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Histórias de Vida | Escritor Wladimir
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Histórias de Vida | Escritor Wladimir

126 views Publicado 21/09/2026 HD · 17:12

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Deficiente visual, o autor Wladimir Ribeiro encontrou na literatura uma forma de transformar experiências, desafios e aprendizados em conhecimento compartilhado. Sua trajetória como escritor demonstra que a deficiência não precisa determinar os limites de uma pessoa.

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Música Quando criança, ele conviveu com a limitação da visão e na vida adulta perdeu completamente a capacidade de enxergar. Mas, em vez de deixar a deficiência definir seus limites, ele continuou e construiu novos caminhos e oportunidades. No Histórias de Vida de hoje, vamos conhecer a trajetória do escritor Vladimir Ribeiro. Vladimir, seja muito bem-vindo ao Histórias de Vida e também muito obrigada por nos atender. Eu que agradeço, Camila. Para começar, eu queria que você contasse um pouquinho sobre a sua infância. Você nasceu com uma doença congênita, que doença é essa? Como que foi também conviver com isso ali na sua infância? Ah, ok. Então, como você disse, eu nasci com uma doença congênita, chamada retinose pigmentar, uma doença na retina, dos olhos, que vai deixando a retina escura, vai escurecendo a retina. Então, quando eu era criança, eu tinha visão subnormal, abaixo de 50% de visão. E aí eu descobri isso daí, quando na verdade a professora descobriu, no primeiro ano de escola, porque eu não enxergava. E a minha mãe me levou no oftalmo E o oftalmo falou, olha, ele tem essa doença Retinose pigmentar Isso lá naquela época, né? Mais de 50 anos atrás, né? Lá em Bauru, a gente morava em Bauru E ele falou, olha, quando... Falou pra minha mãe, quando seu filho tiver 40 anos Ele vai estar cego Ali determinou quase que uma sequência Uma sentença, né? E assim, eu, claro, 6, 7 anos de idade Eu não percebi, né? A única coisa que eu percebia é que eu não enxergava direito. E daí, como as outras pessoas me diziam que elas também tinham dificuldade, o que eu considerava? Bom, eu sou burro, então, porque todo mundo consegue, eu não consigo. E eu fui crescendo um pouquinho com esse pensamento de falta de intelectualidade, de uma pessoa que não tinha condições. Eu não tinha condições. As outras pessoas tinham condições, eu estou dizendo intelectual, E eu não tinha, na verdade não é, eu só não enxergava, mas eu cresci desse jeito, na primeira infância, dessa forma. E depois desse período, com esse baque que você tomou na primeira infância, já com essa consciência de que você não conseguia acompanhar os seus colegas, na sua adolescência também foi difícil? Foi mais difícil, quem sabe? É, eu acho que foi mais difícil por conta do fator adolescência, né, apesar também, vamos voltar lá, 40 e poucos anos atrás, não se falava muito, ah, essa pessoa aqui é adolescente, né, fui conhecer adolescente, essa palavra praticamente já era jovem, né, mas assim, de todo caso, nessa adolescência, 12, 13 anos, 14 anos, eu já estava mais adaptado com relação à minha deficiência visual, Eu já ia ao médico eventualmente sozinho Ou quando eu ia com a minha mãe Eu já assim meio que tomava as frentes com o médico Eu já fazia minhas próprias perguntas Então eu tinha mais consciência De um lado eu já tinha mais consciência Da gravidade da minha doença Por outro lado O próprio fator adolescência E junto com isso Coincidiu Camila que a gente mudou de Bauru para Campinas Então aqui em Campinas A gente encontrou uma cidade diferente, uma cidade grande, uma cultura diferente. Então eu tive que lidar com choque de cultura, adolescência, uma cidade nova, pessoas novas, escola nova, gente esquisita. Quem vive em Campinas na década de 1880 percebe que era uma outra cidade, era uma outra Campinas. Pessoal mais elitizado, não sei explicar. De todo jeito, eu sofri com todos esses fatores e a minha doença piorou. Porque eu cresci, parece que quando houve o crescimento, houve aceleração de um ano para o outro do meu problema. E aí de noite, quando eu pensava que eu não enxergava bem, eu parei de enxergar mesmo de noite. Quando eu fiquei adolescente e eu fui ficando recluso. Era de escola, da escola, de manhã, de dia, de manhã com sol, eu enxergava relativamente bem. De tarde, de noite, já não enxergava nada, trancado dentro de casa. Só em casa. Entendi. E também você conta que você tinha um sonho de construir uma família nesse período. Você já