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SER EMPREENDEDOR - NEGÓCIOS COMUNITÁRIOS DE IMPACTO SOCIOAMBIENTAL
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SER EMPREENDEDOR - NEGÓCIOS COMUNITÁRIOS DE IMPACTO SOCIOAMBIENTAL

35 views Publicado 15/07/2021 HD · 43:10

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SER EMPREENDEDOR - NEGÓCIOS COMUNITÁRIOS DE IMPACTO SOCIOAMBIENTAL - 14-07-2021

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Na contramão da crise econômica e de saúde no país, o Ser Empreendedor hoje vai falar sobre um setor muito especial, os orgânicos no Brasil, que deu um salto de cerca de 30% em relação ao ano de 2019. Um crescimento que não é novidade, já que o setor entre 2003 e 2007 teve um crescimento de 15% aí nesse período também. Eles vêm aumentando a participação no mercado de forma robusta e principalmente na última década. Mas é nesse cenário que a gente vai conversar agora com justamente pessoas especializadas nesse tema. Olha, hoje o nosso convidado do primeiro bloco é o Instituto Conexões Sustentáveis, o Conexus, que mostram aí justamente uma expectativa de mais crescimento ainda em 2021 e como a gente consegue, então, organizar não apenas com os grandes produtores, mas os pequenos, até porque a gente já mostrou aqui no nosso programa que são eles, principalmente a agricultura familiar, que movimentam esse setor. Estou falando certo, Rafael? Seja bem-vindo ao Ser Empreendedor. Obrigado pela oportunidade. Realmente, o pequeno produtor importa. Tem um futuro de oportunidades no campo, na mão desses pequenos produtores e também dos extrativistas. A Conexus é uma organização sem fins lucrativos, que trabalha para ativar esse ecossistema de negócios comunitários, que são rurais e florestais. Com esse objetivo de aumentar a renda dos pequenos produtores e fortalecer também a preservação dos ecossistemas naturais, principalmente daqueles biomas que estão ameaçados. E a agricultura orgânica, certamente, ela é uma das práticas que vem crescendo muito dentro da agricultura familiar, como uma tendência, e também a produção agroecológica. A agricultura familiar no Brasil é muito relevante. São mais de 10 milhões de pessoas, 80 milhões de hectares e aproximadamente 74 bilhões de reais por ano, que são dados do Censo Agropecuário de 2017, que são movimentados por esse conjunto de produtores. Nem todos os produtores estão trabalhando em uma base agroecológica ou orgânica. Mas esse é justamente o papel do trabalho da Conexus, fomentar a produção sustentável. É isso que eu ia perguntar, a gente está falando de 80 milhões de pessoas aí e de um mercado muito importante, mas que até então, quando a gente pensa, claro, em plantação de soja, cana, café e outras grandes produções, a gente sempre, ela está, de certa forma, vem atrás da questão ambiental, né? A pastagem, etc. Agora, quando a gente fala do pequeno, é quando esse pequeno produtor percebeu que a sustentabilidade e essa união da produção com a preservação ambiental é algo que dá lucro e não só o dinheiro, por toda a condição dessa produção. Você está trazendo um tema que é muito relevante para nós, Então, hoje, existe uma política pública muito consolidada no Brasil, de crédito, para esses pequenos produtores, que é o PRONAF. E o PRONAF, ele mobiliza mais de 30 bilhões de reais por ano para esses pequenos produtores. Para você ter uma ideia, menos de 3% desse valor, ele vai para sistemas sustentáveis de produção. E isso acontece porque os bancos públicos que operam essas linhas do Pronaf, eles não têm muito conhecimento sobre essas cadeias produtivas da sociobiodiversidade. Eu estou falando das cadeias do açaí, da cascanha e de outros produtos, inclusive aqui no nosso estado, em São Paulo, a gente tem cadeias da sociobiodiversidade, como o cambuci, a uvaia, a banana, entre outros produtos que são importantes para a preservação dos biomas. Então, tem, como você falou, uma pressão muito grande no campo que vem da fronteira agropecuária, que é um modelo bastante