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[Música] A mulher guerreira não teme batalha. Essa frase cai como uma luva na vida de muitas mulheres, entre elas, a poetisa Daane Elisa, que depois de tantas lutas, transformou sua vida com palavras. [Música] Já me senti bem potente. Sempre olhei para mim e falei: "Cara, não consigo e não posso. Eu esse trabalho que eu tenho é o que eu mereço. Eu sempre achei que eu merecia tudo aquilo que eu vivi. E o livro ele deu essa mudada na minha vida aí de entender que assim é o que no lugar onde eu trabalho, aquela aqueles adolescentes que é onde tem uma tem uma vida diferente da minha, né, que tem uma, aliás, eu trabalho num num condomínio de de classe alta. Então, por eu trabalhar lá, eu sempre quando eu entrei ali, eu vi aquelas meninas que são eh que os pais têm condições financeiras e olhava falar: "Cara, meu, eu sempre chorava, falava assim: "Cara, meu filho nunca vai poder ter isso, nunca vai poder ter". E eu chorei muito ali, muito, muito, muito, muito. Eu falei: "Cara, não consigo dar uma vida diferente pros meus filhos. Meus cílios vão ter o quê?" E aí no lançamento do livro, um amigo meu falou sobre o livro que eu tinha que que contar a minha história, porque tudo que eu escrevo, eu escrevi em forma de poesia. Ele falava assim: "Diane, você tem que contar sua história, outras mulheres têm que ver sua história." Falei: "Não, para que não? Você tem que contar". E aí a partir dali que eu, ele falou assim, a hora que você vê o seu livro publicado, você vai ver que vai ser diferente. E aí quando publicou o livro, o pessoal lá do condomínio comprou muito. Eu vendi acho que uns quase 90 livros em menos de um mês. Eu vendi muito livro. E aí eles falaram assim: "Ah, Dan, vamos fazer uma noite de autógrafo para você". Falei: "Nossa, mas eu não, não, você merece". E aí eles fizeram uma noite de autógrafo e a moça que organizou essa noite de autógrafo, falou assim: "Delana, eu queria algumas pessoas negras. você tem pessoas negras porque o condomínio é de gente branca, então você não vê negros ali. Aí fala: "Ah, tudo bem". Aí eu levei o treinador da minha filha, o coordenador, levei os dois, levei as medalhas e tal e eu não tinha nada preparado. E ali eu fui começar a contar minha história pro pessoal. E a minha história, ela vem de um abuso, de abuso, né? De quando eu era criança, eu sofri um abuso, abuso dos primos. E aquilo eu só fui entender hoje com 42 anos, 41 anos, né? Eu fui entender que aquele abuso foi com que me trouxe relacionamentos abusivos. E eu não entendia, tipo, eu era maltratada na relação, mas eu achava que, tipo, era isso que eu merecia. Só que até então, como na minha mente tinha pagado esse abuso, então assim, eu nem entendia o porque que eu aceitava aquelas coisas. Fiquei 17 anos com o pai das crianças sofrendo o abuso emocional. Eu fiquei muitos anos, perdi minha identidade, perdi tudo, mas sempre fui trabalhadeira. E aí quando eu termine saí dessa relação, aí eu saí bem machucada, bem triste, não tinha, não tinha visão de nada e procurei ajuda, tive essa ajuda. E aí foi quando eu entendi esse ano, na verdade demorou ainda 4 anos depois de sair do abuso. Foi a hora que eu entendi que, tipo, falando com Deus que eu sou, tem muita fé, eu falei assim: "Senhor, por que que eu passo por tudo isso?" Porque antes do livro eu fui me jogar do ali na pedreira do do Garcia. Eu fiquei muito perdida porque eu tive um outro relacionamento. Essa pessoa, ela sabia da minha história. Eu falei: "Olha, eu sofri um abuso quando era criança, por isso que eu sou um pouco mais fechada isso e aquilo". E essa pessoa sabia disso e aí ela me traiu e eu descobri a traição dela. E perdoei. Aí perdoei. Essa pessoa continuou traindo e aí eu fiquei o quê? Tipo assim, eu já tinha sido curada da depressão, voltou tudo, mas voltou o dobro. E aí eu saí assim perdida do serviço e fui para pro pro Garcia para me jogar. Eu tinha que me matar, eu precisava acabar com a minha vida. E aí eu fui conversando muito com Deus, falei assim: "Senhor, por quê? Por por que que eu tô passando por isso?" E aí o senhor falou assim: "Mas a culpa nunca foi sua". E aí foi, veio a lembrança de que eu tinha sofrido o abuso quando era criança, tipo, eu tinha acho que uns 7 anos, o a pessoa eh tinha uns acho que uns 15 da família. E aí eu eh lembrei disso, Deus falou assim: "A culpa nunca foi sua". Quando Deus falou comigo que a culpa não foi minha e que tudo aquilo que eu passei era para eu esquecer, porque nunca foi culpa, foi a hora que, tipo, deu