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Um negócio que começou com 100 reais emprestados da mãe, que fez com que dois irmãos que nunca tinham feito uma receita de culinária na vida, partissem para serem donos do próprio negócio em 2016. Há mais de 4 anos no mercado, hoje são entre 300 a 500 cookies por dia e dependendo da data esse volume chega a 700 unidades. Quem vai contar essa história pra gente é o Adoan Queiroz, que é o co-fundador da Millicooka. Adoan, seja bem-vindo ao Ser Empreendedor, me conta que loucura é essa? 100 reais? Vou fazer alguma coisa, mãe? Foi mais ou menos isso mesmo. A gente começou com 100 reais, a gente estava num momento, eu e minha irmã, desempregados, né, e aqueles anseios do futuro, jovens, né, então sempre aqueles anseios do futuro, o que vamos fazer, como vai ser, e a família também estava num momento difícil de condições assim, né, os pais estavam trabalhando, mas ainda com bastante dificuldades, e aí minha irmã falou, entre várias ideias, né, ela falou, olha, quero fazer books. Aí eu fiquei assim pensando, ela nunca tinha comido nem um cookie. E eu conheci algum outro, assim, em algum outro lugar, mas falei, nossa, tudo bem. Ela falou com tanto afirmo do que queria fazer, que eu acreditei bastante na minha própria recebida. E aí a gente começou a pesquisar, a entender melhor o que era o produto cookies, e ela precisava de muitos testes na cozinha. E aí a gente conversou, a gente falou, Mãe, precisamos comprar os ingredientes Ela falou, olha, deu 100 reais A gente falou, acho que está o suficiente Na época, um pacote de chocolate era 60 reais E aí ficou porinho Ela está aí comprando Bloquinhos de manteiga Farinha E ela começou na cozinha ali Isso foi em começo de março Aí a primeira receita, Mirna Olha, ficou assim Ninguém de casa comeu? Olha, a gente comeu pra ser legal, sabe? Ela falou, vamos ver como ficou. Mas aí a gente... Ela falou assim, não, eu acredito que eu consigo sim trazer um produto melhor. Ela é muito exigente desde aquela época até hoje. A Mili, que é minha irmã, ela que é a chefe da nossa confeitaria aqui, né? Então, aí ela foi fazendo os testes, a gente foi experimentando, fomos dando os feedbacks, até que chegou em junho que eu falei, olha, a gente tem que plantar um mercado. a gente vai ter que falar com as pessoas, mostrar para as pessoas, só o nosso feedback não é o suficiente, vamos perguntar para as pessoas o que elas acham. E aí ela ainda estava um pouco assim, temerosa, falou, vou fazer mais alguns testes, porque eu acho que não é o que as pessoas, eu quero que as pessoas gostem mesmo, tem aquela reação, uau, aí, beleza, vamos fazer uns testes, e aí em julho, dia 23 de julho, depois de todos esses testes, testes, a gente falou, olha, vamos anunciar que nós vamos disponibilizar os nossos fluxos pra encomenda, né? Vamos começar por encomenda. Porque, quando a gente não tinha condições de abrir um espaço, de começar já no melhor ponto da cidade, o que nós tínhamos era o quê? O fogão de casa, né? O espaço da casa e nós. Era isso que nós tínhamos. E a vontade, né? A vontade, a dedicação que nós tínhamos bastante. Temos até hoje. Eu acho que é fundamental, né? pra que as coisas dêem certo. E aí, dia 23, a gente anunciou e a gente falou, vamos começar por quê? Vamos falar com os amigos, né? Que geralmente meus amigos estão ali pra isso. Pra dar uma força, né? Pra dar uma força, exatamente. Mas a gente ligou pra todos como estava em compromisso, todos não podiam passar lá no momento, não deu certo, nem eu comprou, né? Aí a gente ficou um pouco arrasado, sabe? Meu Deus, como assim? Ninguém comprou os frutos, meus amigos. Aí, no mesmo dia, a gente teve um insight que mudou tudo. E foi o quê? Vamos criar uma marca de cookies para pessoas que não conhecemos e essas pessoas se tornarão amigos da marca. E esse insight fez com que todo o nosso formato, ali inicial ainda, ali a sementezinha que nós estamos colocando no mercado, brotasse de uma forma diferente. Por quê? Nossa comunicação, em passar as informações do produto, as fotos, os vídeos, sempre foi muito convidativo, muito assim, as fotos, os vídeos, muito apetitosos. Então, as pessoas olhavam, nossa, quero experimentar, quero conhecer, né? Então, esse insight, no domingo de manhã, a