expansionista, eu diria, sobre o território. E esses pequenos produtores, eles se veem muitas em produção convencional, em arrendar sua terra para criação de gado e produção de grãos, para ser anexada por uma propriedade maior que a dele, que se avizinha. em volta dele, ou ele fazer o trabalho árduo de fazer o manejo sustentável da terra dele, que vai demandar muito mais trabalho dele, e que gera, sim, mais retorno por hectare. Eu acho que esse ponto é fundamental, que a gente tem que contar para as pessoas e principalmente para os produtores, que eles podem ter um rendimento por hectare na terra dele muito superior utilizando sistemas agroecológicos que diversificam os produtos que ele pode produzir na terra dele e também com a inovação do pagamento por serviços ecossistêmicos como os créditos de carbono, que podem complementar o valor do rendimento desse produtor com relação a formas convencionais. Então, quando a Conexus entra nesse trabalho junto ao pequeno agricultor, a gente está falando aí de modelos de produção e está falando também, de certa forma, de algum tipo de incentivo de crédito rural também? São essas duas vertentes? A Conexus trabalha principalmente sobre três eixos. Um é o desenvolvimento de negócios, porque esses produtores, eles se organizam em associações e cooperativas, são os chamados negócios comunitários. Esse é o foco de trabalho da Conexos. Então, a gente não só foca no pequeno produtor, como a gente também trabalha com suas organizações econômicas. Porque a gente acredita que é muito importante O fortalecimento dessas organizações Para fortalecer a comercialização, a organização da produção E financiamento desses produtores O que acontece no campo é que o produtor Ele tem várias opções para quem ele pode vender a produção dele Ele pode vender a produção dele para um intermediário Um atravessador que está no território Que paga a vista, porque o produtor precisa receber a vista Ele pode vender a produção dele para uma empresa, uma indústria, que vai fazer esse adiantamento para ele, provavelmente penalizando o preço que é negociado, isso também acontece com o atravessador. E tem uma outra opção, que é ele trabalhar vendendo para a cooperativa que o representa, porque ele faz parte do parque social dessa cooperativa, ele é um associado. Portanto, tem um alinhamento muito grande de interesse entre o produtor rural e sua organização econômica que ele representa. Então, por isso que a Conexus tem uma prioridade de trabalhar com a organização econômica em relação a outros tipos de organização. E olhando também ao longo da cadeia, quais são os elos que podem ser fortalecidos que vão ter impacto nesse pequeno produtor. Rafael, você citou algo a respeito do crédito de carbono, que é a primeira vez aqui no nosso programa que alguém cita isso. Eu queria que você explicasse para nós o que é exatamente o crédito de carbono e como, no caso das produções, dos pequenos produtores, isso pode ser utilizado de forma positiva. O crédito de carbono é um tema bastante discutido no mundo e ele veio sendo desenvolvido a partir do conceito da mitigação dos países que emitem uma taxa de carbono maior do que outra de fazer essa compensação através da geração de crédito. Isso também acabou criando um mercado. E, inicialmente, isso acabou sendo direcionado para outros setores que não têm a ver com o uso da terra. Então, por exemplo, você trocar o combustível, de um combustível ligado a petróleo para um combustível renovável, de fonte renovável. Mesma coisa para a questão do carvão. crédito de carbono gerado pelo uso da terra é um tema relativamente novo então é algo que é bastante incipiente no Brasil poucos exemplos de crédito de carbono gerado a partir de sistemas agroflorestais, mas esse é um tema que é bastante interessante do ponto de vista de desenvolvimento existe sim no mundo uma demanda grande de investidores que precisam mitigar as suas emissões de carbono e as soluções ligadas à floresta, que geram desenvolvimento econômico para os produtores