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Conexão Cultural | Bienal SESC de dança 2025 arte, movimento e resistência
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Conexão Cultural | Bienal SESC de dança 2025 arte, movimento e resistência

59 views Publicado 05/10/2025 HD · 34:27

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No Conexão Cultural, a gente mergulha na 14ª Bienal Sesc de Dança, que toma conta de Campinas reunindo artistas do Brasil e do mundo com espetáculos, performances, oficinas e ações educativas. A edição 2025 reafirma a dança como território de invenção, encontro e cidadania, ampliando o acesso à cultura e propondo novos modos de sentir, pensar e conviver. Você vai conhecer a proposta curatorial que toma o corpo como lugar político e poético, atravessando estéticas populares, urbanas e ancestrais — e acompanha nossa passagem pela instalação “Cosmologias Ballroom”, com entrevista com o curador Flip Couto, que comenta os códigos, afetos e histórias da cultura ballroom, suas houses, bailes e a potência de corpos dissidentes na cena. O que você vai ver neste episódio O que é a Bienal Sesc de Dança e por que ela é referência no país Como a programação integra arte e formação (oficinas, residências, debates) A mudança histórica do festival para Campinas e seus diálogos com a cidade Cosmologias Ballroom: cultura, estética, pertencimento e resistência A dança como linguagem de comunidade, memória e reexistência Por que importa? A Bienal articula cultura, educação e cidadania, fomenta a circulação de artistas, aproxima públicos diversos e fortalece vínculos sociais — um investimento direto no desenvolvimento humano e no direito à cultura. 📍 Onde acontece: espaços do Sesc e equipamentos culturais de Campinas (SP) 🎭 Formato: espetáculos, performances, intervenções, shows e ações formativas ♿ Acessibilidade: recursos como legendagem, audiodescrição, Libras e mediações educativas (segundo programação) 🔔 Inscreva-se no canal da TV Câmara Campinas, ative o sininho e compartilhe este episódio com quem ama dança e cultura! 🌐 Redes da TV Câmara Campinas Instagram: @tvcamaracampinas Facebook: TV Câmara Campinas X (Twitter): @tvcamaracps YouTube: TV Câmara Campinas

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A CIDADE NO BRASIL Conexão Cultural aqui pra vocês, vamos falar sobre a Bienal Sesc de Dança, Uma baita de uma estrutura, tá bem legal, tá bem bacana e olha, o programa tem muita coisa interessante pra vocês que se interessam aí por cultura. Pois é, estamos no Conexão Cultural, estou aqui com a Thalita, vai bater um papo conosco. Antes de mais nada, Thalita, muito obrigado por nos receber aqui, você que é a coordenadora artística, curadora, muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural, tudo bem? Tudo bem, obrigada a você pelo convite. Bom, bora falar que o pessoal tá curioso aí sobre Bienal Sesc de Dança aqui em Campinas. Conta pra gente um pouquinho quais as novidades. Bom, a Bienal, ela surgiu em 1998, ela já existe há 27 anos, né, Bienal Sesc de Dança. Ela começou na cidade de Santos. No litoral. No litoral, e aconteceu lá até 2011, 2013, na verdade. Em 2015, ela veio para Campinas, então a gente está comemorando essa edição, 10 anos em Campinas. E a Bienal começou dentro de um contexto de discussão da instituição, da necessidade de trazer a dança para um foco. A instituição já, desde o começo da sua existência, O Sucesso São Paulo trabalha com a dança ainda nos anos 70 e 80, ainda numa perspectiva de atividade física, a dança como essa movimentação do corpo voltada para a saúde. E, aos poucos, a instituição vai se aproximando da dança enquanto linguagem artística. Perfeito. E começam vários experimentos, até que, em 98, se estabelece a Bienal em Santos, a partir de conversas com muitas pessoas da área, pesquisadores, artistas. E aí a gente vem para Campinas, muito por conta da existência da Unicamp aqui, que tem o segundo curso mais antigo de dança no Brasil. Você é de Santos? Eu sou de São Paulo. Ah, você é paulistana. Sou paulistana. Perfeito. Então