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TV Câmara, Campinas. Boa noite. Vamos dar início, então, à reunião da Comissão da Mulher. Essa aqui é a nona reunião da Comissão da Mulher, nona reunião ordinária. Eh, agradeço a presença de todo mundo que tá aqui, agradeço a audiência das pessoas que estão nos assistindo. Essa reunião foi convocada para discutir especificamente o a violência, a dinâmica da violência, as denúncias e as agressões, as denúncias de agressões contra as mulheres e em pauta o tema que não poderíamos deixar de discutir, que é a denúncia contra o vereador Oto Alejandro, o vereador dessa casa. E eu entendo que a comissão da mulher tem um papel fundamental de acompanhamento. Foi aberta uma comissão processante, tá aqui a vereadora Fernanda Solto, que é presidenta da comissão processante e essa comissão da mulher vai ter um papel fundamental de acompanhar, de auxiliar, de organizar e não só a comissão processante, mas também o processo da investigação e as medidas que são responsabilidade do estado. Acho que isso é importante dizer. Na medida que existe uma denúncia, o Estado é responsável por levar à frente os processos de investigação com relação a essa denúncia e tomar a todas as medidas necessárias para proteção e responsabilização do autor de violência. Por isso, nós também convidamos aqui a Carol Cavaza, que é advogada do Conselho Municipal da Mulher. Eh, também está vai entrar daqui a pouquinho online a Thaís Cremasco, que é uma advogada feminista também aqui da cidade de Campinas, que tem uma grande experiência nesse nesse tema. Então eu acho que essa essa é o sentido geral da nossa reunião. Quero agradecer a presença também da Ana Benguenga, presidente Benjevenga. Gevenga, desculpe, da União Brasileira, que é presidenta da União Brasileira de Mulheres, a Valéria Torres, que é coordenadora de empreendedorismo da Secretaria Municipal de Política As Mulheres, a Paula Regina Barbosa, que é assessora do vereador Wagner Romão, e a Edilene, que também aqui é a nossa companheira do sindicato dos químicos, que também é do PESOL, nossa parceira do PESOL. saudar aí também a presença de todas as outras pessoas que estão acompanhando. Eu vou começar então a fala com a saudação da vereadora, pode ser? Depois eu faço uma breve uma uma breve saudação e passo para Carol fazer sua fala e depois eu abro para o plenário. Pode ir, Fernanda. Bom, boa noite. Gostaria de saudar aqui a presidenta da comissão da mulher, vereadora Mariana Conte, também a Carol, nossa companheira aqui da mesa, todas as mulheres, entidades que estão representadas aqui hoje. Nós estamos vivendo um momento histórico pra Câmara Municipal de Campinas e ao mesmo tempo de muita responsabilidade, né? Nós recebemos com muita preocupação as denúncias gravíssimas que foram veiculadas na mídia, eh, de uma denúncia contra o vereador Oto Alejandro, que teria praticado atos de violência doméstica, inclusive com um registro de um boletim de ocorrência. E nesse momento nós vereadoras aqui da Câmara Municipal de Campinas, diante da crise que a gente vive no país com relação à violência contra as mulheres, dos números alarmantes, aqui em Campinas mesmo, o boletim do sistema de notificação de violência contra as mulheres de Campinas tem mostrado o aumento do número das notificações no estado de São Paulo. O governador Tarcísio cortou pela metade o orçamento da Secretaria da Mulher e isso vai impactar diretamente nas políticas públicas necessárias para se combater essa realidade. Então, diante desse dessa crise institucional que nós já vivemos associada à necessidade eh do poder público de se posicionar, de garantir realmente que a defesa da vida e da dignidade das mulheres tenha prioridade nos espaços públicos, nós não tivemos dúvidas a partir dessas denúncias que nós recebemos que nós deveríamos aqui eh fazer um movimento para que essa casa acolhesse essas denúncias e tratasse isso com a máxima prioridade, né? Então, chegou até nós essa denúncia, foi protocolado o pedido de abertura de uma comissão processante nessa Câmara para investigar as ações que esse vereador teria cometido. E é importante dizer, se não fosse a mobilização do movimento de mulheres aqui na cidade de Campinas, muito provavelmente essa comissão teria sido aberta. Então, pra gente eh entender qual que é o papel do movimento social nesse nesse nesse debate, de trazer urgência dessa questão e nós eh a partir do momento em que se abre a comissão processante, claro, acho que é importante dizer, a a comissão processante ela ocorre paralelamente às investigações da justiça que vão ser feitas pela polícia, Ministério Público e outros agentes públicos. Mas a comissão processante é um momento em que essa câmara, essa casa, precisa se posicionar sobre o assunto e não pode se furtar a a a essa tarefa. Então, a partir do momento que é aberta a comissão processante, os vereadores são sorteados, nós tivemos que enfrentar uma nova batalha, inclusive, porque como a única mulher sorteada para compor essa comissão processante, eh, houve um movimento ali no plenário para que eu não estivesse nem na presidência, nem na relatoria. E mais uma vez o movimento de mulheres, movimento das vereadoras dessa casa foi fundamental para que eu pudesse assumir a presidência e a gente tratar de fato essa comissão como uma prioridade dessa dessa dessa casa. Eh, e é fundamental que a Comissão da Mulher, que as entidades, que o poder público, o executivo, a, as diversas organizações do movimento acompanhem esses trabalhos, porque nós sabemos as dificuldades que nós vamos encontrar nesse processo para poder fazer as investigações com afinco, com transparência, com seriedade e compromisso que essa pauta merece. Nós sabemos já, né, da das dificuldades que normalmente as mulheres encontram para poder de fato ah eh garantir a responsabilização dos seus agressores. As dificuldades são encontradas eh em diversos obstáculos, né? A partir a partir do momento que a mulher já faz uma uma denúncia, ela já começa a sofrer com a difamação, ela já começa a sofrer com a desacreditação daquela denúncia. a gente, a gente reconhece esse ciclo e muitas muitas mulheres, por isso também não chegam a fazer as denúncias de agressão. Então, por isso que é importante que movimento de mulheres acompanhe esses processos, esteja junto para fortalecer e garantir que a pauta ela tenha o máximo de prioridade e e a responsabilidade que o poder público precisa garantir. Eh, nós aqui, ah, vereadoras dessa dessa casa, né, temos esse compromisso. Vamos garantir que as investigações sobre as denúncias que tenham, que chegaram até aqui sobre o vereador Alto Alejandro, elas sejam feitas com o máximo de prioridade, de urgência, garantindo, claro, o direito de defesa do vereador, porque a comissão processante também tem esse espaço para que ele apresente, né, a sua defesa e nós vamos avaliar esse processo, mas nós não vamos medir esforço para garantir que a apuração seja feita a fundo, especialmente no ano em que nós tivemos um femin minicídio