e, portanto, mantém a floresta em pé e, principalmente, aquelas que envolvem a regeneração da terra, ou seja, a implantação de sistemas agroflorestais, elas são muito geradoras de carbono. Então, hoje não existe um acesso fácil para esses produtores terem, vamos dizer assim, essa renda extra a partir de crédito de carbono, porque a comercialização acontece em mais larga escala. Então, você precisa criar um volume grande. Eu peguei uma notícia, por exemplo, que a primeira operação de crédito de carbono no Brasil foi feita em 2020 com 200 créditos do programa RenovaBio. E a gente pensa em algo grande. Olha, a gente vai falar de 100 Cebius, que aí na época, para a gente ter uma ideia aqui, são 10.100 pelo sequestro de 200 toneladas de CO2. Como que a gente consegue mensurar isso, por exemplo, numa pequena produção, para transformar isso em crédito? Normalmente o que se faz, eu não sou especialista no tema, mas o que a gente vem discutindo com nossos parceiros é que é possível você adiantar a geração futura de créditos. Então é como se você comprometesse o recebimento de créditos futuros e fizesse a cessão desses créditos para uma outra parte. E aí você vende a geração futura desses créditos e consegue adiantar esses recursos para alguma finalidade. Quando a gente fala nesse ecossistema de negócios comunitários rurais e florestais que aumentam a renda dos pequenos produtores, hoje qual é a realidade deles? A gente teve na década, na verdade no século passado, o êxodo rural, hoje até, Rafael, quando a gente conversa com outros projetos que diz respeito à produção familiar, muitos falam que é possível manter o trabalhador na área rural sem ele pensar, olha, eu tenho que ir embora aqui da minha pequena propriedade para viver, ter a vida na cidade, por exemplo, eles estão tentando fazer esse caminho de volta. E quando a gente fala desse ecossistema também com a proteção da questão da agrofloresta, isso também é uma verdade? Uma tendência que é mais comum, que é da fuga das pessoas do campo para as cidades, é algo que não precisa nem falar. que é a tendência que a gente viu aí nas últimas décadas, no último século, que resultou nas cidades como elas são hoje. E esse processo de retorno que você falou, ele vai ser muito baseado nas oportunidades econômicas que estiverem presentes no campo. Então, a pecuária extensiva, o monocultivo de grãos em larga escala, que são as formas de ocupação no solo que a gente viu expandindo muito no Brasil nas últimas décadas, elas não respondem, talvez, à necessidade do pequeno produtor de geração de remes e manutenção de sua vida no campo. Porque basicamente o que é requerido dele É que ele arrende a terra dele Ou venda a terra dele para esse grande produtor Então, quando a gente fala em agregação de valor E da utilização dos negócios comunitários Como uma entidade que está ali defendendo os direitos Desse pequeno produtor E criando estruturas de valor compartilhado De compartilhamento de valor Nas cadeias produtivas na qual ele está inserido a gente está criando condições para que o pequeno produtor possa proteger o seu modo de vida no local onde ele vive. E ele possa também motivar, inclusive com o uso intensivo de tecnologias, a manutenção dos seus filhos das próximas gerações no campo também. Porque vai ter oportunidades econômicas relevantes para a família que está no campo. Isso envolve também os outros dois pilares que eu não comentei anteriormente, da atuação da Conexus, que é o acesso a financiamento e também o acesso aos mercados. Então, a Conexus trabalha nesses três eixos, desenvolvimento de negócios, acesso a financiamento e acesso a mercados, principalmente voltado para esses negócios comunitários e outros empreendimentos que têm impactos na vida desses pequenos produtores. Quando você fala do acesso ao financiamento, como a Conexus atua? A Conexus tem uma plataforma de finanças de impacto, como a gente chama, e atua basicamente em duas frentes. Uma é através da habilitação desses negócios comunitários e suas