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Olá, [Música] o História de Vida de hoje é aqui no Parque Universitário, na cidade de Campinas. A gente vai conhecer a história do Antônio Funder. Ele que tem 75 anos e olha só, o primeiro morador aqui do bairro. Só nessa casa, 23 anos. Você está convidado a conhecer a história, então, do seu Antônio. Vamos lá. [Música] [Música] considerado o primeiro morador aqui do bairro quando tudo era tomado por eucalipto. É isso mesmo. Resgata pra gente então essa sua história, como que foi sua infância? Primeira casa aqui do bairro do seu pai. Meu pai vizinha ali. Uhum. Ainda tem até hoje ela. Depois eu casei, né? Vim morar na esquina. Depois que eu fiz essa daqui para cá que eu vim aqui. Como que foi? O que que o senhor lembra de quando o senhor era criança, quando o senhor viveu aqui? Não tinha nada, era mato, eucalipto e foi construindo seu pai, sua mãe. Você tem uma lembrança de infância? Assim, eu ia na escola daqui a 3 km daqui a pé junto com minhas irmã. Tenho quatro irmã, né? E eles, meu pai que era o o chefe da casa, morava do lado ali ele, mas só que não tinha perigo de nada aqui, né? Porque era tudo mato, né? O que a gente tinha medo aqui era de bicho, não bicho homem, o bicho bicho, né? Então a gente sempre nas foi criado aqui, né? Então eu conheço a rua inteirinha, se for para divulgar para vocês aqui, eu conheço a rua inteirinha, o onde a gente parou no pôo de gasolina ali, eu morei muitos anos, que a gente esquece a quantidade de anos, né, que é muito, né? e ficava ali depois que o senhor foi vendo então o bairro tomando forma, né? Foi vendo as construções, as casas, os comércios, o asfalto que não tinha. O senhor praticamente viu realmente o desenvolvimento aqui do bairro terra era tudo terra aqui. Não tinha essa rua onde nós paramos ali, quando chovia você não passava de tanta baleta que fazia. [Música] E aí na época eu tinha um caminhão e trazia às vezes um caminhão de caco, de tijolo para tapar para mim poder chegar perto de casa. O senhor sempre trabalhou assim na adolescência, trabalhou aqui no bairro? Como que foi o primeiro contato? Nunca saiu do bairro? Sempre manteve todas as atividades aqui? Eu com 16, 17 anos eu já trabalhava com caminhão, né? E às vezes eu vinha com com meu pai, tinha um caminhão de sócio com um primo meu que nós ia para São Paulo todos os dias com 14 anos. Uhum. Eu ia até dirigindo o caminhão sem carta, sem nada, né? Não tinha movimento nenhum ainda na época, né? Sim. A emanguera era pouco movimento e eu sempre acostumado a trabalhar. Ia na na trabalhava cedo na roça, depois do almoço eu ia pra escola junto com a minha esposa. Uhum. Ela também foi criado junto comigo. Vocês se conheceram de menino de criança? Oit anos. De 8 anos. Nós ia na escola sem saber que um dia nós ia ser, olha, ia ser marido e mulher. história começou na amizade aquele namorico de de criança. E você não sabe nem o que é isso. Nós passava o anel, então ela passava o anel em mim, eu passava anel. Então foi aí que foi o e foi criando-se um laço, né, Antônio? Como que foi então assim depois que eh esse trabalho, né, igual o senhor tá falando, saía de caminhão, ficou 25 anos no caminhão como caminhoneiro. Io e era transporte de areia, como que era esse trabalho? Areia sempre foi esse ramo de de de areia e material de conução. Sempre de areia. Na época era só areia e pedra, né? Depois que eu montei a o depósito lá na suauna, né? Uhum. Então agora eh fala um pouquinho pra gente então assim da das casas, né? Essa que nós estamos agora tem 23 anos, né? De 23 a 25 anos que vocês moram aqui. Eh, mas já moraram em outros locais também, inclusive aqui na rua do senhor, a família toda praticamente, os filhos, irmãos, todo mundo criado aqui mesmo no