de uma servidora da Câmara Municipal de Campinas, Cristiane Laurito, servidora dessa casa, foi assassinada pelo seu companheiro junto com o seu filhinho. Então, diante dessa eh desse momento em que nós vivemos aqui na Câmara Municipal de Campinas, nós não poderíamos de maneira nenhuma tratar essa questão como secundária, né? E a gente vai garantir que esse processo seja feito com o máximo de prioridade e urgência e chamar todos para acompanhar as reuniões serão públicas. serão abertas, né, ter pela ter serão transmitidas pela TV Câmara também e, né, pelas nossas redes sociais, nós também vamos compartilhar. Importante que todo mundo acompanhe, compartilhe, possa participar desse momento e deixar o nosso os nossos mandatos, né, Maria, na disposição para que a gente também eh além dessa questão da comissão processante esteja junto e compartilhe das atividades, das políticas voltadas para as mulheres, como é o nosso compromisso já nessa casa. Então, quero, né, que a gente hoje nós tenhamos essa oportunidade de tratar desse assunto também. A Dra. Thaí vai entrar com a gente daqui a pouco, mas que nos próximos nas os próximas semanas serão decisivas pro debate de mulheres aqui na cidade. Então, que todo mundo possa acompanhar com a gente essa questão. É isso. Muito obrigada. Obrigada, Fernanda. Eh, bom, primeiro, eh, para começar, eu acho que hoje é um dia muito importante na história do Brasil, porque pela primeira vez a gente teve militares de alta patente presos pela o pelo crime de conspiração contra a democracia, pelo crime de golpe de estado. Então que a gente aqui quanto mulheres que vivenciamos o que foi o governo Bolsonaro, quero também saudar toda a luta e saudar esse dia que é o dia em que foi decretada a prisão, né, do Bolsonaro já no sábado, mas do general Heleno, do Paulo, do Paulo Sérgio e do Almir Ganier. Então, eu acho que isso é muito importante que a gente tenha eh quero começar aí já de antemão, começando por esse por esse tema. O segundo tema dessa dessa minha breve fala, eh, eu entendo que tem um um esta denúncia que veio contra o vereador Alejandro, ela tem uma importância fundamental, até porque a gente tá falando de um vereador dessa casa, de uma pessoa que tem eh espaço político, né? E eu acho que essa casa tem que tratar desse tema e eu acho que esse tema que ser um tem que ter um sentido exemplar. Em que sentido? Além do trato da questão da comissão processante, que o vereador tem que ser responsabilizado politicamente por isso e nós queremos a cassação do vereador e devemos atuar nesse sentido, eh, eu entendo também que nós devemos acompanhar o processo da de investigação na Polícia Civil, porque essa é uma realidade de tantas e tantas mulheres. Eh, claro que ganha mais destaque porque é um vereador, mas existe uma dinâmica da violência. Existe uma dinâmica da violência e é uma luta nossa cotidiana do movimento de mulheres para que uma denúncia e a violência contra a mulher seja combatida. Então, acho que é o momento também que a gente precisa fazer isso como um caso exemplar e fazer esse processo de acompanhamento do da investigação civil é fundamental para que a gente possa conseguir inclusive avançar na determinação das políticas e a não só a determinação das políticas, mas a forma como as políticas são implementadas. Porque pela nossa experiência, todos nós sabemos no na questão da violência contra a mulher, a forma como as políticas são implementadas faz toda a diferença. É a forma como as políticas são implementadas que vão dizer se eh uma agente vai ter uma impunidade ou não, se a se a mulher vai ser revitimizada ou não, se essa mulher vai estar submetida à pressão, à ameaça ou não, se a gente tem o risco de um feminicídio ou não. Gente, essa é a experiência que nós temos, porque existe uma dinâmica da violência. A dinâmica da violência, quando a gente fala da violência afetiva, a violência íntima, a violência que acontece dentro das relações afetivas, a violência que acontece dentro de casa, que acontece no namoro, é uma é uma violência muito mais complexa. É uma violência porque envolve um círculo de pessoas comuns, ela envolve eh envolve relação afetiva, ela envolve compartilhamento muitas vezes, da casa, compartilhamento de rotina, envolve uma intimidade. E uma coisa assim, eu já vi muitos casos de violência virem à tona e eu acho que a gente precisa ter uma uma compreensão de como uma mulher que sofre uma violência e que ela faz uma denúncia, como isso não é uma decisão fácil na vida da mulher e quais são as questões que ela essa mulher tá submetida. Porque quantas mulheres quantas mulheres já não denunciaram uma agressão e foram eh deslegimadas? foram de das múltiplas formas, das formas mais violentas e e diretas, mas já foram eh violentadas num muitas vezes num âmbito muito mais sinuoso do que eh uma violência imediata, né? E quantas mulheres já não foram ameaçadas, quantas já não foram eh retalhadas. Então, essa é a dinâmica. E isso eu digo porque eu sei que assim, nós mulheres passamos por isso e vivenciamos isso na nossa vida. E a gente sabe que essa essa essa situação da dificuldade de que você sofrendo uma violência faça uma denúncia de uma violência e aquele aquela pessoa, aquele pessoa que violentou que consiga ser responsabilizado. A gente sabe que isso é o que leva ao feminicídio. Então, se a gente tem tantos feminicídios, é porque o âmbito da violência, na medida que ela tem relações afetivas, é muito difícil de ser lidada. E eu acho que por isso que nós podemos, nós devemos fazer isso com uma medida exemplar. Tem um outro aspecto da dinâmica da violência que eu acho que é muito e que no caso do Oto veio à tona e quando veio à tona aquela denúncia, eu até falei para alguns vereadores aqui dessa casa que é o seguinte: quando tem uma denúncia pode esperar que vão ter outras. Isso nós já vi muitas vezes acontecendo. Basta o que acontece é que os violadores, aqueles que cometem a violência contra a mulher, eles partem do do pacto do da do macho, né? Vou chamar assim, do pacto do macho para permanecer praticando violências contra várias mulheres. Isso é isso é a prática. E basta que uma mulher tenha a coragem de fazer uma denúncia, nós sabemos que aparecem várias denúncias. E foi o que aconteceu no caso do OTO. Aí apareceu a questão, um vídeo sobre a Guarda Municipal, apareceu a situação do ônibus em que ele empurra uma mulher no ônibus, apareceram vários momentos, vários fatos e nós que estamos aqui, que convivemos com Oto, que estamos, que estamos, somos vereadoras com Oto, a gente sabe muito bem, a gente sabe da prática das inúmeras violências políticas de gênero que já aconteceram. Então, quando apareceu, a gente não teve dúvida alguma de que era realidade. Nesse cenário, eu acho que a gente precisa que até quero agradecer a presença da Carol. Vamos passar logo mais paraa Thaís. Acho que a gente precisa entender e compreender como que funciona feito uma denúncia, como que essa como que é o processo da denúncia da investigação. Eu acho que isso é fundamental. O