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Campinas que Deu Certo | 70 anos academia campinense de letras
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Campinas que Deu Certo | 70 anos academia campinense de letras

16 views Publicado 05/05/2026 HD · 18:52
Resumo editorial

O programa Campinas que Deu Certo celebra os 70 anos da Academia Campinense de Letras, instituição fundada em 17 de maio de 1956 que ocupa um templo em estilo neoclássico no centro da cidade. A reportagem percorre a história da casa, idealizada por intelectuais que se reuniam na antiga Livraria Livro Azul, na rua Barão de Jaguara, e que decidiram criar uma academia nos moldes da Academia Brasileira de Letras, com 40 cadeiras destinadas a representantes de diferentes saberes, não apenas das letras. A conversa apresenta o trabalho atual da entidade, voltado à preservação da literatura nacional e regional, à promoção de encontros culturais e ao diálogo permanente com a sociedade campineira. Em sete décadas, a academia consolidou uma trajetória que combina memória, formação intelectual e cuidado com o patrimônio simbólico de Campinas, mantendo viva uma tradição cultural que remonta aos primeiros tempos da cidade ligada ao café.

Bairros mencionados

Descrição do vídeo

📚 Campinas que Deu Certo visita Academia Campinense de Letras pelos 70 anos de fundação em 1956. 🏛️ A presidente Ana Maria Melo Negrão e o ex-presidente Jorge Alves de Lima recebem a reportagem no templo grego estilo dórico da Rua Marechal Deodoro 525, no Centro de Campinas. A instituição preserva a literatura nacional e regional com 40 cadeiras vitalícias ocupadas por escritores de diversas áreas profissionais, desde médicos e engenheiros até antropólogos apaixonados pelas letras. 🏛️ A academia nasceu do sonho do professor Francisco Ribeiro Sampaio, filólogo da PUC-Campinas e ex-secretário municipal de Cultura. Em 17 de maio de 1956, data do aniversário dele, intelectuais se reuniram na antiga Livraria Livro Azul, na Rua Barão de Jaguara, para criar a entidade nos moldes da Academia Brasileira de Letras e da Academia Francesa. As primeiras sessões ocorreram no Teatro Municipal e nas casas dos acadêmicos fundadores. Em 1974, o prefeito Lauro Péricles Gonçalves doou o terreno atual, inspirado na arquitetura clássica grega com colunas dóricas que impressionam visitantes. 📖 Jorge Alves de Lima, que presidiu por três mandatos entre 2019 e 2024, liderou reformas importantes, como a instalação de grades inspiradas em Buenos Aires, custando R$ 300 mil com apoio da Secretaria de Obras Públicas e do engenheiro Ernesto Paulella. Ele integrou alunos da periferia via parceria com FUMEC e Secretaria de Educação, distribuindo sacolas com quatro livros por sessão. Famílias humildes guardam os volumes como tesouros em jardins roserais, provando o impacto social da iniciativa. Jorge representou o Brasil no Prêmio Camões em 2021, em Portugal e países africanos de língua portuguesa. 📖 Ana Maria Melo Negrão, formada em Letras e Direito pela PUC-Campinas, com mestrado no UNISSAL e doutorado em Educação pela Unicamp, assumiu a presidência no biênio 2025-2026. Autora de oito obras e professora atuante, ela mantém as portas abertas à comunidade. As atividades incluem sessões lítero-musicais mensais com palestras de escritores, lançamentos de livros, feiras literárias, concursos de redação para rede pública e periferia com antologias premiadas, rodas de prosa e cirandas de poesia ao som de música e café colonial. Jovens nativos digitais declamam de Machado de Assis a Drummond de Andrade, muitos lendo do celular ou de cor. 🏛️ A academia passou por ciclos sem sede própria até conquistar o prédio atual. Hoje promove intercâmbio com outras instituições, descobre talentos locais e atrai público amplo para eventos gratuitos. Jorge priorizou renovação geracional para enfrentar o envelhecimento dos membros, enquanto Ana garante continuidade administrativa. A dupla destaca a importância de preservar o patrimônio cultural, incentivar leitura e escrita em tempos digitais. A reportagem mostra o interior imponente, as reformas recentes e depoimentos que revelam o papel da academia como farol cultural de Campinas. Visite o espaço aberto à população e participe das próximas sessões. Compartilhe se valoriza a literatura local, curta com 👍, comente seu autor campineiro favorito e inscreva-se no canal para mais histórias positivas da cidade. 📲 Acompanhe a TV Câmara Campinas nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas

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[música] Fundada em 1956, a Academia Campinense de Letras completa neste ano 70 anos de história com um papel fundamental, preservar a literatura. E é aqui, nesse espaço, no coração de Campinas, que todo esse trabalho acontece. Além da literatura, há muita troca, conversas e a manutenção dessa cultura. É esse trabalho que você conhece hoje no Campinas que deu certo. [música] [música] A gente conversa agora com a Ana Maria Melo Negrão. Ela que é presidente da academia, vai falar com a gente sobre esse trabalho e sobre a história também da academia aqui em Campinas. [música] Ana Maria, muito obrigada também por nos receber e já começo te perguntando sobre essa data, né, em maio, agora 70 anos da academia. Qual que é a importância inclusive desse marco pra história da academia e também de Campinas? Primeiramente, meus agradecimentos por participar desse programa tão significativo, né, de que Campinas deu certo, né? E nós estamos nesse ano ah comemorando os 70 anos da Academia Campinense de Academia Campinense. Portanto, é um ano absolutamente festivo e muito importante, porque completar 70 anos é uma trajetória e essa trajetória ela passou por vários ciclos. Ah, inicialmente em 1956, quando ela foi fundada por pelo professor, como já foi dito, Francisco Ribeiro Sampaio, ah, era uma um sonho de várias de vários intelectuais de Campinas [música] ter uma academia, porque Campinas sempre foi uma cidade muito ligada à cultura, às artes literatura. Mas não havia uma academia, havia até uma livraria antiga aqui chamada Livro Azul, que ficava na Robarão de Jaguara, onde os intelectuais se reuniam para discutir, para ah discutir arte, literatura, enfim. E esse sonho foi concretizado no dia 17 de maio de 1956 com o organizador, o grande sonhador Francisco Ribeiro Sampaio. E exatamente no dia de natalício dele, do dia do aniversário dele. Então, reuniram-se vários intelectuais aqui de Campinas e tomaram todas as providências para a formação de uma academia nos moldes franceses mesmo e nos moldes também da Academia Brasileira de Letras com 40 cadeiras. Essas cadeiras seriam preenchidas pelos acadêmicos de vários saberes, não só aqueles formados em letras. Nós temos ah acadêmicos aqui de várias áreas profissionais. Ah, eu sou formada em letras, sou formada em direito também, mas há muitos que são formados em direito, em engenharia, ah, ah, são formados médicos, temos vários médicos, eh, temos antropólogos, enfim, os vários saberes exigem uma condição que seja um amante das letras, que seja também um profissional escritor. Então, todos são escritores, né? e fundar essa academia então em 1956 e com essa trajetória até hoje, cumprindo esses ideais de ser um local de reunião de intelectuais para cultivar a literatura brasileira, portuguesa e de demais países, de preservar o nosso patrimônio cultural, de incentivar a leitura e a escrita com muitos eventos que descobrem talentos e trazer também muitos expoentes, porque nós fazemos muita troca com demais com demais academias e trazendo ah palestras que de interesse ah literário e cultural e artístico a gerar um grande eh um grande público aqui também que eh vem para absorver esse momento que é sempre líterocultural, certo? Ah, só que a academia através dos tempos ela foi passando ah por fases. No início não havia sede. Então, a abertura da academia ela se deu, as primeiras reuniões se deu no Teatro Municipal de Campinas numa das dependências. Por quê? Porque o Francisco Ribeiro Sampaio, ele era professor do culto à ciência da PUC, era um filólogo e ele era na época secretário da cultura, secretário