a gente está aqui com a Bienal agora. Só para o pessoal em casa entender, enquanto a gente está gravando, está rolando, estão rolando muitas atividades, então o pessoal escuta de fundo aqui, está bem legal, está bem interessante. Bom, então, que coisa interessante, começou em Santos, só que em Campinas já tem 10 anos, né? O público campineiro já está super acostumado então, né Thalita? Já está acostumado e acostumando, né? Porque desde que a gente chegou aqui, a gente vem a cada edição procurando estabelecer mais relações com a cidade de Campinas com os artistas aqui com a unidade do Sesc Campinas que faz um trabalho regular então esse ano a gente tem bastante artistas da cidade de Campinas essa presença vem aumentando a cada edição é, o pessoal o pessoal está representando aqui enquanto a gente está gravando. É uma oportunidade também, né, Thalita, de valorizar os artistas de Campinas e região, né? Sim, a ideia da Bienal é trazer artistas de todo o país e de vários lugares do mundo para se encontrar com a cidade de Campinas, com os artistas de Campinas, para que a gente possa ter trocas de saberes, né? A gente vem, a cada vez mais, buscando uma curadoria que possa dialogar com o que é produzido no Brasil também. Então, nos interessa artistas que estejam interessados em apresentar o seu trabalho, mas também conhecer trabalhos de outras pessoas. Bom, estou dando uma olhadinha aqui, tem muita coisa bacana, muita coisa interessante, espetáculos, performances, oficinas, ações educativas. Olha só, gente, quanta coisa que compõe aí um conjunto de atividades voltadas à experimentação artística, ao diálogo com as audiências, ampliação do acesso à cultura. A iniciativa, inclusive, falando sobre o SESC especificamente, reafirma o papel do SESC na promoção de ações que articulam cultura, educação e cidadania, um compromisso histórico com o bem-estar da população e a valorização da diversidade. É isso, né, Thalita? Exatamente isso. A gente tem uma programação que vai discutir a dança na Bienal de muitas maneiras. Então a gente sempre tem uma exposição. Esse ano a gente tem a exposição Cosmologias Balrum, que vai trazer esse universo da cultura Balrum, da cultura do Volking. A gente tem espetáculos de diferentes temas. A gente tem dança popular, a gente tem a dança contemporânea mais experimental, a gente tem samba, tem capoeira, tem uma série de atividades para discutir todo o espectro de produção em dança hoje, todo o espectro que a gente consegue, porque é muita coisa, a gente está com quase 50 espetáculos e a gente tenta trazer umas pinceladas do que está sendo produzido hoje. Então está babado lá É, não está rolando A gente está vendo nas imagens Enquanto a gente está gravando Está passando as imagens O pessoal em casa está acompanhando Todo o show que está rolando Aqui no Sesc Campinas Pois não, Thalita? E além dos espetáculos A gente tem uma Programação forte de oficinas De conversas Isso que eu ia perguntar para você Sobre oficina, essa questão de conversa Como que é? Para o pessoal que está em casa A gente busca trazer os artistas que estão se apresentando na programação Para darem workshops, oficinas abertas ao público As pessoas se inscrevem, podem fazer Conversas, a gente está tendo uma série de conversas Onde os artistas podem falar melhor sobre os seus trabalhos A gente chama de conferências dançadas Então cinco artistas vão falar sobre os seus trabalhos, demonstrar a sua técnica Que é uma forma da gente expandir, você assiste o espetáculo e depois você pode saber um pouco mais A gente também esse ano tem um projeto de mediação Então tem um corpo educativo de educadores que estão circulando pelos espaços para fazer a mediação com o público, recebendo públicos de algumas instituições. A gente vem tentando desmistificar essa ideia de que a dança contemporânea é incompreensível e de que a gente pode ser afetado por ela de muitas formas. Os trabalhos têm muitas camadas de compreensão. Então, se você é uma pessoa que pesquisa dança, você tem uma experiência talvez profunda mas se você não pesquisa dança, você