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Olá, no ano passado, micro e pequenos negócios foram responsáveis pela geração de mais de 730 mil empregos formais no Brasil, 22% a mais que no ano anterior. O bom resultado foi na contramão das empresas de maior porte, que no mesmo período fecharam cerca de 88 mil postos de trabalho. Entre 2007 e 2019, as pequenas empresas brasileiras criaram quase 13 milhões de empregos no país com carteira assinada. E aqui, olha só, o mercado de doces chega a faturar 76 bilhões de reais por ano, de acordo com a BIP, que é a Associação Brasileira de Panificação e Confeitaria. E é neste cenário que nós vamos conversar hoje com o Eduardo Bezerra, que é um desses empreendedores publicitários que em 2012 decidiu fazer do seu doce favorito o seu negócio. Eduardo, seja bem-vindo, é isso mesmo? Conta pra gente essa história em que seu doce preferido virou hoje o seu negócio E aí, o negócio este que você emprega muita gente Isso, isso mesmo Foi um período em que eu estava deixando um emprego, né? E eu sempre gostei muito de cozinhar, de estar nesse meio de cozinha E eu comecei a fazer cheesecake pra mim, pra família E um dia meu pai sugeriu, ele falou Ah, você devia vender, tá fazendo muito cheesecake pros outros, né? E aí eu falei, é verdade, né? E daí eu acabei abraçando o cheesecake e tô aqui até hoje Mas como foi isso? Você tinha saído do trabalho, aproveitou essa necessidade e fez dela uma oportunidade Ou você deu uma parada? foi fazendo aí o planejamento de negócio, também ao mesmo tempo inventando novos sabores me fala desse processo na verdade eu tava trabalhando e ao mesmo tempo eu vamos dizer assim, eu pensava alguma coisa assim, do tipo, em abrir uma empresa, não sabia o que e mas assim, é sempre interessante você abrir algo que você tem uma afinidade, né, também pra você ter prazer, né, e querer trabalhar, né, e assim, eu sempre pensando em alguma coisa e eu comecei a fazer cheesecake em casa e acabou virando uma sobremesa que eu sempre fazia, né, mas nesse tempo eu estava trabalhando ainda, até que chegou um dia que eu larguei realmente, eu sempre trabalhei com publicidade de propaganda, né, com marketing, e aí eu saí da empresa que eu tava, e aí eu falei, ah, eu vou tentar alguma coisa, né, procurar alguma coisa agora. E aí meu pai falou, ah, você já gosta tanto, né, disso, ele falou, ele sugeriu, né, por que você não começa a vender, né? Aí eu pensei, né, não foi assim do dia pra noite, né, mas eu pensei, dei uma analisada, e por ter uma certa até afinidade com essa área de comunicação, de marketing, né, Eu já desenvolvi logotipo, já fiz site, texto e assim foi. E logo depois, eu trabalhava com poucas opções, vamos dizer assim. E aí eu comecei a procurar um local que eu pudesse expor os produtos, não só por encomenda, porque as pessoas querem ter um contato também com o produto, com você também. elas querem saber quem faz. Então, no começo, os seus clientes não tinham esse contato, era tudo via internet, via encomenda, e depois que você foi ampliando o seu negócio? Isso, aí o meu primeiro ponto de venda foi uma feira de artesanato, que fica em Sousas, e lá eu fiquei por dois anos e meio. Então, eu comecei, a gente começou levando os produtos, E foi ali que a gama de produtos começou a crescer. Foi ali que eu comecei a entender o que eles queriam, o que o meu público queria, o que não queriam. E assim, em questão de seis meses, tinha muita gente que ia lá só para comer o cheesecake. Na semana, a gente usa muito a rede social, porque para nós que somos pequenos, acaba sendo uma mão na roda. que você consegue divulgar, consegue ter contato com o público. E aí o pessoal um marcava o outro, já marcava encontro lá. E depois eu já, por fim, já tinha duas tendas, uma só com mesinha para o pessoal, uma só para a gente montar as coisas. E aí foi... Por lá, nós ficamos dois anos e meio. Até que chegou uma hora que acabou sendo natural, a gente acabou abrindo a loja física. E aí a loja física, essa decisão, como vocês conseguiram então para essa decisão, inclusive da localização dessa loja física, pensar em levar aquela clientela que ia na feira de artesanato e que também pedia, fazia as encomendas através das redes sociais, até essa loja física? Qual foi, então, o processo e o método que vocês utilizaram para levar esse cliente até lá e até para conquistar novos clientes? Sim, na verdade, assim, acabou a gente, quando