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[Música] Diz que pedra não fala que tirar se falasse eu me ama me queima na sua cama o veludo da fala disse beijo que é doce me prende me iguala me rende com sua bala diz Que pedra não fala que bom. É isso aí, pessoal. Conexão cultural. E olha só, hoje um assunto super importante, porque nós vamos falar sobre o protagonismo feminino na música popular aqui em Campinas. Pois é, um assunto super interessante. Tô aqui com a Ana Paula Morete. Tudo bem, Ana? Muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural. Tudo joia, tudo ótimo, André. Eu que agradeço, além do mais um assunto tão especial e tão importante, né? Bom, com certeza. E mudou bastante, né, pra gente começar falando sobre isso. É, mudou, mudou bastante. Isso é muito bom. Eu ainda sinto que que pode crescer muito mais, mas as mulheres elas vêm atuando de uma forma muito mais presente, né? E na música com certeza também passa por isso. Boa, boa. Bora contar um pouquinho sobre a sua história, então. Como que você começou a se interessar por por música? Conta pra gente, por favor, Ana. Bom, eu sempre cantei assim desde pequena, mas é óbvio que tive ali os impulsos eh da família principalmente do meu pai e depois comecei aos 18 anos com uma banda de MPB em São Paulo e a partir dali não parei mais. Eh, fiz inúmeras gravações, comecei com shows. E é engraçado isso porque no início a gente é muito inexperiente, né? E e eu sempre estive num ambiente muito masculino. Eh, e ainda é, né, se você olhar as bandas, ainda tem predomina maioria, mudado alguma coisa, mas ainda mas ainda predomina. É, e eu sempre estive nesse ambiente assim e muito jovenzinha, mas eu não posso me queixar assim, porque eu sempre tive muito respeito nos nos espaços onde eu estive, com as bandas onde por onde eu passei. E meu pai me acompanhava muito também desde desde sempre. Depois que eu cresci, aí soltou e aí segui sozinha. Mas mas tive inúmeras experiências aí nesse tempo todo. São quase 30 anos de carreira, então tem bastante coisa. Qual o maior desafio que você já enfrentou na sua carreira? Eu acho que o desafio é você se propor fazer o que você ama fazer. Eu acho que esse é o maior desafio a partir do momento que muita gente à sua volta eh questiona a sua própria escolha, uma escolha que é sua. Então isso é, eu acho que é assim, se você não souber realmente aquilo que você quer e não se propor a fazer aquilo que você quer para ser feliz com o que você quer ser feliz, você acaba se deixando influenciar por muita gente. Eu acho que isso é um um ponto bem especial aí da vida de geral, né? Porque eu acho que não só na música, mas de uma forma geral, a gente ouve muito as pessoas do momento que a gente vi ouvir a si próprio, não? E você, né, Ana, é inclusive especialista em voz, né? A gente tava até fazendo um aquecimento vocal, porque essa mudança de tempo ficar com a gargantinha meio esquisita, né? Fica, fica. Na verdade, a voz para mim, ela é sempre foi muito especial meu instrumento de trabalho. Então eu me especializo nisso desde sempre e isso me levou a estudar, né? Fui fazer música, fui fazer bacharelada em canto. Olha só que legal. Fui fazer licenciatura em música, depois fui para fonudiologia e aí me tornei professora de canto. Então assim, eu tô muito envolvida nesse ambiente da voz. E aí eu vi você fazendo os exercícios, falei: "Ah, deixa eu te dar umas dicas de alguns aí, porque conheço bastante". Boa, boa, Ana. Falando do protagonismo feminino hoje em Campinas, na música, que que você pode contar pra gente assim? Olha, eu vejo que melhorou muito, como eu disse no início, eu ainda acho que tem muito a crescer, né? Sim. Mas melhorou muito de uns anos para cá vocês. É, é porque assim a gente vê muitas muitas meninas vindo da Unicamp, isso é maravilhoso. Pessoas que realmente gostam, estão ali investindo naquilo que amam fazer e tem uma safra maravilhosa de instrumentistas, de cantoras. Tem também as meninas com quem eu já trabalhei e trabalho que são aqui de Campinas, a Bruna, que você mesmo falou, né? tem aí, enfim, tem várias outras cantoras. Tem a Marana, que agora tá na Bahia, em Salvador como como professora da Universidade Federal. Olha só, então assim, eh, a música e o e esse esse universo, ele é muito maior do que só esses esse espaço, né? A arte ela é gigante, então assim, não