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Conexão Cultural | Jornalistas que se tornaram escritores e inspiram novas histórias
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Conexão Cultural | Jornalistas que se tornaram escritores e inspiram novas histórias

58 views Publicado 26/08/2025 HD · 1:10:32

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📚✨ O Conexão Cultural desta semana apresenta o especial “A Jornada da História”, mostrando como grandes jornalistas transformaram sua vivência com as palavras em obras literárias que inspiram e emocionam. Neste episódio, você vai conhecer três trajetórias que unem jornalismo e literatura, provando que toda boa história pode nascer de um causo bem contado: 👤 Convidados Daniela Arbex – Jornalista e escritora premiada, reconhecida por sua escrita sensível e investigativa. Autora de obras que se tornaram referência no jornalismo literário brasileiro, ela passou por Campinas durante uma residência artística na Unicamp e compartilhou sua experiência com a gente. Maurício Simionato – Poeta antes mesmo de ser jornalista, Maurício construiu sua carreira sempre tendo a literatura como norte. Hoje, une jornalismo, poesia e escrita autoral, explorando temas que transitam entre a realidade e a subjetividade. 👉 Instagram: @mauricio.simionato.1 Thiago Gonçalves – Jornalista e psicólogo, encontrou na escrita uma forma de abordar a saúde mental para crianças, unindo as duas áreas em projetos que emocionam e educam. 👉 Instagram: @psique_le Participação especial de Júlia Rezende, diretora da série “Todo dia a mesma noite”, baseada na obra de Daniela Arbex. 📌 O que você vai ver neste episódio ✔️ Como o jornalismo pode se transformar em literatura sem perder a força da realidade. ✔️ Histórias de jornalistas que encontraram no livro uma nova forma de contar causos e refletir sobre a vida. ✔️ A importância da escrita como ferramenta de memória, transformação social e expressão artística. ✔️ O impacto de obras como as de Daniela Arbex, que ultrapassam as páginas para se tornarem séries, debates e movimento de memória coletiva. ✨ Por que assistir? Este episódio é uma verdadeira celebração da palavra escrita. Mostra como jornalistas, acostumados a narrar os fatos do dia a dia, podem transitar para a literatura e criar obras que permanecem no tempo. Seja pela poesia de Maurício Simionato, pela narrativa impactante de Daniela Arbex ou pelo olhar sensível de Thiago Gonçalves, cada história traz inspiração para quem acredita que escrever é resistir, emocionar e transformar. 👉 O Conexão Cultural é o programa da TV Câmara Campinas que destaca talentos, projetos e histórias que movimentam a cultura local e nacional. 🔔 Inscreva-se no canal, curta este vídeo e compartilhe. Nos comentários, conte: qual livro escrito por um jornalista mais te marcou? Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Música O Conexão Cultural de hoje traz histórias de escritores, suas motivações e trajetórias. No primeiro bloco, conversaremos com a mineira Daniela Arbex, primeira jornalista convidada do programa Hilda Hust do artista residente da Unicamp, promovido pelo Instituto de Estudos Avançados da própria Universidade, o IDEA. Com 51 anos de vida e 30 de carreira, a jornalista levou as práticas da redação para a literatura, com a apuração fina e a escuta afetiva, retratou em seus livros histórias marcantes do nosso país. Seu primeiro livro já se tornou um best-seller, retratando o Holocausto brasileiro, sobre o maior hospital psiquiátrico do país em Barbacena, Minas Gerais. Foi reconhecido como o melhor livro-reportagem do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 2013 e segundo o melhor livro reportagem no prêmio Jabuti em 2014. Com mais de 300 mil exemplares vendidos no Brasil e em Portugal, a obra ganhou as telas da TV em 2016, no documentário produzido com exclusividade para a HBO. Em 2024, Holocausto Brasileiro entrou para o catálogo da Netflix e inspirou o filme Ninguém Sai Vivo Daqui, que entrou em cartaz nos cinemas em 2024. Cova 312 é seu segundo livro e foi o vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Livro-Reportagem em 2016. A obra aborda a ditadura de uma forma que a história oficial nunca fez. Em 2018, a escritora lançou Todo Dia, Mesma Noite, livro que narra a história não contada da boate Kiss e deu origem à série dramática Todo Dia, Mesma Noite, exibida pela Netflix em 2023 e dirigida por Júlia Rezende. Daniela também lançou Os Dois Mundos de Isabel em 2020, ano em que foi eleita a melhor repórter investigativa do país pelo Troféu Mulher Imprensa. Arrastados, livro que narra o rompimento da barragem de Brumadinho, foi lançado em 2022 e recebeu o prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2023. Em 2024, a jornalista lançou Longe do Ninho, que narra a vida e a morte de dez garotos do Flamengo, que sonhavam em ser ídolos do país do futebol. A escritora tem mais de 20 prêmios nacionais e internacionais no currículo, entre eles três prêmios ESSO, o americano Knight International Journalism Award, em 2010, o prêmio IPS, de Melhor Investigação Jornalística da América Latina, em 2009, e o Natali Prize, recebido na Bélgica, em 2002. Então é isso que vocês já viram, todo esse currículo extenso, e é um prazer para Campinas está recebendo aqui a Daniela Herbex para o programa Hilda Hust do Artista Residente de Campinas quero agradecer demais o seu tempinho aqui em receber o Conexão Cultural Daniela. Eu que agradeço, uma alegria estar aqui com vocês hoje A Daniela veio para o programa a primeira vez que uma jornalista é convidada a representar a gente teve pessoas cineastas a Laís Budansky, teve o Marcelo Rubens Paiva, escritor Mas é a primeira vez que um jornalista é convidado E isso me deixa muito feliz Porque mostra que o jornalismo de qualidade está mais vivo do que nunca É, como é bom ouvir isso, não é, Daniela? Com certeza, é por isso que eu brigo sempre E acho que o que a gente está fazendo Nessa construção de memória coletiva do Brasil Mostra exatamente que o jornalismo é capaz de furar bolhas De dialogar com várias áreas do conhecimento Então, o meu primeiro evento aqui na residência, a gente tinha professores da geografia, da estatística, da medicina, da psicologia, da engenharia química. E isso mostra também a potência desse jornalismo que é capaz de dialogar com várias áreas do conhecimento. Acho que a essência do jornalismo é isso. e 30 anos de carreira que você completa esse ano, queria que você falasse para a gente quando foi que você virou a chave do jornalismo diário, do mais high news e foi para as grandes reportagens. Eu trabalhei em jornal diário durante 23 anos e uma das séries que eu tinha feito que teve uma repercussão muito grande foi a do Holocausto Brasileiro, porque antes de ser livro foi uma série de jornal e o Holocausto me mostrou que era um tema tão grande, era uma história tão importante que depois a gente veio descobrir que o Brasil desconhecia uma das suas principais tragédias que era a morte de 60 mil pessoas no maior hospício do país que a gente entendeu que precisava ampliar essa história e eternizar essa história num livro então quando eu entro para o mercado literário, para mim eu não tinha expectativa de nada Mas a literatura acabou apresentando o meu texto nacionalmente Porque eu trabalhava num jornal diário do interior de Minas Gerais Então era um jornal regional E aí a literatura me deu a chance de