aquela coisa assim, tipo, lembrei, falei assim, cara, agora eu entendo por que eu venho tendo relacionamentos abusivos, porque eu achava que eu merecia aquilo, a culpa era minha. Então, assim, tudo que vinha pra minha vida era culpa minha. E a partir do momento que eu entendi que não nunca foi, aí eu mudei. Aí a chave virou. Quem nunca foi desrespeitada que atire a primeira pedra. Eu escrevi é vire a chave e comece de novo, que é tipo, é o finalzinho desse livro aqui. Vira a chave e comece de novo. E foi aí que assim as coisas começaram a mudar. E eu conversava com muitas pessoas, falava assim: "Gente, eu peguei muitas mulheres como eu." E aí quando eu vejo pessoas que, tipo assim, mulheres como eu, que vive numa relação dentro de casa, na onde ela é o o homem da casa e ela fica assim: "Ah, mas eu tô com o meu o meu marido, ele faz isso para mim, mas eh ele cuida das crianças, mas ele ele cuida das crianças, é um bom pai". E aí eu sempre falo para as mulheres assim, falo: "Deixa eu te dizer uma coisa, não coloca o teu filho porque eu já fui essa mulher". E essa mulher não é que o marido é bom para as crianças, é que você não consegue viver longe dele, porque você tem essa dependência emocional. E existe os ciclos de dependência emocional, tipo quando você sai da relação, porque quando você, eu fiquei 17 anos, então assim, a primeira semana foi libertadora, falei: "Nossa, que delícia sair, eu acordo cedo e ninguém me xinga, ninguém me humilha". É maravilhoso. A segunda semana você fala assim: "Nossa, tá legal". Na terceira você fala assim: "Eu preciso". Tá errado. E aí você começa a se culpar porque, tipo, eu poderia ter feito mais isso e aquilo. E aí na quarta você precisa voltar pro ciclo de violência de novo. E aí eu só não voltei pro ciclo de violência com meu ex-marido por conta da família, porque a minha irmã, ela me acolheu e ela falou: "Você não vai voltar". Falei: "Sim, eu preciso". E é assim, gente, é uma droga. A dependência emocional, ela é uma droga, porque as pessoas não entendem que não é que a gente quer voltar e a gente é mulher de malandro, não é a mulher de malandro, é a dependência emocional, porque ela acostumou com aquilo e ela não consegue viver sem aquilo. O papel de mãe e afinidade com os filhos também trouxe a Dayane força e sabedoria. A palavra rejeitada assim, ela me doeu na alma. Acho que foi a coisa assim que mais me doeu. Ela falou: "Mãe, eu me sinto sobrecarregada, me sinto rejeitada por você, porque você me cobra demais. Você me rejeita assim de uma forma que você não faz com os outros". E aí aquilo me doeu na alma porque eu falei assim: "Cara, nunca imaginei ouvir isso, porque a gente não dá voz pros filhos da gente, né?" E foi o melhor momento da minha vida, porque eu comecei a repensar, falei algumas atitudes minhas. E aí a Evely falei: "Se você, Evely? Aí falou assim: "Ah, mãe, a única coisa que eu fica irritada é quando a senhora começa a gritar, a senhora fala: "Vamos acordar, vamos limpar essa casa e não sei o quê. Você não precisa gritar". Eu fiquei olhando assim, falei: "Nossa, quanta coisa, né?" Aí eu falei: "Igor, e você?" Ele: "Mãe, você é maravilhosa para mim, não tem nada para falar". E aí eu peguei e falei assim: "Então eu vou me dizer como eu sinto como mãe". Eu falei sei lá, não quero que você sinta rejeitada, mas o irmão mais velho acaba sendo sobrecarregado porque a mãe precisa trabalhar. Eu não tenho ninguém para cuidar de vocês. Então, nesse caso, você vai ser sobrecarregada porque eu fui sobrecarregada, entendeu? É o acontecem com mães que tá fora. Então você vai se sentir mais rejeitada. Filha, não se sinta assim, porque eu só não sou carinhosa com todos, mas assim, com que eu sou com você, se você sentar com o Hugo, com a Eloai, com o com a Every e com o Igor, vocês vão sentar e vai falar: "Como que a mãe é com você?" "Ai, a mãe é desse jeito. Vocês vão ver que eu sou igual com todo mundo, que vocês não ficam perto normalmente quando isso acontece." E eu chamo a atenção de todos, filha. Então, se você sente rejeitada, eu te peço perdão. Não quero que você se sinta dessa forma. Aí falei pra Ev, falei: "Vou tentar não gritar, mas se encontra partida, eu preciso trabalhar, preciso encontrar a casa organizada, porque é ruim para mim. Eu trabalho 12 horas, à vezes eu fecho 24, 36 horas". Eu falei assim: "São muitas horas de trabalho para o quê? Para poder cuidar de vocês." Com dois livros lançados de forma independente, Diane Elisa traz, por meio das palavras as lutas e vitórias que fizeram sua história de vida. Por 