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[Música] E no Giro Ambiental de hoje, a gente vai falar sobre o livro Raizes da Mudança, que conta a história do cartonifício de Valinhos, que é uma das pioneiras na na reciclagem de papéis tanto aqui na região de Campinas quanto no Brasil e da conexão dela com a reciclagem de papéis e com os catadores. E quem escreveu esse livro foi a Denise Mons. Quem tirou as fotos foi a Cris Day. E o resultado é muito bonito, com uma diagramação moderna e com fotos muito orgânicas. E a Denise tá aqui com a gente para falar dessa história, o que motivou ela a fazer esse projeto tão bonito, conversão em inglês também. Muito obrigada pela sua presença aqui com a gente, Denise. É um prazer, Alexandra. Denise, queria que você começasse contando por que você resolveu fazer esse projeto. Então, nesses tempos de, como eu tava dizendo, nesses tempos de mudanças climáticas severas, né, eu acho que um livro desse que trata da reciclagem, especificamente do papel no nosso mundo, ele tem uma urgência enorme, né? Porque apoiados pelo cartonifício Valinhos, que é uma empresa empresa pioneira na nossa região, uma das primeiras empresas de criação de papel e papelão reciclado, né? Ela data da década de 1940, é pioneira mesmo. E através do patrocínio deles, do apoio, nós imaginamos criar uma obra que desse conta da cadeia da reciclagem. quem são os atores principais que fazem a cadeia de reciclagem no Brasil, né? Então ele acaba tendo uma amplitude muito maior do que só regional aqui pra gente, que é um um evento que acontece no Brasil todo, né? catadores, a existência das cooperativas, que além de movimentar um segmento com geração de renda, onde antes não havia nada, né, para pessoas muito eh empobrecidas na sociedade, ele trabalha muito a questão da sustentabilidade no nosso mundo, porque se não fosse a reciclagem, como disse um senhor proprietário de um grande depósito de de reciclados, nós estaríamos habitando uma montanha de lixo, né? Eles fazem uma função, eles tm uma função muito importante. Denise, essa foto inclusive tem no livro, né? Sim, sim. O livro é ricamente ilustrado pela fotógrafa Chris Day. É um fotolivro, na verdade, né? Eu criei o texto e a Cris as fotos que acompanho. Então ele é muito interessante a partir desse ponto de vista, porque a gente documenta as pessoas que fazem essa cadeia com texto e com imagens também, né? E também com a versão em inglês que dá pra gente contar e multiplicar essa história pelo mundo todo, né? Sim. é uma edição bilíngue, uma edição muito cuidadosa. Ela acontece graças aos auspícios da lei ruan, os mecanismos da lei de incentivo, né? E teve, como eu já disse, o patrocínio do cartonifício Valinhos. Então ele começa o livro, na verdade, a partir da vinda desse visionário que foi fundador do cartone físico ao Brasil. Ele é italiano de nascimento, brasileiro de adoção. E aqui ele teve essa já mentalidade de trabalhar com o papel reciclado, né? Isso é uma coisa muito interessante porque verdadeiramente revolucionária paraa época que ele começou, né? Os ídolos de 1940. E e Denise, eu achei interessante também porque é uma pesquisa ambiental, histórica, porque fala muito aqui da região, eh, e também sociológica, né? Você menciona num determinado ponto do livro que as mulheres casadas não poderiam mais trabalhar no cartão difícil, né? Então, tem essas nuances também históricas muito interessantes, porque se a gente pensar 40 foi logo ontem, né? Ele foi pioneiro para muita coisa, mas também paraa gente pensar em comportamento social foi logo ontem, né? Sim. E Alexandre, você tem toda a razão. Essa foi uma preocupação que norteou o projeto de pensar esse lado muito humano da participação humana dentro do projeto todo, dentro da reciclagem. Quer dizer, qual é a participação dos seres humanos nesse projeto todo que leva a reciclagem até o final da cadeia, que são as pessoas que conduzem homens e mulheres. E tem um dado interessante que dentro da do trabalho da reciclagem a gente tem por volta de 70 80% de mulheres. Então, ela gera empoderamento, gera eh um trabalho para mulheres, geração de renda para as mulheres. Isso é muito