apresentar meu trabalho para o país E isso foi muito importante e foi um caminho sem volta Porque a gente lançou seis livros ao longo desse período e chegou num momento, que foi no livro da Boate Kiss, que eu já não conseguia mais conciliar a redação com o livro reportagem, com a carreira literária. Então, em 2019, eu saio do jornal e vou me dedicar integralmente à literatura. Nossa, você ficou esse tempo todo conciliando os dois? Eu fiquei alguns anos, de 2012 a 2019. E aí ficou impossível, porque a literatura te consome, muito, e a dedicação é muito grande, e o jornalismo também, o hard news também, então para continuar fazendo um jornalismo de qualidade, que é o jornalismo que eu acredito, eu acabei deixando o jornal, e assim, claro, como era um casamento muito perfeito, com jornalismo diário, uma paixão imensa, também não foi fácil deixar o jornalismo diário, eu tinha uma alegria enorme trabalhar no jornal, eu achava que nem era um emprego, na verdade, que eu ia escrever todos os dias e que no final do mês eu ia receber por isso, era maravilhoso. Quase uma amizade, né? Então aí foi realmente doloroso esse processo, mas estava tudo certo, acho que na minha carreira tudo aconteceu de maneira muito orgânica e hoje olhando para trás era exatamente o que tinha que acontecer. Nem tirar nem colocar. Trabalhando no mesmo veículo? No mesmo veículo, 23 anos, e vou dizer que tudo que eu aprendi na redação, eu aplico na minha carreira literária. Então, assim, foi uma grande escola para mim, jornalismo diário, fazer a editoria de geral, em que você cobre diversos assuntos e que você aprende que o lugar do repórter é na rua, né? Foi uma grande, realmente uma grande escola. E uma das características que eu acho que deve ser muito presente no seu trabalho Até lendo para fazer essa entrevista É a escutativa, né? Eu acho que o repórter precisa desenvolver isso E você usa muito isso para entrar na vida das pessoas em geral, né? Num momento muito delicado, né? É, eu fui aprendendo ao longo do tempo Antes eu chamava de escuta qualificada Mas ao longo do tempo eu percebo que é mais do que uma escuta qualificada É uma escuta afetiva, porque essa escuta precisa acolher. Acolher quem sofre, acolher uma vítima de trauma, acolher pessoas que estão em situação de vulnerabilidade. O meu trabalho sempre foi muito focado, desde o início da minha carreira, denunciando violações de direitos de populações vulnerabilizadas. E para que essas pessoas se sentissem ouvidas, a gente precisava desenvolver esse processo de escuta, em que elas se sentissem ouvidas, representadas, visíveis e acolhidas. Então também foi para mim uma escola muito grande, porque de alguma forma eu aprendi a exercitar o que eu acho que é fundamental no jornalismo, que é a empatia. O jornalismo, se precisar de uma definição para o jornalismo, é esse exercício diário de empatia. A gente acha que é escrever, que é ter bom texto, mas a gente consegue ganhar tudo isso. agora empatia já é mais difícil empatia a gente precisa desenvolver construir, aprender a olhar o outro entendendo que você em algum momento é importante se colocar no lugar daquela pessoa então calçar o sapato do outro eu acho que isso é fundamental e calçando esses sapatos que você calçou nesses seis livros depois eu queria que você falasse um pouquinho de cada um como é que você se prepara emocionalmente para não vestir também a dor do outro demasiadamente. Eu acho que o jornalista, se existe um mito de que a gente precisa ser, de que a gente é imparcial, de que a gente se coloca numa posição quase como se a gente tivesse uma capa protetora, a gente não tem. A gente é um ser humano com todas as complexidades, e que bom, porque a gente precisa lembrar do que a gente é feito. E essa imparcialidade, na verdade ela não existe porque para você tocar o outro você precisa se deixar tocar a gente acaba sendo atravessado e que bom que a gente é atravessado por essas histórias senão seria quase insuportável você ficar dois anos falando de temas tão densos sem estar envolvido com aquilo sem estar comprometido com aquela história com aquelas pessoas então eu entendi que parcialidade é uma coisa e ética é outra Isso é outro terreno, a ética, o cuidado, você não se deixar manipular pelas fontes, mas esse ser tocado é fundamental para você tocar o outro. E ao longo do processo, no começo, acho que o Holocausto foi um livro muito difícil, porque eu estava falando de mães que não puderam amamentar seus filhos, tiveram seus bebês doados ao nascer, sem o seu consentimento, dessas pessoas, desses sobreviventes que foram visibilizados, institucionalizados nesse hospital psiquiátrico durante tanto tempo, e eu tinha meu filho muito pequeno ali e eu podia amamentar meu filho e essas mães não puderam, então foi doloroso esse processo, mas eu entendi que a gente estava falando de algo muito importante que era a história da saúde mental no Brasil. E aí veio o COVID-312, em que a gente falou de um capítulo importante da ditadura brasileira, conseguimos localizar a sepultura de um militante político que estava desaparecido há 35 anos, provar que ele não se matou, porque essa era a causa oficial da morte dele e que ele foi assassinado pelo exército. Então a gente caminhou mais um pouquinho. E aí veio a boate Kiss, que me tirou do meu lugar, porque eu acho que a boate Kiss é muito próxima da gente, é uma coisa que aconteceu na história muito recente do país e qualquer um de nós poderia ou ter um filho na boate ou poderia estar naquela boate e isso realmente me atravessou de uma forma em que eu tive esses impactos emocionais que eu não tinha tido antes, eu engordei 10 quilos, eu perdi a metade do meu cabelo, fiquei um tempo sem me reconhecer e eu precisei entender que eu não ia conseguir prosseguir fazendo novos livros se cada livro me afetasse nesse nível, então eu fui ao longo do tempo entendendo que o meu lugar não era, e nem no momento de vítima, porque eu não era vítima, eu não tinha perdido ninguém, que o meu lugar era um lugar de muito privilégio, porque quando alguém oferece para você o acesso a um lugar que é o lugar da memória afetiva, que você só entra se alguém te convidar, isso é uma grande honra, então você tem que cuidar muito disso. E aí hoje eu me sinto nesse lugar, isso me fortalece para oferecer outras escutas, para contar novas histórias e eu me sinto mais forte para falar do rompimento da barragem de Brumadinho e depois para falar do que aconteceu dentro do Ninho do Urubu, quando dez atletas, dez meninos morreram num incêndio dentro do centro de treinamento do Flamengo então é isso, eu acho que é esse o processo o mais importante é ver o que esses livros geram, sabe então o local sul hoje é uma referência na saúde mental do Brasil hoje, por exemplo em Minas Gerais, pra você se formar bombeiro você, ou arrastados é bibliografia obrigatória e você vê esses livros sendo adotados, né, tanto no ensino fundamental, no ensino médio, na academia, isso é o que a gente quer, que é abrir esses diálogos também, né. Olhar para aquilo que doeu para até pensar formas de que isso não aconteça de novo. É, a gente tem que olhar para o passado, porque esquecer é negar a história, né, e se a gente esquece, a gente repete os erros do passado que nos trouxeram até aqui. Sim. Então, olhar para o passado é fundamental para a gente se instrumentalizar, para lidar com o presente e para mudar o futuro. Porque a gente não quer que