TV Câmara Campinas
TV Câmara
Campinas
De Olho na Educação | Literatura indígena em foco: ruptura, ancestralidade e resistência
Em destaque · HD Vídeo · DE OLHO NA EDUCAÇÃO

De Olho na Educação | Literatura indígena em foco: ruptura, ancestralidade e resistência

69 views Publicado 22/10/2025 HD · 21:06

Descrição do vídeo

No De Olho na Educação de hoje, recebemos Dra. Patricia Regina Vannetti Veiga, professora do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL/Unicamp), para um mergulho potente na literatura indígena brasileira — suas rupturas com o olhar colonizador, sua força política e pedagógica e seus caminhos de ancestralidade, resistência e protagonismo. Partindo do contraste entre o indianismo (produzido majoritariamente por autores não indígenas) e as obras de autoria indígena, o programa mostra como as narrativas originárias deslocam estereótipos históricos, recuperam memórias e reconstroem identidades, territórios e cosmologias. Durante décadas, a literatura tradicional brasileira retratou “o índio” como personagem único e generalizado, ora dócil e idealizado, ora “bárbaro” e exotizado — sempre filtrado pelo olhar de fora. A partir dos anos 1990, uma geração de autores indígenas trouxe para o centro do debate suas próprias vozes, línguas, cosmologias e experiências, inaugurando um dos movimentos político-culturais mais relevantes da esfera pública recente no país. Essa virada não é apenas estética: é também ética e educativa, pois implica rever currículos, métodos e práticas de leitura, aproximando estudantes da diversidade real dos povos originários. Obras indígenas (Daniel Munduruku, Olívio Jekupé, Márcia Kambeba, Eliane Potiguara, Edson Kayapó, entre outros) afirmam territorialidade, memória, língua, cosmologia e direitos, ressignificando o espaço escolar e social. Textos como A Terra dos Mil Povos, Kurumi Guaré no Coração da Amazônia, As Serpentes que Roubaram a Noite, Poesia Indígena Hoje e coletâneas bilíngues evidenciam o poder da oralidade, a circulação de saberes e a potência dos letramentos interculturais. A conversa também ilumina a Lei 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da história e cultura indígena e afro-brasileira no Fundamental e no Médio. A partir dessa base legal, a Dra. Patricia apresenta estratégias pedagógicas aplicadas a diferentes faixas etárias (mediação de leitura, contação de histórias, rodas de conversa, experimentações com grafismos, glossários e produção de livros bilíngues), aproximando estudantes não indígenas de mundos, linguagens e epistemologias que a escola tradicional muitas vezes não alcança. O que você vai ver neste episódio Diferença entre indianismo e literatura indígena contemporânea. Como as obras indígenas rompem estereótipos e fortalecem identidades. Territorialidade como eixo de direitos, memória e espiritualidade. Oralidade, poemas, cantos e narrativas como fios de transmissão entre gerações. Práticas de sala de aula: leitura crítica, interdisciplinaridade e letramentos acadêmicos. Autores e obras para começar (ou aprofundar) sua jornada de leitura. Por que isso importa? Valorizar a literatura indígena é um ato de justiça histórica e de qualificação da educação. Significa reconhecer autorias e línguas, resgatar memórias silenciadas, ampliar repertórios estéticos e políticos e reconectar escola e sociedade a uma parte essencial da nossa humanidade e da nossa identidade coletiva. Em um país com 305 etnias e 274 línguas indígenas (IBGE, 2010), não há educação plural sem vozes plurais. Para começar sua leitura (pistas do programa) Clássicos em debate: O Guarani, Iracema, Ubirajara, Maíra, Manifesto Antropófago. Autoria indígena: Daniel Munduruku, Olívio Jekupé, Eliane Potiguara, Márcia Kambeba, Edson Kayapó, Graça Graúna. Obras-ponte: narrativas bilíngues, mitos como A Terra sem Males, relatos de aldeias (Ikpeng), e livros que ativam oralidade, grafismos e cosmologias. 👉 Assista ao episódio completo, participe nos comentários com suas indicações de leitura e conte como sua escola/curso tem trabalhado a Lei 11.645/08. Seu engajamento ajuda a ampliar este debate! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

35 mil caracteres · transcrição automática

Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.

