Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, a ONU, Organização das Nações Unidas prepara a elaboração do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, que contará com 664 cientistas de 111 países no mundo. O coordenador do CEPAGRE, o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp, Davi Montenegro Lapola, é um dos convocados para participar do estudo como autor principal do capítulo oito do grupo de trabalho primeiro, que vai abordar o tema mudanças abruptas, eventos de alto impacto e baixa probabilidade e limares críticos, incluindo pontos de inflexão no sistema terrestre. Mas pra gente entender como será esse trabalho e o que é exatamente esse tema, nós estamos conectados com o pesquisador que vai detalhar pra gente. Seja bem-vindo ao giro ambiental, professor Davi. E eu já quero que o senhor explique pra gente que que tema é esse com esse nome que às vezes não é tão familiar pra gente que tá aqui do outro lado acompanhando o trabalho de vocês. Muito obrigado, Mina. É um prazer estar com vocês aqui. Eh, claro, eh, esse conceito eh que no inglês é chamado de tipping points e foi a aportuguesado para pontos de não retorno do sistema climático. Eh, são características do nosso planeta, do nosso sistema climático, que podem afetar grandes áreas do planeta e trazer eh impactos muito grandes, muito grandes. Isso já é eh já vem se aventando essa hipótese da gente cruzar esses limares críticos, né, esses pontos de não retorno já pelo menos aí 10, 20 anos, né? Eh, são alguns pontos de não retorno do sistema climático. Um deles, por exemplo, tá aqui no nosso país, que é o ponto de não retorno da Amazônia, né? a gente ter mudança climática muito severa na região, aumento de temperatura muito alto, redução de chuva muito grande também. nós perderíamos a floresta eh do jeito que a gente conhece ela hoje e teríamos aí a substituição dela por uma outro tipo de vegetação, algo como um cerrado ou uma floresta mais seca, mais suscetível a fogo. Outros desses pontos de não retorno que não ficam no Brasil, né, mas nos afetariam também, eh, tem a ver com a circulação do Oceano Atlântico, o derretimento de calotas polares, eh, calota de gelo na Greenlândia, por exemplo, que tá numa discussão geopolítica muito forte, né? Eh, então esse capítulo ele foi uma um pedido dos governos que compõe o painel para que nós elaborássemos pela primeira vez, embora essa teoria já seja um pouco antiga, como eu te falei, já tem em torno de 20 anos essas hipóteses, ele nunca havia aparecido esse assunto de forma explícita em um capítulo eh em relatórios do IPC. CC, o painel intergovernamental do mudança do clima, que há, por sinal, existe desde 1988, né? Esse vai ser o sétimo relatório de avaliação do estado do clima que que vai ser feito. E nós já estamos começando a fazer, a prepará-lo. Professor, quando o senhor fala que é a primeira vez que tem esse olhar para essas questões desses pontos de não retorno, isso é um direcionamento de que com esse estudo poderemos no futuro apresentar caminhos para, digamos que mudar essa essa nomenclatura ou até minimizar os efeitos e, claro, proteger lugares como a Amazônia e até mesmo aí esses setores. quando quando o senhor fala de da camada de gelo, quando a gente fala do alto nível do mar e outros pontos. Olha, eu acho que ele colabora, a entrada desse tema no relatório, ele colabora, é óbvio, no sentido de eh sensibilizar os tomadores de decisão em escala global, né? Mas eh eh nós já sabemos que eh não é uma falta de evidências científicas que têm eh eh obstruído a tomada de de ações pra gente melhorar essa questão de mudanças climáticas, né? Mas assim, talvez adentrando agora nesse nessa esfera de impactos em larga escala, muito grande escala, né, e que atingiria muita gente assim. Então, é um evento, quando a gente fala desses pontos de não retorno, é um evento bem diferente. Vou pegar aqui um exemplo extremo que aconteceu próximo da gente, quando a gente teve aquelas chuvas muito severas em São Sebastião, eh, em janeiro do ano passado, eh, eh, e morreram pessoas e tal. Então, assim, foi um evento severo, mas ele atingiu uma região geográfica pequena, né? E teve ali um número que hoje nós achamos que é considerável de