outro brumadinho aconteça, a gente não quer que as pessoas sejam institucionalizadas, excluídas, como aconteceu nos hospitais psiquiátricos, num passado muito recente do Brasil, em que eles perderam todos os vínculos sociais e afetivos e a gente não quer continuar alimentando essas omissões que causam tragédias. Então a gente precisa falar sobre isso para a gente combater uma coisa que é muito importante que a gente tem, que é a cultura da impunidade. Talvez se as pessoas tivessem sido responsabilizadas em Mariana As empresas, as mineradoras, a gente não teria o evento em Brumadinho Sim, e é uma construção de formiguinha que a gente sabe que isso ainda é um problema Mudança de paradigma leva décadas, mas a gente precisa fazer esse movimento Porque não dá para aceitar aquilo que nos incomoda passivamente Sim, é quase uma humanização o trabalho que você faz de criação de novos olhares que essa dor realmente movimente esse território esse solo para um lugar melhor e que tire a gente da nossa zona de conforto eu acho que escrever tem esse papel, a potência da palavra, ela salva no momento que ela pode ajudar a ressignificar esses lutos e ver essas histórias ganhando uma dimensão muito maior através o audiovisual, é também o coroamento disso, desse desejo de contar essas histórias para o maior número de pessoas. A gente está trazendo hoje aqui uma das maiores cineastas do Brasil, que é a Júlia Rezende, que dirigiu a série Adaptação do Livro, todo dia, mesma noite, para a Netflix, uma série dramática de seis capítulos, que é uma das séries que até hoje mais vistas na Netflix, Mais acessadas Que ficou no top 10 mundial Maravilhoso A gente ficou a sexta série mais vista De língua não inglesa no mundo E a gente pôde contar A nossa história pro mundo Então a gente também deu um recado muito claro Acho que pra própria indústria Do cinema E do entretenimento Que a gente precisa contar essas histórias E o interessante É que você saiu da redação Saiu entre aspas mas levou a redação para a literatura e a literatura para o audiovisual e essas mídias estão se conversando nenhuma delas briga com a outra a gente tinha essa impressão de que uma coisa ia tirar a outra o rádio está aí, a internet, o audiovisual com certeza, esse complemento o jornalismo de qualidade o conteúdo de qualidade ele vai ser consumido em qualquer plataforma, ele é necessário em qualquer plataforma o holocausto brasileiro Antes de ser livro, foi série de jornal, depois foi livro, depois foi peça de teatro, depois foi documentário, que está hoje no catálogo da Netflix, depois se tornou uma série de ficção, se tornou filme no cinema, que estreou no ano passado, e o conteúdo é o mesmo. Então, acho que o jornalismo tem esse poder de movimentar todas essas plataformas. Você imaginava lá atrás Quando se formou que ia virar uma escritora De grandes reportagens Não, eu só queria ser a melhor jornalista Que eu pudesse ser Eu queria viver de jornalismo E eu queria ser a melhor jornalista Que eu pudesse ser, onde eu estivesse Então assim Eu acho que chegar até aqui Eu acho só que é Uma Eu acho que é um presente Na verdade Durante 30 anos estar vivendo do que você ama fazer que é jornalismo eu só sei ser jornalista, eu estou lascada se eu tiver que fazer outra coisa agora acho que não dá mais pra voltar e assim, me sinto muito feliz de estar completando 30 anos de carreira e de poder desenvolver o que eu acredito eu sei que tem muitas pessoas que gostam do que fazem, mas nem todas conseguem viver daquilo que gostam e eu consigo, então é um privilégio que legal Fico muito feliz e assim, é uma inspiração para todos nós, mulheres ou não, mas jornalistas a gente fica inspirado e quem tem essa aspiração também a escrever, é muito bom ouvir histórias de sucesso e que venham muitos livros pela frente. Eu só queria fazer uma última pergunta, você fica dois anos pesquisando em média e seis meses escrevendo? Em média, o processo entre escrita, pesquisa, investigação, escrita e publicação leva dois anos. Então, um ano de autoração, em média, seis meses de escrita, seis meses de edição para que o livro possa ir para a rua. Porque tem todo um trabalho depois que a gente entrega de edição, de escolha das imagens, da campanha do próprio livro, de que maneira a gente vai levar esse livro para a rua, todas as estratégias para que ele alcance o maior número de pessoas, é mais ou menos assim. Muito obrigada Daniela por compartilhar o seu tempo com a gente aqui no intervalinho, e que venham muitos livros pela frente, muito obrigada e parabéns pelo seu trabalho. Eu que agradeço, é uma honra estar aqui na Unicamp, eu estou trazendo muitas coisas, mas eu também estou tendo a oportunidade de fazer muitas trocas e de aprender, então está sendo incrível, um processo incrível, obrigada. Então a gente vai falar um pouquinho agora com a Júlia Rezende, vamos aproveitar essa oportunidade. Vale a pena, porque é uma oportunidade única, eu sou figurinha fácil, a Júlia não é não. Obrigada. E a gente teve a sorte de poder falar também com a Júlia Rezende, que é diretora de Todo Dia Mesma Noite, adaptado do livro da Daniela Arbex. E a gente vai falar com a Júlia. Muito obrigada, Júlia, também por dar um pouquinho do seu tempo aqui pra gente. Imagina, tô super honrada de estar aqui com a Dani na Unicamp. Acho que é um espaço de reflexão sobre o trabalho dela, que eu admiro tanto. Então, uma honra. Que legal. E a série está sendo um sucesso, né? Como é que foi esse processo todo de adaptar? É uma série ficcional, mas vocês decidiram então se inspirar no livro com personagens fictícios e outros reais. Como é que foi? A gente partiu 100% do livro da Dani, então a gente fez um processo de sala de roteiro com o Gustavo Lipstein, que é o roteirista da série, muito próximo a Dani. A gente elegeu ali quais eram os personagens daquele livro que funcionariam melhor dentro de uma obra audiovisual, mas com a Dani sendo uma consultora do projeto durante todo esse tempo, sabe? então foi uma troca muito rica e acho que foi também um desafio de entender o que a gente podia ficcionalizar o quanto a gente tinha que ser fiel aos fatos e à realidade como a gente podia sempre respeitar aqueles personagens que tinham vivido uma história tão trágica, tão dolorosa mas acho que norteados por algo que a Dani fala sempre que é a memória e a gente impedir que outra coisa dessas aconteça Então, eu acho que o audiovisual tem essa força de levar para um público, às vezes, muito mais amplo que a literatura, um recado como esse. Sim, porque você consegue, em um tempo menor, mandar um recado que é muito importante. E alcançar muita gente. E alcançar muita gente, que não teria, de repente, o tempo para ler o livro todo, a disponibilidade. É, e uma série que está dentro de uma plataforma como a Netflix, então, sim, está em 190 países. Acho que esse alcance também do projeto Fora do Brasil, dialogando, inclusive, com países onde situações semelhantes aconteceram. Então, acho que foi uma experiência muito rica nesse sentido. E, Julia, por que você acha que as pessoas se conectam tanto com esse tema? Porque é a fragilidade da vida E acho que essa possibilidade de a gente se identificar tanto com aquilo Porque acho que o Todo Dia Mesma Noite É uma situação, primeiro, muito recente Quando a gente lançou a série, estava completando 10 anos do incêndio Que é pouco Que é muito pouco E jovens, né? É aquele inesperado, trágico que poderia