[Música] No Conexão Cultural de hoje, a gente vai percorrer um pouco da história dos museus de Campinas, começando pelo Museu da Cidade, que foi fundado pelo Célio Turino, que está aqui ao meu lado, historiador, servidor aposentado, um trabalhador da cultura, né, Célio? Queria que você começasse contando como começou a história do museu. Agradeço demais a sua participação aqui com a gente. Eu que agradeço. Assim, passei a vida, trabal a vida nos museus aqui de Campinas, sabe? Depois eu fui, a vinda me levou para fora, fui trabalhar no Ministério da Cultura, secretário de cultura, antes também na na Prefeitura de São Paulo como diretor de lazer e agora sou servidor público aposentado aqui pela pelo museu, inclusive aposentado, estava de volta no museu da cidade lá na Lidud. Eu comecei a trabalhar no museu em 83, ainda era estudante de história e o museu funcionava, na verdade os museus eram quatro, funcionavam no bosque do Jeibass, Museu de História Natural, do Índio, do Folclore e Museu Histórico Municipal. E e dali nós fomos criando exposições muito na minha vida, da minha personalidade, até se fez a partir desse trabalho do museu. Eh, lembro de exposições muito muito significativas, por exemplo, na campanha das eleições diretas em 84, aí o museu eh participou, nós éos uma exposição história das eleições no Brasil e a gente ia na levava a exposição nas praças, nas ruas, nos atos, memória do trabalhador ferroviário. E assim foi, até que veio e desenvolver a proposta do Museu da Cidade, que era unificar o de história com folclore e com o Museu do Índio num só museu e discutir a cidade de uma forma não hierarquizada e pensar um museu estilhaçado também, em que a cidade é o museu, porque na cidade a gente vê muitas coisas, muitas entrâncias e tudo mais. E a gente vai puxando o fio da história a partir daí, né? Daí nós fomos pro prédio da Lidier, que foi a primeira fundição, eh, primeira fábrica em Campinas, de 1868, fazia, eh, ferramentas agrícolas, né, enchada, pá, arado, era do lado da da estação ferroviária, né? Eh, nessa época eu já tava como secretário de cultura, era servidor de carreira. eh da prefeitura e está como secretário de cultura, o prefeito era o Jacó. Então, aí eu tive a felicidade de assinar o tombamento do prédio da Liderude e de implantar o museu, né, em 92. foi de um projeto que já tinha feito antes como um servidor. E assim, é, e ver hoje aqui a exposição, eh, para mim foi uma surpresa, porque eu doei esse acervo da da imprensa popular, democrática, independente, né, que foi algo muito significativo que houve no Brasil no período da ditadura, que houve vários jornais que eram vendidos em praça pública. mesmo vendia um deles que era tribuna operária, em porta de fábrica, em universidades, escolas, né? Isso contribuiu muito paraa formação de uma consciência e paraa redemocratização do Brasil. nos anos 90, eu doei a minha coleção com esses jornais todos, né, que ficou bem guardado aqui no museu. E qual foi a minha minha surpresa? que há um mês, dois meses atrás, a Aline, a diretora do museu, eh, avisa que as meninas, as estagiárias aqui de história, como eu, eu entrei, era estudante de história na Unicamp, então assim como elas, né, elas começaram a observar o acervo, né, do dos jornais e resolvendo fazer uma exposição que hoje se abre aqui e foi uma beleza também junto com os alunos do Bento Quirino. no coral. Enfim, a história é assim, é um fio que vai sendo puxado e um passo o fio, passo para você, que passa pro outro, passa pro outro, vai contando histórias e assim a humanidade vai sendo feita, né? Hoje, nesses tempos de inteligência artificial, eu diria que o que nos cabe é essa capacidade de contar histórias, né? Isso, isso a inteligência artificial não vai tirar de nós. Sim. E esse museu é vivo que você propunha é tá se cumprindo, né? Onde a história se faz também, não se guarda apenas, não se revela, mas se constrói, né? A gente viu também na exibição dos alunos da Etec que o batata, o historiador, vai fornecer fotos inéditas para que eles complementem o vídeo que eles fizeram brilhantemente sobre os desfiles de 7 de setembro. Isso é história