é só porque tá no palco ou porque tá no estúdio ou porque tá dando aula, não é? É vasto, né? desde um de um de uma de uma professora de de canto, desde uma de uma pessoa que vai cantar em estúdio, que geralmente às vezes tem gente que gosta mais do palco, tem gente que gosta mais de estúdio, cada um na sua. Você eu gosto de tudo, gente. Eu amo esse espaço aqui. Não, você fala com amor, né? É uma coisa impressionante, né? Aí eu realmente faço o que eu amo. É, os olhos até brilham, né? Brilham. Vocês estão vendo? É, exatamente. E assim, o que que a música representa para as pessoas na sua opinião? Eh, emoção, passar um recado, enfim. Eu acho que assim, o principal, claro que traz muita emoção, que traz muita história, né? Que a música ela acompanha a vida da gente, ela desde da infância, se você for perceber ali, tem a música da infância que você lembra sempre na barriga, né? É, tem sempre. Eu vejo meu filho que sai, a primeira música que meu filho cantou foi Ásado de Javan. Olha só, eu tava em Tunê, na gravidez fazendo o especial do de Javan. E ele ouviu isso a gestação toda. A primeira música que esse menino cantou foi Aa. Eu desacreditei. Jura? O meu foi o hino do guarani. Com flores. Você acredita? Acredito. A gente tava falando do guarani aqui desesperado já. Mas eu acho que é cura. É. Cura, música traz muita cura. Eu vejo isso, eu vejo isso na sala de popular brasileira del MPB. E e cara, eu sou suspeito para falar porque eu sou apaixonada por MPB. É muito bom. Inclusive depois você vai cantar aqui pra gente e tal. Nossa, posso cantar? Eu vou falar uma coisa para você, assim, eu sou tão eh eu passei por muitas coisas assim no meu na minha carreira, muitas. São quase 30 anos, já que já não são 30, já nem sei mais. Mas eu eu fiz backing paraa dupla sertaneja Jed Sudson, que foi conhecido nacionalmente, né? Fiz a tive uma banda com a primeira banda que era uma banda de MPB. Depois fiz um outro trabalho com música eletrônica que foi pro final do prêmio da música brasileira com o melhor disco de canção popular. Eh, fiz inúmeras tunês no Brasil fora e hoje eu venho fazendo um trabalho que assim vem coroar a para mim eh a música popular brasileira com grandes pianistas com quem eu venho trabalhando. São é um trabalho com 10 grandes pianistas do Brasil e nós gravamos tudo ao vivo e isso foi incrível. Assim, ele aqui, eu aqui, ele tocando, eu cantando. Esse é o registro. E e eu cantei com os grandes Paulo Calazã. que toca com Dejavan e com tantos outros da música gente grande, Cristóvão Bastos, que eu vou fazer um show agora também. Então assim, são sabe aquela as referências da música brasileira e nós fizemos composições de as canções de dos compositores 80 mais, tipo Ivan, Chico, Caetano, Gi. Puxa vida, que honra, hein? É, foi muito especial. Está sendo, né? Que eu tô nessa, tô nesse processo ainda. É. E você saiu de Campinas quando você tinha 3 anos? Acho que até menos, viu? Eu fui pro Paraná, meu pai trabalhava numa empresa que construí estrada no Brasil todo e eu cresci lá. Bicho do Paraná, né? Gente do Paraná. Bicho do Paraná que fala, eu acho, nem lembro mais. Mas cresci lá e saí já grandinha com 11, depois voltei de novo. Daí voltei para cá com 14, para Catanduva e tal, mas eu rodei bastante, fui para Minas, foi isso. O mundo todo, porque eu tô dando uma olhada aqui, Alemanha, Áustria, Holanda, Suícia, você foi para todos esses lugares? Foi para todos esses lugar, Indonésia. Como foi lá, Ana? Conta pra gente. Olha, foi, cara, teve de tudo, de tudo mesmo. Foi ao mesmo tempo foi mágico. Tive experiências malucas. Para você ter ideia, no primeiro dia que eu cheguei na Indonésia, eh, eu e meu marido, a gente tava exausto porque a viagem daqui até lá é gigante, né? Chegamos, apagamos, deixamos a porta do quarto aberto, entrou um cara, ó, vai vendo, deitou na cama. Ô louco, não. Ô louco, louco, digo eu. Sério, deitou na cama, deitou de frente para mim. Então quando ele deitou e veio aquela sombra assim na minha frente, imagina o susto. Tem ideia do susto que eu levei? Mais ou menos no meio da madrugada, um cara completamente maluco. Então assim, e aí que que você fez? Eu saí gritando, enlouquecida. Meu marido tava em cima do edredon, ele deitou em cima do edredon, virado para mim, assim, menos de um palma do meu rosto, e eu embaixo. Eu não conseguia sair, só gritava: "Ah, me