pode também ter uma experiência muito profunda com esse espetáculo a partir do seu próprio repertório, porque sempre tem alguma coisa que vai conectar a gente, que vai nos emocionar, então a gente vem com essa experimentação do educativo para abrir as mentes e os horizontes. Eu vejo só no jeito de você falar, você realmente fala com brilho nos olhos sobre esse assunto, né? se emociona e tudo mais, é algo que de fato mexe muito com você, né Thalita? Mexe, porque é um evento muito grande, que a gente trabalha o ano inteiro para fazer e a gente tem um retorno muito legal do público e dos artistas que estão circulando, né? A gente vem construindo uma programação que mescla artistas de diferentes momentos de trajetória, então a gente tem artistas com 30, 40 anos de trabalho e artistas que estão nos seus primeiros trabalhos, que acabaram de sair da universidade, artistas que nunca vieram para São Paulo. Hoje mesmo a gente estava vendo no Instagram os artistas postando e pessoas muito emocionadas de estarem no catálogo. E você tocou nesse assunto que é de fato muito legal, que são os artistas que estão no início de carreira. O início de carreira, para todo mundo, é sempre mais difícil. Para mim, como jornalista, o início de carreira sempre teve os desafios. E para os artistas, idem. Então, quer dizer, deve dar um frio na barriga impressionante um evento desse tamanho aqui, você no comecinho da carreira. A gente percebe que os artistas vêm para a Bienal sempre ansiosos, nervosos, eles querem apresentar o seu melhor, entendem que é uma oportunidade muito importante, a gente tem relatos de artistas que se apresentaram na Bienal e alavancaram suas carreiras, que é uma oportunidade tanto de mostrar o seu trabalho e muitas vezes também de fazer uma mudança na rota do seu trabalho a partir do encontro com algum artista, com algum programador, A gente traz programadores de diferentes lugares do Brasil e do mundo para assistirem aos trabalhos, para conhecerem as pessoas. Então, a gente busca construir um ambiente tranquilo para que todo mundo possa apresentar da melhor forma possível o seu trabalho. E esse retorno é muito bonito. É bonito ver as pessoas felizes com o seu trabalho no catálogo, nos programas de sala. Então é muito prazeroso E a gente entende que a Bienal é um lugar importante de formação Para os artistas, para o público Então a gente busca trazer trabalhos internacionais Porque a gente sabe que hoje em dia A Bienal é um dos festivais de dança mais regulares no Brasil Porque pela estrutura que o Sesc tem A gente consegue há 27 anos manter regularmente as edições A gente só não fez uma edição presencial em 2021 por conta da pandemia, mas fizemos uma edição grande online para também mostrar trabalhos, para dar trabalho aos artistas. Então, a gente entende que é uma responsabilidade muito grande construir tudo isso para que todo mundo possa usufruir e aprender, assistir, se divertir. porque a gente tem os pontos de encontro também, que são as festas, então a gente passa o dia inteiro assistindo espetáculo, discutindo, lendo, e à noite a gente pode dar uma liberada e movimentar o corpo junto com todo mundo. Bom também. Você disse aí de artistas internacionais que vêm de outros países, quais países principalmente? Esse ano a gente está com bastante gente vindo de África, então a gente tem a África do Sul, a gente tem Namíbia, a gente tem artista do Líbano também, que se apresentou, Chile. Do Líbano, que legal. Do Líbano, o Bassam. Minha mãe é descendente de libanês. Ah, que legal. O Bassam veio com um trabalho chamado Under the Flash, Sob a Pele, onde ele estava discutindo técnicas de sobrevivência à bomba. Enfim, nesse contexto de guerra, como é... Tem tudo a ver, né? A gente apresentou no SESC e fez uma apresentação na Unicamp também, que foi muito bonita. A gente tem artistas do Chile, de Rapa Nui, a Ilha de Paz, com o trabalho com as mulheres originárias daquele lugar, que é um lugar que sofreu também com uma colonização muito intensa. A gente tem artistas da Holanda, a gente tem artistas do Japão. Nossa, todos