municipal da cultura. E a Secretaria Municipal de Cultura funcionava no teatro municipal. Então lá começaram as primeiras reuniões, depois as reuniões passaram a ser na casa dos acadêmicos, os 40 primeiros primeiro acadêmicos que ah, afinal de contas tiveram as suas cadeiras com seus patronos. Cada cadeira tem um patrono que é sempre um expoente na literatura, na cultura, ah, não apenas brasileira, mas eh com muitos de Portugal, inclusive. E aí esses esses primeiros acadêmicos, eles ofereciam até suas próprias casas para sediarem as reuniões. E isso foi durando por vários vários tempos, né, vários anos. e também o Centro de Ciências, Letras e Artes oferecia o se as suas dependências para reunião. Numa dessas reuniões estava presente o prefeito Lauro Périx Gonçalves. Ele viu a necessidade de a academia ter uma sede. falou, "Afinal de contas, vocês já estão aí nessas duas décadas, né, duas ou três décadas aí, mais duas décadas mesmo, ah, atuando e concretizando essa esse sonho literário de ser um farol de letras em Campinas. Ah, ele falou: "Vocês precisam de uma de uma sede". Então, ele jogou a semente e a semente germinou. Aí começaram as reuniões e a busca de um terreno. Então foi encontrado esse terreno e ele sonhou um prédio como um templo grego e assim foi feito. Tanto que nós temos aqui esse essa arquitetura linda grega com as colunas em estilo dóco. E a esse esse esse essa arquitetura que encanta todas as pessoas que por aqui vem fala assim: "Mas o que acontece aí dentro, né?" O imponente prédio da Academia Campinense de Letras passou por reformas recentemente na gestão do ex-presidente e membro titular da Academia, Jorge Alves de Lima, que é advogado, escritor, além de historiador e pesquisador, e apostou não só na reforma do prédio, mas também na renovação da academia. Como o prédio pertence ao município de Campinas, eu cheguei no prefeito e falei: "Prefeito, o prédio é público, a obrigação do município de Campinas é zelar pelo bem público, né? Aquele princípio que eu te falei, aquela trilogia, conservação, manutenção e zelo, né?" Ele falou: "Tudo bem, Jorge, a sorte minha, quer dizer, Deus faz as coisas, a sorte minha e da academia, dos meus companheiros, foi que na Secretaria eh de obras públicas existe um engenheiro chamado Ernesto Paulela, meu amigo de muitos anos, que eu fui advogado da prefeitura 40 anos. Então eu tinha já um uma grande experiência, não só em termos de amizade e tudo. Falei com ele, falou: "Jorge, é comigo mesmo". Aí primeira coisa, eu estava em Buenos Aes, eu vi lá um gradeamento maravilhoso. Falei: "Nossa, eu por queria [música] esse gradeamento". Aí bati um uma foto da do gadeamento, porque o gadeamento que havia aqui parecia eh um galinheiro, sabe? Aquelas aqueles arames assim tudo, né? Sim. E nós conseguimos colocar essas grades. Você pode olhar aí, você vai ver que beleza, né? Só essas grades ficaram em R$ 300.000. [música] Quer dizer, sem ajuda da prefeitura não teríamos condições. Eu percebia que na das reuniões aqui era o mesmo grupo de pessoas, alguns intelectuais. Já falei: "Puxa vida, mas a academia deve ser aberta ao público, quer dizer, tem que se integrar com a população, né? E graças a Deus, um uma parceria com a com a FUMEC, né, com a Secretaria de Educação, de Cultura, nós conseguimos nas urnões trazer 60, 80 alunos da periferia de Campinas para assistir jornais, as sessões. E eles levavam de presente uma sacola com quatro livros. Sabe? Então, foi uma experiência maravilhosa. E um dia eu pensei, ficar comigo, será que isso aí tá sendo efeito? E a secretária que estava aqui, Rosâela Figueiredo, a uma funcionária pública talentosa, muito competente. Jorge, eu tenho os endereços de todos os alunos. Falei: "Então me dá uns endereços aqui." Eu fui na casa na periferia, chegando lá, uma casinha humilde, mas com um jardim maravilhoso, um roseral lindo. Eu gosto muito de rosa, já me empolguei. Quando eu adentrei na sala, uma sala simples, não tinha nenhum quadro, nada, mas havia uma pequenina instância e os quatro volumes da academia que ele tinha ganho estavam lá. Eles