tira daqui". Foi uma loucura. Aí veio segurança, aquela confusão. Aí o cara saiu depois de muito tempo. Ele tava tão maluco que ele não queria, ele queria dormir. Nossa, ainda bem que ele queria dormir, né? Se a gente for olhar do outro lado, até medo. É. É. Mas passamos algumas situações assim que hoje são engraçadas. Mas acontece de tudo. E eu tive a felicidade de viajar grávida. Minha última turnê, eu tava com 8 meses. Fui, voltei com 8 meses e meio. E aí a gente fez todos esses países. A gente fez Alemanha, Áustria, Suíça, nesses países, cara, quase a gente ficou mais de 20, 25 dias ficamos, é, viajando, cortando também ou não? Baterista. Ah, então é Alexandre Cunha. Boa. Tá em casa. Então, né? Tô, tô super em casa. Bom, bora falar um pouco sobre a formação acadêmica sua aqui, por favor. Ana, você é formada, né, em música pela Unimap em Pirascaba? Em Pirascaba. Morei lá um bom tempo. Bacharel Encanto, com pós-graduação em voz profissional. Profissional. É, é que eu falei para você, a minha paixão é a voz. Eu gosto demais assim e do que eu faço, né? Amo o que eu faço. E aí eu busco me aperfeiçoar em cima disso, né? Eu vou tudo que eu posso eh aprender eu vou tudo que é relacionado à voz porque é o meu instrumento, como qualquer outro instrumento. Não, você já me falou alguns exercícios aqui. Eu já fizo, tu trabalha em TV bastante tempo, né? Mas esses eu não conhecia. Para você ver como não é muito vasto. O campo é muito a gente acha que é só aquele tr, né? Não tem muita coisa e vai muito de encontro à necessidade do do paciente ou do aluno, enfim, do que tá buscando específico, né? É específico. É. Bom, falando sobre Campinas, quais os principais lugares aí que você acha que tá que estão bacanas para tocar, para fazer apresentações, para cantar, enfim, para mostrar arte? Eu tô muito feliz com o centro de convivência voltando ativa. É pertinho da minha casa, não é? Maravilhoso. Espetacular. Graças a Deus, né? Um espaço lindo. Já tivemos tantas coisas bonitas agora, recente também lá, né? Orquestra e e ver aquela música. Inclusive, eu não consegui ir, mas eh quero quero ir lá ver. É, eu também não consegui. Tava trabalhando em todos, mas em algum dia eu vou cantar lá em B. Não, e você trabalha nessa nessa pegada, né? Quando tá todo mundo de folga. Eu tô trabalhando. Mas que mais pr para você concluir o raciocínio? Ah, tem o alma. Ah, o alma. Legal. No Cambuí também, né? No Cambuí. Eu adoro essa casa. É uma casa que você já cantou lá? Eu canto muito lá. É, acho que é um dos poucos lugares assim que eu lá era bom de quinta, né? Lá tem, na verdade, a programação deles varia muito, né? Se você for de terça e quarta, você tem jazz, MPB, tem essa onda. Depois aí você vai pro samba, depois no final de semana vai ficando mais animadinho. Então eles pegam um público bem interessante. É, tô me referindo a 20 anos, né? Então, não sei como tá hoje, depois casei tudo, mas vou levar a minha esposa lá. Leva, faço questão. Quando eu for para lá, próximo show, convido vocês. São um prazer. Boa. Vamos cantar um pouquinho, Ana. Vamos, vamos cantar um pouquinho. Um trechinho de uma música que eu amo, de alguém que eu amo também. Você fala que eu amo. Eu falo isso o tempo todo, né? Mas é porque sou apaixonada pela vida, pela música, pela arte. Milton Nascimento, fera, não é? E eu fiz, como eu tava falando para vocês, esse trabalho com os pianistas e eu tive a felicidade de ter Paulo Calazan sentado ali ao meu lado tocando Milton Nascimento comigo. Então vou fazer essa canção que é uma obra de arte, assim, ela é uma obra prima da música brasileira que é Portal da Cor. Fazer um trechinho. Olha só. Ponte a natureza pulmão da terra mãe, portal da cor futuro. Nascer do sol, carinho companheiro. [Música] É como se a paz cobrisse o mundo inteiro. Terra, água, fogo e ar. Não é lindo isso? Nossa Senhora. É lindo demais. E que voz, hein? É poesia pura assim. Então, não é gostoso ouvir, né? Você você nossa, dá uma viajada boa, né? Ouvir uma boa música com uma voz bonita assim, né? É algo bom, você é suspeita para falar, né? É algo muito bom. Parabéns. É, eu assim, eu acho a arte, ela é tão tão incrível como você falou, né? Com relação à música. Eu vejo a música curar muitas pessoas na minha frente. Ah, sem dúvida. Ali dentro da minha sala de aula, as pessoas elas vão se soltando. E porque chega muita gente