acontecer em qualquer lugar, infelizmente, por diversas situações que levaram até aquele incêndio, mas eu acho que essa sensação de que podia, sabe, como a gente é frágil, eu escutei muito quando a série foi lançada, um dia minha analista me disse, olha, essa semana todo mundo que veio aqui falou da sua série, E os adolescentes estavam muito impactados porque eles descobriram que dá pra morrer jovem. Então eu acho que essa consciência que de repente te atravessa é alguma coisa muito transformadora mesmo. Muito humana, né? E num contexto de alegria, né? Porque uma coisa é você estar num acidente ou num contexto de guerra, mas não, não era nada disso, né? É o absoluto inesperado, né? É, e você já tinha dirigido outra série baseada em fatos reais, nesse contexto mais de uma tragédia, ou foi a primeira vez? Não, não tinha, eu nunca tinha feito nada baseado em fatos reais, tinha dirigido a adaptação de um livro da Tati Bernard, que é o Depois da Louca Sou Eu, que é um livro sobre saúde mental, ansiedade, mas não nesse lugar do drama, da tragédia, né, assim. E foi uma experiência forte, eu ouvi a Dani falando aqui, Perdi muitas noites de sono Porque é uma responsabilidade muito grande Você tem um medo de falhar com aquelas pessoas Ou de fazer algo que fira alguém Então acho que a gente teve um cuidado enorme Não só com todo mundo que estava sendo retratado Mas também com a equipe, o elenco que estava no set Que precisava de um cuidado, uma assistência Para lidar com aquela trama tão densa E é um cuidado, eu imagino, uma linha tênue entre o sensacionalismo e o que realmente é a dor de verdade, nua e crua Eu acho que esse desafio era certamente o maior, de encontrar o limite, a medida do que é palatável para o espectador Sem você espetacularizar o que aconteceu, mas ao mesmo tempo mostrando o que precisa ser denunciado Eu acho que a série vai muito nesse lugar da denúncia e de trazer consciência para as pessoas da gravidade dos fatos, da gravidade da responsabilidade de quem estava envolvido com aquilo. É como se a gente, de repente, através de uma série, de um livro, começasse a ter uma responsabilidade compartilhada, onde todo mundo vai estar mais atento, cobrando mais, exigindo mais, de certa forma. É, eu acho que é trazer consciência, né, e ao mesmo tempo, ainda existia, quando a gente fez a série, não tinha acabado o julgamento, então, a gente sabia que o que a gente estava produzindo ali ia impactar o real, e de fato impactou, né, então eu acho que esse impacto na sociedade, a forma como as pessoas perceberam, como a opinião pública passou a perceber esse assunto, isso era uma responsabilidade enorme. muito legal, porque a gente também se depara com muitas coisas ruins acontecendo diariamente, mas infelizmente muita coisa cai no esquecimento e por mais que a gente não vá esquecer do fato em si, vai deixar de lembrar no sentido de cobrar na impunidade, e aí a série vem e coloca isso de novo e compartilhando os detalhes pra que as pessoas realmente tenham em mente que infelizmente era uma coisa que podia ser evitada com certeza, eu acho que existem tem muitas responsabilidades compartilhadas no caso dessa tragédia. E eu acho que a série veio justamente jogar luz nesse assunto e chamar a sociedade para o debate. E você gostou desse tema mais da vida real, de contar histórias que realmente aconteceram ou está aberta a todas as possibilidades? Eu acho que o que eu busco como diretora é sempre encontrar bons personagens. Então, acho que a gente está sempre tentando entender histórias que possam provocar identificação, que emocionem, seja no gênero que for. Eu já dirigi muitas comédias, já dirigi drama, então eu acho que o importante é a gente encontrar conexão. Porque a ficção também pode carregar muita coisa que acontece na vida real. Com certeza. A ficção, eu acho que ela é um canal de... Ela chega no coração das pessoas de um jeito diferente, né? Porque ela sabe te conduzir para a emoção. Ela tem essa liberdade artística, né? Poética. E grandes atores, né? Eu acho que os atores têm esse... Você assistir um ator vivendo uma situação que você admira, um ator que você admira, aquilo ali não tem igual, assim. Que legal. E aqui na residência, como está sendo? Ah, super especial estar aqui com a Daniela, tenho uma admiração enorme por ela. Acho que é uma jornalista, uma autora, assim, de uma coragem, não, de uma coragem, de se debruçar sobre esses temas tão densos, tão dolorosos, né, assim. Eu acho que ela não recua diante da dificuldade, né, ela enfrenta as coisas, assim. Eu acho que é alguém que gosta muito do que faz Acredita no Acredita no ofício Pode passar por tudo isso Como ela passa E se dispõe a enfrentar mesmo Todas as dificuldades A enfrentar histórias que muitas vezes Não querem que conte Sim Tocar em pessoas que não querem Ser tocadas E tudo mais Mas é uma essência do jornalismo Queria agradecer demais mais uma vez o seu tempo aqui obrigada e vida longa para as suas direções obrigada de volta para o segundo bloco do Conexão Cultural falando sobre a jornada das histórias e da literatura agora a gente vai falar com Maurício Simeonato que também é jornalista assim como a Daniela Arbex só que ele foi para a poesia é um jornalista, escritor Não é verdade, Maurício? Agora a gente precisa saber quem nasceu primeiro Se é o poeta ou jornalista Muito obrigada por receber o Conexão também Obrigado É um prazer vir aqui falar de literatura Falar de poesia E contar um pouco com o processo De criação poética E já respondendo Eu comecei com a poesia Desde a adolescência Já escrevi alguns poemas mas ficava na gaveta, não tinha uma divulgação. Então, a partir disso, eu fui guardando alguns poemas e já no ano de 2010, eu comecei a selecionar. Eu vi que tinha que ter uma disciplina, mínima disciplina, de criar um arquivo, selecionar, rever, reeditar, porque ficava tudo guardado. Então, a partir de 2010, eu comecei a criar um arquivo, dei um nome para o livro e enviei o arquivo para a Secretaria de Cultura de Campinas, que tem o FIC, né? E fui selecionado no FIC em 2011. E a partir daí deu esse impulso e eu vi que eu podia realmente publicar poesia. Mas a poesia veio antes do jornalismo, né? Depois que veio o jornalismo e ela incentivou o jornalismo. E o jornalismo hoje é uma matéria-prima. Que legal. Para as suas poesias, né? Para as poesias, sim. Ou seja, não basta ser criativo, também tem que ter um processo ali para organizar. E o primeiro impulso que você teve de organizar te deu um bom fruto, né? Sim. Você precisa ter realmente uma disciplina, né? Não dá para você só escrever e deixar e não procurar. Você acaba procurando editoras, você vai pesquisando onde tem eventos relacionados à poesia, vai conhecendo as pessoas, e a partir daí você vai se envolvendo mais no mundo da poesia e consegue ter uma organização mínima, uma edição, para realmente resultar no livro. É ter um certo carinho ali com aquilo que saiu de dentro, de tão fundo. Maurício, você acha que a poesia está nos olhos de quem vê? Eu acho que está nos olhos de quem vê e está nos olhos também de quem quer enxergar Essa poesia está disponível para todo mundo Acho que é possível você treinar o seu olhar Acho que isso é legal, você treinar Olhar para ter uma visão poética das coisas Você pode passar diante de uma situação E não perceber que ali tem uma linguagem poética E você pode reinterpretar aquilo de acordo com a sua visão poética Então é importante