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[música] [música] Olá, minha gente. Histórias de vida de hoje está especial. Acho que Histórias de Vida de hoje vem para falar sobre propósito, algo que às vezes quando você é muito jovem vira uma página da sua vida e você passa a se reencontrar ou se reconectar com um eu que você desconhecia, né, Henrique? Foi bem isso mesmo, Carla. Foi bem isso que aconteceu na minha vida. Eh, foi um propósito que eu não o conhecia, mas que acabou surgindo, como eu falei para você no início da nossa conversa, no ano de 99, foi o ano que eu sofri acidente, levei dois tiros e acabei ficando paraplégico. E por coincidência ou não, coisa dos destinos, no ano de 99 também foi o ano que surgiu o Gadecamp, o grupo de basquete, o time de basquete, que hoje eu faço parte e sou o presidente, atual presidente do Gadecamp. Agora, para quem está em casa, acho que fica imaginando que assim, nem tudo são flores quando a gente se depara com um acidente desse, nem tudo é uma cesta muito bem eh encaixada, né? Vamos pensar assim, porque o que acontece? Você era muito jovem, você tinha 18 anos, você tava começando a sua vida, já estava trabalhando, né, mas tava começando a sua vida. E aí você reagiu a esse acidente, né? Era um, foi um assalto, foi um assalto. Eu acabei levando dois tiros. É, na minha vida tudo foi meio que precoce, né? Então, como eu falei, eu comecei trabalhar com muitos muito cedo. Eu sou o terceiro filho. Meus pais, eles tiveram três filhos, na verdade quatro filhos. Um irmão meu faleceu com 3 anos de idade e tiveram esses dois, os outros mais velhos. Eu sou o caçula, a raspa do tax que eles vivem, né? Eh, e foi isso. Dentro da minha casa, os meus irmãos, por ser mais velhos, eles já faziam aquele menor aprendiz que é o patrulheiro aqui de Campinas. Sim. E eu, o mais novo, minha mãe não queria, só que eu sempre tive essa esse jeito muito atirado. E eu me conectei muito rápido. Eu vi que o meu irmão trabalhava e tinha um compromisso dentro de casa que pagar uma conta e o restante do valor era todo deles. Eu rapidinho me liguei e foi a única vez que a minha mãe me desafiou na minha vida. Quando eu pensei naquilo, eu falei, no meu primeiro ano, eu falei, eu vou seguir nesse patrulheiro, vou tentar o patrulheiro com 11 anos de idade. Meu pai não queria, ninguém queria. Minha mãe falou: "Deixa ele, ele não vai passar". Nós fomos em cinco amigos, três passaram. Desses três, um era eu. Dali começou minha trajetória eh profissional, né? E aí dentro do patrulheiro eu passei por diversos estágios. E no meu último estágio, quando eu tinha 16 anos, foi aonde eu fui, eu recebi essa oportunidade de trabalhar na PUC Campinas, onde eu atuo até hoje. E foi isso ali. A minha vida profissional se iniciou na PUC e estou lá até hoje, graças a Deus. E aí teve esse período, né, em que você sofreu acidente. Você até comenta, né, que foi um assalto. Estavam tentando assaltar o seu carro, assaltaram, né, levaram o seu carro e durante o assalto você reagiu, por isso você acabou ficando paraplégico. Paraaplégico, parapéico. Então assim, quando você se deparou com essa situação, porque são dois pontos, né? Acho que um ponto é importante falar que é uma reação muitas vezes natural, né, instintivo. A gente quer defender o que é nosso, então a gente acaba tomando essa reação, foi o que você fez e depois você se deparou com uma situação completamente diferente da que você tinha. Sim, né? É, eu falo que foi bem no ímpto ali, sabe, do calor, da reação, porque assim, hoje pensando friamente eu falar eu falo, não faria da forma que eu fiz, mas eu tinha, como eu falei, eu tinha 18 anos, o menino 18 anos, a vida começando, aquele bem que na verdade o carro era do meu pai e eu que mais utilizava. Então assim, fica com aquelas coisas na cabeça, bem material, fica pensando, hoje eu não faria. Mas naquele momento foi meio intempestivo, sabe? Eu sempre fui meio intempestivo, muita briga, muita assim discussões em escola e eu meio que não pensei, sabe? Nós estávamos em três, dois amigos e eu e mais dois amigos e eles chegaram em três também na porta do colégio e já chegaram perguntando de quem era o carro. Eu com 18 anos sempre convivi naquele, eu nasci naquele bairro padrancheta e eu fiquei falando: "Não, o carro, o carro é meu, eu nasci aqui, sabe aquela?" E aí a discussão foi ficando acalorada, acabei que dei um soco e as coisas aconteceram. Mas como eu falei para você, eh, tudo na vida da gente é um