[música] Tá no ar mais um de olho na educação. E hoje nós vamos falar sobre literatura, mas sim a literatura indígena, a importância desse tipo de literatura, as principais obras e os principais autores. Por isso eu estou aqui com a Patrícia Regina Vanete Veiga, professora do Programa Intercultural para Ingressantes do Vestibular Indígena da Unicamp e também professora do Instituto de Estudos da Linguagem aqui da Unicamp, especialista em literatura indígena, que vai contar um pouco mais sobre esse tipo de literatura. Patrícia, tradicionalmente, né, a literatura brasileira, né, a figura do indígena sempre foi contada a partir da visão do colonizador, né, pelos intelectuais brancos, que é a famosa literatura indianista, né? É isso mesmo. Eh, a gente tem aí, né, principalmente por conta, né, de est vinculada à tradição escrita, né, que é um meio de comunicação, né, das sociedades eh ocidentais. a gente tem, né, muita literatura que foi produzida, né, eh, contando histórias, falando sobre, eh, povos indígenas, mas de uma forma muito estereotipada, né, que é o que a gente conhece um pouco como essa figura do índio, né, que é generalizada. Eh, a gente não conhece de qual povo que é, muitas vezes e é folclorizada, eh, muitas vezes não respeita, né, aquele sagrado, a espiritualidade, é, a, a, a força, né, da dessas cosmologias. Então, eh, é, foi muito comum isso na história do Brasil. Eh, mais recentemente, né, de uns tempos para cá, a gente tem forte, né, vindo uma literatura de autoria indígena, produzida, né, pelos próprios indígenas. E é dela que a gente vai conversar aqui um pouco hoje. E a importância, né, de deixar de lado essa literatura indianista e focar só na literatura indígena. Então, é porque a gente, né, eh, historicamente, eu acho que nunca se ouviu muito essas vozes, né, dos diferentes povos indígenas. No Brasil a gente tem mais de 300 povos, eh, e pouco se conhece, né, eh, sobre eles. Então eu acho que muitas vezes essa literatura ela traz visões assim equivocadas, preconceituosas, né, sobre quem são os indígenas e além, né, do que eu já falei estereotipada, né, eh uma visão genérica baseado muito, né, naquela visão que os colonizadores, os portugueses tiveram assim que chegaram, que a gente sabe que eh carrega muito, né, uma ideia de que eram povos atrasados, selvagens. eh, preguiçosos, né, que é algo muito comum, infelizmente, que tá ainda no imaginário, né, eh, das pessoas no Brasil. Então, acho que a literatura eh indígena, ela vem trazendo assim essa voz, né, essas vozes, falando por si mesmo e contando as próprias histórias, né? Então, com com essas literaturas, né, como a gente tem aqui, né, que vamos falar daqui a pouco, a gente consegue conhecer um pouco mais, né, das diferentes realidades, porque tem povos indígenas espalhados por todo o Brasil, em todos os estados brasileiros têm presença indígena. Eh, a gente consegue, a gente conhece um pouco mais dessas histórias a partir dos sentidos que elas têm, né, pros próprios povos. Eh, e também eh a gente conhece outras versões, né, da história que, infelizmente a gente acaba, né, eh valorizando uma versão única muitas vezes, eh, quando, na verdade, né, eh é é multidimensional, né, tem muitas histórias para serem contadas e muita força aí, né, muita resistência que cada livro traz. E a esse movimento da literatura indígena cresceu bastante a partir da década de 1990, né? Sim, ele na verdade, né, ele ele teve ali como seu primeiro, né, expoente o Daniel, né, Mundurucu, eh, entre outros autores, Eliane Potiguária, na verdade, né, que até tô com um livro de poesia dela aqui também, eh, metade cara, metade máscara do Daniel Mundurucu. Temos aqui esse livro, o Caraíba, eh tem outros eh contos indígenas brasileiros e são autores, né, eh, tanto a Eliane quanto o Daniel Mundurucu, ele tem muitas obras publicadas, né, o Daniel, inclusive tem uma editora hoje, né, a Livraria Maracá. E foi um movimento que começou, né, eh, com essas pessoas e foi crescendo cada vez mais. A gente tem também eh depois da Constituição de 88, né, que foi garantido os direitos eh aos povos indígenas de eh existir a partir da sua própria cultura, manter a sua própria língua, né, ter direito aos seus territórios, a uma educação diferenciada. Nesse momento também surgiu eh surgiram diversos movimentos de escrita eh das da das histórias para ser trabalhado nas escolas indígenas, né, que estavam em construção. Então aqui eu tenho alguns exemplos, né, desses materiais que são normalmente bilíngues, né, eh, na língua, né, materna, ancestral e em português. Então tem ali na história Stapaiu, Sakurabiá, eh tem Capor, tem, né, eh Runikuim, eh aqui também tem as histórias Baniaua, né? Eh, então são frutos desse movimento também de fortalecimento das escolas indígenas e construção de materiais próprios, eh, para que eles pudessem, né, eh, aprender, eh, a própria cultura e fortalecer nesse espaço, né, eh, escolar, que a gente sabe que historicamente também não foi eh tão amistoso, né, na verdade não foi nada, porque foi violento, né, de impor o português, essa eh integração, né, a sociedade nacional. Então, eh até hoje, né, é uma luta eh a construção dessa interculturalidade das escolas indígenas. Então, a escrita, né, apesar de essa escrita alfabética ela se fortalecer, né, mais nas últimas décadas, eh, a gente tem o que é chamado também de literaturas orais, né, eh porque entre os povos indígenas é muito forte, né, a a oralidade, a contação de história, né, tanto que a gente percebe bastante isso nos textos. Eh, as escritas elas trazem muito, né, da forma de contar, tanto que muitas vezes são livros para serem lidos em voz alta mesmo, né, que eles convidam a gente, né, a leitor, o leitor dinâmica na história. Exatamente, né? É assim, do jeito como tá escrito, né, é como se a gente fosse