você criar esse olhar poético sobre as coisas que acontecem, não só sobre paisagens, mas com o que acontece no nosso dia a dia também. Tudo é matéria-prima. Tudo é matéria-prima. E como é que esse poeta trafegou e trafega até hoje pelo universo jornalístico, que nem sempre ele é poético, muitas vezes ele é poético, ele é matéria-prima, mas nem sempre. Como é que ele trafegou? Foi tranquilo? Não foi tranquilo porque eu comecei com jornalismo, hard news mesmo na imprensa, escrita, então eu já fui para a rua mesmo e cobri muita coisa também pesada, que nós sabemos jornalistas no dia a dia tem muita coisa pesada. E muitos desses sentimentos que ficavam depois que você escrevia a matéria de forma precisa, você tem um padrão de escrita e acaba sobrando muita coisa em volta dessa cobertura jornalística, sentimentos mesmo. E esses sentimentos acabam sendo reeditados na memória e de acordo com o que você vai construindo sua poesia, Seu estilo de poesia você vai encontrando à medida que você vai escrevendo. E essa matéria-prima do jornalismo que fica, esses sentimentos, acabam servindo de matéria-prima para as poesias. Então tem muita coisa, tem muita poesia que é dura também, não é só flores. Então a gente consegue, acaba servindo também como uma espécie de terapia, também, porque você tem aqueles sentimentos de ter visto coisas pesadas que você não acredita que um ser humano possa fazer e você tem que de alguma forma retransformar aquilo em material poético. É meio que uma forma de você ressignificar o que você vê e digerir também a sua própria vida é pela poesia. Exatamente, você cria uma lente ou várias lentes e E aí também um processo que eu fui percebendo é de você pode também criar personagens que possam escrever aqueles poemas. São personagens, entrar num personagem do jornalismo que está lá, sentir o que aquela pessoa apresentava, tomar o lugar do outro. É um pouco isso que a gente tem. O que aquela pessoa passou, o que aquela pessoa sentiu. Então você acaba tendo também tomar o lugar do outro para também trazer isso para a poesia. Esse é um exercício que eu fui aprendendo ao longo desses anos de poesia. Muito legal, muito interessante, porque sabendo qual é o seu papel de jornalista, você consegue criar um personagem com liberdade de não ser um jornalista olhando para aquele mesmo fato. Sim, sim. Que legal. É como se você criasse um personagem, tentasse pelo menos entrar na pele do outro, Nos sentimentos, no que aquela pessoa sentiu O que aquela pessoa passou na vida dela E isso é uma forma realmente de você expandir a poesia Sim, e aí você fez o primeiro com os poemas que você foi juntando ao longo da sua vida Mais até adolescente Exatamente E depois disso veio o que? Ah, tirou muita coisa Tirei muita coisa, que tinha da adolescência, uma outra linguagem e tudo e depois veio esse segundo livro que é o sobre auroras e crepúsculos o primeiro chama impermanência é um título também inspirado um pouco no budismo, no conceito de budismo da impermanência então e aí veio o segundo sobre auroras e crepúsculos que é de 2017 aí eu consegui esse livro, ele foi lançado na Bienal do livro do Rio em 2017, fui participar lá foi muito legal E aí você vai criando impulsos, enfim, para expandir a poesia Depois veio o terceiro, que é o Arado de Odara, que é de 2021 E ele tem um tema que ele foi finalizar em 2020, 2021, durante a pandemia Então ele tem um tema, assim, é um livro, digamos assim, pandêmico Ele traz muita poesia, a questão do isolamento social, está presente nele Vida e morte também? Também, Elimote e tudo que a gente passou naquele momento Porque o poeta acaba também como jornalista sendo um testemunho da sua época Acho que todo artista, de forma geral, é um testemunho da sua época E esse livro, ele realmente retrata como se fosse um testemunho daquilo que a gente estava passando Então, até de momentos que eu fui um pouco mais para a natureza observando mais os detalhes da natureza, você acaba tirando um pouco o foco e fazendo com que, por exemplo, uma visão de um inseto que a gente tenha, como tem um poema lá de um casulo de borboleta, possa ser uma metáfora pelo que a gente estava passando. Aquele momento que a gente estava é uma espécie de casulo ali. Então tem poemas que a gente acaba fazendo essa relação da natureza com a nossa realidade. Se conectando. E também é uma forma de se conectar com a vida, porque a vida tem o fluxo dela, né? Tem o fluxo dela. E é importante você, a gente ficar alerta para esses pequenos detalhes, que às vezes algum detalhe ou outro pode ter um grande significado, né? Uma grande sacação. É, exatamente. E muita gente, inclusive, começou a falar sobre isso, né? Que antes do lockdown não se percebia Mas tendo tempo de observar, tempo de degustar a vida, as pequenas coisas E aí o lockdown, infelizmente por essa forma, conseguiu trazer as pessoas um pouco mais para a presença Que já deve ter perdido um pouco de novo Já perdeu, mas é importante a gente sempre resgatar esses sentimentos De observar mesmo o céu, parar um tempo para respirar Se observar Se observar, observar as pessoas que estão à sua volta Então, acho que essa é uma lição que a gente teve e acho que a gente tem que deixá-la dentro da gente ainda, que é muito importante isso. Custa caro perder isso, né? Já que a gente aprendeu um pouquinho. Sim, já que a gente aprendeu, exatamente. E depois vieram quais? Depois veio esse livro, que é um livro que resultou de uma dissertação de mestrado que eu fiz na Unicamp, no LabJor. e é onde eu procurei também trazer um pouco da poesia para esse estudo mais acadêmico. Então eu comecei a observar também alguns pontos da cidade que eu chamo de cacos poéticos urbanos. Eu achei ótimo o nome. E aí a partir desses cacos poéticos urbanos, que são as informações que estão na cidade, nos postes, nas paredes, as sobreposições de imagens, descascamentos, tudo que é rasurado, tudo que é rasgado, e ela acaba ganhando um outro significado, essas mensagens. São colagens e decolagens. Legal. Então, eu comecei a fazer um estudo, alguns autores que já pesquisam isso, comecei a pesquisar um pouco de poesia visual, relacionando isso com poesia visual. Poesia visual e textual. E textual também, ao mesmo tempo. E aí também fui buscar no concretismo algumas referências da poesia concreta. E aí resultou nesse livro, uma editora se interessou em publicar, achei bem legal deixar esse registro também. Sim, com certeza. Até porque o meio urbano tem essa provocação. É como se a gente produzisse até sem querer elementos poéticos, diferente da natureza que por si só tem a sua linguagem. agora é muita gente habitando ali o mesmo lugar, aí um cola o outro vem e descola ou rasga e dá um outro significado que nem a gente vai compartilhar aí nas imagens pra vocês terem um gostinho e aí veio o último a última criação esse aqui que saiu esse ano que é o As Vísceras das Coisas que eu lancei aqui em Campinas depois lancei na Bienal de São Paulo também na Feira do Livro de São Paulo E depois, agora semana passada, na Flip Eu fui lançar ele na Flip Dentro de uma casa gueto, que chama lá Da editora tem as editoras independentes E ele foi lançado lá na Flip também Foi muito bom ter ido lá lançar o livro E encontrar outros autores É sempre bom participar dessas feiras literárias Porque você acaba encontrando autores Trocar informações Encontrando, né? A arte do encontro A arte do encontro e a literatura deixa isso muito