redes de produtores ao crédito rural do PRONAF, essa política pública de crédito que a gente tem no Brasil, que é muito favorável para os negócios, que a taxa de juros delas é muito baixa, inclusive chegando a ser negativa em algumas modalidades do PNA. Então, a gente trabalha com o conceito da rede de ativadoras de negócios tentáveis, que basicamente são agentes locais, que são muito mais que agentes de crédito, eles são agentes de desenvolvimento dessas propriedades, dessas unidades familiares de produção e de sua relação com as organizações econômicas que apresentam seus negócios comunitários e eles fazem esse aponte com o mundo do crédito e também facilitam o cumprimento dessas obrigações para as instituições financeiras, através da organização da produção, através de uma melhor gestão do negócio rural. Então, essa é uma parte que a gente vem trabalhando com bastante foco e com uma parceria grande também com o Banco da Amazônia, que foi assinado no final do ano passado e que torna a Conexus um agente importante do Banco da Amazônia para a originação desse tipo de projeto para as cadeias sustentáveis. Voltando, é uma estratégia da Conexus apoiar modelos sustentáveis de produção dentro desse universo, desses pequenos produtores e seus negócios comunitários. Uma segunda área que a gente desenvolve na Conexus, da qual eu estou ligado diretamente, eu sou responsável por essa área, é uma empresa de investimentos socioambientais que estrutura veículos de financiamento para esses produtores que são alternativas, por exemplo, essa linha subsidiada do Pronaf. Então, hoje, nós temos uma carteira de crédito que tem mais de 7 milhões de reais em empréstimos ainda a receber, e a gente fez um esforço grande do ano passado para fazer a concessão desses empréstimos, então a gente chegou a mais de 80 empréstimos concedidos no ano passado, no contexto da pandemia, para atender essa necessidade emergencial dessas organizações, desses negócios comunitários, de uma demanda que a gente teve de mais de 18 milhões de reais em pedidos de empréstimo. A gente fez uma chamada aberta e essa chamada aberta atraiu um volume enorme de pedidos dessas organizações, e isso se deveu principalmente à articulação de rede, as parcerias que a Conexus tem com algumas organizações de base, como a Unicap e a CNS, que representam produtores extrativistas. E quando a gente fala, meu tempo está acabando, nessa questão da participação da Conexus, quando a gente fala em abertura de mercado, isso também é sempre em parceria com as cooperativas e outros institutos? A parte de acesso ao mercado, ela envolve uma série de estratégias diferentes. Uma delas, que a gente apostou muito na pandemia, é o fortalecimento dos canais eletrônicos de comercialização. Muitas dessas organizações, a maioria delas, nunca tinham vendido pela internet. Então, a gente investiu na criação de uma plataforma de comercialização, que é o Negócios pela Terra. É uma plataforma de inteligência de mercado que cadastra os produtos que são produzidos por esses negócios comunitários e seus produtores, e a gente está fazendo interconexões com vários marketplaces, grandes aí do mercado, para a gente justamente facilitar o espoamento e também a logística, que costuma ser a grande dificuldade, porque esses produtores estão espalhados pelo Brasil. Então, a gente está buscando soluções para aumentar as vendas diretas através da internet e, ao mesmo tempo, desenvolvendo relações com os grandes compradores e relações que sejam justas para os pequenos produtores, que geram valor para os pequenos produtores poderem se inserir nessas cadeias produtivas. A gente está acabando aqui o tempinho. Ô Rafael, o futuro desse mercado e o papel da Conexus nesse futuro? Bom, eu acredito muito no papel do pequeno produtor, num futuro em que a gente vai conseguir preservar nossa biodiversidade, que a nossa produção de alimentos, nossa produção de diversos insumos da terra, ela passa pelas mãos de produtores que amam a terra, que estão na terra, que vivem da