convidado, quem tá lendo, a a falar, né, a proferir essas palavras. Eh, então quando a gente fala de literaturas indígenas, a gente tem que considerar também todo, né, essa essa esses conhecimentos, né, eh, milenares que já são transmitidos e contados, né, de geração em geração há muito tempo e hoje ganham uma nova forma, né, de eh de disseminação, que é pela escrita alfabética e pelos livros, né? E o Patrícia, você falou um pouco, né, a gente tem a Eliane, a gente tem a Daniel. Quais são os outros autores famosos, assim, os principais autores da literatura indígena? Bom, hoje em dia a gente tem, né, bastante autores, né? Aqui eu trouxe alguns exemplos, né, de livros, eh, que muitos são do meu próprio acervo, né? Então, a gente tem o, por exemplo, Olívio Gcupé, eh, ele com os filhos que, né, vem produzindo bastante coisa também. Ele fala, por exemplo, conta a história do Sassi Pererê, eh, na versão guarani, como que os guaranis já tinham uma história desse menino que também, né, com cachimbo, que era guardião da mata e eles chamavam deati de aterê, né? Então, ele tem eh esse livro é dele também que ele conta a história de uma criança que chega eh numa aldeia eh no litoral de São Paulo para conhecer uma criança não indígena. Então, ela começa a aprender muito sobre a vida na aldeia, o modo de viver guarani, eh o que eles comem, esse outro ritmo, né, eh, de vida, eh, a caça, né, o andar pela mata. Eh, tem o Yaguareiamã, que tem aqui alguns livros dele também. Esse aqui é dele e esse também, né? Eh, que ele também traz bastante eh histórias, né, que dialogam com esses contos populares. Ele é eh da região amazônica, né? Eh, então ele traz bastante histórias que são contadas pelas pessoas, né, dessa presença indígena que tá em nós, mas muitas vezes não de um jeito respeitoso, né, porque a gente sabe que tem muita influência inclusive dessa visão cristã, eh, de demonizar, né, alguns, eh, alguns encantados, né, que são muito fortes ali, eh, para pro, né, pros povos indígenas. Então, eh, ele traz bastante essa discussão, essa crítica à folcllorização, né, das histórias indígenas e, eh, escreve, né, eh, juntando um pouco essas histórias, né, eh tradicionais, populares e invenção também, né, criação literária. Eh, temos aqui o Cacau Erá, né, que é uma referência também, eh, muito forte eh na literatura. Ele fala bastante da presença Tupi Guarani na cultura brasileira também. eh tem histórias que contam, né, eh, sobre espiritualidade, né, essa essa força também da presença das culturas indígenas. Eh, eu separei até alguns livros eh também que falam sobre literatura, né? Tem o da Graça Graúna, que é uma grande pesquisadora, né? Eh, sobre literaturas indígenas, eh, atrodu eh tem também, eh, a literatura produzida por, eh, eh, intelectuais indígenas, eh, hoje em dia também, né? Eh, tem esse livro que é Olhares Indígenas Contemporâneos, eh, que faz uma coletânia de artigos sobre pesquisadores e pesquisadoras indígenas. E tem o Aton Crenac, né, eh, que inclusive tá no esse a vida não é útil, tá no vestibular desse ano, né, da Unicamp. tem diversas coletâneas hoje em dia, como essa nós, eh, que tem essa e tem a originárias, que é só de mulheres indígenas, eh, que são contos, né, eh, normalmente que trazem um pouco essa sabedoria ancestral. Daí temos, né, eh, a Dierá, Guarani, eh, a Márcia Cambeba, né, eh, temos o Edson, Edson Crenque, que eu até trouxe aqui, é o Aribo Queso, o David Copenaua, né, com esse grande livro, A Queda do Céu. É, eu trouxe aqui também essa coletânea que foi uma das primeiras, é, publicadas de autoria indígena, né? Foi feita, acho que as primeiras foram ainda nos anos 80 e tem, hoje em dia tem uma coleção de mais de 20 livros, eh, são todos narradores, né, do Alto Rio Negro, né, a região ali do do Amazonas, uma grande terra indígena. E são livros que normalmente foram escritos por eh filhos, né, eh a partir da história do dos pais, né? E e a gente tem autores espalhados por todo o Brasil. Tem tem autores espalhados por todo o Brasil hoje. E a gente consegue ver que tem livro para todo tipo de público, né? Desde o infantil para estudantes, né? Para prestar vestibular, como você falou, que essa aqui, né? Vida não é útil. Também para o público adulto, né, Patrícia? Exatamente. Eh, a gente tem livro para todos os públicos e mesmo quando, né, às vezes o formato, né, eh, que tem mais, eh, desenhos, ilustrações, né, o formato maior, eh, mesmo quando aparentemente é um livro, né, eh destinado eh não é. Muitas vezes as histórias são muito profundas, né, eh, que tanto eh, a criança vai entender de um jeito, né, mas o adulto entende de outro. Então elas pegam bastante assim também, né, eh, nos adultos. a gente tem, né, livros que são mais direcionados ao público adulto mesmo, como esses de contos, né, esses eh como eu falei, né, que eh aprofundam mais, né, ali no no conhecimento, né, na cultura indígena, né, isso. Mas eh mesmo esses que aparentemente são, né, igual, por exemplo, esse a origem dos alimentos, né, Balatiponé, eh a gente tem ali, né, um uma história, né, o as ilustrações, mas quando a gente vai, né, quando a gente se aprofunda, né, o público adulto, ele consegue se aproximar assim de outras dimensões, né, da própria existência, da relação com os alimentos. eh, faz a gente refletir, mas o como que a gente tá se alimentando, da onde vem nosso alimento. Então, acho que as literaturas indígenas têm muito essa potência, né, de eh nos fazer repensar assim também, né, como a gente tá vivendo. Eh, eh, visualizando, né, vislumbrando que há possibilidades assim de mudanças e outros mundos possíveis, né? E o Patrícia, e a importância, né, da da Unicamp discutir e ter espaços, né, para para esse assunto, paraa literatura indígena? Então, eh, eu acho que é fundamental, né, no nos espaços educacionais, né, não só nas