claro. E os Vísceras das Coisas, que estão agora ganhando o mundo, estão lançando. E qual é o tom desse? Esse daí, ele trata um pouco, eu tento buscar um pouco as guerras que nós estamos envolvidos. Não só guerras bélicas, guerras que todos estão, guerras psicológicas, guerras consigo mesmo ou com alguma coisa que não esteja de acordo com o que você quer. Então são lutas, batalhas, conflitos e até que ponto essas lutas podem se transformar também em uma linguagem poética. Então ele tem um pouco que a unidade dele é essa busca por tentar entender esses conflitos que as pessoas passam Que é muito forte na nossa existência E são conflitos também da natureza, as condições climáticas também estão presentes aqui Que são uma espécie de conflito, que é uma guerra que a gente está na nossa cara que a gente não consegue enfrentar ainda, de forma que deveria ser enfrentada. Então, essa condição climática também está ali presente. Existe agora até a ansiedade climática, que permeia a nossa mente, nossos medos e anseios, só que a gente às vezes nem consegue nomear, porque está sutilmente pulverizado nas informações e tal. Tem a questão do digital também, que gerou também um grande conflito na humanidade, está presente também. E também tem as coisas mais suaves, os conflitos. Por exemplo, tem o caso, que não é um conflito, mas é um encontro de uma cigarra com um disco do John Contreras. Então, tem muita coisa de jazz também. É, isso que eu queria saber. Você tinha uma banda? Você toca? É, eu já toquei numa banda, né? E gosto muito de músicos, sou colecionador de vinis. Então, vem daí. Tenho alguns vinis e alguns de jazz. E aí, por exemplo, esse caso que eu citei, eu estava ouvindo esse jazz, que é o John Contrani, que é um grande músico de jazz. E no momento pousou uma cigarra em cima do vinil ali Daquele Eu fiz até uma foto E parece que ela ficou escutando Aí tem a transformação em poesia A licença poética E eu fiquei pensando como ela ficou escutando Como seria aquela relação dela com aquelas milhares de notas Com a nota que ela tem, musical E o que isso se transformaria E até o momento que ela seguiu o caminho dela E eu fiquei pensando O que isso pode ter transformado A guitarra, a cigarra E o que me transformou também Porque podia ter sido uma joaninha Tantos insetos Foi uma que canta Não foi qualquer coisa E gostaria de compartilhar com a gente Ah sim, posso ler Agora a gente está curioso Era até um pouco longo Então chama A Cigarra e John Coltrane, A Love Supreme Que é o nome de um disco dele, A Love Supreme No final do que derivara das chuvas do verão A cigarra pousou ao lado da vitrola Akai Parou para ouvir o long play de John Coltrane Ficou ali em silêncio, mas depois do lado B A Love Supreme, partiu em revoada, tal qual o aeroplane, num voo difuso, meio torto, para cantarolar a colar, seus novíssimos timbres, em si bemol diminuto, semifusos de desilusões, rumo ao próximo acasalamento. Enfim, encontrou alguém como ela Que tentava desorganizar o caos Numa nota torta e solitária Seu andamento já era outro Seu tempo ficou encantado de contratempos Enfim louca de jazz, abstraída Tinha a direção do vento, sempre a seu favor E este lhe havia trazido ao encontro improvisado Em um pedaço semibreve De amor supremo Ah, que legal Enlouquecida de jazz Que legal Semibreve, aí faz essas brincadeiras Faz essas trocadilhos musicais Poéticos Muito bom, ou seja, tudo pode virar poesia Tudo pode virar poesia E é importante que as pessoas Criem o seu próprio olhar poético Tenham esse entendimento Que elas podem ter um olhar poético que podem desenvolver a sua própria poesia, o seu estilo de criar poemas. E essa é um pouco das coisas que a poesia proporciona, de mostrar que as pessoas, todo mundo pode fazer poesia, todo mundo tem sua poesia. E no teatro, eu até aprendi recentemente que uma comida bem feita, quando ela transcende ao fato de ser uma comida, é uma poesia. Assim como tantas outras coisas. Qualquer coisa pode ser poético, né? Pode ser poético, é legal. Criar o olhar poético é importante. Criar o olhar poético. E para quem quiser conhecer seus livros, entrar em contato, tem algum canal? Você pode ir no meu Instagram, lá tem o link do último livro, né, e entrar em contato comigo, né. É maurice.simionato.um, meu Instagram, então lá tem, na minha bio, tem o link do livro. Legal. E aí, mandando uma mensagem, e se estiver interessado em outros livros, eu posso direcionar e atender e mandar autografado para quem tiver interesse. Maravilha. Maurício, muito obrigada por compartilhar sua história com a gente, por inspirar esse olhar poético também. Eu que agradeço, é um prazer. E que a poesia esteja sempre em todos nós. É quase uma reza, né? Exatamente. Que a poesia esteja convosco, né? Convosco, exatamente. E ela está no meio de nós, né? Está no meio de nós, exatamente. Obrigada, Maurício. Obrigado também, é um prazer atender vocês aqui. Valeu. E no próximo bloco a gente continua com literatura com o Tiago Gonçalves, não perde. De volta para o terceiro e último bloco do Conexão Cultural de hoje, ainda sobre a jornada da história, agora é a vez do também jornalista e escritor Tiago Gonçalves, Gonçalves, que escreveu um livro infanto-juvenil, Ted Tentod muito obrigada por receber também o Conexão Cultural aqui na Saber e Ler, gentilmente cediu esse espaço lindo pra gente, né Tiago? Eu que agradeço a oportunidade a chance de falar um pouquinho mais sobre literatura pra infâncias e também sobre o bem-estar psicoemocional de crianças, pra mim é uma alegria unir essas duas áreas e refletir a partir delas. Maravilhoso assim como nos primeiros blocos também, a gente recebeu jornalistas e escritores. Eu queria que você falasse um pouquinho da sua trajetória como jornalista e como é que ela virou essa chavinha aí para escrever o primeiro livro. Eu acho que vem muito daquela questão do contar histórias e de ouvir histórias. E, na minha opinião, jornalista tem muito disso. E eu fui criado nesse ambiente, no sul de Minas, com os meus avós, de escutando bastante, de contando e replicando depois essas histórias. E aí aquilo foi me alimentando, foi me fazendo pensar, estimulando a minha criatividade, a imaginação, e aí segui pelo caminho do jornalismo, quando eu vim para Campinas para estudar, depois, a partir do jornalismo, o encontro com a cultura, com a arte, e aí a minha formação também em teatro, Tudo isso foi me alimentando, esse olhar para a escrita, uma escrita que muitas vezes não precisa ser tão cisuda, você pode abrir concessões, brincar, ter uma sensibilidade ao longo da jornada do escritor. Então me veio tudo isso. Aí somando o interesse pela psicologia, ingressei na faculdade e aí foi que tudo reuniu, foi que tudo estava borbulhando, fervilhando dentro de mim e resolvi então pensar um livro, pensar uma escrita que pudesse acolher, cativar por meio de uma história infantil de um menino, mas olhando para esse bem-estar. Então o caminho foi muito disso, da experimentação, foi um caminho do ousar, Desde o primeiro texto que eu fiz para jornal, vendo a possibilidade que o texto, que a palavra me daria para usar, para ser sensível, para trazer uma poesia mesmo diante de um texto que precisava ter a objetividade, precisa ter um toque de contar algo de um tom mais sério. Então, acho que foi essa experimentação que me traz aqui. A forma de contar, ela diz muito também, um bom mineiro gosta de um caos Com certeza Foi impactado por isso