Oto trouxe um elemento que eh ele falou na tribuna que ela teria aberto mão, que a denunciante teria aberto mão da medida protetiva e que teria se retratado com relação à à denúncia realizada. Eu acho que é importante dizer que no caso da Lei Maria da Penha, a continuidade do processo de investigação não tá condicionado a representação. E não está condicionada a representação exatamente por conta da dinâmica da violência que afeta as mulheres que resolvem fazer denúncia. A gente sabe, as mulheres que resolvem fazer denúncia, muitas vezes elas são ameaçadas, elas são sofrem todo tipo de pressão e exatamente por isso é dever do estado, independentemente da mulher querer continuar e da representação a esse processo, é um dever do Estado continuar. Esse é o primeiro fato. O segundo fato é que o ele alega que não houve que não havia situação de violência. O próprio vídeo que foi publicado é uma prova de que existia assim, no mínimo, uma violência psicológica, porque ele chega na porta da casa dela batendo na na na dando murros na bancada, pressionando a funcionária que tá lá, violentando a funcionária que tá lá. Então, na minha, no meu entendimento, e eu acho que essa é uma discussão que a gente precisa fazer, aquele vídeo já é uma prova, já é uma prova bem robusta de que no mínimo, essa menina, essa moça estava sofrendo violência, eh, violência psicológica e continuada, porque esse vídeo é de abril. Essa é é uma questão. Algumas apontamentos que eu que eu queria já colocar aqui que a gente algumas ações e algumas propostas que nós já estamos tomando de de procedimento e eu queria colocar para debate para que as pessoas pudessem até comentar. A primeira foi um ofício que nós, enquanto vereadoras, encaminhamos paraa delegacia responsável pelo caso do de investigação. Nós solicitamos que fosse requerido os vídeos eh desse desse prédio, né? Os vídeos tanto no eh anterior à denúncia quanto depois da denúncia para a gente que a gente tivesse acesso a essa a essa a esse material. Eu acho que a gente pode encaminhar, inclusive, eh, é uma das propostas que a gente faça uma visita da Comissão da Mulher até a a a delegacia responsável. E eu queria convidar também todas as entidades, a o conselho, a secretaria, para que a gente faça essa discussão, faça essa visita na delegacia para que a gente possa acompanhar de perto os mandatos como um todo, né? não só as vereadoras, mas os mandatos como um todo para que a gente possa acompanhar de perto esse processo de investigação. E a segunda questão que eu também quero colocar aqui como um elemento, uma proposta é que o vereador Alejandro hoje cumpre o papel de presidente da comissão de constituição legalidade, que é uma das principais comissões aqui da casa. E como presidente da comissão de constituição e legalidade, o vereador Oto Alejrando tem controle da pauta e da nomeação da da nomeação de relatoria. tem controle sobre a tramitação dos projetos como um todo. Enquanto acontecer a comissão processante, eu entendo que a gente precisa, nosso pedido é, a gente vai encaminhar esse ofício para a presidência da Câmara pelo afastamento do vereador Alto Alejandro da Comissão da Comissão de Constituição e Legalidade, porque enquanto acontece a comissão processante, ele é um poder que ele tem e que pode interferir no processo da comissão processante. Nós vamos, eu trouxe aqui um ofício, vou propor paraas vereadoras para nós assinarmos em conjunto, mas também quero abrir aqui para os outros vereadores que não fazem parte da comissão e para os movimentos também que a gente faça uma assinatura que é um que seja um pedido das vereadoras, mas também um pedido da sociedade civil. Esses dois encaminhamentos. Então eu passo a palavra para a Carol Cava. Oi gente, boa noite. Boa noite, vereadora Mariana. Vereadora Fernanda, obrigada pelo convite pra gente conversar aqui um pouco, né? Eh, a gente já conversou um pouquinho aqui antes e assim, é, é, se a saída, ela necessariamente passa pelo coletivo, né? A gente sabe disso. Então, assim, claro que pensando juntas e juntos a gente consegue ter eh elaborar melhor, né, as coisas. Eh, bom, Mariana, hoje você falou do dia de hoje, hoje também é o dia 25 de novembro, né? Um dia super importante pra gente. É um dia de combate à violência contra a mulher. Hoje nós não fizemos o nosso tradicional ato na rua porque muitas das nossas estão na marcha das mulheres negras em Brasília, estão marchando lá. Mas a gente vai fazer sexta-feira aqui. Eh, que dia do mês? Não sei que dia do mês é, mas é sexta-feira agora. Ah, no final da tarde, na Praça da Catedral. Acho que a algumas companheiras foram hoje de manhã na prefeitura, né, logo cedo, mas o nosso ato unificado de fim de tarde que a gente costuma fazer, então, será na sexta-feira. Então, hoje é um dia muito simbólico também, né, que a gente tá aqui falando sobre isso e e também com as nossas energias nas nossas companheiras que estão lá em Brasília marchando. Eh, eu também não preparei muita coisa, né, que foi tudo meio em cima da hora, mas eu acho que a gente tem que pensar em algumas, eu fiquei pensando em algumas coisas assim que a gente até já conversou aqui. Eu acho, Mariana, que a gente que vale a pena tentar protocolar um pedido para estar neste inquérito como terceiro interessado. se a delegado, a delegada vai deixar ou não, a gente não sabe, mas pede, né? Porque, enfim, afinal de contas, é um é um eh um interesse público, ele é um vereador, ele é um homem público, eleito, né? Enfim, então acho que é a sociedade campineira tem o direito de acompanhar isso de mais de perto. Não sei se delegado ou delegado vão vão deixar, mas acho que também não custa pedir. A gente sabe o quanto o jurídico ele é muito político, né, gente? Então assim, a mobilização com permanente, quantas vezes a gente já foi na frente da delegacia das mulheres aqui, gente, fazer ato e quanta, quantas vezes a gente ganhou as coisas com pressão? Porque se deixar para os ritos irem andando sozinhos, a burocracia não vai cuidar da do direito das mulheres, não vai cuidar, né, eh, adequadamente disso. Então, acho que a gente tem que permanecer mobilizadas. Foi muito importante a presença das mulheres na semana passada, né, na Câmara. E acho que essa mobilização permanente, acho que a comissão tem esse esse papel, né, de de aglutinar as aliadas, os aliados, eh, os movimentos, todo mundo que tá com a gente, pra gente se manter mobilizado com relação a isso. Eh, eu fiquei pensando também, Mariana, que a gente já comentou um pouco, a própria Comissão da Mulher eh, fez uma reunião esse ano, alguns meses atrás, com a Dra. Maira Requia para tratar sobre assunto de violência política de gênero. E eu acho que é um um caldo também que a gente tem que aproveitar. esse assunto tá quente. Eh, nas falas das vereadoras, todas as vereadoras na semana passada foram eh bem claras, dizendo que esse esse o acusado, né, o Alto Alejandro, ele é um cara violento também na Câmara, né, também nas sessões. Eh, a gente e aí acho que a Maira trouxe muita coisa