Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Música Conexão Cultural é o seu programa na TV Câmara Campinas para saber das manifestações culturais da cidade e hoje você já adivinhou do que a gente vai falar? Isso mesmo, hip hop na cabeça e os quatro elementos MCs, DJs, grafite e break Bem vindo Música Música Passando aqui pelo movimento dos DJs, eu estou com o Binho, que é um DJ aqui de Campinas, e vai contar a história dele e um pouquinho também da história do hip hop. Muito obrigada por nos receber aqui nesse evento do Dia Mundial do Hip Hop, dia 12 de novembro, né Binho? 12 de novembro marca o marco zero da cultura hip hop, que foi a primeira festa que aconteceu no Bronx, em Nova York. E eu vou contar um pouco da minha história. Eu comecei na cultura hip hop através do grafite, no final dos anos 90, mais ou menos 98, 99, foi quando eu ingressei na cultura hip hop. E o hip hop surgiu de uma festa que um DJ chamado Kool Herc, ele fez para a irmã dele, que ela precisava comprar material escolar, e eles não tinham condição. Ele teve a ideia de juntar os quatro elementos da cultura hip-hop, que na verdade ainda não era, não era intitulado como hip-hop, como uma cultura única. Tinha o break, o grafite, o DJ e o rap, o MC, que é o rap. Eles tinham atuação nas comunidades lá no gueto dos Estados Unidos. E aí ele teve a ideia de juntar os quatro elementos numa festa. que aí ele conseguiu apaziguar guerras de gangue, várias coisas que aconteciam na periferia, ele conseguiu juntar e fazer essa festa para arrecadar dinheiro para comprar o material escolar para a irmã dele. Foi assim que surgiu, então? Assim que surgiu o hip hop. E para o Brasil, como é que chegou? No Brasil chegou através do pessoal de São Paulo, mais especificamente o pessoal do Funk Sia, Se não me falha a memória, Nelson Triunfo, King Nino Brau Uma galera que dançava em São Paulo na Praça da São Bento Eles dançavam break lá Aí começou a surgir lá o hip hop no Brasil E Campinas? Tá ficando forte cada vez mais, agora com a casa do hip hop também, né? Campinas sempre foi forte, o movimento hip hop, sempre Desde a década de 90, desde quando surgiu em São Paulo Já começou a ter a conexão de lá pra cá e daqui pra lá Tinha o pessoal que dançava break na praça Lago do Rosário, Malaquias, funk show É isso, se eu não me engano E ele dançava ali na praça Foi um dos percussores do hip hop aqui em Campinas E aí do grafite você migrou para o DJ Isso, eu comecei no grafite Aí no meados de 2010, mais ou menos, eu comecei a discotecar Meu pai era DJ Ele não se intitulava como DJ na época porque é muito antigo ele tocava em 80, 85, então não chamava DJ, ele nem sabia que existia esse nome, né? E eu herdei dele isso, a discotecagem, só que eu comecei a discotecar velho, depois que ele já tinha falecido que eu comecei a discotecar. Uma discotecagem ancestral. E, Binho, a discotecagem está em todos os elementos, na verdade, né? É, a discotecagem é responsável pela música, né? A gente é a trilha sonora de tudo, do grafite, do break e do rap. É o que dá o tom para o movimento, é o que dá o tom para os elementos e também para os eventos, como a gente está vendo hoje. Está todo mundo integrado, cada um fazendo o seu, mas a música vai dando o tom. Exatamente, a música dá o tom, a música que dá o clima, tem a música mais tensa, a música mais animada, a gente vai sentindo como tal o evento e vai tocando as músicas ali. E hoje você continua no grafite também? Às vezes eu faço alguma coisa de grafite, não é sempre, mas eu ainda faço. Ainda faço alguma coisinha. E essa coisa do DJ, cada um tem uma tônica ou todo mundo meio que navega por tudo? Você fala, tem umas músicas que são mais fortes, mais de resistência, mais de luta, tem outra que é mais dançante. Como é que é? Você se enquadraria em algum estilo mais focado assim? Dentro do hip hop, eu acredito que eu sou um DJ eclético. Eu toco um pouco de tudo, a música dançante, a música para pensar e o protesto também. Então