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Tá no ar mais um de olho na educação. E hoje o tema é sobre as mudanças no comportamento, no desempenho acadêmico e na retomada da socialização entre os estudantes após a vigência da lei federal que proíbe o uso de celulares nas salas de aula. Por isso estou aqui com a Bianca Bian, coordenadora pedagógica do ensino fundamental anos finais aqui do Colégio Objetivo Barão Geraldo de Campinas. Bianca, né, pra gente começar, como que essa restrição dos celulares nas escolas mudou, está mudando a rotina aqui dos estudantes? É, a adaptação ocorreu de uma forma tranquila, sem maiores dificuldades? É, é um assunto polêmico, né? eh, divide aí opiniões, mas realmente a gente percebe que tem sido eh muito bom pros nossos alunos. Seis meses antes da lei surgir, a gente já tinha colocado isso pros nossos alunos e admito que ali no início foi bem complicado, né? Porque eles ficaram super resistentes, até algumas famílias, né, pensando: "Poxa, a praticidade de tá ali, eh, com o celular, a comunicação, mas ao mesmo tempo a gente percebia que o aluno que estava ali com acesso ao celular, imagina, nós temos esse problema também, se o nosso celular tá no bolso, a gente tem vontade toda hora de pegar, olhar, ler uma notificação ali e mexer." Então, eh, foi uma adaptação um pouco difícil no início, mas eles se acostumaram e eles entenderam que, eh, o foco enquanto eles estão na escola é outro, não mais a tecnologia, não mais essa socialização ritual, mas uma socialização real, né? E aqui na escola, então, vocês fizeram uma adaptação. Antes, vocês já implementaram essa lei, né, e depois só meio que oficializou com a lei, realmente, né? Isso. Então, quando a lei surgiu, os nossos alunos já estavam acostumados, né? Então, esse ano mesmo a gente não teve problemas assim de alunos eh com questão de enfrentamento e nada, nem nada disso, porque eles já estavam acostumados. E quando vocês implementaram isso, né, quais são os maiores desafios no início, devido também a talvez uma resistência dos estudantes, dos alunos, porque como você falou, tipo, o celular é meio que uma parte do nosso corpo assim, né? Sim, sim. É, a primeira coisa é que eh eles achavam que eles não teriam mais o que fazer nos intervalos, né? E eles sempre usam os argumentos, né, de educacionais. Então, eu preciso pesquisar, né? Então, a gente percebeu que o aluno ele começou a ficar um pouco mais aberto até pro que o professor tá falando, porque ele já não tem mais todas as respostas acessíveis na mão dele. Então, ele precisa passar por um processo, né, de conversar com os alunos, com os amigos, com os professores, fazer uma pesquisa depois, né? Eh, então a gente percebeu um pouco disso, né, nessa adaptação. E qual que foi a principal transformação transformação percebida por vocês educadores? Os alunos estão mais ativos durante as aulas? Estão mais participativos? Como que seria? Hoje nós percebemos os alunos muito mais eh eles eles são mais amigos, né? Então a gente percebe que essas relações melhoraram muito. A gente tem estudos hoje, né, que comprovam que quanto mais a gente fica nas telas, no celular, quanto mais a gente tem esse acesso, a gente vai entrando, né, para pra desconexão da vida real. Então, hoje a gente vê os alunos muito mais conectados mesmo. Então, aqui na escola a gente promove vários eventos ali, vários momentos para que eles estejam juntos, para que eles estejam ali focados na cultura, no esporte, em outras atividades e não tenham essa falta. né? Ainda assim, vezou outra, eles querem, eles pedem, mas assim, eh, a maior, eh, parte das vezes a gente consegue ver isso, essa conexão entre eles. O foco também na aula é outro, né? Então, eh, por exemplo, eu preciso fazer uma atividade e agora o que que eu faço? Eu não tenho por onde pesquisar, então eu preciso focar para terminar, para não deixar isso acumular, né? Então, a gente percebe muito isso nos nossos alunos como um ponto muito positivo. Esse foco maior dos alunos tá rendendo eh melhores rendimentos. Sim, nós temos alunos aí que aprenderam a estudar de uma forma diferente, né? Então eles viram que eles conseguem focar, que eles conseguem prestar atenção, que eles conseguem eh produzir sem precisar só do celular, né? Então eles eh têm esse esse envolvimento durante a manhã nos plantões que a gente tem à tarde também e eles criaram essa rotina de estudos. Então muitos alunos a gente viu assim um rendimento muito melhor por essa por esse motivo. Então o rendimento dos alunos melhoraram. Olha, no geral a gente percebe que sim. Sim. Eu até conversei com alguns alunos, falei: "Bom, eu eu