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[música] Tá no ar mais um de olho na educação. E hoje nós vamos falar sobre literatura, mas sim a literatura indígena, a importância desse tipo de literatura, as principais obras e os principais autores. Por isso eu estou aqui com a Patrícia Regina Vanete Veiga, professora do Programa Intercultural para Ingressantes do Vestibular Indígena da Unicamp e também professora do Instituto de Estudos da Linguagem aqui da Unicamp, especialista em literatura indígena, que vai contar um pouco mais sobre esse tipo de literatura. Patrícia, tradicionalmente, né, a literatura brasileira, né, a figura do indígena sempre foi contada a partir da visão do colonizador, né, pelos intelectuais brancos, que é a famosa literatura indianista, né? É isso mesmo. Eh, a gente tem aí, né, principalmente por conta, né, de est vinculada à tradição escrita, né, que é um meio de comunicação, né, das sociedades eh ocidentais. a gente tem, né, muita literatura que foi produzida, né, eh, contando histórias, falando sobre, eh, povos indígenas, mas de uma forma muito estereotipada, né, que é o que a gente conhece um pouco como essa figura do índio, né, que é generalizada. Eh, a gente não conhece de qual povo que é, muitas vezes e é folclorizada, eh, muitas vezes não respeita, né, aquele sagrado, a espiritualidade, é, a, a, a força, né, da dessas cosmologias. Então, eh, é, foi muito comum isso na história do Brasil. Eh, mais recentemente, né, de uns tempos para cá, a gente tem forte, né, vindo uma literatura de autoria indígena, produzida, né, pelos próprios indígenas. E é dela que a gente vai conversar aqui um pouco hoje. E a importância, né, de deixar de lado essa literatura indianista e focar só na literatura indígena. Então, é porque a gente, né, eh, historicamente, eu acho que nunca se ouviu muito essas vozes, né, dos diferentes povos indígenas. No Brasil a gente tem mais de 300 povos, eh, e pouco se conhece, né, eh, sobre eles. Então eu acho que muitas vezes essa literatura ela traz visões assim equivocadas, preconceituosas, né, sobre quem são os indígenas e além, né, do que eu já falei estereotipada, né, eh uma visão genérica baseado muito, né, naquela visão que os colonizadores, os portugueses tiveram assim que chegaram, que a gente sabe que eh carrega muito, né, uma ideia de que eram povos atrasados, selvagens. eh, preguiçosos, né, que é algo muito comum, infelizmente, que tá ainda no imaginário, né, eh, das pessoas no Brasil. Então, acho que a literatura eh indígena, ela vem trazendo assim essa voz, né, essas vozes, falando por si mesmo e contando as próprias histórias, né? Então, com com essas literaturas, né, como a gente tem aqui, né, que vamos falar daqui a pouco, a gente consegue conhecer um pouco mais, né, das diferentes realidades, porque tem povos indígenas espalhados por todo o Brasil, em todos os estados brasileiros têm presença indígena. Eh, a gente consegue, a gente conhece um pouco mais dessas histórias a partir dos sentidos que elas têm, né, pros próprios povos. Eh, e também eh a gente conhece outras versões, né, da história que, infelizmente a gente acaba, né, eh valorizando uma versão única muitas vezes, eh, quando, na verdade, né, eh é é multidimensional, né, tem muitas histórias para serem contadas e muita força aí, né, muita resistência que cada livro traz. E a esse movimento da literatura indígena cresceu bastante a partir da década de 1990, né? Sim, ele na verdade, né, ele ele teve ali como seu primeiro, né, expoente o Daniel, né, Mundurucu, eh, entre outros autores, Eliane Potiguária, na verdade, né, que até tô com um livro de poesia dela aqui também, eh, metade cara, metade máscara do Daniel Mundurucu. Temos aqui esse livro, o Caraíba, eh tem outros eh contos indígenas brasileiros e são autores, né, eh, tanto a Eliane quanto o Daniel Mundurucu, ele tem muitas obras publicadas, né, o Daniel, inclusive tem uma editora hoje, né, a Livraria Maracá. E foi um movimento que começou, né, eh, com essas pessoas e foi crescendo cada vez mais. A gente tem também eh depois da Constituição de 88, né, que foi garantido os direitos eh aos povos indígenas de eh existir a partir da sua própria cultura, manter a sua própria língua, né, ter direito aos seus territórios, a uma educação diferenciada. Nesse momento também surgiu eh surgiram diversos movimentos de escrita