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Meu Bairro na TV | Vila Padre Manoel da nóbrega parte i
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Meu Bairro na TV | Vila Padre Manoel da nóbrega parte i

441 views Publicado 19/08/2025 HD · 40:57

Descrição do vídeo

O Conjunto Habitacional Padre Manoel da Nóbrega, em Campinas, é muito mais do que um espaço de moradia: é um lugar de memórias, lutas, cultura e transformação social. Projetado entre 1973 e 1974 pelos arquitetos Joaquim e Liliana Guedes, o Nóbrega foi considerado uma das primeiras e mais bem-sucedidas experiências de núcleos mistos, reunindo casas e apartamentos em um mesmo projeto. A iniciativa foi promovida pela Cohab Campinas, com foco em famílias de baixa renda, e se tornou um marco da urbanização da cidade. O conjunto nasceu dentro de um plano maior que previa habitação coletiva, casas unifamiliares e equipamentos comunitários na periferia urbana de Campinas. As casas foram entregues em etapas, e em 1977 surgiram os blocos de apartamentos, que traziam uma concepção inovadora para a época – como a lavanderia coletiva no último andar dos prédios. Ao todo, são mais de duas mil moradias que abrigam histórias de conquistas e superação. Neste episódio do “Meu Bairro na TV”, mostramos como o Nóbrega foi se consolidando como comunidade e os personagens que ajudaram a construir sua identidade. Entre eles está Maria Inez Longatto, que relembra a luta pela casa própria e as dificuldades enfrentadas até realizar o sonho de ter seu lar. Outra figura marcante é Mercedes dos Santos, trabalhadora doméstica que se destacou na defesa dos direitos da categoria e hoje é reconhecida como a Rainha Pérola Negra 2025, na categoria “Trajetória de Luta e Garantia de Direitos”. Além da habitação, o Nóbrega se tornou espaço de ação social. A Pastoral de Rua da Comunidade Maria Mãe do Povo promove café da manhã, banho, roupas limpas e refeições para pessoas em situação de rua, em um trabalho conduzido por voluntários como Maria Eunice Fardin Filho e Carlos Roberto Medeiros. O atendimento leva acolhimento e dignidade para quem mais precisa, com refeições inclusive entregues nas ruas por pessoas como o voluntário Seu Geraldo. A cultura também floresceu na região. A Casa de Cultura Tainã, fundada em 1989, nasceu da mobilização dos moradores da Vila Castelo Branco e hoje é referência na produção de saberes, memória cultural e incentivo aos jovens da periferia. Como destaca o coordenador TC Silva, o espaço se tornou base para a valorização da identidade negra, das manifestações culturais e da formação cidadã. O esporte também é um ponto forte no bairro. O Centro Esportivo do Trabalhador “Brasil de Oliveira” e a Praça Principal recebem aulas de ginástica, atividades para a terceira idade, futebol amador, pista de skate e quadras poliesportivas. Personagens como Eduardo Paulino, coordenador da praça, e o professor de educação física Carlos Henrique Bernardino reforçam a importância do esporte como ferramenta de saúde e integração. E, claro, a culinária não poderia faltar. A tradicional pastelaria da família de Seu Dito, Dona Dita e Érica é referência na região há mais de 25 anos, oferecendo o famoso pastel do Nóbrega, que carrega memórias afetivas e o sabor da convivência comunitária. 👉 Neste vídeo você vai conhecer as histórias emocionantes de quem ajudou a transformar o Conjunto Habitacional Padre Manoel da Nóbrega em um espaço de resistência, solidariedade, cultura e vida comunitária em Campinas. 🔔 Inscreva-se no canal, curta o vídeo, compartilhe e deixe nos comentários suas memórias ou experiências com o Nóbrega e outros conjuntos habitacionais da cidade. Sua participação fortalece nossa comunidade! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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Olá, [Música] hoje o meu bairro na TV está na Vila Padre Manuel da Nóbrega, que fica na região noroeste de Campinas, entre o Jardim Londres, a Vila Castelo Branco e o Jardim Garcia. Confere aí no mapa. [Música] Considerado a primeira e bemsucedida experiência em termos de núcleos mistos em que há casas e apartamentos, o conjunto habitacional Padre Manuel da Nóbrega, projetado entre 1970 73 e 1974 pelos arquitetos Joaquim e Liliana Guedes, foi promovido pela Coab Campinas, destinado para uma classe de renda mais baixa, faixa de população atendida pelas companhias estaduais de habitação. Fazia parte de um plano mais amplo na periferia urbana da cidade, onde além da habitação coletiva estava prevista a unifamiliar e equipamentos comunitários. As casas foram construídas e entregues em etapas e em 1977 os apartamentos em blocos numa nova concepção de moradia à época em que a área de serviço ficava no último andar dos edifícios. Atualmente são mais de 2.000 moradias e todas as ruas aqui têm nome de pássaros, justamente por conta da Avenida Transamazônica que sai lá do Jardim Garcia. e termina no Nóbrega. Eu vou conversar com alguns moradores que estão aqui desde o comecinho da vila. Vamos ver se a gente consegue aqui, ó, falar com um deles. Para, meu, para. Fica quieto. Vamos lá. Tudo bem, Zé? Tudo bom, Zé? Quanto que você mudou para cá? 1975. 