Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
[Música] o conexão cultural é o seu programa na TV Câmara Campinas para acompanhar as manifestações culturais e artísticas da cidade e hoje a gente vai falar com o escritor campineiro o Diego Pansani que já fez cinco obras tem cinco obras publicadas e vai conversar um pouco com a gente sobre esse processo da escrita e ele é chamado de iluminador das palavras né de dieg muito obrigada pela sua participação obrigado obrigado vocês Alexandre pelo convite eh eu acho que tem um pouco a ver esse cunho do iluminador das palavras por conta do projeto anterior de poesia blackout cuja perspectiva estética é a gente riscar E aí se iluminam novas palavras através desse procedimento da negação né de riscar palavras criar outras palavras Então acho que essa brincadeira do iluminador veem um pouco com isso de alferi de procurar revelar novas palavras através desse procedimento desse último trabalho que é esse aqui que é o poesia risco exatamente quer mostrar pra gente um pouquinho Claro Diego seria assim uma mesma palavra ela pode ter naturezas diferentes claro né mas Nessa proposta você brinca direcionando mesmo para Estilos diferentes para uma mesma palavra com várias perspectivas isso eh você pode ter palavras dentro de palavras então por exemplo você tem cicatriz né a palavra cicatriz carrega no final dela uma atriz né você tem então uma série de procedimentos que a gente consegue como um caça palavras mesmo aqui não é a célula unitária não é a palavra só mas é o verso também então se a gente pegar um verso que a gente conhece um poema que a gente conhece do Manuel Bandeira por exemplo o passargada você tem ali aproximadamente 150 palavras e e eu uso aqui num dos poemas desse livro 13 14 palavras então uma espécie de Culpi um poema alheio um texto alheio e dá um novo sentido uma nova iluminação uma nova roupagem para para Esse verso para esse poema então é uma recriação a partir de algo que já existe previamente a brincadeira inclusive que tem aqui no livro é que e foi baseado em fatos reais Porque de fato são textos reais né esse é um trabalho muito querido muito um xodozinho é desbravar o universo dentro do verso né exatamente que legal e o projeto gráfico tá muito é lindo né e as folhas deles se destacam também estão todos serrilhados aqui porque em alguma perspectiva também essa poesia tidda como uma poesia visual o fenômeno o procedimento chama blackout né Por conta desse apagamento desse tirar a luz aí de algumas palavras mas ela é toda serrilhada aqui tem uma edição primorosa mesmo da jabuticaba eh e como ela é considerado também um poema visual é possível a gente eh olhar para ela como se fosse uma obra pictórica né como se fosse uma uma obra plástica não só literatura ou não apenas literatura né então a gente escolheu por ter essas essas serrilhas para poder destacar e fazer uma leitura mais fluida também desse material É uma uma poesia Itinerante até né ela pode percorrer vários Gostaria muito que fosse Ai que bom fala um pouquinho então da sua trajetória pra gente Diego eh eu comecei com a poesia publicar a poesia com um livrinho chamado o amador um livro que teve uma tiragem baixa de uma editora que cresceu muito depois a editora urutal eram poesias mais tradicionais poesias eh foi quase uma antologia né não não tem uma força temática o livro mas tem uma proposta eh histórica própria né da das minhas coisas depois eu passei a frequentar cursos eu fiz uma segunda graduação em Literatura e passei a frequentar também cursos de oficina de escrita criativa fiz um curso em São Paulo um curso e do clipe da Casa das Rosas de prosa e poesia e lá eu tive contato com uma poesia um pouco mais conceitual um debate um pouco mais conceitual da poesia eh em 2019 então eu publico esse livro que tem essa proposta que é o nenhuma poesia cujo título não aparece na capa sensacional né como uma brincadeira também dessa toda essa brincadeira da autoria essa brincadeira também de junção do que é o poema a gente tem aí eh tr Eos de jornal de e-mail tem links tem memes então aí parece um Popurri um grande carnaval de formatos de abordagens estéticas que a gente tem deslocado do poema né aqui a brincadeira