viva acontecendo, né? História viva. É, é isso mesmo. É. E eh, aliás, o filme dos meninos, né, dos meninos, a menina, né, o mais tem 17 anos. Eu achei uma maravilha a qualidade assim da a reflexão, né? Eles puxam pelos desfiles de 7 de setembro que o colégio participava nos anos 70 e 80. discutem toda uma época assim, assim é a história viva, quando ela ela pega um ponto, uma microhistória e e a partir dessa dessa pequena parte se debate o todo, né? Todo Sim. É. E a gente tem outras exposições acontecendo aqui e a importância de de museus, né? Porque a gente tinha uma visão de museu, pelo menos na infância, que era uma coisa muito estanque, muito estática, né? alguém escolhe, coloca e aí quando você abre para diálogo, para conversa, para visitação, isso tudo se transforma e se ressignifica, né? É isso mesmo. É exatamente essa essa ideia. E eu eu fico muito feliz em ver que o Museu da Cidade ele ele segue desse jeito, né? Que eu já tô aposentado, a vida me levou para fora, assim, eh desde 2001, né? né? Fui trabalhar na prefeitura de São Paulo, depois Ministério da Cultura, quando pensei os pontos de cultura, implantamos no Brasil todo e depois isso se espalhou aí principalmente pela América Latina, se deta em 18 países. Então a vida, eu sou de Campinas, sou da vila industrial, nasci ematuba, mas ao acaso eu, a minha vida toda foi a partir da vila industrial na rua João Teodoro, 120. E então é aqui, aqui o meu chão. E de um ano e pouco eu voltei para cá, então já aposentado e tudo mais. E é muito bom poder acompanhar isso. E e o e a história vai, né? É esse fio, né? Aí vem uma pessoa que tá ali do lado e fala: "Ah, eu tenho as fotos". Aí vem outra e fala: "Olha, eu quero colocar vocês em contato com tal pessoa". Assim, a história da humanidade foi feita eh em volta da fogueira e o pessoal contando história, sempre nos encontros, né? Célio, muito obrigada por receber a gente, por compartilhar essa história e que as pessoas venham pro museu, né, que ele tem 30 anos e vai ter muito mais e o museu só existe, só tem sentido se as pessoas vierem para cá. Vem aqui ao Lago do café aqui. E esse espaço era do IBC, Instituto Brasil do Café, uma área de pesquisa. Foi até quando eu tava secretária eh de cultura que eh todo esse terreno, inclusive do lado de lá do lago, né, que é em frente o o Taquaral, ele é todo retalhado, ele ia ser transformado em um condomínio. Aí que a gente, o prefeito era o Jacó cob a mim fazer as negociações com o IBC, aí que nós conseguimos trazer incomodato para Campinas. São 99 anos. Isso foi assinado no em 91, então tem tempo, mas é bom transferir definitivamente, né? E o Lago do Café é um espaço muito muito bonito aqui, até porque aqui nasceu Campinas nasceu a partir desse espaço. Aqui era a cesmaria do do Pais Leme, né, que foi o fundador de Campinas. E ele tinha a sede, era aqui onde tem a sede da fazenda que foi demolida e fizeram uma um prédio novo de fazenda. Isso nos anos 70. Mas o centro de Campinas foi o desdobramento da cesmaria, que era exatamente onde tá lá a igreja do Carmo, tudo mais, muito grande, né? É. E então às vezes as pessoas não têm essa noção, né? Então venham, conheçam. Eu sei que às vezes o pessoal fica preocupado com as capivaras, né? É, com os captinhos. É, pois é. Eu acho que podiam dar um jeito nisso assim, mas é, mas tem as vias para poder abrir. Vi aqui é um lugar muito bacana, é muito bonito, merece ser visitado e cheio de história para compartilhar. É, obrigado, Célio. Obrigada. No próximo bloco, a gente conversa com a Lilian, que é a chefe do museu, vai contar pra gente das exposições que estão acontecendo e qual é a dinâmica do Museu da Cidade. Não perde. [Música] De volta pro segundo bloco do Conexão Cultural de Hoje, falando sobre os museus da cidade de Campinas, começando pelo Museu da Cidade, né? A gente já falou da história no primeiro bloco com Sério Turini e agora a gente vai conversar com a Lilian Alvise, que é chefe do Museu da Cidade e vai falar pra gente como é que ele tá funcionando, as exposições que acontecem, né, Lilian? Muito obrigada por receber conexão aqui. O prazer é todo nosso. O Museu da