75. Mas a história dele, apesar de hoje ser essa casa dele, começou na casa de cima. Conta pra gente. Ah, ali era a casa da minha filha, da mãe. Era você, sua mãe. Quantos irmãos? Cinco. Cinco irmãos. A vida quatro irmãos. A vida era fácil. Três homens. Duas mulheres. Tá certo. Cinco. Cinco, né? Você, a Silvia, neném. Isso. Júlio Agnaldo. Certo. O Júlio Agnaldo. Gente, eu vou contar para vocês. Eu cresci aqui na Vila Padre Manuel da Nóbrega. O Zé era um dos vizinhos, filhos da dona Cândida, que frequentava a Igreja Católica aqui, fazia as novenas aqui entre os vizinhos, né? E como foi a sua adolescência aqui até, claro, conhecer a Miriam, namorar a Miriam, que era vizinha e casar, né? Conta para nós. Ah, foi bom, né? a vida de adolescente, tinha bastantes amigos, muito conhecido aqui, inclusive alguns já mudou que nem daqui da frente, era meu padrinho de casamento já falecido. É o seu Antônio, pai da Vera, que morava ali em cima, também já faleceu. A dona, a mãe da, da Vera também já faleceu, né? Então foi bom a minha vida de infância aqui no bairro, foi gostoso, entendeu? Vários amigos, né? Certo. E como foi essa questão de namorar a vizinha? Dá para lembrar esse começo de namoro com a Miriam? por meio assim meio agitado, né? O pai dela era bravo, né? Pai dela era bravo, não gostava muito de mim não, mas no fim acabou concordando. E eu agora em maio agora nós fizemos 46 anos de casado. Constituíram família, graças a Deus. Tem, tem neto, três netos, duas bisnetas já. Já duas bisnetas, inclusive uma tá aqui em casa. Ah, que legal. Uma coisa bonita. E como é para você fazer parte desses 50 anos do bairro? Ah, é bom. Tem muita coisa aqui que mudou, né? Geralmente os vizinhos mudou. Eh, antigamente não tinha muita diversão, hoje ainda tem, né? Um pouco, um pouco, mas não é muito, mas tem um pouco de diversão aqui do bairro. Precisa melhorar mais, né? Sim. Antes era lá embaixo o buracão, hoje já tem campo, tem um monte de coiso de futebol, né? tem a escola aí que tá bem melhor do que era antes. Então, quer dizer, tem muita coisa que compensa morar aqui. Uma das primeiras vias do bairro é a rua Codorna, na chamada primeira etapa, que tem no entorno uma fazenda que mostra o misto do urbano com o rural. É aqui que a dona Maria Inês lembra de como foi lutar e conquistar a casa própria. Eu morava na beira daanguera, né? E aí eu fiz a inscrição na Quab, tá? A minha vizinha falou: "Ol, você quer pegar uma casa, eu te levo lá na Quabe." Eu não conhecia nada aqui em Campinas, eu morava num sítio, certo? Lá pro lado de Piracicaba. Aí a tinha que levar a carteira profissional do meu marido, RG e tudo. Ele trabalhava no supergá carreteiro. Aí o catei escondido o documento dele, certo? Para mim lá fazer. Fui fazer porque ele não queria. Ele não queria falar. o pai dele falar que essas casas não prestava, que nunca acabava de pagar, tá? Aí eu peguei os documentos escondido e fui. Aí de tarde ele falou para mim assim, quando ele chegou de viagem, ele falou: "Nossa, foi viajar sem documento". Eu falei: "Ah, você esqueceu? Você esqueceu aqui em cima da mesa". Mentira. Tinha ido lá na quia um ano que eu tinha feito inscrição, tá? Aí eu fui lá, falei: "Eu quero falar com o teu irmão". "Ah, mas tu Manuel não pode atender." Aí eu falei: "Aí fquei até de noite lá". Aí ele falou assim: "Não, a da senhora tá aqui". Aí ele abriu a gaveta lá, pegou a tá aqui. Seu marido é carreteiro, o salário dele é mais ou menos. Então ele só pode pegar uma casa sozinha, só tem três cílios, que é um menino, dois cílios. Que a casa sozinha era mais cara que a gerinada. Era um pouco mais cara. Apesar o salário que nem que essas pessoas que pegou aqui, o salário era bem baixinho. Como eu trabalhava no supergás, aí eu peguei que a minha casa não é eles que encostaram o muro aqui, mas ela é sozinha, tá vendo? Para cima já gem nada, tá? duas, três germinadas para cima. Minha amiga que eu falei que mudou logo comigo. É tudo separada. Cada duas casa germinada era uma sozinha. E quando a senhora chegou em casa com essa carta? Que que seu marido falou? Não, aí fazia, deram 15 dias para nós sair. Deram 15 dias para nós sair da casa. Aonde que a gente ia, meu Deus? Aonde? Aí eu tinha só que arrumar a entrada para dar lá na Quab para mim pegar a chave. E como a senhora fez aí? E eu falei: "Meu Deus, e agora?" Aí fui falar para ele, falei: "Ah, eu fiz cristão na Quabe, mas saiu a casa, a gente tem que arrumar a entrada para ir