para mim com a voz presa, completamente presa, assim, quer cantar, mas a voz não sai. E aí de repente a gente vai buscando, vai vai mexendo e tudo é vibração, né? Tudo é energia. Ah, com certeza. E em algum momento ela começa a acessar esse lugar dentro dela, né? eh, de que por que que eu não consigo, por que que ela não vem, por que que essa voz não sai? E então a gente chega num impasse, é muito louco isso. E a partir do momento que ela começa a se olhar, a se conhecer, essa voz começa a vir. Então é um processo realmente que eu vejo assim de cura, de situações que às vezes a pessoa passou na infância, olha que louco. Olha só, gente. É, passou na infância e aquilo vai vai remexendo, vai remexendo e em algum momento isso vem à tona e aí essa pessoa ela se abre, ela chora. Nossa, é, não acontece de tudo numa sala de aula de canto, meu amor, pelo menos na minha m acontece. E essas aulas de canto são apenas para quem quer cantar ou não? às vezes é uma pessoa que não tem nada a ver com com a não quero cantar, mas quero fazer aula de canto. Não, é super aberto, porque assim, eu acho que o lance do cantar eh mais do que você pegar o microfone e sair cantando pras pessoas, para, enfim, é se conhecer. A partir do momento que você conhece a sua voz, você passa a conhecer você mesmo. Com certeza. O que mais eu ouço, eu não gosto da minha voz. Isso é o que eu mais ouço. As pessoas que chegam para mim, ah, eu não gosto da minha voz. A, eu ouço a minha voz no telefone, eu falo: "Nossa, minha voz é desse jeito". Eu acho que você já deve ter escutado, ou se não escutado, alguém já próximo já deve ter falado, porque é uma das coisas que eu mais escuto. Como é que você não vai gostar da voz que você tem? Se você não gosta da sua voz, você não gosta de você, lógico. Senão você não aguenta nem ficar perto de você mesmo, né? Então assim, é um é um autoconhecimento. Quando ela começa a entender a própria voz, começa a se ouvir, ela começa a gostar, porque ela passa a realmente se escutar, a ouvir a si mesmo. É uma outra história, porque às vezes as coisas vão acontecendo, as pessoas vão falando, vão vai vivendo, mas não se nem se conhece, não sabe nem o que gosta ou deixa de gostar. Então é um trabalho bem profundo, é muito mais do que cantar simplesmente é se conhecer. É se conhecer. E a partir daí as coisas caminham. Certas canções me chegam ou como se fosse um amor. Contos da água e do fogo, cacos de vida no chão. As do sonho do povo e o coração do cantor. Vida e mais vida ou ferida, chuva ou outono ou mar, carvão e desabrigo. Bom, Ana Paula Morete, o tempo passou rapidão, viu? E eu não poderia deixar de também pedir para você passar algumas orientações paraas meninas que estão começando aí na na música, que tem o sonho de ser como você, por exemplo. Olha, eu eu ouço tanta coisa bonita. Isso me traz uma paz, uma felicidade assim de ver o quanto a gente consegue chegar dentro de alguém, quanto a gente consegue tocar alguém através do que a gente ama fazer. E eu acho que isso independe. Eu eu canto, mas isso pode ser em qualquer profissão. Então, a partir do momento que você é feliz com o que você faz, uma das coisas que eu mais amo na minha vida, eu não reclamo do que eu faço. Olha só, gente, isso eu acho isso tão bonito, não é bonito, mas é. E e parece que é uma coisa tão óbvia, mas não é não. Porque o que a gente mais vê na vida é as pessoas reclamando do que faz. Reclamando. Eu saio feliz assim, eu posso estar cansada. Estou, estou agora cansada. Estou porque eu venho trabalhando muito, mas eu amo o que eu faço de segunda a segunda. Eu trabalho esses dias, porque você, né, tem o seu trabalho de de fono, né? Tenho meu, na verdade eu nem sou fono, né? Eu eu sou professora de canto, estou terminando o estágio da fonodiologia porque a faculdade eu já acabei faz uns 3 anos, mas o estágio eu fiz uma metade, agora tô voltando para terminar. E mas eu faço um trabalho na Unicamp junto com os fonos e os otorrinos. Então, todas as segundas-feiras, super envolvida, né? Super envolvida. Me convidaram, eu fiquei muito honrada de fazer parte de um de uma equipe onde eu vejo tantas histórias, tantas dores, tanto sorriso, sabe? é um é um ambiente, o ambiente hospitalar é um ambiente muito cheio de de sentimentos, assim, de todas os possibilidades. Então, se eu estou lá, se eles me convidaram e eu posso