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Bom, é o quadro de Olho na Educação, pessoal. E olha só, hoje mais um assunto bem bacana, super importante, porque nós vamos falar sobre resolução de conflito, que é certamente aí um tema que interessa muita gente, principalmente na infância, com quantos anos a a criançada já pode começar, não é, a trabalhar esse tipo de situação. Estou aqui com a Ananda, que é psicóloga, entende sobre o assunto. Tudo bem? Tudo bem, André? Bom, muito obrigado por nos atender aqui no quadro de Olho na Educação. Esse é um assunto é muito importante que às vezes as pessoas não dão tanto valor assim, né, Ananda? É verdade. Eu acho que a gente tem começado agora uma conscientização no sentido das pessoas entenderem a importância e também entenderem qual que é o papel da escola e também da família no desenvolvimento dessa habilidade de resolução de conflitos. Boa. Porque às vezes as pessoas acham que, ah, não é só birra, né, da criança, é fase. Eh, não é bem assim, né? Tem toda essa situação. Queria que você falasse um pouco mais sobre isso, por favor. Uhum. É na infância, né, André, que a gente começa a perceber que as crianças desenvolvem toda a base que elas vão ter ao longo de toda a vida. Então, no aspecto cognitivo, no aspecto social e no aspecto emocional também. Eh, é uma fase muito primordial que essa construção seja feita. Eh, a habilidade de resolução de conflitos, ela não vem de forma espontânea e natural. Eh, não é uma habilidade que nasce com a criança, né? Ela precisa ser acompanhada pelos adultos e a criança precisa ter eh chances de treinar isso ao longo da sua trajetória para que lá na vida adulta ela também já tem essas habilidades que vão ser extremamente úteis. Boa. Você tocou num assunto aí bem bem interessante, né? lá na vida adulta. Eh, quer dizer assim que o que você planta agora, você vai colher depois e começar já trabalhar isso desde criancinha, eh, vai refletir na na vida adulta positivamente, no caso, com certeza. Hoje a gente já tem isso como algo bem estabelecido, assim, tanto na literatura, quanto também na prática do que a gente vivencia na escola, eh, de perceber que, ã, a criança que é exposta a mais chance, a mais oportunidades, né, de desenvolver habilidades como ã negociação, diálogo, escutativa, ela vai construir isso de forma que na adolescência ela consiga se desenvolver melhor e também na vida adulta, né, o mercado de trabalho, as questões familiares exigem essas habilidades que são construídas desde pequenininho. Isso é algo que nem sempre as pessoas se atentam. Eh, a gente também tem impactos na parte também do desenvolvimento acadêmico. Nem sempre todo mundo relaciona esses dois aspectos, né? Mas o aprendizado tem tudo a ver com o desenvolvimento socioemocional e entre elas a habilidade de resolver conflitos, né? H, as crianças que se sentem seguras no espaço escolar, crianças que se sentem escutadas, crianças que recebem apoio para resolver seus dilemas ali do dia a dia, eh elas vão ganhando mais confiança e também eh passam a estar abertas a aprender, né? Não é só porque a criança está no espaço escolar que ela está eh completamente apta, mas ela tem esse espaço de segurança, eh a construção dos educadores, a mediação, né, que os adultos fazem com ela, fazem com que a experiência do aprender seja realmente viabilizada na escola, né, e de fato ela aproveite mais esse tempo que ela passa aqui com a gente. Boa. E a ideia é justamente ensinar a criança a ter também empatia, né, que hoje é que o pessoal e com razão fala muito sobre empatia, né, Ananda? Exatamente. Isso precisa ser muito trabalhado com as crianças, eh porque a escola é o primeiro espaço social, né? É o primeiro, espaço social, assim, de forma mais ampla que a criança frequenta. Então é aqui, né, um dos espaços principais onde ela vai