é com o poema de uma outra maneira também não tradicional mas aí eu acho que a brincadeira é um pouco textos que não necessariamente são poéticos né então acho que aí a chave a brincadeira toda é a gente considerar eh a poesia fora desses moldes clássicos fora dessa do cânone da poesia tida como Ah muito ah Sublime né Muito Nobre Então acho que é um pouco essa essa brincadeira conceitual aí eu enxergar um pouquinho de poesia em tudo que existe é uma é uma boa maneira de ver o livro acho que é um um grito e também uma crise hum eh poética que também é uma crise política né nesse contexto também em 2019 era movimento de muita instabilidade também no Brasil e também creio que a gente na própria poesia nas artes contemporâneas acho que tem esse questionamento né a capa também propõe essa cicatrização essa coisa meio eh em mosaico em construção então acho que foi um projeto também pensado através desses mecanismos parece uma pele né parece de fato ele é uma craquelada né uma pele em em movimento depois eu fui pra pros aí fiz o roteiro desse quadrinho junto com o vctor com Pedro e com Alisson eh que tem um nome Fantástico no meio da piscina tinha uma ergométrica por esse nome o roteiro eh a gente brinca um pouco com conto do cortazar no escritor argentino dentro dessa obra e também tem o O Verso canônico do drumon né no meio do caminho tinha uma pedra então a gente usa essa narrativa literária usa essa meta literatura meta linguagem para criar esse título impactante e curioso né porque tudo ao redor dos personagens gira eh em função das bicicletas então tem entregadores de de aplicativos que usam a bicicleta tem escritores dentro do livro que trabalham a bicicleta como uma poética eh e a gente tem a ergométrica como uma metáfora eh de um dos personagens vou dar os spoilers que que é tenta ajustar o tamanho do banco dessa ergométrica de acordo com o crescimento do filho então ele ele regula a altura desse banco e vai e vai ajustando isso com o passar dos anos e aí tem uma tragédia então a gente achou que era uma boa metáfora eh simbolizar o livro com com a piscina e com a ergométrica Acho que são as duas imagens que perpassam o livro então por isso a escolha e ele foi escrito num momento da pandemia foi a a gente começou um pouco antes e aí estourou a pandemia e a gente aprofundou e trouxe os personagens que de alguma maneira se tiver uma exposição maior e e talvez menos reconhecimento dessa profissão que er os entregadores né então eles passam por Campinas a gente consegue identificar alguns lugares tem no final do livro aqui também tem uma imagem bonita não sei aqui é o balão do Castelo né a que legal tem um monumento importante de Campinas Esse é um dos personagens principais Hum e o veleta então circula Em alguns momentos tem alguns monumentos também que podem ser reconhecidos aqui PR as pessoas de Campinas Então acho que a gente conseguiu acertar em termos de eh é uma Metrópole é uma cidade grande mas ao mesmo tempo não necessariamente é Campinas Ah pode ser que a gente consiga identificar outros lugares outros outras geografias também aí dentro então tem esse cunho mesmo de uma crítica social da invisibilidade da precarização do trabalho tem tem muito a uma das personagens a argia é uma entregadora também de uma periferia dessa grande cidade que tem lastros aqui em Campinas mas a gente pode conhecer São Paulo Porto Alegre ou qualquer grande cidade do Brasil e até do mundo e e tem o veleta também então essa dupla que circula pela cidade precarizados né E que tem ões muito diferentes argia tem uma politização um pouco maior à esquerda o veleta tem um pouco a o debate Empresarial um pouco mais reconhecido à direita eh mas ao mesmo tempo sofrem de sequelas de uma estrutura social que não dá conta de acolher essas pessoas trabalhando na rua com as Exposições as precariedades do trabalho dos vínculos empregatícios dos riscos de atropelamento ou de de grandes que a grande cidade provoca né então Acho que sim tem muito desse debate social tem muito esse questionamento sobre as desigualdades de tratamento de algumas profissões mas tem também as profissões tidas como um pouco mais confortáveis a de escritor por exemplo que em alguma medida