contribuir com o sorriso de alguém, com a voz de alguém, isso me deixa muito feliz. não tem preço. Então eu vou todas as segundas-feiras paraa Unicamp fazer esse trabalho junto com grandes profissionais, encabeçado pela Cléo Antonioli, e pelo Joel Sant Joel Santana. Eu falo Joel Santana, não é o treinador. Você acredita que eu falei o Joel Santana no show do Flamengo? É, não, não fale Flamengo para mim não, pelo amor de Deus. palmeirense. Eu chamo ele Joel Santana toda vez por causa do técnico. No último show ele tava na plateia, aí eu falei: "Gel Santana". Falei: "Não, Gel Pinheiro, Joel Pinheiro. Santana é o treinador. Toda vez eu confundo". Joel Santir, é Joel Pinheiro, que é um baita de um de um de um fonudiólogo. Então assim, o que eu acho é: faça o que você ama fazer. Se você ama cantar, se você ama atuar, se você ama, enfim, dar aulas, vai pro que você gosta, porque a isso vai te fazer bem, isso isso não vai te adoecer, isso não vai te adoecer, isso vai te curar. Valeu, muito obrigado. Eu que agradeço. Que prazerzão é tá receber você aqui no Conexão Cultural. Depois vai pro YouTube, dá para todo mundo ver, além de rodar aí na programação da TV, tá? Agina, fico muito feliz. Obrigada. Valeu, muito obrigado. Eu que agradeço. Bom, é isso aí, pessoal. Primeiro bloco aqui do Conexão Cultural. A gente volta no outro bloco, no segundo bloco com Andreia Preta. Até lá. [Música] Calor que invade arte, queima, encoraja, amor. Que invade arte, carece de cantar calor. Quem invade arde queima encoraja amor. Quem invade arde carece de cantar calor. invade arte, queima, encoraja amor. Que invade arte, carece de cantar calor que invade ade queima encoraja amor que invade a ar de carece de cantar. [Música] E foi assim, reencontrei o amor dentro de mim. Era tão vivo como nunca foi, nunca vi, nunca eu, nunca vivi. Foi assim livre partiu de mim, saí em busca de mim mesmo. É o melhor recomeço. É o melhor recomeço. É o melhor recomeço. Conexão cultural de volta agora no segundo bloco também com uma artista super especial. Estamos com Andreia Preta. Tudo bem Andreia? Muito obrigado por nos atender. Eu que agradeço pelo convite. Bora falar um pouquinho sobre sua história. Você é super conhecida também. No primeiro bloco entrevistamos a Ana Paula Morete. Portanto, um programa aí super especial. Como você iniciou aí a carreira na arte, na música? Começou no forró, né, que eu sei. Comecei no forró, família do Nordeste. Então assim, para mim a sanfona foi o primeiro instrumento que eu vi na minha vida, que tinha um sanfoneiro chamado Cícero Barbosa. E eu nasci nessa rua na Vila Nova ali na Boarque de Macedo, né? uma rua bem conhecida quando sai de Barão Geraldo cai nela e só que a minha família é do Nordeste, então para mim o forró sempre foi inserido na minha vida, né? Mesmo eu não estando lá, estando aqui em Campinas, é uma coisa assim que eu tenho de coração, de alma. Eu pedia paraa minha mãe, quando eu tinha uns dois aninhos, eu mal falava e eu falava: "Mãe, Tito, mãe, Tito". Era o Cícero, eu quero lá no Cícero ouvir a sanfona. Então ele tirava a sanfona para mim e ele na hora que ele tirava da da do bag, né, da da sanfona, que eu via aquela sanfona gigante assim, eu ficava maravilhada. Então é um é para mim o forró é um carinho imenso na minha vida. Boa. Então desde pequenininho aí você teve esse contato com a música, né, Andreia? Sim, sim. A gente fazia forró no quintal de casa. Como que passou do forró pra música popular brasileira? Que você se destacou muito, né, nessa área, né? Sim. Eu acabei migrando pro samba. Eu casei, fui morar em Minas Gerais, separei, voltei em 2011. Aí cheguei aqui, procurei músicos. Aí um dos músicos, o Adriano Dias, eu falei: "Adriano, voltei, separei, preciso voltar pra música campineira, me ajuda?" Ele falou: "Você vai cantar samba?" Eu falei: "Nossa, mas eu nunca cantei samba". Ele falou assim: "Vai tirar de letra". Eu falei: "Mas como que eu canto samba? Como que a gente aprende a cantar samba?" Ele falou: "Vai paraas rodas". Aí eu ia para todas as rodas de samba e aí para pegar o gingado, porque a voz ela tem um sotaque, né? Cada cada eh, como fala? Cada tô aqui com Douglas Ferreira, que é um grande violonista também. É, já vou apresentá-lo já. E cada segmento musical tem o seu, tem o seu sotaque, né? Então a gente tem que ir na ginga ir pegando isso, porque não