legal para pensar assim, o quanto vocês também precisam ser protegidas no ambiente de trabalho de vocês, né? é a Câmara dos Vereadores é um ambiente de trabalho. Então isso é uma é uma violência dentro do dentro desse espaço que é que tem que ser muito protegido, né? Então talvez aproveitar esse caldo eh para pensar pegar o regimento da casa também. Ela deu algumas dicas boas, né, de sei lá, de criar uma ouvidoria especial com uma escuta especializada para as mulheres que sofrem violência política aqui dentro da casa, servidoras também, né? Eh, essa questão do afastamento dele, gente, é um absurdo ele não ser afastado enquanto tá respondendo para uma comissão processante, né? Então, assim, pediu o afastamento da da Comissão de Constituição, eh, e Justiça, Legalidade, né? Agora ele continua como vereador da casa, né? operando, enfim, falando, tando ali. Então, precisava dar uma pensada, né, eh, no regimento, ver se há saídas possíveis, assim, o que que pode fazer dentro da da Constituição, né, do que que dá. Eu acho que a Maira deu algumas ideias boas e pensar nisso também, né? Assim, eu eh tem várias entidades que estão afastando homens com denúncia de violência doméstica também dos seus ambientes de trabalho, né? O OAB tá com trabalho assim, né? De afastar advogados. Então pensar o que que a gente pode, o que que se pode pensar aqui na casa também, né? Para que o ambiente de trabalho não fique tão tóxico para vocês, que já é, né? Tóxico de um modo geral e ainda tem que aguentar esse tipo de coisa. Então, eh, acho que foi um pouco isso que eu fiquei e também pegar o material. Gente, esse ano a gente fez os processos de conferência, né? Então, eh, na conferência nacional em Brasília, muitas de nós aqui estávamos lá, a gente aprovou seis propostas com relação à violência política de gênero especial, especificamente. Então, eh, acho que vale a pena pegar esse documento, debater, tem os documentos da municipal, mas pegar o da nacional, ver o que que dá pra gente incorporar pros municípios, porque a última conferência tinha sido há 10 anos atrás, em 10 anos a gente pensou e elaborou muita coisa, né? Então, acho que também vale a pena a gente pensar junto ali o que que dá para aproveitar desse caldo de não só acompanhar este caso específico, mas que outro que seja exemplar também e que também seja exemplar e que sirva de precedente para eventuais mudanças legislativas que a gente possa fazer dentro dos regimentos internos aqui, né? É bom lembrar, né, Mariana, eh, a lei Maria, a Lei Maria da Penha vai fazer 20 anos o ano que vem. E essa questão de que a mulher não pode mais se retratar e pedir eh desistir da denúncia é muito recente. Foram por anos as mulheres com violência física e foi aos pouquinhos, né? Primeiro o Supremo disse que é porque violência física não pode se retratar, tal. Então assim, por muitos anos, mais de 10 anos, as mulheres faziam denúncia e depois retiravam denúncia. Até que alguém entendeu que, nossa, será? Talvez elas estejam sendo coagidas, então, para retirar essa denúncia. Então, assim, a gente tem que evoluindo, tem que ir aprimorando e são com os casos concretos, com casos específicos assim que a gente elabora e consegue tentar avançar. Então acho que usar desse caso também para pensar internamente aqui o que fazer e assim e os partidos também, gente, como é que os partidos podem ter dentro dos seus quadros vereadores eleitos com denúncia de violência contra a mulher, né? Então assim, eu sei que não é do âmbito municipal isso, mas a gente também tem que pautar isso, pô. O cara vai ficar lá assim, né? Então temos que respons aquilo que a gente sempre fala, né? A violência doméstica, a violência contra a mulher, ela não é uma questão só da vítima, ela é uma questão de toda a sociedade, é uma responsabilidade de todos nós lidar com esse assunto. Então, eh, acho que é isso por enquanto. Algumas ideias aí pra gente pensar e contar com com a gente, com a mobilização, tanto no movimento de mulheres, do conselho, a gente vai tá lá para acompanhar de perto isso. A Secretaria das Mulheres, eu imagino que também vai dar esse apoio, eh, porque é isso, assim, é acompanhar de perto, é pressionar e fazer andar este inquérito com a velocidade eh que ele precisa ser, porque o caso é grave, é sensível, é público, para que a comissão processante também possa ter embasamento, né, e usar do que foi apurado no inquérito também, usar a prova de lá para cá e e o contrário também. Tá bom? Por enquanto é isso. Vamos conversando. Vamos ver o que que sai. Eu tenho certeza que vai sair coisa boa daqui. Certo. Obrigada, Carol. Enquanto o Edivaldo tenta falar com a Thaíse pra gente ver se a Thaí é, porque a Thaí Cremasco tá numa, ela, na verdade, ela tem um evento às 8, ela entraria agora, mas ele tá tentando fazer esse contato. Enquanto isso, a gente vai eh abrir aqui pro público pras falas, considerações. Quem quer? Tá bom. Boa noite, gente. Eu sou Talita, eu sou do Movimento de Mulheres Alga Benário. Eh, queria começar primeiro sobre o dia 25 de novembro mesmo, né? E é muito importante, né, ter a prisão aí eh do Bolsonaro, inclusive no dia 25 de novembro, eh, que é a luta, né, pela eliminação da violência contra as mulheres, foi o assassinato das irmãs Mirabal, que lutaram contra a ditadura lá na República Dominicana, né? Então, eh, sempre as mulheres, né, denunciando, eh, esses atos contra, eh, a ditadura, né, contra a nossa democracia. Eh, e eu acho que o principal, assim, obviamente, né, tem vários elementos, né, eh, mais jurídicos, que eu entendo pouco, mas eh o afastamento imediato, porque como as vereadoras colocaram, né, é um, tipo, é um poder que ele tem na mão, né, e a violência contra as mulheres acontecem justamente porque a gente vive numa sociedade pautada eh pela propriedade privada. né? Então, a partir do momento que o homem entende que a mulher é sua propriedade privada, vai entender que pode fazer tudo mesmo, né? Então, não só no âmbito, né, físico, mas é isso, moral, assédio político. Eh, e venhamos e convenhamos nessa casa que não acale tão bem as mulheres, né? Porque a maioria são homens aqui, inclusive. Eh, então, eh, o afastamento dele imediato é o que a gente precisa correr atrás, acho que esse ofício, eh, e pedir uma esclarecimento da prefeitura da cidade de Campinas, o Dário Saad, né? Porque a realidade é que a gente tem hoje 19 feminicídios na região metropolitana de Campinas, eh sendo que a os últimos que aconteceram eh as mulheres tinham medida protetiva, então a gente precisa avançar muito ainda na pauta de como que a gente faz as políticas públicas funcionarem. Só que elas não vão funcionar se o prefeito da cidade fala que tudo bem ter um vereador assediador, tem um vereador que coagem as mulheres. Então, eh, não podemos desresponsabilizar a prefeitura do Dário Saad por esses 19 feminicídios que aconteceram na cidade, porque não é como se a Campinas fosse uma cidade pobre, né? tem 9 bilhões aí de orçamento e quais são eh parte desse orçamento que tem sido revertido pro enfrentamento