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Quando criança, ele conviveu com a limitação da visão e na vida adulta perdeu completamente a capacidade de enxergar. Mas em vez de deixar a deficiência definir seus limites, ele continuou e construiu novos caminhos e oportunidades. No Histórias de Vida de Hoje, vamos conhecer a trajetória do escritor Vladimir Ribeiro. Vladimir, seja muito bem-vindo ao Histórias de Vida e também muito obrigada por nos atender. Eu que agradeço, Camila. Para começar, eu queria que você contasse um pouquinho sobre a sua infância. Você nasceu com uma doença congênita. Que doença é essa? Como que foi também eh conviver com isso ali na na sua infância? Ah, ok. Eu, então eu, como você disse, eu nasci com uma doença congênita, eh, chamada retinose pigmentar. É uma doença na retina dos olhos, né, que vai deixando a retina escura, vai escurecer na retina. Então, quando eu era criança, tinha e visão subnormal, então abaixo de 50% de de divisão, né? 50% divisão. Eh, e aí eu descobri isso daí quando, na verdade, a professora descobriu na no primeiro ano de escola, porque eu não enxergava, né? E e a minha mãe me levou no ofitalmo. E o ofitalmo falou: "Olha, ele tem essa doença, retinose pigmentar. Isso lá naquela época, né? Eh, mais de 50 anos atrás, né? Lá em Bauru, a gente morava em Bauru. E ele falou: "Olha, quando falou pra minha mãe, quando seu filho tiver 40 anos, ele vai estar cego." Ali, ali determinou para quase que uma sequência, uma sentença, né? E assim, eu, claro, 6 7 anos de idade eu não percebi, né? Eu, a única coisa que eu percebia é que eu não enxergava direito. E daí, como as outras pessoas me diziam que elas também tinham dificuldade, que que eu considerava? Bom, eu sou burro, então, né? Porque todo mundo consegue, eu não consigo. E eu fui crescendo um pouquinho com essa, com esse eh pensamento, né, de falta de intelectualidade, assim, de uma pessoa que não tinha condições. Eu não, eu eu não tinha condições, né? as outras pessoas tinham eh condições, eu tô dizendo intelectual, né? E eu não tinha, quer dizer, na verdade não é, eu só não enxergava, né? Mas eu não, eu eu cresci desse jeito, na primeira infância, dessa forma, certo? E depois desse período, né, com esse eh esse baque já que você tomou na primeira infância, já com essa consciência de que você não conseguia acompanhar os seus colegas, eh, na sua adolescência também foi difícil, foi mais difícil, quem sabe? É, eu eu acho que foi mais difícil por conta do fator adolescência, né? Apesar também, vamos voltar lá, 40 e poucos anos atrás, não se falava muito, ah, essa pessoa que é adolescente, né? Fui conhecer adolescente, essa palavra praticamente já era jovem, né? Mas assim, de todo caso, nessa adolescência, 12, 13 anos, 14 anos, eh, eu já estava mais adaptado com relação à minha à minha deficiência visual. eu já ia ao médico eventualmente eh sozinho ou quando eu ia com a minha mãe, eu já assim meio que tomava as frentes com o médico, eu já fazia minhas próprias perguntas. Então eu tinha mais consciência de um lado, de um lado eu já tinha mais consciência da gravidade da minha doença. Do por outro lado o próprio fator adolescência e junto com isso, coincidiu, Camila, que a gente mudou de Bauru para Campinas. estão aqui em Campinas, né? A gente encontrou uma cidade diferente, uma cidade grande, uma cultura diferente, né? Então eu tive que ludar com lidar com choque de cultura, adolescência, uma cidade nova, pessoas novas, escola nova, gente esquisita. Uhum. Quem viveu em Campinas na década de 1880 e eh percebe que era uma outra cidade, era uma outra Campinas, assim, pessoal mais mais elitizado. Não sei, não sei explicar, né? Uhum. De todo jeito eu sofri com todos esses fatores e a minha doença piorou porque eu cresci. Parece que quando houve o crescimento, houve aceleração assim de um ano pro outro do meu problema. E aí de noite, quando eu pensava que eu não enxergava bem, eu parei de enxergar mesmo de noite, quando eu fiquei adolescente e eu fui ficando recluso, né? Era de escola, da escola de manhã, de dia, né? De manhã com sol, eu enxergava relativamente bem, de tarde, de noite já não enxergava nada trancado dentro de casa, só em casa. Entendi. E também você eh conta, né, que você tinha eh um sonho de construir uma família nesse período. Você já sonhava com isso também com o futuro? Você via essa oportunidade? Sonhava. Sonhava. Eu eu sonhava por com coisas simples, né? com uma família, com uma casa, com férias, com dinheiro para ir na praia, coisa, coisa simples, Camila. Eh, mas que que era coisa que eu e assim as pessoas ao meu redor não tinham, né? Eram eram vidas, eram épocas mais complicadas, mais difíceis, né? Nem tanto por conta da do Brasil, da época, mas