sonhava com isso também? Com o futuro? Você via essa oportunidade? Sonhava, sonhava. Eu sonhava com coisas simples, né? Com uma família, com uma casa, com férias, Com dinheiro para ir na praia Coisa simples, Camila Mas o que era? Coisa que eu e as pessoas ao meu redor não tinham Eram épocas mais complicadas, mais difíceis Nem tanto por conta do Brasil, da época Mas a cultura, as pessoas E a mentalidade também da gente Vindo lá do interior E assim, quase que as coisas aconteciam em castas. Você nasceu aqui e não vai sair daqui. Você nasceu pobre, vai ficar pobre. Você nasceu isso, vai ficar assim. Era quase isso. Uma maneira mais cultural, familiar. E o meu sonho era uma coisa simples. Ter uma casa, porque a gente morava de aluguel. É ter uma família Sólida, ter filhos Acabamos tendo duas filhas Maravilhosas E eu queria ter filhos para ensinar Para educar, para dar cultura Para dar estudo Para que elas Pudessem ser muito melhores Que eu E eu tive também que estudar Tive também que procurar Trabalhar e o outro sonho meu Era fazer faculdade Lá quando eu era adolescente Então, eu queria fazer uma boa faculdade, coisa que eu não consegui naquela época, já vou dar spoiler, né? Eu queria ter uma casa, uma família, um bom emprego, olha só, não queria ser empresário, queria ter um bom emprego. E ter uma vida estável, tranquila, e é nisso que eu fui trabalhando. Eu tinha um projeto, eu tinha uma meta, por mais simples que fosse. Só que a gente olha para trás e fala, olha, não é tão simples, não é tão simples. Isso que a gente conquista às vezes, né? E o médico te falou naquela época que você perderia totalmente a visão aos 40 anos. Quando que isso aconteceu de fato? Olha, parece que foi uma previsão. Foi lá pelos 40 anos, mais ou menos pelos 40 anos. Eu estou com 58, né? Isso já tem mais... Eu perdi mesmo efetivamente a visão? Porque é difícil a gente dizer o dia que perdeu. porque ela vai diminuindo aos poucos, cada dia, cada dia, e assim, até que chega um ponto que a retina fica totalmente escura. Aí o médico até brincou comigo, tem uma boa notícia, não vai piorar, a boa notícia é que não vai piorar, a notícia ruim é, acabou, não tem mais visão. Mais ou menos lá para 2014, 2015, nessa época aí que eu acabei perdendo toda a visão, que também ainda sobrou um residual de claridade, mesmo quando eu perdi toda a visão, ficou um residual da claridade, então ainda eu consegui enxergar um pouco de claridade. Então, por exemplo, se eu saio na sacada, dá para saber se está de dia. Às vezes não dá para saber se está sol ou se está nublado, mas dá para saber se está de dia. E um outro sonho também que você comentou, tem a família, as duas filhas e tem também a netinha, a Rebeca. A Rebeca, a famosa Rebeca. E foi através dela que você ingressou na literatura? Conta um pouquinho para a gente. Então, isso foi até engraçado, até porque essa parte da literatura, de ser escritor, que é o nosso foco de hoje, não estava nos meus planos. não tava no meus sonhos né falar quando eu crescer quero ser escritor né aliás eu sempre tive dificuldade para ler né porque eu enxergava né quando você não lê muito você também não fala direito você também não tem outra expertise assim né e eu não era de ler não era de ler mas era de ouvir sempre pedia para minha mãe contar as coisas e ler e sempre de televisão também que era coisa assim, rádio, né, rádio, procurava me, assim, estar por dentro, assim, dos assuntos, né, e minha filha, minha neta, a nossa neta, tem dois anos e meio, mais ou menos, então, há uns três anos atrás, né, eu falei, eu vou escrever aqui no documento Word, né, as histórias da minha infância que eu contava para as minhas filhas, né, quando eu estava lá no sítio da minha avó, quando eu estava na casa, pescar, não sei na onde e tal, Eu vou começar a escrever algumas histórias Para não esquecer E aí eu deixo aqui no Word E minha filha imprime E quando a Rebeca crescer Ela lê para a Rebeca E daí eu peguei Era 1º de janeiro do ano de 2024 Eu estava aqui esperando Estamos em casa, né? Estava aqui esperando Alguém me buscar para a gente ir lá 1º de janeiro Ia fazer um almoço em algum lugar, né? E eu peguei Eu falei, quer saber de uma coisa? Deixa eu procurar aqui no Google, editora. Aí apareceu lá uma, duas, três, daí eu cliquei numa, falava tudo, menos o que que... Cliquei na outra, na outra, tem lá, mande aqui agora o seu exemplar, por esse e-mail. É essa que eu quero, né? Aí a editora viseu, do Paraná, né? Eu peguei de uma maneira, sem nenhuma pretensão, mandei. Daí vem aquela mensagem automática, né? Ah, obrigado, você