Cidade, desde a sua origem, é muito interessante, inclusive nós temos tido a presença do fundador do Museu Célio Turino. Ele prima por ser uma instituição memória voltada paraa relação intrínseca entre acevo, população e cidade, né? Então, é um museu que ao longo da história buscou a todo momento trazer diferentes vozes de diversos grupos sociais para que a história de Campinas não fosse versada a partir de uma hierquização de acervos. Ou seja, o museu, a partir da história das suas exposições, pautou-se na no museu vivo dialógico, eh, com exposições itinerantes. Então, não seria a população vindo somente ao museu, mas o museu também indo à cidade. Quando nós assumimos aqui, né, uma umas novas propostas pra espografia do museu, nós partimos de duas vertentes. Primeiramente, o museu pelo museu e depois o museu pela cidade. O museu pelo museu diz respeito à valorização do nosso acevo, né, e todo o processo de catalogação, recuperação e principalmente de divulgação do Euseu pela Cidade faz esse essa articulação, né, do Não como um fim, mas o acevo como um processo, né, um processo de produção de conhecimentos. de interpretações, de uma articulação cultural. Então, nós estamos eh buscando a partir da organização do nosso acervo retomar, né, a história do Museu da Cidade, que ao longo dos anos sempre se constituir como uma instituição memória eh aberta, democrática. E as exposições com o nosso acevo tem esse caráter que como a gente viu hoje, né, esse aqui tava uma epifania, né, mais cedo tava muito incrível reunindo gente de todas as idades, cultura, eh, história, ressignificando a história em conjunto também, né? Queria que você falasse dessa abertura da exposição que foi o acervo do Célio, inclusive uma coincidência maravilhosa. Sim, essa exposição, ela tem um caráter interessante de de ter como intuito a promoção de vários desdobramentos. Então, eh, ela partiu de da presença de estagiários, que é uma constante no museu, e esses estagiários pesquisadores, né, ao entrar em contato com ovo, ao tomar todo o cuidado, né, de conservação, eles propuseram um recorte para que os movimentos estudantis a partir de jornais mais independentes viessem à tona. Isso marca a importância que o museu atribui a a presença de pesquisadores e também a presença do público estudantil. né? Então eu entendo que essa exposição imprensa censurada, vozes que não devem ser caladas, marca a o papel de um museu de cidade, né, reflexivo e sobretudo o museu vivo. Vivo, inclusive com a presença dos alunos da Itec, que trouxeram um vídeo sensacional feito por eles, que se disseram inexperientes, mas foi uma experiência incrível. Emocionou a todos, né? E depois também com a presença do coral curumim, né? A gente vai mostrar um pouquinho, Lilian, como é que foi, pro pessoal ter um gostinho e a gente já volta. [Aplausos] oi oi oi oi oi oi na é muito importante para quem que a gente possa juntar as duas gerações ou mais gerações que viveram tudo que foi passado dentro da história do Brasil e que a gente não deixe toda a história que foi passada para trás, que a gente não esqueça tudo que vivemos antes para que a gente não repita hoje em dia. Então, o museu também pode ser um lugar de fazer história. Com certeza. Eh, eu acho que o museu, além de ser um lugar que guarda muitas memórias e que que guarda muitas histórias, é um lugar que também pode fazer história. E acho que o que tá acontecendo aqui hoje é uma desses desses momentos. A gente tá fazendo história aqui hoje. É, o Coromin foi convidado para fazer esse evento sobre a ditadura e sobre o projeto do Américo com os alunos da escola. Então, foi uma honra poder participar junto desse trabalho e fizemos um repertório para esse evento. Eu sei que foi um pouco de ousadia porque a gente não teve tanto tempo de ensaio, né? Coral a gente bagunça, mas a gente ensaia bastante. E mas foi legal, acho que foi uma experiência muito importante pro Couro, né? Retomar esse território do movimento estudantil, território político tão importante, né? e da gente repreender, né, com a nossa própria história. Então, achei que foi uma experiência maravilhosa. Eh, eu tenho um irmão