lá". O quê? Ele pegou a vassoura, tacou na minha mão, quebrou minha mão. Eu não quero sacar essa essa essa esse negócio aí não presta. Eu falei para nós vai servir, porque nós não tem para onde ir. Você que sabe. Você que sabe. Vai lá, conversa com dona, você deixa ficar mais aqui. O que que você faz? Eu não quero nem saber. Eu dinheiro para dar entrada eu não tenho. Ele tinha dinheiro. Aí pensou, pensou, acho que conversou com alguém, ele pegou o dinheiro e eu vou lá só para assinar porque eu não quero nem saber disso. E quando veio aqui, ele veio mas xingando, jogava as coisas como se tivesse jogando um monte de lixo no chão. E a senhora com todo o carinho, com todo o carinho. Cada férias eu fazia uma coisa. Uma vez eu comprava porta, outra vez eu comprava janela. E assim foi fazendo meus filhos, meus meu filho mais velho que tá com 62, ele tava com 14 anos, ele foi levantando as paredes lá que eu metei pro fundo, tudo eles que fizeram. E a senhora é feliz de morar 50 anos aqui? Eu sou feliz. Tem, tenho uma certeza que a gente já passou, mas isso passa, né? É o seu cantinho? É meu cantinho. Quando que a senhora pretende sair aqui do Nóbrega? Eu não vou sair daqu, entendeu? Eu falei só a cidade do pé junto. Isso aqui é meu cantinho porque é o que eu tenho. Rua Ema, Papagaio, Jaó, Irê, Albatróz e muitas outras. Chegando na rua Paturi, a gente encontra uma moradora que é uma rainha. Com a história de atuação pelos direitos das trabalhadoras domésticas, dona Mercedes é a rainha Pérola Negra de 2025 na categoria trajetória de luta e garantia de direitos. Aqui só teve, só teve, só tem e teve muita gente que já faleceram que trabalhava na SANSA, eles deram assim muito, muitas cartinha, tal e eu morava aqui na Castelo Branco, na casa da minha sogra. E aí não queria mais morar com sogra, não queria morar com ninguém, que eu fui, eu aluguei uma casa e fui morar aqui perto mesmo, mas não fiquei nemum ano lá porque E daí a casa saiu, a casa saiu. A casa saiu em 1900, acho que de acho que não era 9, 70, tá? 77 por aí. Tá. E naquela época como que era? A senhora recebeu uma carta na sua casa ou a senhora ia lá na Coab toda semana? Não, meu marido que recebeu a carta no emprego dele. E como que foi ter emoção de então ter nosa casa? Alegria imensa que eu falei: "Nossa, eu tô na minha casa agora". Aí depois de seis meses, a gente já pegou a chave e já pulamos para cá do jeito que tava, tudo cheia de terra, tudo esburacada. Eu falei: "Não, vou assim mesmo". Já tinha a creche aqui do Nobrega ou ainda não? Não, foi tudo construído no longo da nossa vida aqui. Sim. A Célia, que é a minha filha mais nova, que vai fazer agora, ela fez 48 anos, ela nasceu aqui. Sim. Estudou aqui no Mana? Estudou aqui no Mana, foi aqui o restante eles estudaram tudo no Mana. Marcélia fez a creche Milha Rice, depois foi pro pro na Vila Bela, depois foi pro Humana. E assim foi todo mundo aqui da minha casa, meus netos tudo fizeram progênio mana e se formaram. Como que é pra senhora ser uma das moradoras mais antigas aqui do bairro? Ah, eu sou muito feliz aqui porque aqui eu acho que é um lugar um lugar maravilhoso. Caiu, eu caiu do céu para mim porque eu era uma doméstica que só pensava em ter o que era meu. Comi o pão que o diabo amassou para pagar essa casa, mas com muito orgulho, com salário de doméstica. Ela foi quitada em 2000, no ano de 2000 já. Sim. Só que tem uma novidade, né? A gente tá falando com uma personalidade de Campinas que mora aqui no Nóbrega. Então a minha história tá sendo contada a a há 20 anos atrás que eu cheguei até o sindicato da doméstica, que é ali na Castelo Branco, certo? Até então eu não conhecia nada do mundo, não sabia ler, não sabia escrever, não sabia nada, não saía, não participava das coisas. Depois que eu cheguei no sindicato, que eu comecei a ver a minha vida de outra maneira. Senhora, aprendeu a ler? Aprender a lerá muito pouco. Não, ler eu sei corretamente, mas escrever eu tenho uma bananação. Mas mas o sindicato que te fortaleceu. Sindicato que me fortaleceu. Eh, eu não pensei que eu fosse conseguir tudo isso que eu consegui. E como foi sua trajetória lá no sindicato? O que que a senhora fazia ou faz lá lá na na área de diretoria? Eu eu era diretora, eu fui eu fui ganhando espaço. Senhora conhecia a dona Laudelina? Conhecia a dona Laudelina porque inclusive quando ela morava lá, eu morava lá também com a minha sogra. A minha sogra mora na rua de cima, a casa dela é na rua de baixo, a a Taúfo Alves. Sim. E a minha sogra morava na Fornova, a rua de cima. E eu tinha um conhecimento que que ela era uma pessoa que passava todo dia ali na frente da minha sogra. Não podia imaginar que ela era uma liderança de sindicato. Eu só fui saber da história quando o sindicato era lá na Mascaranha, que antigamente a gente ia no sindicato