terra. E de forma que a gente consiga evitar a destruição de mais áreas que vão sendo convertidas para formas de produção que, na minha opinião, não são sustentáveis, que acabam colocando uma pressão muito grande sobre os nossos biomas e sobre o nosso futuro. Então, eu acredito no acesso contínuo e ampliado a financiamento para essas organizações, sempre vinculado ao suporte para o seu desenvolvimento, seja através da educação financeira, que é fundamental no campo, fundamental para esses produtores e negócios comunitários, seja através de conexões, conexões sustentáveis, que esses empreendimentos, que esses produtores podem estabelecer com o mercado, podem estabelecer com as entidades governamentais e, por que não, também diretamente com os consumidores. É disso que se trata a Conexus. O Instituto de Conexões Sustentáveis nasceu justamente para isso, para fortalecer esses elos geradores de prosperidade e sustentabilidade. Rafael Ribeiro, eu agradeço sua participação, até uma próxima oportunidade Muito obrigado Olha, a gente vai continuar falando desse tema no próximo bloco conversando justamente com o Instituto que faz essa produção, na verdade trabalha com a produção olha, de Cambuci a gente vai conhecer daqui a pouquinho logo após o intervalo não saia daí Segundo bloco do Ser Empreendedor, e agora nós vamos conversar com o Gabriel, que é do Instituto Auá, falando sobre essa questão do empreendedorismo socioambiental e de que forma, então, o trabalho lá da Conexus impactou no negócio dele, mas antes da gente falar desse, eu queria que você me explicasse essa questão do Cambuci, mais precisamente da rota do Cambuci, esse é o negócio aí dos pequenos produtores e o negócio que o Instituto trabalha, é isso? Isso, é um dos programas que nós trabalhamos A rota do Cambuci surgiu em 2009 Reunindo festivais gastronômicos do Cambuci Que eram realizados por alguns municípios E nós assumimos a coordenação desse movimento Então em 2009 e estamos à frente disso desde então Sendo que em 2014 ele deixou de ser só um roteiro de festivais gastronômicos do Cambuci, que é essa fruta nativa da Mata Atlântica de São Paulo, ela representa a ponta de lança do movimento de valorização das espécies nativas da Mata Atlântica, com a ideia de recuperar o bioma pela agricultura, pela agricultura e pelo mercado. E aí, em 2014, ela deixou de ser só esse roteiro de festivais gastronômicos e se transformou num programa de desenvolvimento local, principalmente para o entorno da Serra do Mar, reunindo produtores para formar um arranjo produtivo local do fruto e que hoje, inclusive, desde o ano passado, que é reconhecido oficialmente dentro do programa de arranjos produtivos locais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. Quando a gente fala, até porque para mim é algo novo, quando eu ouvia falar em Cambuci, achava que era só algo antigo lá dos meus avós, etc e tal, como que é então pensar num grupo, numa economia local, com uma produção local e na verdade até o Cambuci que é, como você acabou de dizer, característico aqui, mais precisamente da região da Serra do Mar, para falar, não, esse produto é local, mas a gente pode mostrá-lo, de certa forma, para o mundo, digamos assim. Sim, a gente pode dizer que nós estamos trazendo novidade que está aqui há 2 mil anos, porque... É isso mesmo, novidade que está aqui há 2 mil anos. Porque são espécies que estão há milhares de anos, compõem o bioma da Mata Atlântica E se eu falar para você o nome das frutas que tem em São Paulo, que estão aqui há mais de 2 mil anos A maioria das pessoas não vai conhecer, por exemplo, grumixama, gabiroba, jussara, jaracateá, jerivá, araçá São frutas que estão aí, estavam nos quintais, inclusive, até 50 anos atrás, estavam nos quintais de muitas casas, mas justamente por não serem valorizadas por uma questão cultural, de colônia mesmo, a gente valoriza o que é exótico, principalmente o que vem da Europa ou dos Estados Unidos. são as tais frutas nobres, todo mundo conhece as frutas nobres, a uva, o