tem uma abordagem também crítica desse escritor que tá sempre no alto sempre reverberando sentimentos muito individuais de uma poética muito e não olhando para esse cenário coletivo para esse cenário mais socializado talvez Então eu acho que ele ele traz essas discussões sim ele criou várias células de realidade mesclando tudo ali juntinho exatamente além de de realidades muito diferentes em termos de estrutura coletiva social temos histórias peculiares particulares muito diferentes também né então a gente tem uma doutorando que é uma pessoa com cadeira de roda que anda em cadeira de roda e a gente tem o veleta também que tem uma deficiência física a gente tem o Antônio que é esse escritor que tem um trauma antigo por conta dessa tragédia que ocorre com a família Então tem um lastro dele também com a Argentina então por isso o cortazar é eu acho que o livro Traz essa multi multiplicidade de Corpos também de corpos não heem então pessoas com deficiência pessoas além de ter essa questão lastreada no Social Nas questões de trabalho precarizado tem também essas maneiras diferentes de se locomover pela cidade né então cadeira de rodas a bicicleta o carro no final também tem uma uma espécie de um instrumento criado para um exercício eh ficcional que aparece Então acho que tem um pouco esse lastro sim e do trabalho do indivíduo das questões sociais ampli acho que ele traz um retrato vivo né da sociedade naquele momento que ainda claro com salva as diferenças Ainda tem muito continuando naquela mesma toada né da mesma época da da pandemia muita coisa já voltou ao normal criou um novo normal mas muita coisa ainda é muito parecido né muito você tem razão sim e você também fez participou de residências literárias fora do Brasil sim Participei de uma residência muito legal na Finlândia fiquei lá 2 meses e meio eh dali eu eu eu pude inclusive concretizar finalizar uma dessas obras eh eu agradeço inclusive uma das em uma dessas obras aqui o poesia risco porque tive a além de ter a possibilidade de compartilhar em outros contextos a poesia que a gente tá fazendo a literatura que a gente tá fazendo também verificar o que é que tá sendo feito lá né ao redor desses países também ali eh da Finlândia e também fui para islâ e lá ofereci essa essa oficina de poesia blackout que tem essa abordagem que a gente comentou um pouco no início essa iluminação e negação de coisas esse selecionar palavras e contextos de um texto já pretérito então foi muito legal acho que acolhida lá também há uma nova proposta também é lá também é novo então não é só aqui que a gente tem essa consideração da poesia contemporânea como novidade então foi importante de verificar também que esses países Às vezes a gente fica num imaginário de que o Brasil tá muito atrás do fazer poético ou do fazer literário e eu acho que é o contrário a gente tá bem à frente de muitas questões eh poéticas estéticas mas também políticas a gente traz discussões que o mundo todo tá de olho que o mundo todo tá e aprendendo junto não é só a gente aprender também a gente levar e trocar né fazer essa troca sou um pouco arrogante eu acho que tem essa coisa de ensinar e aprender junto nesse movimento sabe então sim rolou esse essa experi essa troca essa metodologia da poesia blackout não é Nossa não Por isso que nem tem esse esse nome nem é nome não Ela tem ela tem exercícios ela tem exemplos de blackout desde a década de 70 por exemplo tem um autor antigo inclusive antigo é o Tom Philips antes das redes sociais inclusive ele criou uma obra de Movement muito bonita que ele demorou 40 ele morreu em 2022 Ele criou uma obra muito bonita e tem quatro ou cinco versões de trabalho então ele pega um romance clássico inglês do século XIX e trabalha todas as páginas através da poesia blackout e por por ser um artista plástico também antes de ser um poeta ele usa as páginas como fundo pictórico mesmo então a gente tem ali mais de 400 páginas que se conectam com numa narrativa mas trabalhadas de forma visual mais visual ainda né eu acho que a poesia blackout é uma espécie de poesia concreta E aí o Brasil né com uma poesia concretista dos irmãos Campos des Pignatari Então a gente tem uma tradição já dessa poesia e eu