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Bom, pessoal, quadro de olho na educação. Só um assunto super importante, porque nós vamos conversar sobre analfabetismo funcional com o Mac, que é experiente, diretor pedagógico, vai bater um papo conosco, falar sobre isso. Antes de mais nada, muito obrigado por nos atender aqui no quadro de Olho na Educação, Maicel, agradeço a presença de vocês e vamos bater um papo sobre isso, tão importante pro país. Bom, a primeira coisa que as pessoas certamente estão perguntando o que é exatamente um analfabeto funcional? O analfabeto funcional, ele é um cidadão, uma pessoa que ele tem pleno conhecimento sobre o código de linguagem matemática, mas a complexidade da da identificação disso para ele ou na argumentação ou no entendimento de argumentos é muito rasa. Ele é capaz de não identificar dentro de um texto, de uma notícia, de alguma informação, algo mais profundo do que alguém com alfabeto bem mais pleno. Então é algo que sim, existe, mas precisa ser melhorado para que essa pessoa possa ser alguém mais, vamos dizer assim, envolvido com a sociedade, envolvido no mercado de trabalho. Bom, a pessoa sabe, né, mas ela não sabe, por exemplo, não tem a capacidade de interpretar um texto, por exemplo. É, isso vai ter impactos na vida dela de várias formas, né? Ela não consegue identificar informações, por exemplo, específicas de uma bula de remédio, de uma sustentação médica, eh de uma propaganda que muitas vezes pode levar um golpe, né? Então é algo preocupante que a gente precisa avançar no nosso país. Bom, e como você diz também envolve a matemática, por exemplo, para fazer uma uma conta básica até faz. É isso. Isso até faz, né? Mas se você necessitar de operações um pouco mais complexas para entender algumas circunstâncias da vida ou do mercado de trabalho, essa pessoa pode ficar fora de um processo de trabalho em função da sua inabilidade matemática também. Por que acontece isso, Michael? É, é falta eh de repente de de um ensino mais forte ou não? Isso é da pessoa é um outro problema que já não envolve tanto a educação assim? É, eu acho que plenamente é educação, né? é um sistema de ensino, eh, em nível nacional, em nível governamental de estado ou de município, que precisa ter a compreensão de que há um ponto específico pra evolução da sociedade. Se a gente não tiver investimentos nesse ponto, a gente não vai chegar ao alfabetismo pleno na maior parte da população, né? Então, não podemos descartar a especificidade da pessoa, né? A gente hoje no mercado de trabalho dentro da educação, a gente encontra no trabalho pedagógico do dia a dia alguns transtornos que influenciam a aprendizagem da criança, mas isso não pode ser colocado numa sociedade de modo geral, né? Quando a gente olha níveis de analfabetismo no país, que hoje chegam a o funcional a 29% basicamente da população, é algo que vai muito além do do individual, né? a gente tá falando de uma grande parte da sociedade que chega a essa circunstância do analfabetismo funcional e que isso pode ser superado, né? Mas é preciso que sociedade e todo o conjunto governamental compreendam a necessidade e invistam nisso, né? E aí a gente pode falar de n formas possíveis. Boa. Achei interessante esse assunto que que você abordou agora. eh como ele ele conseguiria, como a gente conseguiria superar esse esse problema, né? Não é algo do dia paraa noite, né? Um processo educativo, a gente sempre fala em gerações de estudantes, né? Então os números que nós temos hoje no país, né? Eles não são refruto do trabalho da semana passada. A gente tá falando de um acúmulo de tempo, né? é um acúmulo de políticas que eventualmente deveriam ser políticas de estado ou de governo ou perdão, de estado ou de país e que na verdade são de governo, né? Então muda o governo, muda a política e a população continua sem a possibilidade de avançar. Então os números da educação básica no país, eles são muito influenciados por essas circunstâncias, né? A geração que hoje está chegando na universidade, que é um número maior em função das políticas recentes, eh eventualmente é uma