pêssego e tal, o mirtilo, as frutas populares são na maioria asiáticas ou africanas e o que é daqui às vezes é mais saboroso, mais rico em nutrientes, mas as pessoas não conhecem, não valorizam e aí justamente por isso, por não valorizar, elas começaram a ficar ameaçadas de extinção, porque as pessoas cortam, é uma árvore que poderia dar uma riqueza para uma família, muitas vezes ela corta por não ver valor econômico naquele planto, uma laranja, uma cana, e que depois, inclusive, vai perder valor para commodities. A gente costuma dizer que quando a gente investe num ativo econômico que ele é próprio nosso, que ele é daqui, ele tem uma identidade territorial, a gente nunca vai perder a concorrência para a China ou para outros lugares, porque não adianta vir cambuci da China mais barato, o barato é que ele é daqui. Agora, Gabriel, quando a gente fala em empreendedorismo socioambiental e esse projeto especificamente do cambuci que começou em 2009, quando a gente pensa que é possível manter a biodiversidade sustentar essas famílias, como foi, então, implantar esse projeto e a evolução dele, e qual é o papel do Conexus nessa, especificamente, aí junto, nessa parceria com o Instituto Auá? O Instituto Conexus salvou o Instituto Auá no ano passado, por conta da pandemia, nós perdemos a maioria absoluta das receitas que nós tínhamos previsto com a venda do fruto, principalmente para merenda escolar, indústrias e restaurantes, que foram os mercados mais impactados. E aí nós conseguimos um recurso de 80 mil reais, e é um fundo que tem condições muito especiais de prazo, 12 meses, até 12 meses de carência, juros de 3%, então isso ajudou muito a gente a manter a equipe, conseguir desenvolver uma nova estratégia comercial voltada para outros mercados que não estão afetados, de delivery para consumidor final, até para alimentação hospitalar, outros nichos de indústria e varejo. Então, as famílias envolvidas, quantas pessoas estão envolvidas? Hoje, são cerca de 200 agricultores de 20 municípios do estado de São Paulo. Certo. E eles, de certa forma, que naquele primeiro momento se viram, praticamente sem nada, tiveram esse respiro, mas também tiveram, vocês tiveram aí que reaprender a vender o seu produto também. Sim, exatamente. A safra do Tambuci é de março a maio. Então, no ano passado, a safra foi diretamente impactada com o começo da pandemia. Todas as perspectivas caíram de uma vez, nós não tivemos tempo hábil para reestruturar a estratégia e a safra foi perdida. Para esse ano, ainda teve um impacto muito grande na colheita, mas nós começamos a abrir novas perspectivas para conseguir vender um pouco do que foi colhido e armazenado. Agora estamos entrando no último mês da safra, então está sendo colhido e armazenado um pouco e a gente tem pelo menos um pouco de perspectiva para conseguir escoar isso durante o ano até a safra do ano que vem. Quando você fala da questão do investimento, vocês conseguiram, por exemplo, esses 80 mil pelo Pronaf também e o Conexus que fez essa, ou não, ou foi direto naquele fundo do Conexus? Fundo emergencial do Conexus. E a partir dessa experiência, Gabriel, hoje de que forma vocês pretendem pensar em manter a produtividade e manter o mínimo de que cada família que participa do projeto precisa para a questão da sobrevivência e se já dá ou se ainda é cedo de pensar em otimizar, melhorar esse mercado ou ainda a pandemia é algo que assusta os produtores, os familiares dessa região? Ainda assusta bastante. Nós tínhamos uma perspectiva ilusória de que a situação iria melhorar esse ano. Só que, infelizmente, mais uma vez, em fevereiro, veio a segunda onda com toda a força, mais uma vez na véspera do início da safra mais um golpe, onde tudo fechou, lockdown então não só essa questão do mercado, mas as mortes, são 4 mil mortes por dia, está todo mundo assustado então os agricultores estão ficando mais quietinhos, alguns que estão entendendo bem a situação, outros não entendem, o povo fica nervoso, mas não adianta muito, é o vírus, ele está aí, ele