escondido, porque a patrão não podia ficar sabendo. Aí eu fui, eu achei um um folderzinho lá, como eu já sabia ler, né? Graças a Deus, fui lá pro sindicato e e comecei a frequentar o sindicato de domingo porque escondido da patrão. Lá nesse sindicato eu fui ganhando mais experiência da minha vida, o que o que eu deveria fazer. Aí eu eu me dei meu nome e me tornei quando veio a Campa Castelo Branco, eu me tornei diretora do sindicato. Fui, eu fui ganhando espaço lá dentro do sindicato. Graças a Deus nós fizemos. O que deu mais ah felicidade para mim foi o curso Doméstica Cidadã. Quando que a senhora fez esse curso? Como que foi? Foi em 2012 que eu acho que que foi um um fortalecimento que o sindicato teve de fazer esse curso caso trabalhadora. Aí que eu ganhei meu meu espaço mesmo. Aí eu fui pra luta. Sim. Aí eu me tornei, eu fiz esse curso, né, na Centro Procamp. Lá eu aprendi o que eu já sabia, né, de cozinha. Muita coisa eu fiz. Aí eu vim, enganjei de diretoria no sindicato, eu fui quatro vezes eleita lá do Conselho Municipal da Saúde, do Movimento dos Usuários, né? E fiquei eh dois mandat no Conselho da Mulher. também participei de um curso lá no centro de referência eh com a pessoa vivendo com HIV Aides. E lá eu consegui minha trajetória. Ali eu deslanchei. Ah, é? Ali eu abri espaço pro Brasil. Graças a Deus eu fui mais me tornei mais conhecida. Levei bastantes amigas que eu pude chamar, eu chamei aí foram. E participou do baile depois, né? Ah, participei do baile, tomei cerveja. Eu fiquei muito, muito maravilhada, até eu agradeci muito as pessoas que votaram em mim. Continuo na luta, a pessoal me contrata, eu ainda trabalho. Uau, que energia, hein? Eu vou fazer um casamento agora de dia 16, mas agora como bofeteira. É, agora como bofeteira, não é mais como, né, ficar lá ajudando em tudo. Agora eu tô, eu faço o meu preço, né? Sim. Particular. E eu tô muito feliz. Sim. E pretende sair um dia do Nóbrega? Ah, agora daqui bem, só Deus sabe. Não saí não, né? Eu já fiz o inventário, já tô tranquila. Aqui o trabalho da pastoral de rua na comunidade Maria, mãe do povo, na igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro começa bem cedo. Um café da manhã, o direito ao banho e roupas limpas, tudo organizado pelos voluntários. Aqui a gente chega 8 horas da manhã, prepara o café, eu trago um bolo toda quinta-feira e a gente aguarda a chegada deles que um pouco o Geraldo sai pegando eles e traz de perua. Outros poucos vêm, outros já sabem que tem essa rotina e eles chegam, tomam o café, toma banho, com roupa limpa, calçado e ficam por aqui porque 11 horas tem a marmita. E como que tem sido pra senhora fazer esse trabalho voluntário uma vez por semana? Dar esse momento de dignidade para essas pessoas que vem aqui? Olha assim, de início, quando o padre André me convidou, eu achei que acho que eu não ia me acostumar, porque é uma outra realidade do serviço que eu prestava no centro de saúde, mas a eu fui me adaptando hoje. Eu gosto muito. Toda quinta-feira tá aqui. Toda quinta-feira. A maior dificuldade nossa aqui mesmo é voluntário, porque o trabalho daria até para acontecer outros dias, mas a gente precisa realmente de pessoas aqui para recebê-los e dar o atendimento. Hoje, basicamente, vocês estão em quantas pessoas? Praticamente que vem eh na parte prática aqui tá variando entre umas quatro, cinco pessoas, no máximo. O que seria o ideal? pelo menos umas oito pessoas para que quatro estejam aqui, que possa estar alternando, mas para que toda quinta 4 kg. Sim, para tá atendendo. A semana passada, por exemplo, só veio dois, então foi muito difícil, só tinha duas pessoas. Então, para receber, para auxiliar no que precisa lá na entrada do banheiro, para eh escolher as roupas, porque a gente deixa eles escolher, então a gente tem bastante doação, então a gente pode estar deixando escolher. É, é uma troca para ele vestir na hora e uma troca para levar se quiser. Então a gente até consegue isso, quer dizer, consegue dependendo da situação. Geralmente camisetas a gente pode ofertar e tem bastante. Agora, realmente no masculino, calças e bermudas aí é muito mais difícil. Às vezes a gente só tem uma e quando tem? Toda quinta-feira de que horas a que horas? Das 8 às 11. Tá? Então, quem tiver disponibilidade pode vir aqui direto na igreja, pode vir aqui no salão, pode te procurar como que funciona. Eh, toda quinta nós estamos aqui, então geralmente pode estar vindo direto aqui ou poderia ter tá procurando algum de nós, certo? A gente pode também deixar contato, quem tiver disponibilidade eh para tá podendo ajudar durante as manhãs de quinta-feira, a gente tem realmente muita necessidade de pessoas para est ajudando. Esse trabalho poderia inclusive crescer muito mais e acontecer outros dias, mas realmente a gente precisa de pessoas para fazer