tenho um ponto de vista ali, né, que eu vou achar que melhorou mesmo, mas eu queria conversar com eles e e ver o que eles pensavam. né? Então, conversando, eles mesmos falaram: "Olha, a gente aprendeu que dá para estudar à tarde sem ficar o tempo todo no celular, deixar o celular longe, né? Porque eu acabo antes, não preciso eh ficar ali conectado." Além dessa questão do rendimento e do comportamento dos alunos, em relação à saúde mental deles, como que tá? Tá o aspecto tá melhor? Como que tá, Bianca? Olha, a gente percebe que sim, na verdade, né? Eh, hoje a gente os cada vez mais cedo as pessoas têm acesso à internet, né? E a gente sabe que é muito bom, né? Isso facilitou muito a nossa comunicação, deixou tudo muito mais rápido, mas é comprovado que para pessoas, né, crianças, pessoas mais jovens, como os nossos alunos, eh, ele faz um até pelo acesso que eles têm, né? Então, se você aí é pai, mãe, você sabe do que eu tô falando que a gente perde o controle do que os nossos alunos, né, do que essas crianças têm acesso. Então, a gente tenta eh ver por esse lado que eles eh eu ouvi um tempo atrás e eu achei que é muito real. Os nossos alunos eles vivem uma solidão acompanhada, né? Então eles até estavam juntos antes acompanhados, mas sempre sozinhos. desde no celular. É cada um conectado na sua rede social, no seu jogo ali, mas desconectados da vida real. E a gente percebe o quanto essa conexão na vida real é importante até pra questão da criança ser uma criança. Então eu tenho alunos aqui de sexto ano que antes ficavam no seu jogo ali, né, totalmente ocupado nessa questão e hoje eles brincam, eles correm, eles fazem essas outras atividades e a gente sabe o quanto isso é importante pro desenvolvimento, pra questão emocional, né, e para todas essas áreas da vida deles. Eu tô curioso para saber como que tá sendo o recreio agora. Olha, o intervalo tem sido muito legal, na verdade, né? Quando as pessoas vem a gente falando, acham que a gente eh eh puxa sardinha pro nosso lado, mas realmente assim, a gente tem promovido vários eventos assim para que eles aproveitem muito bem. Então, a gente tem mesa de ping-pong, pegou ali, eh, eles jogam futebol, a gente deixa as quadras liberadas ali. Então, a gente tem bastante coisa acontecendo ali no intervalo, mas a gente coloca algumas coisas diferentes também. Então, hoje a gente teve um intervalo musical, então eles se inscreveram, os alunos que têm essa habilidade, eles se apresentaram. Eh, na semana passada retrasada a gente fez Copa Intervalo, então eles são divididos em equipes, eles escolhem as equipes, as modalidades e eles aproveitam o intervalo para eh para jogar e fazer essa competição. Então, a gente tem trazido bastante essa parte cultural e esportiva pros alunos. Então, é muito legal. E aí tem aquele aluno que gosta, né, que é mais desenrolado ali, que gosta de jogar e tudo mais. Tem aquele aluno que prefere eh ficar na biblioteca, ler um livro, tem as meninas que gostam de sentar e conversar e contar a vida toda. Então a gente tem de tudo assim. Então hoje a gente passa pelo intervalo vendo os nossos alunos vivendo mesmo, acompanhados assim. Então é muito legal. Depois, né, dessa restrição dos uso do uso dos celulares na sala de aula, aumentou o público na biblioteca? Porque agora o pessoal tem que pesquisar igual antigamente. É, a gente disponibiliza, né? eh computadores para pesquisas assim, né? Então tem esses momentos também, mas a gente percebe que a biblioteca tem sido um lugar acalhedor paraos nossos alunos também. Então a gente tem os puffzinhos ali nos intervalos, eles ficam por lá. Eh, então eles eles começaram a a ir mais paraa biblioteca. Sim. Benc, eu tô curioso também para saber da questão das anotações, porque, por exemplo, na minha época eu tirava foto quase toda a aula da lousa, né, das anotações dos professores. Agora, com essa restrição, o pessoal não tá podendo fazer isso. Como que tá sendo alternativa? O pessoal tá copiando tudo. Gente, eu estão achando que o Rafael ia ter uma questão de Ah, ia sofrer, eu ia sofrer, eu ia sofrer. É, então, na verdade, eles tinham muito esse hábito, né? Não vou tirar uma foto, à tarde eu vejo. Mas vamos falar a verdade, dos 30 alunos que tiravam fotos, quanto você, quantos deles você acha que olhava essa foto da copa? Pois é, quase nenhum, né? Essa é a realidade. Então, a gente percebe que eles estavam acomodelados ali, né? Então, ai vou tudo era respalda pro pro uso do celular, então não, depois eu vejo, não vai dar certo. Então, hoje eles precisam copiar porque vai cair na prova. Ai aconteceu de demorar um pouquinho mais se algo, né, maior