os continentes, hein? A América, a África, a Europa. Sim, a gente rodou o globo inteiro. A gente vai ter a Jo Novia, uma artista dos Estados Unidos. Olha só, que bacana. Eu acho que a gente só não chegou na Oceania, eu acho. É, mas chega lá. É isso aí, pessoal. O pessoal vai passando, estamos aqui no evento e assim mesmo está rolando aqui. Tá bom, Thalita, muito obrigado por nos receber. E mais alguma coisa que ficou que você queira falar? Ah, não sei. Acho que fiquem de olho, porque a cada dois anos a gente volta aqui para Campinas com esse evento. E acho que é um momento muito importante e muito gostoso de conhecer outras culturas e a própria cultura do Brasil. A gente também busca artistas de vários lugares diferentes. Então, é uma celebração de encontros e de saberes. Valeu, muito obrigado. Muito obrigada. Bom, pessoal, a gente vai para o segundo bloco na sequência. A gente vai para um intervalo bem rapidinho e na sequência a gente volta falando mais sobre a Adenal Sesc de Campinas, mostrando, inclusive, as obras e com mais entrevistas. Não saia daí que, olha, está muito legal. Se inscreva no canal. Conexão Cultural de volta aqui em segundo bloco para bater um papo com o Diego. Está com a gente? Tudo bem, Diego? Muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural, belezinha? Beleza, eu que agradeço. Bom, o Diego é o curador aqui da instalação, está bem bacana, uma estrutura bem legal. Fale um pouquinho sobre isso, por favor, Diego. Vamos lá. A exposição Cosmologia de Bauruão teve a sua primeira edição no Salar dos Abacaxis, Rio de Janeiro, em 2024, reunindo 15 artistas de diferentes regiões da cena balão brasileira. Foi a primeira exposição sobre a cultura balão no Brasil e ocupou dois andares, dois pavimentos do Solar dos Abacaxis, com diferentes obras de fotografias, instalações, vídeos. Tivemos também uma vasta programação pública, com rodas de conversas, oficinas, sempre valorizando profissionais, artistas da cena balão brasileira. e agora a exposição ganha uma versão condensada nessa instalação aqui no Sesc Campinas durante a 14ª Bienal Sesc de Dança. Bom, e é um sucesso, porque já houve outras edições, gostaria que falasse um pouco mais sobre isso também. Sim, sim, foi um grande sucesso, acredito que foi um grande impacto tanto para a comunidade Barum quanto para a nossa sociedade, ver artistas que originalmente saem da comunidade Barum, que é uma comunidade também muito voltada para a performance, para as categorias da Ballroom, são muito relacionadas também à beleza, tem categorias relacionadas à musicalidade, corpo, dança. E para a exposição a gente reuniu alguns artistas com a proposta de que eles transformassem as suas pesquisas em pesquisas também nas artes visuais. Então, alguns dos artistas da exposição fizeram, pela primeira vez, trabalhos nessa linguagem específica da instalação para a exposição. Então, a gente tem a obra da Reti do Fercar, que traz essas cabeças lindas, inspiradas aí na sua trajetória, na sua relação com a religiosidade, com o território ali na Maré, onde ela mora. A gente também tem a obra da Hidra, que é o Espiral, que é o primeiro trabalho da artista na linguagem da pintura também. O Puri também traz uma instalação que também faz parte do início das suas investigações e instalação. Então, a gente identifica alguns artistas da comunidade Borum que já têm um trabalho multilinguagem e traz eles com uma proposta de que eles criassem obras únicas, pensando as suas relações com a Ballroom, com as artes visuais de modo geral. E a exposição em si, Cosmologias Ballroom, a gente tira esse nome da obra da Leda Maria Martins, Performances do Tempo Espiralar, então é uma exposição que se inspira muito no trabalho da Leda, especialmente porque a Leda é muito sagaz, muito inteligente em conseguir identificar culturas afrodiaspóricas no seu modo de fazer mundo. Então a gente entende, quando a gente pensa essa ideia de cosmologia, que a cultura Bauru, ela também cria o seu universo próprio, com linguagem própria. A gente tem os nossos termos, que muitas vezes a gente tem