bar. Sim, sim. Inclusive esse aqui do lado aí é um dos filhos mais velhos meu. E aonde aonde a casa que era do meu pai é atrás da casa do do meu filho do meio. Com quantos anos o o senhor pensou na possibilidade de montar o seu próprio negócio, né, de ter uma uma firma com 30, acho que 38, 39 anos por aí que eu montei o depósito lá em na Suauna, né? Isso acabou contribuindo também, seu Antônio, para pra chegada assim de novos moradores, porque assim, como o senhor sendo o primeiro morador, né, praticamente do bairro, né, o seu os seus pais, né, os primeiros moradores, o senhor eh nasceu, foi criado aqui, viu isso tudo se transformar nesse grande polo que é hoje, né, tem uma contribuição também, né, a a sua história de vida contribuiu para novas pessoas chegando para cá. Sim. Aí já começou o bairro crescer, né? Uhum. E aí começou um mora ali, outro mora lá e foi até o onde chegou hoje, né? E o senhor conta essa história assim para pr para outras pessoas, pros seus vizinhos. Eles conhecem essa história? Eles moraram junto com a gente, moraram tudo vizinho aqui. E e a a casa que o senhor construiu, as outras casas também, tudo o senhor construiu, porque já trabalhou nesse ramo, né? Caminhoneiro transportando areia, então foi mais fácil consultar. Isso. Não é bem mais fácil, mas mais mas eu fiz, né? Com a luta toda, né? sempre lutou, sempre guerreiro. Eu e ela. Quantos anos de casamento já, seu Antônio? Francisca 53. Casar, casou com quantos anos? 53. 20, né, Franc? 23. Pode trazer, Francisco. Ela até trouxe aqui o albinho, ó, pra gente dar uma olhada. O álbum de casamento, né? Olha aqui. Olha aqui. Super, super jovem. Não mudou muita coisa não, né, Santôni? Olha aqui. Só mudou. Olha o álbum de foto, a fotografia. Dá uma nostalgia, né? Dá quando olha para trás e vê o tanto que conquistou. Seu Antônio, é como que foi criar os filhos aqui. Conta pra gente um pouquinho dessa sua história, da criação dos filhos. São três filhos. Três netos. Netos são sete. Sete netos. Sete netos. Como que foi? Conta pra gente um pouquinho dessa sua história que Ah, foi um foi muito bom, graças a Deus, né? Foi o primeiro que aqui. Uhum. Tem dois filhos, tem um casal aí. O na esquina de lá é o André que tem tem um cas tem três filha, duas duas gêmeas. Uhum. E uma uma já casada, né? E o outro que mora do lado do depósito, o Rafael, que tem um casalzinho também. E a casa do meu pai onde onde onde tudo começou, né? Sim. E hoje assim, o senhor olhando, né? Eh, olhando ali onde é o shopping, onde é o posto de combustível, onde já morou, já teve uma casa ali onde você cresceu. Eh, como que é olhar e falar: "Nossa, eu já morei aqui, mas hoje é um um shopping, hoje é um posto de de combustível. Que que passa na cabeça do senhor? É uma é uma alegria, né? Sim, sim. Nossa! Lembrança de primeira é muito a lembrança de primeira eucaristia. É uma lembrança aí tanto, né, de ver que tu passou por tantos momentos, nunca pensou em mudar ir para outro lugar, nunca. Nunca. Eu sempre morei a nesse trechinho aqui, morei, morei uns tempo atrás do Shopping Campina. Aí trabalhei de empregado aí nesse Shopping Campina. Trabalhou no shopping também? Não, no shopping quando era mato. Quando era mato, tinha as vacas de leite do Zé Mingone. Aí eu era leiteiro, né? Que a vez que eu trabalhei sete 7 meses de empregado por José Mingoni, que era o dono de tudo isso aqui. Chamava-se bairro Campo Redondo antigamente. E e aqui tinha um outro nome também, né? Não era Parque Universitário, né? Bairro Campo Redondo. Campo Redondo. Era esse o nome do bairro? É, não tinha nada de parque universitário, era bairro Campo Redondo. Campo Redondo. A gente ia daqui no onde é a a igreja Santa Luzia no Campus Elígio. Vocês conhecem? Não. Sim. Mas ia lá de a pé, onde eu casei. E