gente já postou uma foto diferente, com uma frase, uma legenda nova. E aí a gente falou, olha, vamos começar essa semana com essa estratégia Até então era uma estratégia nova, vamos mudar ali pra ver E aí no domingo, dia 24, no dia seguinte Por volta do meio dia, recebemos uma mensagem no direct, no Instagram Uma pessoa que nós nunca tínhamos visto Começou a seguir e falou, olha, quero implementar alguns clubes, mas quero retirar hoje Aí a gente falou, meu Deus, e agora? No meio dia, né? A gente falou, olha, se você puder retirar no final da tarde, a gente consegue atender E aí a gente tava almoçando com os nossos avós, paramos o almoço, fomos lá, a Miri bateu a massa, fizemos os cubos, umas 5h20 da tarde a cliente passou, pegou a caixinha dela dos cubos e aí deu um feedback logo em seguida. Mas naquele dia, Adoa, um adendo, naquele dia quando vocês venderam pra essa primeira cliente, de cara vocês não disseram pra ela que ela era a primeira, vocês disseram que tinha muita encomenda, por isso que tinha que ficar pra mais tarde, é isso? Não, na verdade, eu consegui, é uma boa estratégia nessa aí, mas a gente assim, tava tão na simplicidade mesmo, que aí a gente não falou que era a primeira cliente, mas a gente atendeu mesmo, sabe, com aquela vontade, olha, vem sim, vai dar certo, pode passar. E o feedback dela nos deu tanta confiança que ela falou, olha, os melhores cookies que eu já experimentei na minha vida, que eu gostei muito, vou me tornar cliente, posso fazer uma próxima encomenda, como funciona, né? E aí isso nos deu tanta confiança que a gente falou, nossa, acho que a gente vai conseguir mais clientes. Com certeza, olha, eu gosto de todos os cookies. e aí a gente começou na semana, na segunda, já postando o feedback dela para outras pessoas poderem ver o feedback e foram postando fotos, vídeos e os clientes foram chegando. Então, a tática que grande parte dos empreendedores estão usando e vocês usaram naquele momento foi vitrine nas redes sociais. Vitrine é um bom começo quando você não tem uma estratégia muito estabelecida, posta o seu produto, faça uma foto muito bonita com iluminação, para mostrar textura eu sempre falo assim, que hoje não é suficiente só ser bom precisa parecer ser bom e hoje com o celular, a gente está ali nas redes sociais você vê a foto, então deixa uma foto que parece que a pessoa está com o produto na mão e a pessoa fala, meu Deus, olha isso, eu quero esse produto Então a gente veio desde o começo muito cuidadoso com essa parte da estética do produto, a estética da imagem, que o cliente estava vendo ali através do celular dele. Sim. E aí, quando daqueles R$100 nessa primeira semana, você lembra quando vocês venderam nessa semana para falar, olha... Nessas 5 vendas nós tivemos 100 reais De volta Pelo menos o investimento de volta Teve naquela semana Mas vocês reinvestiram Reinvestimos, comprando matéria-prima Pouca ainda Mas que é receita Você dá uma quantidade maior Quando você produz E aí em agosto Foi um mês muito legal Nós tivemos 50 vendas Então vamos dizer, multiplicou Vezes 10, 50 vendas E tudo isso começou no fogão de casa, na geladeira, a refrigeração lá. Então, teve dias em agosto que a gente nem pôde usar a cozinha pessoal para almoço e janta, porque estava produzindo os frutos, usando o fogão para assar, tirando os produtos da refrigeração, sabe? Então, foi acontecendo. E aí, chegou setembro, lá pelo meado do dia 20, mais ou menos, A gente já tinha, setembro assim, explodiu para nós, naquele momento explodiu. Nós tínhamos 150 vendas em setembro, ou seja, agosto multiplicou por 10 comparado ao mês de julho e setembro multiplicado por 3 comparado a agosto. E aí a gente falou, meu Deus, parece que alguma coisa aqui está dando certo, né? Mas até então, Adoan, estava indo tudo certo, mas vocês não tinham se preparado para essa demanda. Como que vocês fizeram, então, para ter refrigeração para isso tudo, ter fogão para tudo? Como foi, então? Ó, a gente chegou em setembro, a gente falou assim, olha, tem alguma coisa acontecendo, parece que está dando certo, a gente tem que realmente se comportar, né, de como uma pequena cozinha aí de books mesmo, né, não é mais em casa, mas a gente tem essa postura mesmo de negócio. E aí a gente pegou e investiu na primeira