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O ginásio da Ponte Preta aqui em Campinas é a casa do S21 Futsal Down, um projeto que transforma vidas de pessoas com síndrome de Down através do esporte. E essa é a história que você conhece hoje no Campinas que deu certo. [música] E a gente conversa agora com o Maurício Carvalho aqui ao meu lado. Ele que é coordenador e idealizador também de todo esse projeto. Maurício, a ideia surgiu em um café bem famoso aqui de Campinas e um bate-papo. É isso? Isso mesmo, Taila. agradecer a TV Câmara, você pela oportunidade. Ah, teve início em 2015 num café, né? Eh, lá no Café Regina, onde a gente costuma se encontrar, ah, com mais dois grandes amigos, o José Peixotão, que é o nosso técnico, né? É professor de educação física, fisioterapeuta e o Marcos Ríbuli, fotojornalista esportivo, que tem um filho com síndrome de Down, o João Pedro. Ah, e eu sou pai do Rafael, eh, que tem 29 anos com síndrome de Down. E o sonho comum era ter uma equipe de de futebol. Ah, já havíamos eh realizado algumas ações ah junto à Ponte Preta. Ah, e através dessas conversas, né, a um podia, outro não. Até que em 2019, depois de 4 anos, nós iniciamos efetivamente o projeto, né, com a parceria da ponte, ah, que nos cede a o nome para para poder jogar em nome da ponte, que para nós é muito importante, dá mais visibilidade ao projeto e a esse ginásio onde a gente treina, manda jogos, eh, e é um projeto de construção coletiva, eh, realizado através de de profissionais e de pais voluntários. Eh, nós iniciamos com oito atletas, hoje são mais de 100 atletas. é a primeira equipe do Brasil com divisão de base, com crianças a partir de 4 anos de idade e nós viajamos o Brasil para ah abrir novas equipes. Não estamos vendendo franquia, não, não é isso. As pessoas com síndrome de Down, elas têm que ter oportunidade de poderem fazer o que gostam. E o futebol, como é paixão nacional, é cultural, ah, uma grande maioria de pessoas com down acaba se envolvendo, né? Eh, há o engajamento do dos pais, das famílias e cada um vai fazer da melhor forma. E o esporte como um agente transformador para esses alunos com síndrome de Down, qual que é o poder desse esporte na vida deles? Eh, eu costumo dizer, e é verdade, né? faz eh 29 anos que eu tô aprendendo a ser pai e sobre síndrome de Down. Nesse tempo todo, eh, eu posso te afirmar que, eh, não existe nada comparável em termos de evolução para as pessoas com síndrome de D, seja ela na parte da saúde, na parte física, mas principalmente na parte do empoderamento. Eh, a alegria deles poderem conviver com pessoas com síndrome de Down de todas as idades. é muito rico, né? As famílias acabam se envolvendo, trocando eh muitas ideias, porque é um é um momento de congraçamento. E a gente costuma dizer também, não é só futsal, é muito maior que isso, né? Agora, como é que surgiu essa ideia de vincular todo esse projeto à Ponte Preta e como é que foi conseguir essa parceria? Eh, era o o nosso maior sonho, né? eh por conta eh das ações que a gente já havia desenvolvido com a Ponte, ah, de levá-los para conhecer o estádio, de entrar em campo com os atletas profissionais. Ah, e quando eh surgiu a oportunidade, surgiu através eh de um diretor da Ponte Preta na época, o André Carelli, ah, que nos convidou para saber o que que a gente precisava. E nós fomos, eh, categóricos em dizer que, olha, vamos começar pelo que a gente não precisa de dinheiro, né? Nós queremos o nome dessa instituição centenária, porque vai dar mais visibilidade pro projeto. Ah, e o ginásio para treinar. Eh, no momento eles disseram: "Pô, mas é só isso?" Fala: "Se vocês tiverem um jogo de camisa para nos doar, ajuda muito." Ah, e de lá para cá, já são quase 7 anos. a gente completa agora no mês de julho, eh, a coisa só aumenta, o