conseguir desenvolver essa noção do outro. eh lidar com a opinião do outro, como é que a gente consegue construir coisas em conjunto, né? Unir, criar soluções, brincar de forma colaborativa. Então, à medida que eu desenvolvo a empatia, eu percebo como eu me sinto e como o outro se sente, né? E aí as relações fluem de maneira muito mais saudável. Com quantos anos já deve ser trabalhado esse tipo de de procedimento com as crianças? Por exemplo, eu tava te falando antes da gente entrar no ar aqui. Eu tenho um filho, vai fazer 5 anos. Uhum. Pô, às vezes ele fica, né, nessa questão, brinquedos, amiguinhos e tudo mais. É resolução de de conflito, né? Com quantos anos é legal, Ananda, já começar a a trabalhar a criança? Essa idade, André, que você citou dos 4, 5 anos, é uma idade que é muito importante, porque é onde a criança consegue começar a aprender algumas lógicas de como as relações funcionam, de como os jogos funcionam. Então, as regras, o aceitar o perder, é uma idade bastante eh primordial. Um pouco antes, quando a criança tem dois ou três anos, a gente já consegue auxiliá-la em alguns pontos, por exemplo, identificar e nomear os sentimentos. Então, poder dizer para ela: "Olha, você, você tá brava, eu entendo, né?" E isso pode parecer algo sutil, mas é algo que contribui muito para que a criança entenda aquilo que ela tá sentindo, né? Isso não é óbvio para ela. E à medida que a gente vai fazendo essa construção e apoiando, a criança vai se sentindo mais segura. Com 4, 5 anos, o adulto ainda tem um papel muito importante, que é auxiliar a criança a se comunicar com o colega, por exemplo. Então, tem a disputa por brinquedo, a criança ainda tá começando a treinar a negociação, entender que ela pode fazer combinados. Então, você brinca um pouco, eu brinco um pouco, é pensar em soluções criativas, será que a gente pode integrar mais um coleguinha na brincadeira? Mas ela ainda depende bastante dessa mediação do adulto. Bom, pelo que você tá falando também, é o papel dos pais é fundamental, né, Ananda? Quer dizer, a escola tem um papel é certamente, talvez o mais importante na educação, assim, eh, eh, em termos de aprendizado e tudo mais, mas em casa também é importante demais que haja e esse papel do do dos pais. Com certeza. Eh, a parceria entre a escola e a família é fundamental. Eh, até porque são os dois espaços, né, onde a criança convive e quanto mais alinhado eles tiverem, eh, tudo funciona melhor, né? E aí, pensando em casa, os pais podem utilizar situações cotidianas mesmo para treinar essa habilidade, né? A gente enquanto adulto muitas vezes tem a tendência do querer resolver pela criança, né? Mas a medida como a quando a gente se coloca como um suporte ali e ajuda a criança a refletir, a pensar, a buscar soluções antes de ir e resolver por ela, a os pais estão tendo um papel incrível assim em em ajudá-la a desenvolver. Por que, por exemplo, que o quais atividades que devem ser realizadas, que tipo de ações que os pais devem fazer? Uhum. Eu acho que a vida em família ela já proporciona algumas oportunidades, André. Então, por exemplo, uma simples escolha de ah, quem vai quem vai escolher o passeio de hoje? Onde nós vamos, né? Essa troca de turnos, né? Então, olha, essa vez é a de do papai, a próxima vez é da mamãe. O filho também vai ter a chance de escolher e colocar ali a sua vontade, vai se sentir pertencente e vai entendendo essa questão da troca do turno, né? E isso vai ajudá-lo com certeza. outras situações ali, mediação entre briga entre irmãos ou eventualmente assim um conflito entre primos pela escolha da brincadeira ou escolha de um filme. O adulto pode ir construindo no dia a dia eh um espaço seguro para que a criança se coloque, mas também possa experimentar a frustração, que acho que aí é realmente o ponto mais difícil. Não, Ananda, eu acho muito