pensou nisso, né, a gente refletiu bastante, né, fizemos muito cálculo, muita conta em casa, né, ela já trabalha mais com essa área, então, para mim, acabou sendo mais fácil, né. E, assim, a gente acabou criando um vínculo com Sousas, né? Então, as pessoas saíam de Campinas e iam para Sousas. E aí a gente acabou, falou, vamos abrir? Vamos. Então, a gente começou a procurar pontos de venda locais em Campinas, mas, assim, nada que fosse, que tivesse a nossa cara ali, né? Que Sousas acaba sendo um local mais rústico e a gente queria alguma coisa que continuasse o que a feira tinha sido feita, né? Você tem registro dessa fase lá de Sousas? Tem fotos desse período? Ah, então a gente daqui a pouco já mostra aqui também, né? Para a gente lembrar essa evolução do seu negócio. E aí foram então para a loja física? Fomos. Aí a gente acabou abrindo uma loja que fica do lado da própria praça, que a gente trabalhava na praça, e acabou abrindo um ponto ali no ladinho da praça mesmo. E a gente acabou abrindo por ali a loja. E ali também a gente ficou por dois anos e meio. E ali, desde a feira, acabou sendo uma escola para a gente, porque na feira a gente já começou a entender o público, um pouquinho de contabilidade também, e foi aí um período que eu acabei também me desenvolvendo como confeiteiro, né, que eu acabei fazendo curso, me preparando, né, porque pra você abrir uma bolsaria eu não posso ter só cheesecake, né, então a gente tem que ter outros produtos também, né, tem que ter bolo, a gente tem salgado, temos tortas, né, então foi um período assim, foi uma escola, foi bem legal. E hoje vocês ainda estão nesse local em Sousas ou teve mais uma mudança aí? Nós tivemos mais uma mudança depois de dois anos e meio também, que nós ficamos em Sousas. A gente sentiu a necessidade de aumentar principalmente a cozinha, que a cozinha lá era muito pequena, e aumentar também as mesas para atendimento. E aí a gente começou a procurar local em Sousas, a gente almejava que fosse em Sousas, e procuramos, procuramos em Campinas também, e por fim a gente acabou encontrando um ponto aqui em Campinas, no centro de Campinas, em Cambuí, que a gente viu a casa e a gente identificou, identificou, falou, é muito legal a nossa cara e nós estamos aqui já vai fazer dois anos. E aí nós ficamos aqui na Júlia de Mesquita. Eduardo, esse primeiro investimento que você fez lá quando decidiu fazer daquele doce um negócio, depois você teve que comprar as tendas para montar a barraca lá em Sousas. dessa tenda, vocês fizeram mais investimentos para abrir a primeira loja e depois outro investimento para fazer para essa nova loja aqui no Cambuí quanto vocês investiram e se você já fez a conta, se já teve esse investimento de volta ou tem uma perspectiva de quando terá esse investimento de volta então, foi sempre um processo acabou sendo três investimentos e na verdade a gente não para nunca de investir está sempre mudando alguma coisa comprando equipamento novo sempre fazendo alguma coisa mas a loja do Cambuí ela ainda está ela ainda não se pagou a gente fez um investimento alto de reforma a gente aumentou o funcionário aumentamos mesas tivemos assim vamos dizer assim, a gente praticamente triplicou, né, depois que saiu do Souza e veio para cá, mas a loja ainda aqui, a gente está se pagando ainda, mas assim, é uma loja, a gente tem muito movimento de final de semana, durante a semana as pessoas vêm mais consumir à tarde, né, também, comem mais salgado também, mas a gente está se pagando ainda aqui no Tambuí. Em 2020 veio a pandemia, muitos lugares que como o seu recebem as pessoas para se alimentar naquele lugar teve que ser fechado, qual foi o impacto da pandemia no seu negócio? Olha, a pandemia, assim, na primeira semana, ela me assustou bastante, porque cada hora era uma notícia, né, e cada hora era o governador falando uma coisa ou alguma novidade, né, de política, né, de fechamento, então eu imaginei que a loja teria por obrigação fechar, né, seria obrigado a fechar, Mas aí por fim a gente foi enquadrado em café e restaurante A gente teve o mesmo enquadramento E aí a gente pôde ficar aberto Mas assim, domingo a gente fechou Terça a gente já fechou para cliente E aí eu não trabalhava com entrega Tinha muito pouca entrega aqui na loja Nosso foco realmente era comer aqui nas mesas E foi um momento que eu falei, agora ou a gente muda, porque eles falaram que ia ser 15 dias, então até hoje quase. Aí já