que explicar o que é moda, o que é father, princess, prince. Então explica aí, aproveita aí a oportunidade, explica tudo isso que você falou aí. A Bauru, ela vai criar não só a sua linguagem. Vamos falar sobre esses termos aí Vamos sim, vamos sim. Você falou, explica pra gente aí, pra gente não perder o embalo aqui, o gancho. Você falou o pessoal em casa, certamente ficou curioso, né? Pra saber o que significa isso. Com certeza, a Barum, ela cria a sua linguagem própria e é uma cultura que tem também uma estrutura de parentesco e hierarquia, né? E também de reconhecimento da ancestralidade, né? Esses pilares, eles fazem com que a gente tenha os nossos códigos. Então, por exemplo, a Barum é uma cultura de casa, né? As casas, elas são como famílias escolhidas. Então, vamos supor, você é da minha casa, você é da minha família. Se eu sou seu fader, a gente vai começar, então, a desenvolver uma relação de pai para filho. Dentro da comunidade baú, é assim que a gente opera. Por isso o fader. Exatamente. Muito também como outras culturas afrodiaspóricas. Se a gente pensa o candomblé, tem uma estrutura muito parecida também. E aí a gente vai ter, a partir dessa estrutura hierárquica das casas, que tem as mães e os pais como lideranças, a gente vai ter outras lideranças também, né? Abaixo de mães e pais tem as princesas, os príncipes, os oversins, que são supervisores, a gente vai ter godmothers, godfathers, madrinhas, padrinhos, enfim, uma série de outras pessoas aí que vão compor essa estrutura hierárquica e na base também a gente tem as crianças da casa, que são como a gente chama aí as pessoas mais novas, os membros mais recentes da casa que estão ainda conhecendo a Ball 1 e sendo introduzidas à cultura de casas. Na cena também a gente tem uma diferenciação também hierárquica que se dá a partir da sua colaboração, sua participação nas categorias, o seu destaque nessas categorias e também o modo como você lidera, opera como uma figura de liderança para articular a cena na qual você atua. Então dentro da cena a gente tem o LIPS, que são Legends, Icons, Pioneers, Statements e Stars, que são os status atribuídos a essas pessoas que se destacam. Enfim, a gente vai desenvolver aí os nossos códigos, as nossas linguagens. Dentro da cultura também a gente vai ter uma série de... Demora um pouquinho para aprender, né? Demora, demora. Porque é bastante coisa, né, Diego? Não é de primeira. E eu estou dando uma olhadinha aqui, Diego, é um movimento político de resistência. Vocês se consideram assim? Sim, com certeza. A cultura Barum surge no final dos anos 60, início dos anos 70 em Nova York. E ele é um grito mesmo, artístico, revolucionário, de pessoas que são marginalizadas, pessoas pretas, pessoas latinas, pessoas LGBTs, principalmente pessoas trans. Então, o marco de criação da Ballroom acontece em 1968, quando a Crystal Abeja rompe com a cultura, com o circuito drag integrado, porque a Borum a gente consegue fazer um apanhado histórico e identificar as suas raízes lá no século XIX, nos bailes drag mascarados que aconteciam nos Estados Unidos. Esses bailes eram integrados racialmente entre pessoas negras e brancas, mesmo ali no período recente, pós-abolição, e eles aconteceram assim, dessa forma, passaram pela Harlem Renaissance no início do século XX, e aí quando chega na metade do século XX, acontecendo também toda essa efervescência dos direitos civis nos Estados Unidos, no campo da política, a sociedade toda se organizando mesmo para a conquista de direitos para a população negra, a cultura balon surge também nesse contexto, reivindicando espaços de arte, de cultura, onde nós, pessoas negras, pudéssemos trazer a nossa beleza, a nossa criatividade, a nossa potência e sermos valorizados por isso. E aí a Crystal Abeja, lá no final dos anos 60, ela identifica que nessa cultura drag integrada racialmente, ela não tinha a beleza dela valorizada. Isso faz com que ela promova uma ruptura com a cultura integrada e começa a promover seus próprios bailes, majoritariamente negros, e posteriormente também integrando pessoas