está matando, a gente tem que se cuidar. Mas ainda, apesar desse impacto muito grande, principalmente no que diz respeito ao Cambuci, eu falei antes com o Rafael, e você mencionou também essa questão de tentar escoar produtividade por outros bens, Você até falou que antes dependia muito da questão da escola, a gente sabe que as aulas aos poucos estão retornando, mas ainda é algo muito sutil. Que outro tipo de mercado vocês encontraram e de que forma é possível pensar em escoar um pouco dessa produção para esse mercado? Bom, do que era estratégia antiga, A gente tem aí alguma coisa se recuperando hoje, algumas prefeituras que pretendem voltar às aulas, estão fazendo algumas cotações conosco para a aquisição de cambucijo, sara para merenda escolar. temos indústrias também na área de alimentação, hoje são cerca de 10 indústrias que estão conosco com a perspectiva de colocar o produto de volta no mercado agora a partir do mês que vem, mas principalmente varejo, hospital e venda para consumidor final Nós agora, nesse mês de maio, vamos inaugurar uma loja da Mata Atlântica, dos biomas brasileiros, na americanas.com. Nós esperamos, online, nós esperamos para esse ano conseguir girar até a próxima safra, pelo menos umas 50 toneladas do fruto. Tá certo, vocês inclusive, eu estou dando aqui, vai ter uma, vocês fizeram a questão do arranjo produtivo sustentável do Cambuci, de que forma então vocês estão também encontrando na tecnologia uma forma de, mesmo em tempo de pandemia, como você mencionou, o produtor tem que ficar um pouco mais quieto, mas como que vocês conseguem, mesmo nesse cenário, e qual a importância da internet para que vocês consigam alavancar esses negócios, envolver o produtor rural, as famílias? Nós temos usado muito o recurso do online, plataformas, o Zoom, nós estamos inclusive com um projeto agora em parceria com a Fundação Banco do Brasil, também promovendo a capacitação de nove grupos do estado de São Paulo, a capacitação agroecológica, então são técnicas produtivas e também de gestão. Além disso, tem também a distribuição de equipamentos que nós estamos fazendo para esses grupos, são cerca de 500 mil reais em equipamentos que estão sendo distribuídos para aumentar a capacidade produtiva desses grupos. E a parte de mobilização está funcionando tudo por esses aplicativos de WhatsApp, grupos de WhatsApp, Zoom, Meet, a gente está tendo que se virar por aí. Tem inclusive uma campanha, vocês estão fazendo diversas lives desde março e em maio termina com essa campanha. Fala um pouquinho dela para mim, Gabriel. Essa campanha, chama Campanha Safra do Cambuci 2021 Nós estamos com a nossa página no YouTube Onde tem vídeos de três lives que já foram realizadas agora em março e abril A primeira live inclusive foi sobre o arranjo produtivo local do Cambuci da Mata Atlântica como eu disse anteriormente, no ano passado nós conseguimos o reconhecimento da rota do Cambuci como um arranjo produtivo oficial do estado de São Paulo, nessa live nós tivemos a participação da secretária de desenvolvimento econômico do estado de São Paulo, Patrícia Ellen, além de representantes de indústrias e outros parceiros comerciais, E depois, nas outras duas lives, nós tivemos a participação de produtores. Na segunda live, produtores agroecológicos, agricultores, sendo que alguns beneficiam os produtos. E na terceira live, que foi final de semana passado, foi com produtores artesanais que participavam dos festivais do Cambuci, tinham sua renda a partir da venda dos seus produtos nesses festivais e que agora estão parados, então agora conseguimos abrir como alternativa para eles essa página, essa loja na americanas.com. Vai ser a primeira experiência de vocês em um marketplace, é isso? Isso. Hoje, para a gente pensar, quanto é, digamos que assim, o lucro, se a gente pode falar isso, mensal de um produtor e quanto vocês têm a expectativa que isso aumente? Assim, a nossa ideia é diversificar, hoje a nossa ideia é diversificar a produção, a nossa expectativa para aumentar a