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Um trabalho voluntário que começou em 2009 aqui no espaço Nova Jerusalém em Campinas e se tornou referência em toda a região. Hoje aqui no Campinas, que deu certo, você conhece o projeto Falcões do Judô, eleito três vezes o melhor de Campinas e região e que forma campeões. E a gente conversa agora com o Leandro, ele que é presidente do Falcões do Judô, tá aqui há quase 30 anos nesse projeto. Leandro, como é que você conheceu esse trabalho e ingressou também para fazer parte do projeto? Olá, tudo bem? Na, na verdade, o Falcões do judô nasceu eh de um de um desejo de de brincadeiras de crianças com com sensa e Francisco, né? Eh, o o Falcões é um um dos das oficinas que o serviço social tem, que a OSC tem. A OSC que esse ano faz 35 anos, eh, começou com 10 crianças e hoje nós temos mais de de 500 crianças atendidas. E comecei muito jovem, né, em 1994, eu comecei aqui como educador, fui fui passando eh como voluntário e quando o Falcões começou, como eu disse, foi uma brincadeira com as crianças e e aquilo começou a se tornar algo muito grande, muito grande, a ponto de as famílias quererem que os filhos participassem, né? Nós nós enfrentamos muitas dificuldades aqui com com a a alunos que que se envolvem com o crime, eh famílias estruturadas e o o judô veio de uma forma eh tremenda eh trouxe um equilíbrio para isso, né? Crianças que antes davam trabalho, crianças que antes queriam se envolver com coisas erradas, passaram a ajudar em casa, passaram a ter disciplina e foi algo que nos chamou atenção. Com isso, a instituição eh começou a investir mais nisso, né? Começou a investir mais no judô. no sensei, na formação de novos senseis, novos faixa preta, eh participando de competições no início como como eh apenas méos quadrjuvantes, mas hoje nós temos aí atletas que se consagram campeões. Temos uma campeã brasileira eh de 2024, salvo engano. Ela foi disputar o Pan-Americano. Temos campeões paulistas. Nós somos uma instituição eh reconhecida pela Federação Paulista pela qualidade dos nossos atletas, pela disciplina, pelo amor ao esporte, né? Então, eh, a nossa função aqui como instituição, atender essas crianças e as famílias não é só na necessidade básica de um alimento, mas sim de uma uma demonstração de uma qualidade de vida melhor, da possibilidade. O esporte é muito importante para isso. Como eu disse, o Falcões judô é uma das oficinas mais importantes que a gente tem aqui hoje com quase 200 atletas, que vem desde criancinha, desde os pequenininhos até os maiores, né? Muitas vezes eles se desligam da instituição como em si, mas continuam como atletas da nossa equipe, participando de todos os campeonatos durante todo o ano. E você falou do benefício do esporte, né, para essas crianças e além, claro, dos benefícios óbvios, né, de qualquer esporte, como é que o judô ele ajuda especificamente nessa questão da disciplina, né, para essas crianças e também adolescentes aqui do projeto? É, o próprio sentido do judô é a disciplina, né? é, eh, é o respeito, eh, a educação. Eh, como eu disse, a gente tinha eh adolescentes aqui que era de fácil constatação a dificuldade que eles tinham, né, em respeito com os os próprios pais, não só na instituição, com os pais, com as regras, com tudo. E após eles se engendrarem no próprio esporte, no judô, eh, a diferença era notável. A gente muitas vezes e chega aqui, eles já olham pra gente, eles já cumprimentam com com o cumprimento que o Judoca faz com todo o respeito, coisas que a gente antes a gente não via. Os pais vieram até nós da da diretoria para poder relatar a mudança que aquilo fez na vida desse dessas crianças. Não foram duas, três, foram muitas que davam dificuldades. E os pais hoje eles não só acreditam como eles incentivam os filhos deles, os vizinhos a participarem do judô, eles vão em competições. Muitas vezes a gente eh pega os ônibus para participar das competições e os pais vão juntos para dar o apoio, o que pra gente faz uma diferença muito grande, porque o nosso trabalho é com as crianças e com as famílias também, para que essas famílias sejam orientadas também. E você já há quase 30 anos nesse projeto viu o projeto crescer, se transformar hoje como presidente, o que que você espera aí pros próximos anos, né, aqui desse trabalho? Eu falo para todo mundo que me pergunta, eu sinto muito orgulho. Orgulho porque hoje eu vejo da época que eu era educador as crianças adultos, casados, formados com seus trabalhos, com seus filhos, que hoje são alunos aqui. Eh, para mim é muito gratificante e e eu espero que no futuro isso cresça cada vez mais, que eu possa ver todos esses que estão aqui hoje também formados com uma carreira sólida, com a família estruturada, com os filhos aqui com a gente também, por favor. Eh, e a expectativa é ficar aqui o tempo que Deus permitir. Bom, subir aqui no tatame para entender