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Conexão Cultural | Quadrinhos em Campinas: realidade, humor e criação independente
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Conexão Cultural | Quadrinhos em Campinas: realidade, humor e criação independente

61 views Publicado 16/06/2025 HD · 54:57

Descrição do vídeo

No primeiro bloco, o cartunista Digo Freitas fala sobre sua produção autoral, especialmente a série Minha Vida de Cão, em que o protagonista – um alter ego em forma de cachorro – vive reflexões profundas e cotidianas ao lado de seu cão Bob, uma homenagem ao companheiro real de mais de 15 anos. As tirinhas exploram temas como ansiedade, relações sociais, trabalho e afetos, sempre com um toque de humor e sensibilidade. Digo também comenta sobre sua trajetória, sua estética própria e como os quadrinhos independentes ganham espaço nas redes sociais e nas feiras culturais. No segundo bloco, conhecemos Alexandre Esquitini, criador da editora Mistifório, que tem como missão publicar histórias nacionais, originais e ousadas, muitas vezes ignoradas pelas grandes editoras. Esquitini compartilha sua transição de designer e desenvolvedor de brinquedos para quadrinista, roteirista e editor. O bate-papo traz uma visão completa sobre o processo criativo, os desafios do mercado independente e o papel da editora como espaço de liberdade criativa. A conversa ainda conta com a participação especial de Fred Ouro Preto, diretor e produtor cultural, falando sobre como as HQs se conectam com outras linguagens artísticas e o fortalecimento da cena autoral em Campinas. Este episódio é um convite para descobrir como os quadrinhos podem ser um espelho da vida real – ou um portal para universos paralelos – e como artistas da nossa cidade estão transformando papel, tinta e pixels em cultura viva. 🎨 Se você ama quadrinhos, cultura independente ou quer conhecer novos artistas brasileiros, este programa é pra você! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[Música] No Conexão Cultural de hoje, a gente vai falar do universo HQ, esse querido da gente que remete a nossa infância, porque a gente costuma conhecer o HQ na infância, só que ele é uma possibilidade de falar de tudo de várias formas para vários públicos. públicos e quem vai conduzir a gente nessa viagem é o Digo Freitas, que é um cartoonista aqui de Campinas e recebeu a gente aqui no portal dele onde tudo acontece, né, Digo? Muito obrigada por receber a gente aqui. Ah, eu que agradeço a o convite da gente poder fazer essa conversa aqui desde 2010, né, que eu digo mergulhou fundo aí no universo quadrinista e vai contar um pouquinho pra gente dessa trajetória, como é que você começou a desenhar, na verdade, porque acho que antecede um pouquinho essa coisa dos quadrinhos. Ah, sim. A gente, a gente sempre fala que o desenhista, o quadrinista é o a criança que continua desenhando a vida inteira, porque toda criança desenha, né, de alguma forma desenvolve alguma arte ou pinta ou sei lá. Só que a gente vai passando etapas da vida e continua com aquele prazer de desenvolver a arte, de melhorar, de desenhar. E sempre foi uma coisa que fazia parte de mim, assim, de querer criar, de desenhar e tal. Eh, eu fiquei um tempo afastado dos desenhos, mas mesmo essa época que eu ficava lá fazendo jogos, eu tava criando personagens de alguma forma ou desenhando, né? Então, sempre fez parte de mim de alguma forma. Mesmo na época que eu fiquei ali, aquele iato ali, que eu não me considerava um desenhista, que eu fui voltar aos 20 anos praticamente, mas é sempre foi uma coisa que que me dava muito prazer assim. E aí eu quando eu descobri que era possível ser quadrinista no Brasil, né? Aí foi que coisa deslanchou mesmo, de verdade. Maravilhoso. Foi inspirado por quê? Por pelas obras que eu consumi, assim, é as primeiras coisas que que chegavam para mim assim de quadrinho de banca, né? Começou a chegar no Brasil, eh, quando eu tinha mais ou menos uns 11, 12 anos, começou a chegar Cavaleiro do Zodíaco, Dragon Ball, né, que foram as primeiras obras que eu li e falei: "Cara, eu quero fazer isso também". Fiquei muito à vontade. Fiz os meus primeiros quadrinhos, inclusive eu tinha comentado com você antes, né, que teve tirinha minha que quando eu era criança, que inclusive saiu no jornal do bairro, tá? Que a gente tinha um jornal lá, chamava Jornal Joia lá no do meu bairro e ele e acabou saindo uma tirinha lá porque meu pai conhecia o cara do jornal, aquele desenho todo tosquinho de criança, né? Mas é uma história aí que eu conto porque para mostrar que é uma trajetória longa, né? As pessoas às vezes vem como a gente tá hoje e não imaginam que tem todo um processo sim, pra gente se tornar o quadrinista que a gente é hoje e continua evoluindo a vida inteira, né? E e em sintonia, né? O desenhista, mas também roteirista, que tá pensando uma história para poder criar aquela que eu eu percebo que é quase uma animação, né? É uma animação 2D, é história em quadrinho, né? Ela é uma, a gente fala que tem o o os iatos entre um quadro e outro e a gente cria com a mente o a animação daquilo, né? Essa é a magia do quadrinho. A gente tem um elipse, é a palavra certa, né? Eh, você tem um desenho e um outro desenho que o personagem tá de outro jeito ou o cenário tá de outro jeito. Essa esse caminho, essa elipse entre uma cena e outra, ela é criada na cabeça da gente. Isso que é a magia do quadrinho e é a única eh mídia que a gente desenvolve a partir dessa elipse. E a gente pode criar eh infinitas possibilidades de coisas que pode ou não eh tá dentro daquela narrativa, né? Eu acho que essa é a beleza do das histórias em quadrinhos que o cinema às vezes tenta emular, né? às vezes o filme tipo Scott Ping, que tem bastante coisa de quadrinhos ou alguns filmes da Marvel que tem algumas coisas de de quadro, requadro, recorte e tal, mas não é a mesma coisa. Eu acho que a as cada linguagem, né, a gente como com quando vai escrever, né, escrever um roteiro de uma história em quadrinhos, por exemplo, você tem que entender como funciona a narrativa das histórias em quadrinhos, né? E é diferente de de você escrever um filme ou escrever uma série, uma peça de teatro, né? Cada cada mídia tem um jeito de escrever. Então o quadrinho a gente separa por quadros, né? Então você fala quadro um vai acontecer tal coisa, tal coisa, quadro dois. No caso do cinema, por exemplo, o pessoal põe o cenário, né? Ah, uma externa vai mostrar a cozinha. Tã. Então é formas diferentes de você lidar com isso. São linguagens, né? E como na música, então os iatos, as elipses são muito importantes também para mandar essa mensagem, né? Sim. Sim, sim. E a sua geração foi muito impactada então por Dragon Ball Z, né? E então, ou seja, o os quadrinhos mais japoneses, mais orientais impactaram