renda desses produtores é com a diversificação da produção. A questão das nativas, ela é um pouco mais difícil para a geração de renda, ela é um caminho que está se abrindo, mas nós temos entendido que o produtor não pode colocar todas as suas fichas de produção, colocar toda a sua área produtiva só com cambuci e outras espécies nativas, porque é o que eu brinco, o nosso desafio é vender produto que ninguém conhece para um mercado que não existe. Então, não tem, você fala, o mercado de frutas da Amazônia, As pessoas sabem, imagina, mercado das frutas do Cerrado. Algumas eu ouvi falar. Da Mata Atlântica de São Paulo, ninguém tem esse mercado. É uma novidade mesmo. É algo que, como você falou, é bem local ainda. E isso tem os aspectos positivos, por ser uma novidade, mas tem os aspectos negativos, porque justamente o mercado não está consolidado. então esse produtor precisa se fortalecer no princípio da agroecologia mas diversificar, a banana, o inhame, o abacate outras coisas que já tem mercado consolidado e que consorciam muito bem com as frutas nativas e nesse sentido a gente considera que estamos trabalhando para a abertura desse mercado, de fato, desde 2014. São sete anos que estamos na luta. Nesses sete anos, nós conseguimos crescer este mercado mais de 500 vezes do que ele cresceu nos últimos 500 anos. Entendi. Então, se a gente falar em quantidade de venda de caixas, É quilos que a gente pensa quando a gente fala do Cambuci? Quilos? Quilos, a gente tem o fruto congelado, tem a polpa e aí tem outros derivados. Quantos quilos foram vendidos em 2020? Você tem esse número? Em 2020, nós tínhamos a perspectiva de vender 80 toneladas. Quanto foi vendido? Com a história da pandemia, fechou tudo, nós vendemos menos de 10 toneladas. Nossa, menos uma queda abrupta mesmo, né? Foi, assim, felizmente nós conseguimos diversificar a atuação, criamos pacotes de cesta básica agroecológica com arroz, feijão, verduras, legumes, frutas, 100% agroecológicas, e incluímos nessas cestas básicas também as frutas nativas, o cambuci, o vaia, a juçara, e distribuímos 4 mil cestas básicas. Para os próprios produtores? Isso, para esses produtores que estão conosco na rota do cambuci e também outros produtores agroecológicos do Brasil, até do Sul, tem fornecedor de arroz e feijão. Depois desse impacto, Gabriel, e agora essa perspectiva de 2021, que aos poucos o mercado vai se abrindo, no caso específico da agricultura agroecológica para o Cambuci, a gente pode dizer, existe uma perspectiva de quanto tempo vocês, especialmente esses produtores, eles vão conseguir se reestruturar novamente? Sim, já estão se reestruturando, felizmente, graças a esse apoio que veio da Conexus e também ao apoio da Fundação Banco do Brasil com os equipamentos, esses produtores felizmente estão conseguindo se reestruturar para essa safra, infelizmente não conseguimos uma solução 100% como gostaríamos, porque a pandemia voltou, voltou pior do que do ano passado, mas as perspectivas para o ano que vem são muito boas Gabriel, a gente deixa aqui o convite para vocês voltarem numa outra oportunidade inclusive para mostrar o quanto logo que essa expectativa se concretizar, que essa produção aumentar, que essa venda aumentar, quem sabe até mostrar aqui para a gente uma receita feita com o Cambuci vocês são muito bem-vindos aqui no nosso programa obrigada pela sua participação Obrigado, eu que agradeço, estou sempre à disposição. Olha, e a gente encerra o Ser Empreendedor por aqui, e até um próximo programa, a gente sempre falando de histórias de superação, e apesar, olha, a gente pode perceber, o Gabriel, apesar de todo esse cenário, os produtores ali da região da Serra do Mar, da Mata Atlântica, aqui de São Paulo, eles estão confiantes que é possível recuperar, são empreendedores socioambientais. Se você tem uma sugestão, entre em contato aqui com a nossa produção no 19 97829 3776. Eu fico por aqui e até um próximo Ser Empreendedor. Legenda Adriana Zanotto
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