acontecer. E esse fazer e acontecer continua em um outro ambiente. Na cozinha do salão paroquial, um outro grupo de voluntários prepara o almoço para as pessoas em situação de rua que circulam nas vias da região. Todos os dias tem uma equipe que faz os alimentos, tá? Aqui na comunidade a gente faz de quintas-feiras, mas eu faço também com amigo lá na Ponte Preta as quartas, tá? Ah, então você faz parte de uma pastoral, é isso? Isso. Nós fazemos parte da pastoral de rua, né, ligada à Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. Sim. E como que é o trabalho? A gente viu vocês fazerem, né, os alimentos agora pr prepararam a a marmita e distribuíram. Como que é isso? Nós começamos com arrecadação, né? Nós temos alguns fornecedores que é tudo doação, né? A gente mesmo vai buscar proteínas, arroz, feijão, verduras, legumes, né? Nós vamos buscar os lugares, né, que geralmente nos nos ajudam, você entendeu? E aí a gente chega aqui e com o máximo de carinho e capricho do mundo, né, com as minhas meninas, como eu as trato, né, e são todas voluntárias, são todas participam da da nossa igreja, da nossa comunidade, né? E como que é para você enquanto voluntário ter essa missão de além de fazer esse trabalho também organizar todo esse grupo, pensar em toda essa logística? Sim, sim, sim, sim. É muito gostoso, né? Dá uma satisfação, porque a gente tá fazendo o que o pai pede, né? Ajudar o o desprezado, o marginalizado. Não não julgamos, né? Não fazemos julgamento do que eles fizeram, deixaram de fazer. Você entendeu? Então, a intenção nossa é só alimentar uma boca que tem fome. É importante pro senhor vir aqui tomar o café, ter essa oportunidade, né, do banho, do almoço. Conta para mim. É ótimo. É uma coisa por isso, porque a gente tá na rua, nós dorme na calçada, a gente tem que depender dos outros e faço muitas várias coisas que não é cabisto pro pro ser humano. Então foi até bom que vocês está fazendo isso aí, que é para ajudar nós a sair da rua, deixar a polícia, prefeito, querer deixar espancar a gente tá no meio da calçada, eu tem várias coisas também. Sim. E o alimento é primordial. Nossa, essa comida aqui é a primeira comida que tem no Brasil. Você sempre vem aqui, gosta dessa comida, qual que é a importância dela para você? Ah, é que é um bom alimento, né? Sempre eu venho aqui sim, tomar um banho aqui, recebe a gente bem e a gente sempre tá aqui direto aqui. A importância dela é que alimenta a gente, né? Sim. Se tivesse mais pessoas para doar mais, para poder ajudar a gente também seria muito bom, viu? Você sabe que toda quinta-feira pode vir aqui. Sei. Toda quinta-feira, né? Gosto de vir andando. É bom poder contar com eles. É bom sempre contar com eles. Sempre ajuda a gente. Para aqueles que não vem até a comunidade, seu Geraldo e a sua esposa é quem levam a comida quentinha para as pessoas que estão em situação de rua. A gente tá procurando fazer alguma coisa para ter contato direto, sair um pouco da igreja, mas tá fazendo alguma coisa pros irmãos de rua aí, né? Então é essa aí é a nossa maior motivação. Quantas vezes por semana o senhor vem? Nós eh entregamos as marmitas pros irmãos de Ori das quartas-feiras e na quinta-feira tem o banho que você já deve ter gravado hoje lá embaixo lá. A gente também vem dar doar um pouquinho do nosso tempo para essa atividade aí para fazer alguma coisa diferente. Qual é o sentimento? Não, o sentimento que eu sinto é alguma coisa que não tem como explicar, é alguma coisa que que fica dentro de você, né? Eh, pelo fato de tá fazendo bem. Então isso que a gente espera da do da própria população, mas infelizmente uns aceitam, a gente até compreende e respeita eh os que aceitam, agradece, mas tem os que não aceitam. Muitas vezes a gente já ouviu críticas, reclamações. O objetivo maior é atendê-los para eh que eles possam ter pelo menos a a alimentação, dar um pouco de dignidade para eles, um banho semanal. No próximo bloco, muita cultura, esporte e mais ação social na Vila Padre Manuel da Nóbrega. [Música] E eu estou aqui na rua EMA, uma das principais vias da Vila Padre Manuel da Nóbrega, onde nessa praça acontece desde 2010 um projeto de uma turma bem legal. É o projeto Criança Feliz. Hoje eu vou conversar com parte desses voluntários e vamos entender o que é. A Dani é a atual presidente do projeto. Dani, conta para nós o que é o projeto Criança Feliz e como surgiu aqui no Nóbrega. Olá, pessoal, tudo bem? Então, o nosso projeto eh vem acontecendo desde 2010 e assim a gente tá levando ele com ajuda dos moradores, dos eh, comerciantes, eh com os vizinhos, com os amigos e assim a gente tá lutando desde 2010 para essa festa acontecer eh sempre mais evoluída. É uma festa no Dia das Crianças, é isso? Isso. Porém, a gente sempre faz depois do dia 12 de outubro, né? Porque como dia 12 de outubro já é um