Eu acho que tudo isso faz a gente trazer um tom diferente para as narrativas Eu sempre me recordava, quando eu ia escrever para o jornal, me recordava da minha avó me contando Como é que ela me contaria essa história se eu vivenciasse, se ela vivenciasse E aí a partir disso eu trazia isso para o texto Para amarrar o leitor, para trazer ele para o nosso meio Sua primeira editora então foi sua avó Olha, acho que meus avós Tanto por parte de pai quanto de mãe E somando com a minha toda família que é de contadores de histórias De lembrar de um caos, de uma história engraçada Então acho que foram os primeiros que eu ouvi Tanto com o ouvido quanto com o coração, que é o que fica para a gente. Com certeza. E aí você falou, como é que minha avó contaria essa história aqui do Ted e do Todd? Pois é. O Ted e Todd, o Tem Todd é uma história de um menino muito desafiador, que não gosta nada de receber o não, que é resistente às figuras de autoridade. E esse menino, num ataque de fúria, de raiva, ele sai para espairecer e ele encontra um gatinho. Mas esse gatinho não é um gatinho normal, é um gatinho desobediente. Acho que um pouquinho até mais do que ele. E aí eles criam, a partir dessa relação, desse encontro, uma jornada de amizade, de cumplicidade, onde um vai aprendendo com o outro, e essa história traz isso para a criança. A oportunidade de, a partir do encontro entre um menino e um gatinho, pensar sobre inteligência emocional, sobre transformação, sobre crescimento, sobre ajuda, sobre o cuidado coleguinha, tanto que no meio da história, o Ted e Todd recebem a visita da Malu, a melhor amiga do Ted, e a gatinha Luna dela, para juntos eles pensarem sobre essa relação de amizade e o quanto a Malu pode ajudar o Ted a se autorregular, a se tranquilizar, a ter uma calma diante das relações que ele tem, muitas vezes conflituosas, com o Todd, que é o nome do gatinho. Então, a partir desse cenário, que é uma história lúdica, sensível, a gente toca em pontos importantes para o bem-estar das crianças, bem-estar psicoemocional. Muitas vezes a gente acha que o sofrimento, que é inevitável para o ser humano, só ocupa os adultos, mas não, as crianças, desde sempre, desde pequenas, também podem trazer sofrimentos, dores emocionais, e até algo que elas não conseguem expressar, e tudo isso, o livro traz aí uma semente para refletir isso, com educadores, com pais, com responsáveis. E indo um pouquinho para a psicologia, que é uma área que você também já está se formando, acho que é o seu primeiro trabalho em conjunto jornalismo e psicologia e arte, que depois você vai falar um pouquinho da ilustradora, mas eu acho que o espelhamento é uma coisa muito importante, Em todas as esferas E acredito que seja um livro para discutir também Entre os adultos Porque existe uma resistência também nossa Em lidar com aquilo que é diferente Não ter autoridade É uma criança desafiadora Que desafia aquilo que foi colocado como certo Por N gerações E aí os adultos nem sempre estão preparados Para lidar com isso Não, acredito que não Porque os adultos também foram Crianças e passaram por tudo isso muitas vezes não amadureceram isso de uma forma ou estão lidando com isso pela primeira vez. Eu acho que esse aprender a partir da modelagem é muito importante, eu trago isso no livro, mas é um, como você disse, um espelhamento e não uma comparação, porque quando a gente entra no lado da comparação, a criança se sente julgada, com o dedo apontado e não. Essa relação do TED e TOD mostra que a amizade, que aqui é de um gatinho com um menino, mas pode ser do menino com um pai ou do menino com uma educadora, é a partir do exemplo, é a partir do acolhimento, é a partir do cativar. Porque a gente consegue sim dizer não com carinho e colocar regras e limites com afeto. Então basta ter esse olhar para que isso aconteça. Porque o não, muitas vezes, é tido como algo que pune ou algo doloroso, mas não. O não pode ser dito com afeto e isso traz um engrandecimento e ajuda a criança a lidar, muitas vezes, com frustrações, com dores que ela está passando naquele momento. Uma escuta, né? Mais presente de fato, né? Sim. Porque aí ela se coloca, se sente segura para se expor e tudo mais, né? Sim, por isso que a gente... Isso de uma forma lúdica. É, isso que é o importante, né? A gente mira na poesia, no lúdico e na criança, mas também para falar com os adultos, para falar com os pais, os responsáveis, os educadores, os profissionais da saúde, que muitas vezes vão também receber crianças com esse perfil nos seus consultórios. Então é uma grande conversa, uma grande história que a gente aprende a partir da nossa bagagem, a partir da nossa ótica, né? Cada um tem a sua. É, e da provocação que o livro traz, uma boa provocação. E a gente, olhando aqui, vocês vão ver as páginas, a ilustração é muito bela, né? Eu queria que você falasse um pouquinho da ilustradora. Claro, eu acho que a sensibilidade que eu busquei impregnar no texto e nessa história, na forma de contar, eu também, junto com a editora, que é a Ciranda Cultural, a partir do selo Ciranda na Escola e com a minha editora, pensamos, a ilustração também tem que vir nessa mesma seara, nessa mesma tranquilidade, nessa mesma calmaria. Porque o tema já é um tema espinhoso, o desafio, o não, então poderíamos muito ir para um senso comum de uma criança com aquela fisionomia de dor, muito carregada, então a gente leva para o outro caminho da suavidade, da ternura. E a Ana Cardia, que é essa ilustradora, ela trouxe isso, primeiro pensando as imagens e depois o mais bonito é como ela se utiliza da sua arte. Ela fez todas as ilustrações, por exemplo, esse é um exemplo, com aquarela, na técnica da aquarela e do lápis de cor. Então já mostrando esse olhar da criança, esse olhar da sensibilidade, esse olhar do lúdico, esse olhar da aquarela que é muito sensível e ao mesmo tempo difícil de controlar, porque um pingo que cai a mais pode atrapalhar tudo isso, mas como que a gente reverte isso na arte? Então foi por esse caminho e acho que teve um casamento e uma sintonia muito grande e o resultado está lindo. As imagens são cativantes, a gente gosta de ficar vislumbrando os detalhes, então foi um presente para mim como escritor de estreia e também para os leitores. É tudo orgânico, os tons pastéis E também ele tem o movimento A aquarela tem um pouco isso do movimento Sim, da delicadeza Tudo pode acontecer a partir da aquarela Então foi esse trabalho da Ana Primoroso Você já saiu no lucro No primeiro de legada Já fui abraçado duas vezes Por tudo E as ilustrações são belíssimas E tem uma sintonia das personagens que eu pensei E como a Ana trouxe para as páginas Que legal E aí qual é o feedback que você está tendo? Já está sendo um sucesso nas feiras que você tem participado? Sim, está como um dos mais vendidos da editora, do selo E eu acho que é essa empatia, esse abraço do leitor Certa vez eu li um artigo do Bartz que fala da morte do autor Porque depois que a gente lança, precisamos ter essa humildade de achar e de perceber que a história agora é do leitor. Ele que vai recriar, cocriar, inventar outro final, tirar personagens, mudar tudo que eu fiz, porque ele tem essa capacidade e ele tem esse direito. E eu tenho recebido inúmeros olhares distintos da obra e isso me engrandece muito, porque me abastece para os próximos produções. Então, está sendo muito legal. Eu recebi uma mensagem de uma mãe que me escreveu que o filho dela leu