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Tá no ar mais um de olho na educação e hoje nós vamos falar sobre os benefícios da aprendizagem em grupo. Quem nunca fez aquele trabalho em grupo na escola, na faculdade, né? E quem vai falar mais sobre esse tema é a Daniela, professora da área de administração aqui da ITEC Bento Quirino em Campinas. Professora, pra gente começar, né, as atividades em grupo, né, o trabalho em grupo, eh, incentivam a autonomia e também o protagonismo dos alunos, dos estudantes? Oi, Rafa. Sim, com certeza. Incentiva muito. É assim impressionante como muda, né, quando a gente faz uma proposta. Eh, vamos, a partir de agora vocês serão os protagonistas, vocês vão assumir aí esse compromisso e a gente vai trabalhar em grupos. E aí a sala se transforma, deixa de ser o individual para ser eh o coletivo, né? Então é algo que transforma mesmo a nossa sala de aula, o nosso ambiente e a partir daquele momento a gente começa a trabalhar diferente. Então é algo que muda muito, transforma os alunos. E o legal, né, eu acredito que do trabalho em grupo é que o trabalho em grupo ele pode ser utilizado em diferentes áreas do ensino, né, em diferentes cursos, em diferentes matérias, né, sempre vai dar um jeito de ter um trabalho em grupo, né, professora? Sim, o trabalho em grupo ele é bem eh a gente consegue trabalhar ele em diversos momentos, né? Eh, falando mais da área de administração, que é o nosso ramo aqui onde eu leciono, eh, eu dou aula assim de RH, de marketing, dou aula de administração, logística e a gente consegue, na verdade, eu trabalho com todas as turmas, eu trabalho em grupo, então eu trabalho às vezes uma atividade mais prática, com vendas, eh às vezes uma atividade mais teórica, mais com uma apresentação. Então é algo que dá para trabalhar, ele é muito eclético, né? Ele dá para ser trabalhado assim em diversas turmas, em diversos componentes e é sempre agregador, né? Ele agrega bastante e também diferentes faixa etárias também, né? Com certeza. Nós temos alunos aqui na Etec Bento Quirino de 14 a 60 anos, se a gente considerar o curso modular também, né? Então, a gente tem os cursos do dia, que são mais o pessoal da faixa etária mais de jovens, eh, e à noite a gente tem um público mais adulto, então a gente consegue incluir, trabalhar esse pessoal adulto também. É bacana porque o pessoal da noite eles são um pouco mais concentrados, centrados, eles não têm tanto relacionamento, mas a partir do momento que a gente começa a propor a questão do trabalhar trabalho em grupo, eles também se transformam, eles começam a socializar, eles começam a mudar assim de atitude. E quais são os principais benefícios, né, do trabalho em grupo? Tem uma variedade ali, né, professora? Sim, tem uma variedade e assim alguns já até citei, mas dá pra gente ainda reforçar essa questão da socialização, essa questão de eh da inclusão mesmo, né? Tem alguns alunos que são mais retraídos, mais tímidos e eles a partir dessa proposta eles começam a desenvolver um pouco mais, eles começam a perceber e se sentir um pouco mais pertencente àquele espaço, né? Então ele se sente eh a ao mesmo tempo que ele tem aquela personalidade de timidez, eh o a propósito do trabalho em grupo, ele é meio que obrigado a conversar e socializar e sentir parte. Ele se sente pertencente, isso é um dos benefícios. Mas assim, eh a gente pode enumerar assim vários, né? Eh, por exemplo, ah, além de se sentir pertencente, socializar, se incluir, eh, o próprio trabalho em grupo, ele é agregador porque um tem uma opinião, o outro tem outra. O conhecimento que vai ser agregado. Então, as pesquisas eles às vezes dividem os trabalhos, né? Então, ah, eu vou fazer uma parte, você, mas na hora que junta tudo, transforma num todo, o tanto que aquilo agregou, né? o tanto que de informação que ele conseguiu adquirir, esse convívio entre eles, né? Essa troca de experiência, de conhecimento, né? Sim. O