dia muito corrido para todos nós, né, ainda mais quem tem criança. E a gente preferiu fazer um sábado depois do dia 12. E a gente assim, esse ano vai ser dia 18/10. Conto com todos vocês, colaboradores, eh, moradores, comerciantes da Vila Padal da Nóbrega, outros bairros em região aqui para tá fortalecendo cada vez mais a nossa festa, tá certo? Então agora eu vou conversar com um casal que também tá desde o comecinho, é a Luía e o João. Luía, como que surgiu essa conversa de ai vamos fazer esse projeto? Vocês estavam conversando aqui na praça, conversando aqui no prédio. Como foi essa ideia? É que a Dani é minha vizinha, então ela começou a fazer e a gente ajudando a todos, né? Que a gente colabora, né? Eu faço os Você trabalha no dia? Alha no dia eu só fico no cachorro quente, então eu ajudo bastante, mas eu faço o que eu posso. O molho, eu vou fazendo tudo. O que precisar a gente faz. João, e você qual que é a sua parte nesse projeto? A minha parte aqui nesse projeto é ajudar o pessoal que tá na na na turma, entendeu? E a gente vai fazendo que tem um Rael que fazia antigamente, o Rael faleceu, faz dois anos que ele faleceu. Então que ele esse esse programa nosso aqui, entendeu? Então a gente ajudar a Dani, vamos fazer, não é porque o ré que nós vamos deixar de fazer, entendeu? Então vamos fazer, a gente tá fazendo a festa e vamos fazer até a hora que der, nós vamos fazer, mas dependendo dos do comércio, dos ajudantes que vão ajudar nós, entendeu? Tá certo? Então, olha, e o Juninho é um dos comerciantes, inclusive aqui da rua Ema, ele que também tá desde o início no projeto. Juninho, conta para nós quando o pessoal chegou com essa ideia para você, qual foi a sua parte, de que forma que você conseguiu mobilizar seus clientes, seus amigos pensando nessa festa? É, então, nessa festa a gente faz todo todo ano. Aí eu pego e peço ajuda ao pessoal. pessoal, a gente grava um vídeo pedindo doações e tal e como comerciante conheço bastante pessoas. Aí o pessoal se anima, ajuda bastante a gente e eu que dei essa ideia de também da gente pedir ajuda dos comerciantes aí para ajudar todo ano e a festinha ficar show de bola pra gente. Aí quem chegou aqui, que é um pouco mais novinha nesse projeto é a Bia. E ela vai contar pra gente, Bia, antes você vi aqui participar, em que momento você falou: "Olha, é hora de arregaçar as mangas". Então, sou moradora aqui desde sempre, né? E aí me sinto na obrigação de fazer alguma coisa pela comunidade, pelas nossas crianças. Estamos aí junto todo ano, graças a Deus. Comecei, acho que em 2019, 2020, 21, pandemia, parou a festa, mas a gente conseguiu fazer a carreata, atender aí as crianças e a gente precisa da ajuda de todos. Estamos aí nessa nessa luta todo ano, cada ano que passa melhor, graças a Deus. É, a gente percebe que hoje já tem mais brinquedos, tem contação de histórias, tem o pessoal que vem de bug, quem tá em casa tá vendo umas fotos antigas, né, de outras festas e o quanto esse projeto tem evoluído aqui no Nóbrega. Fala um pouquinho o que que você faz no dia antes e no dia. Antes, lá no começo do ano, começa toda a correria, né? Porque acaba em outubro, quando é fevereiro, março, a gente já tem que começar a correr, senão não dá tempo. Então a gente faz toda essa parte atrás dos bastidores. Eu, a Dani, o Juninho sempre tá correndo com isso, com a papelada, senão a gente não consegue fazer a festa, chegar nos finalmente. Tem a parte burocrática, então tem a parte burocrática que é muito difícil, a gente consegue aí apoio da prefeitura, né? A gente começa a pedir em março, abril, conseguimos agora a a liberação para est fazendo a festa. Sem isso, a gente não consegue fazer a festa atender as nossas crianças. E no dia, e no dia aquela correria que a gente não dorme, não come, não bebe água e vamos atender nossas crianças, tá certo? Então eu vou conversar um pouquinho com a Dani, porque como o João lembrou, o Rael trabalhou e ele era um dos fundadores, um dos idealizadores e presidiu esse grupo por um bom tempo. Que lição o Rael deixou para você, Dani, que ficou aí com essa missão após o falecimento dele de tocar esse trabalho junto com seus amigos? Ah, ele deu uma lição bem correta, né? tipo assim, não parar, independente de tudo, de sacrifício, é tanto com com a parte estrutural como alimentação, a gente tem que correr atrás. Assim, o Rael foi uma pessoa muito querida que nos ajudou muito, muito, muito, muito. Agradeço ele de coração. E ele deixou essa missão que a gente não pode parar. Eh, assim, é igual ele falou, o que a gente não conseguir, a gente tira do nosso bolso. Já aconteceu situação assim? Aconteceu várias situação da gente não ter eh molho, tá faltando molho, tá faltando pão e a gente correr na padaria, a gente correr no comércio para pedir salsicha, molho de tomate, enfim. Eh, assim, essa