cada DJ tem sim Uma marca registrada Às vezes a gente até sabe Só de ouvir a gente sabe quem é o DJ que está tocando Entendeu? Maravilha, e o que você acha que o hip hop tem a acrescentar Para a cultura de Campinas A cultura local Para as pessoas que precisam se expressar E não se sentem ouvidos Não tem um lugar para se expressar O hip hop, eu vejo o hip hop Como uma cultura muito rica Eu cresci num bairro chamado Jardim Bandeira 2. É um bairro que antigamente era muito violento. E através do hip-hop eu encontrei um caminho de eu não ficar na rua, de eu não ficar nas esquinas com o pessoal do crime. Você convive com isso o tempo todo na periferia. E eu acredito que o hip-hop me salvou. Salvou minha vida, deu-me a me envolver com isso. Eu lembro que eu era criança, aí tinha uns vizinhos que moravam no asfalto e eu morava na rua de terra. Aí o pai de um deles falava assim Ah, você mora na invasão Lá onde você mora é invasão Você usa boné, calça larga, não sei o que E tinha maior preconceito Comigo, né, por causa do meu estilo E por ilonia do destino Eu era o cara que tentava Tirar o filho dele do mundo do crime Tirar das drogas, tentar resgatar O filho dele pra realidade Infelizmente o filho dele morreu Eu tentei Várias vezes, eu acho que até mais que o próprio pai Salvar a vida do filho dele com hip hop Com rap, com grafite Com discotecagem Hip hop é um universo então, né? É um universo, como eu te falei É uma cultura que salva vidas Você pode perguntar pra qualquer Praticante do movimento hip hop Salva vidas, eleva autoestima Faz você se sentir melhor É uma cultura que Eleva seu astral Nunca joga alguém pra baixo O hip hop é isso Obrigada, Binho, por compartilhar essa história aí com a gente Eu que agradeço A gente invadiu a praia aqui da Suela Pra saber como é que é ser uma DJ Ah, isso, que faz discotecagem com vinil, com disco, como é que é? Pra mulher é bem difícil, né? Porque o mercado é sempre pros homens, mas a gente tem bastante amigos que nos dão oportunidade, né? Um exemplo seria a curadora, a curadoria hip hop, mas pra mulher não é fácil. Como é que o hip hop entrou na sua vida, Suela? É, foi nos anos 90, eu comecei a curtir hip hop com o DJ Pia, que é um da cena daqui de Campinas, também histórico, certabilista, que tem a cultura dos toca-disco, né, e dos scratch também. Então eu comecei através dele, assim, curtindo hip hop no meio dele. E as relíquias daqui, que é o Sistema Negro, elementos MCs, Dinadi, que era referência das mulheres aqui em Campinas como MC também. E é isso. E aí foi. O que é o hip hop na sua vida? Cara, o hip hop muda, transforma. Ele transforma a vida, ele transforma a mente, entendeu? Ele te leva pra um caminho onde evita você ir pro caminho errado, né? Ele salva a vida. Ah, te salva, né? Salva. Você já viu muita gente sair e fazer uma escolha mais acertada? O hip hop é acertado, entendeu? O hip hop te dá tanto a questão do toca-disco, que é a música, a dança, o grafite, né? O break, então... Às vezes tudo que a pessoa quer é se expressar, né? Exatamente, e nada melhor é se expressar do que tocar uma música, do que dançar uma música, do que grafitar como está acontecendo aqui E é isso Obrigada, Suela Obrigada, também te amo E agora pra falar sobre o elemento MC, eu tô aqui com o Sansão, que vai explicar um pouquinho pra gente quais são as características dessa batalha de rima. É isso que pode também ser chamado o MC? Olha, primeiro é uma honra estar sendo chamado pra representar, junto com a Punka, o elemento MC. O hip hop tem vários elementos e as pessoas participam, não necessariamente sendo grafiteiros, sendo DJ, mas tem muitas formas de a gente participar da cultura ativamente. E o MC, como a palavra vem do inglês, Microphone Control, controlador de microfone, a gente trouxe para o português a Brasileirado como mestre de cerimônia. Então ele é o responsável por costurar dentre os elementos, junto com o nosso público, assim, explicar o que acontece dentro da cultura como