bateria, Até então, os 1.303 cookies foram feitos na mão pela Mili. Um a um ali, bateu a massa, tudo na mão mesmo, não tinha batedeira, tá? Isso é um ponto importante, porque às vezes as pessoas que vão começar um negócio, elas falam, nossa, eu preciso de um forno tal, eu preciso de uma batedeira assim, assada. E às vezes não, eu sempre falo também, você é a sua melhor ferramenta, você está ali, pronto para isso. Então, a gente tem que buscar um pouco do conhecimento, mas precisa estar disposto a colocar a mão na massa mesmo, né? Sim, e no início, a Mili fazia tudo sozinha. Chegou um momento em que mais gente teve que ajudar? Sim, em setembro mesmo, quando a gente já triplicou ali o número de pedidos, o meu pai, que trabalhava em construção civil, parou de trabalhar e veio ajudar a gente. Começou a envolver a família toda, então? Sim, sim. Aí eu fazia parte de atendimento, né? E parte de entregas também. Fiz entregas por muito tempo pra nós aqui na Univiruca. E aí em setembro, né? A gente teve a conquista aí, que a gente fala hoje, temos até hoje essa batedeira aqui. E aí em outubro, pra novembro, foi o que você falou, a gente precisava estruturar o negócio. Você tem uma foto dessa batedeira aí? Tenho, tenho uma foto sim. A gente vai mostrar daqui a pouco a foto da primeira batedeira deles, hein, pessoal? Sim, vou deixar a publicação. E olha, para quem está assistindo, nosso Instagram, lá, milipuca, com dois L. Se você for lá no comecinho, tudo isso que eu estou contando, dá para você acompanhar por foto. Primeira fornada, primeira batedeira, tudo acontecendo. Lá no Instagram tem o histórico completo. Muito legal. Setembro, e aí? Em outubro, a gente falou, vamos estruturar esse negócio realmente, ter equipamento, né? Então, uma outra dica que a gente usou naquele momento, um recurso que está disponível para todo mundo que está começando pequeno, que chama o Banco do Povo, é uma instituição que é como se fosse um banco, só que tem umas condições de empréstimos e pagamentos muito facilitadas, né? E a gente tinha, naquele momento, a certeza que a gente conseguia pagar pequenas parcelas já, né, do que nós fôssemos pegar. Então, a gente pegou o valor e investiu, o quê? Compramos um forno, na época, um forno simples de qualificação, um refrigerador e algumas bancadas. E aí, a gente parcelou isso em 36 vezes de R$222,90. Dava pra pagar. Dava pra pagar, né? Então fica a dica, se na sua cidade tem um banco do povo, alguma coisa, você quer começar, dá o primeiro passo por você mesmo, tenha certeza que o seu negócio está caminhando para onde você precisa e aí você põe a mão do lado, você analisa se uma opção dessa vai fazer a diferença para você. Isso foi em 2016 e a partir de outubro para novembro. E aí, 2017, vocês começaram a perceber, vocês são de Santa Bárbara do Oeste, é isso? Americana. Americana, bem do lado de Santa Bárbara, né? Aqui na região metropolitana de Campinas. E aí parece que vocês começaram a romper fronteiras. Exatamente. em dezembro de 2016 a gente explodiu explodiu mesmo pra ser sincero, perdemos o controle de pedidos, de atendimento era pra gente no mês de dezembro, do dia 1 praticamente de dezembro de 2016 ao 26 ou 27 que foi o último dia que eu trabalhava nós dormimos eu dormia 4 horas por dia a minha e minha mãe minha mãe também veio trabalhar com a gente ela trabalhava de doméstica teve que sair e vir trabalhar com a gente porque a gente já precisava de mais pessoas então a família hoje, até hoje trabalha junto no nosso negócio aqui e aí em dezembro, a Miri e minha mãe praticamente passaram duas ou três semanas às vezes dormindo uma ou duas horas por dia porque eram muitos pedidos mesmo aí em janeiro de 2017 para frente, nós percebemos que a gente recebia muitas mensagens pessoal de Campinas, Limeira pessoal da região e São Paulo também Então, a gente mapeou como poderíamos atender as cidades mais próximas. Então, a gente atende até hoje, Limeira, Santa Bárbara, Galvão Dessa, Sumaré, Campinas. E pré-pandemia, até maio de 2020, a gente atendia São Paulo também. Ali a parte Faria Lima, Avenida Paulista, aquela região ali que o pessoal empresarial pedia muito, os escritórios, então a gente conseguiu porque é uma clientela bem legal ali também E foi aí que vocês decidiram então, digamos que