eh das da das histórias para ser trabalhado nas escolas indígenas, né, que estavam em construção. Então aqui eu tenho alguns exemplos, né, desses materiais que são normalmente bilíngues, né, eh, na língua, né, materna, ancestral e em português. Então tem ali na história Stapaiu, Sakurabiá, eh tem Capor, tem, né, eh Runikuim, eh aqui também tem as histórias Baniaua, né? Eh, então são frutos desse movimento também de fortalecimento das escolas indígenas e construção de materiais próprios, eh, para que eles pudessem, né, eh, aprender, eh, a própria cultura e fortalecer nesse espaço, né, eh, escolar, que a gente sabe que historicamente também não foi eh tão amistoso, né, na verdade não foi nada, porque foi violento, né, de impor o português, essa eh integração, né, a sociedade nacional. Então, eh até hoje, né, é uma luta eh a construção dessa interculturalidade das escolas indígenas. Então, a escrita, né, apesar de essa escrita alfabética ela se fortalecer, né, mais nas últimas décadas, eh, a gente tem o que é chamado também de literaturas orais, né, eh porque entre os povos indígenas é muito forte, né, a a oralidade, a contação de história, né, tanto que a gente percebe bastante isso nos textos. Eh, as escritas elas trazem muito, né, da forma de contar, tanto que muitas vezes são livros para serem lidos em voz alta mesmo, né, que eles convidam a gente, né, a leitor, o leitor dinâmica na história. Exatamente, né? É assim, do jeito como tá escrito, né, é como se a gente fosse convidado, quem tá lendo, a a falar, né, a proferir essas palavras. Eh, então quando a gente fala de literaturas indígenas, a gente tem que considerar também todo, né, essa essa esses conhecimentos, né, eh, milenares que já são transmitidos e contados, né, de geração em geração há muito tempo e hoje ganham uma nova forma, né, de eh de disseminação, que é pela escrita alfabética e pelos livros, né? E o Patrícia, você falou um pouco, né, a gente tem a Eliane, a gente tem a Daniel. Quais são os outros autores famosos, assim, os principais autores da literatura indígena? Bom, hoje em dia a gente tem, né, bastante autores, né? Aqui eu trouxe alguns exemplos, né, de livros, eh, que muitos são do meu próprio acervo, né? Então, a gente tem o, por exemplo, Olívio Gcupé, eh, ele com os filhos que, né, vem produzindo bastante coisa também. Ele fala, por exemplo, conta a história do Sassi Pererê, eh, na versão guarani, como que os guaranis já tinham uma história desse menino que também, né, com cachimbo, que era guardião da mata e eles chamavam deati de aterê, né? Então, ele tem eh esse livro é dele também que ele conta a história de uma criança que chega eh numa aldeia eh no litoral de São Paulo para conhecer uma criança não indígena. Então, ela começa a aprender muito sobre a vida na aldeia, o modo de viver guarani, eh o que eles comem, esse outro ritmo, né, eh, de vida, eh, a caça, né, o andar pela mata. Eh, tem o Yaguareiamã, que tem aqui alguns livros dele também. Esse aqui é dele e esse também, né? Eh, que ele também traz bastante eh histórias, né, que dialogam com esses contos populares. Ele é eh da região amazônica, né? Eh, então ele traz bastante histórias que são contadas pelas pessoas, né, dessa presença indígena que tá em nós, mas muitas vezes não de um jeito respeitoso, né, porque a gente sabe que tem muita influência inclusive dessa visão cristã, eh, de demonizar, né, alguns, eh, alguns encantados, né, que são muito fortes ali, eh, para pro, né, pros povos indígenas. Então, eh, ele traz bastante essa discussão, essa crítica à folcllorização, né, das histórias indígenas e, eh, escreve, né, eh, juntando um pouco essas histórias, né, eh tradicionais, populares e invenção também, né, criação literária. Eh, temos aqui o Cacau Erá, né, que é uma referência também, eh, muito forte eh na literatura. Ele fala bastante da presença Tupi Guarani na cultura brasileira também. eh tem histórias que contam, né, eh, sobre espiritualidade, né, essa essa força também da presença das culturas indígenas. Eh, eu separei até alguns livros eh também que falam sobre literatura, né? Tem o da Graça Graúna, que é uma grande pesquisadora, né? Eh, sobre literaturas indígenas, eh, atrodu eh tem também, eh, a literatura produzida por, eh, eh, intelectuais indígenas, eh, hoje em dia também, né? Eh, tem esse livro que é Olhares Indígenas Contemporâneos, eh, que