próprio conhecimento, então, ele ele constrói um conhecimento a partir dos outros, né? Então, trabalhar em grupo é uma construção desse conhecimento a partir de outras pessoas também. Isso é um grande benefício. Eu também acredito que tem a questão da capacidade cognitiva também, né, professora? Sim, sim. a capacidade cognitiva eh melhora, porque assim, a a atividade em grupo normalmente ela vem aliada, né, em conjunto com uma pesquisa, com uma apresentação. Muitos, assim, uma grande maioria tem uma dificuldade para apresentar, ai eu sou muito tímida, eu tenho medo, eu vou eh gaguejar, eu vou tremer na hora, não vou conseguir, mas eles, como eu falei, eles se transformam, né? E aí eles eh quando a gente faz essa proposta, claro que vai muito também do professor, né? Então, o professor ele tem que incentivar, ele tem que eh confiar no aluno e demonstrar pro aluno que ele é capaz, que dar segurança. E aí ele se transforma e ele começa então a conseguir falar melhor, a conseguir falar em público, a conseguir dialogar, a conseguir ter menos medo e muito mais segurança. Eu acredito que muitas pessoas, né, depois de algum trabalho em grupo, eh, eles saem desse trabalho assim, né, tipo uma outra pessoa, né, mais comunicativo, com mais desenvoltura, eh, amigo de um de uma outra pessoa que ele não tinha tanto contato. Também tem tudo isso da questão do da aprendizagem em grupo, né, professora? Sim, sim. Principalmente assim os alunos do ensino médio, né, que são os mais jovens. Então, quando a gente pega no primeiro ano e faz uma proposta de trabalho, atividade em grupo, eles tão chegando naquela hora, naquele momento, então eles ainda não se conhecem. E aí a partir desse momento do grupo, dessa proposta, eles começam a a entender o outro, a conhecer o outro e às vezes eles continuam com esse outro até o terceiro ano. Às vezes não, às vezes eles interrompem, eles: "Ah, esse não é bem o meu estilo, eu não tenho mais tanta essa afinidade com esse". Então eles começam a perceber o outro também, né? Então, eh, tem essa questão de de se transformar. Eles entram como jovens, crianças, a gente costuma chamar, né, nossas crianças, eles entram como crianças e eles saem transformados porque realmente e principalmente aqui na ITEC Bento Quirino, a gente trabalha muito essa questão do grupo, da apresentação, de eh dar protagonismo pro aluno, fazer ele se sentir pertencente, então eh ele realmente sai um aluno transformado. E e essa questão, né, do trabalho em grupo também é boa pro presente ali que a que o aluno que o estudante está vivendo, mas também é muito importante pro futuro, né, pro pro adulto do da dessa pessoa, né? Exatamente. A gente eh trabalha aqui com esses essa questão da de concentrar esforços em formar um profissional para o mercado de trabalho. Então e e em todo momento que quando a gente faz uma proposta de trabalho em grupo, a gente fala pros alunos: "Ah, mas para que tem que apresentar? Para que que eu tenho que fazer com fulano? Porque no mercado você não escolhe. No mercado você raramente você é sozinho, né? né? Raramente você é sozinho. Existem, né, algumas profissões que você tem que ficar ali sozinho, concentrado em alguma coisa, mas são raras as profissões, né? E aí, então a gente eh explica isso pro aluno, né? Fala: "Olha, aqui é só um treino, a na verdade a sua vida mesmo tá lá fora". E a gente trabalha isso, a gente aqui o nosso propósito principal é transformar o aluno para o mercado de trabalho. Então é nesse sentido que a gente faz não só a proposta, mas que a gente acompanha, que a gente vai até a finalização desse trabalho em grupo, dessa apresentação e dessa conclusão. E professora, né, agora falando da parte do docente assim, né, o que que vocês esperam, né, quando vai realizar um trabalho em grupo? O que que vocês esperam da sala dos alunos? Como que é? Olha, Rafa, é complicado a gente generalizar, porque cada sala é uma