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Há histórias que transformam vidas e a do Hospital Sobrapar aqui em Campinas é uma delas. Fundado em 1979, o hospital se dedica há mais de quatro décadas à reabilitação crânio facial de milhares de pacientes que tiveram a dignidade e a autoestima recuperadas. E a essa história que você conhece hoje aqui no Campinas que deu certo. E para conhecer um pouquinho mais dessa história, a gente conversa agora com o Dr. Cásio Eduardo Raposo do Amaral. ele que é cirurgião plástico também filho do Dr. Cásio, fundador do Hospital Sobrapar. Doutor, muito obrigada, viu, por nos receber aqui. Um prazer para nós receber vocês aqui. Bom, doutor, fala então um pouquinho desse trabalho pra gente hoje. Quais são os principais casos atendidos por vocês e de onde vem também esses pacientes? Nós formamos uma equipe multidisciplinar aqui no Hospital Sobrapar, que é composto por diversos profissionais, não só da medicina, como da odontologia, fonodiologia, serviço social, psicologia, fisioterapia, enfim, é uma uma ampla gama de profissionais que oferece um trabalho bem específico para as crianças que chegam do Brasil inteiro. Essas crianças, normalmente 80, 70, 80% dessas da população atendida aqui são crianças que elas têm então a maioria delas deformidades congênitas que nasceram com algum problema, alguma síndrome que afeta o rostinho, o crânio e os tumores, né, os tumores óseos, tumores em crianças e também em adultos e os traumas que são aqueles acidentes de ah automóvel, acidentes domésticos e mordeduras de de animais, principalmente. cachorro. E esses pacientes, doutor, vem inclusive por convênio também do SUS, ou seja, esse atendimento é essencial também, não só paraa nossa região, mas para todo o estado. O atendimento é 100% SUS e as crianças vêm do Brasil inteiro porque muitas das do tratamento que é feito aqui, muitas das cirurgias são pouquíssimos lugares que oferecem até mesmo tem determinadas cirurgias que só o Hospital Sobrapar faz no Brasil inteiro. Então, essas famílias elas elas acabam tomando conhecimento, né, com do da do trabalho feito aqui na instituição por mais de 45 anos e elas vêm do dos lugares mais longincos, inimagináveis que eh de todo o Brasil, às vezes do interior da floresta amazônica ou às vezes países vizinhos, elas vêm em busca de um sonho de ser tratado, né? os pais principalmente, né, com aquela trazem seus filhos com aquela o sonho de ter os seus filhos reabilitados. Agora o senhor comentou que algumas cirurgias são feitas exclusivamente exclusivamente aqui na sobrapar, né? Quais são elas? O senhor pode detalhar pra gente? Sim, algumas delas, como tem uma uma determinada síndrome chamada síndrome de apert. A síndrome de apert, a criança nasce com deformidades no crânio, no rostinho, né, nas mãos e nos pés. A a deformidade das mãos, ela pode ser em três graus. O grau um menos grave e o tr o grau três o mais grave. No grau três, todos os ossos da mão são fundidos e formam uma mão que é chamada na literatura como botão de rosa. A mão parece realmente um botão de uma rosa, de tão fechado que é. Os ossos estão são completamente unidos. E o que a gente consegue oferecer são cinco dedinhos para todas essas crianças. Então isso é algo único aqui, não só aqui no Brasil como no mundo, né? são poucos eh serviços que conseguem oferecer cinco dedinhos para todas as mãos, tipo três eh de apert. Então isso motiva as famílias a a as a virem de lugares tão inóspitos, né, tão longincos, em busca de ter as mãos habilitadas, o crânio afasta os pezinhos também e busca no sonho, né, de se aproximar da normalidade o máximo possível. [música] Agora, além dessas histórias, dessas transformações, né, doutor, vocês atendem também casos de crianças que foram atacadas por cutibu, por exemplo, por cães e até aqueles pacientes que vem de acidentes, né, que tem traumas também na face também é uma recuperação importante feita aqui. Sim, a gente tem um eh um convênio, né, com a Unicamp que nós recebemos inúmeros pacientes que hã foram submetidos a um primeiro atendimento lá e tiveram o crânio removido para salvar o paciente por conta de um trauma crânio encefálico, acidente de moto, acidente de trabalho, uma queda de andare. Eles fazem o atendimento, a neurocirurgia atua lá e para reconstruir eles mandam para cá para que a gente possa então ah reaver, né, a a anatomia perdida, né, normalmente o osso, porque a perda do osso no crânio, ela tem um impacto muito grande na nessas nesses