faz uma coletânia de artigos sobre pesquisadores e pesquisadoras indígenas. E tem o Aton Crenac, né, eh, que inclusive tá no esse a vida não é útil, tá no vestibular desse ano, né, da Unicamp. tem diversas coletâneas hoje em dia, como essa nós, eh, que tem essa e tem a originárias, que é só de mulheres indígenas, eh, que são contos, né, eh, normalmente que trazem um pouco essa sabedoria ancestral. Daí temos, né, eh, a Dierá, Guarani, eh, a Márcia Cambeba, né, eh, temos o Edson, Edson Crenque, que eu até trouxe aqui, é o Aribo Queso, o David Copenaua, né, com esse grande livro, A Queda do Céu. É, eu trouxe aqui também essa coletânea que foi uma das primeiras, é, publicadas de autoria indígena, né? Foi feita, acho que as primeiras foram ainda nos anos 80 e tem, hoje em dia tem uma coleção de mais de 20 livros, eh, são todos narradores, né, do Alto Rio Negro, né, a região ali do do Amazonas, uma grande terra indígena. E são livros que normalmente foram escritos por eh filhos, né, eh a partir da história do dos pais, né? E e a gente tem autores espalhados por todo o Brasil. Tem tem autores espalhados por todo o Brasil hoje. E a gente consegue ver que tem livro para todo tipo de público, né? Desde o infantil para estudantes, né? Para prestar vestibular, como você falou, que essa aqui, né? Vida não é útil. Também para o público adulto, né, Patrícia? Exatamente. Eh, a gente tem livro para todos os públicos e mesmo quando, né, às vezes o formato, né, eh, que tem mais, eh, desenhos, ilustrações, né, o formato maior, eh, mesmo quando aparentemente é um livro, né, eh destinado eh não é. Muitas vezes as histórias são muito profundas, né, eh, que tanto eh, a criança vai entender de um jeito, né, mas o adulto entende de outro. Então elas pegam bastante assim também, né, eh, nos adultos. a gente tem, né, livros que são mais direcionados ao público adulto mesmo, como esses de contos, né, esses eh como eu falei, né, que eh aprofundam mais, né, ali no no conhecimento, né, na cultura indígena, né, isso. Mas eh mesmo esses que aparentemente são, né, igual, por exemplo, esse a origem dos alimentos, né, Balatiponé, eh a gente tem ali, né, um uma história, né, o as ilustrações, mas quando a gente vai, né, quando a gente se aprofunda, né, o público adulto, ele consegue se aproximar assim de outras dimensões, né, da própria existência, da relação com os alimentos. eh, faz a gente refletir, mas o como que a gente tá se alimentando, da onde vem nosso alimento. Então, acho que as literaturas indígenas têm muito essa potência, né, de eh nos fazer repensar assim também, né, como a gente tá vivendo. Eh, eh, visualizando, né, vislumbrando que há possibilidades assim de mudanças e outros mundos possíveis, né? E o Patrícia, e a importância, né, da da Unicamp discutir e ter espaços, né, para para esse assunto, paraa literatura indígena? Então, eh, eu acho que é fundamental, né, no nos espaços educacionais, né, não só nas universidades, mas na educação básica, né, nas escolas básicas também, eh trazer mais as literaturas indígenas pros currículos, né? Aqui na Unicamp tem a presença forte de estudantes indígenas, né, desde 2019, né, que eh entram, né, na Unicamp, trazem consigo também muito desses conhecimentos, né, dessas histórias, estão produzindo, inclusive, né, literatura aqui hoje. Eh, a gente tá num num movimento de cada vez mais abrir esses espaços, né, na universidade para que essas referências sejam trazidas. Eh, e nas escolas, eu acho que eh a lei 11.645, né, de 2008, ela foi fundamental, né, para incentivar mais essas produções literárias, eh, e também fazer elas circularem mais nas escolas, né? Então, antigamente, tão nichado assim, né? É, exatamente, porque eh há um tempo atrás a gente encontrava muito pouca coisa, né? Quando encontrava era mais essa literatura indianista, né, que você falou. tem a chamada também indigenista, né, que são literaturas que não são indígenas que escrevem, mas são pessoas de certa forma um pouco mais próximas, né, pesquisadores e a literatura indígena. Antigamente era muito difícil, né, encontrar essas literaturas indígenas eh nas bibliotecas públicas escolares e hoje a gente já tem, né, um número crescente, a gente tem essas eh obras circulando, né, cada vez mais. Eh, mas eh ainda assim não tem tanta circulação, né, principalmente por por conta que assim é é uma construção, né, uma