mais do que no caso do Disney, né, que é a geração a minha para trás, assim, que acho que foi mais impactado. E essa é a riqueza do quadrinho também, que ele acaba sendo uma coisa meio universal, né? Ele recebe outras culturas e produz a própria cultura também, né? Sim. É, eh, eu acho que uma das coisas mais comuns que eu já ouvi assim toda essa minha trajetória é a pessoa fala: "Nossa, eu aprendi a ler lendo Turma da Mônica". Isso é muito comum, a gente vê isso o tempo todo e é muito legal. Eh, como como o Maurício de Souza conseguiu criar todo um ambiente para que crianças pudessem ter contato com histórias em quadrinhos nacionais, né? E que isso incentivasse as crianças a ler, né? Eu sempre fui a criança que lia a última página, assim, eu gostava da tirinha, você pode ver que eu faço tirinha até hoje, né? Porque as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, elas são mais longas, né? Tem oito páginas, às vezes até mais. Eh, são historinhas que acontecem várias coisas e tal, mas eu era um cara que eu gostava da coisa rápida. Então eu abri a última página que tinha aqueles eh textinhos rápidos assim, uma piada bem rapidinha, quatro quadros no máximo. E aí eu dava, abri o gibi, e dava risada da tirinha, pegava o outro gibi, já olhava outra tirinha e eu ficava focado nisso assim, é muito legal. eh, que a gente tem essas inspirações eh do nacionais, mas a gente consumia muito televisão, né? Porque como não tinha internet e hoje em dia você tem o YouTube, você tem você pode escolher qualquer coisa que você quer assistir lá no Netflix, no Prime, onde for, né, da Disney e tal, mas a gente tinha o que passava no cinema, o que passava na TV, os VHS ali, DVD que a gente alugava. E então você ficava ali recebendo o que vinha na TV. E o que tava na TV na minha adolescência e na minha infância era Dragon Ball, então passava muito Dragon Ball e a gente toda a minha geração foi impactado por esses desenhos japoneses e tal. Então a gente tem esse negócio do olho grande, eh, uma coisa meio caricaturizada, desenhos e tal, mas eh acabou que a gente depois mais velhos foi tendo outras inspirações e outras coisas foram crescendo dentro da gente, assim. É, e a TV ela ferta muito com quadrinho, né? Nesse sentido, muita coisa vira animação. É. de TV e vice-versa, né? Sim. É, é que é uma coisa muito legal, assim, a gente eh gosta muito quando um quadrinho se torna um filme, uma animação, né? Eh, tanto os nacionais quanto os internacionais. Às vezes a gente gosta muito, né, Scott Pilgrin, que nem eu citei, eh um quadrinho que é longo e e independente. Aí de repente criou todo um boom em cima por causa do filme que foi produzido em cima e é um quadrinho que me influenciou bastante também. Então aí às vezes a gente acaba também conhecendo por causa do filme, né? Porque eu nunca tinha ouvido falar e saiu o filme, eu fui correr atrás e gostei para caramba. Então as mídias se conversam assim, né? A gente gosta quando quando a animação, o filme live action, eles trazem o quadrinho pro mainstream, que às vezes o o quadrinho às vezes é meio deixado de lado, parece que é uma mídia menor, mas não é assim. Tem obras que são memoráveis. Eh, como o meu quadrinho favorito que se chama Mous, ele é a história de um quadrinista que o pai dele sobreviveu aos campos de concentração em Auschwitz. Eh, linda história, mas ao mesmo tempo muito triste, muito dolorida, né? E mas é, ela funciona muito bem como história em quadrinhos. Muita gente pergunta assim: "Ah, por que que nunca foi adaptado Maus?" Porque acho que não precisa, porque ele é um um livro que você uma história em quadrinhos que você lê do jeito que ela é e ela é impactante, ela não precisa ser adaptada para nada. Assim, eu concordo com com isso assim da posição. É uma obra completa, né? Isso, exatamente. Eu acho que é, existem situações que fica legal adaptar e tal e tem coisas que só funciona naquela mídia e alguns quadrinhos são excelentes por serem histórias em quadrinhos, o que a gente chamaria de clássico, né? Isso é muito forte, inclusive. E você falou, eu lembro que a gente teve até uma exposição lá na bibliotecazinha que é importante lembrar também que a gente tem uma biblioteca incrível aqui em Campinas, né? E para quem não conhece, tem que conhecer. Biblioteca Municipal de Campinas. E me fala da internet, como é que a internet chegou, você que já tá 15 anos aí produzindo um montão de coisas, a internet veio para somar, para abrir mais? Ela concorre? Como é que é? Ah, o a gente eh na verdade eu não sabia nem que era possível eu imprimir um quadrinho assim no começo, quando eu comecei, né? Eu fazia as historinhas num quando eu já tava, né, na faculdade já e tal. Eu no tempo livre eu fazia uns desenhos no caderno, tirava uma foto com ou escaneava no scanner e tal e subia no workut, aquela rede social ancestral lá que os maias, os ascas usavam. Boa. Eh, e aí tinha um amigo meu que ele viu, o Felipe, eu sempre falo dele, porque ele foi muito importante na minha trajetória, que ele falou: "Digo, por que você não pega esses negócios que você tá publicando no Orcut e põe num site, num blog, alguma coisa?" Tem um monte de gente que tá fazendo aí, tem um sábado qualquer e tal e não sei o quê, que eu assim eu tava meio por fora do que tava rolando assim. E aí eu criei o meu próprio site e por ter o meu próprio site comecei a a procurar outras coisas. Aí a gente teve eh nesse comecinho a gente tinha grupo de e-mail, que também é uma coisa que já não existe mais. Eh, e aí a gente trocava ideia e trocava link, um fazia parcerias e aí começou a fazer os links entre os sites e aí as redes sociais começaram a se tornar um negócio muito importante assim, porque antes as pessoas entravam no site, tipo, ah, vai ter uma tirinha toda segunda-feira ou todo dia, então a pessoa ficava entrando no site lá para saber, para receber, né? Eh, mas depois tinha troca, né? É. Então, aí o pessoal comentava no site, né, e tal, só que com as redes sociais a gente começou a jogar o conteúdo lá. Então, a pessoa via a tirinha pela rede social e parou um pouco de entrar nos sites. Assim, eu ainda mantenho com muito carinho o meu site, mas assim, ele é muito pouco acessado porque as pessoas preferem ler eh nas redes sociais. Então, mudou bastante essa dinâmica assim pra gente, né? Ficou meio centralizado ali. E às vezes a rede social escolhe mostrar o nosso conteúdo, que é um pouco triste assim, porque no começo Instagram é uma rede social de imagens. Sim. E hoje ele é uma rede social de vídeos. Então a gente que publica desenho, né, a gente fica um pouco para trás assim, né, ou foto, né? É, ou fotos até o pessoal que trabalhava com fotografia também, né? Então a gente se sente um pouco apagado, perde um pouco o espaço assim para quem fica gosta de ficar vendo o vídeo lá