acho também que a poesia blackout traz um pouco do Haikai da síntese do Haikai né então é uma uma troca rica e mesmo sendo o mesmo estilo de fazer opicina você traz coisas diferentes de lá como é que foi isso sim eh a poesia eu acho que ela bebe eh no formato do principalmente através do Ritmo acho que a poesia tem muito da imagem eh mais do que o tema né Se a gente for ficar numa paisagem finlandesa por exemplo a gente vai ter neve coisa que a gente não tem aqui né a gente tem um um uma defesa muito mais aguerrida da natureza e da preservação ambiental do que a gente tem aqui né me parece que aqui há uma uma soberania menor em termos políticos dessa importância agora talvez ISO esteja mudando né que a gente tá vendo essas queimadas a gente tem essa neblina essa qualidade do ar muito prejudicada e acho que Porto Alegre também foi um uma coisa que eh deixou a gente mais ainda mobilizado e e ao mesmo tempo assustado com essa coisa do clima então em termos de temas a gente muda obviamente porque a paisagem muda mas classicamente eu acho que ritmo e imagem é o que mas eu eu percebi o diálogo entre essas se há uma universalidade coisa que é questionável eu acho que ela tá no ritmo e ela tá na imagem na imagem poética né que se cria para para fazer poesia é interessante Talvez isso esteja um pouco fojado até na linguagem né no idioma mesmo né porque o idioma ele impõe um certo ritmo um certo intervalo né sim sim sim é eu não falo finlandês tentei algumas coisinhas mas a gente falava em inglês e nessa residência também tinha um mexicano Diego também então a gente circulava pelo inglês e pelo pelo português e pelo inglês mas é curiosa a sua pergunta porque eu pensei em fazer um livro de blackouts sobre constituições e a constituição finlandesa é um bom exemplo eles tiveram uma constituição em 1919 depois uma atualização quase 100 anos depois em 2000 e não é muito longa creio que em 30 páginas daria para fazer enquanto a nossa tem centenas de mais é então é uma possibilidade mas aí cria um um gapz inho cria uma dificuldade a mais por conta do idioma né e por conta da tradução né como é que a gente traduz um livro de blackout a gente traduz os textos anteriores também a gente traduz sol que é iluminado eu acho que são questões boas de serem colocadas quando essa coisa sai da da língua da original né teria que ter uma certa sincronicidade aí entre traduções né entre imagens também também é né e e o último livro que também muito interessante caixa de gordura né onde você sai um pouquinho desse da poesia tradicional e vai mais pro conto e leva essa poética para pro dia a dia fala um pouquinho desse livro Esse é o mais recente eh onde eu consegui trabalhar contos ah curtos Ah eu acho que é um livro de um estreante na prosa mas que traz a poesia o tempo todo como tema como personagens enquanto ritmo também então eu gostaria também de ser olhado como um autor que tá escrevendo prosa mas que tem um lastro ali na poesia eh Campinas também está aqui né de de de forma muito e intensa a gente tem uma geografia aqui muito representada pelos bairros de Campinas pelos Ah pelos circuitos também da minha vivência eu sou de Campinas então vivo aqui há quase 40 anos então Eh achei que era a hora de apresentar a cidade de uma outra perspectiva de uma perspectiva crítica muitas vezes também mas acho que as pessoas vão reconhecer aqui não só lugares eh e bairros afetivos mas também situações né Eh então tem por exemplo diálogos eh no estacionamento do hospital Mario GAT né que é um hospital conhecido sim das pessoas aqui de campinas então Barão Geraldo apare próprio castelo né então eu acho que tem uma essa perspectiva eh de lastro aqui nossa de Campinas É Bairrista tá aqui perto da gente eh mas tem aí as as inovações de ritmo né aqui eu acho que eu precisei trabalhar mais os personagens trazer imagens mais ah prosaicas né por conta da do exercício que é o gênero de transferir esse gênero da prosa da poesia para prosa e e acho que tem também a a possibilidade de exercitar uma subjetividade histórica minha também e você até fala né que você pode escrever uma cena em oito páginas e uma vida inteira em um parágrafo né então é trazer um pouco dessa questão do ritmo