contratou uma empresa de delivery ou você instituiu a entrega própria? Como foi isso? Aí a gente começou com os sites, com os aplicativos, na semana que eu já parei tudo o que eu estava fazendo para me dedicar a isso, cadastro, correr atrás. Então, já foi aplicativo de entrega, eu já me cadastrei. E logo depois também eu tive a necessidade de fazer um site próprio também de entrega, porque entrega é uma coisa que é muito séria. Você tem que ter uma organização muito grande para trabalhar com isso. Tanto da parte dos aplicativos, quanto a sua também. Até porque, Eduardo, quando a gente fala em entrega, hoje a gente sabe que tem entrega de supermercados, de uma série de coisas. Mas quando se fala de entregar um doce, que tem a ver muito com emoção, uma série de coisas, tem todo um cuidado nesse processo para que esse doce chegue intacto ao cliente. Sim, exatamente, porque não é um, como você falou, não é um produto de supermercado, né? A pessoa quer ter o máximo de experiência que ela tem aqui na loja e em casa, né? Então, assim, é tudo muito... A gente manda a fatia numa embalagem própria, a cobertura em outra, é tudo explicadinho, às vezes com bilhete, então, assim, é bem... A gente põe tudo bem separadinho, No começo a gente teve problema, claro, a gente estava aprendendo, mas agora a gente já aprendeu um pouquinho, já estamos melhores, já aprendemos mais. Eduardo, a gente está batendo esse bate-papo via Zoom, até por conta desse novo modelo de comunicação, e eu percebo que ao seu fundo tem um quadrinho aí com QR Code. Hoje, você inclusive oferece também o cardápio para quem vai até a sua loja física nesse novo modelo, teve que adaptar toda uma forma de atender também na loja física? Também na loja física, a gente, eu falo assim, a gente mudou da água para o vinho, nada do que era antes é agora. Agora, nosso cardápio é online, e se a pessoa não quiser nem ter contato com o atendente, ela vai, ela estende o código, ela já solicita para entregar na mesa, solicita a retirada. E a gente também tem o cardápio impresso, porque, querendo ou não, algumas pessoas ainda precisam do outro, mas a maioria já é o QR Code, e a gente não tem mais garçom também, antes a gente tinha garçom, aqui a gente não tem mais, então a pessoa já faz o próprio pedido direto no caixa, a gente teve que se adaptar realmente. Com tantas mudanças em 2020, como você disse, mudar da água para o vinho, o que você espera desse 2021 para o seu negócio? Olha, eu espero que seja um ano mais estável, eu sei que agora muita coisa mudou que não vai voltar mais ser como era, né, e eu até classifico 2020 como um ano de reflexão, né, talvez a gente precisasse refletir em algumas coisas mesmo, que estavam umas coisas muito fora do lugar, mas eu espero que 2021 seja um ano mais estável, né, e que a gente consiga levar as coisas mais, um pouquinho mais naturalmente, mais leve, para todo mundo ficar mais feliz também. Hoje você conta com cinco funcionários e apesar de todas essas mudanças, de toda essa digitalização, etc., você faz questão de manter a característica de produção artesanal do seu cheesecake. Eu queria que você falasse dessa questão de como manter essa característica característica e ao mesmo tempo tá tão dependente da internet dessa forma em que hoje o mundo está como um todo? Eu classifico o nosso x-skate como artesanal, porque primeiro porque a gente faz, eu mesmo faço x-skate, então assim eu não abri mão de fazer e eu gosto do que eu faço então assim, eu a gente pode ter aumentado a quantidade mas eu acho que a qualidade na verdade acho que até melhorou, então Então, porque a gente vai aprendendo, vai aprimorando, vai colocando coisas novas. Então, eu tenho uma equipe que trabalha comigo na cozinha, elas sabem como eu trabalho, então aqui as coberturas a gente faz realmente com frutas. Eu falo que a gente tenta trabalhar com os melhores produtos do mercado, com o que tem disponível, com o que tem na hora, mas, assim, a gente sempre trabalha com produtos de qualidade e fazendo tudo realmente com a mão, né? Com a... ali na cozinha, com toda a nossa equipe, né? Eduardo, nosso tempo acabou. A gente mostrou aí durante o programa aí umas imagens que vocês enviaram para nós dos seus cheesecakes e outros produtos que vocês fazem aí. Deu água na boca. Parabéns pelo trabalho. E a gente espera realmente que esse 2021 seja um ano um pouco mais tranquilo e que os empreendedores continuem com esse