infinito lá. É, na sua rede social dá para acompanhar suas tirinhas? Sim, eu publico, eu publico tudo lá, né? Apesar de todo esse conflito que a gente tem, a gente acaba tendo que aparecer, né? A gente precisa existir. E para existir hoje em dia, você tem que estar na rede social. Não tem jeito, né? Sim. Sim. E aí a gente vai colocar aqui, mas você quer falar pro pessoal? Seu você está nesse site? É, eu tenho o o meu site, o digofreitas.com, que é onde eu publico tudo. Vocês podem ler mais de 1000 tirinhas que eu fiz aí nesses 15 anos publicando. E tem o meu Instagram também, que é instagram.com/vidadecãoq, tudo junto, que ali tem as tirinhas do vida de cão, que é essa série que eu faço desde 2018, né? Inclusive tem o Bob, meu cachorrinho, tal, minha esposa e eu e outras coisas, outras séries que eu faço, como Mamuil Fan, né, que é uma série que eu fiz meio despretenciosamente. Hoje ela é uma série que tá assim livros didáticos para todo lado, assim, todo ano eu licencio para, sei lá, 15 livros didáticos do Brasil, assim, e então deve ter muita criança aí que acabou consumindo o meu trabalho e nem sabe que sou eu, que eu moro aqui em Campinas. Que maravilhoso, né? Tem YouTube também? Tem um canal no YouTube que eu tô meio um ano e pouco meio parado, mas eu gosto de colocar conteúdos lá, cursos, eh resenhas, eh também tem um documentário que eu fiz sobre quadrinhos lá também que tá lá disponível pro pessoal. Então para quem gosta de ver algumas coisas, é aprender um pouco sobre quadrinhos também, né? Digo Freitas. É digo Freitas HQ. Só pesquisar lá no YouTube, vai aparecer lá. Legal. Ô Digo, vocês fizeram também um manual de guerrilha, né, para quem tá começando. Exatamente. É o manual de guerrilha do quadrinista. Ele é um livro colaborativo. A ideia inicial foi minha. Eh, eu sempre quis que alguém pegasse e, mano, faz aí, eu tenho outras coisas para fazer e tal, mas não consegui porque a gente dava ideia, ninguém botava pra frente. Então, falei assim, ó, então eu vou eu vou fazer que eu da forma que eu sei que funciona, que é você fazer a coisa do jeito que você acha que tem que fazer, as outras pessoas vão criticar porque é isso que acontece, né? E aí com as críticas dela, eu falo: "Tá bom, você tá criticando, me ajuda, né? Aprimora". Então a ideia desse manual é orientar o pessoal que tá começando nas histórias em quadrinhos, porque a gente tem gente começando o tempo todo. E era o ainda mais com esse negócio de Webto, né, que começou a surgir eh formas de de ganhar dinheiro com com Webtom publicando e tal. O pessoal fica meio perdido às vezes em como faz para começar a a publicar ou como estudar quadrinhos, eh quais os livros que são referência, né, obras importantes ou mesmo depois mais tarde na carreira, como é que você vai participar de evento, né, que é uma coisa que eu faço toda semana, inclusive domingo eu tava lá no Campinas Anime Fest. Eh, a gente tá, a gente tem que passar esse conteúdo pras pessoas e ele tá muito diluído em canais do YouTube, Instagram, eh, fórum de Discord, tá para todo lado aí e alguns nem tem lugar nenhum. Então, a minha ideia com o manual de guerrilha foi eh juntar o máximo de informações possíveis sobre a carreira, de ser quadrinista e toda a sua evolução, né, o que você as áreas que você pode atuar, como você pode fazer dinheiro ou se quiser só trabalhar como hobby também, não tem problema nenhum. Eh, tudo isso a gente colocou lá. A primeira edição saiu em 2023, eh, acho que tinha umas 100 páginas mais ou menos. E a gente fez uma reedição revisada com mais coisa e saiu no ano passado também. É tudo de graça para baixar, tá no meu site lá, eh, digofreitas.com/manualdoquadrinista. Eh, download grátis. Que legal. E já passou aí de mais de 4.000 downloads aí, felizmente tá impactando aí muita gente aí. Que legal que é uma proposta sua também de furar a bolha, de tornar acessível para todo mundo, né? É, a gente precisa que as pessoas conheçam os quadrinhos nacionais, não só o quadrinho, né? Eu sou um militante da cultura pelo cultura brasileira para os brasileiros, assim, da gente ver filme nacional, da gente consumir quadrinho brasileiro, da gente ter que as pessoas eh leiam coisas que t a ver mais com a gente do que um cara de cueca por cima da calça, sabe? O superherói nacional, ele não é esse cara americano, ele é o superherói nacional, ele tem outras características, outras formas de atuar. Assim, a gente, você vê um cara que nem um Hugo Caldeirano, por exemplo, que é um grande atleta, pô, ele é um herói, assim, a gente deveria eh valorizar a as as histórias bonitas que a gente tem nacionais, né? Então, e eu gosto quando eu vejo que o o nacional é valorizado lá fora, né? Mas a gente não precisa depender disso. A gente não precisa que um filme brasileiro ganhe um Oscar para ele ser valorizado, né? Que não precisa que um ator ganhe canes para ele ser valorizado. A gente tem que olhar pro nossa pra nossa cultura e ver tem para todo mundo. Assim, tem terror nacional bom, tem aventura nacional, humor nacional ou ou drama, romance nacional, tem para todo mundo. É que a gente às vezes não não ou não cai no nosso colo, né? que é muito comum a gente ficar esperando hoje em dia que que as coisas caiam no nosso colo, né? Mas o meu trabalho com com essa ideia de de furar bolha é é fazer com que as pessoas entendam que tem para todo mundo. Inclusive eu faço esse trabalho muito eh eh misturado. Então, tenho um baralho que é uma história em quadrinhos, um livro de receitas que é uma história em quadrinhos, né? Eu gosto de trazer essas multiplicidades. Aí você se inspira de de várias formas, inclusive o baralho foi uma ideia original, né? Exatamente. É. Eh, a gente queria fazer um jogo novo, né? A gente eh se reuniu ali, eu, Marçal, Will e o S. A gente queria fazer um jogo. Ah, vamos fazer um jogo de quadrinistas, como é que a gente faz, tal. E aí eu falei, gente, putz, fazer um jogo dá muito trabalho, porque a gente vai ter que testar esse jogo e como é que a gente vai testar e a gente não tem experiência com fazer jogo? Por que que a gente não pega um baralho? Aí a gente começou a pensar, tá, mas como que a gente vai usar esse baralho para colocar uma história em quadrinhos nele? Aí eu pensei, falei: "Putz, se eu for chamar pessoa para fazer uma página, vai ficar esquisito. Se for uma história só, vai ficar confuso de como ler." E se a gente pegar cada autor e fazer nas 13 e cartas de cada do baralho, de cada naipe, né? A pessoa faça uma história como se fosse uma tirinha. A gente já tá acostumado a fazer tirinha, né? Que tem geralmente quatro, três quadros, né? a gente faz um uma tirinha gigante de 13 quadros e aí todo todos os naipes do baralho e ficou muito legal assim e não existia. Eu pesquisei, perguntei paraas pessoas eh falar: "Ah, dá uma