abertura de espaços, né? Então a gente vê muitas dessas literaturas sendo publicadas por editoras pequenas, né? Tanto que muitas vezes tem autores que criam suas próprias editoras ou por exemplo esse livro, né, que foi escrito coletivamente, é até interessante que a autoria é guaranimbiá, né, eh, geral do povo, né, isso eh expressa bastante, né, como eh também ela ela traz todo uma voz, né, eh, e acho que é uma característica das literaturas indígenas também essa eh como uma ação política, né, algo que que questiona, que reivindica dica. E esse foi escrito coletivamente lá na Terra Indígena do Jaraguá, que fica na cidade de São Paulo, essa tecoá, né, aldeia. E e ela foi eh financiado por um projeto, né, eh de apoio eh cultural. Então a gente, isso é muito comum nas publicações indígenas, né? Você encontrar editais de fomento e não necessariamente eh ser vinculado por por grandes editoras, por exemplo, né? O que acaba às vezes restringindo, né, um pouco a circulação, mas é algo que que tá mudando também, né, cada vez mais. E o Patrícia, você falou de espaço, né? E aqui na Unicamp o Jardim dos Saberes Ancestrais, né? Sim. eh é um espaço aqui, né, na frente da biblioteca e ele foi eh um espaço coletivo, né, criado coletivamente eh por um projeto, né, que juntou professoras eh e estudantes da Unicamp, eh não só indígenas, né, mas também eh estudantes negros, né, eh que trouxeram um pouco, eh, essa ancestralidade, né, para esse espaço do do essa questão dos povos originários. É, então, porque é um jardim eh que tem troncos e cada tronco foi pintado, né, ou por uma pessoa ou por um coletivo, né? Então, eh, [roncando] na parte do dos indígenas, a gente teve, por exemplo, um tronco cuicuro, né, eh, banila, baré, do pessoal, eh, tucano, eh, ticuna, guarani, né, tanto biá quanto caioá. Eh, então cada, né, estudante eh, pintou ali a partir de desenhos, né, grafismos que são, né, de origem do seu povo. Eh, e como eu falei, não teve só indígenas, teve também, né, o coletivo negro, teve pessoas que falaram, né, de povos, por exemplo, do Japão, indianos, eh, ciganos, né, que eh quilombolas. Então, a ideia foi eh celebrar e marcar um pouco, demarcar, né, na verdade, eh na universidade é um espaço onde esses outros conhecimentos, né, eh possam circular e possam também eh ter seu espaço. Patrício, pra gente finalizar aqui, tem mais alguma coisa que você queira falar, né, mais sobre essa questão da literatura indígena, né? Como você falou, o Brasil, eu tenho anotado que são 305 etnias, mais de 270 línguas, né, indígenas. né? Uma gama de cultura indígena. Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar sobre essa questão da literatura? Então, é isso. Eu acho que eh a literatura, as literaturas, né, indígenas, eh elas nos dão essa possibilidade, né, da gente conhecer um pouco mais eh dessas diferenças, né, dessas diversidades eh de povos, eh culturas, conhecimentos, línguas, né, eh cosmologias. territórios. Eu acho que essas literaturas são fundamentais pra gente reconhecer eh e conhecer, né, eh um pouco mais também, né, eh porque são palavras, por exemplo, eh, do tupi Guarani que estão presentes no português que a gente fala, eh, no, nos hábitos que a gente tem, naquele chá que a gente toma para se curar. Então, eh, eu acho que isso, eh, contribui para trazer um um senso de pertencimento assim, né? é algo que que é muito potente, né? Por ser muito antigo, acho que é muito forte. Eh, então acho que eh elas só tem as as literaturas indígenas só tm a contribuir muito, né? Eh, quando a gente se aproxima delas, eh conhece mais elas e traz elas para pra educação, pra formação da das pessoas. Patrícia, muito obrigado, né, por essa aula, né, sobre [risadas] a literatura indígena, né, sobre todo esse conhecimento dos povos originários brasileiros, né, dessa vasta e gama cultura indígena que a gente possui aqui no país, viu? Muito obrigado. Eu que agradeço. E foi só um pouquinho, viu? Um pouquinho que eu pude aprender nas minhas andanças por aí também, mas tem muito mais. Eh, recomendo para procurar e pesquisarem cada vez mais. É isso. Obrigado, viu, Patrícia? Mais uma vez. E pessoal, ó, não se esqueça de curtir a gente nas redes sociais, no Instagram e no Facebook TV Câmara Campinas e também de nos seguir no YouTube, onde tem toda a nossa programação, todos os nossos quadros e programas. Um abraço, até o próximo