que partiu e que era do movimento estudantil. Então eu dedico este trabalho ao meu irmão Martinho, que entrou pro movimento estudantil e uma pessoa maravilhosa, morreu lutando pelo pela melhora da do mundo. É emocionante participar disso, é muito importante, porque assim, o que essas crianças estão fazendo é maravilhoso, né? Teve um vídeo, um um documentário, vídeo que eles fizeram antes, foi fantástico falando da liberdade ou da falta dela na época da ditadura, nessa época que esses jornais que estão expostos aqui eram a única voz, porque não tinha voz, era todo mundo amordaçado mesmo. Então, vê essa criançada recontando essa história, tão envolvidos, participantes, entendendo o momento que que nós vivemos na época da ditadura militar, é uma coisa maravilhosa para quem viveu. Eu não senti na pele, não sentia assim, não era militante, nada, mas era muito braba a coisa, né? Uma reunião como essa de hoje seria motivo de perseguição política. baixava a polícia e espancava todo mundo, talvez podia baixar. Então era sempre um risco, qualquer reunião, qualquer coisa cultural era muito reprimido. Então é muito importante, muito emocionante tá fazendo participar aqui desse momento com eles e ver o museu fazendo parte mesmo da história da cidade, fazendo sua função, que é o museu da cidade, contando um pouco da nossa história e abrindo esse espaço para todas as gerações e reunindo arte, né, que também era a intenção do museu, juntar a etnografia, o folclore e também a os registros históricos. É. fazendo arte, né? Um um espaço cultural de fato, né? Não só para com as coisas estanques, paradinhas, isso também que é parte do museu, mas recebendo grupos, recebendo couro, recebendo arte, é maravilhoso. Eu gosto muito desse tipo de espetáculo, aproveito bastante, principalmente, né, pelo fato de ter deficiência e ter eh de poder aproveitar mesmo pessoas próximos para fazer a descrição, de poder explicar para mim, né, por causa da minha deficiência. E o que me impactou, que mudou bastante para mim, que me trouxe um novo olhar sobre a história, sobre o Brasil mesmo, foi o trabalho dos meninos ali do Bento Quirino falando sobre a ditadura militar, o desfile da do 7 de setembro, né, a perspectiva dele sobre o desfile, que eu não tinha essa ideia. Eu tinha uma ideia sobre realmente sobre uma comemoração e não sobre um momento eh deles, do pessoal da época fazer esse desfile forçado da população e retraída com medo. Todo mundo ia assistir o desfile com medo, né? repreensivo dos filhos lá, adolescente, fazer o desfile com medo de que acontecesse alguma coisa com eles, deles se tornarem presos políticos caso não participasse, alguma coisa assim, né? Eu fiquei lembrando muito do meu tio que estudou no colégio nessa época, na na década de de 70 ali e tal, que ele contava, né, sobre essa época, sobre o desfile, mas como o meu tio ele, o pai dele era militar, então ele teve bastante um uma educação rígida. Então talvez ele nem tenha percebido sobre tudo isso, né? talvez ele tenha sido manipulado e não tenha percebido. Ou seja, a importância desse compartilhamento de experiências, né, Paula? É verdade. Assim, a gente foi educado para entender que aquilo era uma liberdade sem ser liberdade, né? Que a gente não entendia. Eu não entendia. Fui entender hoje. Ai, é muito satisfatório, viu, a gente encontrar justamente os jovens participando disso, né? um momento que para mim é até histórico diante do contexto que a gente vive hoje. E o museu tem uma importância muito grande dentro disso, esse essa questão do museu vivo, né, dele estar fervilhando, trazendo ideias, mostrando seu acervo, eh relembrando a história para que a gente possa eh vivenciar e não errar, né? É o mais importante, né? Não cometer os erros que já aconteceram. Então, para mim é esse momento hoje aqui na em Campinas, estar participando do museu, desse evento dentro do Museu da Cidade é muito importante. Na realidade, essa é a pretensão do museu da cidade, conseguir fazer com que a cidade se veja dentro do museu, mas mais do que isso, fazer com que as pessoas também se vejam na cidade, que consigam se apropriar simbolicamente dos