olhada na internet ou fora daí, vê se você que conhece mais que quadrinho do que eu existe alguma história em quadrinhos e baralho?" Não existe. A gente foi o primeiro do mundo. A gente lançou o primeiro em 2022 e lançamos mais um em 2023. E é um sucesso todo evento que a gente leva o baralho tem na sua lojinha do site. Exatamente. Quem quiser lá tá lá na lojinha. Que legal. E uma coisa que eu achei muito bacana também é você usar cenários da cidade, né, nas suas tirinhas. É uma maneira também de criar uma identificação, uma coisa legal de você se reconhecer naquilo que você tá lendo. É quando quando eu fiz o o Tinta Fresca, né, que é a tirinha que eu mais me inspirei em Campinas, assim, eh eu queria colocar um pouco dessa dessa coisa que eu te falei. o Ícaro, que é o protagonista do do Tinta Fresca, ele é um jovem que ele tem poderes, assim, que a gente chama de super poderes, né, que ele cria as coisas com spray dele e tal. E e eu queria trazer essa coisa brasilidade assim, de não ele não ter que ter um uniforme de superherói ou uma máscara ou alguma coisa. E para colocar ele no chão, assim, para sentir que ele existe, eu queria colocar ele numa cidade. Mas tem tanto quadrinho em São Paulo, sabe? É que São Paulo virou a Nova York dos quadrinhos, né? todo, tudo acontece em São Paulo. Falei: "É, não vai acontecer em Campinas, numa cidade, não é exatamente Campinas, né? Eu chamei de éter a cidade, mas a toda a ideia da cidade é que ela fosse umaide uma cidade que que tivesse as coisas de Campinas. Então eu coloquei o Liceu, né? Tem uma cena que tem uma foto do do de cima da escola onde ele estuda e é o Liceu, né? Coloquei algumas ruas ali da Barão de Jaguar ali também. Então, tem eh algumas ceninhas ali que eu peguei umas fotinhas de Campinas para usar ali e a galera super identificou. Ah, galera pega, quem conhece vai dar uma olhada, falar assim: "Ah, meio estranho". E é legal, né? Porque é meio sutil assim, né? É bem sutil. É bem sutil, mas tá ali representado, né? Ah, eu acho que é importante. E quando eu cito assim, as pessoas ficam procurando, né? Onde que é? É, eu já vou, a hora que a gente acabar aqui, eu já vou procurar. Que legal. Ô Digo, então para quem tem vontade de começar a produzir quadrinho, o que que que você diria? É, recomendo eh começar, acho que é mais importante, as pessoas não sabem, mas publicar quadrinhos pode ser em qualquer lugar, de qualquer forma. Você não precisa imprimir, você não precisa ter um livro igual que eu que eu coloquei aqui. Eh, você pode só eh fazer no papel, tá publicado. Se quiser tirar uma foto e postar no Instagram, postar no Facebook, postar no na rede social, de preferência, tá publicado de alguma forma assim, varia o tanto de acesso que as pessoas vão ter. E o primeiro é esse é um dos grandes eh dicas que a gente pode dar assim conselhos é que a pessoa tem que começar, porque no começo a gente vai ter um uma experiência muito pequena, então você vai ter erros normais que todo mundo já teve e com o tempo você vai evoluindo. Então as grandes obras elas nunca saem na primeira tentativa, né? Eh, o KBY não criou o o Hulk de primeira, o Toriama não criou o Dragon Ball de primeira, sabe? Todos os os grandes quadrinistas eh não foram as primeiras as primeiras as grandes obras deles nunca foram as primeiras. Então, a gente tem que tá eh quer esse caminho, né? Isso. Continuar produzindo. Acho que é o mais importante, né? a gente fazer, publicar e dali pra frente e o destino vai levando a gente pelos caminhos, criar músculo, né? Isso. Digo, muito obrigada por receber a gente aqui, compartilhar sua história e quem quiser saber mais aí tem um site, tem um Instagram, né? É só se aprofundar e acompanhar também os movimentos que tem aqui na cidade, tem bastante coisa acontecendo, né? É, eu recomendo sempre ficar, principalmente no primeiro semestre, no comecinho do ano, a gente sempre tem o evento lá na biblioteca, anota aí na na agenda já para ficar de olho, na biblioteca Zinc, que fica ali grudadinha na Prefeitura de Campinas. A gente todo ano faz um evento tradicional lá, a sempre traz uma dezena de quadrinistas de Campinas e região para participar e aí vocês vão poder conhecer o quadrinho nacional de de perto, assim, né? A gente tem outros eventos, é claro, tem o Campinas Anime Fest, que eu já citei, que eu já participei também, mas esse esse da biblioteca é gratuito, então a pessoa não precisa pagar nada para est lá, assim, é só ir e conhecer a gente lá e trocar uma ideia. Trocar ideia. Obrigadão, Digo, eu que agradeço a oportunidade. No próximo bloco a gente continua no universo daqu. Fica com a gente, a gente volta já já. [Música] [Aplausos] [Música] De volta pro segundo bloco do Conexão Cultural de Hoje, ainda no universo das histórias em quadrinhos. Agora a gente vai conversar com Alexandre Esquitini, que começou desenvolvendo produtos, fazendo brinquedos para grandes marcas. Em 2023 abraçou integralmente a função de quadrinista e fundou até uma editora Amistifó. E ele vai contar tudo pra gente. Muito obrigada Alexandre por receber a gente aqui no Conexão. Olá, tudo bem pessoal? Aqui é o Alexandre Esquitini. Muito prazer estar aqui no programa contando sua história, né? Hum. Conta pra gente como é que foi. Você sempre desenhou ou começou primeiro com essa questão de desenvolver produtos e tá tá tá e depois foi pro quadrinho ou sempre teve um quadrinista aí nesse desenvolvedor de produtos? Olha, é interessante porque o desenho ele é uma coisa natural do da comunicação humana, mas que de alguma forma a gente vai sempre cerceando o lado criativo, porque a gente precisa ser produtivo a todo custo, né? Então, eh fazendo um esforço para não abandonar e eh a criatividade de fato, a gente sempre vai pensando, né? que que eu vou fazer? Eu preciso fazer alguma coisa que dê dinheiro, mas que ao mesmo tempo também eu consiga ser criativo, seja legal. E o mais próximo que eu encontrei para unir o desenho e a criatividade foi o design gráfico. E só que teve no meio do caminho, quando na hora que sai procurar estágio, o meu antigo chefe não sabia diferente design produto, design gráfico. Então eu acabei caindo sem querer no meio do brinquedo, sem querer, sem querer. Então, basicamente aprendi uma profissão dos zero fazendo estágio e fiquei por anos trabalhando com brinquedos, onde e eu desenvolvia desde o conceito eh do desenho, da arte conceitual até a aprovação final das peças, trabalhando junto com engenharia. E a gente tinha uma equipe, óbvio, que trabalhava junto comigo. A gente desenvolveu projetos muito, muito legais, do qual tenho muito orgulho. a gente fazia muitas e muitas peças, mas no fim das contas a gente não tá comunicando que a gente quer comunicar, né? É muito legal você fazer um projeto de Barbie, eh, por exemplo, como essas, esse