interessante porque às vezes as pessoas falam: "Não, é criança, é praticamente um bebê ainda, mas eh a gente olha já a criançada, eles eles ficam irritados, eles ficam extremamente felizes, eles vão do eh do 8 ao 80. É uma coisa impressionante, né? Por isso, quanto mais cedo de fato, como você diz, começar a trabalhar isso é melhor, né? Exatamente. Exatamente. Eh, a infância e aí também a adolescência, eh, são fases marcadas pela intensidade emocional, né? E é isso, é isso que você falou do 880, né? Dessa intensidade das emoções. Por isso que a criança ela não pode ser deixada para viver tudo isso sozinho, porque ela não tem condições assim, maturidade, né? Mas ela sendo acompanhada, ela vai conseguir lidar com essa força das emoções e aí também auxiliar passá-la pela passar pela frustração, né? Acho que esse é um grande desafio, mas que a criança aos poucos consegue. Olha, eu sinto esse desconforto, ele é difícil, mas com ajuda eu vejo que ele passa, né? ou eu encontro uma solução para isso. Eu sou capaz, né, de criar uma solução para para esse meu desconforto, para me regular emocionalmente, para voltar e e pedir desculpas em refazer ali a a as relações. Então, a criança com suporte, ela vai ganhando e a gente vai vendo grande diferença ali de uma criança de 4 c depois de 7 8 9 10 e aí entrada na adolescência é um marco importante também. Qual o papel da escola nisso tudo? Ah, bom, o papel da escola é gigantesco, é uma responsabilidade muito grande. Eh, e o nosso papel enquanto educador é fazer uma mediação saudável. A gente precisa ter enquanto educador uma escuta ativa e a gente precisa agir como mediadores sensíveis. A gente precisa entender qual é a necessidade que essa criança está me comunicando, né? Quando ela me pede ajuda para resolver um conflito. Eh, eu preciso intervir na medida certa. Então, é um papel desafiador também. Será que eu estou ensinando a criança a resolver ou eu estou resolvendo por ela, né? E aqui na escola a gente tem práticas que ajudam a exercitar essas habilidades de maneira muito muito relevante. Eh, uma delas são as comissões, né? a gente trabalha aqui na escola com comissões, é formada pelos próprios estudantes, onde eles identificam problemas da escola ou eventualmente trazem disputas de relacionamento e podem pensar em conjunto com os educadores em soluções, né? Elas aprendem a dialogar, elas têm oportunidade de fazer interposição de ideias, né, e fazer votações eventualmente sobre temas que elas consideram importantes. E nessas experiências, né, elas estão treinando essas habilidades de resolver conflitos. Boa, boa. Eh, Ananda, tem muitos pais que assistem ao quadro de Olho na educação que estão às vezes passando por algumas dificuldades. Puxa vida, não sei exatamente o que fazer, como lidar com esse problema, como lidar com essas com essa situação. Então, assim, suas considerações finais, aproveite também para passar algumas dicas pros pais que estão conosco aqui no quadro de Olho na Educação, por favor, Ananda. Sim. Eh, educar é uma tarefa desafiadora, né? E quando a gente consegue estabelecer a a parceria entre uma família que está interessada no bem da criança, em desenvolver essas habilidades e a atuação da escola também, a gente tem a combinação perfeita, né? Então, pais, eh, utilizem situações do dia a dia, eh, acreditem que o que todo esse esforço que vocês estão fazendo, no sentido de mediar, de ajudar suas crianças a lidarem com as frustrações, eh vão ter efeitos eh extremamente positivos para ela enquanto adulto, né? Para se tornar um adulto funcional, saudável, que sabe conviver de maneira respeitosa e responsável também. Valeu, muito obrigado pela entrevista, Nanda. Obrigada André pela oportunidade. Bom pessoal, é isso aí. Eu sou André Aranha e você já sabe, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao. [Música]