolescentes. Então, eu precisava de alguma forma contribuir para isso. Uhum. Então, [música] entrei eh no concurso, passei e procuro passar essa experiência [música] de vida pros meninos para que eles realmente reflitam e tenham [música] eh em mente que realmente há outra escolha, há uma escolha melhor de vida. Dimilson, muito obrigada pela sua participação aqui na História de Vida, por compartilhar com a gente sua trajetória que eu espero que [música] inspire estar em casa assistindo também. [limpando a garganta] Eu agradeço muito. Queria deixar uma mensagem para que todos tenha a responsabilidade de fazer, promover ações para que criança e adolescente seja resgatado, eh que seja dado oportunidade eh para todos que não façam distinção de pessoas, tá? para que a gente consiga eh no futuro ter resultados positivos desses adolescentes, tá? É preciso a gente acreditar sempre, sempre no ser humano. Muito obrigada mais uma vez. [música] Esse foi o Histórias de Vida com Edmilson Ferreira da Silva. Espero que você tenha gostado. Até o próximo programa. [música] [música] [música] [música] เฮ [música] [música] [música]
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