a cultura, as pessoas e a mentalidade também da gente, né? vindo lá do interior, né? E e assim, quase que as coisas aconteciam encastas, né? Ah, você nasceu aqui e não vai sair daqui, né? Você nasceu pobre, vai ficar pobre. Você nasceu isso, vai ficar assim. Era quase isso, na uma maneira mais cultural, familiar, né? E o meu sonho era uma coisa simples, né? Ter uma casa, né? Porque a gente morava de aluguel, né? é ter uma família sólida, ter filhos, né, que acabamos tendo duas filhas maravilhosas, né? E eu queria ter filhos para quê? Para para ensinar, para educar, para dar cultura, para dar estudo, para, sabe, para que elas pudessem ser muito melhores que eu, né? E eu tive que também que estudar, tive que também procurar trabalhar. E eu, o outro sonho meu era fazer faculdade, né? lá quando eu era adolescente, não então queria fazer uma boa faculdade, coisa que eu não consegui naquela época, já vou dar um spoiler, né? Eh, eu queria ter uma casa, uma família, um bom emprego. Olha só, não queria ser empresária, não queria, queria ter um bom emprego, né? E ter uma vida estável, tranquila. E aí é nisso que eu fui, eh, trabalhando. Eu tinha um projeto, né? tinha um projeto, tinha uma meta, por mais simples que fosse, só que a gente olha para trás, fala: "Não é tão simples, não é tão simples isso que eu que a gente conquista às vezes, né?" Uhum. E o médico te falou naquela época que você perderia totalmente a visão aos 40 anos. Quando que isso aconteceu de fato? Olha, parece que foi um uma previsão assim, foi lá pelos 40 anos, mais ou menos pelos 40 anos. É, eh, eu tô com 58, né? Isso já tem mais uns que assim, eu perdi mesmo efetivamente a visão, porque é difícil a gente dizer o dia que perdeu. Uhum. Né? Porque essa ela ela vai diminuindo aos poucos, né? Cada dia, cada dia. E e e assim. E aí até que chega um ponto que a retina fica totalmente escura, né? Aí o médico até brincou comigo, ó, tem uma boa notícia, não vai piorar. A boa notícia é que não vai piorar. A a notícia ruim é acabou, né? Acabou. É, não tem mais visão, né? mais ou menos lá para 2014, 2015. Uhum. Né? E eu eu nessa nessa época aí, né, que eu acabei perdendo toda a visão, né, que também ainda f sobrou um residual de claridade, né, mesmo quando eu perdi toda a visão, ficou um residual da claridade. Então, consegui, ainda eu consegui enxergar um pouco de claridade, né? Então, por exemplo, se eu saio na sacada, dá para saber se tá de dia. Às vezes não dá para saber se tá sol ou se tá nublado, mas dá para saber se tá de dia, né? E um outro sonho também que você comentou é tem e a família, as duas filhas e tem também a netinha. Ah, Rebeca. Rebeca, a famosa Rebeca. E foi através dela que você ingressou na literatura? Conta um pouquinho pra gente. É, então isso foi até engraçado, até porque assim, essa parte da literatura, de ser escritor, né, que é o nosso foco de hoje, Uhum. Não tava nos meus planos. Não tava nos meus sonhos, né? Falar: "Ah, quando eu crescer, quero ser escritor", né? Aham. Aliás, eu sempre tive dificuldade para ler, né? Porque eu não enxergava, né? Quando você não lê muito, você também não fala direito, você também não tem outra expertise assim, né? E eu não, não era de ler, né? Não era de ler, mas era de ouvir. Sempre pedia paraa minha mãe contar as coisas e ler e sempre televisão também, que era coisa mais fácil. E rádio, né? rádio, eh, procurava me me assim, eh, estar por dentro assim dos assuntos, né? Uhum. E minha filha, a minha minha neta ou a nossa neta, né, tem 2 anos e meio mais ou menos. Então, há uns 3 anos atrás, né? Eu falei, eu vou escrever aqui no documento Word, né, as histórias da minha infância que eu contava para mim, pras minhas filhas, né, quando eu tava lá no Sítio da minha avó, quando eu tava na casa, pescar não sei na onde e tal. Eu vou começar a escrever algumas histórias para eu não esquecer, né? E aí eu deixo aqui no Word, a minha filha imprime e quando a Rebeca crescer, ela lê pra Rebeca. E daí eu peguei, era 1eo de janeiro do ano de 2024, eu tava aqui esperando, estamos em casa, né? Tava aqui esperando, eh, eles viam, alguém vim me buscar pra gente ir lá, primeiro de janeiro, ia fazer uma moça em algum lugar, né? Uhum. E eu peguei, eu falei, quer saber de uma coisa? Deixa eu procurar aqui no Google, eh, editora. Aí apareceu lá uma, duas, três. Daí assim, eu cliquei numa, falava tudo menos o que que cliquei na outra. Na outra tema, mande aqui agora o seu exemplar pelo por esse e-mail. Falei, é essa que eu quero, né? Aí era editora Viseu do Paraná, né? Eu peguei de uma man sem nenhuma pretensão, mandei. Uhum. Daí vem aquela mensagem automática, né? Ah, obrigado. Se eu receber, eu sei que é automático, né? Primeiro de janeiro ninguém respondeu aquele e-mail, né? Aí