universidades, mas na educação básica, né, nas escolas básicas também, eh trazer mais as literaturas indígenas pros currículos, né? Aqui na Unicamp tem a presença forte de estudantes indígenas, né, desde 2019, né, que eh entram, né, na Unicamp, trazem consigo também muito desses conhecimentos, né, dessas histórias, estão produzindo, inclusive, né, literatura aqui hoje. Eh, a gente tá num num movimento de cada vez mais abrir esses espaços, né, na universidade para que essas referências sejam trazidas. Eh, e nas escolas, eu acho que eh a lei 11.645, né, de 2008, ela foi fundamental, né, para incentivar mais essas produções literárias, eh, e também fazer elas circularem mais nas escolas, né? Então, antigamente, tão nichado assim, né? É, exatamente, porque eh há um tempo atrás a gente encontrava muito pouca coisa, né? Quando encontrava era mais essa literatura indianista, né, que você falou. tem a chamada também indigenista, né, que são literaturas que não são indígenas que escrevem, mas são pessoas de certa forma um pouco mais próximas, né, pesquisadores e a literatura indígena. Antigamente era muito difícil, né, encontrar essas literaturas indígenas eh nas bibliotecas públicas escolares e hoje a gente já tem, né, um número crescente, a gente tem essas eh obras circulando, né, cada vez mais. Eh, mas eh ainda assim não tem tanta circulação, né, principalmente por por conta que assim é é uma construção, né, uma abertura de espaços, né? Então a gente vê muitas dessas literaturas sendo publicadas por editoras pequenas, né? Tanto que muitas vezes tem autores que criam suas próprias editoras ou por exemplo esse livro, né, que foi escrito coletivamente, é até interessante que a autoria é guaranimbiá, né, eh, geral do povo, né, isso eh expressa bastante, né, como eh também ela ela traz todo uma voz, né, eh, e acho que é uma característica das literaturas indígenas também essa eh como uma ação política, né, algo que que questiona, que reivindica dica. E esse foi escrito coletivamente lá na Terra Indígena do Jaraguá, que fica na cidade de São Paulo, essa tecoá, né, aldeia. E e ela foi eh financiado por um projeto, né, eh de apoio eh cultural. Então a gente, isso é muito comum nas publicações indígenas, né? Você encontrar editais de fomento e não necessariamente eh ser vinculado por por grandes editoras, por exemplo, né? O que acaba às vezes restringindo, né, um pouco a circulação, mas é algo que que tá mudando também, né, cada vez mais. E o Patrícia, você falou de espaço, né? E aqui na Unicamp o Jardim dos Saberes Ancestrais, né? Sim. eh é um espaço aqui, né, na frente da biblioteca e ele foi eh um espaço coletivo, né, criado coletivamente eh por um projeto, né, que juntou professoras eh e estudantes da Unicamp, eh não só indígenas, né, mas também eh estudantes negros, né, eh que trouxeram um pouco, eh, essa ancestralidade, né, para esse espaço do do essa questão dos povos originários. É, então, porque é um jardim eh que tem troncos e cada tronco foi pintado, né, ou por uma pessoa ou por um coletivo, né? Então, eh, [roncando] na parte do dos indígenas, a gente teve, por exemplo, um tronco cuicuro, né, eh, banila, baré, do pessoal, eh, tucano, eh, ticuna, guarani, né, tanto biá quanto caioá. Eh, então cada, né, estudante eh, pintou ali a partir de desenhos, né, grafismos que são, né, de origem do seu povo. Eh, e como eu falei, não teve só indígenas, teve também, né, o coletivo negro, teve pessoas que falaram, né, de povos, por exemplo, do Japão, indianos, eh, ciganos, né, que eh quilombolas. Então, a ideia foi eh celebrar e marcar um pouco, demarcar, né, na verdade, eh na universidade é um espaço onde esses outros conhecimentos, né, eh possam circular e possam também eh ter seu espaço. Patrício, pra gente finalizar aqui, tem mais alguma coisa que você queira falar, né, mais sobre essa questão da literatura indígena, né? Como você falou, o Brasil, eu tenho anotado que são 305 etnias, mais de 270 línguas, né, indígenas. né? Uma gama de cultura indígena. Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar sobre essa questão da literatura? Então, é isso. Eu acho que eh a literatura, as literaturas, né, indígenas, eh elas nos dão essa possibilidade, né, da gente conhecer um pouco mais eh dessas diferenças, né, dessas diversidades eh de povos, eh culturas, conhecimentos, línguas, né, eh cosmologias. territórios. Eu acho que essas literaturas são fundamentais pra gente reconhecer eh e conhecer, né, eh um pouco mais também, né, eh porque são palavras, por exemplo, eh, do tupi Guarani que estão presentes no português que a gente fala, eh, no, nos hábitos que a gente tem, naquele chá que a gente toma para se curar. Então, eh, eu acho que isso, eh, contribui para trazer um um senso de pertencimento assim, né? é algo que que é muito potente, né? Por ser muito antigo, acho que é muito forte. Eh, então acho que eh elas só tem as as literaturas indígenas só tm a contribuir muito, né? Eh, quando a gente se aproxima delas, eh conhece mais elas e traz elas para pra educação, pra formação da das pessoas. Patrícia, muito obrigado, né, por essa aula, né, sobre [risadas] a literatura indígena, né, sobre todo esse conhecimento dos povos originários brasileiros, né, dessa vasta e gama cultura indígena que a gente possui aqui no país, viu? Muito obrigado. Eu que agradeço. E foi só um pouquinho, viu? Um pouquinho que eu pude aprender nas minhas andanças por aí também, mas tem muito mais. Eh, recomendo para procurar e pesquisarem cada vez mais. É isso. Obrigado, viu, Patrícia? Mais uma vez. E pessoal, ó, não se esqueça de curtir a gente nas redes sociais, no Instagram e no Facebook TV Câmara Campinas e também de nos seguir no YouTube, onde tem toda a nossa programação, todos os nossos quadros e programas. Um abraço, até o próximo de olho na educação. No. [música] Tá