sair de casa e levar essa produção para um outro local? Essa produção em casa ficou dois anos, Mirna porque a gente precisava a gente aqui na Minicuca, a gente é muito pé no chão, sabe? E toda questão de custo é muito enxuto então a gente sempre foi passo a passo entendendo O que estava acontecendo E onde nós estávamos Claro, a gente teve depois Ainda na residência A gente fez um espaço Um combo de 12 metros quadrados Para servir mesmo de cozinha Então E lá nós fomos dois anos produzindo Entregando para São Paulo Para Campinas, região Isso foi muito legal De lá mesmo, dessa cozinha pequenininha Os cursos viajaram para Dubai Para Itália, para Nova York clientes que foram pra lá, que moravam lá vieram pra cá, levaram o pessoal de lá, os nativos nova-arquinos amaram os cookies, falaram, meu Deus porque lá, né, Nova York é a terra do cookie, nasceu os cookies lá praticamente então o pessoal ficou assim, maravilhado com o sabor com a textura, os recheios isso foi muito legal e aí a gente veio pro espaço novo depois de dois anos praticamente em dezembro de 2018 2018, a gente teve uma preparação que a gente não esperava e a gente conseguiu um novo endereço, hoje de 12 metros quadrados, a gente veio com uma cozinha de 100 metros quadrados, então praticamente 10 vezes mais do espaço que nós tínhamos, agora tem até espaço sobrando. E a gente, nesse espaço, a gente agora na frente da nossa cozinha, tem um balcão, que a gente fala balcão de retirada, a gente está trabalhando para que em breve, nesse ano, a gente possa abrir e as pessoas possam vir aproveitar os cookies no balcão, tomar um café com a gente. Vai ter uma cafeteria aí na frente, digamos. Isso, exatamente, vamos ter um café muito gostoso para acompanhar os cookies, e aí o nosso espaço aqui vai ter uma atmosfera muito gostosa, a gente sempre gosta de ter esse entusiasmo, essa alegria, eu acho que são fundamentais para a gente vencer as dificuldades, olha, às vezes o pessoal manda mensagem, a gente recebe muita mensagem, pessoas que estão começando, pequenos empreendedores, ou que já estão caminhando, falam, nossa, em algum momento a dificuldade, as coisas param, ficam mais fáceis? Eu falo, olha, não vão ficar mais fáceis, na verdade vão ficar até mais difíceis conforme você vai crescendo, pouco a pouco. O que acontece é que você ganha resiliência e aí você também aprende a lidar com aquelas situações, mas dificuldade para quem for empreender, Seja pequeno negócio, médio ou grande Sempre vai ter dificuldade Mas parte do negócio Faz, eu acho, o entusiasmo A resiliência E a disciplina também, com a dedicação Faz com que você enfrente isso E faça que dê certo Então a gente pode dizer o seguinte A sua mãe não se arrependeu De te emprestar 100 reais? Não, não Até hoje, assim Ela tem um orgulho enorme ela, nossa, ela trabalha com a gente todos os dias ainda, a gente até hoje, né, graças a Deus, as condições um pouco melhor, a gente fala, na hora, descansa um pouco mais, fica mais tranquila, mas não tem jeito, ela queda na cozinha lá às 6 horas da manhã, quer sair da cozinha 10 horas da noite, então assim... Ela e a Jamile que ainda fazem os cookies ou vocês conseguiram mais alguém? Como que vocês fazem hoje? De 2019 para cá, nós já tivemos funcionários que já entraram e já saíram. Agora, nesse momento, nós temos uma funcionária. Então, hoje, a nossa equipe é, na cozinha, meu pai, minha mãe, a Mili e a funcionária. E eu continuo com a gestão de atendimento, marketing, né? Mas não faz mais a entrega. E não faço mais entrega. Deverizou. Mas, quando necessário, estamos prontos para isso, viu? aí nós temos entregadores que fazem as entregas então eu faço mais a parte de gestão até porque hoje estou aqui conversando com você a Miri não pôde estar presente porque está na cozinha e amanhã tem que entregar os pedidos então hoje a cozinha ainda necessita muito da presença dela a gente está planejando para que esse ano, agora na verdade a gente vai abrir um processo seletivo novo, vai fazer novas contratações, para poder formar uma equipe um pouco maior e aí a gente também cuidar mais do crescimento do negócio, né? Expandir esse negócio, levar esses públicos maravilhosos para mais pessoas. As pessoas perguntam, eu não tenho as mesmas, eu só falo, meu, por favor, abre