impacto aí de se reinventar e muitas vezes reinventar a vida de outras pessoas, né? Ah, eu que agradeço e espero você aqui na Original Cheesecake qualquer dia para provar o nosso doce aqui. Combinado, então. Eu vou sim. Gente, e com essa entrevista a gente encerra esse primeiro bloco. Já, já, o Ser Empreendedor volta com a dica do especialista. Segundo bloco do Ser Empreendedor, e a gente conheceu a história do Eduardo que transformou a sua sobremesa preferida em um negócio. E você sabe se isso acontece com muitos empreendedores no nosso país? É cada vez maior o número de produções artesanais, principalmente na área da alimentação. E dando dicas para você que quer abrir o seu negócio ou você que quer aprimorar o seu negócio, agora a gente conversa com uma especialista, a Cláudia Moura, que é consultora do Sebrae São Paulo, da unidade aqui de Campinas, Cláudia seja bem-vinda aqui ao Ser Empreendedor e eu já vou te fazer essa pergunta sobre o quanto de pessoas que hoje investem no negócio de produção artesanal de alimentos, isso tem crescido também aqui em Campinas aí seguindo esse cenário nacional? Bom, Mina, na pandemia muitas empresas fecharam, mas muitas abriram tanto por oportunidade quanto por necessidade. E a área da alimentação é um segmento que sempre tem esse número elevado de aberturas. Várias questões favorecem as aberturas desses negócios hoje, principalmente dos pequenos negócios. Na área de alimentação, a questão da tendência em relação à praticidade e porcionamento, os kits que as pessoas foram criando para presentear ou para encaminhar agora durante a pandemia. A gente viu muito a festa na caixa, festa junina, aniversário. O pessoal que fazia buffet teve que se reinventar, porque os buffets fecharam. Exatamente. E você sabe que foi muito boa essa sua colocação, porque muitos desses buffets passaram a fornecer para essas empresas de entregas. Os kits festas normalmente vendiam para essas empresas. Então eu me lembro de atender uma cliente que ela fazia coisas com produtos de milho e ela estava abastecendo as empresas que estavam fazendo entregas na caixa de festa junina. Então houve muito compartilhamento de parcerias, de serviços e produtos. Isso foi uma questão positiva. Geralmente, Cláudia, o pequeno empreendedor Ele sempre tem essa questão da ajuda de um outro parceiro Eu percebo até pelas entrevistas que a gente tem feito aqui no programa No decorrer do tempo Mas isso na pandemia ele se tornou crucial Para que esse negócio ficasse em pé, não é isso? Sim, essa questão da economia compartilhada Tanto de você trazer parcerias, quanto dividir espaços Foi muito comum agora na época da pandemia Outras questões também vieram, como saudabilidade Por exemplo, na área da alimentação Se as pessoas já se preocupavam com produtos saudáveis Isso acabou vindo ainda mais à tona agora Porque com a pandemia, essas questões da saúde As pessoas começaram também a se alimentar melhor Então, produtos que a gente chama de consumo verde Produtos orgânicos também teve um crescimento muito grande Cestas orgânicas, entregas dessas cestas orgânicas também foi um segmento que cresceu muito. Outras questões, o surgimento, falando de tendências, da questão do prazer por coisas simples. Então, um pouquinho daquilo que você falou dos produtos artesanais. As pessoas estão numa fase de enxergar o que realmente importa. Então, ver o trabalho do outro através de um produto manual, de um produto artesanal, isso também veio à tona agora na pandemia. com produções mais simples, mais independentes, que muitas vezes trazem aquela questão da memória afetiva, né? De um produto que a gente consumia quando nós éramos menores, quando nós éramos criança, isso veio muito agora também. Mas muita coisa também nova, e prova disso é a questão dos alimentos saudáveis, né? E dos porcionamentos, das saladas de frutas, essas coisas vêm saindo muito nesse momento também, em termos de produtos ligados à área alimentícia. E quais as vantagens? Eu gosto sempre de falar de tudo que tem aí, que a gente precisa aprimorar, mas tem muitas vantagens aí em relação aos pequenos negócios. Quando eu tenho um pequeno negócio, eu tenho mais agilidade para tomar decisões na minha empresa, porque eu não dependo de muitas pessoas. Acesso a crédito. Se você tem um bom negócio, Você consegue acessar mais facilmente essa questão do crédito hoje. Relacionamento, proximidade com o seu cliente. Os pequenos negócios, eles