de olho na educação. No. [música] Tá no ar mais um de olho na educação. E hoje nós vamos falar sobre literatura, mas sim a literatura indígena, a importância desse tipo de literatura, as principais obras e os principais autores. Por isso eu estou aqui com a Patrícia Regina Vanete Veiga, professora do Programa Intercultural para Ingressantes do Vestibular Indígena da Unicamp e também professora do Instituto de Estudos da Linguagem aqui da Unicamp, especialista em literatura indígena, que vai contar um pouco mais sobre esse tipo de literatura. Patrícia, tradicionalmente, né, a literatura brasileira, né, a figura do indígena sempre foi contada a partir da visão do colonizador, né, pelos intelectuais brancos, que é a famosa literatura indianista, né? É isso mesmo. Eh, a gente tem aí, né, principalmente por conta, né, de est vinculada à tradição escrita, né, que é um meio de comunicação, né, das sociedades eh ocidentais. a gente tem, né, muita literatura que foi produzida, né, eh, contando histórias, falando sobre, eh, povos indígenas, mas de uma forma muito estereotipada, né, que é o que a gente conhece um pouco como essa figura do índio, né, que é generalizada. Eh, a gente não conhece de qual povo que é, muitas vezes e é folclorizada, eh, muitas vezes não respeita, né, aquele sagrado, a espiritualidade, é, a, a, a força, né, da dessas cosmologias. Então, eh, é, foi muito comum isso na história do Brasil. Eh, mais recentemente, né, de uns tempos para cá, a gente tem forte, né, vindo uma literatura de autoria indígena, produzida, né, pelos próprios indígenas. E é dela que a gente vai conversar aqui um pouco hoje. E a importância, né, de deixar de lado essa literatura indianista e focar só na literatura indígena. Então, é porque a gente, né, eh, historicamente, eu acho que nunca se ouviu muito essas vozes, né, dos diferentes povos indígenas. No Brasil a gente tem mais de 300 povos, eh, e pouco se conhece, né, eh, sobre eles. Então eu acho que muitas vezes essa literatura ela traz visões assim equivocadas, preconceituosas, né, sobre quem são os indígenas e além, né, do que eu já falei estereotipada, né, eh uma visão genérica baseado muito, né, naquela visão que os colonizadores, os portugueses tiveram assim que chegaram, que a gente sabe que eh carrega muito, né, uma ideia de que eram povos atrasados, selvagens. eh, preguiçosos, né, que é algo muito comum, infelizmente, que tá ainda no imaginário, né, eh, das pessoas no Brasil. Então, acho que a literatura eh indígena, ela vem trazendo assim essa voz, né, essas vozes, falando por si mesmo e contando as próprias histórias, né? Então, com com essas literaturas, né, como a gente tem aqui, né, que vamos falar daqui a pouco, a gente consegue conhecer um pouco mais, né, das diferentes realidades, porque tem povos indígenas espalhados por todo o Brasil, em todos os estados brasileiros têm presença indígena. Eh, a gente consegue, a gente conhece um pouco mais dessas histórias a partir dos sentidos que elas têm, né, pros próprios povos. Eh, e também eh a gente conhece outras versões, né, da história que, infelizmente a gente acaba, né, eh valorizando uma versão única muitas vezes, eh, quando, na verdade, né, eh é é multidimensional, né, tem muitas histórias para serem contadas e muita força aí, né, muita resistência que cada livro traz. E a esse movimento da literatura indígena cresceu bastante a partir da década de 1990, né? Sim, ele na verdade, né, ele ele teve ali como seu primeiro, né, expoente o Daniel, né, Mundurucu, eh, entre outros autores, Eliane Potiguária, na verdade, né, que até tô com um livro de poesia dela aqui também, eh, metade cara, metade máscara do Daniel Mundurucu. Temos aqui esse livro, o Caraíba, eh tem outros eh contos indígenas brasileiros e são autores, né, eh, tanto a Eliane quanto o Daniel Mundurucu, ele tem muitas obras publicadas, né, o Daniel, inclusive tem uma editora hoje, né, a Livraria Maracá. E foi um movimento que começou, né, eh, com essas pessoas e foi crescendo cada vez mais. A gente tem também eh depois da Constituição de 88, né, que foi garantido os direitos eh aos povos indígenas de eh existir a partir da sua própria cultura, manter a sua própria língua, né, ter direito aos seus territórios, a uma educação diferenciada. Nesse momento também surgiu eh surgiram diversos movimentos de escrita eh das da das histórias