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DE OLHO NA EDUCAÇÃO - EDUCAÇÃO ALÉM DO "WWW"
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DE OLHO NA EDUCAÇÃO - EDUCAÇÃO ALÉM DO "WWW"

8 views Publicado 12/07/2021 HD · 15:20

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DE OLHO NA EDUCAÇÃO - EDUCAÇÃO ALÉM DO "WWW" - 08-07-2021

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Bom, é o quadro de olho na educação aqui na tela da TV Câmara Campinas. Olha, mais de 4 milhões de estudantes da rede pública estadual não têm acesso à internet de acordo com o IBGE. É um tema bastante importante, por isso a gente vai conversar aqui com o Ismael, que é doutor em educação. vai bater um papo conosco para falar a respeito desta situação. Tudo bem, Ismael? Olá, como vai? Prazer estar conversando com todos os seus telespectadores. Muito obrigado, o prazer é todo nosso, Ismael. Para falar um pouco a respeito desta situação, é um número realmente que impressiona, mais de 4 milhões de estudantes da rede pública estadual que não têm acesso à internet. Sim, esse número assusta Porque hoje a gente sabe e tem certeza De que a internet é uma ferramenta que dá acesso ao mundo Então, quando eu estou alijado deste acesso É como se eu estivesse distante de todas as coisas que estão acontecendo De todas as informações Isso faz com que essas crianças estejam muito distantes das outras que têm acesso, equipamento e assim por diante. Então, a distância social que isso gera é incrível, isso é um passivo muito negativo para a nossa sociedade. Bom, e chama mais atenção ainda, principalmente, nas regiões norte e nordeste, né, Ismael? Eu gostaria que você falasse um pouco a respeito disso, porque nessas regiões tem menos ainda acesso aos estudantes, né? É, quando o Estado brasileiro opta por fazer o processo de aulas remotas através da internet, que é exatamente o que está acontecendo agora com a pandemia, nós temos nos estados mais distantes, nas populações mais carentes, um problema muito sério, porque eles não têm acesso à internet, consequentemente, eles estão sem aula, literalmente sem aula, durante este ano, quase ano e meio. Quando o Estado opta por usar a internet como ferramenta para levar a informação para os estudantes, o Estado deveria levar em consideração que esse número é um número bastante alto, e tentar procurar alternativas, alternativas que existem, não precisa ser necessariamente o uso da internet para que eu tenha, então, aulas remotas. Eu posso usar a televisão, e nós temos uma quantidade muito grande de TVs estatais no Brasil, eu poderia usar o rádio, que também tem uma penetração muito grande em todas as comunidades, até as comunidades mais distantes. Mas quando se opta por o uso da internet como a ferramenta para fazer educação no Brasil, nós temos um problema muito sério e parece que isso não está impactando os governantes da maneira como deveria impactar. Pois é, então para a gente informar aqui direitinho, olha só, no norte do país, eu anotei aqui, E 38,4% apenas das residências da zona rural tinham acesso à internet. E no Nordeste o percentual era de 51,9%. Portanto, realmente é algo que impressiona e chama muito a atenção. Como disse o Ismael agora para a gente aqui no quadro de Olho na Educação, Uma única saída, então, seria a utilização do rádio e da televisão nesses casos, Ismael? Sem dúvida, porque se nós temos uma situação, que é uma situação de barreira, barreira de acesso, esse é o termo correto, barreira de acesso, nós temos essa barreira e essa barreira não se resolve, a não ser com um investimento muito grande para que realmente essas comunidades comunidades possam ter acesso à internet. Então, eu tenho que procurar uma alternativa. Eu não posso simplesmente olhar para este número e ficar de braços cruzados. Eu deveria ter olhado para esse número antes até de optar por esta ferramenta para poder construir esta relação de ensino e aprendizagem. Então, eu tenho que procurar as alternativas. Essas alternativas já são aplicadas em vários países do mundo, porque esse fenômeno de não acesso à internet não é um problema só do Brasil. Nós temos outros países que também se encontram numa situação como essa. Posso citar para vocês o México, por exemplo. No México, as populações mais distantes dos grandes centros também não têm acesso à internet. E eles optaram pelo rádio. Por quê? Porque o rádio chega, porque nós temos uma quantidade no mundo todo, principalmente no Brasil, de rádios que são rádios comunitárias e que funcionam muito bem, elas atendem as comunidades. E se eu fizer um programa para que realmente, em um determinado horário, as crianças, os adolescentes tenham essa informação pelo rádio, sendo que o material escolar pode chegar através do correio ou através da própria escola, então a secretaria manda o material para a escola e as crianças retiram na escola, Então, eu teria esse problema assanado, mas isso é algo que é muito sério, a gente tem que olhar para isso com muita atenção e se preocupar com isso, isso tem que vir para a pauta das nossas conversas e eu quero parabenizar vocês por terem pautado esse tema tão importante. Legal, bacana, Ismael. Agora, o Brasil é certamente um dos países no mundo que tem o maior número de emissoras de televisão reguladas e tudo mais. Como que fica a distribuição de informações para as escolas públicas utilizando essa plataforma, Ismael? Então, eu só quero voltar num aspecto antes de te responder, André, porque nós temos também um problema muito sério aqui no Brasil, que não é só o problema do acesso através das redes, dos wi-fi, etc. Nós temos também aqui no Brasil um problema muito sério dos equipamentos para que as crianças e os adolescentes e jovens possam acessar estas informações. Então, quando nós temos esses números, André, em que a gente chega em 4 milhões e alguma coisa de crianças em idade escolar que não têm acesso à internet, se nós levarmos em consideração aquelas famílias que têm um telefone celular, normalmente, um telefone celular