sala, né? Assim, a gente tem eh personalidades diversas assim que não dá pra gente falar: "Ah, essa sala, né, todas as salas eu vou esperar isso ou aquilo". Porque a gente tem eh já tive experiências assim fantásticas de eh grupos que assim desenvolveram e se transformaram e que a gente fica realmente impressionado. Mas já tive experiências de que não que não foram boas, todos têm sempre tem um lado positivo, mas que não conseguiram atingir ou ultrapassar aquele limite, né, aquela eh ou superaram as expectativas. Tive tive salas assim também. Mas o que que a gente espera com essa proposta? A gente espera exatamente isso, que o aluno ele consiga socializar, ele consiga aumentar o seu conhecimento, ele consiga através de outros alunos eh entender que o trabalho em grupo é importante, entender que isso é uma construção, entender que isso faz parte da aprendizagem, do ensino aprendizagem e que isso faz parte não só da nossa escola, da nossa sala de aula, como do mercado de trabalho. E na questão da formação dos grupos, a melhor opção é dar autonomia pros alunos escolherem o seu grupo ou vocês escolherem lá tirar o time? Ó, você com fulano, fulano, fulano, como que é? Rafa, essa é uma boa pergunta. Eh, eu gosto muito de trabalhar com a autonomia dos alunos, por eh, se eu de repente escolho um grupo e esse grupo no futuro tem algum problema, como você falou, às vezes tem divergência dentro do próprio grupo. Se tem algum problema, ah, professora, mas foi você que escolheu fulano para ficar nesse grupo? Não. Então, até comento com os alunos, é uma questão de maturidade, tá? maturidade, responsabilidade, a escolha de vocês. Então, lembrem-se, vocês vão escolher esse colega, aquele aluno para ir com vocês e caminhar até a conclusão desse trabalho. Então, eles levam essa responsabilidade. A gente sabe, né, a gente, nós professores, o nosso acompanhamento diário na rotina, a gente sabe que tem alguns que são carregados, né? Mas a gente, a nossa avaliação, ela é individual, ela não é uma avaliação somente coletiva, a avaliação é individual. Então, eh, a gente sabe que que vai vão existir algumas barreiras nesse sentido, mas a escolha eu gosto muito de trabalhar com a autonomia do aluno, com a responsabilidade do aluno. Eles estão escolhendo o grupo e eles vão com esse grupo até o final. Eu acredito que essa questão do professor escolher é mais é mais para faixa etárias menores, né, professora? Eu acredito que sim. A gente tem, né, uma uma questão quando é infantil, né, eles ainda não têm essa autonomia, vão querer os meninos chamar mais os meninos que jogam bola, chutar bola para, então eles não vão ter essa capacidade. Então para para misturar é interessante a escolha do professor. Mas sabe o que é bacana, Rafa? Porque quando é primeiro ano e eles ainda tão chegando, eles também não se conhecem. Então a gente quebra essa questão, né, de tá eh ah, vai todo mundo que gosta de cozinhar vai ficar nesse grupo, todo mundo que gosta de apresentar, então porque eles ainda não se conhecem. Então mistura. E eu gosto muito dessa mistura. Eu acho que isso é o que mais complementa, né? Às vezes a gente sente, né, que o grupo tá muito eh tem muito, por exemplo, muita afinidade com desenho, né? você chegou a comentar, por exemplo, ah, vamos trabalhar projetos, né, layout. E aí aqueles alunos trabalham muito com desenhos e aí a gente tenta misturar, falar: "Ah, você já tem bastante afinidade, vamos num outro grupo". A gente tenta conduzir, mas isso é é são raras as exceções. Eu gosto muito de trabalhar mesmo essa questão deles escolherem. Professora, a gente falou dos benefícios, né? E mas também tem algumas dificuldades, né? Quais são as principais? essa questão da distribuição de tarefas, né, eu acho que é uma uma questão que bate muito na tecla, né, de tentar tirar o aluno do que ele é mais acomodado, né, tentar eh levar para um outro lado para que ele saia desse dessa