aqui uma lojinha de vocês, São Paulo. Vai virar franquia então, será? Olha, eu não sei se seria franquia, talvez a gente faça de outras formas, mas a gente tem bastante vontade, é um sonho sim, abrir outras cidades, levar essa alegria para outras pessoas e receber também, porque é uma troca. E eu acho que isso que é o legal dos negócios, é você estar disponível para atender e receber também o que as outras pessoas têm a te entregar de carinho, de alegria, de amor. Então, acho que é uma troca muito bacana isso. Adô, uma última pergunta. E a vida familiar? Vocês estão praticamente 24 horas envolvidos com o negócio, dá tempo de curtir a família? Olha, eu falo assim sempre para eles, que nós praticamente hoje, como família, aquela, como posso dizer para você, aquela coisa de carinho, amor, a gente que todos os dias, porque estamos trabalhando junto, né, pra mim é uma alegria imensa, pra mim também, trabalhar com os nossos pais, né, ver eles todos os dias presentes com a gente é uma alegria muito grande algumas pessoas perguntam, nossa, mas isso não é difícil pra vocês, né, trabalhar em família negócio em família, já tinham experiência assim, experiência assim pra nós não, a gente sempre são muito pessoas de família mesmo, sabe coisa de pai, mãe avós, tal, não estão na casa dos avós, aquela coisa mesmo, sabe, de estar com a família, pra nós é fundamental a família, é a base do nosso negócio, né, então poderia ser diferente, e a gente sempre fala assim, que o que o nosso negócio deu certo, tá dando, na verdade tá dando certo, né, porque tá acontecendo, é que a família, os quatro, né, colocaram um ponto lá na frente, e todos nós estamos indo lá na frente, então não tem ninguém puxando não é meu lado, meu lado, não, o ponto tá lá, e aí a gente vai junto até lá, eu acho que isso é fundamental numa empresa, né, um negócio pequeno um negócio de família, não pelados mas tem um objetivo único que eles possam ir junto até lá, né, pra nós aqui posso falar que deu muito certo Ador, eu agradeço a sua participação, eu agradeço aqui, um abraço pra toda sua família, que essa história de vocês inspire muita gente, ainda mais nesse momento em que a gente tem aí pessoas pensando em empreender, até devido às condições do nosso país, né? E que elas não desistam e pensam que com 100 reais dá pra fazer muita coisa ainda, hein? Com toda certeza. Ó, últimas palavras, então, que eu posso dizer pra quem tá assistindo, que quer uma inspiração, precisa tomar uma decisão, olha, comece onde você está, com o que você tem, você é a sua melhor ferramenta, você é o que pode resolver o que você precisa e se você tiver com a sua família, mostre o seu plano, mostre o seu projeto se você queira colocar ele, se explique como vai ser faça para vocês que tem um objetivo comum e trabalhe todos os dias esteja disposto para o seu negócio esteja todos os dias presente porque tenho toda certeza que pode dar muito certo Obrigada e assim a gente encerra o primeiro bloco do Ser Empreendedor. Na sequência nós vamos falar com um especialista ainda desse setor de doces, confeitaria. Não saia daí que o Ser Empreendedor volta já já. Segundo bloco do Ser Empreendedor, hora de falar com um especialista. E o nosso convidado de hoje é o chefe Lúcio Roberto, que é professor de gastronomia do SENAC São Paulo. Lúcio, seja bem-vindo ao nosso programa. E eu já vou perguntar uma coisa para você em relação a empreender no segmento da alimentação. Quais são os mistérios? Não tem mistério? pode fazer como o nosso convidado do bloco anterior, que começou ali em família com uma pequena quantidade de investimento e hoje está expandindo o seu negócio? Me conta. Ah, legal, Mirna. Então, é o seguinte, empreender em gastronomia, hoje a gente vê muitos negócios, muitos empreendedores, que às vezes o primeiro caminho quando a gente pensa em empreender é a alimentação, porque a alimentação está muito presente no nosso dia a dia e o cozinhar é algo que nos acompanha desde o momento que a gente nasce ali, a mãe já começa a levar a gente para esse lado, a família, enfim. E, às vezes, o que vem muito naturalmente, quando a gente pensa em empreender, é a área da alimentação, a área da gastronomia. Acho que os cuidados que a gente precisa ter, quando a gente fala de empreender em