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De Olho na Educação | Ensino EJA
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De Olho na Educação | Ensino EJA

487 views Publicado 24/03/2025 HD · 13:24

Descrição do vídeo

É necessário ressaltar que o aluno da EJA não deve ser apenas alfabetizado, ou seja, que tenha apenas o domínio do sistema alfabético, sabendo simplesmente ler e escrever, mas é essencial que o mesmo seja letrado, isso significa que a leitura e a escrita devem ser consideradas e exercitadas como práticas sociais em seu cotidiano, tendo o hábito pelas mesmas. E isso deverá ser alcançado por meio da escola

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[Música] Bom, pessoal, quadro de olho na educação e olha só, hoje um assunto mais uma vez super importante, porque vamos falar sobre a diferença de alfabetizar uma criança e um adulto, porque na verdade existem métodos diferentes. A gente vai entender isso com o José Batista Filho, que é gerente dos programas de educação do Eja. Tudo bem com você? Beleza, muito obrigado por nos atender. Tudo bem, André? Prazer estar com vocês, com os telespectadores da TV Câmara que estamos seguindo em frente aí na reflexão sobre a educação. Boa, sem dúvida alguma. Esse é um quadro realmente muito especial, né, que que fala muito sobre educação. Primeira pergunta, obviamente, é: existe diferença entre alfabetizar uma criança e um adulto? Sim, existe muita diferença e eu falo com certa propriedade porque eu estou há muito tempo trabalhando na educação de jovens, adultos e idosos que ten também dois filhos de 4 anos e 8 meses meses. E então eu acompanho o projeto pedagógico da educação infantil. E uma das principais diferenças é que o projeto pedagógico de EJA e da educação infantil eles são totalmente diferentes. Por quê? que a criança ela está naquela fase inicial, tudo é novidade e não tem nenhum tipo de preocupação. Isso é na fase de aprendizagem. Então ela assimila com muita facilidade. O grau de velocidade é impressionante. Quando você vem pra educação de jovens, adultos e idosos, são pessoas que ao longo da sua vida passaram por muitas experiências e inclusive aqueles que passaram por um processo de rejeição também na aprendizagem, ficaram à margem da sociedade e o a o grau de velocidade, de assimilação, a parte cognitiva, ele acaba sendo mais limitado e o processo é lento. Por outro lado, a criança não tem experiência de vida. Os idosos, os adultos e idosos têm experiência de vida. Portanto, a a estratégia pedagógica é totalmente diferente para uma criança e para um adulto idosa. Boa. Não, super importante isso. Qual é a principal diferença na estratégia, assim, no método de ensino? A criança tudo é novidade. Você é, ela passa por um processo de educação e de descoberta. Para o adulto e o idoso, ele já tem a experiência de vida, só que ele precisa aprender a ler, a escrever, a desenvolver as funções matemáticas, coisas que ele não aprendeu na infância. É, e isso deve fazer realmente muita diferença, porque as pessoas falam, né, José, que não sei, puxa vida, a criança tem a cabeça mais fresquinha, talvez seja isso que você tenha dito agora, né? E e o adulto não tem de fato isso na na aprendizagem. Isso também acontece. Porém, o adulto ele já vem paraa sala de aula com muitas informações. A criança não. O adulto ele vem com informações de êxito, de sucesso, de conquista e também informações de coisas que ele não conseguiu ao longo da vida. o fracasso, que é o fracasso. Então, esse esse adulto quando ele chega, ele já chega com algumas restrições no processo de aprendizagem. Ele não está, como você disse, André, com a cabeça livre, com a mente livre para assimilar tudo que ele recebe e processar essas informações. Até porque ele tem paradigmas que ele vai adquirindo ao longo do tempo. Ele tem conceitos já prédefinidos. como que para você mudar a forma de pensamento de A para B existe um processo, existe uma dificuldade. E aí justamente que o professor ele do jovem e do adulto e idoso, ele ele precisa conhecer um pouco sobre esse histórico, sobre essa carga de informações que ele tem para trabalhar noo ensino e aprendizagem para trabalhar em cima daquilo que ele a partir do que ele conhece, do que é interessante para ele. Olha só, eu eu tô inclusive dando uma olhadinha aqui nas informações no release que eu tenho e algo me chamou atenção. Olha só, é necessário ressaltar que o aluno da EJA não deve ser alfabetizado apenas, ou seja, que tenha apenas domínio do sistema alfabético, também deve eh o mesmo deve ser letrado. Como que é isso, ô José? chamou atenção. São dois pontos interessantes. O primeiro ponto é que o ensino pra EJA sempre deve ser a partir da experiência de vida e do interesse, da busca que esse estudante tem. O letramento ele vem na sequência da alfabetização, que é a parte do desenvolvimento na leitura, na escrita, na comunicação. E aí são habilidades e competências que ele vai eh adquirindo ao longo da sua trajetória estudantil. Bom, então, de fato, tem super a ver isso e é um método bastante interessante também, passa a ser um obstáculo eh para vocês ensinarem os adultos a questão da da motivação no que respeito, por exemplo, eh eh alguns sentimentos como vergonha, puxa, eu tô começando depois de mais velho. Tem isso, tem esse esse impecílio também? Sim, tem. Por que que existe esse esse impedimento inicial? Porque ao longo da vida, essa pessoa que não estudou, ela passou por processos