falavam: "Jorge, a nossa obra de arte são esses livros. o orgulho daquelas pessoas simples, humildes, de ter livro, porque eles não têm condições de adquirir livro, porque vai afetar a alimentação deles, o livro para eles caro e e falta o feijão, o arroz, né? Prefere o arroz e o feijão no teu livro, né? Mas aqueles livros ali, então eh e isso isso me empolgou bastante e me comooveu. Falei: "A linha tá certa. E isso vem sendo seguido, né, uma norma, né, e importante. Em 2021, Jorge foi escolhido pelo governo federal para representar o Brasil no Prêmio Camões diante de Portugal e dos países africanos de língua portuguesa. Um feito inédito para Campinas. Com trajetória consolidada na literatura e na vida acadêmica, ele demonstra preocupação com o futuro da produção intelectual no país, mas segue otimista, acreditando na força das novas gerações. Outra coisa que me preocupava e foi o futuro da academia. Você falou sobre o futuro e tal, porque a minha geração ela tá envelhecida. E a gente passa. A vida é um cenário, é um espetáculo. Tem os cenários e tem os personagens. De repente muda o cenário e os personagens mudam. E como a academia vai ser daqui 10, 15 anos, então tem que prepará-la pros novos tempos, né? Então, nós procuramos eh nas eleições de ingresso eh pessoas jovens, principalmente que tem amor não só às letras, mas que tem amor à academia, porque o futuro da academia vai depender da nova geração, não é verdade? Então, foi esses os fatores que que a gente procurou e eu tive a felicidade de ter uma [música] vice chamada Ana Maria de Melo Legão, professora muito atuante, discemida e ela comungou todos esses ideais comigo, né? uma parceria maravilhosa e essa parceria continua nos dias de hoje, vai continuar até a gente morrer. Se tiver vida eterna, nós vamos estar nas outras existências juntas. E então é importante a a continuidade administrativa. E quem dá continuidade a esse trabalho é Ana Maria, professora universitária formada em Letras e Direito pela PUC Campinas, com mestrado pelo UNISSAL e doutorado em educação pela Unicamp. Atuou como pesquisadora, autora de oito obras e formadora de alunos e pesquisadores. Integra a Academia Campinense de Letras desde 2013 e preside a instituição no biênio 2025 e 2026. A academia, ela tem uma variedade muito grande de apresentações. Nós começamos desde com sessões lío, musicais mensais, trazendo [música] uma palestra ah de um grande escritor, de um grande tema e tal e tal, com interesse e convidamos a a cidade toda, a academia, as portas abortas são abertas pra comunidade de Campinas. Então, todas as pessoas têm liberdade de poder participar e quando há interesse no tema, os alunos vêm. Além das sessões, nós temos lançamentos de livros, nós temos a f de livros, temos com com eh concursos literários, vários concursos literários já fizemos aqui com premiação. Fizemos um concurso de redações e com toda a rede pública do curso de segundo grau. Ah, fazemos também pra periferia, pro pros alunos da e com premiação, com antologia. Então, fazemos antologia. Ah, e e esses concursos são demais concorridos e isso nos aproxima do jovem também, né? E fora isso, temos outros eventos, como a rodas de prosa. Então, há um tema para roda de prosas ou então ciranda de poesia que nós nos reunimos aqui na parte da tarde. Sempre moldurada com música e com café colonial. Muito bom. Nós sempre temos eh esse essa esse vínculo, né, com a música, com a literatura e depois com a confraternização ao lado da mesa. E e esses e nesses nessas sirandas de poesia, a a concorrência é muito grande, porque há desde declamação ah de autores ah famosos como Machado de Assis, um Drumon de Andrade, etc. Mas também os jovens eles querem trazer a sua produção porque eles são autores. E isso para nós foi uma surpresa perceber que [música] nessa era digital que dá impressão que o o isso prejudica a a inspiração do jovem, pelo contrário. Então eles que são os nativos digitais, eles vêm aqui às vezes lendo no próprio celular. ou numa folha de papel ou sem ler em lugar nenhum declamando. E isso tem enriquecido demais