um canal e levar as informações e assim convidar as novas pessoas para estar participando ali, sabe? Ele vai dando um tom assim para o evento, vai misturando, vai dando um destaque para alguma coisa que está aparecendo, é isso? Exatamente, o hip hop é a junção de todos os elementos Então enquanto o DJ está discotecando, tem o b-boy dançando ali A galera marcando o território com o grafite E o MC é o cara que está com o microfone fazendo toda a vibe ali E tem um segmento dessa parte também que estão as batalhas de rima Onde o MC coloca a teste as suas habilidades de confronto com palavras Defender aquilo que acredita através da sua ideologia, do que vive ali Eu acho isso muito legal, muito importante, porque através disso muitas pessoas buscam mais conhecimento para poder ocupar esse lugar de forma mais precisa, mais autêntica. Isso vai fortalecendo a cultura. Sonsão, agora fala para a gente, é uma curiosidade, a gente consegue se desenvolver como um MC? Você falou que o MC é um mestre de cerimônias. Aí entra a batalha de rima que está dentro disso, quando esse confronto bacana, de ter o diálogo poético ali, mas meio na forma de confronto. Mas isso é um dom ou a gente aprende isso? Olha, acho que como tudo na vida, se a gente se esforçar e pegar o sentimento por aquilo, a gente desenvolve. Tudo que a gente entrega de coração, a gente tem um resultado. E com as palavras não é diferente. É muito mais fácil para pessoas que já estão familiarizadas com o ritmo, com o estilo. Se você prestar bem atenção, as rimas que o MC faz tem muito do break que o B-Boy traz, que é a quebrada junto com as batidas, encaixar junto com o DJ, sabe? Então quando você já é familiarizado com esse ritmo, você colocar as palavras e se expressar assim, é muito mais fácil. Mas qualquer outra pessoa, eu convido de qualquer outra cultura, seja do sertanejo, do rock, do pop, a estar fazendo rimas de improviso, se expressar através disso, que é muito divertido. Qualquer um pode conseguir, certeza. Legal, agora a gente já tem essa perspectiva, essa esperança, né? E quando veio para o Brasil, deu uma misturadinha? A gente tem aqui, por exemplo, o repente, que também é mais ou menos nessa pegada da palavra, né? Você acha que existiu essa mistura, essa miscigenação também da cultura de lugares que se misturou no hip hop, que começou também em São Paulo, né? Você tocou num ponto muito interessante, porque hoje em dia se chama batalha de rima E antes era uma batalha de rap E eu aprendi rimas antes de conhecer o hip hop O que me fez se identificar com o hip hop, não pelo seu gênero musical, mas pela cultura A sua forma de se expressar, a sua identidade, os seus propósitos, os seus porquês E aí eu me vi, como posso dizer, empoderado para contar a minha história através desse lugar de fala. E o hip hop me acolheu nisso. Mas hoje a batalha tem pouco de hip hop, que é aquela de resolver os conflitos de forma não violência, de sempre estar se transformando, como é uma cultura muito grande, e a gente ainda dialoga com vários públicos, A gente ainda tem essa dificuldade de manter um consenso do que é certo, do que não é Principalmente que na rua ninguém põe regra, é sempre o coletivo Mas acredito que o hip hop está ganhando seu espaço dentro das batalhas de rima E criando essa identidade também E tudo ali está misturado, claro Porque é Brasil, né? Miscigenação total E nesse sentido, vocês trabalham com oficinas Como é que vocês chamam as pessoas que de repente têm vontade mas fica meio acuado, fala, pô, será que eu vou chegar lá, vão me chamar pra rimar, como é que é? É muito um preparo de autoconsciência, porque a partir do momento que você tá num holofote, com várias pessoas te olhando, você tem que pensar no que você quer falar, no que você tem dentro de você que agrega pra todo mundo ali. Às vezes a pessoa busca esse espaço porque ela precisa gritar um sentimento que tem dentro dela, se expressar. Às vezes a pessoa precisa se conectar com as pessoas