espaços, que saibam os usos que eram dados, com quais finalidades aqueles prédios foram construídos, enfim, que saibam porque determinados personagens são homenageados dando nome a ruas. Então, é um pouco fazer com que as pessoas desenvolvam essa noção de pertencimento e se sintam verdadeiros sujeitos da história e da construção da nossa cidade de Campinas. Foi por isso que você criou esse passeio, então, essa rota guiada. Perfeito. Isso já é uma tradição do museu com mais de 30 anos, onde a gente desenvolve roteiros circulando pelo espaço, pela malha urbana, concebendo a malha urbana como se fosse uma exposição museográfica, na qual as pessoas vão reconhecendo a sua história e o desenvolvimento da cidade de Campinas. Então vocês viram aí um pouquinho como é que foi essa abertura. Por isso que vale a pena seguir no Instagram Museu da Cidade, porque quando tem abertura é sempre essa epifania, né? Daí para melhor, né, Lilan? Nós esperamos que sim. Eh, nós tivemos no início do ano o carnaval de Carlito Maia, né? E nós temos um acervo aqui de fantasias, de peças alusivas, né, ao Calito Maia, eh, carnavalesco, artista e contamos também com músicas, né, com a presença do público infantil. Foi uma uma exposição muito bem recebida. Tivemos recentemente a exposição do Egas Francisco, né, e a fotografia da Denise Jardim e uma recuperação, né, de um artista tão importante aqui, exatamente, ônico paraa arte de Campinas. Eh, podemos contar com uma exposição de alunos da MF Raul Pila, que fizeram eh uma oficina, vamos dizer assim, com Egas. Então, foi uma tarde também muito interessante, porque os as crianças, né, os alunos da escola pública teve espaço para expor o seu trabalho, né, e conseguiram ouvir histórias de um artista aqui de Campinas, né, com uma atuação bem significativa. Atualmente nós eh ressaltando, né, a instituição Memória como uma instituição eticoladora, além do nosso acevo de jornais e da nossa mostra do acervo indígena e arqueológico, nós contamos com uma parceria do Centro de Memória Unicamp e começamos, né, com a exposição Campinas, os percursos da educação escolar, com essa mesma proposta de a partir da exposição várias outras possibilidades possam estar postas. Deixamos inclusive espaços para que eh algumas instituições educativas ou mesmo de grupos, né, de estudantes que queiram se manifestar e registrar a sua a sua história. Nós temos esse espaço e eh contamos com o alunos pesquisadores da Etec Bento Quirino, que são alunos também do historiador aqui do Museu Américo Vilela. E na organização do Museu da Etec Bento Quirino, ao participarem da caminhada histórica, que era um dos programas muito desenvolvidos aqui pelo Museu da Cidade, eles produziram um material visual que está exposto no museu, marcando essa articulação, né? museu, instituições, eh pesquisa, diferentes públicos, enfim, um museu aberto, né, a comunidade, um museu aberto e bem horizontal, né, porque os próprios alunos já fazendo história, já ressignificando aquilo que que aconteceu lá atrás. Então, essa dinâmica é muito interessante. Não podia ser melhor o nome do museu, museu da cidade, né? E a cidade é feito por pessoas, né? Exatamente. E são pessoas que pertencem a diferentes movimentos, né? E entendemos que o museu ele compra esse papel, né, de ser um espaço em que as pessoas possam se identificar enquanto cidadãs, enquanto agentes de diferentes histórias. Ou seja, o museu procura trazer a partir da sua exposição, das suas exposições ou mesmo de outros eventos, né, de oficinas, de palestras, de seminários que tragam vozes. Eh, você foi falando, eu fui imaginando uma ponte, né, entre um tempo e outro e também a ponte onde se encontram pessoas e tudo mais, né? E a questão importante é reflexão sobre o presente, né? o que que o trazar, o que o passado, né, trouxe de significados que nós podemos pensar em projetar, né, uma uma vida mais saudável, igualitária, traduzida pelo presente, né, pelo nosso olhar da do presente. É sempre importante essa visão de olhar pro passado pensando no agora, né? No agora possível, sim. E o agora o possível, né? São as exposições que estão abertas aqui para