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Essa aqui é a biblioteca IP Amarelo, que reúne boa parte do acervo de Ruben Alves, mineiro, que viveu décadas em Campinas, onde faleceu. Hoje o legado dele é mantido e divulgado pelo Instituto Ruben Alves, que trabalha em Campinas e região. E é esse trabalho que você conhece hoje aqui no Campinas que deu certo. Ruben Alves foi um importante intelectual brasileiro, atuando como teólogo, educador, escritor e psicanalista. Autor de mais de 120 obras, escreveu sobre filosofia, teologia, psicologia e também literatura infantil. Nascido em Boa Esperança em Minas Gerais, mudou ainda jovem para o Rio de Janeiro e foi criado em uma família protestante, se tornando pastor. Reconhecido no Brasil como cronista, filósofo, poeta e pensador, teve forte atuação em Campinas, onde viveu por muitos anos e faleceu em 2014 aos 80 anos. E aqui ao meu lado está a Raquel, filha do Ruben, que hoje é responsável também por manter vivo esse legado. Raquel, você contava pra gente que o legado do seu pai tem muito a ver com o seu nascimento. Conta pra gente o porquê. Porque o meu nascimento e foi despertar do olhar do meu pai em relação à vida e ao que ele queria transmitir pros outros. No caso, eu, eu nascendo com o Laborino, ele percebeu que eu teria dificuldades e para eu enfrentar as minhas adversidades, ele entendeu que enquanto pai, a luta dele seria colocar a beleza da vida dentro de mim para que eu tivesse a garra necessária de enfrentar tudo que eu tinha para enfrentar, não só cirurgia, como tratamento também a parte sóci eh emocional de convivência e tudo mais. Então, eh o a partir do meu nascimento, ele mudou o olhar dele em relação à uma forma da escrita. Ele decidiu que ele só ia tirar as coisas que estavam dentro do coração dele para comunicar e para mostrar o mundo. E isso eh transformou o Ruben escritor, né? E, portanto, o Ruben, teólogo, o Ruben educador e o Ruben Alves cronista. Eh, foi a partir do meu nascimento que ele se transformou nesse escritor sensível que toca o Brasil e o mundo até hoje, né? Bom, aqui no instituto, bem na entrada, eu vi que tem um cartão exposto do seu pai para você. Eh, você lembra um pouquinho da história desse cartão e ele costumava escrever sempre para você também? Sim, eu sou de uma época que as pessoas escreviam cartas, né? Então já eh tem que ser levado em consideração. Mas o meu pai escrevia histórias para mim, para me ajudar com a com os enfrentamentos. E eu tinha um pai que era diferente dos outros, que se ausentava, um pai que tinha que viajar, um pai que trabalhava e dava aula fora. Então não era igual os pais dos meus colegas de escola que estavam sempre por em casa. E ele escreveu a menina e a pásara encantada, que acabou se tornando a história infantil mais famosa dele e difundida no mundo todo. E ele, paraa história não ficar só dentro do livro, ele digamos exportou elementos da história para ir comunicando a mensagem de que eu deveria respeitar a necessidade dele de viajar e aprender a lidar com a saudade. Então tudo em que ele encontrava alguma referência, por exemplo, pássara do cartão que você comentou, era uma referência, ele tava viajando, então ele fazia alav, estava no Japão, né, inclusive. Oi? Estava no Japão, inclusive, né? Você nessa época Japão. É. E aí de lá ele conseguiu então enviar esse cartão para você. Eh, mas além disso, né? Esse é um exemplo só, mas eh todo esse hábito dele, isso te fortaleceu, te ajudou de alguma forma nessa jornada, né, para enfrentar essas diferenças que você comentou? Muito. E eu não percebo isso, quer dizer, eh, corrigindo, eu não percebia isso como enquanto criança. Uhum. Hoje, como adulta, eu percebo quanto que isso me estruturou na infância e, principalmente por meio da literatura infantil. Eh, mas assim e na presença também eh de qualidade que quando ele estava comigo, eu sabia que ele tinha um momento reservado para estar comigo. Isso, se a gente for ver, tem muitos pais que passam horas em casa e não se dedicam ali meia hora paraa