para ser trabalhado nas escolas indígenas, né, que estavam em construção. Então aqui eu tenho alguns exemplos, né, desses materiais que são normalmente bilíngues, né, eh, na língua, né, materna, ancestral e em português. Então tem ali na história Stapaiu, Sakurabiá, eh tem Capor, tem, né, eh Runikuim, eh aqui também tem as histórias Baniaua, né? Eh, então são frutos desse movimento também de fortalecimento das escolas indígenas e construção de materiais próprios, eh, para que eles pudessem, né, eh, aprender, eh, a própria cultura e fortalecer nesse espaço, né, eh, escolar, que a gente sabe que historicamente também não foi eh tão amistoso, né, na verdade não foi nada, porque foi violento, né, de impor o português, essa eh integração, né, a sociedade nacional. Então, eh até hoje, né, é uma luta eh a construção dessa interculturalidade das escolas indígenas. Então, a escrita, né, apesar de essa escrita alfabética ela se fortalecer, né, mais nas últimas décadas, eh, a gente tem o que é chamado também de literaturas orais, né, eh porque entre os povos indígenas é muito forte, né, a a oralidade, a contação de história, né, tanto que a gente percebe bastante isso nos textos. Eh, as escritas elas trazem muito, né, da forma de contar, tanto que muitas vezes são livros para serem lidos em voz alta mesmo, né, que eles convidam a gente, né, a leitor, o leitor dinâmica na história. Exatamente, né? É assim, do jeito como tá escrito, né, é como se a gente fosse convidado, quem tá lendo, a a falar, né, a proferir essas palavras. Eh, então quando a gente fala de literaturas indígenas, a gente tem que considerar também todo, né, essa essa esses conhecimentos, né, eh, milenares que já são transmitidos e contados, né, de geração em geração há muito tempo e hoje ganham uma nova forma, né, de eh de disseminação, que é pela escrita alfabética e pelos livros, né? E o Patrícia, você falou um pouco, né, a gente tem a Eliane, a gente tem a Daniel. Quais são os outros autores famosos, assim, os principais autores da literatura indígena? Bom, hoje em dia a gente tem, né, bastante autores, né? Aqui eu trouxe alguns exemplos, né, de livros, eh, que muitos são do meu próprio acervo, né? Então, a gente tem o, por exemplo, Olívio Gcupé, eh, ele com os filhos que, né, vem produzindo bastante coisa também. Ele fala, por exemplo, conta a história do Sassi Pererê, eh, na versão guarani, como que os guaranis já tinham uma história desse menino que também, né, com cachimbo, que era guardião da mata e eles chamavam deati de aterê, né? Então, ele tem eh esse livro é dele também que ele conta a história de uma criança que chega eh numa aldeia eh no litoral de São Paulo para conhecer uma criança não indígena. Então, ela começa a aprender muito sobre a vida na aldeia, o modo de viver guarani, eh o que eles comem, esse outro ritmo, né, eh, de vida, eh, a caça, né, o andar pela mata. Eh, tem o Yaguareiamã, que tem aqui alguns livros dele também. Esse aqui é dele e esse também, né? Eh, que ele também traz bastante eh histórias, né, que dialogam com esses contos populares. Ele é eh da região amazônica, né? Eh, então ele traz bastante histórias que são contadas pelas pessoas, né, dessa presença indígena que tá em nós, mas muitas vezes não de um jeito respeitoso, né, porque a gente sabe que tem muita influência inclusive dessa visão cristã, eh, de demonizar, né, alguns, eh, alguns encantados, né, que são muito fortes ali, eh, para pro, né, pros povos indígenas. Então, eh, ele traz bastante essa discussão, essa crítica à folcllorização, né, das histórias indígenas e, eh, escreve, né, eh, juntando um pouco essas histórias, né, eh tradicionais, populares e invenção também, né, criação literária. Eh, temos aqui o Cacau Erá, né, que é uma referência também, eh, muito forte eh na literatura. Ele fala bastante da presença Tupi Guarani na cultura brasileira também. eh tem histórias que contam, né, eh, sobre espiritualidade, né, essa essa força também da presença das culturas indígenas. Eh, eu separei até alguns livros eh também que falam sobre literatura, né? Tem o da Graça Graúna, que é uma grande pesquisadora, né? Eh, sobre literaturas indígenas, eh, atrodu eh tem também, eh, a literatura produzida por, eh, eh, intelectuais indígenas, eh, hoje em dia também, né? Eh, tem esse livro que é Olhares Indígenas Contemporâneos, eh, que faz uma coletânia