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Uma [Música] virtude transformada em atitude alimenta quem precisa e aquece os corações. [Música] Ainda a criança, Benedita Camargo ajudava o pai na roça. 12 anos em boia fria junto com meu pai acompanhava ele em caminhão. Nós apanhava algodão, né, apanhava laranja, carpia cana, colhia café, tudo que você pensar assim de aquele tempo tinha muito, sabe? A, eu tô com 74, há mais de 60 anos, né? Então, muita coisa mudou, mas nós trabalhamos muito na roça. Com 24 anos, mudou-se para o bairro Paraíso de Viracopos. Quando eu mudei aqui não tinha nem a Bandeirante ainda. A máquina tinha passado a primeira vez para começar fazer a pista. E o bairro também tinha pouca, não tinha água, não tinha luz. a rua toda de terra, quando era época de de vento, era um parecia o deserto que tanta areia que voava. Dona Benedita, e como que surgiu essa essa ideia, né, de ajudar as pessoas, porque pelo que a senhora me conta, a senhora também eh vivia uma situação difícil, né, né? É, é assim, eu casei, meu casamento não deu muito certo. E aí assim, marido não ajudava muito em casa, né, que já é falecida que Deus, mas aí eu trabalhava na roça para aí para tratar dos meus filhos e eu tinha ajuda da minha mãe também. Uma uma parte eu morava sozinha, outra hora eu morava com a minha mãe. Minha mãe, meu, minha família me ajudou muito, sabe? E aí à vez depois eu ia trabalhar, largava as crianças em casa, como eu tava morando sozinho, aí eu falava para meus filhos assim: "Vai na casa do colega ver se você acha uma uma coisa assim". Aí chegava lá nem a água. Sabe a quantas vezes eu trabalhei, já trabalhei em firma muito boa aqui em Campinas. Eu ia almoçar e lembrava que meus filhos em casa tava na miséria, passando, eu chorava, a lágrima caía, sabe? e saber que passavam, passamos necessidade. Jamais tivemos uma fruta boa para comer, nada, sabe? Não tivesse uma casa dessa, eh, e não tinha passado tanta necessidade. E quando foi que a senhora sentiu que que poderia ajudar o próximo? Então, porque eu morava do lado de lá, né? E aí começou a chegar a invasão aqui no Jardim Paris. já morava aqui e cada chuva que dava, o pessoal perdia tudo, era enchorrada que carregava. A ainda meu meu marido era ele meio contra de eu ajudar, ele ficava bravo. Ele falava assim: "Qualquer dia você vai morrer afogada lá embaixo no capivaria com a enchente, quem morreu primeiro foi ele, sabe? Então falei: "Tá vendo? Desejo a morte pros outros, né?" Mas daí o povo chovia, perdiam tudo, não tinha onde para o pessoal. Como citou um poeta, o espaço não tinha teto, não tinha nada, tinha nem água, nem luz. Para ter a água encanada e a luz dava ter presidente do barco. Aí eu fui eleita, ganhei. Aí eu trouxe água, trouxe luz. Aí a foi chegando os barracos aí foi aí tinha problema com as enchente. Então aí uma vez a mulher falou para mim assim: "Por que que você não faz sopa devido sopa para as famílias? que a sacolinha de verdura era pouca, eu pegava lá no Ceas. Aí eu comecei com a sopa da sopa também não dava. Aí eu, aí vim uma pessoa, chamei a a imprensa foi muito, me ajudou muito eu na época, todo mundo sabe, eu tive eu tive sorte nessa parte e graças a Deus aí chamar a imprensa vinha, aquela época era novidade, não tinha muito, sabe? Ferveu, sabe? A fila era enorme, gente buscando, gente trazendo. [Música] E então a casa da sopa surgiu de um olhar atento e amoroso de quem vê além e enxerga o próximo. Fala assim que o que meus filhos passou eu não desejo para ninguém. Embora que eu não posso salvar todo mundo, né? Mesmo se ajudando, ainda falta muita coisa ainda. Mas foi por causa da minha necessidade, das minhas famílias, que é tudo porque era tudo pobre ainda, é ainda. E eu resolvi fazer a sopa. Da sopa. Aí veio o curso de cabeleireiro, veio o curso de biscuit, de jornal, tinha um coral, coisa mais linda, a capoeira que eu ainda tem até hoje. Então veio muita coisa através de cesta básica pras famílias. Quantas pessoas mais ou menos? Tem mais de 500 famílias, porque no na época de Natal, essas coisas que a gente ganha mais. Esse ano e eu ano passado eu distribuí 400 cestas de Natal, 400 seestas de normal, foi mais de 1000 juntando tudo que começar a vir um pouco. Ah. [Música] [Música] Para Benedita Camargo, ato de caridade não tem fronteiras e nem data. Daqui de fora também vem gente de baçolha, vem despedir as coisas. Ah, Santo Dumão, Santo Antônio, Rosalina. Quando essas épocas eles vêm e a festa das crianças também a gente não faz extinção porque a criança ele não quer saber se se tá se é para pobre, se não é, porque a criança gosta de ganhar, né? Ver Papai Noel, essas coisas. Então a gente não faz extensão. Qualquer um que vem tem nó leva. A Casa da Sopa foi criada e se mantém erguida há mais de 25 anos, com um único propósito, o bem da comunidade. E como um círculo de empatia, quem um dia tomou a sopa, hoje oferece a quem não tem. Em 2012, quando eu vim para cá, foi a primeira vez que eu conheci a Dita. Aí no mais que eu precisei, ela me ajudou. A Dita foi uma mãezona. a mãezona até hoje. Aí quando quando eu preciso de alguma coisa, ela me ajuda. Daí eu venho aqui, dedico o meu tempo pra casa da sopa também. Mas ela é uma mãezona para todo mundo aqui que precisar vir pedir um café, alguma coisa. Ela não nega nada. 5 anos já. 5 anos. A sopa, ajuda aqui, faz o que posso. Menedita é uma pessoa maravilhosa, ela ajuda todo mundo. Ela pode fazer para ajudar a gente, ela ajuda. Ela não tem tempo ruim com ela. Ela é pau para toda a obra. A dona Benedita, ela ajuda a comunidade tudo, sabe? Eh, é gratificante e eu ajudar também buscando doação, ajudando aqui dentro. Então, já se tornou um um lar e uma casa, né? É gratificante dar café da manhã pros morador de rua, Barmitex. Eu me sinto abençoado porque eh por ela me ajudou muito, entendeu? Me ajudou muito. E é por isso mesmo que eu ajudo ela a tá aqui buscando doação. É gratificante ficar do lado dela, ajudar sempre. Uma história de vida que deu certo e continua florescendo no paraíso. Benedita Camargo é o coração da casa da sopa. Ah, para mim é uma honra, né? Para mim eu fico muito contente saber que você tá recebendo uma, você fez uma coisa, mas também você tá recebendo alguma coisa em troca, né? Sim, uma é gratificante. E quando a senhora entrega sopa, cesta básica, marmitex pras pessoas, o que que a senhora sente quando a senhora tá proporcionando o alimento, proporcionando mais qualidade de vida para essas pessoas? Muita assim, muita alegria em poder estar ajudando e peço para Deus que nunca me tire, que dê cada dia mais. [Música]