para essa nova possibilidade do dia a dia de algo mais elaborado e ao mesmo tempo com a síntese poética né isso eh eu tenho contos aqui eh cuja história se passa em 30 anos eh e tá eh estruturada em duas páginas né então ten histórias também em que a gente tem 10 páginas e a gente tem períodos de meses contando essa história acho que a provocação a brincadeira com esse ritmo é provar o que é que é importante na narrativa que é qual é a lente que a gente ajusta para contar essa história né então sim tem essa variação de essa brincadeira com tempo né essa brincadeira temporal interna também da obra né então como é que a gente dá valor a uma história que dura 30 anos é pela intensidade é pela quantidade de palavras é pela profundidade dos personagens Então acho que tem um pouco essa brincadeira do caixa de gordura enquanto o resto também né tudo aquilo que fica ali nas nossas memórias e às vezes a gente precisa de oito páginas às vezes de 20 ou às vezes de um parágrafo né de 20 anos de 20 anos sim porque esse livro foi escrito também com histórias de 20 anos né sim tem histórias 24 contos 24 contos foram reelaborados para essa publicação não tem nenhuma obra antiga pura Digamos que estava pronta todas elas passaram por a revisão por por um processo de edição também então isso também cria a obra muitas vezes a gente acha que escritos antigos podem ser transferidos diretamente e Eu discordo um pouco disso então sim tem contos de 20 anos mas que foram ajustados acho que também por conta da minha experiência anterior na poesia né então me Deixei também perpassar por isso acho que é meio vivo né eles também pedem um pouquinho de atualização e tal dúvida repaginar e tem algum que você gostaria de compartilhar com a gente porque foi um livro premiado inclusive né sim Eu Tive apoio do fic né que é esse prêmio Cultural de Campinas e aí por conta dele eu consegui também é uma tiragem grande porque o meu primeiro livro Por exemplo eu tive 70 exemplares né esse sai com 500 exemplos Então por conta desse apoio a gente consegue ter uma um volume é sem dúvida eu vou ler um trechinho de um que eu gosto bastante eh ele tá dentro do do conto ven a nadar antes que isso aqui apodreça quando eu tinha 21 recebi uma ligação do meu pai dizendo que havia sido atropelado é uma boa desculpa para viver o mar não acha nisso eu tive que concordar com ele peguei um buzão E no meio da tarde Daquele mesmo dia estava num hospital público com paredes metade azul desbotado e metade branco encardido e meu pai numa enfermaria quente com um ventilador de teto sem uma das paz ele fazia palavras cruzadas e me disse assim que me aproximei do leito o alemão mais temido do mundo nove letras Alzheimer Alzheimer ele repetiu Contando os quadradinhos tá com dor Olhei pro ventilador por conta de um osso esmagado continuei olhando pro ventilador e agora metal mais valioso do mundo ouro não Platina não nióbio não quantas letras CCO poema que lindo tal né então é um pouco Improvável algumas coisas que a gente vive no hospital mas também os poemas às vezes aparecem em lugares improváveis né então eu gosto muito desse trecho do caixa de gordura Eu falei onde tá o conto né falou que página 36 venha nadar antes que isso aqui apodreça tá aqui muito lindo e para quem quiser conhecer um pouco mais da sua obra tem um canal para entrar em contato tem tem o Instagram @gp é oost postar algumas coisas lá agora participo da Feira sub também no sábado que é um movimento legal da Prefeitura de Campinas movimento grande de muitos artistas Independentes então também V lá sábado e as oficinas também de escrita criativa eu posto tudo por lá nos Stories muito obrigada Diego por compartilhar sua poesia com a gente valeu obrigado vocês e a gente volta já já pro segundo bloco [Música] de volta pro segundo bloco do Conexão Cultural de hoje sobre escritores Campineiros agora a gente vai conversar com a Viviane de Paula que é escritora tradutora revisora performer tem uma editora de livros tecnológicos e a gente vai saber como é que ela chegou nesse universo da escrita e perpetuou aí um trabalho já muito solidificado com duas publicações e muitos textos escritos em antologias muito obrigada por nos receber Vivi