visitação. Exatamente. Contamos com a presença. Mais que uma visitação, é uma experiência. Lan, obrigada. Eu que agradeço muito, ressalto a importância do museu estar aberto a a diferentes aqui possibilidades e nosso agradecimento pela TV Câmara estar conosco nesse momento muito importante. Obrigada. De segunda a sexta é possível ouvir e aos sábados também, né? Sim. De terça a às sexas. É das 10 às 12 horas, das 14 às 17. E aos sábados nós estamos experimentando um novo horário que tem sido muito interessante, que é da das 12 às 16 horas. Maravilha. Um passeio incrível para você ter essa experiência, esse contato com a sua cidade, com tudo que ela promove. E as escolas que queiram agendar visitas, nós temos a partir do nosso e-mail
[email protected]. br, marquem conosco que a ação educativa do museu também promove monitorias, eh, visitações monitoradas. Maravilha. E a gente já cobriu aqui, foi muito legal, comas até. Lilian, muito obrigada. Então, agora a gente vai falar um pouquinho com o Gustavo sobre o acervo permanente, que também é uma outra, um outro desafio maravilhoso, né? A gente vai falar um pouquinho sobre isso. Obrigada. Nós que agradecemos. E o Gustavo Barleta é o agente cultural aqui do museu e ele é o responsável por organizar os objetos que são parte do acervo permanente, né, Gustavo, conta pra gente como é que foi fazer essa triagem, essa curadoria, como é que esses objetos chegaram até você. Bom, esses objetos, a maior parte desses objetos foram eram do Museu Histórico, né, que que é o que originalmente existia o Museu Municipal que depois se separou entre Museu de História Natural e Museu Histórico. E esse acervo a maior parte veio do acervo desse antigo museu histórico que quando inaugura o museu da como museu da cidade, ele na verdade muda de nome, né? O museu histórico passa a se chamar Museu da Cidade e o acervo vem vem dessa época já, né? E aí você fez essa separação, organizou? Como é que é? O que que a gente tem de acervo permanente aqui no Museu da Cidade? Aí esse acervo ele ele ele quando o Museu da Cidade foi inaugurado no prédio ali da antiga Lierwoods, né? O Acevo não veio pro pro prédio do museu, ele ficou permaneceu no no museu bosque, né? Uhum. E ele acabou sofrendo por conta de mudanças, né? Deu uma desorganizada boa assim, principalmente quando a gente veio para cá, né? Foi feita uma mudança um pouco atropelada, né? Porque o prédio tava realmente com problemas, né? E aí a gente começou um trabalho de reorganizar, de fazer um inventário físico até do do que tinha de fato, né? Porque tem coisas que tem no nos livros que se você vai ver já, na verdade, já não tem mais, né? se perdeu, se perdeu ou por pequenos furtos ao longo do tempo, né? O museu lá no na Lerwood ele era bastante vulnerável, né? A gente teve vários furtos no prédio ali ao longo dos anos, né? De computadores, impressoras, vários. Então, e não foi feito nenhum levantamento específico pro acervo, né, do de roubos e tal. Então, a gente identificou que coisas que não tão mais, né? trabalho de formiguinha, então é reorganizar tudo isso. Exato. Exatamente. É, mas a gente eh quando eu comecei esse trabalho, eu tinha alguns estagiários já no museu, né, de de história. A gente primeiro criou um banco de dados, né, no computador que a gente consegue rodar ele pelo na rede interna do museu, né, dá para consultar de outros equipamentos que estejam na mesma rede, né, Wi-Fi. E esse banco de dados a gente começou então a inserir todas as fichas, os fazer uma ficha para cada objeto, né? Caramba. Então foi feito prateleheira por prateleira, foi pegando tudo, identificando os números antigos nos registros antigos e algumas coisas têm informação, outras têm pouca informação, né? E aí a gente priorizou no primeiro momento o museu, os inventários do museu histórico e do museu do folclore, que também existia, existia, na verdade uma exposição chamada museu do folclore lá no no bosque, né, que basicamente eram eh esculturas de cultura popular, esculturas religiosas, objetos de uso doméstico, né? Então, tipo panelas de ferro, coisas. Como é que se utilizava isso antigamente? Sim. Isso aí era