no ar mais um de olho na educação. E hoje nós vamos falar sobre literatura, mas sim a literatura indígena, a importância desse tipo de literatura, as principais obras e os principais autores. Por isso eu estou aqui com a Patrícia Regina Vanete Veiga, professora do Programa Intercultural para Ingressantes do Vestibular Indígena da Unicamp e também professora do Instituto de Estudos da Linguagem aqui da Unicamp, especialista em literatura indígena, que vai contar um pouco mais sobre esse tipo de literatura. Patrícia, tradicionalmente, né, a literatura brasileira, né, a figura do indígena sempre foi contada a partir da visão do colonizador, né, pelos intelectuais brancos, que é a famosa literatura indianista, né? É isso mesmo. Eh, a gente tem aí, né, principalmente por conta, né, de est vinculada à tradição escrita, né, que é um meio de comunicação, né, das sociedades eh ocidentais. a gente tem, né, muita literatura que foi produzida, né, eh, contando histórias, falando sobre, eh, povos indígenas, mas de uma forma muito estereotipada, né, que é o que a gente conhece um pouco como essa figura do índio, né, que é generalizada. Eh, a gente não conhece de qual povo que é, muitas vezes e é folclorizada, eh, muitas vezes não respeita, né, aquele sagrado, a espiritualidade, é, a, a, a força, né, da dessas cosmologias. Então, eh, é, foi muito comum isso na história do Brasil. Eh, mais recentemente, né, de uns tempos para cá, a gente tem forte, né, vindo uma literatura de autoria indígena, produzida, né, pelos próprios indígenas. E é dela que a gente vai conversar aqui um pouco hoje. E a importância, né, de deixar de lado essa literatura indianista e focar só na literatura indígena. Então, é porque a gente, né, eh, historicamente, eu acho que nunca se ouviu muito essas vozes, né, dos diferentes povos indígenas. No Brasil a gente tem mais de 300 povos, eh, e pouco se conhece, né, eh, sobre eles. Então eu acho que muitas vezes essa literatura ela traz visões assim equivocadas, preconceituosas, né, sobre quem são os indígenas e além, né, do que eu já falei estereotipada, né, eh uma visão genérica baseado muito, né, naquela visão que os colonizadores, os portugueses tiveram assim que chegaram, que a gente sabe que eh carrega muito, né, uma ideia de que eram povos atrasados, selvagens. eh, preguiçosos, né, que é algo muito comum, infelizmente, que tá ainda no imaginário, né, eh, das pessoas no Brasil. Então, acho que a literatura eh indígena, ela vem trazendo assim essa voz, né, essas vozes, falando por si mesmo e contando as próprias histórias, né? Então, com com essas literaturas, né, como a gente tem aqui, né, que vamos falar daqui a pouco, a gente consegue conhecer um pouco mais, né, das diferentes realidades, porque tem povos indígenas espalhados por todo o Brasil, em todos os estados brasileiros têm presença indígena. Eh, a gente consegue, a gente conhece um pouco mais dessas histórias a partir dos sentidos que elas têm, né, pros próprios povos. Eh, e também eh a gente conhece outras versões, né, da história que, infelizmente a gente acaba, né, eh valorizando uma versão única muitas vezes, eh, quando, na verdade, né, eh é é multidimensional, né, tem muitas histórias para serem contadas e muita força aí, né, muita resistência que cada livro traz. E a esse movimento da literatura indígena cresceu bastante a partir da década de 1990, né? Sim, ele na verdade, né, ele ele teve ali como seu primeiro, né, expoente o Daniel, né, Mundurucu, eh, entre outros autores, Eliane Potiguária, na verdade, né, que até tô com um livro de poesia dela aqui também, eh, metade cara, metade máscara do Daniel Mundurucu. Temos aqui esse livro, o Caraíba, eh tem outros eh contos indígenas brasileiros e são autores, né, eh, tanto a Eliane quanto o Daniel Mundurucu, ele tem muitas obras publicadas, né, o Daniel, inclusive tem uma editora hoje, né, a Livraria Maracá. E foi um movimento que começou, né, eh, com essas pessoas e foi crescendo cada vez mais. A gente tem também eh depois da Constituição de 88, né, que foi garantido os direitos eh aos povos indígenas de eh existir a partir da sua própria cultura, manter a sua própria língua, né, ter direito aos seus territórios, a uma educação diferenciada. Nesse momento também surgiu eh surgiram diversos movimentos de escrita eh das da das histórias para ser trabalhado nas escolas indígenas, né, que estavam em construção. Então aqui eu tenho alguns exemplos, né, desses materiais que são normalmente bilíngues, né, eh, na língua, né, materna, ancestral e em português. Então tem ali na história Stapaiu, Sakurabiá, eh tem Capor, tem, né, eh Runikuim, eh aqui também tem as histórias Baniaua, né? Eh, então são frutos desse movimento também de fortalecimento das escolas indígenas e construção de materiais próprios, eh, para que eles pudessem, né, eh, aprender, eh, a própria cultura e fortalecer nesse espaço, né, eh, escolar, que a gente sabe que historicamente também não foi eh tão amistoso, né, na verdade não foi nada, porque foi violento, né, de impor o português, essa eh integração, né, a sociedade nacional. Então, eh até hoje, né, é uma luta eh a construção dessa interculturalidade das escolas indígenas. Então, a escrita, né, apesar de essa escrita alfabética ela se fortalecer, né, mais nas últimas décadas, eh, a gente tem o que é chamado também de literaturas orais, né, eh porque entre os povos indígenas é muito forte, né, a a oralidade, a contação de história, né, tanto que a gente percebe bastante isso nos textos. Eh, as escritas elas trazem muito, né, da forma de contar, tanto que muitas vezes são livros para serem lidos em voz alta mesmo, né, que eles convidam a gente, né, a leitor, o leitor dinâmica na história. Exatamente, né? É assim, do jeito como tá escrito, né, é como se a gente fosse convidado, quem