muito obrigada muito obrigada a vocês conta pra gente como é que você começou no mundo das escritas bom eu comecei aos 6 anos e eu comecei escrevendo quadrinhos desenhando e escrevendo também quadrinhos e essa minha todo esse meu viés literário veio também através da minha mãe que ela trabalhava como inspetora de alunos numa escola pública Então ela via a biblioteca sempre abandonada mada de livros empoeirada Então ela trazia esses livros para que eu lesse em casa porque a gente morava numa área muito perigosa então ela não me deixava sair e para que eu passasse o meu tempo ela trazia lápis de cor papel sulfite também esses livros da literatura clássica brasileira e também em inglês Foi aí que surgiu esse meu interesse por línguas e também por Literatura e as artes então a sua mãe tem um pezinho nessa carreira também aliás tem os dois pés né sim os dois ali bem juntos queria dar vida pros livros né e nada melhor do que um leitor para dar uma lida uma vida no no livro né através da leitura verdade e aí você começou você cursou letras sim aí eu cursei letras eu fui bolsista do pro Uni cursei letras na Puc Campinas e foi um ótimo assim início para mim porque eu também me envolvi no núcleo de consciência negra da PUC então eu comecei a ter mais cons racial e do espaço que eu ocupava não só na universidade mas também no mundo e foi nesse momento então que você começou com as suas primeiras influências das escritoras que marcaram você aqui no Brasil sim foi também nesse momento que eu conheci a Conceição Evaristo a Ma angelou também Carolina Maria de Jesus Maria Firmina dos Reis que foram basilares na min escrita literária foram te inspirando né exatamente você fora né como você disse começou lá atrás com os livros de inglês que a sua mãe levava mas isso te instigou a conhecer também a língua inglesa sim porque eu comecei o aprendizado da língua inglesa e eu também queria viver essa imersão E aí eu fui parar lá nas periferias de Nova York no harlen foi quando eu tive esse contato mesmo físico com as obras da ma angelou principalmente também da aldre Lord que foram essenciais também na minha formação existe uma uma conexão entre essa literatura negra norte-americana e brasileira existe eu acredito que são também dois universos diferentes porque o Brasil tem a sua formação específica o Estados Unidos tem outra mas tem questões que se conhecid também que se encontram né exatamente assim como as poesias né sim e aí você foi um pouco mais paraa poesia mas a gente já vai falar sobre isso eu quero que você fale um pouco da das antologias né que você passou aí por vários estilos sim a minha primeira antologia foi de terror foi no na área de suspense e eu escrevi um conto que ele se chama na sua sombra e o meu primeiro conto vencedor foi num Concurso Literário da CC Campinas que eu escrevi em homenagem ao meu finado pai e esse conto ele teve um grande destaque na universidade e até o momento eu não compartilhava o que eu escrevia eu só mantinha para mim e a partir desse esse momento foi que eu ganhei o emponderamento necessário para começar a compartilhar os meus inscritos e as pessoas foram gostando E aí eu tomei mais essa ousadia e essa coragem de compartilhar o que eu escrevia então o pai teve também uma participação nisso tudo né também porque parece que até os escritos eles querem ser vistos né Por mais que a gente às vezes goste de guardar vai ter sempre alguém que se identifica com isso né sim e aí o seu primeiro livro foi sobre poema né sim o meu primeiro livro foi o flores roxas que ele foi publicado pela Editora patuá em 2021 e conta a história de uma mulher negra que ela viaja assim como eu que sou n digital adoro viajar ela viaja e ela se depara com várias questões de autoestima ela não se vê no cabelo no corpo ela passa por violência doméstica eh crises de ansiedade de autoestima é uma realidade muito marcante também na pandemia foi quando organizei esse livro e eu escrevi esse livro para ajudar outras pessoas que também passam por essas situações para ver uma luz no fim do túnel porque eu acredito que a nossa vida é como se fosse uma semente a gente precisa plantar muitas vezes a gente não vê nada saindo ali daquela semente e às vezes