é uma coisa que se estuda, é uma coisa que se vive boa. É isso. Como você vê hoje Campinas assim em termos de música, esse é o nosso assunto aqui, o protagonismo, né, das mulheres em Campinas na música popular brasileira. Eh, mudou bastante ainda. Falta, evidentemente, para ganhar espaço, né, se igualar, talvez. Sim, mas já já houve a voz, já tem muita coisa. Eu participei de um festival das manadingas que que são mulheres que tão comandando aí, tocam. Então tem mulheres tocando e violão sete cordas, tem tocando cavaquinho, tocando olha só que legal. Coisa que você não via antes, né? É uma coisa impressionante. Você tem tudo são você não via isso antes, né? Exatamente. Mulher tocando cavaquinha, né? Hoje Hoje a gente vê com mais frequência, né? Sim. 2018 eu participei de um festival de forró e o forró ele é muito protagonizado por homens, né? E eu participei desse festival e só tinha eu de mulher. E aí eu lembro muito assim de falarem, comentarem isso. Nossa, só tem você de mulher cantando e como compositora também. Não tem outra, não tinha ninguém mais. É, e esse é o tema justamente aqui do conexão de hoje e agora é que são elas, porque houve de fato, né, esses avanços e a gente espera que cada vez aconteça mais, né, André? Com certeza. Bom, Douglas Ferreira também costuma cantar com você, né? Toca comigo, toca com muita gente boa. Ele toca. Tudo bem, Douglas? Beleza. Tem um trabalho lindo, maravilhoso. Boa. Tá preparado aí para cantar pro Conexão Cultural aqui? Vamos, vai ser um prazer. Vamos lá então, Andreia, o pessoal em casa tá querendo música, então vamos, vamos tocar primeira aí. O que que você preparou pra gente? Tá certo? Bom, pensando aí que a gente começa no forró, eu tô sempre inserida no forró, no samba. Eu vou começar com um forrozinho que todo mundo conhece, que é o Feira de Mangaio do Grande Civque, Golarinha Gadelha. É isso aí. Bora lá então. [Música] Fumo de rolo, reio de cangalha, eu tenho para vender quem quer comprar. Bolo de milho, broa e cocada, eu tenho para vender quem quer comprar. Pé de moleque, ale canela. Moleque sai daqui, me deixa trabalhar. Isé saiu correndo pra feira dos pássaros e foi passo voando para todo lugar. Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangairo ia se animar, tomar uma picada com lambo assada e olhar pra Maria do juá. Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangairo ia se animar, tomar uma bicada com lambo assada e olhar pra Maria do juá. E também tinha reco, recu lamb, lamb, pulandeira, tinha o lua e o porró tão bom de se dançar. Tinha juca ciranda ciguela. Sonho de donzela titico no fubá. Cabreço de cavalo e rabichola, eu tenho para vender quem quer comprar. Farinha, rapadura e graviola eu tenho para vender quem quer comprar. Pavio de cangiro, panela de barro. Menina, eu vou me embora, eu tenho que voltar. Chau, meu roçado que nem boi de carro. Apagata de arrasto não quer me levar. Tem um sanfoneiro no meio da rua fazendo floreio pra gente dançar. Tem zefa de purcina fazendo renda e o ronco do fo sem parar. Mas é que tem um violeiro no meio da rua fazendo floreio pra gente dançar. Tem zefa de purcina fazendo renda e o ronco do fle sem parar. E também tinha recorr e o forró tomou de se dançar. Tinha Jacin da Criguela, sonho de Donzelo, tico tico no fubá. E também tinha recu recu lamb lambandeira. Tinha o lua e o forró tão bom de se dançar. Tinha Jacinando a Ciguela, sonho de Domélio, tico tico no fubá. Boa, coisa linda, hein? Começar aí o segundo bloco do Conexão Cultural dessa maneira é tudo de bom, né, Andreia? Parabéns aí para você, pro Douglas. Obrigada. Obrigada, pô. Sensacional. Eu fiz essa pergunta também no primeiro bloco pra Ana Paula. Onde em Campinas você acha que tá tá legal assim para pro pessoal curtir uma música, uma música popular brasileira, um forró? um samba. Sim. Bom, Barão Geraldo a gente tem um protagonismo muito grande musical por conta da Unicamp, né? Então acaba rolando festas, os bares também como o Goma. Acho que o Goma é um dos locais assim que sempre foi muito bom de música, né? Reunia muita gente boa. Eh, a gente tem a Estação Santana começando aqui, mas que eu acho que promete, é um local que vai prometer bastante em Souzas. Eh, enfim, hoje a gente perdeu um pouco da conexão aqui no centro de Campinas porque, infelizmente, com a pandemia fechou é o Tunicos Boteco, que