comodidade, né, saia desse e conforto, né? Sim. A ideia, o propósito é que o aluno desenvolva outras habilidades. Aquela que ele entrou já com aquela habilidade, a gente já sabe. Então, a ideia é que ele desenvolva outras habilidades. Então, ele tem domínio, por exemplo, no desenho. Agora ele vai precisar passar pela apresentação. Agora ele vai precisar passar pela pelo pela troca de ideias, pela escrita. Então, eh assim, eh a distribuição de tarefas é uma etapa que eu faço muita questão. Eu peço para que os alunos, inclusive coloquem isso nos trabalhos, eh, que como no trabalho escrito, qual uma da um dos itens é divisão e distribuição de tarefas, quem vai ficar com quem? E aí naquela distribuição, inclusive eu normalmente conduzo assim, pessoal, lembrando que o grupo, vocês trabalham em grupo, então o grupo ele precisa ter essa sintonia de todo mundo saber de tudo, né? Mas que que a gente sabe que um vai fazer isso, outro vai fazer aquilo, depois vocês têm que juntar para ter um trabalho bem estruturado e tudo mais. Mas essa parte da distribuição de tarefas é um um desafio, vamos dizer assim, que precisa de muito acompanhamento. A gente precisa tá bem de perto. Então, como você falou, tem benefícios, mas tem essa questão, é uma, não é uma desvantagem, mas é que é algo que precisa ser trabalhado no dia a dia, mais próximo para ter esse acompanhamento, essa visão, esse olhar e poder daí conduzir da melhor forma. Dani, pra gente finalizar aqui, tem mais alguma coisa que você queira falar sobre, né, essa questão da aprendizagem em grupo, né, pros estudantes, pros alunos? Olha, eh, Rafa, eu acho que é importante de verdade, assim, qualquer aprendizado. Eu acho que o conhecimento é algo que ninguém tira da gente. Eh, eu sou uma pessoa que, apesar de ser formada há algum tempo, eu continuo estudando até hoje. E assim, eh, sempre me fez muito bem. Então eu aconselho todos os meus alunos e quem tiver então assistindo que não pare de estudar. Não pare de estudar. Eu acho que eh a gente quando a gente para de estudar, a gente estagna, a gente acaba eh ficando para trás. Então é muito importante a gente se sentir útil, a gente se sentir vivo, a gente ter esse domínio, a gente conseguir eh falar com as pessoas, conversar com as pessoas sobre todos os assuntos. Então essa questão não de estudo, de parar de estudar, é é algo que eu não eu não aconselho para ninguém. E o trabalhar em grupo, que também existe aí uma dificuldade, né? A gente, eu tô falando para você do que eu vivo aqui, mas eu tenho experiência de dificuldade de aluno não ter essa sintonia, não querer. E aí a gente tem que agregar, a gente tem que buscar e dar uma forçadinha para que daí ele consiga ver. Porque é isso, né, Rafa? Por mais que ele tenha essa esse bloqueio, depois que ele vê tudo que ele conseguiu eh agregar e absorver, ele agradece. Então eu acho que é isso, a gente precisa tá aberto para esse tipo de trabalho. O trabalho em grupo ele é sempre agregador. Eh, eu acho que uma cabeça pensa muito menos do que várias juntas, né? Então eu acho que é isso. Então a gente precisa ter pessoas. A gente precisa ter pessoas para ajudar a gente não somente na nossa vida acadêmica, como na nossa vida pessoal também. Então, a gente precisa de pessoas e precisa trabalhar em grupo. Fica a dica aí para vocês. Dani, muito obrigado por essa aula aqui, né, sobre aprendizagem em grupo, né, sobre o trabalho em grupo, como eu falei no início, né, quem nunca teve um trabalho em grupo na escola e também na faculdade, né? Então é isso, muito obrigado, viu? Imagina. Obrigado a você, Rafa. Obrigado. E pessoal, ó, não se esqueça de nos seguir nas redes sociais, no Instagram e no Facebook, TV Câmara Campinas e também de nos acompanhar no YouTube, lá no nosso canal TV Câmara Campinas, onde tem toda a nossa programação, nossos quadros, nossos programas e todas as nossas reportagens. Um abraço e até o próximo de olho na educação.