ao redor. E vai no individual de cada um o que ela busca ali dentro, como na batalha. E a pessoa que está chegando agora, ela tem que se descobrir o que chama a atenção dela para ela estar ali, sabe? O que ela quer falar, o que ela quer agregar. E quanto mais a gente olhar para si, enquanto indivíduo, a gente vai ter mais para agregar no coletivo. A gente olhar a nossa singularidade, ver que se a gente tentar ser o outro, a gente perde a nossa essência. E quando a gente cultiva a nossa essência, a gente agrega para o coletivo. O hip hop é diversidade, a gente pega coisas novas, mistura, junta e faz o novo. Então, sempre eu peço para a pessoa olhar para si mesmo e o que ela quer agregar através disso, o que ela pode oferecer. E a gente vai se lapidando através disso e conhecendo pessoas incríveis, assim como eu conheci nesse meio também. Se eu pegasse o microfone antes para falar assim, minha perna tremia, sabe? E hoje, por aprender a ter que rimar para muitas pessoas, eu acho que eu consigo me expressar com um pouquinho mais facilidade, mas ainda é difícil, é coisa que a gente vai praticando, sabe? Então, quem tem vontade de participar e sente algum frio na barriga, algum tremor, venha mesmo assim, não deixe que isso trave. Fique com essa experiência, é melhor do que ficar só com a vontade depois, tenho certeza. Venha aqui para a casa do hip hop, né? É um convidado, venham para a casa do hip hop. Valeu, Sassão. Brigadão. A PUNCA é do MC, vai falar pra gente como é que é esse universo pras mulheres, né PUNCA? Satisfação, sou a Punca, sou MC, também sou grafiteira Mas hoje estou para representar aqui o elemento MC E é muito satisfatório a gente ver que as mulheres estão cada vez mais Ocupando mais esse espaço Mas ainda assim é uma cena bem machista, com pouca oportunidade Então meio que a gente tem que criar a nossa oportunidade Para a gente conseguir alcançar Existem diversas batalhas ainda que tem rimas preconceituosas ofensivas, que não tem essas regras para as minas se sentirem mais confortáveis para as pessoas LGBT se sentirem mais confortáveis então a gente criou a Batalha Estação da Rima que é uma batalha organizada só por mulheres que tem essas regras para as pessoas conseguirem colar num espaço mais seguro e aí os MCs que não estão na diversidade que encostam também para rimar é uma oportunidade de desconstruir essas ideias, conseguir passar um pouco mais de informação, mostrar um pouco mais sobre o que é o hip hop mas, assim, comparado a quando eu comecei, né, há seis anos atrás para hoje, a gente já está vendo um crescimento, né, da cena diversidade, assim, na cidade e na região também. Então, hoje, a gente já tivemos a chance de mandar, mais de uma vez, assim, mulheres para o regional, né, pela nossa batalha, que antes de acontecer era bem difícil de uma menina ou uma pessoa LGBT se classificar. Então, a gente está conseguindo conquistar mais espaços, né, e essa equidade de gênero aí mais paritária, né, na cena, assim. Mas é um desafio, é um desafio. E você chegou no hip hop como? Você é grafiteira também, né? Como é que chegou isso na sua vida? Ah, desde criança, né? Eu sou da cultura hip hop, assim, eu cresci no meio do hip hop. Claro que eu tenho outras ideologias também, mas que eu me aproximei mais do hip hop, comecei a praticar mesmo os elementos faz seis, sete anos. Foi quando eu vim morar em Campinas e aí eu já escrevia, já cantava. E aí eu comecei a apresentar nas batalhas Até que finalmente um dia coloquei o nome pra rimar E aí me apaixonei E aí tô aí nessa Depois eu virei produtora cultural também, né? Então tô sempre engajada aí nos movimentos Mas eu acredito que é uma coisa que tá dentro de mim desde criança Eu sempre quis ser artista, sempre quis cantar Então é uma realização de um sonho criança meu E deve ter isso dentro de muitas meninas também Que às vezes ficam meio assim Você acha que essa cena tá mudando de alguma forma? Principalmente aqui em Campinas Está mudando, a gente está