à violência? Porque depois que a mulher também já sofreu a violência, né? Quais as condições que a gente tem de não chegar no feminicídio, né? Visto que nem a medida protetiva é suficiente. Eh, então eu acho que a Comissão de Mulheres eh acho que deve abrir mais então espaços pra gente falar sobre o enfrentamento à violência como um todo, né? eh e fazer com que essas coisas não passem. Então, acho que foi muito importante essa ação rápida, né, eh, de ter a comissão processante, eh, e da gente conseguir avançar nesse sentido de, eh, afastamento mesmo do então vereador. E e aí acho que a Carol colocou muito bem as mobilizações, né, a os movimentos de mulheres, a comissão eh precisa chamar mais as mulheres, trabalhadoras de Campinas para estar nas ruas e lutando contra isso, porque a realidade é essa, né? A gente eh não conquistou nenhum direito. A Lei Maria da Penha não veio porque algum poder público, né, queria dar pra gente, mas sim foi muita conquista assim de luta das mulheres na rua. Então, no dia 28, né, que é sexta-feira agora, que vamos fazer o nosso ato unificado, devemos mobilizar muito as mulheres trabalhadoras para estar nesse ato e pautar isso também, né, porque não dá pra gente, porque é isso, né, legitima qualquer outra ação, eh, para pra violência continuar contra as mulheres, né? E hoje a gente fez um ato na frente da prefeitura e e é isso, né? novamente foi fechada as portas, né, da prefeitura pro movimento de mulheres Benário, que tem atuado dia a dia no enfrentamento à violência aqui na cidade. Eh, então isso também mostra a resposta do Dário Saad sobre a questão do loto. Eu acho que a gente vai precisar pressionar muito a prefeitura, eh, para que se responsabilize também por isso, por essa situação assim que tem acontecido aqui na Câmara. Obrigada. Mais o quê? Obrigada, Talita. Lembrando que a Talita também é da ocupação Maria Lúcia Peti, que é um movimento de luta que tá reivindicando um espaço aqui na cidade de Campinas, um espaço de acolhimento. Então, parabéns, obrigada pela tua presença. Edilene, por gentileza. É, boa noite a todas as companheiras e companheiros aqui presente. Eu sou a Iene Santana, do Sindicato dos Químicos Unificados da Intersindical Fetiqu, do Coletivo de Mulheres, né, do Movimento aí Social da cidade. Eh, a cada 15 segundo uma mulher, né, é agredida. Aí eu tava aqui pensando, enquanto a gente tá aqui, quantas mulheres já foram agredidas, né? Isso. Eh, a Mariana, minha companheira de partido, de luta, Mariana, Fernanda, Carol e várias outras aqui presentes. Eh, só a gente sabe, né, quando a gente vê uma mulher e sabe de que uma mulher foi agredida, o medo que a gente passa. Eu amo ser mulher. Eu amo ser mulher preta. Eu amo ser mulher nordestina, favelada, mãe solo, vó solo. Mas ao mesmo tempo é muito assustador, porque cada dia que a gente tá passando, cada momento que a gente vê, parece que tá muito normal, né, nós mulheres ser agredida de alguma forma no nosso local de trabalho, no nosso na rua, em nossas casas, nem nas nossas casas, mas era onde o lugar que a gente se sentia tão seguro, a gente não se sente mais, né? E isso é uma marca que fica pro resto da vida. E aí às vezes eu olho pra minha neta, eu fico pensando o que vai ser dela quando ela tiver 15 anos, né? E até mesmo criança, que a gente vê casa com as crianças, né? Com as nossas crianças. E assim, quando a gente vê um espaço desse, que é um espaço para se eh se falar sobre políticas públicas paraas mulheres, paraas pessoas, ter um vereador, né, eleito que pratica esse tipo de crime. E parece que é normal. No dia, na segunda-feira, eu tava aqui, aonde um vereador falou que foi conversar com o com o vice-prefeito e ele falou que ele não ia se meter nessa história. Vocês lembram disso? O vereador falou da base dele. Então assim, é vergonhoso isso e a população tem que saber, tem que saber quem foi eleito e que essa pessoa não vai defender as mulheres, não vai defender a classe trabalhadora, que é a maioria dessa cidade do Brasil. Qual o futuro que a gente quer? Será que daqui uns dias isso tudo acontecendo? Eu tenho certeza que daqui uns dias nós não vamos estar aqui falando sobre nenhum tipo de política, porque não vão deixar, né? Hoje é um dia muito importante, dia 25 de novembro, aonde também, né, começou a ser importante há um tempo atrás, mas sábado foi um dia muito vitorioso paraa classe trabalhadora, para as mulheres e hoje mais ainda, porque se tem essas pessoas, se tem uma pessoa ainda que que se diz, né, que tá no poder, que é uma pessoa que tem grande repercussão, que defende esse tipo de coisa, que é a violência contra a mulher, né, que é que é que é eh eh retirada de direito da classe trabalhadora. E é nosso papel, a gente eh eh levar para essas pessoas a consciência de classe, sabe? Falar: "Ó, tá falando das mulheres. As mulheres pretas é onde sofre mais, mas as brancas também sofrem. E para uma pessoa, para uma mulher chegar a fazer uma denúncia dessa, ela já sofreu muito, mas muito mesmo. Enquanto a Mariana tava falando, teve algum momento que eu fiquei emocionada aqui, sabe? Porque só quem passa e vive de perto isso sabe a cicatriz que isso fica o resto da vida dela. Tem mulheres que não conseguem mais se relacionar de tanto trauma que ela tem. Então isso é muito sério e é a obrigação de quem tá nesses espaços, tentado nessas cadeiras e essa pessoa não deve, não merece est sentada nesse lugar. E é cassação imediata. essa pessoa não deveria nem mais entrar aqui enquanto não fosse resolvido esse caso. E me desculpem, eh, é muito difícil para nós mulheres chegar em uma delegacia em qualquer lugar, porque o mau atendimento começa lá. O que você fez? Eu tava conversando com a pessoa no meu bairro, ele falou assim: "Ah, eu tava falando sobre o caso, né, do vereador, infelizmente." E aí ele virou assim e falou assim para mim: "É, mas tem que ver, né? Porque é, tem que ver o que ela fez, porque tem mulher, eu falei assim: "Ei, não tem justificativa nenhuma, nenhuma agredir uma mulher, nenhum, nenhum tipo de violência, ó, porque assim, é, é uma coisa e assim nós temos, eu quero dizer aqui que eu como pessoa Edilene, Sindicato dos Químicos Fedien, nós estamos juntas nessa luta, né? Temos companheiros também, né? Porque temos que ressaltar aqui que tem companheiros que segura a nossa bandeira, que tá junto com a gente, né? Que que é o fim total da violência contra a mulher, que a cada dia. A gente viu passar na na esses dias o último, se eu não me engano, que tem vezes que a gente, pra gente não ficar também meia com a cabeça meia ruim, a gente escolhe também às vezes nem, né, nem ver notícia, falar: "Hoje eu não vou ver porque tá uma coisa absurda". foi eh eh espancar a a mulher e o filho tá gravando de 14 anos, né? E quantas delas tá nesse momento lá que fica calada, que tem vergonha de falar, né? É a violência financeira, é psicológica, é a física. Então é vários tipos de violência que nós mulheres passa e a gente não aguenta mais, né? E para isso queremos também, né? pode contar com a