projeto de Barbie que a gente fez aqui e tem a que era da Creative Cloud que saiu no Burger King. Então, são projetos muito legais, tem teve um unicórnio que saiu da mesma coleção e a gente trabalhou em campanhas muito grandes. Eh, tinha até uns perrengues, né, que você tava falando. Teve os, teve os todos têm perrengue, porque assim, infelizmente todos os perrengues no brinquedo, eles existem para você proteger, porque você não sabe que criança vai pegar aquilo. Por mais que tenha a indicação de ser para maior de 3 anos, a gente sabe que pode ser que crianças mais novas vão colocar aquilo na boca. Então assim, tinha que testar tudo, tinha que testar tudo e são testes muito rigorosos. Então, de vez em quando a gente se depara com a bonequinha com a mão para cima, é para não a criança não engasgar, gerar saída de ar. Então, sem todos esses perrengues. E era um universo que, apesar de ser muito legal, eu queria eh poder me comunicar com o público e ter essa troca que com eh produtos com grandes marcas isso não acontece. Você, eu até brincava, gente, eu fiz saiu, fiz mais de 2 milhões de peças de Barbie e acabou. Aí não tem uma troca, né? Não tem uma discussão, não tem. Verdade. E aí, eh, fundando a editora de quadrinhos forório, a gente vem justamente com essa, com esse intuito de tentar de alguma forma promover debate público mesmo, de de eh promover discussões que até então não estavam acontecendo, fazer as alfinetadas que a gente precisa fazer. E porque no fim das contas é isso, né? A a a gente entende que a a arte ela não pode morrer como um produto com o fim em si mesmo. A gente tem que debater, a gente tem que discutir a obra, tem que expandir, expandir, tem que ir em todos os eventos possíveis, tem que ir ativamente conversar com o público, né? Porque a ideia é que a obra seja mais do que a obra, seja seja uma coisa viva, vive dinâmica. Inclusive vocês produzem quadrinhos nacionais com foco nessa temática mesmo, né? Saindo um pouco dessa questão de de mangá ou de HQ norte-americano, né? Exatamente. A gente tem, se você pegar os índices ali de de vendas no Brasil, é mangá disparado, depois vem quadrinhos americanos e depois você tem quadrinhos até chineses e coreanos. E só no final da lista que você tem os quadrinhos nacionais. Eh, e o que acontece que a gente tenta, o nosso intuito com a editora é realmente produzir obras inéditas e é o caminho mais difícil, porque a gente não tá simplesmente fazendo uma contratação de de de licença para poder publicar algo que já tá pronto, né? A gente tem, a gente tá acostumado com isso de, deh, porque tem alguns editores que trazem os grandes mestres de fora. A gente tem os grandes mestres aqui, mas a gente para formar novos mestres a gente tem que produzir muito, produzir, produzir, produzir e a gente só produz existe condições para produzir, né? Então, a gente tem que eh valorizar roteirista, o colorista, o ilustrador. Então, é uma cadeia de pessoas que que existem para fazer aquele quadrinho acontecer, né? E como a Mistório, tem muita editora que produz quadrinho, apenas quadrinho nacional, tem tem bastante editoras que que que eh trabalham exclusivamente com obras brasileiras, mas se você pega a proporção de vendas inclusive da nossas assim, o quadrinho brasileiro ele vende muito menos do que um quadrinho eh estrangeiro, até pela nossa capacidade de conseguir comunicar, né, de chegar até quem quer quem quer consumir esse quadrinho, né? Porque pouco tem a ver com qualidade do quadrinho. Isso tem a ver com a gente não tem realmente alcance, né? Alcance de estar em todos os lugares. Por isso que os eventos são tão importantes, né? Por isso que os eventos são tão importantes. E aqui em Campinas a gente sempre fala, falei no primeiro bloco, a gente tem uma gibteca aqui na bibliotecazinha que também sempre promove encontro. Tem que lembrar mesmo porque é um lugar incrível, né? É. Inclusive, um abraço pra Suzi, que tá promovendo a o o evento de quadrinhos na biblioteca por anos, assim, acho que já vai ser a 13ª edição, se eu não me engano. É, a Suzi é um um patrimônio da nossa cidade, né? Tem que ser valorizado. E também eu queria assim que você falasse que o quadrinho é uma linguagem, dá para falar de tudo, né? Vocês fizeram até um sobrelagem, que são as doulas, né? Que acompanham o processo da gravidez até o parto de uma criança. Como é que é isso? Então, o o quadrinho até a gente brinca, né, que eh muitas pessoas chamam o quadrinho de arte sequencial, mas ela não é exatamente sequencial porque você pode dar uma espiadinha no final, você pode você pode folhar rapidamente, ver um quadrinho de num tempo, depois acelerar um pouco. Assim, ele é uma é é um é uma obra que tem as suas particularidades. Até por isso que às vezes quando a gente vê movimentações de tentar encaixar na literatura, a gente fala: "Não, não é literatura, é quadrinho, uma outra, é uma outra mídia". E a gente eh quer usar essas especificidades dessa linguagem para falar, trazer assuntos pertinentes pro debate público, né? Então, eh, a gente tá muito acostumado aí em eventos de superherói, de eventos que tem turma da Mônica, um monte de de quadrinho assim que a gente eh ficou associado ao quadrinho, mas a gente chega lá e fala assim: "Não, a gente tem um quadrinho aqui que vai discutir violência obstétrica, a gente tem um quadrinho aqui que vai discutir eh trabalho sexual e qual e como que as profissionais estão relegadas, sem dinheiro direito nenhum. Eh, científico também. também projeto científico. Um dos maiores quadrinhos que a gente lançou eh ano passado foi o Mila Emílio, que a gente lançou junto com o Blablogia, que é um canal de divulgação científica, para falar da importância do processo científico para pro público infanto juvenil, né? A gente passou por um período eh que até hoje tem negacionismo, negacionismo que a gente, a gente eh tá aqui porque foi vacinado, né? Então a gente tem que ensinar esse processo desde o início, qual a importância do processo científico, né? Como que funciona a validação daquela informação e a validação dos pares e tudo mais. A gente eh conta isso através de um quadrinho divertido, bem na linguagem de Hora de Aventura. Então, a nossa ideia é justamente pegar eh disputar essa linguagem e subverter essa essa essa ideia de que quadrinho é é só Turma da Mônica, é só superherói, a gente eh e não tem problema, não tem problema você ter ter ser um quadrinho que é puramente para você se divertir. Não tem problema nenhum, mas a gente também precisa politizar eh essa linguagem que é chamado de universo HQ. Universo não é pouca coisa, né? Não é pouca coisa. O universo é tudo. É tudo. E hoje o que que vocês têm de sucesso na M for? Olha, um dos quadrinhos que a gente mais eh eh tem repercussão é o Medx, que a gente eh tá lançando a