com o sensei Francisco como é que funciona a questão da evolução das faixas no judô. Começa com qual faixa e como é que vai evoluindo, Scei? É, começa com a branca, né? Depois vem a cinza, né? Depois azul, amarela, laranja, verde, né? Boxa, marrom e preta. E esse processo aí, ele ele ele tá agregado a boletim escolar, a sua idade nos treinos, né, comportamento em casa. Por isso que a gente tem um feedback dos pais, não é simplesmente eh chegar e fazer o exame. Ele tem que cumprir certas regras, né, de conduta que vai fazer com que ele fique apto a fazer o exame. Ou seja, não basta o desempenho no esporte, né, nos treinos em si, mas também a questão comportamental mesmo, né? Comportamental, com certeza. Então, por isso a gente fala que o judô é a arte marcial limpa, né? Que a gente procura sempre colocar para eles, olha, eh, é sobre meritocracia, então você precisa nos apresentar e a gente vai avaliar se você merece ou não. Então, através disso, eles já, os pais falam: "Ah, não, meu filho não tá bem, eh, conversa com ele", né? E automaticamente quando o pai fala que vai conversar com Sense e Francisco, ele já melhora. Parece um milagre, né? É, mas a o sistema de faixa é justamente para isso, fazer não só para eles eh medir o nível de conhecimento, mas para que eles possam entender também a responsabilidade que vem com a cor da faixa que eles estão portando. Agora você faixa preta e comentou que tem vários também na família que são, né? Sim, sim. Minha filha faixa preta, né? Sem amigo, sem ser Yuri, meu genro faixa preta também, sem ser William. E logo logo vocês vão conhecer o meu neto também que tá caminhando pra faixa preta, né? Tá. Inclusive ele foi homenageado ontem na 15ª delegacia do judô como campeão geral no ranking da 15ª delegacia. Então tá tá no sangue, né? A gente fala que existe a família Grace, existe a família Basiliana no judô também. Todo mundo disciplinado. Todo mundo disciplinado. O sensei Lion que hoje é professora aqui do projeto, chegou como aluno e é uma dessas pessoas que teve a vida transformada por meio do projeto. Conta um pouquinho pra gente, Lion, então da sua história, né, aqui com Falcões do Judô. Eh, eu cheguei aqui em Campinas 2016 para 2017. Eh, comecei a treinar com equipe assim que eu cheguei na cidade, a primeira coisa que eu procurei foi um lugar para treinar. E aí eu conheci a equipe, fui me adaptando, uma realidade totalmente diferente, porque lá em Alagoas é a concorrência menor e aqui em São Paulo, por ser um estado maior, eh, chega a ser um pouco mais difícil a disputa. E ao chegar, foi um choque de realidade para mim. Com o tempo eu me tornei jovem aprendiz aqui na instituição. E aí foi passando os anos e eu fui promovido como professor também. Peguei a faixa preta aqui na equipe também e hoje atuo como técnico dos Falcões. Bom, e como é que o judô ele ajudou a transformar a sua vida e até orientar, né, a sua carreira, os seus objetivos profissionais? Então, eu comecei o judô com 7 anos. Eu era uma criança muito agitada. Tentei um esporte, não deu certo. Tentei futebol também, não deu certo. Fui tentando vários esportes, foi quando meu irmão me levou para treinar e aí eu comecei a praticar o judô. E assim, eu sou suspeito em falar, né, mas transformou muito minha vida. O judô deixou mais calmo, me deixou mais centrado, mudou totalmente a minha vida. E hoje como é que ia lidar com os pequenos, né? Hoje você como professor do outro lado, né, da desse trabalho, como é que é essa relação? É uma coisa que não tem preço. Eh, eu atuo aqui, eh, para mim, eu não tinha experiência nenhuma assim em dar aula, só nos treinamentos, ajudando sem sei e trabalhar com as crianças, ver o sorriso das crianças quando ela consegue acertar uma cambalhota, acertar uma técnica. é uma coisa que não tem preço. Além daqui, eu também dou aula em outro projeto no Jardim Lina, totalmente voluntário. E lá tem crianças de 3 anos, 2 anos. Eu também trabalho aqui com as crianças do ABC, da educação infantil. E vem relatos das professoras que falam que as crianças mudaram, que as crianças estão mais calmas. E isso tudo através de odor, através da conversa, além de gastar energia. O pai agradece quando chega em casa, que criança vai direto dormir. [risadas] Agora aqui falando um pouquinho dos alunos, a gente tem pequenos talentos, né, e até já atletas premiados, né? Conta um pouquinho pra gente. Sim, a gente tem, apesar da dificuldade, porque o judô é um esporte muito bom, mas também é um esporte muito caro. Eh, as mães correm atrás, vem de rifa, a gente faz o que a gente pode também faz bazar, tenta buscar parceiros e apesar de toda essa dificuldade, a gente consegue resultados expressivos. um campeão paulista, um campeão regional, já teve campeão brasileiro, atleta representando a o país e a equipe também fora. E assim, com toda essa dificuldade, a gente consegue, imagina a gente