geração que não tem a formação básica para estar na universidade. Então é muito comum na universidade hoje nós encontrarmos no nos cursos algumas disciplinas que são básicas para colocar todo mundo no mesmo nível de linguagem, no mesmo nível de matemática, né? enquando, na verdade, essa o curso já deveria avançar, né, em complexidade. Então, não podemos resolver esse ponto do dia paraa noite, mas a gente não pode parar de investir. É um processo, é um processo de médio longo prazo. Nós vamos ter que superar. Bom, eu tô dando uma olhadinha aqui, Marco. Olha só, o levantamento de uma pesquisa feita eh pelo indicador de alfabetismo funcional aponta que 29% dos brasileiros, quer dizer, praticamente 30%, praticamente 1/3, de 15 a 64 anos estão nessa condição. É, é um número que a mim particularmente chamou muito atenção, muito atenção, né? Porque um número importante aqui, né? Se a gente pegar a sociedade do Brasil inteira, a gente tá falando é de pelo menos 90, quase 100 milhões de pessoas, né, nessa condição. Impressionante. Esse é muito muito é muito grave, né? Eh, por outro lado, a gente também tem que olhar um como avançar nesse ponto, né? A gente não pode desistir em função de um número tão alto, né? a gente tem que começar a insistir num trabalho permanente. Por isso que investir em educação não é perder dinheiro, é investimento, né? é quando a a sociedade e a família juntos projetam o futuro dessa juventude e esse futuro vai passar para uma educação mais consistente. E também estamos falando, na verdade, da da formação de docentes, do investimento em universidade para que esse docente chega na sala de aula da educação básica mais capacitado a formar eh alfabetos funcionais. Desculpa, analfabetos funcionais não é o objetivo da escola, né? O objetivo da escola é formar alfabetos pleno, dúvida. Pessoas completamente hábis lidar com o mercado e com a vida. Sem dúvida. Bom, tô dando uma olhadinha aqui. Existem alguns níveis de analfabetismo, né, Maon? Sim. Eh, gostaria que você falasse sobre os mais importantes aí pro pessoal que tá em casa entender direitinho. Se a gente pegar o histórico do país, a gente nunca conseguiu avançar de 25% da sociedade, sendo o que é chamado de alfab a pessoa alfabetizada plenamente, né? Dentro desses tem os proficientes, ou seja, são aquelas pessoas que são plenamente capacitadas em lidar com a linguagem, com a matemática. Então, historicamente, isso sempre variou em 25%, não mais que isso. Nos últimos anos, nas últimas décadas, a educação vem avançando no país. Isso é innegável. O que chama atenção é que nos últimos três a 5 anos, o alo alfabetismo funcional, ele vem sendo ampliado, né? É claro que isso também passa por novas pesquisas que conseguem chegar no mais detalhe em relação a esses dados. É claro que isso também passa pelo pela permanência do estudante na escola, porque um tema associado ao analfabetismo funcional é a evasão escolar, né? Quando a criança ou o jovem deixa a escola por algum motivo relacionado à sua família ou um processo social, né? Então esses dois temas caminham junto, né? Enquanto o país não resolver plenamente uma educação universal para todos, a gente não vai conseguir avançar em complexização da aprendizagem, né? Então, investir na educação, dar acesso a todos, não significa por si só um ensino de qualidade. O que vai trazer o ensino de qualidade é o projeto pedagógico estabelecido. Por isso que é muito importante deixar claro para todo mundo que tá assistindo a gente que educação não é um projeto de governo. Educação é um projeto de país, é uma educação um projeto do estado, uma educação um projeto do município, né? A gente não pode ter a educação sendo alterada a partir da mudança dos governos. É, a cada 4 anos muda governo às vezes, né? E se a educação não for considerada um pilar da sociedade, onde a própria sociedade cuida disso, a gente vai ficar a mercedem no país, né? E aí a gente tá preso nisso há décadas, né? A gente discute ao analfabetismo funcional no país o números ruins do IDEB há décadas. A gente discute isso aneco, com certeza. Não é um assunto que surgiu