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Olá, [música] o ser empreendedor de hoje começa com a história da Cíntia, que depois de trabalhar 10 anos como CLT aqui em Campinas, decidiu empreender, largou tudo e investiu R$ 870 em um negócio com vinhos. Cia, conta para nós como que era a sua vida, o que que tava acontecendo e por que você decidiu eh vou ter um negócio e depois de decidir ter um negócio, decidiu que era vinhos. Eh, eu trabalhei, eu trabalhava numa empresa de tecnologia como assistente de marketing, mas eu sempre tive um desejo de ter algo meu. Eh, eu sempre acreditei que eu tenho esse potencial. E depois de 10 anos eu escolhi, saí do CLT. Mas nesse quando você escolheu, você foi fazendo esse planejamento anteriormente ou chegou um dia, você falou: "Deu 10 anos, eu vou sair". E e se entregou ao empreendedorismo. Como que foi essa trajetória? Eu resolvi sair porque não fazia mais sentido para mim. Fez sentido por 10 anos eu estar na empresa que eu estava. Não fazia mais sentido acordar às 5 da manhã para ir pro trabalho, eh, o que era muito prazeroso passou a não ser. E eu acredito que o trabalho a tem que ter prazer, você tem que gostar de ir para o lugar que você está indo. Eu gostei durante 10 anos e aí decidi sair. Falei assim: "Não faz mais sentido para mim". E saí, saí, pedia, pedi, pedi para sair e aí fui empreender. Tá, mas nesse pedir para sair, você já saiu com esse planejamento do vinho ou então chegando em casa, você falou pro marido: "Olha, realmente eu pedi a conta, agora a gente tem que tomar outro rumo, eu tenho que ver o que eu vou fazer. Como que foi essa esse passo a passo? Não, não, a gente não, eu não tinha, não tive planejamento. Eh, o vinho veio como opção de negócio, porque eu e meu marido, a gente sempre gostou de passear em vinícolas, eh, sempre gostou de de ver as uvas no pé, de experimentar, degustar o vinho lá e saber como que aquele vinho harmoniza com quê e e sentir esse prazer eh no paladar. Então a gente falou: "Por que que a gente não vende vinhos?" E surgiu a ideia assim, porque nós dois sempre gostamos de passear nas vinículas. Daí eu fiz um curso, eh, só que esse curso inicialmente era um curso mais comercial para mim aprender e entender como que, como que eu iria comprar, de quem eu eu poderia comprar, eh, o processo de revenda, porque já existia um mercado com esse nicho, então, sim, já existia. Então eu fui entender melhor esse mercado, como que eu poderia vender, que hoje eu vendo online, como que eu poderia começar. Pois bem, aí começamos, fiz esse curso, a gente começou, eu fiz um investimento, o mínimo que a gente conseguia na época, que era eh R$ 870, era R$ 800 que eu comprei de vinhos e R$ 70 de embalagem. Até porque você tinha pedido conta, você não teve direito a receber várias coisas, né? Ou você fez um acordo para receber um um montante importante? Fiz um acordo. A empresa fo Então você tinha uma reserva. É, a empresa foi bem bacana comigo. É uma empresa muito legal. E comprei, fiz um investimento de 870 e falei pro meu marido: "É assim que a gente consegue começar? É assim que nós vamos começar. E assim nós começamos. Eh, deu certo e a gente sempre tá inovando. E aí assim, então, mas aí você fez o curso então de da parte comercial, sim. Você usou o seu conhecimento de visitar as vinículas ou você foi também fazer um curso para se aprofundar, para entender melhor de vinhos, até para que você pudesse fazer um catálogo, escolher um bom fornecedor? me fala também desse processo técnico. Sim. Aí, eh, eu fiz um curso de somelier para entender dos vinhos, como eles são, como que eu vou te oferecer um vinho se eu não não souber daquele vinho. Então, eu fiz um curso de somelier para mim compreender melhor ainda o mundo do vinho, para mim poder vender eh com mais clareza e excelência os meus vinhos. Sim. E a partir daí, como foi conquistar cada cliente? Porque até então você nunca tinha vendido nada. Sim. Eh, é um desafio e um aprendizado diário. Mas aí você simplesmente abriu uma página numa rede social, você contactou amigos, contactou vizinhos, como foi criar essa rede, Cíntia? Sim, a gente abriu uma página na em rede social e comecei a postar sobre os vinhos, eh, tudo relacionado ao vinho. Mas eram curiosidades ou a venda em si? como que você fez essa dinâmica? Porque, por exemplo, você poderia ter postado um vinho que combina com alguma coisa e as pessoas te perguntavam e você tinha o vinho para vender ou não? Já era, olha, eu tenho vinho tal, minha carta e tal. Qual foi a sua técnica aí? Eh, a estratégia era eh misturar, né, falar sobre os meus vinhos e também falar de harmonizações, como que você pode harmonizar os vinhos. Sim, porque é interessante você falar pra pessoa e também eh sempre falar assim, eu gosto de muito de dessa dessa expressão assim, você não é obrigada a harmonizar, não se trata disso. Se trata que a sua experiência é muito eh mais completa quando você harmoniza. É maravilhoso quando a gente harmoniza. Mas também é o vinho, você pode tomar como e quando você quiser. Se você chega