propósito, sabe? Sempre eu, a minha família, ela é muito cristã, né? Graças a Deus, minha mãe é muito apegada na fé e ela sempre tem uma palavra assim de conforto, sabe? Naquele momento ela sempre falou: "Ó, tinha que ser para você. Se fosse o seu outro irmão, outro irmão, tinha que ser para você". E aquilo ali no primeiro momento, não vou dizer que é fácil, como não é fácil, mas é o que a gente costuma dizer aqui no basquete, né? Não precisa ser fácil, apenas não ser impossível. Então, foi isso bem que aconteceu comigo, com o apoio da dos meus familiares, muita oração. Passei os meus primeiros seis meses com hoje essas eh doenças mentais assim, né? Tá muito em evidência, né? as pessoas falam mais, mas naquele momento, acredito eu que eu tive um um um início de depressão assim, porque eu fiquei naquele período muito novo, não queria sair, não queria interagir, não queria ter contato com as pessoas, mas graças a Deus, meus familiares, eu tenho dois amigos que me ajudaram demais, saíram da casa deles, foram morar dentro da minha casa. Eu sou muito grato a eles até hoje. É, como eu falo para eles, é como se fosse meu irmão, que é o Andâjo e o Márcio, eles me ajudaram demais. foram morar comigo e ali eles me incentivando. Não, você tem que voltar, você tem que sair, você tem que sair. E eu não querendo, como eu falei para você lá no início, eu sempre fui músico, né? Desde os 11 anos de idade eu tocava, eu comecei a tocar e eu tocava na banda junto com eles e junto com meu irmão. Mas no início o meu irmão, por ser mais velho, eu tinha 11 anos de idade, meu irmão não queria que eu fosse. E um desses falou: "Não, põe seu irmão, seu irmão tem que entrar, tem que entrar". Aí acabei entrando, sofri esse acidente, me afastei um pouquinho, só que eles falaram: "Não, você vai voltar, você vai voltar". E aí acabei voltando a tocar e segui minha vida. Você toca o quê? Tocoção geral. Hoje não mais parei. Depois que eu entrei no no esporte, não dá para conciliar, né? O esporte e a noite não tem como. Mas eu toquei por muitos tempos, muitos anos. Aí eu toquei percussão geral no grupo de pagode. E o que é mais interessante assim na sua história de vida é que existe uma frase que Deus escreve certo por linhas tortas, perfeitamente. E ele escolheu escrever a sua história assim com muita atenção, né? Porque você apresentou para nós várias coincidências, né? a questão da HD, no mesmo ano que você se acidentou. E isso tudo eu acho que foi, na verdade uma virada de página pra sua vida, justamente para te colocar de frente com o propósito, porque você hoje é exemplo para muita gente, para muitos jovens, que quando se depara com uma situação dessa, muitas vezes ficam ali depressivos, indignados com a situação, às vezes até revoltados. e você conseguiu driblar toda essa situação. O que te ajudou mais? A música, a fé, o esporte? Porque aí de repente você não era atleta, né? Mas você se tornou um atleta. Tornei um atleta. É, na verdade assim, no início de tudo eu falo que eu sou muito grato à minha família, muita oração dos da minha mãe, meus pais, meus irmãos, né? Muita oração e depois a música. Eu acho que a música foi aquele virada de chave, sabe? Eu tava num momento muito difícil, os meus amigos, eles me trouxeram de volta pro pagode, pra música e aquilo ali foi me libertando daquele momento que eu estava, foi me abrindo horizontes e eu vi que existia possibilidade, sabe? E aí dali foi um empurrãozinho que eu tive para eu voltar minhas atividades. E um fato curioso foi que quando eu fiquei 5 anos afastado da PUC, né? E nesse período, um supervisor meu ligou na minha casa e falou o seguinte: "Vai ter que voltar a trabalhar ou vai se aposentar?" E veio o trabalho, o papel da minha mãe de novo. Ela falou: "Não, se ele tá apto para tocar na noite, ele tá bom para ir trabalhar". E ela me colocou no serviço. E foi ali, mãe sendo mãe. E foi ali que deu a virada de chave na minha vida profissional, sabe? Por isso que eu falo tudo é um propósito, porque eu cheguei no basquete através de um atendimento que eu tava fazendo na PUC, um senhor que conhecia o presidente da época, o Miltinho, me indicou. E aí o Miltinho, primeiro momento eu não queria, depois o segundo momento ele me convidou, falou que queria comprar um carro que eu tinha, eu fui e acabei sentando na cadeira e me apaixonei, sabe? Ali foi a mudança de de chave na minha vida e me trouxe pro esporte. E aí, como é que foi o seu início no esporte? Como é que você encarou a cadeira? Eu eu