interessante dentro do escopo todo do trabalho da reciclagem. Se a gente pensar que ainda é uma coisa assim muito eh nós estamos ainda no início do trabalho da reciclagem, não é todo mundo que recicla, nós não temos essa mentalidade ainda consolidada por todos, apesar de já termos tido um avanço, né? Ainda é pouca gente. Para se ter uma ideia, por exemplo, eh a reciclagem movimenta 20 milhões de trabalhadores ao redor do planeta. desses 20 milhões, 4 milhões estão na América Latina e por volta de 800.000 números consolidados, né, eh, pelo governo federal, estão no Brasil, 800.000 pessoas, onde a grande maioria é feita de mulheres. E isso é o que a gente tem contabilizado oficialmente. Talvez o número seja muito maior do que esse, né, dos catadores no Brasil que trabalham com reciclagem. Denise, é um é um número expressivo, não? Sim. muito expressivo, mas eu queria que você falasse da possibilidade de aumentar, porque a gente tinha muito essa coisa de, ah, o papel vai acabar, o papel vai acabar e provavelmente não acabe tão cedo. Esse esse ponto específico de reciclagem de papel na sua pesquisa, você conseguiu aferir se é possível aumentar muito ainda esses números? Olha, Alexandre, o que a gente tem assistido é ao aumento de plantas industriais de fabrico de papel. a fabricação dele tem aumentado e o Brasil é um dos maiores fornecedores de celulose fina no mundo. Mas o que e nos move não é exatamente a fabricação do papel, é a reciclagem do papel, porque o que nós estamos apostando realmente é no papel da reciclagem e não está fabricando mais papel, criando eh florestas que são certificadas, essas árvores são plantadas, então elas são corretamente cultivadas para serem derrubadas e criar celulose. Mas o que nos preocupa nesse caso não é essa criação de celulose, a fabricação, mas a reciclagem do que já está aqui no planeta, entende? Essa esse foi o grande norte do livro. Ou seja, dá para melhorar muito ainda a reciclagem de papel no Brasil? Sim, com certeza. Dá, tem como melhorar muito se a gente pensar que inclusive a no mundo o mundo, o planeta recicla apenas algo em torno de 19% de resíduos sólidos. No Brasil esse número caiu para 4% apenas. Então, quer dizer, tem uma tem muito que melhorar, tem muito que melhorar a consciência das pessoas ainda em relação a isso, né? pensar pergunta ser feito ainda, com certeza. Ainda que nosso país é continental, esses 4% eles ganham uma dimensão ainda muito grande, né? Exatamente. Exatamente. Quer dizer, então esse livro vai muito eh no esse muito vai esse livro, perdão, vai muito na direção de alicerçar uma mudança de consciência nas pessoas, uma tomada de consciência de que se enxergue que a a reciclagem é muito importante, que ela começa dentro das nossas casas. Existe muito da reciclagem no universo empresarial, as empresas reciclam, mas é preciso levar essa consciência pro cidadão comum. E às vezes, por exemplo, os catadores, eh, eles têm uma função que é meio invisibilizada na sociedade. Nós não enxergamos na rua essa, esse exército, né, que tá fazendo a reciclagem. A gente não separa direito dentro de casa. Nós deixamos lixo que é conspurcado, misturado com lixo que seria reciclado, então acaba perdendo o material. Então essa consciência o livro mostra muito através do papel dos recicladores, né, que são as empresas, as cooperativas, os catadores autônomos, enfim, o grande exército da reciclagem. Sim. É porque as empresas elas têm que cumprir leis, né, normas e metas. E o cidadão ele até às vezes tenta, mas tem todo um processo, né? Aqui em Campinas a gente tem umas caçambas verdes de orgânico e eu vejo como meus vizinhos colocam um monte de plástico lá dentro. Então tá super visível. Aí a pessoa pode jogar certinho, vai um e joga tudo misturado. Aí já muda todo o contorno das coisas, né? E e exatamente é um lixo que depois não pode ser reaproveitado. É, já tá contaminado, inclusive, né? com até mesmo com com a o cocô do cachorro ali que a gente pode jogar dentro do saquinho e tudo mais. E Denise, queria saber eh se teve alguma curiosidade, alguma história que chamou muito a sua atenção, que você gostaria de compartilhar com a gente nessa pesquisa