têm um canal de comunicação mais eficiente, né? Então, isso também acabou se intensificando agora na pandemia. Até porque, muitas vezes, o serviço de atendimento ao consumidor é feito, geralmente, pelo dono do negócio, nesses casos, né? Isso mesmo. A gente costuma dizer que eles são o estratégico, o tático e o operacional, né? Então, eles acabam se aproximando mais aí da necessidade do cliente e entendendo realmente o que ele precisa nesse momento. A gente fala que eles estão mais próximos da dor do cliente, né? Então, fica mais fácil trazer produtos e serviços aí que se adequem a essa nova realidade. E no nosso caso, a gente, quando fala em um cenário nacional, nunca aconteceu tanta formalização de mês. Em Campinas também teve essa tendência. E qual é a necessidade desse, até então informal, ou até mesmo as pessoas que foram demitidas do seu emprego via CLT, de falar, olha, eu quero começar um negócio, eu vou seguir todo o ritual correto, ou até quem fala, não, até agora eu estava meio incerto, é preciso legalizar. Vocês sentiram que esse público passou, inclusive, a procurar mais o SEBRAE com essas angústias? Olha, nós temos atendido, sim, bastante formalizações, assim como também fechamentos, então tem aí mesmo essa questão dos dois lados. A formalização, eu acredito que ela tenha acontecido mais por conta das facilidades que isso traz, Como eu te falei, se eu sou formalizado, eu tenho acesso ao crédito, eu tenho facilidade de compras junto ao fornecedor quando eu tenho um CNPJ. Então, aqueles que enxergaram oportunidades ou que buscaram essa questão da formalização através do MEI, eles acabaram sim se formalizando para conseguirem executar o seu trabalho, de uma maneira que também traga retorno financeiro para eles. As pessoas muitas vezes acabam fazendo essa alimentação na cozinha da própria casa e uma série de coisas. E a gente sabe que além da formalização, também existem os protocolos de manipulação de alimentos e tudo mais. O SEBRAE, que tipo de orientação ele dá para essas pessoas? Porque elas também precisam tirar aí algumas outras certidões, alguma outra documentação para trabalhar com alimentação. Sim, o SEBRAE veio fazendo capacitações para os protocolos de retomada, principalmente, e nós fizemos parcerias com o SENAI e o SENAC para capacitação na área de manipulação de alimentos. Afinal de contas, tem uma pesquisa que diz que hoje vale muito mais a segurança do que a promoção. Então, a segurança está totalmente ligada a essa questão de seguir os protocolos, tanto que a orientação é que essas pessoas não só sigam os protocolos, mas que elas registrem eles nas suas redes sociais, para que as pessoas, que os clientes entendam que realmente a gente está se preocupando com a entrega que nós estamos fazendo dentro dessa questão da segurança alimentar, né? Então, hoje, o empreendedor que está nos assistindo e pensa em trabalhar com alimentação, hoje até trabalha de uma maneira informal, vendendo algum kit, vendendo algum bolo, algum doce, ele pode, a qualquer momento, procurar o Sebrae? Ele pode procurar o SEBRAE. No primeiro momento, nós vamos auxiliá-lo na estruturação do plano de negócios, que é quando ele vai avaliar clientes, fornecedores, concorrentes, fazer uma análise desse mercado, entender um pouco o seu cliente, para ele, então, depois formalizar esse negócio. Cláudia, mas aí entra uma pergunta bem de leigo mesmo. As pessoas falam assim, mas é muito difícil fazer plano de negócios. eu prefiro aqui marcar na minha caderneta, eu não vou conseguir. Esse plano de negócios que o Sebrae, essa orientação que vocês dão, é bem um beabá e é fácil para que as pessoas possam incorporar essa logística em todo o seu negócio? Sim, nós temos essa estrutura do plano de negócios, ele costuma preencher essa estrutura, mesmo porque a gente parte do princípio que ele precisa ter a ideia para ele iniciar o negócio, e para ter essa ideia, ele tem que buscar informações, porque é isso que vai dar subsídio para ele depois fazer a gestão desse negócio. Então, o plano de negócios, ele força ele a buscar informações para que ele consiga, então, através dessa estrutura, chegar à conclusão se esse negócio é mesmo viável ou não. Tanto que tem toda uma análise financeira, que é a mais importante aí, que é a análise de custos para a formação de preço, taxa de retorno de investimento. São questões que parecem ser muito teóricas, mas que elas se tornam práticas quando