de artigos sobre pesquisadores e pesquisadoras indígenas. E tem o Aton Crenac, né, eh, que inclusive tá no esse a vida não é útil, tá no vestibular desse ano, né, da Unicamp. tem diversas coletâneas hoje em dia, como essa nós, eh, que tem essa e tem a originárias, que é só de mulheres indígenas, eh, que são contos, né, eh, normalmente que trazem um pouco essa sabedoria ancestral. Daí temos, né, eh, a Dierá, Guarani, eh, a Márcia Cambeba, né, eh, temos o Edson, Edson Crenque, que eu até trouxe aqui, é o Aribo Queso, o David Copenaua, né, com esse grande livro, A Queda do Céu. É, eu trouxe aqui também essa coletânea que foi uma das primeiras, é, publicadas de autoria indígena, né? Foi feita, acho que as primeiras foram ainda nos anos 80 e tem, hoje em dia tem uma coleção de mais de 20 livros, eh, são todos narradores, né, do Alto Rio Negro, né, a região ali do do Amazonas, uma grande terra indígena. E são livros que normalmente foram escritos por eh filhos, né, eh a partir da história do dos pais, né? E e a gente tem autores espalhados por todo o Brasil. Tem tem autores espalhados por todo o Brasil hoje. E a gente consegue ver que tem livro para todo tipo de público, né? Desde o infantil para estudantes, né? Para prestar vestibular, como você falou, que essa aqui, né? Vida não é útil. Também para o público adulto, né, Patrícia? Exatamente. Eh, a gente tem livro para todos os públicos e mesmo quando, né, às vezes o formato, né, eh, que tem mais, eh, desenhos, ilustrações, né, o formato maior, eh, mesmo quando aparentemente é um livro, né, eh destinado eh não é. Muitas vezes as histórias são muito profundas, né, eh, que tanto eh, a criança vai entender de um jeito, né, mas o adulto entende de outro. Então elas pegam bastante assim também, né, eh, nos adultos. a gente tem, né, livros que são mais direcionados ao público adulto mesmo, como esses de contos, né, esses eh como eu falei, né, que eh aprofundam mais, né, ali no no conhecimento, né, na cultura indígena, né, isso. Mas eh mesmo esses que aparentemente são, né, igual, por exemplo, esse a origem dos alimentos, né, Balatiponé, eh a gente tem ali, né, um uma história, né, o as ilustrações, mas quando a gente vai, né, quando a gente se aprofunda, né, o público adulto, ele consegue se aproximar assim de outras dimensões, né, da própria existência, da relação com os alimentos. eh, faz a gente refletir, mas o como que a gente tá se alimentando, da onde vem nosso alimento. Então, acho que as literaturas indígenas têm muito essa potência, né, de eh nos fazer repensar assim também, né, como a gente tá vivendo. Eh, eh, visualizando, né, vislumbrando que há possibilidades assim de mudanças e outros mundos possíveis, né? E o Patrícia, e a importância, né, da da Unicamp discutir e ter espaços, né, para para esse assunto, paraa literatura indígena? Então, eh, eu acho que é fundamental, né, no nos espaços educacionais, né, não só nas universidades, mas na educação básica, né, nas escolas básicas também, eh trazer mais as literaturas indígenas pros currículos, né? Aqui na Unicamp tem a presença forte de estudantes indígenas, né, desde 2019, né, que eh entram, né, na Unicamp, trazem consigo também muito desses conhecimentos, né, dessas histórias, estão produzindo, inclusive, né, literatura aqui hoje. Eh, a gente tá num num movimento de cada vez mais abrir esses espaços, né, na universidade para que essas referências sejam trazidas. Eh, e nas escolas, eu acho que eh a lei 11.645, né, de 2008, ela foi fundamental, né, para incentivar mais essas produções literárias, eh, e também fazer elas circularem mais nas escolas, né? Então, antigamente, tão nichado assim, né? É, exatamente, porque eh há um tempo atrás a gente encontrava muito pouca coisa, né? Quando encontrava era mais essa literatura indianista, né, que você falou. tem a chamada também indigenista, né, que são literaturas que não são indígenas que escrevem, mas são pessoas de certa forma um pouco mais próximas, né, pesquisadores e a literatura indígena. Antigamente era muito difícil, né, encontrar essas literaturas indígenas eh nas bibliotecas públicas escolares e hoje a gente já tem, né, um número crescente, a gente tem essas eh obras circulando, né, cada vez mais. Eh, mas eh ainda assim não tem tanta circulação, né, principalmente por por conta que assim é é uma construção, né, uma abertura de espaços, né? Então