de rejeição, sem dúvida, processo de busca que que tentou e não conseguiu, ou seja, ficou à margem. Os professores alfabetizadores também estão preparados e recebem informação para trabalhar com essas limitações psicológicas, emocionais. que desbloquear esse processo para que o adulto e o idoso tenha mais facilidade de desenvolvimento na alfabetização e no próprio letramento. Bom, e tem uma coisa, né? Quando o adulto, o idoso, ele começa a ler e escrever, ele fala: "Deve ser uma emoção muito grande na". André, eu tenho experiências dentro da Fumec e pois eu posso até disponibilizar alguns depoimentos, alguns vídeos de estudantes assim que chegaram aqui sem nenhuma perspectiva, sem saber, sem escrever. Depois de alguns anos que passaram por aqui, eh, nos eventos que a gente faz, a gente pede, fala alguma coisa aí, como que foi seu aprendizado no desenvolvimento na fala? É um negócio impressionante. Impressionante. Nós temos uma unidade dentro da Fumec, que é um momento literário, onde eles fazem a leitura, fazem comentários, interpretações, pelo menos uma vez por semana numa na unidade do Cambará. E é uma prática extracurricular que está extra sala de aula e e que tem obtido resultados fantásticos e outras situações. Cada cada regional tem a sua dinâmica própria. Portanto, esse esse processo de dificuldade, ele existe, ele é real, porém os professores estão preparados para trabalhar esse chamado desbloqueio e levá-lo a uma dinâmica normal de aprendizagem no seu itinerário formativo. Pois é. E por falar, né, em em professor e tudo mais, vocês também desenvolveram aí uma situação para passar aí ã algumas informações, fazer um curso para professor, como que é isso que você tava me contando antes a gente entrar no ar e realmente é é sensacional, né? Como que vai funcionar? Ei, você vem, excelente pergunta essa sua, porque a a Fumec ela oferece a formação continuada e nos últimos anos nós temos percebido que a a forma de ensinar o idoso, o adulto e o idoso a aprender, ela vem sendo desenvolvida de acordo com a experiência, de acordo com a chamada experiência empírica, né? Já você aprende, vai desenvolvendo, trocando informação, etc. Só que eu fui que chegou no momento que nós teríos que rever todo o as todas as diretrizes curriculares. Nessa revisão das diretrizes curriculares, nós estamos há mais de 3 anos discutindo, debatendo, procurando formas de construir um currículo que seja estratégico, abrangente para a Funec, dadas dados os novos desafios que a economia, a própria saúde, a realidade política, social vem vem permeando e influenciando na vida desses estudantes. E justamente por isso nós passamos por uma discussão ampla em com todos os professores em algumas situações, com os próprios estudantes participando também sobre a revisão da atualização curricular. Nessa atualização, nós detectamos que ah os professores precisam passar de formação continuada. Então agora em 2025 essa formação ela será direcionada para quatro pontos. Quatro. Um deles é como alfabetizar idosos, que o idoso hoje, para você ter uma ideia, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, a Campinas tem 83% da população não alfabetizada tem mais que 50 anos. Do grupo entre 16 e 29 anos, são 300 pessoas não alfabetizadas. Ou seja, a Fumec está cumprindo o seu papel e quase gerando o analfabetismo entre os jovens até 29 anos. Porém, a maior dificuldade que foi detectada passa a ser junto aos adultos. E é justamente aí que está um dos focos de formação, como alfabetizar idosos. Esse é um dos dos módulos que será desenvolvido ao longo do ano. O outro módulo é a parte de português e letramento, revisão, atualização do currículo, né? Os professores estarão recebendo essa formação específica também. O terceiro módulo é o de matemática, matemática básica, sempre voltado pra prática de vida desse estudante. Todos os autores do dia a dia, exatamente aquilo que é interessante para ele, vai ser úor atrativo. Você pega uma pessoa acima de 60 anos, ela vai estudar para quê? Alguns estudam até para seguir eh seguir até a faculdade. Outros buscam estudar para poder ter uma convivência mais tranquila no dia a dia. Outros para ler a Bíblia, outros para ler o jornal. Cada um tem a sua finalidade, mas de qualquer forma eles precisam também controlar suas finanças, português, matemática. Aí, e aí são estratégias diferenciadas a partir da eh para ensinar a partir da realidade do estudante. E o quarto módulo que nós estaremos desenvolvendo é a respeito dos desafios de aprendizagem desses estudantes, quais são os desafios que eles enfrentam no dia a dia e como tudo isso deve ser trabalhado na proposta curricular da Fumec. Boa. Sempre um prazer enorme conversar aqui com o José Batista Filho, que é o gerente dos programas de educação de jovens e adulto. Eja, é muito legal, esclarecedor a entrevista com aí muitas informações importantes, inclusive esse último assunto que a gente abordou, né, esses quatro e métodos, né, eh, bastante interessante. Tenho certeza que isso vai vai ajudar bastante. Muito obrigado pela entrevista. Sem dúvida. Muito obrigado a você, André, pelo trabalho que tem feito e quando precisar estamos à disposição para refletir sobre a educação, em especial a educação de jovens adultos e idosos. Com certeza. É um tema que me agrada e muito. Bom, pessoal, eu sou André Aranha e você já sabe, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao. [Música]
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