missão vai continuar enquanto eu tiver viva e poder contar com meus amigos, com os colaboradores, comerciante, com a prefeitura que dá um apoio legal pra gente, a gente vai tá para cima aí dessa dessa festa aí. Aqui ao nosso fundo a gente tem a Casa de Cultura Ibaô, que é a antiga sedinha do bairro também. E vocês acabam usando essa estrutura pra festa? Então, na verdade, a gente guarda refrigerante, a gente precisa, a gente guarda o refrigerante no freezer dele, eh, banheiro assim particular, a gente já guardou pão, guardamos bolo lá pra gente cortar e a gente e tem essa ajuda do Davi, tá certo? Então, inclusive daqui a pouquinho eu volto porque eu vou mostrar justamente quais são as atividades que acontecem lá dentro. Não saia daí. [Música] E como eu prometi, estou aqui dentro do Instituto Baobá de Cultura e Arte, falando com o Davi, que é o responsável e morador aqui da Vila Padre Manuel da Nóbrega, que vai contar sobre esse espaço que já foi chamado inclusive antigamente de sedinha. Davi, quando a sedinha virou Ibaú e qual que esse apelido Ibaú? Então, eh, esse espaço, né, começa no início do do da década de 70 com a construção do bairro. Então, era um mercadinho de sedinha, porque aqui tinha não tinha comércio no bairro, então tinha aqui as vendas, né? Tinha quitanda, açog, padaria. E depois disso foi centro social do bairro, foi, sabe, né? Sociedade amigos de bairro, foi igreja católica, foi, é, tinham as mulheres que faziam essa esse trabalho e eh associação de moradores. Isso até 2006, mais ou menos. Aí em 2007, né, a gente aí passa a ser casa de cultura e baô, que baô é o nome fantasia do Instituto Baubá de Cultura e Arte e é de uma história que vem desde a década de 80 como meu mestre, né, falecido mestre Ted, que começou os trabalhos com a capoeira e manifestações culturais de matriz africana aqui no espaço. Isso na no início da década de 80. E aí em 88 eu começo a fazer capoeira aqui e estou até hoje nesse mesmo espaço, né, seguindo com com o legado do mested e construindo a minha a nossa trajetória. Mas aqui não é só capoeira. Conta para mim o que que acontece aqui nesse esp. Aí em 2006, 2007, quando a gente eh através da COAB a gente passou a ser passamos a ser os gestores do espaço, se tornou uma casa de cultura e aí a a que a gente tinha atividade só de terça e quinta porque tinha outras atividades da associação de moradores e assim por diante. Então a gente passou o quê? A ter mais espaço, mais horários, né? e e para poder tá colocando outras outras culturas, outras atividades. Resumindo, hoje a gente tem, por exemplo, a gente tem dança afro, tem a Foché, tem percussão, tem eh Zumba, tem Samba Rock, vai começar amanhã a oficina de de de palhaç palhaçaria, né? E aos sábados tem Maracatu, tem eventos que a gente faz aqui culturais, dentro, fora tem o balaio das águas, que é um evento que faz parte do calendário e municipal da de cultura da cidade, né, de eventos. O balaio das águas tem tanta importância que até ganhou um curtam metragem. O balaio das águas acontece sempre quando sempre no hoje, atualmente no fim de março, tá? que é que ele tá ligado com a questão da do festejo para Imanjá e tal, onde vem vários grupos culturais de Campinas e região se apresentar e potencializar a festa, né? Fortalecer o nosso ano, a nossa luta, né? Sim. E quem participa dessas atividades? São pessoas só do bairro, pessoas de fora? Como que é isso? Bem diversificada, bem diversificada. Tem gente assim fora de Campinas, inclusive você pega ao lado de Valins Vinhedo, como para lá também, Sumaré, Ortolândia, Americana. Então assim, é bem bem bem amplo assim. E como foi essa trajetória de transformar esse local em um ponto de cultura da cidade? Bom, primeiramente é uma luta, né, grande se você não tiver realmente eh se você não que a capoeira mudou a minha vida, né? Então, então eu eu eu entendo como ela pode transformar outras vidas. Então essa é a minha, eu não, eu costumo dizer que eu não trabalho, é minha, não é um trabalho, é uma missão. E não é fácil porque é uma cultura que ela já vem com a carga de preconceito, discriminação. Então são vários, várias barreiras que a gente tem que ultrapassar. Mas a gente hoje, né, o Ibaú não é só Campinas, o Ibaô foi pro mundo. A gente tem filial na Itália, em Milão, e então a gente levou a capoeira bunda fora, né, transformando vidas. E mas não é fácil, não é fácil, é muito preconceito, a gente sofre a sédio até hoje. 98% das atividades não tem custo algum, são todas gratuitas. Por que que eu falo 98? Porque tem grupos que vem para vem de longe, então ele tem um custo para poder estar vindo igual essa barrca, mas é tipo assim, R$ 5 por aula, valor social, valor social, contribuição voluntária, entendeu? Mas e assim, inclusive a a grande luta também é porque o Ibaú não recebe verba