e agora conta a história, a história que o senhor conheceu a a dona Francisca, ela trabalhava onde hoje é o o Hospital Ouro Verde. Hospital era uma olaria ali. Era uma olaria. Ela trabalhava lá. Trabalhava lá. Daí começou, conheceu de criança, mas depois começou a intensificar um pouquinho mais. Já sabia onde ela trabalhava. E nós íamos na escola junto, né, lá no na onde é o Atacadão. Sim. Eu e ela ia pra escola sem saber que um dia nós ia ser se gostar, né? Sim. E lá tem história também quando passa na frente do do Hospital Ouro Verde, fala: "Nossa, aqui eu conheci o grande amor da minha vida". É verdade. Quanta história bonita, né? E a construção da dessa a sua empresa, né? Ela hoje ela traz, né, bons frutos. Os filhos acabaram e eles trabalham, né, com o senhor também nessa empresa. Os três trabalham no junto com o senhor? Eles que conduzem a a a empresa hoje? Sim, eu junto, né? Tem que tá tem que tá o dedinho ali, né? Não pode abandonar. Sim. E eu junto com eles, eles quando eu vou vou eu vou com ele, tudo bem. Quando não vou, eles tocam a mesma coisa, sabe? Eles sabem manobrar. Qual que é o assim a hoje, né, o senhor olhando para trás, lembrando de toda a sua história, tem um ponto assim de superação mesmo que o senhor acha que foi o momento crucial? Teve algum alguma algo assim que te deixou triste, que achou que nunca ia conseguir, não ia conseguir superar? Tem algum momento assim de dificuldade? A dificuldade sempre teve, né? Por quê? Pode falar, pode chegar aqui também, Francisca. Pode falar junto com o esposo sobre É engraçado assim falando qual foi os momentos. Hum. Se teve esse momento? Sim, ele era caminhoneiro e o e ele tinha sempre caminhão da marca Mercedes. Não, antes Chevrolé. Chevrolet. É, era uma classe mais baixa e ele dizia para mim assim: "Eu vou querer mudar para Mercedes, para caminhão Mercedes." Tinha um objetivo, almejava crescer, crescer. Sim. E foi que ele falou assim: "Olha, eu vou fazer um consórcio e pra gente mudar de de caminhão". Sim, ele falou porque essa marca eu tô vendo que eu tô só trabalhando pro caminhão. Uma hora era pneu, outra hora era motor que fundia, outra hora na verdade pro serviço que ele fazia era um um veículo fraco. Sim. E ele queria o mais forte que é. Aí ele via falar da Mercedes, ele fala: "Eu meu sonho é trocar por um caminão Mercedes". Aí tá tá bom, faça, né? Eu sempre apoiava em tudo. Era até hoje a companheira ali que é parceira que vai fazer a gente conversa, fazado junto. Aí eu falei assim, sim. Ele falou: "Olha só que a gente vai ter que fazer algum sacrifício." Eu falei: "E filhos estudavam em colégio particular. Eu falava para ele assim: "Você quer que eu tire os meninos do colégio, se vai pesar, se vai?" Aham. Ele falava: "Não, isso daí é a única coisa que eu posso dar para eles que ninguém vai tirar. É o estudo estudo, né? Então vamos fazer o sacrifício e deixar." Eles estudavam no Exernado São João, que era colégio de padre. Sim. No centro de Campinas. No centro ali na José Paulino. Sim. Ele sempre fez esse esforço, sempre fez esse esforço de priorizar o que era importante e uma dessas coisas era achar o estudo dos filhos. Sim, né? Então a gente na dificuldade eu falava até de tirar, colocar em escola para poder conquistar e ele falava: "Não, eu quero fazer para eles o melhor". Sim. Só que essa ideia de trocar de caminhão por uma marca maior, melhor. A gente quase que tem alguns burros na água. É, teve um problema aí no no meio do caminho? Sim, teve. Ele ele fez um consórcio. Esse consórcio não era muito sério. Já naquela época tinha as trutas, né? Sim. não eram consorte muito sério e ele foi pagando, pagando e ele foi contemplado. Então foi uma felicidade, um estrondo. Nossa, consegui, né? Quando ele vai para levar a carta, tudo