latinas. mas hoje ele já é aberto para todas as raças, todas as etnias, todas as pessoas são bem-vindas. Mas nesse momento aí de fundação, existe essa tensão mesmo em que o racismo está sendo denunciado para que se crie uma comunidade onde as pessoas pretas, as pessoas indígenas, latinas, elas possam se sentir valorizadas sendo quem elas são. Boa, boa. O tempo está passando rapidão aqui, Diego. mas só para a gente concluir a participação com vocês, estamos aqui no Conexão Cultural, para a gente falar, você deu uma rápida passada aí pelas obras e tudo mais, qual o significado, de uma maneira geral, você que é o curador aqui, o que elas passam, o que elas querem representar para o público que acompanha? Sim, Cosmologias Ballroom vai reunir a obra de alguns artistas da comunidade Ballroom, trazendo também as suas trajetórias, o modo como esses artistas se relacionam tanto com a Ballroom, tanto com as suas memórias ancestrais. Então, a gente vai ter a obra da Retinto Fercar, que vai dialogar especificamente com essa memória da diáspora negra transatlântica. A obra também da Fênix, também vai fazer um resgate ancestral, pensando aí Ogum, a dança do Orixá Ogum e suas interseções com a dança também Vogue. E aí a Fênix faz essa mistura, esse apanhado entre a dança de Orixá e a dança Vogue, na sua velha forma, na sua forma mais clássica, que é o Ojo e Vogue. A obra do Puri também é uma instalação que traz um resgate da sua memória ancestral indígena Então é uma obra que fala de retomada, que fala também de contexto urbano E de como esses dois meios, a terra e o concreto, eles se encontram muitas vezes gerando fissuras Nos nossos próprios entendimentos de vida, de experiência comunitária e de como a gente consegue construir mesmo a nossa existência a partir desses signos que a gente traz de ancestralidade. E aí a obra também da Hidra vai falar, vai trazer uma relação entre mitos criacionistas e a comunidade baulum, quase como uma ironia mesmo, pensando em como a igreja muitas vezes opera de forma opressora para corpos LGBTs. E a gente tem também a obra da Cintia, que é a fotógrafa, no fundo a gente vê, que traz um apanhado de fotografias da cena de Campinas, especificamente. Então, a gente tem um mural que traz a House of Avalanques, que foi uma das primeiras houses aqui, a partir da qual se desdobram e se criam outras houses, e várias outras houses também podem ser vistas aqui no painel. E a gente traz também na obra da Cíntia alguns momentos muito relevantes, históricos aqui para a cena local de Campinas, no exterior de São Paulo. Maravilha, muito obrigado, viu Diego, por nos receber aqui a equipe do Conexão Cultural, valeu? Eu que agradeço e venham visitar. Bom, galerinha, para a gente terminar aqui o Conexão Cultural, estou com a Redinto, artista, inclusive as obras dela estão aqui. Tudo bem? Muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural, beleza? Beleza, eu que agradeço pelo espaço. É, carioca, flamenguista, né? Sim, cria da Maré, graças a Deus. É isso aí. Bom, bora falar um pouco sobre as obras, qual que é o seu objetivo? Bom, eu, nessa edição do Cosmologia, eu trouxe um pouquinho do meu espaço, do que eu vejo no Rio de Janeiro, no Complexo da Maré, então tem peças aqui que falam sobre justiça, tem peça que fala sobre o antes da Maré, que era tudo mangue, era praia, era aterrado, antes de ser aterrado. Então, por exemplo, aqui a gente tem a jurema, que fala dessa conexão com as matas. Nós ainda temos alguns espaços de mata lá dentro. E, enfim, acho que é um resgate ainda dessa maré antiga que a gente tem. Aqui também temos uma peça referenciada a Xangô, que é o orixá da justiça. Eu falo um pouco sobre religiosidade também nessa instalação. Falo sobre essa repressão policial que a gente sofre lá dentro. A gente entende que as coisas acabam saindo muito do controle do que deveria. Tanto que nós encontramos como forma de defesa abrir um portal, o Maré Viva, onde a gente consegue relatar algumas violências que a gente passa com essas incursões policiais. E não só nós, moradores, trabalhadores e tal, mas muita