agora na mídia, não foi ontem que exhar com mais cuidado, olhar o processo histórico do país, né? E a cada governo, sim, na sua regionalidade, nesse país tão diverso, observar as necessidades do seu povo e estabelecer um processo de governo, mas sim associado a um processo de país. Bom, por falar nisso, você fez geografia, né? Sim, sou formado em geografia aqui pela Unicamp, tenho doutorado em geografia também aqui pela Unicamp. Boa. Então, quer dizer, esse é um assunto que tem tudo a ver, né, né, tudo a ver com a geografia, né? Quando a gente olha o desenho do país, né, num processo histórico, a gente encontra regionalidades em relação ao analfabetismo funcional. Mas se a gente vai num universo, né, de detalhe, o analfabetismo funcional, na verdade tá todo dia na nossa vida. Em qualquer espaço que você vá, você vai encontrar um processo associado a isso no dia a dia. No dia a dia. Olha só que coisa, porque as pessoas certamente não imaginam que isso vai pro dia a dia. Acho que é na hora de resolver o problema de matemática ou de Exato. O analfabetismo funcional, ele não é uma autodeclaração, né? Isso é muito importante. Isso é um é um ponto muito humano dessa pesquisa que precisa ser considerado, né? A pesquisa ela capta essa informação a partir de dados da população. Ela não entrevista a população ou ela chega até você e diz: "Aí vocês consideram um analfabeto funcional ou não?" Né? Isso é um ponto também ser discutido dentro de um processo de uma pesquisa como essa. Ninguém vai acusar o outro de ser analfabeto funcional. Mas os processos de formação superior, de emprego, de empregabilidade, de evolução de carreira, são processos que vão captar isso, certamente, né? Qualquer instituição de ensino ou instituição de mercado de trabalho, num processo de análise de carreira de uma pessoa, vai conseguir chegar a essa esse dado, né? Nenhuma grande empresa vai levar a um cargo de, vamos dizer assim, de grande responsabilidade ou de grande articulação de discurso, de lidar com dados, alguém que seja analfabeto funcional. Olha só, então essa situação também impacta o mercado de trabalho. Então, um país que precisa vivenciar uma transição para um processo mais complexo economicamente, socialmente falando, eh, vamos dizer assim, mais universal também nesse sentido, vai ter que olhar com isso com mais intensidade. Por isso que eu digo, o analfabetismo funcional não é uma questão de governo, é uma questão de país, de projeto de país. E a gente tem que olhar isso com mais olhar pro futuro e não para daqui dois tr anos. Boa, boa, Marco. Suas considerações finais aí depois dessa aula aqui que tivemos com você no quadro de olho na educação. É, a educação ela tem que ser considerada na sua completude, né? Nós somos as crianças, elas são filhos, elas são estudantes, elas são netos, elas são eh cidadãos, né? E se a gente não compreendê-los na sua totalidade, a gente nunca vai conseguir entregar uma educação de qualidade, né? Quando a educação olha só para o número final daquela estudante no final do mês, no final do bimestre, do trimestre do ano, a gente não consegue compreender o futuro desse estudante. Então, ao olhar um sistema eh de ensino onde a progressão é mais importante que a aprendizagem, eu acabo penalizando o estudante no final do processo, né? Atualmente nós estamos vivendo um momento muito importante nesse sentido e é importante que as famílias continuem confiando na escola. Talvez a escola hoje seja a última instituição resistente à conveniência do dia a dia. É muito conveniente a nossa vida hoje, né? a gente consegue pegar o celular, fazer compras, a gente consegue fazer uma série de questões, mas às vezes a escola mostra, olha, um processo de escolarização mais regrado, mais organizado, vai levar a formação de um futuro cidadão mais capaz, mais habilidoso, mais hábil a uma série de questões socioemocionais, sociais, né? Então, cuidar da escola é cuidar do futuro do país. Valeu, obrigado, André. Boa, sensacional. Bom, pessoal, eu sou André Aranha e você, claro, que já sabe, tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao [Música]