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[Música] Bom, é o quadro de olho na educação. E olha só, pessoal, porque hoje a gente vai falar sobre um assunto super importante. Tem tanta gente, tanta criança que sonha com a profissão de cientista. Por isso estou aqui com Adalberto Fáio que faz 40 anos que é cientista, professor e tudo mais. Tudo bem, Adalberto? Muito obrigado por nos atender. Tudo bem, eu que agradeço. Bom, ainda hoje muitas crianças sonham com essa profissão de cientista, né? O que é preciso fazer para se tornar um cientista? Eh, uma boa pergunta. Eu acho que a gente começa a ser cientista naquela idade que chega: "Mãe, que isso? Pai, que é isso? E nem sempre eles respondem. O passar do tempo você vai vendo que é agora, agora fiquei entusiasmado. Será que meu filho vai ser cientista? O filho tá assim, viu? Anda, tá sim. Pergunta tudo e tem coisa que eu olho pra minha esposa e ela olha para mim, fala: "E agora?" É, pois é. Aí ele vai descobrir que algumas respostas a ciência explica e aí caminha pra ciência. E na eu tô falando isso brincando, mas é o que eu quero dizer que o que é importante para ser um cientista é saber fazer boas perguntas e não as boas respostas. Então, nas boas perguntas que vem uma consequência é a resposta. E a ciência evolui respondendo questões, né? E a gente aprende que a ciência responde, mas a gente também aprende que a ciência não tem todas as respostas. É isso que torna a ciência aquilo que a gente tem que acreditar. Então, a ciência nunca é um dogma. E a criança, ela desde o começo, ela tem isso. Obviamente depois ela quer fazer outras profissões que são tão belas quanto a ciência. Pode ser artista, né, engenheiro, né? Mas a curiosidade de se caminhar numa ciência é grande numa na criança. E às vezes me pergunto, porque não tem mais criança querendo fazer ciência? Essa é uma pergunta que E aí eu te passo essa mesma pergunta. Por quê? Ah, é porque talvez a gente não tá sabendo lidar com essas crianças no ensino fundamental e no ensino médio. É muito importante, né? no ensino fundamental e no ensino médio, ela ter a capacidade de manipular, ter as perguntas, o professor saber dizer que ele não sabe responder todas as perguntas. É isso que instiga, né, a criança a fazer ciência. Então, uma, particularmente aqui na ILO, a gente tem uma preocupação até com os professores do ensino médio, da gente mostrar mais ou menos como é que você faz isso, uma criança ela se despertar para a ciência. E aqui eu tô falando biologia, química, física, matemática, ciência de computação, né? Então acho que esse é um ponto, né? Mas enfim, estamos melhorando. Bom, em termos de curso, quais os cursos que existem para quem quer seguir essa? Aqui no Brasil tem muitas vagas disponíveis qualquer área da ciência. Eh, então, física, por exemplo, tem muitas vagas, química, biologia, então e boas faculdades, né, com corpo docente competente que elas podem caminhar, né? Mas a criança é no meu tempo tinha uma coisa que no seu não tinha. Ligue liger. Hoje tem esses bloquinhos de de como é que chama? Dos dos Legos. Meu tempo era lig, era um negocinho horrível, mas que a gente tentava fazer máquina, tentava fazer alguma coisa e que já ia treinando e isso despertava curiosidade. Mas eu em particular, eu comecei mesmo, foi, eu acho que no final, na época era ginásio, né? E tinha muita discussão da Guerra Fria. E eu chegava pro meu pai, que que é bomba atômica? É bomba atômica é aquilo que vai acabar o mundo, pô. Aí eu, cara, então vou saí entrei no científico, eu ganhei uma bolsa para passar um dia em São Paulo numa exposição promovida pela USP, na época pelo professor Inest Hamburgo, sobre física nuclear. E aqui eu vou fazer física. Então, desde aquele tempo me despertou essa vontade de fazer física. Bom, e depois da formação acadêmica, é importante também que se indista em cursos mais avançados. Sim, sim. É, obviamente, normalmente a carreira é assim, você faz um curso, né? Aí você vai pro doutorado, ou faz o doutorado no Brasil ou faz o doutorado no exterior e depois normalmente você tem o que nós chamamos de pósdoc. Então ele já é um, ele já não tem mais um um orientador, ele vai ter só o responsável que é o pósdoc. Normalmente a gente faz no exterior o pósdoc, né? E obviamente também pode ser feito no Brasil. Daí ele vai ser, esperamos que ele seja contratado. E no Brasil, esse é um problema, que a maioria desses deles, eles são contratados, eles procuram as universidades, né, mas as empresas poderiam eh ter esses absorver esses pesquisadores. E no Brasil é a absorção é muito pequena, é diferente da Alemanha, Estados Unidos, etc. Então essa é a carreira do cientista, estudar, estudar, estudar. E quando tiver um tempinho extra, estuda também, estuda também. Escondido da esposa. E e é importante também, né, Dalberto, um segundo idioma, né? Ah, sim. Hoje, eh, normalmente a língua inglesa é a língua oficial da ciência, né? Porque as revistas são escritas