criança. Então ele tinha esse momento inteiro comigo, que era o momento de dormir, que ele lia história ou então que a gente ia pra sala ouvir música e aí a gente falava sobre a vida, as questões da vida. E então assim, isso construíam ela muito profundo e ele era como se ele tivesse o tempo todo sem dizer que ele estava ali ao meu lado para o que eu precisasse, né? As palavras e as histórias eram um acolhimento para mim. E até hoje isso é muito estruturante na minha forma de pensar. Eh, e é o que eu trabalho com literatura infantil, então eh, eu sei dessa potência e começou aí nessa aposta do meu pai. Você citou uma das obras dele, mas qual que é a sua favorita? Dá para citar pra gente alguma citação, alguma crônica favorita ou é muito difícil de selecionar uma? Bom, é, é difícil. Mas vamos lá. As que mais me tocam, né, a menina e o pás encantado. Eh, como nasceu alegria, que é uma outra história que ele escreveu para mim também. É uma história que mexe muito comigo e que eu dialogo com ela até hoje. E de crônica, eu tenho a escutatória, tenho a pipoca, que é uma crônica sobre a transformação e o amadurecer humano, que é muito potente. Tenho várias saúde mental e não sei assim, eh, o meu favoritismo é quando eu encontro a singeleza dele exprimindo as coisas mais profundas da essência humana. Isso é o que mais me encanta. Não é uma crônica ou outra, mas é uma forma muito simples de falar aquilo que eu completo. E aí a gente chega lá na funda da questão assim, é, é, é isso. Eu acho maravilhoso da obra do meu pai. Raquel, como passar isso paraas futuras gerações, paraas gerações atuais e principalmente por meio desse trabalho hoje do instituto? Eh, eu acho que tem as atividades aqui que acontecem dentro do instituto, que a Maria pode falar melhor, mas eu acho que acima de tudo perpetuando eh da forma que der o prazer pela leitura, porque a questão não é alguém a ler, a a gente tá cheio de alunos em universidade lendo e não tendo prazer nenhum. Então, o aluno vai lá e procura a resposta e pronto. Então, eh, ler, pelo prazer de ler, abre a cabeça da gente para um pensar mais profundo, para uma conexão melhor com a vida, porque quando a gente lê, a gente aprende a elaborar melhor o pensamento e aí quem elabora melhor o pensamento se conecta melhor com as questões da vida, lida melhor com as adversidades da vida. Então assim, eu acho que começa por aí, perpetuando na medida do possível nesse universo tão estimulado aí das telas, perpetuando prazer pela leitura, porque é isso que dialoga com a nossa capacidade criativa e de pensar, de imaginar e de criar as conexões com o mundo. Raquel, muito obrigada, viu, por nos receber aqui, por falar conosco, né? Obrigada. A gente conversa agora com a Maria Amélia Moscon, ela que é presidente aqui do Instituto Vuben Alves. Bom, você já tá há alguns anos, né, à frente do instituto, trabalhando primeiro aqui, depois como presidente. Hoje conta pra gente um pouquinho do que é feito aqui das atividades para manter vivo esse legado de Ruben Alves. É sempre um prazer falar de Ruben, né? falar da de tudo o que é possível fazer com a obra do Ruben, é uma outra alegria. E então o instituto ele vem há algum tempo eh passando por, digamos que se adequando às mudanças que estão ocorrendo na sociedade. Então nós já tivemos aqui várias fases, algumas mais voltadas paraa questão cultural. algumas mais voltada paraa questão da formação de professores nas na educação e isso ainda continua e vai ser eh intensificado daqui a pouco. Mas agora o que a gente mais está trabalhando é além da da educação, é numa área que vem há bastante tempo aí já me desconfortando, que é a questão que a Raquel também levantou a necessidade da leitura, a importância da leitura e o que a gente vem enfrentando muito na educação formal e não formal, que é o analfabetismo funcional. Então esse assunto é um assunto que tem nos intrigado, tem nos chamado atenção, porque ele passa por várias camadas da sociedade e atinge e interfere na vida das pessoas de uma maneira geral, tanto na