vítimas, né? Mas quando a gente fala desses pontos de não retorno, nós vamos estar escalonando em algumas ordens de magnitude, tanto a escala geográfica que esse evento vai atingir, quanto a quantidade de pessoas que serão atingidas por isso, né? Digo isso penso você todos os pesso, eu digo isso por quê? Porque às vezes quem tá em casa e a gente que eh não tem muita familiaridade com esses termos, pensa o seguinte: "Tá acontecendo lá na Amazônia, tá muito longe de mim, eu não tenho muito a ver com isso." E o senhor acaba de citar um evento bem próximo de nós aqui na região Sudeste, do nosso país, né? Ou então, ah, tá acontecendo lá na geleira, eu não tenho nada a ver com isso. Todos nós temos a ver com isso. É, é essa a mensagem? Sem dúvida alguma, né? Se a gente pegar o caso da Amazônia, nesta época específica do ano, no verão, nós temos eventos meteorológicos que causam o transporte de umidade lá da Amazônia para cá. Então, por exemplo, se nós tivermos esse ponto de não retorno ultrapassado, se isso de fato se concretizar, a gente perder a floresta como a gente conhece ela hoje, você imagina a quantidade de umidade que nós vamos deixar de que vai deixar de entrar pra atmosfera e ser transportada para cá. Então isso vai mexer com a chuva aqui também. a questão do oceano, eh, ele que comanda. O oceano é o grande radiador do planeta, né? Então, se ele tá mais quente ou não, isso afeta demais, demais demais o clima local aqui pra gente, né? E tem toda essa interação com o derretimento de gelo, quando você tem a entrada de mais água doce, né? Porque o gelo é sempre água doce, né? você tem entrada de água doce, isso mexe com a salenidade do mar e isso mexe também aí com a com a dinâmica desse radiador do planeta. Eh, então nós estamos brincando com o maquinário planetário que nós não temos pleno conhecimento de onde isso vai parar e o quanto de impacto isso pode causar pra gente, inclusive em escala local aqui em Campinas, né? Sim. Agora, quando o senhor fala, por exemplo, em escala local, eh, para a gente pensa o quê? do Sepagre. A, inicialmente, principalmente no jornalismo, a gente usa para falar da previsão do tempo nos nossos telejornais e tudo mais. E às vezes há um questionamento, por que que tá muito frio? Por que que tá muito quente? Porque a gente tem no calor dias de que parece de inverno, de outono. Tudo isso já é um reflexo então de desse evento climático e também talvez desses pontos de não retorno ou são coisas diferentes? Olha, mina, eh a gente afirmar que primeiro assim, nós não ultrapassamos ainda pontos de não retorno na Amazônia, tá? nenhum deles. Talvez o único ponto de não retorno que nós já ultrapassamos e que aí sim eu dou razão, eh, não tenha tanta eh repercussão para nós aqui em Campinas, foi o ponto de não retorno de branqueamento dos corais, é o ponto de temperatura da água do mar a partir do qual os corais morrem, né? Então assim, a gente perde essa diversidade de vida, mas tudo bem, a gente quer argumentar que isso não tem tanta influência para nós aqui em Campinas. Tudo bem? Agora, eh, veja você aqui no CEPAGR, nós temos uma estação metrológica que é referência aqui pro município de Campinas, né? Nós já temos mais de 30 anos de dados coletados por essa estação meteorológica desde os anos 80, né? Eh, e aqui os dados que são coletados aqui não é a minha percepção, nem a percepção de outra pessoa, é o instrumento mesmo que não mente, né? Ele mostra pra gente essa temperatura chuva mudando aqui na região para muito além da variabilidade natural do sistema. Então é natural a gente ter alguns dias mais de frio, eh, durante o verão e tal, uns dias mais de calor durante o inverno. A questão é que na média a temperatura está subindo. Quando a gente fala o planeta está ficando mais quente, é na média a temperatura está ficando mais quente. Isso não significa que não possa ter um dia de frio, né, alguns dias de temperatura mais baixa, mas na média nós estamos indo para cima. temperatura, tá? Isso já nem é uma discussão científica mais, né? Isso já é ponto pacífico já de que o planeta está aquecendo. Isso agora virou uma discussão política. Como que nós vamos tentar resolver isso? E aí é um embrolho, já vem durando mais de 30 