era uma referência pro samba, né? Então, mas com a volta do centro de convivência também acho que dá uma agitada boa aí na vejo a hora de tocar lá, se apresentar, de começar, de se apresentar, enfim. E aí assim, eu andei fazendo alguns projetos, por exemplo, com músicos da Sinfônica, Camerata Campinheira, que foi muito legal. A gente fez um projeto chamado Outros Sertões, onde a gente permeia esse esse campo da música nordestina. Eh, o samba ele tem muito, o Douglas também pode falar, o samba eu acho que ele tá meio inserido em rodas, tem muita coisa feito na rua hoje. Então, por exemplo, tem feiras eh acontecendo roda de samba no Nova Nova Europa, não, na São Bernardo. No São Bernardo, tem uma fira onde acontece rodas de samba. Eh, em Barão Geraldo tem também, né? Eh, assim, eu não sei agora de rua o que que tem, mas enfim, tem alguns bares, muita coisa acontece em Barão. Você costuma tocar onde, Douglas? Ah, eu toco bastante com o pessoal ali de Valins, né, o samba da Tiar, que é patrimônio cultural da imaterial, né, da cidade de Valinhos. Eh, a gente se apresenta bastante ali no Reúne, né? Ah, tem o reúne, reúne é um lugar. Inclusive, eu vou até pegar uma uma palavrinha sua, Douglas, que o nosso assunto não é o protagonismo das mulheres hoje em Campinas, né, na música popular brasileira, inclusive com o tema agora que são elas. Como você avalia isso? Você acha que mudou? Hoje você toca até com mais e mulheres, antes não acontecia isso. O que que você pode falar sobre isso, Douglas? Ah, sim. Historicamente no samba, né, a gente tem uma um cenário, né, no qual as mulheres eram praticamente impedidas de tocar assim, né, pela muitas vezes por seus maridos ou por seus pais, sempre por figuras masculinas, nunca foi bem visto. E agora com com essa essa nova onda, né, eu acho que esse pensamento mudou bastante, né, melhorou muito. Eu vejo assim, eu dou oficinas de roda de samba, né, e a procura, é uma delícia a roda de samba, né? A procura de mulheres é muito grande assim. Querem espaço, querem tocar, querem compor, querem cantar e mandam muito bem quando chegam. São dedicadas, são estudiosas assim, são perfeitas para aprender os instrumentos. E você se interessou por música como? Desde moleque ou não? Eu desde os 6 anos de idade, né? Influência do meu pai. Aí, É, seu pai também é músico. O meu pai ele amava música, mas ele não teve muitas condições de aprender a tocar assim. Então, ele incentivou os filhos, né? Meu irmão é pianista e eu fiquei pro pras cordas. Que legal, que bacana. Bom, eh, podemos cantar mais uma? Podemos. Que que vocês prepararam aí? Que que um sambinha vai? Uma música popular brasileira. Que que vai? Vai. Vamos escolher um samba aí. Vamos. Quer fazer aquele Paulinho do Aviola? Pode ser. Vou fazer um samba que não é tão conhecido, mas é de uma boniteza gigante do Paulinho da Viola, chama Coração Vulgar. Boa. Vamos lá então. [Música] Morre mais um amor no coração. Vulgar. [Música] Deixa desilusão a quem não sabe amar. Morres mais um amor no coração. Vulgar deixa [Música] desilusão a quem não sabe [Música] amar. E quem não sabe amar há de sofrer, porque não poderá compreender. O amor que morre é uma ilusão. E uma ilusão deve morrer. O amor que morre é uma ilusão. E uma ilusão deve morrer. O verdadeiro amor nunca fenece e pouca gente ainda o conhece. Meu bem, se o teu amor morreu, é porque ninguém o entendeu. Deixa o meu coração viver em paz. O teu pecado é querer amar demais. Morre mais um amor no coração. Vulgar [Música] deixa [Música] desilusão a quem não sabe amar. Deixa desilusão a quem não sabe amar. [Música] Que isso, hein? Parabéns. Coisa linda, ó. Palmas. Eu escuto. Eu não é a música já me lembro o final de semana tomando uma cervejinha. Meu Deus do céu, que coisa linda, né? Eu tava lendo um pouquinho aqui o o release que vocês mandaram e tudo mais. Eh, hoje você disse que tá cada vez mais difícil viver só da música. Sim. E depois da pandemia eu comecei a repensar um pouco. Acho que a gente tem que ter um plano B. No Brasil é difícil ter uma pessoa que não tenha mais de uma função hoje, né, assim, para poder fazer render e pagar as contas e tudo mais. E aí eu saí um pouco da utopia de que eu queria viver apenas da música. Claro que é meu sonho viver da música. Eu acho que de todo mundo que de todo mundo que tem a alma com a música, né? Eu falo que a música