tendo um apoio maior, é nível mundial que a gente pode fazer com as crianças. A equipe é ligada à Federação Paulista de Judô e já formou campeões brasileiros, estaduais [música] e de várias competições importantes. Um deles é a pequena Ana Júlia, de 8 anos, que já acumula dezenas de medalhas. Essa daqui eu lutei na primeira, só que daí eu ti, daí eu fui pra final, lutei, daí eu consegui ganhar até pross. E o troféu que você tá segurando, o que que é? Conta pra gente. É do melhores do ano que ganhou as competição. Eu fiquei segundo colocado. Olha, foi a segunda melhor do ano. Sim. E aí, como é que foi os treinos aqui, né, com sense? Que que eles pedem para você no treino? Pedem para você se comportar? Como é que é? Pede pra gente ficar quieta, prestar atenção pra gente aprender. Já caio de 14 anos, é neto do sensei Francisco e sonha em se tornar faixa preta como o avô. Ah, eu faudou desde dos quatro. Eu comecei por causa do meu vô que meu vô é o sensei Francisco. Aí minha família toda tá no judô desde antes de eu nascer. Meu pai, minha mãe, meu tio e meu avô. Esses são faixa preta hoje todo. E aí você já quis também seguir esse caminho, né? Uhum. Desde os quatro comecei 4 anos. Como é que é a relação do sensei que também é seu vô, né, com você? Ele te coloca ali na linha, tem que ter bastante disciplina para esse esporte. Ah, mas exigente, né? Mas ele sempre exige mais, tem que ser mais um exemplo, né? Mostrar pros outros que eu sou neto, tenho que demonstrar mais. Agora, o que que você acha desse projeto? você que vê a sua família também se envolvendo, além de participar das aulas. É um projeto de Campinas que deu certo? Ah, eu acho que é. Muitas crianças t vindo sendo ganhadas para Deus e no esporte também demonstrando crescendo cada vez mais. Vinícius, de 9 anos, [música] foi eleito um dos melhores judocas do ano em Campinas. Eu ganhei muitos campeonatos e eu fiquei no no pódio. Ah, é? Aham. Como é que foi treinar para tudo isso para conseguir ganhar? Conta pra gente. Muito bom. E foi muito pesado e, né? Só quem que te dá a os treinos, né? Quem que é o seu sensei? C Francisco e o Caio. Eles mantém você na linha? É. Já os irmãos Lavinia de 11 anos e Leonardo de 8 anos aprendem judô juntos. Assim, a gente briga só um pouquinho em casa, mas aqui é normal mesmo. É, tem que ter disciplina. e respeito um pelo outro. Se comportar direitinho, né? Aham. Bom, e você, o que que você acha de fazer esse esporte com a sua irmã? É bacana? Dá para distrair um pouquinho? Como é que é? É muito bacana. Dá, quando eu precisar de ajuda, ela sempre vai me ajudar e ela sempre vai me defender alguma coisa e ensinar alguma coisa que ainda eu posso aprender. O Dr. Leandro é aluno aqui do projeto, mas também é advogado e auxilia em várias questões, né, doutor, principalmente na captação de recursos. É hoje algo que precisa melhorar aqui na entidade? Sim, na verdade nós temos uma equipe com grande potencial, inclusive um exemplo disso é o próprio Henrique Pina, que no final do ano passado, pelos resultados que ele teve durante o ano, ele foi eh convocado e foi selecionado pela seleção de base de São Bernardo do Campo, que é a seleção de excelência, que acompanha a seleção de base da Confederação Brasileira de Judô. Então, ou seja, nós temos atletas com potencial na equipe, mas, infelizmente a falta de recurso acaba por dificultar o acesso das equipes às competições com relação às taxas e com relação a deslocamento. Então, apesar da gente correr atrás dos resultados, mostrar que nós temos alunos com potencial, muitas vezes a falta de recurso dificulta esses atletas de comparecer essas competições. E é por meio das competições que eles mostram o potencial deles e que eles podem progredir. E da onde vem hoje os recursos que sustentam esse trabalho, doutor? muitas vezes eh ou por meio de parceria, no final do ano passado mesmo, eu consegui o contato com uma rede grande que ela pediu para não mencionar por uma questão de descrição, eh, consegui um recurso com eles que nos ajudou a terminar o ano, às vezes através de auxílio do poder público, por exemplo, como de um gabinete de um vereador, não sei se pode mencionar, mas do gabinete do vereador Marron Cunha, que nos apoiou, é, que tem corrido atrás dos ônibus para nos nos auxiliar e que se não fosse esses dois apoios no ano passado, a gente não teria alcançado os resultados de ficar em terceiro no ranking geral da federação. para as pessoas que nos acompanham, como ajudar hoje esse trabalho, doutor, na verdade, nós temos o Instagram do dos dos Falcões, onde lá tem todos os nossos contatos e dados. Se você quiser ser um apoiador, quiser ser um patrocinador, é só entrar em contato direto com a instituição e nos ajudar, porque potencial é o que não falta nessa equipe. Pesa, estilo quartelunha vocês são suar sofrer, sorrir. Eu amo treinar, eu quero mais. Eu quero mais. [música]