segunda edição agora, que é o Med Marx Fordlândia, que apesar de ser uma brincadeira que a gente pega os filósofos Marx e Engels, que eles são trazidos de volta para derrotar o temível Elon Mosca, a gente pega sempre elementos da realidade brasileira para não necessariamente de forma super profunda, mas para trazer fazer elementos à tona e de ser divertido para que isso seja de alguma forma debatido. Então, não é à toa que o vilão foi escolhido como este vilão, porque tem toda uma história dentro do quadrinho que coloca ele dentro eh colocando satélites em cima da Amazônia. Então, assim, tudo tem a ver com o Brasil. Eh, Fordlândia não é escolhido à toa também, porque Fordlândia é uma cidade real que o Ford na década de 40 tentou trazer. construir uma cidade operária no meio da Amazônia também. Tu tem tudo a ver com a história. Eh, onde tudo giraria em torno das indústrias Ford. Então, assim, você ia numa padaria, era uma padaria da Ford, tudo, tudo. Então, era basicamente um campo de concentração no meio da Amazônia. E assim, não é à toa que que o o Elon Mosca, né, que que é inspirado no bilionário, ele se inspira no Ford que se inspirava no senor Bigodinho, né? Então, o Med Max é um dos destaques aí de vocês, que tem um conteúdo mais histórico, político, tal, sempre um trocadilho é bem-vindo, né? Adoro tocadil. Eu percebi. Eu também. E o que mais que tem de destaque hoje na MT fora? A gente teve o Mila Emílio, que também a gente tá próximo de anunciar a sequência, que foi um dos maiores destaques do ano passado no meio dos quadrinhos brasileiros, que, né, a gente fez em parceria com o Emílio, com a Camila do Blab Blal Logia. Eh, a gente teve também o Northragamos, que é um quadrinho de um rapper do Rio de Janeiro, eh, que é um quadrinho documental escrito pelo André Saadin. E o André, ele é o jornalista e e coletou a entrevista com o autor que tem essa pegada de de do da banda gorila, sabe? Que tem um autor por trás, é um pseudônimo, mas o personagem responde ali por pelo eh por si próprio na entrevista. Então assim, é muito interessante porque é um é um alienígena azul que escolheu o Rio de Janeiro para fazer rap e no fim das contas a gente discute eh no meio do caminho toda a a questão social. A questão social, inclusive agora que a gente vê o rap sendo perseguido pela pelas instituições, né? É premiado de um lado aqui na Unicamp, é perseguido e outras assim vai, né? né? Exatamente. A gente tem também a Misto Frio. A Misto Frio é uma revista também que a gente lança para fazer experimentos com a linguagem, mas também sempre trazer um núcleo eh com alguma personalidade que vai contribuir, né? Então, a primeira edição a gente trouxe a historiadora Tupa Guerra, que fala sobre manusquíos do Mar Morto, sobre pânico satânico, né? E na segunda edição a gente trouxe a Isvetil Lana, que é uma trabalhadora sexual, que fala também na na internet sobre eh as disputas de classe e a a e sobre as demandas da classe eh das trabalhadoras sexuais. E nesse quadrinho também a gente fala sobre violência obstétrica, trouxemos Ana Clara para falar sobre o papel da doula. Então, a gente eh tem essas tem essas revistas e agora a gente tá vai lançar o Jezebel. Uhum. E o Jezebel é um quadrinho muito interessante. É o quadrinho do Fred Ouro Preto. O Fred Ouro Preto, ele vem do cinema, então ele é um diretor e já trabalhou em diversos clipes eh de de musicais musicais, muito do rap também trabalhou com NX0. Eh, ficou muito conhecido pela indicação ao M quando ele trabalhou e fez o amarelo com o Micida. E agora ele vai lançar o primeiro quadrinho dele com a gente, que tem os desenhos do Jack Azulita. E é um quadrinho muito, mas muito interessante mesmo, assim, porque no meio dessa disputa e nessa, eh, e nessa discussão que a gente tá no momento atual sobre o fim da escala 6 por1, sobre a precarização do trabalho, esse quadrinho vem muito para eh colocar os demônios para fora, digamos assim, né? Então, é um quadrinho que fala bastante sobre eh as contradições de uma personagem que é a Jéssica, que ela é ilustradora e tá sofrendo com a precarização do trabalho, com a prestação externa, com eh esse não é nem escala de 6 por1, né? escala 7x0 porque você não tem nenhum tipo de folga, sempre descanso. Os meios digitais tá sempre disponível para responder. Exatamente. E os meios digitais a gente é refém das das grandes empresas de tecnologia. Eh, e esse quadrinho discute isso. Ela começa a voltar para um trabalho pessoal dela, que é um um que é um quadrinho também, então faz essa meta linguagem e esse essa história do quadrinho que tem uma personagem que é Jezebel, que é uma demônia, a Tupá me corrigiria falando que demônio não tem gênito, é demônio, mas tudo bem, fica a licença poética. É. E e justamente ela eh essa personagem vai, a gente não sabe se ela tá ganhando vida, mas acontece que o que ela tá desenhando no quadrinho começa a se confundir com a realidade e ela começa a lidar com a realidade. Você você vai ixe, que que será que tá acontecendo aqui que esse demônio tá influenciando tudo e tá pegando. um quadrinho muito interessante e que a gente tá ansioso demais para fazer o lançamento dele que vai acontecer na Perifaccomo. E quem quiser adquirir vai poder adquirir pela Mistório. Pela Mifório. É só acessar mistforio.com que tá vai ter acesso na pré-venda. E o Fred gentilmente, né, mandou um vídeo pra gente falando um pouquinho desse trabalho. Fred, que é super consolidado, indicado ao M. Por que que ele escolheu os quadrinhos dessa vez? Vamos saber um pouquinho, a gente já volta. Salve pessoal, tudo bem? Frediro Preto aqui. Tô para falar sobre o quadrinho Jezebel que a gente tá lançando pela editora Mist forio. Na verdade eu sempre curti HQ. Eu leio desde muito novo, desde uns, não sei dizer, talvez uns 8, 9 anos. Eh, sempre colecionava. Ó, aqui, ó, no fundo tem um pouco da coleção. Eh, mas eu nunca tive talento para desenhar, então nunca foi uma coisa que eu achei que fosse um caminho para mim, né? E com o tempo eu fui trabalhando com cinema, onde eh muitas vezes a gente se vê em processos que são parecidos, né? por exemplo, desenhar storyboard ou a forma como a gente estrutura a narrativa de um filme. Então eu sempre tive essa essa paixão, mas quando a gente chegou no resultado do do roteiro de Jezebel, quando a gente estava mais ou menos na versão oito, ah, onde daí pra frente a gente iria começar a se dedicar a tentar captar recursos pro filme, eu pensei em pegar essa versão e adaptar para um quadrinho, porque seria uma forma de viabilizar mais rápido e fazer a história chegar nas pessoas, né, de uma forma que se algum dia realmente ente tiver o filme, talvez já exista uma um fan base ali, né, umas pessoas que já conhecem e que, enfim, podem se interessar. A história é muito baseada em amigas