escolhe a gente, não é nem a gente que escolhe a música, não é isso? Com certeza. E mas aí eu resolvi voltar a CCLT. Eu sou formada em administração pela PUC. Eu falei: "Deixa eu usar o diploma, vai". E aí hoje eu trabalho, né? diploma, porque você vai envelhecendo, você começa a ficar preocupada. Eu já tô com 52 anos, não tenho nenhum problema em falar minha idade. E aí eu falei: "Não, eu vou correr atrás porque eu quero ter uma vida um pouco mais digna e continuar fazendo o que eu amo, que é a música". E o meu trabalho me permitir isso. Tanto que eu tô aqui fazendo entrevista, era para eu estar trabalhando agora. Então é aí, então eu tenho essa maleabilidade no meu trabalho. É isso. Boa. E qual o recado que você deixa, Andreia, paraas meninas que estão começando hoje na na música, que tem um sonho, de repente de de seguir os seus passos, por exemplo, quais as dicas, quais as a as orientações que você deixa pra galera que está conosco assistindo ao Conexão Cultural? Olha como eu sou de uma geração que foi um pouco tolhida mesmo assim, né? De então, ai marido não gosta que você cante tanto ali, ai porque tem noitado, ai porque então eu tava sempre preocupada com o que os outros queriam, pai, mãe queria, enfim. Então eu sou de uma geração que eu me preocupei e comecei tardeamente na música. Eu sempre quis a música. Então, a gente tem que correr mesmo atrás do nosso sonho, estudar o que a gente gostaria de estudar, eh correr atrás de fazer o que a gente gostaria de fazer, porque não adianta, né? A gente quando a alma pede, a gente tem que atender, a gente tem que fazer. Não tem como você ir com a ir na contramão disso aí, né? Exatamente. É viver infeliz isso não tem motivo, né? Hoje não tem por, né? Não, exatamente. Então assim, eh, tem muitos músicos que acabam deprimindo mesmo assim por conta de questões, né, de viabilizar o trabalho, às vezes é difícil. E aí, como eu disse, a minha solução foi conseguir um outro trabalho, ir atrás de outro trabalho. E e hoje trabalho numa clínica médica, né, administro uma clínica médica e e enfim. E aí, mas eh protagonizar mesmo assim, a gente tem que fazer por por nós, não depender de ninguém. Olha aí, né? Então eu acho que cada vez mais a mulher tem que se mostrar independente para que ela culturalmente ela seja livre. Eu acho que é isso assim, em todos os sentidos. Você na vida eh artística já enfrentou algum tipo de preconceito? Muitos, muitos. Então assim, mas eu também fui muito eh fui muito respeitada, sabe? Porque assim, diante da condição de palco, eu me senti muito mais respeitada do que trabalhando em empresas multinacionais, por exemplo, que você já tem aquela coisa do da do estereótipo da mulher, a gente, né, acaba eh passando por situações incômodas e que dentro da música a gente já tem uma uma situação um pouco mais a gente se coloca num lugar que ninguém tira, então que as pessoas pessoas respeitam mais, mas claro, às vezes eh acontece essa coisa do de preconceito, a de não valorizar tanto. Então, assim, né, a mulher se ser menos valorizada, isso também acontece na música, mas a gente vai criando condição de acontecer, de melhorar e de evoluir, né, em todos os sentidos. Acho que é isso. Deixa eu agradecer o Douglas também que participou conosco aqui, deu show aí no violão. Violão é uma coisa difícil para caramba, né? É um dos mais difíceis. É um dos mais difíceis, certamente. E ainda mais, não é? Eh, com com as câmeras ligadas, você tava falando, né, Douglas? Acaba sendo um pouco mais difícil, né? Tem muita gente que trava, mas você mandou super bem aí. Parabéns e muito obrigado por eu que agradeço p, né? convidei, ele veio prontamente aqui comigo e eu tô muito feliz com a presença desse grande músico. Obrigado, viu, Douglas? Obrigador. E também um agradecimento aí especial para você, viu, André? Muito obrigado por no Eu que agradeço. Nos receber para contar um pouquinho sobre sua história, falar sobre o protagonismo das mulheres hoje na na música popular brasileira, agora que são elas. Muito obrigado. D cito. Eu que agradeço. Valeu. Valeu, gente. Até uma próxima. Obrigado. Bom, é isso aí, galerinha. Conexão Cultural fica por aqui. Muito obrigado e até a próxima oportunidade. Tchau. Tem no ar, tem movimento. Tem argonê no ar, tem movimento. As folhas secas se [Música] tem o ar tem r. poder senhor [Música] Uh. [Música] Yes.