gastronomia, assim como qualquer área que a gente vai empreender, o conhecimento daquilo que a gente está fazendo é extremamente importante. Hoje a gente tem dados que mostram que, com a mesma facilidade que empreendimentos de alimentação abrem, eles também fecham. E muitas vezes é muito por conta dessa falta de conhecimento que as pessoas não têm em relação àquilo que vai produzir. Então, a partir do momento que você decide empreender em gastronomia, decide seguir nesse ramo, seja mais focado em panificação, ou focado em confeitaria, a palavra da vez é busque conhecimento a respeito daquilo que vai fazer, né? Se vai fazer o cookie, entenda como é fazer o processo do cookie do começo ao fim, como melhorar seus processos, como escalar isso daí, né? Acho que a melhoria contínua é que vai fazer com que o empreendimento venha a ter sucesso naquilo que vai fazer. Quando a gente pensa nesse sucesso e você falou do conhecimento é difícil não falar que a gente vem de um período de pandemia desde março do ano passado e nesse momento aumentou a procura por esse conhecimento ou as pessoas estão fazendo com aquilo que elas já tinham conhecimento em casa? Eu acho que, eu entendo que existem dois caminhos aí muitas pessoas que no meio dessa pandemia de toda essa loucura que nos pegou de surpresa, muitas pessoas viram na alimentação um caminho para poder melhorar sua renda, para poder de alguma forma sobreviver a tudo isso, fisicamente psicologicamente e muitas vezes, muitas pessoas realmente foram estudar aquilo que queriam empreender muitas pessoas foram fazendo de forma empírica e às vezes o sucesso não vem por conta disso, mas aqueles que realmente foram buscar, e essa demanda aumentou muito, a gente vê aí o quanto que a busca por cursos de forma remota, cursos EADs, que vão trazer conhecimento para aquilo que a gente está querendo empreender, aumentaram bastante. E essa busca por conhecimento, sem dúvida, foi um diferencial que fez com que empreendimentos conseguissem permanecer durante a pandemia, porque a gente está falando de já quase um ano dentro desse processo, muitos empreendimentos que nasceram, se mantêm até hoje, mesmo dentro de todo esse contexto de pandemia. Então, acho que a busca por conhecimento é algo fundamental, que sem dúvida foi e fez com que aqueles que começaram a empreender durante a pandemia tiveram sucesso. Quando a gente pensa nessa escolha, nós tivemos a nossa entrevista com a Duane, que ele começou com a irmã, fazendo os testes, Até porque até então nunca a irmã tinha feito um cookie na vida, fizeram alguns meses de testes até chegar na receita ideal, a mãe saiu do emprego, o pai saiu do emprego e hoje eles trabalham juntos. É comum nessa área de panificação, confeitaria, a família trabalhar junto? Muito comum, muito comum. São histórias de aquele que empreende alimentação. Isso realmente é um cenário bem comum da gente ver, né? De repente, é a mãe que começa a cozinhar e vem trazendo a família ali, me ajudando nisso, me ajudando naquilo. O filho que, de repente, vai fazer uma entrega. Aquele irmão, primo, sobrinho que é contador, que, de repente, começa a ajudar um pouco nas finanças. Isso é um cenário muito comum do empreendedor aqui no Brasil. Primeiro a gente começa com a família, em estrutura de uma empresa mais familiar, e a partir daí vai crescendo de uma forma a se tornar cada vez maior. Mas, sem dúvida, muitos começam nessa estrutura familiar. Quando a gente pensava antigamente, Lúcio, em alguém que ia empreender no setor de alimentação, especial na confeitaria era sempre pensando naquela experiência de entregar o produto uma série de coisas quais aspectos que devem ser observados, por exemplo porque muitos começam na cozinha de casa mas tem a questão da refrigeração de outros equipamentos que no decorrer do processo, essa pessoa tem que se preparar pra isso que dicas você daria? Então, como a gente já vem falando desde o início, acho que o estudar é muito importante. Quando a gente começa a estudar, a gente vai ver que existe uma legislação específica que diz qual a temperatura de armazenamento de acordo com o doce que você está fazendo, se é base de ovo, se é base de leite, qual o tempo de conservar isso daí, quanto tempo um determinado recheio dura, quanto tempo eu posso, de