fazendo mudar, não dá para ficar, tem que mudar, tem que mudar, a gente tem que ir lá e fazer mudar, então agora já tem mais pessoas com certeza, diversidade, que estão participando, a gente já consegue fechar algumas chaves, tem vagas preferenciais, outros coletivos estão começando a se conscientizar também nessa questão de vaga preferencial, de regras, então acredito que daqui para frente a gente vai ver essa evolução mesmo, tanto para as artistas quanto para o público, diversidade, se sentir mais confortável colando na batalha, na cena, participando, Porque às vezes a gente tem isso, tem vontade, mas tem medo de ir lá, ser humilhada, ofendida e coisas do tipo assim. Então, acredito que daqui para frente a gente vai conseguir construir um espaço mais seguro para a diversidade estar se expressando e se desenvolvendo como artista. Acho que essa é uma essência do hip-hop, também, transformar de todas as formas. Exato. O hip-hop é educacional, é uma cultura que educa, que desconstrói. Então, independentemente de a gente ter essa cultura assim, é aberto para todas as pessoas. Nem sempre a pessoa já chega desconstruída no movimento, né? Então, se ela tiver a mente aberta, disposição, bom coração, assim, com o tempo ela vai aprendendo, errando, acertando, desconstruindo. A gente vai um aprendendo com o outro, né? Aí dá certo. Cabe todo mundo, né? Cabe todo mundo, só não cabe quem é safado. Quem é safado a gente não deixa não. Valeu, Pucco. Obrigada. Obrigada. Você sabe que mano eu sou de quebrada Você achou que você ia pegar A vida não sai de ser ditada Mas é com raiva E agora pra falar do elemento breaking Eu tô aqui com o Cassião, que é uma lenda do breaking aqui em Campinas, né, Cassião? Queria que você falasse qual é a sua história, que se mistura com a história do breaking, né? E como ele se transformou numa coisa cultural pra um esporte, né? Esporte? Ah, bem, a história do breaking começa no finalzinho da década de 80, dos anos 90, comecei nos anos 90, quando eu conheci o breaking como cultura No bairro que eu morava Tinha uma padaria lá que tinha uns meninos que dançavam Aí um amigo meu pegou a vó e levou você lá pra ver Um pessoal fazendo uns movimentos A partir daquele dia No começo dos anos 90 1990 exatamente Eu me apaixonei pelo break e de lá em diante Eu comecei a investir nessa parte cultural Sem conhecer ainda o contexto da cultura hip hop Foram 23 anos dançando 23 anos dançando, praticando Títulos nacionais, títulos individuais, bastante competição E uma das principais características minhas como dançarino Era a explosão, que eu era muito explosivo dançando E os movimentos acrobáticos Então essa era uma das minhas características Mesmo porque na época quando eu aprendi Os movimentos acrobáticos foram os primeiros apresentados para nós como breakers aqui no Brasil Campinas, como é que está a cena do breaking hoje em dia? Porque ele é uma resposta da música, seria isso? Ele é uma... a música toca no corpo e o corpo expressa o breaking. Isso, a música é muito importante para o breaking. Então, o breaking é a manifestação corporal, mas nós precisamos transformar essa manifestação cultural através da música. Que são os breakbeats, que veio lá da década de 70, criado pelos latinos e pelos negros, principalmente pelo DJ Kool Herc, que criou esse estilo de música. Por isso o nome B-Boy e B-Girl, que são aqueles meninos e meninas que participavam das festas dos clubes que tinha lá no Bronx e Nova York. E eles dançavam numa parte da música que chamava Breakdown. E esse Breakdown também, que vinha do Breakbeat, foi dado o nome para aqueles que dançavam nesse Breakdown um pouco mais ofegante, B-Boys e B-Girls, que são os garotos que dançam na batida e as meninas que dançam na batida. os Beach Boys ou as Beach Girls, ou os Break Boys ou as Break Girls. E isso se mistura um pouquinho com a cultura do Brasil ou não? Ou está bem preservado ainda com a origem lá no Bronx? Não, se mistura muito com a cultura do