pré-pago, e nós temos nessa família três, quatro, cinco crianças para fazer o acesso dessa informação, esse número quase quadruplica. Nós chegamos a perto de 20 milhões de crianças em idade escolar sem acesso à informação. Então, o número é mais crítico, porque nós temos a barreira do sinal e nós temos a barreira do equipamento, Porque um telefone pré-pago não consegue acessar de maneira adequada todas as aulas que são transmitidas. Ele não consegue gravar, as crianças não conseguem assistir no segundo momento. E, às vezes, as crianças ficam disputando um telefone. Então, a gente tem que levar em consideração esses dois aspectos. Eu coloco isso para responder a sua questão, de que maneira é possível a gente usar as TVs e as rádios? A partir de um planejamento. Um planejamento que teria que ser centralizado, certamente, ou um centralizado em termos de país, que é o ideal que aconteça, onde nós teríamos uma programação que fosse uma programação única. Então, vamos pensar, aula de língua portuguesa para a sétima série iria acontecer às terças-feiras, das duas da tarde às três da tarde. Então, todas as crianças do Brasil, independente do fuso horário, um pouco antes ou um pouco depois, elas abririam as suas apostilas que receberiam pelo Correio ou retirariam na própria escola e ligariam o seu aparelho de rádio, que certamente existe, porque o radinho de pilha, como eu disse, existe em qualquer comunidade, isso é uma realidade, e elas teriam oportunidade de ouvir aquela aula, ouvir a explicação do professor. Existe toda uma técnica para construir uma lógica usando o rádio. No Brasil, a gente já fez isso. No Brasil, isso já aconteceu em outras épocas. Tenho que lembrar aos seus telespectadores que existiu no Brasil uma coisa chamada telecurso, e que muita gente foi, inclusive, capacitada para ter o seu diploma do ensino médio, na época do colegial, ou da oitava série, como era chamada antigamente, através do telecurso. Então, se isso funcionou lá atrás, no momento de pandemia, nós poderíamos retomar, inclusive, coisas que já foram comprovadamente feitas e com resultados positivos. Então é uma questão de vontade política, essa é a minha opinião. Nós tínhamos que olhar para isso com um pouco mais de atenção. Com certeza, até porque, Ismael, do ponto de vista de políticas públicas, o Brasil está muito atrasado nessa questão que envolve toda essa situação de internet, de ensino híbrido e tudo mais. A gente está muito, muito atrasado. É, e mesmo para aquelas comunidades, André, que possuem internet, nós temos uma terceira barreira. A primeira é o sinal, a segunda barreira é o equipamento e a terceira barreira, inclusive, é a capacitação dos professores. Porque os professores foram pegos de surpresa, os professores estavam acostumados a trabalhar presencialmente e, de uma hora para outra, eles foram levados a trabalhar através de uma plataforma, que é o notebook, o computador, o telefone celular, não importa. E se deu muito pouca importância à capacitação do professor, porque você, como uma pessoa de imprensa, sabe que a linguagem no presencial é completamente diferente da linguagem que é permeada, mediada, por uma plataforma. Quando você fala na televisão, você tem uma linguagem diferente daquela que você fala presencialmente. E o professor aprendeu a dar aula presencialmente. Quando ele se vê frente a frente a uma câmera, exigindo que ele trabalhe todo o seu conteúdo de uma maneira diferente, ele não está preparado para isso. Foi herói, e eu aplaudo todos os professores do Brasil todo, aí da região também, que eu sei que houve um esforço muito grande dos professores para que pudessem fazer uma entrega de qualidade para todas as crianças, e adolescentes, mas a realidade é que eles ainda estão tentando fazer uma entrega dentro de um padrão que a mediação por uma câmera exige, e isso realmente não é tão fácil assim, é necessário aprender, e eles não foram ensinados nesse sentido. Bom, estamos conversando com Ismael Rocha, que é doutor em educação, a respeito deste tema tão importante, não é? É por isso que a gente abriu esse espaço, porque é certamente um assunto que interessa muita gente, são números que impressionam. O próprio Ismael falou que esses 4 milhões, eles chegam a 20 milhões de estudantes que não têm acesso à internet, porque na verdade fica sem o equipamento também. Então, essa é uma questão que precisa, logicamente, ser avaliada com muito carinho pelos governantes do Brasil. Alguma coisa que você queira falar para encerrar? Alguma coisa que talvez eu tenha deixado de perguntar, Ismael? André, eu quero só agradecer a oportunidade e pedir para que os seus telespectadores coloquem na pauta da conversa na hora do almoço, na hora do jantar, com os amigos no final de semana, o tema educação. A gente precisa trazer o tema educação para dentro das nossas casas para que a gente possa realmente caminhar como uma nação para algo que seja realmente diferenciado daqui para frente. Temos esta oportunidade. A pandemia cria também uma oportunidade para a gente, que a gente fale de educação de uma maneira um pouco mais caseira, ou seja, que isso faça parte da nossa realidade. Porque um país só consegue progredir, só consegue subir alguns degraus se ele tiver uma boa educação. E essa não é uma responsabilidade só dos governantes, também é uma responsabilidade nossa. Nós temos que falar sobre isso, Exigir que haja realmente uma educação melhor Promover, acompanhar os nossos filhos Então a gente tem que ter um trabalho aí Que seja um trabalho coletivo Esse é o meu recado final para todos os seus telespectadores Vamos falar sobre educação no nosso dia a dia É, boa dica, né? E a gente abre esse espaço Tanto que o quadro, o nome do quadro é De Olho na Educação De tão importante que é esse último recado que você passou para os telespectadores. Muito obrigado, Ismael. Um abraço a todos. Obrigado. Valeu. Então é isso, pessoal. Até a próxima oportunidade aqui no quadro de Olho na Educação. Tchau.
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