gente, é chamar. Queremos acompanhar de perto. A gente faz questão, acredito que todas nós mulheres fazemos questão de acompanhar de frente e temos que bater muito nas redes sociais e denunciar a todo momento e cobrar do prefeito Dário Saad e dos vereadores e de todos eles que estão aqui. Uma posição correta e vamos acompanhar e Fernanda, junto com você. você não está sozinha, vamos acompanhar de perto. Qualquer coisa só chamar que a gente vai ficar com a 24 horas junto com você pra gente eh acabar de vez com esse tipo de violência, porque aqui não é lugar, né, se for comprovado, isso aqui não é lugar de agressor estar num espaço tão importante que é por isso que tem muitas pessoas que não acreditam mais na política. Tem muitas pessoas desacreditada na política por conta de uma pessoa desce a política. É um assunto muito sério que muda a vida de verdade de pessoas e nós estamos cansadas de lutar para sobreviver porque nós temos o direito de viver, né? Temos o direito de ter dignidade. Muito obrigada. Estamos junto aí. Obrigada, Edilene. Virgínia quer fazer uso da fala. Oi, boa noite para todos, todas. Eu sou Virgínia, sou professora aposentada e construo o mandato da vereadora Fernanda Solto e com muita satisfação e muito orgulho. Aí eu queria lembrar ah, bom, primeiro fazer uma referência às falas aqui, todas elas muito importantes, né? Vocês lembraram aí o dia de hoje. Ah, e a gente vem aí já de uns 6 anos pelo menos, que a gente tá lutando contra um grupo político, né, que praticou muita violência verbal, né, o o indivíduo que tá preso hoje, Bolsonaro sendo preso hoje, ele foi um uma figura que incentivou muito essa a violência contra a mulher, né? E além disso, quer dizer, o Oto é um representante desse grupo político e além dessa violência eles são a favor do escola sem partido. E eu eu fui uma um alvo, vamos dizer assim, eu não me coloco como vítima, mas mas eu fiz um alvo do movimento escola sem partido em Vinhedo, por conta de trabalhar com os alunos a a luta contra a violência mulher. Eu quase fui exonerada. do meu cargo por conta de insistir, né, e dar trazer a Lei Maria da Penha pro debate em sala de aula. E aí eu penso que a gente tá no momento, não é combatendo o o Oto, mas o representante desses desse grupo que está aí ainda, né, se se enfraquecendo, felizmente, mas assim, querendo permanecer, né, na nas instâncias de poder, tanto nas câmaras quanto na administração pública. E eu penso que a gente precisa pensar no no caráter educativo também dessa dessa comissão, né? Porque isso não pode simplesmente terminar aí, não é? Punir o e acabou. Nós precisamos levar isso, sabe? ao longo desse processo, depois desse processo, cobrar que as escolas tenham no seu plano ah político pedagógico, o trabalho, uma semana específica, dias específicos, enfim, que esse tema seja bastante eh divulgado. Eu, na minha experiência como professora, ah, comecei a receber os relatos a partir do momento que eu falava desse tema em sala de aula. Sabe? E aí as pessoas começou a criar uma referência, porque ó, a professora escuta, ela entende o que que é, tá? Sabe o que eu tô vivendo, né? E há uns 15 dias, inclusive recebi, tava à noite em casa, recebi um recado de uma mulher que estava vivendo uma situação de ameaça e ela não sabia como proceder, né? E eu lá de casa orientando, ao mesmo tempo eu ligava pros equipamentos de saúde que dizem que vão socorrer essa mulher e nem eu conseguia o contato, não conseguia falar. E aí fui orientando, falando com ela, explicando. Felizmente, né, o o era um ex-companheiro, ele não tava mais no mesmo ambiente, não não habitavam, não coabitavam. E no dia seguinte ela tomou as providências, foi fazer o boletim de ocorrência, etc. Mas quantas mulheres não estão aí, né, morrendo de medo, né, não conseguindo dormir, tendo que trabalhar no dia seguinte com toda essa carga, todo esse peso. E eu acho que a gente precisa enfatizar, né, que nós precisamos levar isso pras escolas, para que to todo mundo precisa saber como fazer, o que é a violência, né, como ela acontece e entender que a nossa luta aqui ela é muito maior do que o OTO. É contra um grupo político que veio, né, e buscou. Eu acho que nós nós assim nós fizemos uma resistência muito forte, muito intensa, né? Estamos aqui. Ah, e assim, não é só a pessoa dele, mas é um jeito de fazer política, é um grupo que, assim, planejou um retrocesso gigante na nossa sociedade. Com certeza. Se o Bolsonaro tivesse sido caçado como deputado, quando ele falou para a deputada que ela não merecia ser estuprada, ele não viraria presidente e não teria feito, cometido tantos crimes que ele cometeu depois. Então é com certeza um forte indício, né, de que isso fica aí como reflexão e que nós não podemos deixar nenhum machista passar. por favor. Eh, boa tarde a todas e todos aqui presente. Ana Paula Bgevenga, eu estou presidente da UBM Campinas e estou conselheiro local de saúde do Eulina. Estando conselheiro local, eu hoje tive uma reunião que eu achei muito interessante, né? Eu o pessoal divulgando, né? O que você fez no seu no seu espaço de melhorias, tal. E teve o pessoal do padre Ancheta, que eles estão fazendo um trabalho dentro das escolas de conscientização para as meninas sobre corpo, sobre questão sexual, tal, né? E alguém ali no espaço levantou o seguinte questionamento: "Mas você sabe se isso é legal?" E esse questionamento ficou aqui na minha mente, né? Como assim legal? conscientizar as nossas meninas que se tornarão mulheres dos seus direitos, do direito do seu corpo, do seu direito de ir e vir, do direito de ter filho ou de não ter. E eu fiquei pensando sobre isso. Passado essa questão, né, questionei alguns pontos que eu não concordei. Recebi uma ligação de uma menina que ela foi vítima de violência com o familiar, o tio, no final de semana. E pasme porque ela foi agredida, porque o Bolsonaro foi preso. Partindo desse princípio, eu fiquei aqui pensando novamente, mais uma vez é a mulher vítima por questões de homens que se julgam no direito de calar, de impor o seu posicionamento político. E aí, né, com essa história do Oto, essa postura dele que de antemão para mim, só de ser do PL, para mim já é alguém que, infelizmente, esse é o meu ponto de vista, não tem critério nenhum nem para estar dentro da casa. Entretanto, foi votado, lá ele está. Tô fazendo esse link porque tem um outro eh vereador que foi recentemente preso em Piracicaba, PASM, também, né, paraa nossa surpresa ou não do PL. Eh, ele foi preso por crimes sexuais, chamavam as mulheres oferecendo eh supostamente um auxílio, né? Mulheres carentes, fragilizadas financeiramente. Mais uma vez é a mulher, né, no jogo da situação, onde ali ela se encontra como vítima e vítima que tem que ficar calada. Aí eu parto da seguinte, do seguinte princípio. Até que ponto esta carta que supostamente tá sendo apresentada realmente é uma vontade desta mulher vítima deste ser, né, desse? OK. Até que ponto isso é verdadeiro? E se for verdadeiro, achei muito interessante a questão que a Carol levantou de