imagino que assim, o esporte, o basquete para cadeirantes talvez ten algumas regras diferentes, né? As regras não são diferentes. Tem aquela, por ser cadeirante, sabe? a condução é um pouco diferente, mas é assim, no primeiro momento eu eu naquele na no ano que eu entrei no basquete, eu fazia faculdade, trabalhava e tinha pouco tempo para eu treinar, mas foi como foi amor à primeira vista, eu gostei demais, eu falei: "Ó, eu vou fazer um esforço". Então eu saía da PUC Dom Pedro, ia pro São Bernardo no Rogê Ferreira treinar, voltava para Puc Dom Pedro para terminar para estudar 7 horas da noite e foi um esforço. Graças a Deus tudo deu certo. Através do esporte eu consegui conhecer outras cidades, consegui chegar na seleção brasileira, disputei vaga pro Parapan e outras coisas. Fiquei muito feliz. Mas é como a gente costuma dizer aqui no esporte, aqui no basquete, no início, quando o Garecampo surgiu em 99, através do Mildinho e do Alexandre, eles tinha um sonho de transformar o time e em uma potência no no Nacional e disputar campeonatos. Com o passar dos anos, nós entendemos que a gente tem que fazer mais pra sociedade, não só disputar campeonatos. é através do esporte. Eh, um relato de um de um atleta aqui que marca muito pra gente, que é o Paulo. Ele tava assistindo uma reportagem, fazer uma analogia que tá acontecendo aqui com a gente. Ele tava assistindo uma matéria do Miltinho, o ex-presidente, e ele tava na sentado, deitado na casa pensando em cometer o suicídio. E através dessa matéria, ele conseguiu, ele pensou, ó, se o Miltinho pode, eu também posso. Então, para você ter uma ideia do poder da comunicação, né? Hoje a gente tem a televisão e tem outros meios de comunicação. Então, nosso trabalho é esse, é tentar de alguma forma resgatar pessoas que estejam na mesma condição ou numa condição pior ou melhor que a gente, mas que venha pro esporte, que a gente consiga ajudar de alguma forma. A gente sabe que nem todas as pessoas que chegarão aqui se tornarão um atleta de ponto como de ponta como muitos se tornaram aqui. Mas se a gente puder ajudar de alguma forma, daqui já saíram pessoas que se tornaram um biomédico, jornalista, psicólogo, estudante de direito, advogado. Então são oportunidades que a gente quer criar de alguma forma para essas pessoas. E aí em como você resume a sua história de vida? Olha, a minha história de vida, eu me resumo em superação. Todo dia é uma superação. A gente sabe que não não é não foi fácil eu chegar até aqui. Não é fácil eu dar continuidade nesse projeto e na minha vida, mas é como eu falei, é se superando a cada dia. Para quem tá em casa, pensando no que você falou, né, no exemplo do do que aconteceu com o Miltinho, qual é a sua dica para quem está passando pela situação que você passou lá atrás há mais de 20 anos, né? Qual é a dica que você dá para essa pessoa? Porque é inevitável que em alguns momentos ela fique triste com a situação, mas hoje você, por exemplo, fala sorrindo, sim, sim. Das dificuldades que você passou, que é um exemplo para todo mundo. A dica que eu deixo é assim, é aceitar a condição, porque o o mais difícil é você aceitar a situação que nós que você está naquele momento, né? Porque sabemos que existe a possibilidade de através de pesquisa de célula tronco e outras coisas mais de eh restabelecer o movimento e outras coisas, mas a priori o que nós temos é a condição que nós estamos hoje. Então é pensar que nós tivemos a oportunidade entre tantas as pessoas que aconteceram o acidente, não tiveram a mesma oportunidade que a nossa, que chegaram ao óbito, pensar pelo lado bom da situação. A situação [música] já aconteceu. Então, eh aceitar a situação como ela é e pensar que existe eh possibilidades na nossa situação, na sua na atual situação, sabe? E contar com com pessoas como eu contei e o nosso projeto tá aqui de portas abertas para quem quiser conhecer e tiver e alguma necessidade que seja parecida com a nossa, a gente tá aqui para ajudar. Henrique, muito obrigada por você compartilhar a sua história de vida, o seu propósito e esse projeto incrível que você participa. Obrigada. Obrigado. Eu que agradeço. Fica aqui o convite para conhecer o Gcamp. As nossas nossas redes sociais é sempre @gadecamp. É isso, gente. Eu agradeço você que nos acompanhou pelas telas, que acompanhou essa história maravilhosa e acredite, você também pode ter uma nova história de vida. Ciao. [música] [música] [música] เฮ [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]