criança sofre com isso. Eu já tive situações muito chatas, que eu recebi imagens e tudo mais. E a gente, quanto artista, fica procurando formas de como fazer justiça em meio a isso tudo. E acho que a forma que a gente tem de fazer justiça é com arte. Então, é a forma que eu trago. Como você se interessou pela arte? Desde criança? Desde criança. Eu venho da dança. O meu pai é angolano, ele veio em 94 para o Brasil. Minha mãe é mineira, doméstica. Seu pai é angolano? e aí, enfim comecei a dançar, eu dançava desde criança sempre fui uma criança que gostava de dançar e aí, enfim nos aniversários com a minha mãe dançava com ela, peguei gosto pela dança em 2006 comecei a dançar em 2012 me encontrei na dança afro que eu acho que foi o grande pontapé também pra eu me reconhecer e me autoafirmar como pessoa preta, não é à toa que meu nome é Retinto, e acho que o meu trabalho ele vem bebendo um pouco dessa estética, mas também trazendo para um lugar mais atual. Então, a dança que me trouxe para as artes plásticas, eu acho que eu posso dizer assim. Já conhecia Campinas? Já tinha vindo aqui ao Sesc? Não, não, é a primeira vez. Está gostando? Estou muito feliz. É uma oportunidade de ouro para mim. Eu fiquei muito, muito feliz e muito agradecida, porque é isso, eu venho de um lugar onde eu não imaginaria em algum momento chegar com as minhas peças numa exposição, obviamente já fazia uma baita exposição, uma estrutura fantástica é algo grandiosíssimo, eu tenho falado sobre isso a viagem inteira toda a minha estadia aqui no Sesc eu só consigo falar sobre isso eu tive a oportunidade de expor lá no Rio na primeira edição mas foi com o meu acervo, então eram coisas que já estavam prontas que não contavam uma história aqui eu tive um suporte, a gente teve todo um cuidado Tiveram todo um cuidado com a gente Pra que tudo fosse feito Tudo fosse possível E hoje olhar tudo isso aqui pronto É incrível A gente inclusive tem imagens Você apresentando Tem que ter um preparo físico bacana É isso Você deu até uma respiradinha ali Pra dar entrevista Porque deve cansar, você se prepara? Sim, então a gente dá uma alongada Dá uma malhada Dá uma fortalecida É condicionamento, né? A gente tem que ter uma respiração boa, né? Então, acho que não é nem sobre esporte físico, eu falo isso porque eu dou aula lá no Rio. E muitas das vezes eu escuto que, ai, mas eu não tenho o seu corpo, e acho que não é sobre isso. A dança, ela vai muito além. Eu acho que é mais sobre a sua consciência corporal. Você dá aula do quê? Dança de blocos afros, que foi um pouquinho do que a gente viu aqui. E, enfim, é algo que realmente exige da gente, mas que com preparo, com aula, com dedicação, a gente chega. Meus alunos são incríveis, estão comigo já tem uns 10 anos e a galera performa lindamente, eu sou muito orgulhosa. Eu sou meio boba para falar do trabalho, que é isso, né? A gente, quando vai falar do nosso trabalho, a gente tem... Até se emociona um pouco, né? Sim, sim, porque eu amo muito. Saber que o trabalho deu certo, que as coisas aconteceram da forma como foram planejadas, depois de muita dedicação, muita preparação, você vê, chega, vê uma estrutura como essa, você representando, bastante gente acompanhando, um público bastante entusiasmado e tudo mais. E está sendo bem bonita a visita. Eu acho que isso não tem preço, eu acho que isso é bem legal. Sim, eu agradeço todos os dias aos meus orixás Eu sou muito ligado com a minha religião Sou muito devoto das minhas entidades, dos meus guias E acho que a força que me move, acho que a fé move muita gente E eu sempre tive muita fé e sempre acreditei muito Mesmo que com medo, mas sempre acreditei muito E hoje eu acho que está sendo a prova de que é isso Eu estou no caminho certo as coisas estão acontecendo da melhor forma valeu, muito obrigado por nos receber aqui e sucesso pra você cada vez mais eu que agradeço, muito obrigado bom, é isso aí galera esse foi o Conexão Cultural tchau e até a próxima oportunidade tchau A CIDADE NO BRASIL Se inscreva no canal E aí
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