projeto só aumenta. Temos eh atletas não só de Campinas, mas muitos atletas de fora, de Santana do Parnaíba, de São Paulo, de Mogi Mirim, de Valinhos, Vinhedo, Itatiba, Hortolândia, ah, enfim. ah, não param de chegar atletas, né? E a gente, o nosso olhar eh, é pro futuro, né? O propósito do nosso projeto é fazer com que a próxima geração de pessoas com Down ah esteja numa condição de saúde muito melhor do que dos nossos filhos já com essa idade que eu relatei, né? Eh, 29, 30 anos. Eh, eu não posso deixar de falar da dos profissionais que fazem parte do nosso projeto, o professor José Peixotão, professor Gabriel e o e o Cássio, além de pais que nos ajudam efetivamente, né? E a gente fica muito feliz por a gente já é muito bem acolhido na entrada do ginásio pelos funcionários da Ponte Preta, né? pelo seu Ovío, pelo seu Mauro, eh, que se tornaram parte da família Ponte Preta S21, né? A gente tem histórias maravilhosas, relatos maravilhosos de pais, né? Eh, sobre a evolução dos filhos, né? né, o que eles eh não faziam e estão fazendo hoje por conta dos dos treinamentos, dos jogos, enfim, eh nós nunca iríamos imaginar eh chegar aonde nós chegamos. Ah, e tudo que é feito aqui é feito com pedido a Deus para que conduza da melhor forma. E a Cleusa Ferrer é voluntária do projeto, também mãe de um dos atletas. Cleusa, como é que vocês chegaram até a equipe e souberam desse trabalho? Olha, eh nós chegamos através do convite do do Peixotão, que é o Zé, através do Maurício, que já somos amigos há muito tempo, que depois que eles criaram o projeto, veio o convite e nós começamos a participar desde o início. E Juliano, seu filho, participa. O que que você notou de diferente, né, desde que ele começou a participar desse projeto? Muita diferença, sabe? O crescimento, a autonomia, a independência, gostar mais do esporte, porque quase não praticava esporte. Eu acho que ele só fazia natação na época, mas ele se interessou e gostou muito e ama esse projeto até hoje. E aí a partir disso ele começou a praticar outros esportes também. Como é que é hoje? Olha, ele até começou no basquete, mas assim, não, mãe, eu quero futsal, eu amo isso. A paixão é o futsal. Paixão futa, como é que você se tornou também voluntária do projeto, passou a participar mais também da organização mesmo? É, como eu falei, né, a amizade que a gente já tinha, né, o Maurício, com Zé, tudo. Então, assim, a gente, por ser muitos amigos, muito amigos, a gente, eu, eu me propuso, fal, não, já que meu filho vai participar disso, eu também quero participar, né, como mãe, como voluntário, que precisar, eu ajudo, faço e estamos aí. Agora, traz benefícios pra rotina, pro comportamento, mas também pra saúde do Juliano. Você sentiu de diferente? muit mu saúde, o desenvolvimento dele fisicamente como emocionalmente, trouxe muita muita assim qualidade de vida para ele, sabe? Foi muito bom, é muito bom. Bom, e hoje qual que é a sua atuação aqui no projeto? É, hoje eu estou com presidente, né, do projeto. Eh, comecei esse ano como presidente, eu faço parte da diretoria já desde o início e esse ano eu estou como presidente. E o que que o projeto ele precisa hoje para quem quiser contribuir de alguma forma com esse trabalho? Existe a parceria com a ponte, mas vocês buscam outras parcerias e patrocínios também. É isso. Sim. Eh, nós procuramos parcerias, né? Eh, como já falou a respeito de de camisetas, uniforme para jogos e as pessoas que gostarem de ser parceiros, quiserem fazer doação, pode ser feito doação projeto ou tipo assim, eh, contribuir com com bola, com os os instrumentos, né, de para jogos. Pode ser dessa forma. Bom, e hoje eh a gente até conversou já com o Maurício e ele relatou que também é pai de um jovem de Down, ele relatou que faltava um espaço como esse voltado para as