em, é, todo no idioma inglês, né? Então ele tem que saber o inglês e isso é importante pra carreira, porque ele vai ter que ler um artigo do par dele, dos colegas. E esse artigo tá escrito em inglês. E eu vejo muita gente perguntando, questionando, puxa vida, mas e o mercado de trabalho? E aí? É, o mercado de trabalho é uma é amplo, tem várias opções, não é? O mercado de trabalho no Brasil. Eh, são as universidades, agora os grandes centros de pesquisa, o Ministério de Ciência e Tecnologia, por exemplo, tem mais de 25 institutos de pesquisa, que é o CNPEN aqui faz parte, né? Então, lá muitas vezes são disponibiliz disponibilizado vagas, né, para pesquisadores nas universidades são concursos públicos para docência, né, educência e pesquisa. Então é é esse campo. Nós poderíamos ter muito mais se as empresas, a indústria tivessem laboratórios ou aplicasse mais recursos para a pesquisa. Isso. Certamente isso é importante, né? Bom, além do senhor citou essa questão que envolve aí institutos de pesquisa, que é super importante, tem também e eh publicação de artigos, tudo isso é bem legal também, né? É isso. É pra gente é é o reconhecimento do par, né? Então quando você faz uma pesquisa, você vai escrever um artigo e submete esse artigo numa revista. Esse esse artigo são revisados por colegas que você não sabe quem são, né? E esses artigos quando são aceitos a gente festeja, porque daí você vai ter uma comunidade muito grande lendo aquele trabalho que você dedicou muitas horas, muitos dias, às vezes anos e anos para fazer aquele trabalho. E o senhor tá falando estudar, estudar, estudar. Tem muita gente que desiste no meio do caminho, imagino, por ser algo não tão fácil assim. Por isso a persistência é fundamental, né? tem que persistir. É, tem que persistir. Esse é fundamental. Eh, uma coisa que que muitas vezes eh faz leva a desistir é o que nós chamamos de fracasso. Mas o fracasso não é uma coisa ruim. Fracasso é uma coisa boa no sentido de que com fracasso você aprende. Muitas vezes, ah, não deu certo isso, desiste. Não, não deu certo por quê, né? Thomas Edson, que fez a lâmpada, né? Uma vez falaram: "Ah, você errou mais de 5.000 vezes para encontrar o filamento". Ele falou: "Não errei, eu acertei 5.000 vezes". Você entende a a a diferença? Então, na verdade, a gente também ensina aqui a trabalhar com fracasso, porque eh só tem uma coisa que não erra, é a religião, que ela é baseada em dogma. Nada contra nada, mas a religião é dogma. A ciência não. A ciência muda, né? Por isso que a gente tem os grandes pesquisadores Einstein, Newton, Heisenberg, Scheger. Esses caras são os caras que tiveram muito sucesso. Nem todos vão ter esse sucesso de grandes mudanças de paradigma, mas cada pequena coisinha é um tijolinho que vai armando para depois alguém dar a grande mudança de paradigma. Como são os cursos aqui? Ah, os cursos aqui é é uma escola bastante interdisciplinar, né? que a gente tem uma base grande de matemática e ciência de dados, inteligência artificial, biologia, química, física e temos também a área de humanidades e inovação tecnológica, né? Então eles têm aulas de humanidade, inovação, porque tem menino que entra aqui pensando em ciência, mas aí ele já quer pensar numa empresa, que é ótimo. Isso daí pro país é a coisa mais maravilhosa que tem. Então a gente dá, é, não é desenvolvimento, ele vai fazer a invenção que pode virar um produto, né? Então a gente ensina também um pouquinho dessa parte, mas como que ele monta uma empresa, como é que são, você faz uma patente e esse é a escola vive disso. Bom, vamos lá. Certamente o pessoal que tá assistindo ao quadro de Olho na Educação, eh, muita gente se interessou quais as dicas, as orientações para quem quer seguir essa carreira aí de cientista, que é um sonho, como eu disse, de muita criança. Eh, bom, ter ser ter uma persistência, uma perseverança, curiosidade é fundamental sempre fazendo as perguntas e tentar ler bastante a literatura, né? Eu acho que isso vai despertar certamente isso meus meninos. E e hoje, particularmente, você pode ver na internet, particularmente esse ano aqui, esse ano é o ano declarado pela UNESCO, é o ano mundial da mecânica quântica, que é que é a parte da ciência que mais impactou pro século XX, né? A invenção do transistor, né? o laser, eh, o próprio a microscopia para ver lá o DNA. Eh, tudo isso tá na mecânica quântica que e até 1925 a gente não explicava uma série de fenômenos. A gente conhecia todas aquelas coisas, mas tinha uma série de fenômenos que a gente não conhecia. Em 25, um artigo do Verne Heisenberger, olha aí, pessoal. Verne Reisenberg, ele fez esse artigo que fez uma mudança de paradigma e a gente estuda até hoje aplicando essa mecânica quântica e vai aprendendo cada vez mais. Vai aprendendo cada vez mais. Valeu, professor. Eu que agradeço aí e visitem aí. Boa. Bom pessoal, eu sou o André Aranha e você já sabe, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao [Música]