para pegar o caminhão, eles alegavam que eles não tinham caminhão para entregar. Nossa, nesse momento foi um baque, um choque, né? É porque aí tinha que o tinha que dar para pegar a carta tinha que dar algum dinheiro e a gente vendeu o nosso carro que eu levava as crianças pra escola. Nossa, para dar esse dinheiro. E aí a gente foi vendo que tava indo tudo e não chegava. E ele ia lá, voltava, não, você volta aqui, tá o dia, voltava lá. Ai, ainda não tenho caminhão. Ai, não tenho caminhão para entregar, não tenho. E tem que pagar isso, tem que pagar aquilo. Até que um dia um amigo dele passou na Sambaíba, falou: "Tim, eu vi um Mercedes 113 da marca que você fez do consórcio e se você for lá e falar que você tem essa carta?" Ele falou: "Depois a agência se vira pro dono do consórcio". Sim. E foi uma luz. Ele foi lá correndo e deu certo. Deu certo. Aí o rapaz, ó, não tinha sempre os contas, né? O rapaz falou: "Só que esse caminão não pode ficar no pátio. Para esse caminhão ficar no pátio, o senhor vai ter que pagar o aluguel dele até o dia que for liberado. O senhor hora que parecia que tava tudo caminhando, vinha uma aprovação, né? Aprovação, certo? Aí ele foi a a própria empresa Sambaíba tinha devogado, falou: "Não, agora a gente vai cair em cima deles para eles liberarem essa carta pro senhor poder levar o caminhão." Aí foi que lutando lá a gente pegou esse caminhão Mercedes 11:13. Ah, cabine curta, o sonho dele. Aí que para ver a ideia de dizer, vou montar um depósito. Ah, daí foi a partir do desse momento aí do caminhão que surgiu a ideia do depósito. É. Aí ele tinha um amigo que também trabalhava com uma outra, ele falou: "Vou convidar o Ademir para ser sócio". Aí ele entra com algum pouco, eu também. Sim, a gente compra um terreno aeroporto e e foi e esse e essa esse depósito que hoje é, né, a empresa de material de construção sempre foi no mesmo lugar, na sua sua, né? Há quanto tempo já? Então, lugar 40 40 anos. 40 anos. 40 anos. E sempre cuidando, né? Zelando junto com os filhos. Os filhos sempre quiseram trabalhar junto ou foi um sentido assim? Eles sempre quiseram. Foi assim, a ideia de mantê-los no colégio particular. É, era um desejo do pai e da mãe, na verdade não era deles. Eles, como tinha o pai que tinha a empresa, não. Ah, mãe, eu vou deixar a faculdade para o ano que vem. E com essa história, os três resolveram não fazer faculdade e assumir e assumiram a empresa. Eu falo que a vantagem que eles nunca precisaram batalhar por emprego. Sim. É, nunca faltou um dinheiro no bolo, mas é uma coisa que eles quiseram, né? Eles vendo a luta de vocês, a luta do São Antônio com humildade, com respeito, né? com dedicação. Eu acho que isso é é um exemplo mesmo, né? Acho que vocês são um exemplo, senhor, um exemplo de homem, de hombridade. Sim. E eles sempre eles respeitou eu e eu falava, vamos eles vamos, sabe? Saí de de madrugada para para ir trabalhar, nunca falharam um dia. Tá certo, S Antônio. Muito bom. Não é que nem hoje que as o jovem chega, não vai trabalhar porque tá Sim. É muito muito legal mesmo ouvir a história de vocês, como que foi construído tudo isso e o mais interessante, né, saber que nunca diante das dificuldades nunca desistiu. Acho que esse é o segredo, né, de lutar, nunca desistir, perseverar, passava a noite sem dormir. Eu acho que essa é a mensagem. Contava a história do caminhão, ele deitava no sofá e amanhecia lá e falava para mim: "Eu não dormi nenhum pingo". essa noite, várias noites de sono. Eu acho que essa é a mensagem, né, seu Antônio, você aí também se identificou, né, com a história do seu Antônio. Se tiver um sonho, persista, não desista. E essa foi a história de hoje, a história de vida do seu Antônio para você aí. Até a próxima edição. C. เฮ [Música] เฮ [Música]