pacientes. El as crianças, as pacientes elas perdem força, elas perdem a mobilidade, né? Elas eventualmente afetam a fala. Então a reconstrução ela ela tem inúmeros benefícios para essa gama da população que sofre o trauma cranencefálico. Além dessas pacientes que sofreram o trauma cranicefálico, nós temos aquelas sequelas que são sequelas de queimadura ã de diversos graus, né? queimadura elétrica, queimadura por escaldo, né, por água quente, que são encaminhadas aqui para para depois de um atendimento inicial para serem reconstruídas, porque muitas dessas têm dificuldade de movimentar o pescoço, movimentar os braços, abrir as mãos e recebem todo o atendimento aqui. E como a senhora me bem mencionou, né, as mordeduras de de cães também uma pequena gama da da população ah mais pediátrica até que acabam tendo às vezes o lábio arrancado, o nariz arrancado, as orelhas, né, por um ataque de um cão [música] bravo, né, que ã acaba criando uma situação ah trágica e bem devastadora para pra família e e pra criança principalmente. [música] E o Sobrapar é uma referência em todo o país. Prova disso que a gente tá aqui agora com a Adriana, ela que é mãe do Miguel de 7 anos. Eles vieram de Goiás para esse atendimento aqui no Sobrapar. Adriana, conta um pouquinho pra gente como é que começou a história de vocês aqui com o hospital, como vocês chegaram até aqui. Eh, como você falou, né, nós somos de Goiás, próximo à Brasília, tinha tratamento lá, mas lá eh nós ficamos sabendo que era muito demorado o tratamento. Tivemos boas referências aqui do hospital, uma mãe de uma paciente, né, indicou e da mesma cidade nossa e marcou para nós aqui quando ele tinha três meses, foi quando ele já iniciou as consultas, já saiu com cirurgia marcada, então ele já, né, ele como ele nasceu com lábio e o palato aberto, ele já nasceu, já saiu com a cirurgia do lábio marcada. Então, com 4 meses ele fez a cirurgia do lábio [música] e desde então a gente vem fazendo esse todo esse acompanhamento aqui no hospital. E hoje com sete aninhos ele continua esse acompanhamento, né, como você diz, como tem sido ver o desenvolvimento dele, a transformação também por meio desse trabalho? É importantíssimo, né? Porque aqui é um trabalho multidisciplinar, então a gente, né, ele passa por médicos, dentistas, psicólogos, finudiólogos. Então é muito importante ver esse desenvolvimento dele, eh, e ver o tanto que ele tá bem, o tanto que ele desenvolveu e que a gente sabe que ainda tem muito pela frente, mas que ele é tão bem tratado. Vale a pena vir de Goiás para esse atendimento? Vale pena. Vale a pena sim. Você veio fazer o que aqui? Colocar a parede. Colocar a parede de cima. F. Ah, é. E para que que é o aparelhinho? Para [risadas] para consertar os dentinhos. Para consertar os dentinhos. [música] E uma dessas inúmeras histórias com o final feliz aqui na Sobrapar é a história do Carlinhos. E a gente vai conversar agora com a Adriana, a mãe dele, que tá aqui conosco. Adriana, obrigada também por falar com a gente. Queria que você contasse um pouquinho pro pessoal em casa a história do Carlos, como começou também o atendimento dele por aqui. Ah, sim. Bom dia. [música] Eh, o atendimento do Carlos, o Carlos veio aqui com seis aninhos de idade. Ele [música] veio transferido pela para Sobrapar. Eh, ele veio com ele tem uma síndrome de Fifer grau dois. Eh, estava com os olhos para fora, a boquinha dele fora do lugar também. E [música] o Dr. Carlos, o Dr. Cássio, ele foi fazendo um trabalho maravilhoso, né? Ele falou que ao tempo iriam fazendo as cirurgias do crânio. [música] Então, foram feitas três cirurgias e a gente aí foi vendo assim que o o resultado era maravilhoso. E há dois anos passado ele fez uma cirurgia que chama avanço. esse avanço, ele colocou os olhos dele para dentro, ele trouxe a boca pro lugar certinho e foi maravilhoso porque a vida do Carlos se transformou. Eh, agora mudou completamente, eh, tem mais amigos, não fica mais incluso. Então, ele tá tá incluído assim na sociedade de, digamos. E em relação ao hospital que você tem me perguntado, o hospital é maravilhoso, Dr. Cássio, principalmente porque ele que está à frente de tudo. E o trabalho que é feito aqui [música] é um trabalho maravilhoso, é um trabalho que te dá, é, deixa assim a família com muita segurança. Então, quando você traz seu filho aqui, você não tem aquele receio, será que vai dar certo? [música] Será que vai ser funcional? Então, todas vezes que foram feitas as cirurgias aqui, [música] foram