tá lendo, a a falar, né, a proferir essas palavras. Eh, então quando a gente fala de literaturas indígenas, a gente tem que considerar também todo, né, essa essa esses conhecimentos, né, eh, milenares que já são transmitidos e contados, né, de geração em geração há muito tempo e hoje ganham uma nova forma, né, de eh de disseminação, que é pela escrita alfabética e pelos livros, né? E o Patrícia, você falou um pouco, né, a gente tem a Eliane, a gente tem a Daniel. Quais são os outros autores famosos, assim, os principais autores da literatura indígena? Bom, hoje em dia a gente tem, né, bastante autores, né? Aqui eu trouxe alguns exemplos, né, de livros, eh, que muitos são do meu próprio acervo, né? Então, a gente tem o, por exemplo, Olívio Gcupé, eh, ele com os filhos que, né, vem produzindo bastante coisa também. Ele fala, por exemplo, conta a história do Sassi Pererê, eh, na versão guarani, como que os guaranis já tinham uma história desse menino que também, né, com cachimbo, que era guardião da mata e eles chamavam deati de aterê, né? Então, ele tem eh esse livro é dele também que ele conta a história de uma criança que chega eh numa aldeia eh no litoral de São Paulo para conhecer uma criança não indígena. Então, ela começa a aprender muito sobre a vida na aldeia, o modo de viver guarani, eh o que eles comem, esse outro ritmo, né, eh, de vida, eh, a caça, né, o andar pela mata. Eh, tem o Yaguareiamã, que tem aqui alguns livros dele também. Esse aqui é dele e esse também, né? Eh, que ele também traz bastante eh histórias, né, que dialogam com esses contos populares. Ele é eh da região amazônica, né? Eh, então ele traz bastante histórias que são contadas pelas pessoas, né, dessa presença indígena que tá em nós, mas muitas vezes não de um jeito respeitoso, né, porque a gente sabe que tem muita influência inclusive dessa visão cristã, eh, de demonizar, né, alguns, eh, alguns encantados, né, que são muito fortes ali, eh, para pro, né, pros povos indígenas. Então, eh, ele traz bastante essa discussão, essa crítica à folcllorização, né, das histórias indígenas e, eh, escreve, né, eh, juntando um pouco essas histórias, né, eh tradicionais, populares e invenção também, né, criação literária. Eh, temos aqui o Cacau Erá, né, que é uma referência também, eh, muito forte eh na literatura. Ele fala bastante da presença Tupi Guarani na cultura brasileira também. eh tem histórias que contam, né, eh, sobre espiritualidade, né, essa essa força também da presença das culturas indígenas. Eh, eu separei até alguns livros eh também que falam sobre literatura, né? Tem o da Graça Graúna, que é uma grande pesquisadora, né? Eh, sobre literaturas indígenas, eh, atrodu eh tem também, eh, a literatura produzida por, eh, eh, intelectuais indígenas, eh, hoje em dia também, né? Eh, tem esse livro que é Olhares Indígenas Contemporâneos, eh, que faz uma coletânia de artigos sobre pesquisadores e pesquisadoras indígenas. E tem o Aton Crenac, né, eh, que inclusive tá no esse a vida não é útil, tá no vestibular desse ano, né, da Unicamp. tem diversas coletâneas hoje em dia, como essa nós, eh, que tem essa e tem a originárias, que é só de mulheres indígenas, eh, que são contos, né, eh, normalmente que trazem um pouco essa sabedoria ancestral. Daí temos, né, eh, a Dierá, Guarani, eh, a Márcia Cambeba, né, eh, temos o Edson, Edson Crenque, que eu até trouxe aqui, é o Aribo Queso, o David Copenaua, né, com esse grande livro, A Queda do Céu. É, eu trouxe aqui também essa coletânea que foi uma das primeiras, é, publicadas de autoria indígena, né? Foi feita, acho que as primeiras foram ainda nos anos 80 e tem, hoje em dia tem uma coleção de mais de 20 livros, eh, são todos narradores, né, do Alto Rio Negro, né, a região ali do do Amazonas, uma grande terra indígena. E são livros que normalmente foram escritos por eh filhos, né, eh a partir da história do dos pais, né? E e a gente tem autores espalhados por todo o Brasil. Tem tem autores espalhados por todo o Brasil hoje. E a gente consegue ver que tem livro para todo tipo de público, né? Desde o infantil para estudantes, né? Para prestar vestibular, como você falou, que essa aqui, né? Vida não é útil. Também para o público adulto, né, Patrícia? Exatamente. Eh, a gente tem livro para todos os públicos e mesmo quando, né, às vezes o formato, né, eh, que tem mais, eh, desenhos, ilustrações, né, o formato maior, eh, mesmo quando aparentemente é um livro, né, eh destinado eh não é. Muitas vezes as histórias são muito profundas, né, eh, que tanto eh, a criança vai entender de um jeito, né, mas o adulto entende de outro. Então elas pegam bastante assim também, né, eh, nos adultos. a gente tem, né, livros que são mais direcionados ao público adulto mesmo, como esses de contos, né, esses eh como eu falei, né, que eh aprofundam mais, né, ali no no conhecimento, né, na cultura indígena, né, isso. Mas eh mesmo esses que aparentemente são, né, igual, por exemplo, esse a origem dos alimentos, né, Balatiponé, eh a gente tem ali, né, um uma história, né, o as ilustrações, mas quando a gente vai, né, quando a gente se aprofunda, né, o público adulto, ele consegue se aproximar assim de outras dimensões, né, da própria existência, da relação com os alimentos. eh, faz a gente refletir, mas o como que a gente tá se alimentando, da onde vem nosso alimento. Então, acho que as literaturas indígenas têm muito essa potência, né, de eh nos fazer repensar assim também, né, como a gente tá vivendo. Eh, eh, visualizando, né, vislumbrando que há possibilidades assim de mudanças e outros mundos possíveis, né? E o Patrícia, e a importância, né, da da Unicamp discutir e ter espaços, né, para para esse assunto, paraa literatura indígena? Então, eh, eu acho que é fundamental, né, no nos espaços educacionais, né, não só nas universidades, mas