era como museu do folclore. E tinha também o acervo do que chamava Museu do Índio na época a exposição, né? Que é um acervo basicamente etnográfico que veio do do desidério Aitai, que foi um húngaro, né, que viveu aqui em Campinas. Ele trabalha na PUC também, os museus pelo estado e era um arqueólogo eh amador, em certo sentido amador, porque ele não era formado, mas ele fazia uma arqueologia e no na época que poucas pessoas faziam. Tem alguns objetos desse acervo que também temos aqui no museu, né? Então hoje vocês têm mais ou menos quantas coleções? Ai, então a gente tem essa, se for pensar assim, teríamos aí a o acervo do museu histórico, o museu do folclore e do e o acervo etnográfico e arqueológico do desidério, que são o que foi trabalhado pelo uns projetos do FI que a gente conseguiu eh algumas pessoas interessaram pelo acervo e fizeram uma uma o último projeto que nós tivemos foi com a indígena, né? Então ele foi todo catalogado que não estava ainda, né? Porque como é um acervo que tem uma especificidade, né, que a gente não tem conhecimento, a gente precisava de alguém que entendesse. Aí as pessoas se interessaram e propuseram o projeto, né? Que legal. E agora a gente tá com uma continuidade do com acervo arqueológico também, né? Que foi feito um um inventário prévio a partir de uma catalogação que tinha sido feita há alguns anos e agora a gente vai ser feito esse outro projeto do FIC também que a gente conseguiu uns apoiadores, né, que se interessaram. e vai pegar o acervo arqueológico. Mas a gente tem outros acervos que a gente não mexeu ainda, né? Tem muita coisa ainda. Tem muita coisa. Tem noção de quantos itens assim? Olha, uma época se estimava em 6.000. Talvez seja um exagero, mas não sei. No banco de dados hoje tem mais de 2000 itens já. Que legal. Já foi um passo, né? É, sim. É exato. E para quem quiser eh acessar virtualmente, tem isso já? A gente não tem isso no museu, mas há uns anos atrás foi feito uma pequena eh mostra de virtual no que tem no nosso site, tem um link lá, foi um projeto de da Unic Unicamp, eles vieram aqui, fotografaram alguns itens e fizeram tipo uma galeria virtual num site lá que dá para acessar algumas coisas, dá para navegar por algumas coisinhas, né? Mas na dúvida vem para cá também. É exato. É exato. A princípio é mais aqui mesmo, conhecer as exposições ou se for o caso da pesquisa, entrar em contato com vocês pedir para pesquisar. Isso isso. A gente entrando em contato a gente marca para pessoa ouvir ver o material, né? Legal. Porque tem coisa rica, né? Sim, tem tem muita coisa legal. desse material arqueológico, por exemplo, tem eh existe um uma possibilidade que algumas coisas que nós temos aqui de sambaquis, né, que é um um tipo de material que tem de arqueologia no Brasil, que possivelmente não existe em nenhum outro lugar mais, porque esse sambaquismo onde foi recolhido não existem mais. Nossa, então é muito precioso, né? Tem coisas preciosas que a gente nem tem noção exatamente do Então você tá descobrindo um universo aí cada vez que encontra um objeto, né? Tem coisas para serem escavadas aí no nosso Silva aí, né? Sim, muita história. De qualquer forma tem que seguir o Instagram também para saber tudo que tá acontecendo e vocês estão sempre compartilhando, né? A gente é isso, a gente tem tentado, né, tá mais presente, né, na nas redes sociais, que hoje é a comunicação acaba mais efetiva, acaba sendo, né? Sim. É uma forma também, mesmo que as pessoas não estejam aqui o tempo todo, conhecem o que tá acontecendo e se sentem parte disso tudo, né? Sim. Sim, sim. Muito obrigada, Gustavo, por compartilhar com a gente toda a sua experiência, né? E sucesso aí na catalogação. Ah, obrigado, viu? Obrigada. Se você gostou desse programa, quiser rever ou compartilhar, é só acessar o YouTube da TV Câmara Campinas e buscar por conexão cultural sobre os museus da cidade. Muito obrigada pela sua companhia e daqui a 15 dias a gente volta. Quer fazer amor? Quer fazer amor? Uma vez da guerra. Uma vez da guerra vida é água. Comida é fácil. E ó, você tem de qu? Você tem de qu? É água. Comida é você de quê? Você tem fome de quê? [Música]