para fazer o livro? Olha, eu acho que isso, esse aquele dado que nós mencionamos de início de que é um trabalho muito voltado paraas mulheres, isso é uma coisa que eu não tinha ideia, Alexandra, e isso me impressionou muito. A reciclagem no Brasil é muito movida por mulheres. Nós encontramos grupos de mulheres que eram diretoras, dirigentes, melhor dizendo, de cooperativas e que acabaram eh criando oportunidade de trabalho e geração de renda para uma comunidade inteira, lugares onde o crime organizado agia e que a cooperativa entrou e começou a minimizar, né, eh as pessoas que não tinham muita opção de vida, a criar uma forma de trabalho. E foi muito dentro do universo feminino. É um esforço muito de mulheres a reciclagem. Isso é uma coisa que me chamou bastante atenção. Certeza. É um sinalizador aí para o que a gente pode fazer de políticas públicas, inclusive daqui pra frente, né, Denise? Exato. Eu queria saber, o livro ele tem eh distribuição gratuita, vocês têm um canal de contato, redes sociais, que a gente possa entrar em contato para quem tá assistindo possa de repente conhecer esse trabalho. Perfeitamente. Eh, a prefeitura de Valinhos, pela Secretaria de Cultura tá fazendo um trabalho de distribuição gratuita dos exemplares, tá? A empresa Renovart, que é, eu posso dar um endereço? @renovart.org. Ela distribui também o livro aqui em Campinas. Maravilha. A gente pode entrar em contato. Ele tem, claro, ele tem distribuição gratuita porque ele foi feito, como eu mencionei, pelos mecanismos da lei de incentivo, a lei ruanê. Então, ele é distribuído gratuitamente. É só a pessoa requisitar num desses lugares, né, pela Secretaria de Cultura de Valinhos. o museu da cidade de Valinhos, eles estão distribuindo também muito legal, principalmente pras escolas, né, pros educadores ambientais. Vamos deixar essa dica então para todo mundo. Denise, eu queria agradecer demais a sua participação aqui com a gente. Olha, Alexandra, sou eu quem agradeço. Muito obrigada pela oportunidade e espero que o livro chegue até as pessoas, que ele tem uma uma utilidade social bastante grande no sentido de contribuir para uma melhoria da consciência das pessoas em relação à sustentabilidade no planeta e na separação do lixo a partir da da casa de cada morador. Muito obrigada e parabéns pelo trabalho, Denise. Agradeço eu, Alexandra. Muito obrigada. E até uma próxima. Até. E para você que nos assiste, continue com a gente porque agora é hora daquele giro ambiental das curiosidades do Brasil e do mundo. Qual foi a última planta que você viu? E qual o nome daquela florzinha que brota da calçada no caminho que você faz até o trabalho? Se você não se lembra dos detalhes ou sequer sabe o nome das espécies, é possível que também esteja sob influência da cegueira botânica. Esse fenômeno estudado há pouco mais de duas décadas define a falta de percepção que temos das plantas em nosso cotidiano. Isso pode nos levar a negligenciá-las, ignorar o papel essencial que desempenho em nossas vidas e, em muitos casos, a considerá-las seres de menor valor. Mas por que isso importa? Mais do que uma mera preocupação de botânicos ou pais de planta, essa desconexão pode afetar a forma como interagimos com a natureza. Todo mundo sabe reconhecer um elefante, mas se digo que uma planta é um ciclame, poucos reconhecem", explica a bióloga Susana Urse, professora do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da USP. Se a gente não reconhece o valor e a importância das plantas, ficamos cada vez mais distantes de nos conscientizar e tomar ações para mitigar fenômenos, como as mudanças climáticas, completa professora, que prefere chamar o fenômeno de impercepção em vez de cegueira. Em um artigo publicado na revista Plant Science Bulletin, os pesquisadores definiram a teoria da cegueira botânica em três pontos. a incapacidade de reconhecer a importância das plantas na biosfera e nos assuntos humanos. a dificuldade de apreciar as características estéticas e biológicas únicas do reino vegetal e a classificação equivocada e antropocêntrica das plantas como inferiores aos animais, que faz com que elas pareçam indignas de consideração. [Música]