a gente auxilia nessa análise. Cláudia, e muitas vezes também, as pessoas que chegam até vocês, ah, eu quero fazer um, eu quero vender bolo, por exemplo, vou dar esse exemplo que tem sido muito recorrente essa coisa do bolo também. E aí no meio do processo ela vê e muda o curso falando não, é melhor eu fazer outra coisa e acaba abrindo um outro tipo de negócio, isso também acontece? Sim, eu acho que a ideia do plano de negócios é que ele tenha mais segurança para tomar essa decisão ou para mudar o curso das coisas antes que ele faça grandes investimentos. Quando a gente fala em grande investimento, o MEI geralmente nem sempre dispõe desses valores, por isso que até os negócios, principalmente quando a gente fala em alimentos, começam ali na cozinha de casa mesmo. Hoje, um MEI para iniciar um negócio, ele precisa ter no mínimo quanto? Existe essa conta ou não? Na verdade, isso vai variar muito de acordo com o negócio, porque o investimento vai estar em cima da estruturação do seu espaço, que ele vai ter que atender às normas da vigilância sanitária, principalmente quando a gente fala de alimentação, e depois na aquisição de utensílios e equipamentos. Isso varia de uma mini padaria, de um espaço para se fazer bolos e doces, uma salgadeira, né? Isso vai variar muito de acordo com o produto que ele vai fazer. Sim, e aí, um segundo passo, que inclusive o Eduardo, nosso entrevistado, contou no bloco anterior, que ele fazia lá na cozinha da casa dele, depois ele falou, não, a gente precisa ter uma cozinha maior, um espaço físico. Esse geralmente é o caminho da pessoa que primeiro quer fazer esse teste, quer consolidar o seu negócio e depois partir para algo maior? O ideal seria que ele tivesse uma estrutura, primeiramente, que atendesse as necessidades da vigilância, para que ele consiga fazer os produtos dele dentro dos processos, para que ele não tenha problemas na padronização de um produto ou na questão da manipulação. É, até porque você falou da questão da saúde, é importante se alentar que todos esses produtos, mesmo os artesanais, eles têm que ter lá a sua etiquetinha, com data de validade e tudo mais, né? Sim, prazos de validade, muitas vezes as pessoas esperam que ali também tenham os ingredientes que compõem aquele prato, é isso que vai trazer mais segurança para a pessoa consumir, né? Quanto mais informações nós tivermos, mais seguro as pessoas vão estar de consumir com aquela empresa. Sim, agora quando a gente pensa nesse negócio que já tem um local físico, mais às vezes, eu digo até por conta do que aconteceu em 2020 na pandemia, muitos locais foram fechados e essa pessoa teve que passar a produção, Então, por exemplo, de volta para casa e continuar entregando ou pegando pedidos via internet, WhatsApp ou outra rede social. Isso também aconteceu bastante? Nós temos relatos de clientes que acabaram voltando para os seus espaços em casa até em função da redução de custos. Mas a adequação, a nossa orientação é sempre da adequação do espaço Para essa questão mesmo do protocolo de retomada Da segurança no consumo daquele cliente Os clientes estão buscando por essas informações Principalmente nas redes sociais, nas mídias digitais Para eles poderem consumir o produto daquela empresa O Sebrae por um tempo fez o atendimento também de forma online Hoje está como? É online, presencial? Como está sendo esse atendimento, Cláudia? Eu digo que hoje nós temos um atendimento híbrido, né? Nós temos uma equipe que está no presencial, no nosso escritório regional, e pessoas que também estão atendendo à distância, através do online. Nós conseguimos fazer das duas maneiras hoje. Então, quem está em casa nos assistindo e queira tirar alguma dúvida ou queira entender um pouquinho mais desse mundo do microempreendedor individual, pode entrar no site do SEBRAE ou ir pessoalmente numa unidade. Sim, nós estamos abertos de segunda a sexta-feira, inicialmente das 9h às 17h, só peço que realmente haja um acompanhamento desses horários, porque essa semana mesmo foi necessário a redução deles, mas nós estamos atendendo presencialmente também, e aqueles que não podem ir até nós, podem ligar no nosso 0800 570 0800 e agendar um atendimento online também. Cláudia, eu agradeço a sua participação e até uma próxima oportunidade. Obrigada, Mina. Obrigada a vocês. E com essa dica do especialista, a gente encerra o Ser Empreendedor de hoje. Até um próximo programa. Legenda Adriana Zanotto