próximas, duas amigas, na verdade, e também muitos Vou voltar. Sim, a história e principalmente a temática do quadrinho é muito baseada em duas amigas minhas, ah, onde eu pego elementos de uma, pego elementos de outra e, lógico, trago muita da minha própria experiência, né? Ah, no caso, tanto eu quanto as duas colegas somos da mesma área, então a gente trabalha ali com cinema, publicidade, então a gente lida ali com pressões, prazos e até mesmo desrespeitos parecidos, assim. Ah, porém a adaptação que a gente fez no quadrinho foi de transformar essa essa personagem pro mundo da moda, ao invés da publicidade de cinema, que assim não é exatamente a minha área, mas pelos conhecidos que a gente tem, eh, muito do do stress, dos problemas ali relacionados à saúde mental, acabam sendo parecidos. Então, sim, é muito baseado em pessoas reais assim que estão aí trabalhando e tentando, pô, trazer suas ideias, fazer suas coisas que acreditam, mas que muitas vezes são engolidas ali pelo sistema. Acaba sendo, por um lado, sim, porque acaba sendo a terapia dela, né? Ela faz para ser uma forma que ela eh reflete sobre a vida dela, sobre os problemas e, de certa forma ela tá projetando ali atitudes e pensamentos que ela gostaria de ter. Então, por esse lado, sim, eh, ele, ele traz um, um alívio e uma experiência positiva na vida dela, porém também é o quadrinho que faz tudo desandar e piorar na vida dela. Então, ele essa ferramenta que que promove essa reflexão, porém provavelmente ali baseado nos desejos e nas coisas que ela queria que se manifestasse, ela passa do limite. Então, é mais ou menos isso. A saúde mental da Jéssica tá totalmente fragilizada. Ah, e ela e ela espelha isso também no comportamento dela autodestrutivo de beber muito, de usar remédio, de não praticar atividade física, né? Então, ela tá nesse lugar. E sim, eh, a Jezebel é uma forma dela canalizar muito da energia que ela tem, energia criativa e também os sentimentos dela. Então, com certeza, é uma forma que ela exorciza os fantasmas dela. Eu desejei que os quadrin que o quadrinho viesse antes do longa. Eu acho que a gente vê muitas vezes, muito nos Estados Unidos, mas também tem casos no Brasil, né, de adaptações de quadrinho. E sempre quando isso acontece parece que não sei, traz uma sensação de que a a obra ela é maior de certa forma assim, sabe? Quando é uma adaptação de um livro, de um quadrinho e vem ali, não, baseado em tal história, baseado em tal graphic novel, né? Eh, eu acho que isso traz um peso para pra narrativa, projeto. Então, foi sempre um desejo de que que o quadrinho puxasse o filme. Primeiro filme que foi Amarelo, é tudo para ontem, do Emicida. Foi um filme de muito sucesso, né? Eh, um filme que até hoje as pessoas comentam e ele tem um um propósito social grande. A gente teve uma indicação ao M que foi muito interessante. Ah, mas eu não penso no sentido de de que ele que Jezebel precisa seguir um caminho parecido assim, porque eu acho que são projetos muito diferentes assim. H, não sei, eu não consigo, eu não consigo projetar muita expectativa assim, ah, não, se tem que alcançar tal coisa, tem que alcançar tal prêmio, assim, eu acho que, cara, o mais importante é a história chegar nas pessoas e que isso viralize e que seja uma coisa maneira assim, sabe? Mas do que realmente prêmios em si, pô, a gente sempre quer, né, que que seja valorizado, mas eu procuro não colocar tanta expectativa nisso assim, sabe? Eu acho que o quadrinho ele ele já parte de um lugar que é diferente, que a gente começou a, por exemplo, colocar pequenas tirinhas, pequenos trechos no Instagram, né, na redes sociais. E, cara, é muito massa porque por si só já já é um formato bem diferente do que das outras coisas das outras coisas que eu fiz, né? Por exemplo, um uma primeira eh tirinha já tem mais likes do que o último o trailer do meu último filme, tá ligado? Aí você fica, caramba, olha só que doideira. Então ele ele tem um poder de viralizar muito diferente assim, né? E eu acho que criar um personagem nesse nesse contexto também leva a gente para outras outras possibilidades, tipo, por exemplo, trazer eh itens colecionáveis, adesivo, camiseta, é adaptação para quadrinho, adaptação, desculpa, pr pra animação, né? Então eu acho que a gente parte ali de todo um um universo e e possibilidades de mercado que são muito diferentes do que os que eu fiz como diretor no universo do entretenimento e da música, né, que no caso era mais ah também uma ferramenta ali na engrenagem assim, sabe? não eram as minhas histórias e nesse caso é a minha história. Então, ter ela eh expandindo desse jeito e tendo essas outras possibilidades, né, de de cara de peças pop mesmo, assim da de cultura pop, né, é poster, coisas assim mais arte de de nerd mesmo, de geek assim, sabe? Eh, eu acho que é um espaço muito interessante que que inicialmente eu não tinha pensado tanto, mas depois me agradou muito eh essa possibilidade. Foi uma coisa que a Mfor, a editora, trouxe muito esse pensamento, sabe? Essa coisa de de expandir ali para para essas outras entregas assim, sabe? E é isso, pessoal. Espero que tenham gostado. Eh, o link paraa venda tá no site da MFO Jezebel. Espero que todos leiam e depois a gente volta para trocar mais ideia. Abraço. Valeu demais, Fred Ouro Preto. E sucesso aí. Quem quiser já tá com gostinho aí para saber da Jezebel. Acompanha também as redes sociais, Instagram da Mistório, né? E tem mais coisa ainda sendo produzida que é o giz, né? Exatamente. A gente, ainda mais que a gente tá falando da produção, no fim das condições é uma produção independente, a gente vai tentando sempre emendar um lançamento ao outro para sempre tá ficar em evidência e esquentando. Então, o público de um quadrinho pode seguir pro próximo. E finalizando o o quando a gente fizer o lançamento do Madmarks Fordlândia, eh, a gente vai ter o Gezebel e vai ter em seguida o giz. O giz é um quadrinho muito interessante que ele é escrito pela pedagolítica, que é o o como ela se se identifica nas redes sociais e desenhado pelo Maurício e o Giz, ele conta a história de uma pequena garotinha palestina que se chama Hana, que ela tá vivendo eh um processo de sempre se deslocar com a família dela, fugindo eh de um estado que quer acabar com como o povo da qual ela pertence. E ela é uma garotinha, ela não entende o que tá acontecendo e que a gente sabe muito bem que garotinhas como elas são as principais vítimas desse processo, que é um processo realmente de um extermínio de um povo. E a gente vai contar essa história através de um quadrinho sobre a perspectiva dessa garotinha. Então o quadrinho ele chama Giz, justamente porque ela de forma lúdica lida com todo esse processo através dos desenhos. Então o quadrinho ele também tem essa metalinguagem que ele mistura o preto da