vem um pequeno caule tomando vida vem uma tempestade e derruba tudo todas as nossas folhas ali no chão e você precisa se recolocar tá sozinha cada uma no seu lugar e tem também o momento da colheita o momento do florescimento que eu acredito que é quando nós temos autoestima e autoconfiança suficiente para alcançar tudo que a gente deseja e tudo aquilo que a gente almeja e todos os sonhos são vivências possíveis lindo e ele é contado inclusive em poesia né Sim e eu conta a história de a história dessa personagem em forma de poemas trazendo citações da Carolina Maria de Jesus por exemplo também da ma angelou Então esse livro ele meio que é uma imersão também no seu universo né nas tuas referências né sim que legal ele é de 2021 né esse é de 2021 E agora tem um mais fresquinho em pouquinho tempo até né Já lançou outro que é o ninguém precisa de asas nem toda a divindade tem asas nem toda a divindade tem asas e conta um pouquinho dessa história pra gente ou nem toda divindade tem asas ele foi lançado recentemente pela Editora anta também de São Paulo e nesse livro eu quis explorar uma outra vertente porque eu não me considero apenas poeta não apenas mas não somente do gênero literário da poesia minha escrita transpassa outros gêneros literários e eu quis explorar também um pouco disso nesse livro e eu falo sobre mitologias mitologias africanas indígenas também e cada capítulo é inspirado numa deusa ou em um Deus dessas mitologias também trago exercícios de escrita terapêutica por exemplo ã esse esse é um espaço literário abra numa página aleatória e na terceira linha tem uma mensagem para você não desistir hoje porque eu acredito que as pessoas elas precisam também interagir com o livro o livro não é um ser intocado que você não pode dobrar você não pode escrever nele O livro é para essa interação então eu digo que esse livro Os Diários São muito fofos esse livro ele é para te sacudir e te balançar Então deixe o te afetar também que legal é um convite né sim é um convite outro dia me entrevistei um moço que é um leitor também assim vai frequenta os brechó em busca de bons livros e ele fala que o livro ele tem uma verdade que te chama também você vai buscando uma coisa e de repente você é tomado por um livro que você nem sabia que existia e aquilo pode mudar sua vida né com certeza e você bebeu de muitas Fontes né viajou pro Egito para onde mais para escrever esse livro para escrever esse livro eu viajei pro Egito pra Colômbia também para o Chile também passei uma temporada na mata amazônica Mais especificamente convivendo com o povo tup Guarani para entender também essa esse esse tipo de anologia e eu acho que é muito importante essa escrevivência não só um olhar afastado mas um olhar que ele se faz vivente e ele se faz presente você escrever vendo e vivendo que é um termo que a Conceição Evaristo criou a escrevivência então eu uso muito como espelho também nas minhas escritas sensacional escrevivência né sim e o que que você sente que a mitologia eh trouxe para você enquanto um psic uma psicologia do ser humano né que precisa ser Projetada e precisa ser transcendida dessa realidade que a gente vive a mitologia te trouxe algo mais assim que você pode trazer pro seu dia a dia eu acredito que a mitologia é uma forma de manter as histórias as histórias elas precisam ser contadas e a mitologia Ela traz Esse aspecto de resgate também da ancestralidade e esse livro ele mostra que você pode ser um deus você pode ser uma deusa uma pessoa que você encontra pelo seu caminho e te marca e te ajuda a atravessar correntezas também pode ser uma deusa um Deus na sua vida então por isso que eu quis trazer esse título nem toda a divindade tem asas Muitas delas sangram Muitas delas têm os punhos cerrados mas todas elas são protagonistas das próprias histórias sensacional e onde é que a gente pode encontrar os seus livros os meus livros vocês podem encontrar no meu site www.viva.com.br E também pelas redes sociais no meu Instagram @ pretao esia Maravilha e agora a gente vai falar também de uma outra faceta né da Vivi que é a performer né que você me falou que você tem esse trabalho que eu achei muito interessante eu gostaria que você compartilhasse também