repente, deixar aquilo resfriando. Então, tudo isso vai trazer cada vez mais subsídios para que a empresa realmente consiga crescer dentro desse setor é importante entender que uma coisa a gente produzir, pra nós, dentro da nossa casa, pros nossos filhos, pai mãe, enfim, outra coisa é a gente produzir pra vender aí o nosso rigor precisa aumentar muito não só pensando na qualidade, escolha dos ingredientes, os melhores ingredientes como também todo o processo que envolve aquilo que está sendo produzido desde o momento da escolha do insumo no mercado, onde for comprar, até o momento que o seu cliente vai consumir esse doce. Até preocupação, por exemplo, se a hora que o cliente compra o seu doce, se ele vai comer na hora, se ele vai guardar, quanto tempo ele vai guardar isso, será que quando ele for comer, depois de um tempo em que ele deixou ali guardado na geladeira, será que aquele doce ainda vai estar bom? Então, tudo isso precisa ser pensado de uma forma a entender que estamos produzindo para terceiros. Então, a segurança alimentar que envolve tudo isso vai ter que ter um cuidado cada vez maior. Como você disse, essas pessoas não estão cozinhando para si mesmas ou para os seus parentes. elas precisam, inclusive, saber os procedimentos corretos de embalagem, transporte e uma série de coisas. Aumentou também o interesse pelas pessoas, ainda mais porque, por conta de que muitos estabelecimentos não podem atender presencialmente, o delivery deu um boom aí. Então, mas como eu entrego esse produto na casa do cliente? Sim, cresceu muito na pandemia. A gente fala aí da maioria, a maior parte dos restaurantes que conseguiram sobreviver a esse período, está sobrevivendo a esse período, muitos deles tiveram que entrar no sistema de delivery. A pesquisa que diz que 75% dos restaurantes que se mantiveram dentro da pandemia aí, de alguma forma, eles lançaram um sistema alternativo que o sistema do salão. E o sistema do delivery foi algo que cresceu muito, né? Então, quando a gente fala do delivery, a preocupação que a gente precisa ter quando, a partir do momento que o empreendimento decide vender no delivery, ele precisa primeiro conhecer quais são as melhores embalagens para o produto que ele está fazendo. Então, se ele vai fazer, por exemplo, algo que envolve fritura, será que essa embalagem tem um escape de calor para que aquilo não vá murchar demais aquela fritura? Ele vai transportar algo que é líquido. Será que a tampa que se coloca naquilo veda o suficiente para que não corra nenhum risco de derramar nesse percurso? Será que o produto que ele está vendendo se acomoda muito bem à embalagem, que está de forma que a embalagem serve como algo que sustenta a estrutura de um doce, por exemplo? Então essa preocupação tem que estar ali e muitas vezes cabe ao empreendedor fazer teste mesmo. Compre uma embalagem, coloque o produto ali dentro, sai com isso, simula uma situação ali de risco, dar uma balançada para ver, para entender como é que isso vai ser feito, seja numa entrega por motoboy, que cresceu bastante essa procura pelos sistemas aí que tem de entrega ou não, ou pelo sistema takeaway mesmo, que a pessoa passa, retira e vai e come posteriormente. Então, todo esse cuidado precisa ser observado e de alguma forma até simulado, porque simulando também ajuda bastante a chegar a uma experiência mais fatídica de como aquilo vai se comportar. A importância, como você disse, dessa preparação, a gente tem números, por exemplo, do iFood, que é um dos aplicativos, um dos maiores aplicativos de entrega, que diz o seguinte, doces e bolos aumentou o pedido de 61% no ano passado, entre fevereiro e março, itens de maior pedido, padaria 78%, outras guloseimas, açaí, sorvete, elevação de 60% e 56% respectivamente. Mais pessoas em casa, mais vontade de comer doce, e aí essa experiência do cliente em receber esse produto em casa, ela tem que ser uma experiência positiva. Sem dúvida, e é até engraçado porque em 2010 aconteceu um congresso chamado Brasil Food Trend e BFT 2020, ele já fazia levantamento de tendências para 2020, e nesse congresso uma das coisas, uma das macro tendências que se identificou foi justamente a questão da sensorialidade e prazer. Já em 2010, previa-se que em 2020 o seu cliente ia querer uma experiência