a academia, porque nós fazemos divulgação no jornal, divulgação nas nossas redes sociais, no Instagram e a academia estará sempre aberta para todos os para todos interessados e amantes das letras. [música] [música] [música] Fundada em 1956, a Academia Campinense de Letras completa neste ano 70 anos de história com um papel fundamental, preservar a literatura. E é aqui, nesse espaço, no coração de Campinas, que todo esse trabalho acontece. Além da literatura, há muita troca, conversas e a manutenção dessa cultura. É esse trabalho que você conhece hoje no Campinas que deu certo. [música] [música] A gente conversa agora com a Ana Maria Melo Negrão. Ela que é presidente da academia, vai falar com a gente sobre esse trabalho e sobre a história também da academia aqui em Campinas. [música] Ana Maria, muito obrigada também por nos receber e já começo te perguntando sobre essa data, né, em maio, agora 70 anos da academia. Qual que é a importância inclusive desse marco pra história da academia e também de Campinas? Primeiramente, meus agradecimentos por participar desse programa tão significativo, né, de que Campinas deu certo, né? E nós estamos nesse ano ah comemorando os 70 anos da Academia Campinense de Academia Campinense. Portanto, é um ano absolutamente festivo e muito importante, porque completar 70 anos é uma trajetória e essa trajetória ela passou por vários ciclos. Ah, inicialmente em 1956, quando ela foi fundada por pelo professor, como já foi dito, Francisco Ribeiro Sampaio, ah, era uma um sonho de várias de vários intelectuais de Campinas [música] ter uma academia, porque Campinas sempre foi uma cidade muito ligada à cultura, às artes literatura. Mas não havia uma academia, havia até uma livraria antiga aqui chamada Livro Azul, que ficava na Robarão de Jaguara, onde os intelectuais se reuniam para discutir, para ah discutir arte, literatura, enfim. E esse sonho foi concretizado no dia 17 de maio de 1956 com o organizador, o grande sonhador Francisco Ribeiro Sampaio. E exatamente no dia de natalício dele, do dia do aniversário dele. Então, reuniram-se vários intelectuais aqui de Campinas e tomaram todas as providências para a formação de uma academia nos moldes franceses mesmo e nos moldes também da Academia Brasileira de Letras com 40 cadeiras. Essas cadeiras seriam preenchidas pelos acadêmicos de vários saberes, não só aqueles formados em letras. Nós temos ah acadêmicos aqui de várias áreas profissionais. Ah, eu sou formada em letras, sou formada em direito também, mas há muitos que são formados em direito, em engenharia, ah, ah, são formados médicos, temos vários médicos, eh, temos antropólogos, enfim, os vários saberes exigem uma condição que seja um amante das letras, que seja também um profissional escritor. Então, todos são escritores, né? e fundar essa academia então em 1956 e com essa trajetória até hoje, cumprindo esses ideais de ser um local de reunião de intelectuais para cultivar a literatura brasileira, portuguesa e de demais países, de preservar o nosso patrimônio cultural, de incentivar a leitura e a escrita com muitos eventos que descobrem talentos e trazer também muitos expoentes, porque nós fazemos muita troca com demais com demais academias e trazendo ah palestras que de interesse ah literário e cultural e artístico a gerar um grande eh um grande público aqui também que eh vem para absorver esse momento que é sempre líterocultural, certo? Ah, só que a academia através dos tempos ela foi passando ah por fases. No início não havia sede. Então, a abertura da academia ela se deu, as primeiras reuniões se deu no Teatro Municipal de Campinas numa das dependências. Por quê? Porque o Francisco Ribeiro Sampaio, ele era professor do culto à ciência da PUC, era um filólogo e ele era na época secretário da cultura, secretário municipal da cultura. E a Secretaria Municipal de Cultura funcionava no teatro municipal. Então lá começaram as primeiras reuniões, depois as reuniões passaram a ser na casa dos acadêmicos, os 40 primeiros primeiro acadêmicos que ah, afinal de contas tiveram as suas cadeiras