Brasil, porque o Brasil também tem um pingo de colaboração quando a gente fala na questão da transformação do Breaking, é como dança. Segundo alguns historiadores, algumas pesquisas Teve um capoeirista que viveu na década de 70 no Bronx Que também teve uma influência não direta de alguns movimentos que hoje são praticados no Breaking Claro que a maior influência foi o Karatê como arte marcial E depois os passos compostos por alguns latinos e alguns negros norte-americanos Mas as acrobacias e algumas coisas mais voltadas nesse sentido foi influência da capoeira brasileira e também do Karatê japonês. É uma mistura de muita coisa, acho que é isso que faz você tão rico, né? É uma mistura de muita coisa. E o brasileiro tem o seu próprio estilo, né? Voltado nesse sentido da acrobacia, da movimentação, da explosão e também da musicalidade. E tanto que virou um esporte olímpico agora, né? Virou um esporte olímpico, foi aprovado em 2016, Depois testado em 2018 nos Jogos da Juventude em 2018 na Argentina E teve a sua estreia em Paris agora em 2024 E agora para quem quiser acompanhar ou até conhecer um pouquinho mais de perto Aqui na Casa do Hip Hop em Campinas, dá para conhecer? Dá para conhecer, não só o Break, todos os elementos da cultura Hip Hop O Rap, o Grafite e o DJ Então isso que compõe a cultura, isso que faz a cultura ser rica E pode vir aqui na Casa do Hip Hop Que vocês vão conhecer os B-Boys, as B-Girls Da cena de Campinas e também da região Obrigada, Cassiol Imagina, foi um prazer O B-Boy Sia é também da cena do Breaking Vai falar pra gente da história dele Aqui na cidade de Campinas Como é que ele começou com o Hip Hop e com o Breaking, né Sia? Isso, boa noite a todos Eu comecei em 1998 Quando eu vi o primeiro rap do Racionais Eu me identifiquei com a letra E vi que esse movimento A gente tinha que fazer alguma coisa Então eu fui atrás de uns amigos que dançavam break na escola Que eu estudava E comecei com ele aos treinos E desenvolvi a arte, desde 98 E não parou mais até hoje? Bom, parar... Às vezes a gente dá uma paradinha por trabalho Muitas respostas, né? Mas a gente sempre volta O movimento, pra quem tá eterno dentro do coração Na verdade nunca vai parar E já tem uma nova geração aí com vocês? Isso, nós já vimos várias gerações atravessar os espaços aqui da cidade. Quando comecei a gente tinha o espaço da prefeitura, mas infelizmente expulsaram a gente de lá 20 anos atrás. Aí a gente veio aqui para a Estação Cultura, tivemos diversas dificuldades e até hoje nós temos dificuldades com o espaço, porque às vezes a gente chega a estar agendado outra atividade e não deixa a gente treinar. Ao longo da história, a gente já treinou aqui no Antônio Vilela. Às vezes, quando a estação está fechada, a gente dança na rua mesmo, que é a nossa essência. Então, apesar de todas as dificuldades e essa dança não ser reconhecida como está sendo reconhecida pelo mundo, que se tornou agora um esporte olímpico, estreou nas últimas Olimpíadas, a gente em Campinas ainda passa por muita dificuldade. A gente até mesmo hoje não sabe como vai apresentar, porque o palco está meio sem espaço. A gente vai ter que se adaptar de alguma maneira. Então fica um recado aí também para esse aporte no breaking, já que ele é um dos pilares do hip hop. Isso, com certeza o break é um dos pilares, porque o que a gente faz, além de resgatar toda a cultura ancestral, da capoeira, do kung fu, do samba, do maracatu, da salsa, tem elementos de ginástica, entre outras. Apesar de tudo isso, a gente não tem o reconhecimento, a gente luta para que essa cultura não morra. Então mostra um pouquinho pra gente Tá, beleza, vou fazer aqui só um pouco mais básico Que é o Top Rock, Footwork e Freezing Mas também temos os Power Moves Que são giros de cabeça, munhos de vento Os Thomas Flair, que a galera na ginástica faz no cavalo E uma série de outros movimentos, tá? Valeu, obrigado Opa, só vem aqui, ó Esse aqui é um da nova geração também Fala oi, Rafa Oi, eu sou