ali, enfim, os os professores usam a plataforma digital que a gente tem, então eles tiram foto e postam pros alunos, mas no geral mesmo os alunos têm dado conta aí de copiar. Eles estão ralando, correndo atrás. Você falou também, a gente tava conversando um pouquinho antes, você falou da questão da agenda, né? É, sim. Conta um pouco pro pessoal aí. Eu sou professora também, então eu entro para dar aulas de projeto cérebro, que é a parte da educação socioemocional aqui paraos nossos alunos. E na primeira aula do ano eu faço uma aula de organização. Então assim, eu dou algumas dicas de estudo e tudo mais, inclusive ensino aos agenda, porque a gente tem visto que os nossos alunos ali de sexto, sétimo, oitavo, nono ano não sabem usar a agenda. Eh, não é assustador, né, para pra nossa época a gente, né, é muito básico, mas eles abrem a agenda e copiam em qualquer lugar, eles não sabem que tem um dia certo ali. Então, a gente tem um conflito geracional assim e eu vou trazendo isso pros alunos e eles vão usando essas ferramentas que são importantes também. Bianca, a tecnologia, né, não deve ser demonizada, né, ela tem que andar junto, né? Exato. Sim, a gente incentiva muito essa parte aqui também. a gente tem o NLE Maker, que é a parte que os alunos vão trabalhar mais a tecnologia, eles fazem vídeos, edições, gravam podcast. Então a gente entende que é muito importante, até porque a gente tá inserido num num mundo que teve esse marco, principalmente da inteligência artificial. E nós somos a favor, né? Nós sabemos que eh tudo isso é muito bom, mas precisa ser usado no momento certo e da maneira certa. Então nós como escola nós entendemos que a gente precisa liberar isso pros alunos de uma forma inteligente, né? Então eu acredito que é sim muito importante que a gente precisa dar essa direção aos nossos alunos e a gente pode ver que que tem vida na escola sem celulares, né? Tem tem ninguém morreu, ninguém passou mal sem celular, né? Pelo contrário, a gente tem visto assim eh a vida mesmo acontecendo, né? Eles conversando, eles brigando, né? a gente fala só da parte boa, mas as brigas começaram a acontecer também, né? Porque é muito mais fácil eu ficar no meu celular e não ter que conversar com ninguém. Eu eu percebo até nas aulas que eu entro, eu percebo que eles não têm mais algumas habilidades eh socioemocionais ali de enfrentamento, tomada de decisão e sem o celular ele é colocado nesse nesse lugar. Então eu preciso tomar uma decisão, eu preciso falar o que eu penso, eu preciso falar da do da maneira certa, porque não é de qualquer jeito que eu falo, né? Então eu percebo que sem o celular abriu a oportunidade para eles falarem e agirem assim de uma forma diferente mesmo. Bianca, pra gente finalizar aqui, não é? O que que a gente pode esperar agora desse segundo semestre em relação a esse tema, né? A gente pode acreditar que que vai continuar dando certo, que que o pessoal está evoluindo nessa questão do comportamento, as notas melhoraram, né, dessa questão da socialização, da saúde mental. É, eu acredito muito que eu sempre falo pros alunos e pras famílias, o o aluno passa muitos anos da vida na escola, muitos anos. E nós, como educadores, a gente quer trazer o lado bom disso tudo. Não pode ser um sofrimento pro aluno tá aqui. Então a gente vai continuar sim com as regras, porque eu eu sempre falo, o amor não é deixar fazer tudo que quer. Muitas vezes o amor é falar não para algumas coisas, né? Quantas vezes sua mãe falou não e você não é bastante eu também. Minha mãe falou: "Não, e eu falar, ela tá errada". Mas depois a gente percebe que é um cuidado, um zelo, um carinho. Então nós como escola, a gente entende que esse zelo é necessário. Muitas vezes os alunos não vão entender em algumas partes, mas tudo bem. No final eles entendem e também em contrapartida a gente vai cuidar para que eles tenham um ambiente seguro e agradável. Então, continuar assim, tendo essas atividades dinâmicas, esportivas, dando a possibilidade para eles terem acesso aos livros, a a tudo que eles precisam, estimular a criatividade também, nato também. Então, todo esse estímulo para que ele não sinta falta do celular, mas para que ele tenha essas outras vivências que são tão importantes também. Bianca, então, mais uma vez, muito obrigado, viu? Eu que agradeço, foi um prazer. E eu também agradeço, ó, você que tá em casa, pela sua audiência e pela sua companhia. Não se esqueça de nos seguir nas redes sociais, no Instagram, no Facebook, TV Câmara Campinas e também de acompanhar toda a nossa programação no YouTube, TV Câmara Campinas. Um abraço, até o próximo. de olho na educação. [Música]