com seus patronos. Cada cadeira tem um patrono que é sempre um expoente na literatura, na cultura, ah, não apenas brasileira, mas eh com muitos de Portugal, inclusive. E aí esses esses primeiros acadêmicos, eles ofereciam até suas próprias casas para sediarem as reuniões. E isso foi durando por vários vários tempos, né, vários anos. e também o Centro de Ciências, Letras e Artes oferecia o se as suas dependências para reunião. Numa dessas reuniões estava presente o prefeito Lauro Périx Gonçalves. Ele viu a necessidade de a academia ter uma sede. falou, "Afinal de contas, vocês já estão aí nessas duas décadas, né, duas ou três décadas aí, mais duas décadas mesmo, ah, atuando e concretizando essa esse sonho literário de ser um farol de letras em Campinas. Ah, ele falou: "Vocês precisam de uma de uma sede". Então, ele jogou a semente e a semente germinou. Aí começaram as reuniões e a busca de um terreno. Então foi encontrado esse terreno e ele sonhou um prédio como um templo grego e assim foi feito. Tanto que nós temos aqui esse essa arquitetura linda grega com as colunas em estilo dóco. E a esse esse esse essa arquitetura que encanta todas as pessoas que por aqui vem fala assim: "Mas o que acontece aí dentro, né?" O imponente prédio da Academia Campinense de Letras passou por reformas recentemente na gestão do ex-presidente e membro titular da Academia, Jorge Alves de Lima, que é advogado, escritor, além de historiador e pesquisador, e apostou não só na reforma do prédio, mas também na renovação da academia. Como o prédio pertence ao município de Campinas, eu cheguei no prefeito e falei: "Prefeito, o prédio é público, a obrigação do município de Campinas é zelar pelo bem público, né? Aquele princípio que eu te falei, aquela trilogia, conservação, manutenção e zelo, né?" Ele falou: "Tudo bem, Jorge, a sorte minha, quer dizer, Deus faz as coisas, a sorte minha e da academia, dos meus companheiros, foi que na Secretaria eh de obras públicas existe um engenheiro chamado Ernesto Paulela, meu amigo de muitos anos, que eu fui advogado da prefeitura 40 anos. Então eu tinha já um uma grande experiência, não só em termos de amizade e tudo. Falei com ele, falou: "Jorge, é comigo mesmo". Aí primeira coisa, eu estava em Buenos Aes, eu vi lá um gradeamento maravilhoso. Falei: "Nossa, eu por queria [música] esse gradeamento". Aí bati um uma foto da do gadeamento, porque o gadeamento que havia aqui parecia eh um galinheiro, sabe? Aquelas aqueles arames assim tudo, né? Sim. E nós conseguimos colocar essas grades. Você pode olhar aí, você vai ver que beleza, né? Só essas grades ficaram em R$ 300.000. [música] Quer dizer, sem ajuda da prefeitura não teríamos condições. Eu percebia que na das reuniões aqui era o mesmo grupo de pessoas, alguns intelectuais. Já falei: "Puxa vida, mas a academia deve ser aberta ao público, quer dizer, tem que se integrar com a população, né? E graças a Deus, um uma parceria com a com a FUMEC, né, com a Secretaria de Educação, de Cultura, nós conseguimos nas urnões trazer 60, 80 alunos da periferia de Campinas para assistir jornais, as sessões. E eles levavam de presente uma sacola com quatro livros. Sabe? Então, foi uma experiência maravilhosa. E um dia eu pensei, ficar comigo, será que isso aí tá sendo efeito? E a secretária que estava aqui, Rosâela Figueiredo, a uma funcionária pública talentosa, muito competente. Jorge, eu tenho os endereços de todos os alunos. Falei: "Então me dá uns endereços aqui." Eu fui na casa na periferia, chegando lá, uma casinha humilde, mas com um jardim maravilhoso, um roseral lindo. Eu gosto muito de rosa, já me empolguei. Quando eu adentrei na sala, uma sala simples, não tinha nenhum quadro, nada, mas havia uma pequenina instância e os quatro volumes da academia que ele tinha ganho estavam lá. Eles falavam: "Jorge, a nossa obra de arte são esses livros. o orgulho daquelas pessoas simples, humildes, de ter livro, porque eles não têm condições de adquirir livro, porque vai afetar a alimentação deles, o livro para eles caro e e falta o feijão, o arroz, né? Prefere o