colocarmos eh a comissão como terceiro interessado. E como terceiro interessado, Carol? Achei até bacana pedir uma quebra de sigilo telefônico, porque se ele fez contato, todo mundo tenta fazer contato com essa moça para oferecer o apoio, porque é isso que nós mulheres fazemos, né? Estendendo uma mão paraa outra, oferecendo um apoio coletivo, oferecendo uma rede de apoio. Esse contato não tá sendo possível. E como que ele conseguiu esse contato? Algum meio ele teve? E qual será que foi a orientação que essa moça teve? Desligue o seu celular, não fale com ninguém. Então eu acho que se a gente conseguir realmente eh essa participação como terceiro interessado, já dentro desse pedido, pedir uma quebra de sigilo telefônico, porque é um meio que nós vamos conseguir eh claramente eh dentro de uma legalidade, né? Eh, eu estou dizendo já a princípio a parte já na parte processual, criminal de investigação mesmo, para não deixar isso passar, porque gente vai passar essa situação, vai passar outras e outras e as vítimas serão sempre as mesmas, nós mulheres. Obrigada. Mais alguém quer fazer uso da fala? A verdade a gente tá, não sei, acho que teve algum problema técnico com a Thaís, né? A gente não tá conseguindo, não sei se ela tá sem sinal, mas também já tá chegando perto do horário que ela, limite que ela tinha colocado. Então, gente, eh, respondeu, ela consegue pode já entramos agora. Agora, agora de imediato. Cataí. Posso fazer uma memória, gente, enquanto a Thaí não entra, que eu tava lembrando aqui, que eu acho que é um espaço super oportuno. Campinas teve aquela chacina de mulheres em 2015. Nós vamos fazer 10 anos disso agora no Reveon, né? Foi em 2015 para 2016. Foi 2016 para 2017. Foi porque foi, eu fui no meu primeiro ano que eu fui eleita. É mesmo? Foi 2016 para 2017. Tenho, vamos levantar essa história que eu na minha cabeça, tá? Mas pode, pode ser no revei no reveon. Foi no reveon. Foi no dia primeiro de janeiro. No dia primeiro de janeiro era posse dos vereadores. Eu era a única mulher na Câmara. Então, de qualquer forma, a gente tem um ano para pensar o que a gente vai fazer sobre isso. E o mais importante desse fato não foi, tá? Aí, estou acabando um segundinho, você já fala. O mais importante desse fato foi que o delegado arquivou o processo e não colocou como feminicídio. A gente deitou na rua na glicério porque a lei do feminicídio era muito recente e isso fez com que inclusive a polícia civil mudou o protocolo dela. Hoje se encontra uma mulher morta dentro de casa, eles partem. A polícia civil, a investigação parte do pressuposto que foi feminicídio, coisa que não acontecia na época. Então é uma história triste que a gente tem na cidade de Campinas, mas que a gente tem que e que a gente tem que recuperar ela e recuperar o movimento de mulheres, enfim, e lembrar disso. Então, se foi de 16 para 17, a gente tem um ano para se organizar e não esquecer disso. Bom, Thaís tá ouvindo, tá nos ouvindo. Tá bom. Então, quero, ó, gente, tô ouvindo sim. Quero agradecer a participação da Thaís, que arranchou uma brecha aí numa agenda super corrida para falar um pouquinho com a gente. Thaís, a palavra é tua. A gente tá aqui fazendo esse debate sobre eh o processo. A Thaísa é muito experiente, né? uma uma advogada muito experiente na questão da violência e nós estávamos aqui, a Carol fez a sugestão de a gente entrar a comissão como terceira parte interessada no processo e a gente tava falando aí os caminhos para que esse processo, essa denúncia avance na polícia e também aqui dentro da casa. A palavra é tua. Tá certo? Obrigada, gente. Boa noite a todas. Eh, um prazer, desculpa entrar só para essa fala tão tão pontual e e daí não não peguei o que vocês estavam falando antes, mas eu fiquei refletindo até pelas últimas notícias, né, e pensando na estratégia caso as vítimas ou uma das vítimas mude a as narrativas dos fatos ou diga que não foi bem isso. E o protocolo eh eh fala, né, não só protocolo de julgamento na perspectiva de gênero, mas tudo que a todos os protocolos de combate à violência contra a mulher tira da vítima essa ideia de que, ah, se a vítima não quiser a denúncia, se ela não quiser o processo, ainda assim nós podemos encampar essa luta e buscar eh a responsabilidade do agente. Então assim, nós teremos um problema caso as vítimas mudem de fato a narrativa do que aconteceu. E eu acho que esse é o ponto mais grave e o ponto que a gente deveria tomar muito cuidado, porque se no interim das nossas denúncias e das investigações as vítimas mudarem a narrativa, a gente tem uma preocupação eh objetiva, né, de dizer: "Olha, então, mas a vítima retirou o fato ou diz que aquilo não aconteceu". Mas ainda assim, segundo o que a gente já tem de documentado, já tem de provas, a gente consegue dar encaminhamento eh no processo e no julgamento do processo em relação ao que já está eh gravado dentro do das provas que a gente tem. Então eu tinha pensado que independente da narrativa da vítima, é absolutamente possível que a gente dê continuidade no processo. Acho que desde o início a gente tem que colocar tudo com o pedido de julgamento do protocolo na perspectiva de gênero do CNJ, né? porque lá fala de processos judiciais, administrativos e todo. Então, a delegacia tem que seguir o protocolo, tudo tem que seguir o protocolo. Então, eu acho que a gente tem uma ferramenta e muitas ferramentas legais para conseguir ter sucesso nesse processo, mas eu eu a minha preocupação pessoal diante dos últimos acontecimentos é enxergar a mudança na narrativa das vítimas e como isso poderia impactar no nosso trabalho. Então não vim aqui para trazer problema, mas eu acho que a gente tem que estar preparada para isso. Daí eu vou ouvir vocês para eu continuar as minhas falas. É, na verdade a gente já tá caminhando pro final. Ô Thaís, o que a gente colocando um pouco a síntese para que a gente apresentou aqui para você sobre esse essa é uma preocupação real, uma preocupação que nós temos, que a gente tá levantando. A gente falou um pouquinho sobre a dinâmica da violência, como as mulheres são eh pressionadas, são ameaçadas, são eh violentadas psiquicamente, ameaça física ou julgamento e uma série de coisas que a gente levantou isso, né? Então, eh, e colocamos essa questão de que uma vez feita a denúncia a Lei Maria da Penha não, a, o processo vira a responsabilidade do Estado e não tá condicionado à representação. Então, agora é obrigação do Estado fazer o processo da investigação. Isso é uma coisa importante. Também falamos sobre e sobre esse assunto que o vídeo, a forma como o vídeo apresenta, o vídeo já é uma prova, né? Porque o vídeo, ele chega na casa dela, eh, fala do nome dela extremamente alterado, bate na mesa, fala, né, agride a pessoa que tá ali trabalhando. Então, a gente comentou isso, que o vídeo já seria uma prova. Então, nós estamos trabalhando um pouco nesse sobre essa preocupação que você levantou. Estamos trabalhando nesse cenário e também a gente protocolou enquanto eh comissão da mulher, a o a investigação não foi para