funcionais. Então, eles são muito dedicados, estão de parabéns [música] toda a equipe sobrepar, desde ambulatório, recepção, eh, até centro cirúrgico, não só cásio, porque é uma família. E o que eu acho mais assim bonito, mais interessante, é que eles trabalham e não, eles não colocam só o saber deles, a o entendimento que eles aprenderam, eles trabalham com o coração. Então eles [música] trabalham com muito amor. Por isso que a sobrepar é a sobrepar. [música] E a gente conversa agora com uma pessoa muito especial nessa história e essencial também, que é a Dra. Vera, ela que é presidente do Hospital Sobrapar e esposa também do Dr. Cássio, que fundou esse projeto. Dout. Vera, muito obrigada por nos receber aqui. Nós é que agradecemos a presença de vocês. É sempre uma alegria recebê-los aqui. Bom, Dra. Vera, conta pra gente como foi a ideia da fundação desse hospital, qual que era a visão do Dr. Cássio quando ele fez então a o início, né, a fundação desse projeto. [música] Então, o Cássio, depois de se formar médico no Brasil e se especializar em cirurgia plástica, ele foi terminar a especialidade dele nos Estados Unidos [música] e depois na França. E lá ele conheceu os cirurgiões, que foram, na verdade, os criadores da técnica cirúrgica, que permite a correção das anomalias, das grandes anomalias craniofaciais em crianças e que essa técnica foi desenvolvida do com soldados que tiveram as faces esfaceladas durante a Segunda Grande Guerra Mundial. e ele foi lá estudar e aí se entusiasmou. [música] Quando ele, nós voltamos, ele já foi contratado pelo professor Zferino Vas, que estava começando a Unicamp para eh organizar a disciplina de cirurgia plástica. Então, quando ele veio para cá, ele já conhecia um modelo de [música] uma instituição que tratava dentro do New York University Medical Center, que já tratava somente dessas crianças portadoras de anomalia. Então ele trouxe a ideia pro Brasil, mas eh acreditou que precisaria um um hospital específico para essa condição, que ele e essa condição para ser operada num hospital geral com muita demanda seria praticamente impossível pra nossa população. que como não existia nada, nem sequer [música] instrumentos cirúrgicos e para operar esse tipo [música] de de anomalia, ele que começou tudo, quer dizer, ele foi o grande iniciador das técnicas, inclusive internacionalmente ele é considerado criador de muitas das técnicas e também considerou que era necessário construir um hospital. E aí [música] ele juntamente eh com várias pessoas da sociedade [música] se reuniram e começaram a batalhar para construir o hospital. Agora, Dra. Vera, esse projeto ele é financiado por convênio do SUS, mas também por outras fontes, né, como o bazar, por exemplo. Qual que é a importância hoje desse projeto para manter também esse trabalho? Nós trabalhamos basicamente com o SUS, né, com uma população que invulnerabilidade social e que precisa dessas cirurgias, porque essas cirurgias são muito caras e não seria a possível eh [música] que a população brasileira tivesse acesso a um tratamento completo se não fosse um hospital como esse. E como o SUS não cobre essas cirurgias, nós trabalhamos com inúmeros projetos, certo? [música] Tem o projeto Adma Cirurgia de crânio, tem o o as outras fundações que eh de alguma forma apoiam as nossas equipes interdisciplinares no trabalho de ortodontia, de odontologia, de odontopediatria, de fonudiologia, de psicologia, de psicopedagogia. E tem o bazar, aonde as pessoas dão aquilo que não precisam mais e nós arrumamos, vendemos e tudo que entra no bazar vem [música] para o hospital. hoje representa 12% do nosso orçamento, o que é bastante. Então, eu acho que eh a comunidade inteira de Campinas de alguma forma está presente, nem que seja no quadrinho velho da sua casa que não quer mais, até um sofá, uma geladeira que vem aqui, é doado e esse dinheiro vem direto pro nosso hospital. E é esse conjunto de condições eh financeiras que faz o nosso hospital seguir em frente com seus projetos, progredindo e há famílias que doam, [música] famílias que têm recursos bastante importante e que realmente [música] eh abraçam a nossa causa, vem conosco, sentem a importância e principalmente sentem que cada centavo que entra dentro desse hospital é tratado com maior carinho pro bem-estar do paciente e para que ele tenha uma vida nova, uma vida de esperança e que cresça como um cidadão saudável, integrado e que vai cumprir o seu destino [música] através da vida. เฮ [música] [música]