que é uma forma de poesia real né expressa pelo corpo sim a partir dessa vivência com a literatura eu vi também essa necessidade de não ficar somente presa no texto literário mas mostrar outras facetas da realização da arte então eu idealizei o espetáculo poesias plurais que ele une música poesia falada ancestralidade instrumentos musicais e nós temos levado esse espetáculo para vários lugares aqui em Campinas também em Salvador e o nome do espetáculo é poesias plurais como o afeto te afeta e mostra justamente essa questão de que nos dias atuais nessa pós-modernidade é proibido o sentir nós vivemos nessa época do Desapega quem sente menos ganha mais mais e nesse sentido nós queremos mostrar o contrário que quem sente mais sempre ganha mais é permitido falar dos Sentimentos é permitido falar das diversas formas do sentir do ser afetado pelo pelo afeto e e como o afeto também ele é uma forma de cura na nossa vida você falar sobre is em sentimentos sobre as suas indagações sobre o que te causa angústia também é uma forma de cura Então isso é muito importante nesses dias atuais que a gente lida com tantos eh tantas questões de saúde mental tantas pessoas ansiosas lidando com a depressão então é muito importante entender como a fala ela tem o POD de cura é uma sociedade meio tecnicista né E a gente tem que cumprir papéis desempenhar performar né E aí o ser humano tá onde ali dentro né Muito legal e as pessoas podem contratar esse espetáculo então sim exatamente também pela suas redes sim as pessoas podem contratar o espetáculo através do meu site tem o formulário de contato também e pelas redes sociais e com tudo isso ainda tem espaço para ser e-learning designer que também é uma forma de de gerenciar o conteúdo né A Proposta através de toda essa sua vivência literária e oferecer também como se fossem escolas digitais sim eh é uma solução pedagógica com foco na tecnologia então a textos e contextos que é a minha Editora tecnológica nós trabalhamos em seis idiomas e buscamos trazer a tecnologia como uma forma de auxiliar no processo educativo a sala de aula com as cadeiras enfileiradas tudo isso ficou no passado hoje em dia nós temos outras necessidades pedagógicas dos alunos que TM acesso à rede social tem acesso ao tiktok o tiktok já virou uma forma de pesquisa então como nós educadores nós podemos nos adaptar a essa nova realidade e fazer com que o conteúdo ele seja entendido e aprendido de uma forma mais itiva pro aluno Então eu penso na gamificação nos games nos jogos na educação também nas interações de um material por exemplo à distância se a gente pensar na educação à distância e como o usuário ele pode ter um ambiente mais enriquecedor para para o aprendizado dele é impossível voltar atrás né sim e dá para ser um pouco poético também né com tudo isso verdade também e acho que você traduz né personifica Toda essa modernidade toda essa possibilidade né que já é uma poesia que transcendeu um formato só né sim e sempre trazendo também mesmo que eu seja bem tecnológica eu sou apaixonada pelo livro físico eu sei que as pessoas amam as versões em ebook e tudo mais mas eu sou apaixonada pela versão do livro físico você poder tocar o livro sentir o cheiro fazer essas dobras na página de um conteúdo que você gostou você poder rabiscar então eu sou essa pessoa tradicional mais ou menos tecnológica mostrando que uma coisa não precisa abandonar outra né exatamente não precisa a gente tem mais é que usufruir de tudo isso que tá disponível aí pra gente né É verdade Vivi muito obrigada pela sua participação aqui no Conexão cultural sobre os Escritores Campineiros é um orgulho né ter uma pessoa assim tão maravilhosa com tanta coisa legal e que seja só o começo mesmo né que venham muitas publicações por aí muito obrigada muito obrigada pelo acolhimento pelo espaço e se vocês quiserem adquirir os meus livros eles estão disponíveis no meu site vivid depaula.com.br ou pelas redes sociais no Instagram @ pretao muito obrigada Vivi Muito obrigada para você que nos assiste quiser rever a entrevista ou compartilhar é só acessar o YouTube da TV Câmara Campinas conexão cultural muito obrigada pela sua companhia e até o próximo programa [Música] [Música]