arroz e o feijão no teu livro, né? Mas aqueles livros ali, então eh e isso isso me empolgou bastante e me comooveu. Falei: "A linha tá certa. E isso vem sendo seguido, né, uma norma, né, e importante. Em 2021, Jorge foi escolhido pelo governo federal para representar o Brasil no Prêmio Camões diante de Portugal e dos países africanos de língua portuguesa. Um feito inédito para Campinas. Com trajetória consolidada na literatura e na vida acadêmica, ele demonstra preocupação com o futuro da produção intelectual no país, mas segue otimista, acreditando na força das novas gerações. Outra coisa que me preocupava e foi o futuro da academia. Você falou sobre o futuro e tal, porque a minha geração ela tá envelhecida. E a gente passa. A vida é um cenário, é um espetáculo. Tem os cenários e tem os personagens. De repente muda o cenário e os personagens mudam. E como a academia vai ser daqui 10, 15 anos, então tem que prepará-la pros novos tempos, né? Então, nós procuramos eh nas eleições de ingresso eh pessoas jovens, principalmente que tem amor não só às letras, mas que tem amor à academia, porque o futuro da academia vai depender da nova geração, não é verdade? Então, foi esses os fatores que que a gente procurou e eu tive a felicidade de ter uma [música] vice chamada Ana Maria de Melo Legão, professora muito atuante, discemida e ela comungou todos esses ideais comigo, né? uma parceria maravilhosa e essa parceria continua nos dias de hoje, vai continuar até a gente morrer. Se tiver vida eterna, nós vamos estar nas outras existências juntas. E então é importante a a continuidade administrativa. E quem dá continuidade a esse trabalho é Ana Maria, professora universitária formada em Letras e Direito pela PUC Campinas, com mestrado pelo UNISSAL e doutorado em educação pela Unicamp. Atuou como pesquisadora, autora de oito obras e formadora de alunos e pesquisadores. Integra a Academia Campinense de Letras desde 2013 e preside a instituição no biênio 2025 e 2026. A academia, ela tem uma variedade muito grande de apresentações. Nós começamos desde com sessões lío, musicais mensais, trazendo [música] uma palestra ah de um grande escritor, de um grande tema e tal e tal, com interesse e convidamos a a cidade toda, a academia, as portas abortas são abertas pra comunidade de Campinas. Então, todas as pessoas têm liberdade de poder participar e quando há interesse no tema, os alunos vêm. Além das sessões, nós temos lançamentos de livros, nós temos a f de livros, temos com com eh concursos literários, vários concursos literários já fizemos aqui com premiação. Fizemos um concurso de redações e com toda a rede pública do curso de segundo grau. Ah, fazemos também pra periferia, pro pros alunos da e com premiação, com antologia. Então, fazemos antologia. Ah, e e esses concursos são demais concorridos e isso nos aproxima do jovem também, né? E fora isso, temos outros eventos, como a rodas de prosa. Então, há um tema para roda de prosas ou então ciranda de poesia que nós nos reunimos aqui na parte da tarde. Sempre moldurada com música e com café colonial. Muito bom. Nós sempre temos eh esse essa esse vínculo, né, com a música, com a literatura e depois com a confraternização ao lado da mesa. E e esses e nesses nessas sirandas de poesia, a a concorrência é muito grande, porque há desde declamação ah de autores ah famosos como Machado de Assis, um Drumon de Andrade, etc. Mas também os jovens eles querem trazer a sua produção porque eles são autores. E isso para nós foi uma surpresa perceber que [música] nessa era digital que dá impressão que o o isso prejudica a a inspiração do jovem, pelo contrário. Então eles que são os nativos digitais, eles vêm aqui às vezes lendo no próprio celular. ou numa folha de papel ou sem ler em lugar nenhum declamando. E isso tem enriquecido demais a academia, porque nós fazemos divulgação no jornal, divulgação nas nossas redes sociais, no Instagram e a academia estará sempre aberta para todos os para todos interessados e amantes das letras. [música] [música]
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