anos, né? Você veja a COP, que é a instância da ONU política, né? Diferente do painel IPCC que a gente começou falando aqui, que é uma instância científica para prover as evidências científico. A CP, a convenção do clima é uma instância política para tentar resolver o problema e já tá mais de 30 anos batendo cabeça em grande medida, né? Não consegue resolver a contenta esse problema de mudanças climáticas. Ora, professor, um marco importante. O senhor como representante do CEPAGR da Unicamp, participando aí desse rol desses pesquisadores por 111 países, serão três grupos de trabalho. O senhor participa do grupo do do grupo um, um relatório que deve ser divulgado em 2019. fala para mim um pouquinho pra gente finalizar aí quais são as etapas e qual é o papel dentro, né, do escopo da do CEPAGRE para também dessa contribuição nesse trabalho aí em centenas de aí um pouco mais de uma centena de mãos. Muito bem. Então, o painel de mudanças climáticas da ONU, científico, né, o IPCC, ele tem esses três grupos de trabalho. Um que lida com as evidências físicas de mudança climática, que era isso que a gente tava falando, ah, o que diz o termômetro, o que diz os instrumentos, como estão essa, como está essa variabilidade climática e tal. E é neste grupo de trabalho que vai ter esse volume ou com um capítulo dedicado a esses pontos de não retorno que a gente estava falando. Os outros dois grupos de trabalho lidam com a parte de impactos, adaptação e também mitigação, né? Alternativas para tentar resolver mudança do clima. É um processo delicado, Mirna, porque é um painel intergovernamental. Que que isso significa? Os governos encomendam, os governos do país, dos países, desses cento e tantos países que você mencionou, pedem para os cientistas fazerem esse relatório. Porém, quando os relatórios eh seja as versões iniciais dos capítulos até a finalização do relatório, eles precisam ser submetidos à plenária dos países. E aí tem os diplomatas de cada país que aprovam ou não pedem alterações dentro dos textos, né? E esse é um processo longo. Então, nós estamos entregando agora nesse início de fevereiro, a primeiríssima versão dos capítulos e haverá uma plenária dos países eh em abril para aprovar em março, desculpa, para aprovar eh essa primeiríssima versão. E depois disso a gente continua elaborando e os governos vão seguindo, né? A publicação final, só fazendo uma correção que você falou 2019, mas vai ser publicado em no início de 2000 2028, na verdade vai ser publicado esse relatório, eh, que é assim é a melhor ciência disponível eh sobre mudanças climáticas no mundo, né? vai estar reunida nesse relatório. E importante que a Unicampa agradeço, eu então agradeço a sua participação. Nosso tempo já tá acabando. Deixo aqui o giro ambiental aberto a sua participação para falar, inclusive, se for possível, depois dessa apresentação e depois dessa apreciação dessa primeira versão. Se o senhor tiver elementos que possa aqui contribuir, o senhor já está convidado a retornar. Muito obrigada. Eu que agradeço. Estão à disposição. Olha só. E o giro ambiental não acaba por aqui. A partir de agora você fica ligado nas Desculpa. Vamos lá, professor. Eu agradeço a sua participação e já fica o convite, então, pro senhor retornar a partir que nós tivermos aí essa apreciação e novidades nessa primeira versão do relatório. É um prazer, eu que agradeço. Fico à disposição. E o giro ambiental não acaba por aqui. Agora você acompanha as informações sobre sustentabilidade e meio ambiente também. Curiosidades. Pela primeira vez, pesquisadores detectaram a presença do morbil vírus de cetácios no Ártico. Vírus altamente infeccioso e potencialmente letal para mamíferos marinhos foi identificado através de uma tecnologia inovadora e não invasiva, a coleta de amostras do borrifo, que é o esguicho respiratório das baleias utilizando drones. O vírus já foi responsável por surtos e mortandades em massa no Atlântico Norte e no Mediterrâneo. Suas principais características incluem a transmissão que ocorre pelo contato direto ou por gotículas respiratórias entre os animais com sintomas que afetam gravemente os sistemas respiratório neurológico, além de que frequentemente leva a encálice em massa e morte.