13 anos, fui marcada pela escravidão da maquiagem. Após um vtiligo adquirido da gravidez no rosto, não me sentia mulher de verdade. Me senti indesejada e sempre pensei: "Não mereço mais amor. O meu rosto está marcado pra vida inteira. Que horror! Minha família sempre dizia: "Você continua sendo uma linda mulher". Mas a minha própria consciência me acusava, dizia: "Mulher como você, ninguém quer". O tempo foi passando, já estava com dependência emocional e eu não sabia. [Música] A vida foi dura, pois foram 13 longos anos. Estava morrendo aos poucos com a dependência emocional me matando. Mas como em Eclesiaste diz, tem tempo para tudo. Um dia acordei para a vida e me senti fora do mundo. O amor que jurou me amar me dizia: "Te acho linda". Mas ele foi embora e me deixou muito aflita. Quando me dei conta, mais uma vez estava sozinha. Então perguntei a ele: "Como faço para seguir a vida?" Ele me disse: "Se ame, leia livros e se valorize". Então, rasguei minhas vestes diante do Senhor e me vi livre. Lavei o meu rosto, tirei a maquiagem, me dei conta da mulher sensacional que sou, uma guerreira de verdade que outro sempre cuidou. Então, Diane, como mulher e também guerreira, cada qual com sua história, essa tela pela qual as pessoas estão nos vendo, muitas vezes também cobra da gente uma maquiagem bonita, um peso ideal, um cabelo sedoso, mas nem sempre a gente tem condições emocionais para estar assim. E é pensando nessa história de vida, nessa luta que nós temos, que eu te convido a tirarmos a nossa maquiagem e mostrarmos verdadeira guerreira que somos. Pode ser? Pode. Quando você fez isso pela primeira vez, né, que você comenta, né, você até fez a poesia e você se olhou no espelho, se sentiu, se enxergou, né? Sim. Qual foi a Dayane que você enxergou no espelho? Eh, a mesma Diane, não alterou em nada. O que mudava, o que mudou, na verdade era só a maquiagem, porque ela continua sendo guerreira, ela continua sendo mãe, ela continua sendo especial pros filhos, ela continua sendo a mulher batalhadeira. Nada alterou, porque ali Deus falou para mim: "Você não muda em nada, é só uma maquiagem". E a partir daquele momento, eu comecei a trabalhar, eu ia pro meu trabalho sem a maquiagem. As pessoas acharam diferente, mas eu ouvi muito. Nossa, você é muito melhor sem ela. Você fica bem melhor sem ela e nada altera. Então eu pude descer aqui no condomínio. Fiz uma live naquele momento e eu comecei a chorar e falei assim: "Pela primeira vez, após 13 anos, eu posso chorar de verdade sem ter que ficar toda hora colocando a base para ver se não tá saindo, para ver se as pessoas não me olham diferente. E aquilo foi para mim libertador." Então assim, hoje eu não tenho mais vergonha do meu rosto, não tenho problema em falar: "Ah, eu tenho Vitligo". Vitligo, ele só é o e mais uma história. É uma história da minha vida de superação. Essa mulher, ela continua sendo guerreira e agora ela sim tá superada, ela consegue falar com as pessoas, ela não se sente mais rejeitada pela sociedade. Bom, então agora com rosto limpo, é de alma lavada e rosto lavado ou cara lavada, como queiram, eu vou pedir para você me emprestar aquele seu livro alma lapidada, porque ele tem um subtítulo, né? Alma lapidada. [Música] por você mesmo, pela mulher que você foi, que você insistiu ser dia após dia, luta após luta. E aí agora o que fica para mim da sua história de vida é que esse subtítulo aqui, o recomeço, é justamente a partir de agora. Sim, desse momento que a gente eh se olha no espelho, que a gente olha pra gente mesmo, que a gente ainda que sem maquiagem, mostrando, né, algumas imperfeições, marcas da vida, a gente consegue perceber o nosso valor, não só como mulher, mas como ser humano. Muito obrigado. Eu agradeço pela oportunidade que vocês deram de contar a minha história, que eu creio que a história assim da da mulher brasileira, né, da dessa coisa da da aceitação. Acho que aceitação, eu posso dizer que a aceitação foi que mudou a minha vida, né? Não foi só as minhas buscas, mas a aceitação, aceitar que meu rosto é desse jeito e que mesmo com as imperfeições eu continuo sendo a mesma mulher, não alterei, não mudou a minha índole, é o que faz o diferencial. Então assim, a minha história é a história de muitas aí que deve se aceitar e seguir a vida, porque a gente não pode se vitimizar. Eu não posso me ficar me vitimizando pelo meu passado. O passado já foi. Então assim, é realmente um recomeço para mim, pros meus filhos e para outros que queiram ouvir essa história. เฮ [Música] [Música] [Música]