recebeu. Eu sei que é automático, né? 1º de janeiro ninguém respondeu aquele e-mail, né? Aí passaram umas duas semanas, recebi uma resposta um e-mail, olha, nós gostamos da sua história e a gente quer que ela seja contada pra muitos. E aí eu não esperava isso, né? Simplesmente eu peguei isso e mostrei pra Deus ali, essa resposta deles, né? Ela olhou e não entendeu o que que era, né? Demorou um pouco pra entender. É, eles não querem publicar meu livro. quando eu mandei para a editora, lá no finalzinho eu falei, olha, quem sabe venha alguma coisa pela frente fiz a tarde de autógrafo e falei gente, pode ser que venha coisa pela frente mas eu já comecei a escrever o segundo a continuação, aí quando eu comecei a escrever o segundo, já pensei em mais dois então, o segundo o primeiro a jornada e o segundo a jornada continua e agora eu estou lançando sábado claro, não sei quando vai ao ar mas é 12 de setembro de 2026, eu vou fazer o lançamento do terceiro livro, fechando uma trilogia e lançando mais dois livros, já de uma série mais espiritual. Então, esses três livros, uma trilogia, a jornada, e ele fala sobre superação. Na minha infância, primeira infância, um pouquinho do que a gente comentou aqui agora, na minha adolescência, colégio e também na entrada no mercado de trabalho. E aí eu falo muito com o jovem que está entrando no mercado de trabalho, De dar o melhor de si E a terceira fase que é A minha vida de casado, vida a dois Então a próxima jornada É o segredo da vida a dois Onde eu falo do projeto do casamento E daí eu falo Algumas coisas das minhas filhas E tudo contando histórias Histórias que eu vivi E aí tem umas tristes, tem umas engraçadas Mas por trás Dessas histórias eu tento Segurar um pouco a atenção Com as histórias E aí eu trago sempre alguma informação. Lá no começo, no primeiro livro, era mais assim, estude, obedeça aos pais. No segundo livro, estude, trabalhe. No terceiro livro, se prepara para casar, tenha uma família e se dedique à sua família, à sua esposa, aos seus filhos. Trabalhe. Então sempre tem estudo, trabalho e dedicação. Nas três fases da nossa vida. Se você pudesse conversar com aquele Vladimir Que você, na adolescência, era mais recluso Com vergonha de sair de casa O que você diria pra ele Depois de tudo que você conquistou até aqui? É uma coisa bem interessante Porque Primeiro, eu acho que Só pra deixar claro Eu não mudaria nada da minha infância Não mudaria Moldou aquilo que eu era Mas eu acho que o mais importante eu voltando lá e falando para aquele Vladimir, que eu acho que eu acabo falando para vários Vladmir's por aí afora, é não deixa a sua dificuldade pautar ou moldar ou transformar aquilo que você é. Seja mais do que a sua dificuldade. E aí não é só dificuldade visual, pode ser qualquer outra dificuldade, até financeira, dificuldade intelectual, talvez, dificuldade em geral, qualquer barreira. Então, todos nós temos limitações. Você tem, eu tenho, quem está ouvindo a gente, assistindo a gente, tem, mas cada um na sua dificuldade. Agora, não deixe essa dificuldade, eu falo para aquele Vladimir, mas eu posso falar para qualquer um, não deixe essa dificuldade sua dizer quem você é. E outra coisa, tem como vencer, tem. É transpiração, é pequenos sacrifícios, é persistência, porque a gente não consegue fazer na primeira. Tem que persistir, e persistir, e persistir, e persistir, e trabalhar, e trabalhar. Ah, eu trabalhei em uma grande multinacional? mas eu acordava 4 horas da manhã para ir trabalhar. Ah, eu conquistei, sei lá, minha casa, que é uma coisa simples, mas deixei de gastar dinheiro por aí afora. Então, assim, sacrifícios. Então, faça pequenos sacrifícios, tenha um projeto, persiga esse projeto, né? E não deixa nenhuma dificuldade em dizer quem você é. Praticamente isso que eu falaria para aquele pequeno Vladimir. Perfeito. Espero que também sirva de conselho para quem está assistindo de casa. É, eu espero também. Muito obrigada, Vladimir, pela participação aqui no Histórias de Vida. Espero que você tenha gostado. Obrigada por contribuir um pouquinho, contar a sua trajetória, que apesar das dificuldades que você enfrentou, você conseguiu vencer e conquistar tudo o que você sonhou naquela época. Eu que agradeço e que isso sirva de lição para muita gente. Estou à disposição também, se alguém precisar conversar alguma coisa. Perfeito. Muito obrigada mais uma vez. Espero que você tenha gostado e até o próximo Histórias de Vida. Até a próxima. Música Legenda Adriana Zanotto Legenda Adriana Zanotto
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