o Rafael, eu tô aqui pra dançar, eu fiz pra vir de Tupac Mendes. Eu quero ver então. E para falar do grafite, vou começar aqui com o Chorão que está do meu lado Já fez umas artes, está começando aqui, está no meio do caminho Chorão, conta pra gente como é que o grafite entrou na sua vida O grafite em si entrou como uma forma de transformação na minha vida Eu faço trabalho comercial com pintura O grafite que eu peguei firme desde 2012 Mas que eu pinto desde 98, 97 que eu pinto Eu conheci o grafite através de revistas, de grafite pela rua Não tinha tanta comunicação como tem hoje, então através de revistas eu conheci o grafite Fazia os desenhos, mas não tinha noção do que era o grafite em si Até que eu comecei a fazer os trabalhos comerciais, comecei a ter mais material Que na época não tinha material, como a gente tem hoje material, muitas cores para a gente trabalhar E, assim, eu venho de uma região que a comunidade é muito violenta Não tem cultura, não tem esse tipo de arte na região Com o passar do tempo fui aprimorando, fui melhorando meus trabalhos E hoje, querendo ou não, a gente tenta passar isso para a comunidade O que é o grafite? O que é uma cultura que muitos veem como pichação? Não é uma pichação, não deixa de ser uma arte, entendeu? Então, a intenção do grafite é mudar um pouco dessa visão do crime da marginalização que não existe isso é o que o sistema colocou e que a galera vê dessa forma nada mais é que uma terapia eu vejo pra mim o grafite como uma terapia uma forma de se expressar de transformar o local tem pessoas que chegam ali e falam como você consegue fazer esse trabalho cara, é você sintonizar com a parede, você olhar a parede e dar um passo a mais, você entrar dentro dela e transformar aquele lugar toda vez que eu vou pintar, eu imagino isso e não tem como você explicar Como que sai? É de dentro Não tem como você explicar Graças a Deus eu tenho esse dom que ele me deu E eu tento mostrar um pouco pra galera Dar um pouco mais de cultura, um pouco mais de arte E mostrar que o grafite em si Ele transforma muitas vidas Como se cada parede fosse Um pedacinho do mundo É, querendo ou não Só de você deixar a sua marca ali E ver que a galera vai passar todo dia Que bacana Muitos entram dentro da parede assim como a gente entra Outros vejam uma forma diferente Um colorido no dia a dia, você já ganha um pouco mais de vida Mas as pessoas respeitam mais hoje o grafite Até no sentido de proteger Ninguém piche um grafite Então, em questão dessa de pichar ou não pichar É um respeito da rua É uma coletividade que a gente tem Entre pichador e grafiteiro Onde tem o espaço do pichação A gente também não pode chegar lá e pintar Então assim funciona no grafite Já tem um rolê ali, a galera não pode ir lá e pintar Isso daí é um respeito e uma consideração que veio da rua, entendeu? Então, a rua pode não parecer, mas a rua tem muito respeito entre si mesmo, um com os outros, entendeu? Então, por não pisar e não passar por cima, é isso daí, entendeu? E você já era pintor, então, já tinha isso nas mãos, na veia. Mas pra quem quer começar, assim, é só colar no movimento, começar a acompanhar? Tem dia que vocês saem pra grafitar? Como é que é? Assim, a nova geração, molecada de 12 anos, 13 anos, que encosta, às vezes fala, mas a gente não tem material. A questão em si é você passar dessa barreira que breca você dentro da sua casa e ir ao ar livre. Você pegar uma parede e fazer o primeiro rabisco, o primeiro contato. Eu não tenho material. Encosta, troca uma ideia, disso daí aparece uma lata, aparece outra cor de tinta. Então, a pessoa tem o incentivo próprio dela Vou sair de casa, hoje eu vou pintar Encostou na galera do grafite, vai pintar Porque a gente acolhe Pode ser quem seja, criança, velho, adulto Não importa a idade Não existe idade para você ser um artista Às vezes a pessoa tem o dom dentro de si E não descobriu o dom Cada um de nós temos o dom É só assar esse dom da arte Então, eu faço bastante trabalho