a gente vê muitas dessas literaturas sendo publicadas por editoras pequenas, né? Tanto que muitas vezes tem autores que criam suas próprias editoras ou por exemplo esse livro, né, que foi escrito coletivamente, é até interessante que a autoria é guaranimbiá, né, eh, geral do povo, né, isso eh expressa bastante, né, como eh também ela ela traz todo uma voz, né, eh, e acho que é uma característica das literaturas indígenas também essa eh como uma ação política, né, algo que que questiona, que reivindica dica. E esse foi escrito coletivamente lá na Terra Indígena do Jaraguá, que fica na cidade de São Paulo, essa tecoá, né, aldeia. E e ela foi eh financiado por um projeto, né, eh de apoio eh cultural. Então a gente, isso é muito comum nas publicações indígenas, né? Você encontrar editais de fomento e não necessariamente eh ser vinculado por por grandes editoras, por exemplo, né? O que acaba às vezes restringindo, né, um pouco a circulação, mas é algo que que tá mudando também, né, cada vez mais. E o Patrícia, você falou de espaço, né? E aqui na Unicamp o Jardim dos Saberes Ancestrais, né? Sim. eh é um espaço aqui, né, na frente da biblioteca e ele foi eh um espaço coletivo, né, criado coletivamente eh por um projeto, né, que juntou professoras eh e estudantes da Unicamp, eh não só indígenas, né, mas também eh estudantes negros, né, eh que trouxeram um pouco, eh, essa ancestralidade, né, para esse espaço do do essa questão dos povos originários. É, então, porque é um jardim eh que tem troncos e cada tronco foi pintado, né, ou por uma pessoa ou por um coletivo, né? Então, eh, [roncando] na parte do dos indígenas, a gente teve, por exemplo, um tronco cuicuro, né, eh, banila, baré, do pessoal, eh, tucano, eh, ticuna, guarani, né, tanto biá quanto caioá. Eh, então cada, né, estudante eh, pintou ali a partir de desenhos, né, grafismos que são, né, de origem do seu povo. Eh, e como eu falei, não teve só indígenas, teve também, né, o coletivo negro, teve pessoas que falaram, né, de povos, por exemplo, do Japão, indianos, eh, ciganos, né, que eh quilombolas. Então, a ideia foi eh celebrar e marcar um pouco, demarcar, né, na verdade, eh na universidade é um espaço onde esses outros conhecimentos, né, eh possam circular e possam também eh ter seu espaço. Patrício, pra gente finalizar aqui, tem mais alguma coisa que você queira falar, né, mais sobre essa questão da literatura indígena, né? Como você falou, o Brasil, eu tenho anotado que são 305 etnias, mais de 270 línguas, né, indígenas. né? Uma gama de cultura indígena. Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar sobre essa questão da literatura? Então, é isso. Eu acho que eh a literatura, as literaturas, né, indígenas, eh elas nos dão essa possibilidade, né, da gente conhecer um pouco mais eh dessas diferenças, né, dessas diversidades eh de povos, eh culturas, conhecimentos, línguas, né, eh cosmologias. territórios. Eu acho que essas literaturas são fundamentais pra gente reconhecer eh e conhecer, né, eh um pouco mais também, né, eh porque são palavras, por exemplo, eh, do tupi Guarani que estão presentes no português que a gente fala, eh, no, nos hábitos que a gente tem, naquele chá que a gente toma para se curar. Então, eh, eu acho que isso, eh, contribui para trazer um um senso de pertencimento assim, né? é algo que que é muito potente, né? Por ser muito antigo, acho que é muito forte. Eh, então acho que eh elas só tem as as literaturas indígenas só tm a contribuir muito, né? Eh, quando a gente se aproxima delas, eh conhece mais elas e traz elas para pra educação, pra formação da das pessoas. Patrícia, muito obrigado, né, por essa aula, né, sobre [risadas] a literatura indígena, né, sobre todo esse conhecimento dos povos originários brasileiros, né, dessa vasta e gama cultura indígena que a gente possui aqui no país, viu? Muito obrigado. Eu que agradeço. E foi só um pouquinho, viu? Um pouquinho que eu pude aprender nas minhas andanças por aí também, mas tem muito mais. Eh, recomendo para procurar e pesquisarem cada vez mais. É isso. Obrigado, viu, Patrícia? Mais uma vez. E pessoal, ó, não se esqueça de curtir a gente nas redes sociais, no Instagram e no Facebook TV Câmara Campinas e também de nos seguir no YouTube, onde tem toda a nossa programação, todos os nossos quadros e programas. Um abraço, até o próximo de olho na educação. No.