pessoas comig, né? O esporte ali voltado para eles com treinamento que é específico, um tratamento que é específico. Você sentia também essa ausência antes desse projeto? Sim, sim. antes do projeto, a gente não conseguia, por exemplo, o meu filho, eh, o que eu buscava para ele era sempre assim, eh, em conjunto com outras pessoas, né, mas não com pessoas com síndrome de Dal. Então, seria o quê? Um um esporte individual, né? Hoje não, hoje aqui todos são com síndrome de Dal. Então, para eles, eles se sentem assim, em casa, eles se sentem que todos são iguais, né? Eles não sentem, poxa, mas eh hoje eu só eu que tô aqui como síndrome de D, eu sou diferente? Não, todos aqui são acolhidos da mesma forma, né? Como é que é esse convívio entre eles? Ai, é magnífico. É uma festa, sabe? Todos são amigos, eles se cumprimentam, eles se compartilham, tudo que eles fazem. É sensacional a amizade, o entrosamento que eles têm. O Juliano, de 27 anos, é um dos atletas da equipe que participa desde o início desse trabalho. Juliano, o que que é o futsal hoje na sua vida? Que que ele representa para você? Ah, eu gosto e futebol, eu sou cacante, eu sou eu sou bom. Eh, bola. Hum. Eu chut gol. Eu sou foi rápido. Marca bastante gol. Então, sim. Tem que treinar bastante para isso. É isso. Como é que são os treinos aqui com o pessoal? Ah, muito ciente. E e já seca. E você fez muitos amigos aqui na equipe? Sim. É e canto. É cava. Eh, Renato, eh, Tôio e só. E hoje, eh, durante os treinos, como é que é, né, a interação com o técnico? O pessoal é bem exigente com vocês? Como é que são esses treinos? Sim, foi muito bom. E só isso. E antes disso, você já praticava algum esporte? Não. Não. Passou a praticar com futsal? Sim. Quer saber de algum outro esporte ou futsal? Não, não, não. É o seu favorito. É isso. O que que a gente pode trazer aqui para quem nos assiste, Maurício, de conquistas já da equipe? A gente tem atletas também premiados que fazem parte desse trabalho, né? Sim, por conta de todo de todo esse trabalho, eh nós temos profissionais na seleção brasileira. O nosso técnico José Peixotão faz parte da comissão técnica da seleção brasileira masculina. Eh, o nosso eh fotojornalista é o fotógrafo oficial da seleção brasileira, o Marcos Ríboli. E o professor Gabriel eh faz parte da comissão técnica da primeira seleção feminina de futsal down do mundo, que é a seleção brasileira. Temos hoje um atleta na na seleção brasileira que é o o Rafael Gava, eh tricampeão mundial, né, na na Turquia. E na seleção feminina hoje nós temos duas atletas, a Emily e a Ariane, né? Então assim, eh estamos muito felizes, né? e principalmente eh com o fato dos pais entenderem eh que os filhos eh estão amando participar de tudo isso, né? Eh, coisa que eh eles não tinham, era tudo segmentado, né? Eles procuravam academias de futebol, eh, oficiais para treinarem, mas eram deixados de lado, né? Aqui não. O protagonismo é deles, né? Tanto eu, eh, quanto todos os voluntários, nós estamos para apoiá-los, né? A a luz é deles, o brilho é deles, a alegria deles e e a gente é muito feliz de de vê-los felizes. Ou seja, Maurício, esse é um projeto de Campinas que deu certo? Deu muito certo e a gente tem levado o nome de Campinas pro Brasil todo. Cleusa. Então é um projeto de Campinas que deu certo. Deu certo. Deu muito certo, viu? Olha assim, é uma felicidade. Eu vejo no meu, em todos eles quando estão aqui treinando, a felicidade que eles vêm jogar. Se um faz gol, todos vão lá em volta, sabe? se abraçam, se cumprimentam, comemoram o gol que o outro fez, sabe? É muita felicidade, tudo de bom para eles, pros pais. Eu me sinto muito feliz com esse projeto. Cleusa, muito obrigada, viu, por falar com a gente que agradeço. Até mais. Bom, eu espero vocês no próximo Campinas que deu certo. Até lá.