passaram se umas duas semanas, recebi uma resposta, um e-mail. Olha, nós gostamos da sua história e a gente quer que ela seja contada para muitos. Olha só, né? E aí eu não esperava isso, né? Simplesmente eu peguei isso e mostrei para Deus ali e essa resposta deles, né? Ela olhou e não entendeu o que que era, né? Demorou um pouco para entender. Eu falei: "É, eles estão querendo publicar meu livro". Quando eu mandei pra editora, lá no finalzinho, eu falei: "Olha, eh, quem sabe tenha, mas vem alguma coisa pela frente, né?" Fiz a tarde de autógrafo e falei, "Gente, pode ser que venha coisa pela na frente já, mas eu já comecei a escrever o segundo a continuação." Uhum. Aí quando eu comecei a escrever o segundo, já pensei em mais dois, né? Então, a o segundo, o primeiro a jornada e o segundo a jornada continua. E agora eu tô lançando, né, sábado. Uhum. É. Claro, não sei quando vai ao arque, mas é 12 de setembro de 2026, eu vou fazer o lançamento do terceiro livro, fechando uma trilogia e lançando mais dois livros já de uma série mais espiritual, né? Então é esses três livros, uma trilogia a jornada, né? E ele fala sobre superação, né? Na minha infância, a primeira infância, um pouquinho do que a gente comentou aqui agora, na minha adolescência, né? Colégio e também na entrada no mercado de trabalho, né? E aí eu falo muito com o jovem que tá entrando no mercado de trabalho, né? de dar o melhor de si. Uhum. Né? E a terceira fase que é a minha vida de casado, vida dois. Então, eh, a próxima jornada é é o segredo da vida dois, né? Onde eu falo do projeto do casamento, né? E daí eu falo algumas coisas das minhas filhas de e tudo contando histórias, histórias que eu vivi, né? Uhum. E aí tem umas tristes, tem umas engraçadas, né? E mas por trás dessas histórias eu eu tento, né? Eh, segurar um pouco a atenção com as histórias, né? E aí eu trago sempre alguma informação. Então lá no começo, né, no primeiro livro lá era mais assim, ó, estude, obedeça os pais, né? No segundo livro, ó, estude, trabalhe, né? Terceiro livro, ó, se prepara para casar, tem uma família, se dedica a sua família, sua esposa, seus filhos, né? Trabalhe. Então, sempre tem estudo, trabalho, dedicação, né? Nas três fases da da nossa vida, né? Se você pudesse conversar com aquele Vladimir que você na adolescência que era mais recluso, com vergonha de sair de casa, que que você diria para ele depois de tudo que você conquistou até aqui? É, é uma coisa bem interessante, né? Porque primeiro eu acho que é assim, só para deixar claro, eu não mudaria nada da minha da minha infância, não mudaria. Eh, foi moldou aquilo que quem eu era, né? Mas eu acho que o mais importante, seu, né, eu voltando lá e falando para aquele Vladimir, que eu acho que eu acabo falando para vários Vladimir por aí a é eh não deixa a sua dificuldade pautar ou moldar ou transformar aquilo que você é, né? Seja mais do que a sua dificuldade, né? E aí não é só a dificuldade eh visual, né? né? Pode ser qualquer outra dificuldade, até financeira, né? Dificuldade intelectual, talvez, ou dificuldade em geral, né? Qualquer qualquer barreira. Então, todos nós temos limitações, né? Você tem, eu tenho, né? Quem tá ouvindo a gente assistindo a gente tem, mas cada um na sua dificuldade. Agora, não deixa essa dificuldade. Eu falo para aquele Vladimir, né? Uhum. Mas eu posso falar para qualquer um, né? Não deixa essa dificuldade sua eh dizer quem você é. né? E outra coisa, tem como vencer, tem é transpiração, é, eh pequenos sacrifícios, é persistência, porque a gente não consegue fazer na primeira, tem que persistir e persistir e persistir e persistir e trabalhar e trabalhar, né? Então, ah, eu conquistei uma uma, né? Trabalhei numa grande multinacional, mas eu acordava 4 horas da manhã para ir trabalhar, né? Ah, eh, eu, eu conquistei, sei lá, minha casa, que é coisa simples, mas deixei de gastar dinheiro por aí a então assim, sacrifícios, então faça pequenos sacrifícios, tenha um projeto, persiga esse projeto, né, e não deixa nenhuma dificuldade dizer quem você é. É praticamente isso que eu falaria para aquele pequeno Vladimir. Perfeito. Espero que também sirva de conselho para quem tá assistindo de casa. É, eu espero também. Muito obrigada, Vladimir, pela participação aqui no Histórias de Vida. Espero que você tenha gostado e obrigada por contribuir um pouquinho, contar a sua trajetória e que apesar das dificuldades que você enfrentou, você conseguiu e vencer e conquistar tudo que você sonhou naquela época. Eu que agradeço e que isso sirva de lição para muita gente e estou à disposição também se alguém precisar conversar alguma coisa. Perfeito. Muito obrigada mais uma vez. Espero que você tenha gostado e até o próximo Histórias de Vida. Até a próxima. เ