comunitário Então, eu tento colocar essas molecadas para a rua Ah, eu pinto na folha Ah, eu pinto na parede do meu quarto Já pintou uma parede na rua pra galera ver? Não Depois que acontece essa transformação Eles veem que é diferente E que é aquilo ali direto Não, quero pintar, quero pintar Porque transforma as vidas das pessoas Então o grafite é isso É uma transformação, você entendeu? Por uns pode ser visto como um crime Mas não conhece a cultura Então você não conhecer a cultura É complicado Você entendeu? Pra gente que veio dessa cultura Para a gente é uma transformação, é uma transformação que, meu, você vê a pessoa alegre, você vê, tem muitas pessoas que fazem frases, palavras, aquilo ali, a pessoa ganha o dia. Às vezes a pessoa sai desanimada, ela olha uma arte e fala, ganhei o dia. Então, isso é o transformador da arte, você entendeu? Pintando paredes e quebrando muros, né? É, na verdade é passando barreiras, né? Então, cada vez mais que a gente pinta, a gente colora, a gente mostra que não é um crime. Então, isso daí, sim, é ultrapassar barreiras, né? E com o convite, então? Meu, quiser encostar na casa do hip hop, quiser fazer parte da arte de rua, tem que estar no movimento. A gente tem redes sociais, a gente tem a própria casa do hip hop que está aberta a espaço, a eventos, a comunicação. Então basta você querer O grafite em si acolhe qualquer tipo de pessoa Não importa branco, preto, amarelo, vermelho Não tem discriminação alguma Em questão de raça ou de cor O importante é a gente mostrar o que a gente sente por dentro Que é a arte Valeu Chorão Eu que agradeço, obrigado, valeu galera Nuz, me conta, você é grafiteira há muito tempo? Eu sou grafiteira desde 2007 Como eu estava contando um pouco antes Eu era educadora e utilizava dessa ferramenta para atrair adolescentes Mas isso me levou para outros lugares A gente vai alcançando com grafite Lugares que a gente não imaginava Essa é a força do hip hop De transformação Usando o hip hop também como pedagoga Eu uso como uma ferramenta pedagógica Dentro das atividades que eu desenvolvo Para desenvolver com os alunos É ele que te pegou, o hip hop Foi. Na verdade, do movimento do hip hop eu sou desde adolescente, mas ir para o elemento do grafite foi já aos 32 anos, experimentando o quanto essa arte se comunica com os jovens, com os adolescentes. E hoje tem mais mulheres também no grafite, né? Sim, eu tenho um coletivo que chama Mamilos Poéticos, que é só sobre mulheres, dos quatro elementos do hip hop, Pensando nisso, na base, nas meninas que vão vir por aí E que também podem utilizar como uma ferramenta para se expressar Mas também como uma profissão Se você se organizar bem, é algo que pode ser rentável Conta para a gente qual foi a sua ideia nesse painel Você pensa antes, depois vai construindo, como é que é? Sim, a gente geralmente elabora um rascunho E a ideia é isso, né? É um chá relaxante, na correria do trabalho, o quanto a gente precisa desse tempo para entrar para dentro de si, de autocuidado. Eu acho que todos os meus trabalhos têm essa característica do fortalecimento das mulheres, tanto da autoestima, principalmente para romper com o ciclo de violência e de machismo. Então não é só desenho, tem muita coisa por trás do nosso trabalho. Tem uma irreverência ali, né? Tem, sempre tem. Porque é isso, né? Como a gente se comunica, a gente pode brincar, né? Tanto com o desenho, como eu faço, mas também faço isso com a poesia, né? É uma forma dela ser acessível e interagir com as pessoas. Obrigada, Nuz. Valeu. Obrigada. Satisfação, conexão cultural O hip hop é algo educacional Por isso que a nossa cultura é mil graus Se você tem vontade, então encosta aqui Nós abraça geral Aí, satisfação pra chegar Ir umas barras no microfone e deixar Com o máximo amor e o máximo astral Satisfação galera do Conexão Cultural Tchau, tchau. Legenda Pedro Esteves Tchau, tchau. Tchau, tchau. E assim ficou pronto. Legenda Adriana Zanotto Transcrição e Legendas Pedro Negri