permanente de lugar algum, nunca recebeu. Sim. sabe, uma verba destinada para casa de cultura para isso. É a nossa grande luta, inclusive aqui no município. E salvo o edital outro que é uma loteria, quando você consegue ser, né, contemplado pelo pelo edital, fomos por um edital eh via estado onde a gente reformou todo o espaço que tava o espaço tá a gente revitalizou tudo, não tinha esse piso, não tinha parede não era pintada, não tinha essa estrutura elétrica que tem. Então foi tudo assim, uma coisa devagarinho, mas a luta, uma luta grande. Eu quero fazer muita palhaçada, né? Fazer muitas memórias, muitas cenas. A gente vai trabalhar palhaçaria, teatro, né? Que são duas bases assim da improvisação, é, eh, com as pessoas. É uma oficina pensada para não iniciados, né? São jovens da periferia que queiram eh estudar palhaçaria e teatro. E além disso vai ter malabares, né? A gente vai trabalhar com objetos de malabares, vai construir eles com bexiga, com as garrafas pet. Então é isso, a gente vai estudar cena junto, né? Fazer cena, pensado para lugares fechados, pensados pra rua. E a ideia é desanchar. Lembro quando eu era pequena, minha mãe me levava pra pedreira para empinar a pipa. E eu tenho esse sentimento de afeto com a pedreira, né, que é um lugar meio místico para quem nasce aqui no Nóbrega, né, aquele lugar vasto e e de algumas vezes cheio de alegria, né, outras vezes cheias de tristeza e é muito ritualístico. Então, a pedreira era esse esse lugar de memória assim que eu tenho de afeto. Eu diria que é o meu lugar preferido em Campinas, assim. E quando você sai daqui, vai ter outras vivências e agora vem com essa proposta da palhaçaria, o que que aconteceu na sua vida? conta para nós. Bom, basicamente eu me formei em teatro, né, na Federal da Paraíba, em João Pessoa. Aí ao voltar aqui em Campinas, né, morando com meus avós, eu adentrei ao curso do Rio de Janeiro Slipa, que é a escola livre de palhaçaria, né, no Rio. E eu tô fazendo esse curso atualmente. Ele é uma semana, todo mês, né, de são ve meses, de fevereiro a dezembro. E esse curso ele tem uma proposta de palhaçaria de rua, né? E como, enfim, eu moro aqui no Nóbrega, né, na periferia de Campinas, nada melhor do que trazer teatro, arte na rua, né, que é o espaço mais democrático que a gente tem da cena, né? E essa é a ideia mesmo de trazer essa essa oficina para cá, né, de eh ensinar o fazer teatral, disseminar o fazer teatral aqui na periferia para poder fomentar a plateia, né? Pros jovens da periferia aqui Campinas, as opções são essas, é o centro ou pior ainda que é Barão Geraldo, né, que é muito distante de ônibus, tal. E nada melhor que ter um um polo de pesquisa em teatro, em palhaçaria aqui no Nóbrega, né? Eu digo que essa essa oficina não é só para quem mora no Nóbrega, nas redondezas, né? Como também para Vila União, Campo Grande ou até pro Ouro Verde, né? Porque para vir para cá é muito mais fácil e rápido do que ir para Barão ou pro centro, né? Sim. você como representante dessa comunidade e se apoou do que é do povo paraado e é do povo. E é do povo para ser usado pelo povo. Como que você se vê como esse articulador? Então, além além disso, ainda tem isso, né, da questão de você estar assumindo o espaço, né, um patrimônio desse, tanto quantas pessoas não passaram aqui, quantas pessoas que até hoje há lá perto do mercadinho, lá perto da sedinha. Então assim, é uma referência do bairro. [Música] E esse canto aqui do Ibaô, ele tem uma outra representação. Ele traz aqui um pouco dessa cultura da comunidade periférica, porque teve uma ação aqui que o Davi vai contar que que que é isso, Davi? Sim, Miram. Então, isso aqui é o é um trabalho do pessoal do hip hop, né? Nossos parceiros Dr. Ex e Idal, ex Sistema Negro, né? que é um grupo pioneiro aqui de do hip hop na nossa região. E eles eh tem esse projeto Geração Sabota, que é homenagem a o rapper, né, Sabotagem. E aí Geração Sabota, inclusive até no YouTube, é só só colocar lá Geração Sabota que vai, vocês vão conseguir ter acesso a a esse clipe. Foi um clipe, né, a ideia de um clipe dessa música. E ao mesmo tempo que eles estavam aqui eh cantando, né, cenando, tinha um rapaz do grafite fazendo, o Bruno lá de São Paulo fazendo grafite na hora. E todo mundo que vem aqui se apaixona por essa por ess por esse trabalho e quer tirar uma foto, quer fazer um registro aqui. A cultura de hip hop também que a gente abraça. É isso aí, gente. Então aqui mais um lugar que tem espaço para muitas manifestações culturais e fica aqui no Nóbrega. [Música] No próximo programa a gente continua falando da Vila Padre Manuel da Nóbrega, com mais cultura, além de esporte e lazer. E claro, a receita que vem de família de comerciantes instalados no bairro. [Música] เฮ [Música] เฮ [Música]
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