a delegacia da mulher, foi paraa primeira a primeira seccional. Todos os crimes que envolvem figuras políticas, elas vão paraa primeira seccional. E a gente eh protocolou um ofício pedindo que a a seccional faça a solicitação dos vídeos eh daquele prédio, seja antes eh antes da denúncia como bem depois da denúncia. Isso já foi há uma semana atrás, né? Foi mais ou menos foi foi na quarta-feira passada que a gente já protocolou essa essa esse ofício e nós também vamos aí então encaminhar essa sugestão da Carol de que nós entremos como parte e estamos também solicitando uma reunião da comissão da mulher com a delegacia e queremos convidar também todas as entidades, você também a e as as advogadas feministas, enfim, para que a gente faça uma visita na delegacia. Então, em síntese, foi um pouco isso que nós conversamos até aqui. Você quer falar? Sim. E a ideia? Sim, eu queria saber se a ideia da Carol era que a gente fosse como amigoscure. Essa é a ideia, Carol. Eu pensei, Thaí, em pedir como terceiro interessado, não sei, alguma coisa assim no inquérito. Eu não sei se é delegado ou delegado vão deixar, né? a gente nunca sabe, mas a gente, sei lá, no interesse público, o cara é um cara que foi eleito, né, com votos e tentar ver se a gente acompanha esse inquérito a gente, assim, a comissão, né, a comissão da mulher aqui na Câmara. Com tá daí a a se precisar de ajuda pra gente pensar nisso, eu acho que a gente poderia eh protocolar um pedido de participação como mesmo, né, falando da pertinência. E daí eu eu tô à disposição pra gente redigir isso para para redigir esse requerimento. Legal. É isso. Eh, mais alguma mais alguma questão, Thaíson? Ou ou é não, para mim é é isso mesmo. Obrigada, gente. Tá bom. Obrigada, viu, Thís? você eh tá no meio de uma agenda e vai entrar em outra e achar um tempinho para colaborar com a gente. Nós estamos então caminhando pro final aqui a nossa a nossa reunião. Não sei se Carol ou Fernanda querem comentar mais alguma coisa. Eh, também vou ter que sair daqui a pouquinho, mas acho que as os relatos, as falas aqui trouxeram elementos que evidenciam urgência mesmo do desse processo que a gente tá debatendo aqui na Câmara. E aí, só colocar aqui como que tá funcionando, né? A comissão processante, ela foi instaurada por unanimidade, inclusive 29 votos dos dos vereadores presentes. O escopo da comissão eh ele é delimitado pela denúncia, né? Então, o denunciante ele colocou dois eh pontos, a questão da violência doméstica, da acusação de violência doméstica e também a questão da agressão a um motorista de ônibus, que também foi veiculado em vídeos na mídia, né? a gente tem teve acesso a a esses vídeos que agora eh eh após a denúncia de violência doméstico, violência doméstica, vieram compor também esse processo. Então o escopo da comissão processante contém essas essas duas questões, né? Ah, foi instaurada, foi aberto o procedimento já e ele ainda não foi notificado. Ele provavelmente será notificado amanhã, o vereador Alto Alejandro. E a partir da notificação tem 90 dias para conclusão e não é possível estender esse prazo por nenhuma nenhuma questão, né? Então tem 90 dias para conclusão a partir do momento que ele é notificado. Então pode ser que seja amanhã, né? Nós estamos conversando com o corpo jurídico aqui da Câmara, do do eh os assuntos legislativos, pra gente conseguir fazer isso mais rápido e breve possível. Então, eh, assim que ocorrer essa notificação, a gente também vai comunicar publicamente, né? Uma pergunta, Fernanda. A comissão tem 90 dias, ela vai trabalhar no recesso. Eh, a gente tá conversando com a equipe aqui da dos servidores da Câmara para saber como vai funcionar, mas vai ter trabalho no recesso, mas tem um período em que a Câmara não abre, né, ali Natal, Ano Novo, tem esse período. Então, provavelmente aí durante um tempo não vai ter condições de ter esse andamento aqui dentro, mas a gente já tá conversando com a com a equipe do corpo jurídico, procuradoria, os servidores para garantir um calendário que não prejudique de maneira nenhuma o andamento da comissão. É, na verdade a minha pergunta era nem era do recesso, porque sei, né, que Natal, ano novo, mas a minha pergunta era em janeiro, que é um período que tá em recesso parlamentar, digamos assim. A minha pergunta é se a comissão vai ter atividade em janeiro. Vai ter, vai ter atividade em janeiro. Tá bom. Beleza. Ninguém descansa. É isso. Eh, então é isso, gente. A gente então dando aqui retomando os encaminhamentos, né? é o encaminhamento do protocolo que peço para vocês assinarem o o o pedido que nós vamos encaminhar paraa presidência com relação a ao afastamento dele da Conchileg. Eh, e aí a gente tá pedindo, né, não só pros vereadores, depois eu vou pedir pros vereadores, mas também paraas entidades, as entidades puderem assinar. Essa é a primeira questão e aí nós vamos então fazer eh essa solicitar reunião com a delegacia e aí a gente a gente conversa com o Carol, com a Thaí sobre como encaminhar. Então se é a Micos Curi, se é a terceira parte. E a gente vê aí, mas eu acho que é é o encaminhamento, é que a comissão vai solicitar para a polícia civil, paraa delegacia, que a gente entre como parte interessada no inquérito para que a gente possa eh dar tá acompanhando esse procedimento. Eu acho que por hora são esses encaminhamentos que nós temos, né? E eu acho que a Carol falou uma coisa muito importante, que é, a gente sabe que boa parte das das dos avanços que a gente teve com relação ao encaminhamento da Lei Maria da Penha, a todo o procedimento, a a gente conseguir trazer a vara de violência doméstica eh para cá, todo esse processo foi fruto da experiência real e concreta ao longo desse processo de luta. O caso do feminicídio foi muito emblemático. a gente conseguiu eh avanços, mas a gente sabe assim, né, com todas as dificuldades, mas porque houve a partir de uma experiência real concreta, houve um movimento de luta organizado para responder aquilo. E eu acho que esse também é um caso que a gente deve ser tratar dessa forma, como outras experiências que a gente já tem, tratar dessa forma, como um caso exemplar, que a partir dessa experiência realar e fazer com que eh a questão da violência seja de fato abordada e seja e os e a violência não fique não seja ainda mais no caso quando tem uma um aspecto do poder, né, que a gente sabe que tem um pouco quando poder e que os outros vereadores, né, Mariana, é claro, saibam que se eles fizerem algo parecido, também vão tomar uma comissão precisante também vão e fica com mensagem sociedade também, né, vereadores, prefeitos, secretários, eh pessoas, delegados, né? A gente sabe que quando existe poder, existe a dá exemplo, né? dar exemplo. Exatamente. É isso, gente. Obrigada. Obrigada por todas vocês. Seguimos em luta e a gente vai mantendo a comunicação, tá bom? Obrigada, Fernanda, obrigada Carol. E vamos tirar uma foto de final, né? Ai, obrigada a todas as trabalhadoras, né? cerimonial, eh, eh, apoio a comissões que ajuda a gente aqui. TV Câmara, Campinas. M.