na educação básica, né, nas escolas básicas também, eh trazer mais as literaturas indígenas pros currículos, né? Aqui na Unicamp tem a presença forte de estudantes indígenas, né, desde 2019, né, que eh entram, né, na Unicamp, trazem consigo também muito desses conhecimentos, né, dessas histórias, estão produzindo, inclusive, né, literatura aqui hoje. Eh, a gente tá num num movimento de cada vez mais abrir esses espaços, né, na universidade para que essas referências sejam trazidas. Eh, e nas escolas, eu acho que eh a lei 11.645, né, de 2008, ela foi fundamental, né, para incentivar mais essas produções literárias, eh, e também fazer elas circularem mais nas escolas, né? Então, antigamente, tão nichado assim, né? É, exatamente, porque eh há um tempo atrás a gente encontrava muito pouca coisa, né? Quando encontrava era mais essa literatura indianista, né, que você falou. tem a chamada também indigenista, né, que são literaturas que não são indígenas que escrevem, mas são pessoas de certa forma um pouco mais próximas, né, pesquisadores e a literatura indígena. Antigamente era muito difícil, né, encontrar essas literaturas indígenas eh nas bibliotecas públicas escolares e hoje a gente já tem, né, um número crescente, a gente tem essas eh obras circulando, né, cada vez mais. Eh, mas eh ainda assim não tem tanta circulação, né, principalmente por por conta que assim é é uma construção, né, uma abertura de espaços, né? Então a gente vê muitas dessas literaturas sendo publicadas por editoras pequenas, né? Tanto que muitas vezes tem autores que criam suas próprias editoras ou por exemplo esse livro, né, que foi escrito coletivamente, é até interessante que a autoria é guaranimbiá, né, eh, geral do povo, né, isso eh expressa bastante, né, como eh também ela ela traz todo uma voz, né, eh, e acho que é uma característica das literaturas indígenas também essa eh como uma ação política, né, algo que que questiona, que reivindica dica. E esse foi escrito coletivamente lá na Terra Indígena do Jaraguá, que fica na cidade de São Paulo, essa tecoá, né, aldeia. E e ela foi eh financiado por um projeto, né, eh de apoio eh cultural. Então a gente, isso é muito comum nas publicações indígenas, né? Você encontrar editais de fomento e não necessariamente eh ser vinculado por por grandes editoras, por exemplo, né? O que acaba às vezes restringindo, né, um pouco a circulação, mas é algo que que tá mudando também, né, cada vez mais. E o Patrícia, você falou de espaço, né? E aqui na Unicamp o Jardim dos Saberes Ancestrais, né? Sim. eh é um espaço aqui, né, na frente da biblioteca e ele foi eh um espaço coletivo, né, criado coletivamente eh por um projeto, né, que juntou professoras eh e estudantes da Unicamp, eh não só indígenas, né, mas também eh estudantes negros, né, eh que trouxeram um pouco, eh, essa ancestralidade, né, para esse espaço do do essa questão dos povos originários. É, então, porque é um jardim eh que tem troncos e cada tronco foi pintado, né, ou por uma pessoa ou por um coletivo, né? Então, eh, [roncando] na parte do dos indígenas, a gente teve, por exemplo, um tronco cuicuro, né, eh, banila, baré, do pessoal, eh, tucano, eh, ticuna, guarani, né, tanto biá quanto caioá. Eh, então cada, né, estudante eh, pintou ali a partir de desenhos, né, grafismos que são, né, de origem do seu povo. Eh, e como eu falei, não teve só indígenas, teve também, né, o coletivo negro, teve pessoas que falaram, né, de povos, por exemplo, do Japão, indianos, eh, ciganos, né, que eh quilombolas. Então, a ideia foi eh celebrar e marcar um pouco, demarcar, né, na verdade, eh na universidade é um espaço onde esses outros conhecimentos, né, eh possam circular e possam também eh ter seu espaço. Patrício, pra gente finalizar aqui, tem mais alguma coisa que você queira falar, né, mais sobre essa questão da literatura indígena, né? Como você falou, o Brasil, eu tenho anotado que são 305 etnias, mais de 270 línguas, né, indígenas. né? Uma gama de cultura indígena. Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar sobre essa questão da literatura? Então, é isso. Eu acho que eh a literatura, as literaturas, né, indígenas, eh elas nos dão essa possibilidade, né, da gente conhecer um pouco mais eh dessas diferenças, né, dessas diversidades eh de povos, eh culturas, conhecimentos, línguas, né, eh cosmologias. territórios. Eu acho que essas literaturas são fundamentais pra gente reconhecer eh e conhecer, né, eh um pouco mais também, né, eh porque são palavras, por exemplo, eh, do tupi Guarani que estão presentes no português que a gente fala, eh, no, nos hábitos que a gente tem, naquele chá que a gente toma para se curar. Então, eh, eu acho que isso, eh, contribui para trazer um um senso de pertencimento assim, né? é algo que que é muito potente, né? Por ser muito antigo, acho que é muito forte. Eh, então acho que eh elas só tem as as literaturas indígenas só tm a contribuir muito, né? Eh, quando a gente se aproxima delas, eh conhece mais elas e traz elas para pra educação, pra formação da das pessoas. Patrícia, muito obrigado, né, por essa aula, né, sobre [risadas] a literatura indígena, né, sobre todo esse conhecimento dos povos originários brasileiros, né, dessa vasta e gama cultura indígena que a gente possui aqui no país, viu? Muito obrigado. Eu que agradeço. E foi só um pouquinho, viu? Um pouquinho que eu pude aprender nas minhas andanças por aí também, mas tem muito mais. Eh, recomendo para procurar e pesquisarem cada vez mais. É isso. Obrigado, viu, Patrícia? Mais uma vez. E pessoal, ó, não se esqueça de curtir a gente nas redes sociais, no Instagram e no Facebook TV Câmara Campinas e também de nos seguir no YouTube, onde tem toda a nossa programação, todos os nossos quadros e programas. Um abraço, até o próximo de olho na educação. No.
A seguir