convivência social quanto no trabalho, na vida pessoal. E aí a gente tem feito diversas ações que caminham por esses lugares. E aí a gente tá começando uma frase que é até muito importante a gente compartilhar com vocês. A partir daquela frase que depois vocês podem mostrar, eu levo, muitas pessoas levam seus cães a passear, eu levo meus olhos para passear e como eles gostam. Essa frase do Ruben, ela permite que a gente ande por muitos lugares. Então, a partir desse desse pensamento, nós estamos, por exemplo, com um projeto que tá trabalhando com liderança, formação de líderes. Como é que o Ruben Alves, a partir dessa frase, mas não só, pode est contribuindo pra formação desse líder contemporâneo que é tão necessário. E aí essas lideranças não são líderes aleatórios, são líderes dentro das escolas, líderes dentro das instituições, líderes dentro das empresas, porque na verdade é tudo gente, né, se relacionando no final das contas a partir de muitos lugares, mas é sempre gente. Uma outra coisa também bem interessante que a gente fez e que vale a pena ser compartilhado e eu chamo as pessoas a acompanharem. Nós firmamos um convênio, um termo de cooperação técnica, na verdade, com o convém Chambirô aqui de Campinas. E a gente vai est trabalhando a partir do pensamento do Ruben também com a implantação de do sistema ESG na área de turismo, na área de receber as pessoas, porque o Remen ele tem muitos panos de fundo, mas todos eles valoriza e é centrado na pessoa. E então as pessoas se o território em que elas vivem é muito importante, não só para as pessoas, mas como para a coletividade. A instituição atua em duas frentes principais: a preservação do acervo físico do autor, incluindo manuscritos e objetos pessoais, e a promoção de atividades práticas, como oficinas para professores e eventos culturais que integram literatura a outras artes. Recentemente, também realizou o lançamento do livro Sinais do Mundo, que reúne crônicas selecionadas no primeiro concurso Ruben Alves de Literatura. penso que o instituto tem conseguido eh se colocar nas principais frente que o Ruben deixou pra gente trabalhar. Bom, e o Ruben, para quem não sabe, era pastor protestante, né, no início da sua da sua vida, da sua obra, né? E aí depois ele se eh inclusive se classificava como uma ovelha mais progressista, né? Um protestante mais progressista. Isso também traz muita influência na obra dele, né? Eu acho que essa sua fala é o que define a obra do Ruben como um todo. Ele sempre foi um um irreverente. Ele sempre foi um vanguardista para muito além do seu tempo. sabe que em todas as áreas, ainda hoje, quando a gente aprofunda o pensamento pra obra do Ruben, a gente vê que hoje ainda nós estamos com dificuldade para compreender a profundidade das propostas que ele fazia, propostas todas transformadoras. Aliás, tem uma frase dele que é muito interessante e que a Raquel e eu selecionamos para um uma síntese que fizemos da vida dele. E toda essa síntese foi organizada pela Raquel. Eu acho que a minha grande contribuição foi com o título, eh, todos eles eram conservadores e nós éramos diferentes. Essa diferença, no que diz respeito aos conservadores, ela ainda hoje ela dá consubstancia a obra do Ruben. segura todo bojo por onde ela floresce. Bom, e hoje obra que é eh tem essa publicidade, né, é mantida inclusive pelo trabalho do instituto. Na sua opinião, o trabalho aqui do Instituto Ruben Alves é um trabalho de Campinas que deu certo? Não tenho dúvida. E vou te falar mais, é uma Campinas que pode dar ainda mais certo por conta da perspectiva pública dos trabalhos que estão sendo colocados agora. Acho que tem tudo a ver. inclusive com o que eu imagino seja o princípio da TV Câmara. Bom, Maria Amélia, muito obrigada, viu, por nos receber aqui, por falar um pouquinho também dessa história e desse trabalho. Eu é que agradeço. É sempre uma alegria partilhar, porque o Ruben ainda nos surpreende. Muito obrigada e agradeço também a você que acompanha o Campinas que deu certo. Te espero na próxima semana. Até lá. เ