das linhas do do próprio desenho do Maurício com o giz da menina. Então, as cenas que poderiam ser muito difíceis de uma de uma criança ou de alguém ver desenhado ali, ela tá representada pelo desenho de uma criança na cor rosa. Então, um quadrinho preto e rosa que vai contar todo esse processo. A gente tem inclusive a honra de ter a participação como consultor, né? Porque são um quadrinho, é um quadrinho produzido por brasileiros falando de uma realidade eh palestina. Então, até pra gente não cair em nenhum tipo de orientalismo, né? A gente tem a honra de ter o Alid Rabá, que é presidente da FEPAL Brasil, como consultor desse desse quadrinho. Eh, um quadrinho muito importante, talvez um dos mais potentes pela pelo significado dele que a gente vai lançar por um bom tempo, né? porque é difícil eh vai ser um quadrinho que é muito difícil comunicar, que a gente sabe que tem as restrições, se você publicar isso na internet, as bigtechs que estão aliadas a esses a a esse processo de extermínio, elas vão cortar o alcance. Então, eh, a gente realmente tá num momento que tem que tem que disputar e nossa forma de fazer isso é através da arte. Sim. E nada como o boca a boca nessas horas para indicar, para comunicar, para levar pros eventos, trocar ideia sobre tudo que leu, né? Uhum. Exatamente. Então, dá para falar de tudo nos quadrinhos, né? É uma forma de sensibilização, né? Exatamente. E você tem assim um feedback da do pessoal, se consegue essa troca que você buscava lá atrás quando deixou de fazer os brinquedos e foi pra editora. Hoje você consegue ter esse feedback, essa troca viva bastante e essa é a principal que acontece que até tanto pelo pelos comentários positivos quanto pelos comentários negativos, mas ainda assim isso é muito interessante porque é óbvio, numa numa sociedade que a gente vive, onde a gente eh os homens nem conversam sobre o nascimento dos próprios filhos, quando a gente fala do processo da doulagem e violência obstétrica, é óbvio que a gente vai gerar uma repercussão que por um lado acaba sendo eh uma uma uma posição reacionária, né, de achar que a gente tá buscando cortar privilégios e mas na verdade a gente tá tentando primeiro fazer com que as pessoas discutam sobre a própria o próprio nascimento, né? Afinal, eu nasci, você nasceu, todo mundo nasceu. E quando a gente vai conversar, as pessoas às vezes nem sabem os processos que acontecem no corpo da mulher, não sabem o o que é esperado no desenvolvimento do próprio filho. Então, a gente tem que discutir, tem que naturalizar essa discussão, dá o direito de todo mundo falar a respeito. Exatamente. E acontece que assim, então a gente recebe muitos comentários positivos. a gente fez o lançamento desse quadrinho, inclusive com participação de várias doulas que que aconteceu na livraria Pontes aqui em Campinas. Eh, então assim, tem muito apoio, mas também tem, né, como todo todo objeto artístico vai ter o incomodativo, isso é maravilhoso, né, como você mesmo disse. E acontece também de surgir uma ideia a partir das demandas que chegam para você, questões sociais ou algum questionamento, alguma troca de ideia. E aí você fala: "Pô, acho que a gente podia falar sobre isso". Acontece, acontece bastante e vai acontecendo de forma orgânica. Inclusive, aproveitando que a gente tá falando desse tema, a minha esposa é Doula. Então, ai que legal. Eu mesmo fui confrontada, eu fui o primeiro a ser confrontado com este tema. Então eu falei, se eu fui confrontado, eu preciso também confrontar outras pessoas. Quem sabe essas pessoas também não aprendem. Então, por isso que o primeiro, a primeira reação talvez seja realmente de você ficar meio bravo, mas eh o nosso intuito é que você pode ficar bravo, mas depois você aprende também. Seu caso foi uma inspiração necessária. Foi uma inspiração necessária. Isso. E você também é pai recentemente, porque a gente não tava no nosso nascimento, né? Mas quando você tem esse processo de ser pai ou de ser mãe, isso fica muito mais aguçado, né? Porque é tempo real, né? Exatamente. E aí você vê inclusive o processo de desenvolvimento do desenho, né? É, eu observando meu filho, você vê que tem as idades esperadas pro tipo de traço esperado. Então assim, a partir de uma certa idade, ele vai deixar de fazer risquinhos, vai fazer circulozinhos e as coisas vão se se complexificando de acordo com o desenvolvimento da da linguagem e tudo mais. Já acontece que em algum momento a gente para, né? Nosso, o nosso incentivo é não parem, devem fica a dica, né? Exatamente. Que o nosso intuito no fim das contas, aproveitando, juntando todos os assuntos, né, é que a gente luta para uma sociedade que você tem o seu trabalho durante meio período e outro outro meio período você consiga exercer um esporte, uma arte, alguma coisa que te deixe feliz, porque no fim das contas é isso que nos torna humano, né? Éim, é seres relacionais, porque a gente não tem nem tempo às vezes se relacionar só pela rede social, que é muito diferente, né? Exatamente. Se eu tivesse trabalhando hoje ainda com brinquedos, eu não veria meu filho mesmo morando na mesma casa que ele, que eu saía 5 da manhã, ele não tinha acordado ainda e voltava às vezes 9, 10 da noite e ele já tinha ido dormir. Então, é, parece até episódio de Black Mirror, né? Mas é a vida real. É, então fica essa dica, que assim seja, então, né? Que esse mundo seja alcançável também através dos quadrinhos, mas na vida real, né, Alexandre? Exatamente. Queria que você deixasse então as redes sociais, o site pra gente acompanhar tudo isso. Vocês podem acessar misfororio.com. Eh, lá vocês encontram tudo sobre a editora, tem os links para todos os as pré-vendas, os lançamentos no Instagram, que é a nossa principal rede social, é MFOR.editora editora e também fica um agradecimento especial paraas meninas aqui da COME colaborativa que cederam o espaço, que é um espaço simbólico pra gente, porque a gente já fez algumas oficinas de quadrinho aqui, eh fizemos já lançamento aqui e e elas sempre foram muito receptivas, né? A gente tá vendo aqui pela decoração que é um espaço bem propício, né? Pros quadrinhos, mas é muito lindo, vale a pena conhecer, né? Vale a pena conhecer. Elas estão sempre promovendo eventos e tudo mais. É isso aí. Esse é o espírito do quadrinho também, né? Exatamente. Muito obrigada, Alexandre, mais uma vez por receber o convite aqui da TV Câmara, do Conexão Cultural. Eu que agradeço. Até a próxima, né? Até a próxima. E para você que gostou desse programa, quiser rever ou compartilhar, é só acessar o YouTube da TV Câmara Campinas e buscar por conexão cultural ali na aba de pesquisa. Muito obrigada pela sua companhia. A gente volta daqui a 15 dias. [Música] [Música] [Música] [Música] Obrigado. Obrigado.
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