Continue assistindo

Próximas horas na grade ao vivo
Programação completa →
Ao vivo
Plenário · 13h

Câmara Notícia — Edição da Tarde

13:00 - 14:00 · Ao vivo
28:32
Matérias · 14h

Matérias — Especial da Semana

14:00 - 14:30
58:12
Perfil · 15h

Perfil — Entrevista da semana

15:00 - 16:00 · T03:E18
45:08
Bairros · 17h

Meu Bairro na TV — Vila Padre Manoel

17:00 - 18:00 · T05:E12
Estreia 1:32:00
Especial · 19h

O Ano em Plenário — Ep 1: Mobilidade

19:00 - 20:30 · Estreia
Ao vivo
Plenário · 20h30

Sessão Ordinária da Câmara Municipal

20:30 - 23:00 · Ao vivo
Mesmo programa

Mais do DE OLHO NA EDUCAÇÃO

Edições anteriores do programa
Todas as edições →
14:08

De Olho na Educação | Educação e Cinema

13:27

De Olho na Educação | Intensivão ENEM: ciências humanas

15:36

De Olho na Educação | Intensivão ENEM: ciências da natureza

16:13

De Olho na Educação | Dicas para alfabetização lúdica infantil

14:35

De Olho na Educação | SESI Amoreira conquista prêmio com kit inclusivo

12:01

De Olho na Educação | Autismo, inclusão e intervenção precoce

13:48

De Olho na Educação | Como se preparar para o vestibular sem ansiedade

16:06

De Olho na Educação | Hevinha nascimento no palco do príncipe william por ciência

10:09

De Olho na Educação | Gabriela frajtag vence prêmio internacional!

15:49

De Olho na Educação | Professor da UNICAMP traduz gigantes da física

17:05

De Olho na Educação | App Guia Voz: inclusão para deficientes visuais

13:01

De Olho na Educação | IA: futuro das profissões e cursos na PUC com Valdomiro Plácido

11:45

De Olho na Educação | Primeira Nota: aulas gratuitas de música para crianças e jovens

14:55

De Olho na Educação | Bullying e recusa escolar — quando a criança não quer IR à escola

13:51

De Olho na Educação | Brincar para aprender: como o lúdico transforma a educação infantil

14:27

De Olho na Educação | Primeiro dia na faculdade (sem medo!)

12:29

De Olho na Educação | Não passei no vestibular: como lidar com a frustração e recomeçar

13:17

De Olho na Educação | Pesquisador: carreira, curiosidade e ciência

17:11

De Olho na Educação | Educação 4.0: tecnologia, protagonismo e aprendizado

11:46

De Olho na Educação | Como estudar nas férias sem perder o ritmo

Recomendados

Você pode gostar

Outros vídeos selecionados a partir do conteúdo que você acabou de ver
Mais recomendações →
2:19

Câmara Notícia | Novo CNPJ Letras

4:53

Adote Um Bichinho | Semana 20 a 25 de Julho de 2026

4:28

Câmara Serviço | Parque Férias Campinas

50:07

Câmara Notícia

14:44

Campinas que Deu Certo | Instituto de Artes Luana Lopes

14:59

Notícias do Legislativo

8:00

Notícias da Metrópole

1:44

Fica a Dica | Férias na estrada: como viajar com segurança e evitar acidentes