naquilo que ia comer. Não ia ser só comida pela comida, era comida como uma forma de experiência. E a experiência vai acabar abrangendo tudo, desde a embalagem que está, que de repente tem o nome do seu cliente, que vai entender aquilo como um mimo, até o momento que ele abre e vê que o doce da foto que ele comprou exatamente igual ao doce que ele está comendo, né? E dentro desse contexto, dessa macrotenite de sensorialidade e prazer, tem uma questão que ficou muito marcante, muito forte, que foi a questão da indulgência. O que é indulgência? Diante de todo esse cenário pandêmico que nós passamos, as pessoas se permitiram cometer pequenos pecados, né? Aquele pecado de, poxa vida, eu estou sofrendo tanto, eu preciso comer um docinho para passar por tudo isso, eu preciso de um chocolate, eu mereço isso. E é o que a gente chama da indulgência, né? Então, por conta disso, aumentou muito o consumo de doces, de uma maneira geral, né? Porque o açúcar, ele tem essa propriedade, essa capacidade de liberar hormônios que trazem ou te aproximam da felicidade, da satisfação. Então, isso tem muito a ver com esse aumento de consumo, muito por conta de questões como essa que eu citei aqui agora. Olha, Lúcio, então a gente pode dizer aí para o empreendedor que queira entrar nesse segmento primeiro, vamos voltar. Conheça aquilo que você quer produzir. Se você já conhece porque produz para a família, produz para os amigos, já tem aquela experiência ali, digamos que mais caseira, como você vai transformar essa experiência em um negócio e planeje de que forma isso vai acontecer e que você possa promover essa boa experiência ao seu cliente. Mas aí vem uma coisa, ele pode começar e ir adequando esse negócio no decorrer do processo ou ele tem que pensar em tudo isso antes? Não, sem dúvida. Eu acho que, assim, é importante que ele tenha um norte, né? Então, talvez antes de começar propriamente, identifique mais ou menos onde você quer chegar ou qual caminho você tem que trilhar. Isso vai ajudar bastante. Mas, mais importante, existe até uma frase que diz, mais importante que o perfeito é o feito. Então faz, mas vai procurando alcançar o caminho do perfeito. A perfeição não existe, mas a gente entende que se a gente começa, a gente sabe exatamente onde a gente precisa adequar. Se a gente não começa, a gente não sabe do que vai melhorar, se a embalagem que a gente está usando realmente vai dar certo, porque às vezes fica só no campo da ideia. Então é realmente a hora que a gente começa a fazer, que começa a sentir as experiências negativas que podem acontecer no decorrer desse processo, é importante entender como uma forma de crescimento, porque a hora que a gente começa, principalmente quando a gente tem menos conhecimento na área, eu comecei a fazer brigadeiro, mas eu não estudei muito bem isso, mas eu vou começar. Então, esteja aberto, por exemplo, aos feedbacks, de, poxa vida, eu acho que poderia ser um pouquinho maior, ou poxa vida, acho que poderia ser um pouquinho menor ou seria legal que fosse desse jeito tudo isso vai te trazer mais uma vez subsídios para que você possa melhorar então olhar para o seu processo revisitar o seu processo todos os dias não achar que aquilo está bom e tentar melhorar todos os dias vai te ajudar a alcançar aquilo que você deseja então é mais importante começar mas vai começando e fazendo as adequações que são necessárias e tenha sempre o seu cliente como o seu melhor amigo, porque ele é o seu melhor amigo quando você empreende. Ele é que vai falar para você, olha, está bom, não está bom, melhora isso, demorou muito tempo para chegar, chegou, mas faltou a cereja que estava na foto. Então, é sempre legal ter o seu cliente como seu melhor amigo. Lúcio Roberto chefe e professor de gastronomia do SENAC São Paulo, agradeço a sua participação, viu? Foi muito legal e até uma próxima oportunidade Obrigado, Mina até uma próxima E assim a gente termina o Ser Empreendedor de hoje com água na boca vontade de um docinho mas a gente volta numa outra oportunidade, pensando justamente nessa questão de inspirar as pessoas, seja em qualquer segmento, é assim que ser empreendedor fala com você em casa e traz sempre gente como o Lúcio para inspirar as pessoas até o próximo programa Legenda Adriana Zanotto