o livro e quando leram juntos e depois que terminou ele perguntou, mãe, como que ele sabe da minha história? Foi você que contou para ele? Então, mostra essa capacidade, não só da minha história, mas a capacidade da literatura de acolher essa criança, de trazer uma autonomia, uma inteligência emocional para ela e mais do que isso, mostrar que muitas vezes dentro do sofrimento dela ou dentro de uma habilidade que ela precisa trabalhar, tem outras crianças vivenciando isso, que ela não está sozinha nesse momento. Mesmo que seja um espelho da literatura ou de um livro, ela está sendo acolhida. Ela fala, poxa, o Ted é muitas vezes igual a mim, eu sou igual ao Todd, que é o gatinho, então há uma sinergia ali e ela mostra para o coleguinha que também se reconhece. Eu acho que a literatura e a arte nos trazem essa possibilidade do reconhecimento E isso nos acalenta e mostra que realmente não estamos sozinhos E nesse caso específico é uma ficção que não é tão ficção Então as pessoas se identificam e se veem mesmo no personagem Com certeza, porque até as cenas a gente pensou para ser ambientadas nesse processo Então tem o quarto do menino, tem o passeio dele pelo parquinho, uma pracinha do condomínio, perto da casa dele, que mostra muito esse viver em comunidade, porque muitas vezes crianças com dificuldades em autorregulação e autocontrole emocional e comportamental trazem um comprometimento nessa relação de habilidade social com a comunidade. Então, mostrar que a criança está inserida na relação com os coleguinhas e também com os animais, eu acho que traz uma... presentifica essa realidade. O quarto, tem essa cena que o Todd bagunça o quarto, as mães me contam que as crianças gargalham, porque é o gatinho, mas elas também se identificam com essa bagunça que muitas vezes elas fazem. Então, me falam que é essa cena que eles gostam muito e sorriem muito nesse processo. Você se sente meio gato ali, né? Acho que todo mundo, lendo a história, vai se identificar que temos um gatinho que muitas vezes nos arranha aqui dentro, nos faz perder a calma. O importante é voltar para a tranquilidade a partir dessa autorregulação que a gente fala. voltar ao equilíbrio e seguir para as adversidades da vida que são inevitáveis, não só para nós adultos, mas também para as crianças então é um preparo é um preparo, e você falando é muito legal, porque a literatura como você disse, depois que lançou o livro ninguém sabe onde vai parar e a exemplo da Daniela no primeiro bloco eu já fui imaginando um roteiro aqui que legal, já tem um curta desenhado aí, bem interessante olha, para mim será uma alegria descortinar nessa obra em vários em vários produtos em várias plataformas como a gente vê os trabalhos da Daniela que muitas vezes avançam isso para minissérie para documentários o próprio Holocausto Brasileiro que virou série e também virou um documentário mostra também uma ficção a partir da história que é muito cara principalmente para quem estuda sobre o bem-estar emocional no Brasil, que foi o Hospital Colônia, em Berbacena, e que também chega ao grande público por meio do livro, por meio da minissérie, e também por meio do documentário, que são primorosos. E tudo começou pelas mãos de um jornalista e de um livro, então ninguém sabe onde vai parar, né? Pois é. E tem alguma coisa no forno aí? Olha, eu acho que continuo pensando e fazendo, por enquanto, essa dobradinha entre literatura para infâncias e o pensar o bem-estar psicoemocional das crianças. Eu acho que é muito caro para mim esse tema, então acho que me continuo nessa jornada, mas sempre olhando para outras, porque os caminhos são, as veredas são várias, Então podemos olhar para vários, mas por enquanto quero experimentar um pouco mais nessa dobradinha. Nessa dobradinha que já tem se mostrado um sucesso, né Tiago? Ah, que feliz! Está sendo muito acolhedor para mim, porque eu sempre falo que esse livro é para abraçar, para acolher, para cativar e para encantar. E quando eu agora estou do outro lado recebendo tudo isso que os, eu digo, os pequenos leitores, os leitores de pequena, de velha e nova infância que me procuram, é um abraço, sabe? Tudo que eu coloquei e tive objetivo nesse livro, eu estou recebendo de uma forma grandiosa. Então, para mim, está sendo um estímulo para continuar, para escrever, para apurar o texto, para ir lá trazer de volta. Então, a literatura de infância é esse exercício, muitas vezes, de ter um texto gigante e vamos lapidando, vamos trazendo. Esses tempos eu vi uma entrevista da Carla Madeira com o Roberto Dávila E ela falou uma coisa que fez muito sentido Primeiro porque é mineira e a gente tem essa identificação Porque ela falou que escrever é um ato de passar o rodo Porque você passa o rodo, tira a água Aí vai lá, passa mais um pouquinho, tira mais um pouquinho de água Então é isso, você escreve, depois vai lapidando Aí vê que dá para tirar um pouquinho mais de água Principalmente para a criança Que precisa estar a essência, a ideia E o abraço ali numa frase O essencial, né? O essencial Tiago, para quem quiser encontrar os seus livros Ou bater um papo, te encontrar Tem um canal de acesso? Tem sim, é o Instagram É meu e junto com a minha esposa Que é neuropsicóloga Então falamos um pouquinho sobre literatura para infância e Psicologia Infanto-Juvenil, é o arroba psiquele, psique, underline, le. Legal. E aí lá temos conteúdo sobre literatura, sobre psicologia, a união dos dois, o quanto que a literatura ajuda no bem-estar emocional, tanto para pais, para educadores, como criar, igual a gente está aqui, como criar para a criança um cantinho da leitura, ou um cantinho da autorregulação, um lugar que ela possa se tranquilizar depois de um ataque de fúria ou de raiva. Então tudo isso a gente traz algumas dicas e troca muito com os leitores. Maravilhoso, não dá para perder, né? Tiago, quero agradecer demais a sua participação, compartilhar com a gente todos esses saberes, essa experiência e vida longa para os livros que virão. Eu que agradeço a oportunidade, esse espaço que eu tanto aprecio, me pauto pelas dicas da agenda aqui da TV, as sextas-feiras, já traz as dicas de cinema e de cultura da nossa região, então para mim é uma alegria estar nesse espaço, dividir essa conversa contigo, porque eu acho que essa troca, essa empatia faz com que a gente cresça, leve um pouquinho do outro, deixe um pouquinho de nós E transforme a nossa sociedade, a nossa comunidade E pense sobre diversos assuntos Muito obrigado Obrigado eu Viver a arte do encontro, né? Ainda mais com mineiros Obrigado Aliás, o espaço aqui onde a gente está, o Saber e Ler É de uma mineira magna Uma mineira retada Que tem esse olhar para a literatura de uma forma muito carinhosa Ela não tem só esse espaço, né? aqui físico de uma livraria, mas também tem uma editora especializada em publicar livros infantos e juvenis. Então, é um universo que não tem fim. É um universo bem paralelo. Sim, paralelo. Cheio de nichos e cantinhos especiais. Vale a pena conhecer, né? Com certeza. Com certeza. Agradecimento especial também para saber e ler, né? Muito obrigado. Valeu, Tiago. Agradeço. Obrigado. E para você que gostou desse programa, quiser rever ou compartilhar, é só acessar o YouTube da TV Câmara Campinas e buscar por Conexão Cultural Jornada da História. Muito obrigada pela sua companhia, a gente se vê daqui a 15 dias. A CIDADE NO BRASIL Tchau.
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