em casa, tá cansado, só quero tomar um vinho para relaxar, sem sem harmonizar, sem nada, é perfeito. Tá ótimo também. Sim, né? Então, descomplicar o vinho, não precisa eh harmonizar sempre. Eh, hoje eu quero tomar um vinho leve, um vinho que de entrada, que não passa por barrica, mas é um bom vinho. OK. Eh, sim, né? A ideia também sempre foi essa, porque às vezes as pessoas acham que vim é coisa de gente chique, coisa e não é, gente, vim é simples, ele eh não é complicado. É mais uma questão cultural. Isso sim. E a partir de então, quando você faz essa página e começa a trabalhar dessa forma, quem foram os clientes que foram chegando até você? Inicialmente foram pessoas do trabalho do meu marido, que ele é CLT, eh, pessoas do trabalho, alguns amigos que com começaram a comprar também e assim a gente foi crescendo, né? algumas pessoas eh de condomínios e assim a gente foi evoluindo e estamos nos desafios ainda, né, de 3 anos. Sim. Hoje como funciona? Ainda é naquele primeiro modelo ou você teve que fazer alguns ajustes no negócio? É, ajustes a gente sempre faz, né? Hoje eu ainda vendo pelo em rede social e mas também a gente faz outras outros tipos de de trabalho. Eu faço eventos, eu tenho um carrinho de vinhos, então eu faço eventos de aniversário, eventos eh eu fiz um pilates wine, coisa mais maravilhosa de fazer, foi super legal. Então a gente aumentou a o nicho, né? Sim. E a gente faz eh rótulos personalizados também de O que que é o rótulo personalizado? É para uma festa específica e aquele vinho ganha o rótulo daquela festa. É isso ou não? É o cliente, o cliente me passa o que ele deseja. Sim. Então, geralmente, eh, ah, uma foto que ele gostaria que tivesse no rótulo, eh, uma mensagem ou a empresa que quer o logo dela naquele rótulo. E aí a gente produz, a gente monta e entrega pro cliente como ele deseja. A sua empresa tem um nome, desde o começo já era esse nome ou não? Sim, desde o começo era sempre foi vir em afeto. Por que você escolheu esse nome? Vários são os motivos. Falando do vinho. O vinho sempre você toma ele com alguém que você gosta. ou se você toma sozinho, mais porque você está no seu momento de de solitude com você tomando um vinho. Então, vinho é afeto e também porque a forma que a gente trabalha com os personalizados na escolha do vinho que a gente, eu, eu sempre ajudo as pessoas a escolherem o vinho que, né, todo as pessoas são muitas opções, então as pessoas também se ficam meio perdidas. Eu acho que isso tudo é afeto e o mundo precisa de afeto. Agora a parte prática, sente, a gente tá falando da técnica quem cuida do caixa. Como que você consegue separar o CPF do CNPJ? É, é para quem empreende. É desafiador, né? Sou eu que cuido. E consegue separar? Sim, consigo, consigo. A gente consegue separar. E mas como que você faz? Você tem um livro caixa? Você usa planilha? Qual que é a sua metodologia? A gente usa uma planilha, né? Eu uso uma planilha do que entra, do que sai. E agora, eh, e certas datas a gente vende mais, como dia dos namorados, Natal, eh dia dos pais também. Sim. E aí você tem que equilibrar entre esses os períodos que são sazonais com os outros períodos a gente vende também, mas não tanto quanto nessas. Então você já tem que pensar nesse equilíbrio do negócio. Por exemplo, a gente tá em dezembro, eh janeiro já é um mês que, digamos que dá um uma baixada um pouco nas vendas. Seria isso? Sim, sim. Janeiro já cai um pouco porque passaram as festas, né? E as pessoas estão preocupadas com outras prioridades. Sim. Sim. E aí a gente tem que se programar para para janeiro, por exemplo, que aqui atrás de nós, por exemplo, a gente percebe que tem alguns kits que você já pensa então nessa harmonização quando você forma esses kits que vá e esses kits vão além do vinho, você coloca, ó, eu tô vendo aqui, alguns tm geleias, alguns tm alguns biscoitinhos. Como que também é pensar em montar esses kits para agradar o cliente? Esse kit eu monto praticamente junto com o cliente. Ah, tá. Eh, porque o cliente ele me fala para quem ele vai dar de presente e qual é o perfil dessa pessoa, se ela já toma vinho, eh, se ela gosta de um vinho mais encorpado, se ela gosta de um vinho mais leve. E aí a gente escolhe e os a geleia, o antepasto, né? Geralmente também, dependendo do vinho, eu já falo pra pessoa que determinado antepasto é melhor. Entendi, né? Claro que o cliente que escolhe, mas assim, a gente sempre já indica também. Indico. Você que começou o negócio, Cíntia, com R$ 870, hoje o seu faturamento mensal é média de quanto? Bom, uma média de 3 a 5.000, mais ou menos, tá? E você tem planos para aumentar esse faturamento? Já pensou em alguma estratégia ou isso hoje é o suficiente para você? Não, o sonho, né, é ter um lugar meu com a mesa para mim fazer os meus eventos de harmonizações, que hoje você trabalha na sua casa. Hoje eu trabalho em casa. Então um som, o sonho maior é este, né? o meu negócio para que as pessoas possam ir degustar o vinho e compreender que aquele vinho é bom e ele comprar e ele vê que ele fez um bom negócio. E você já colocou uma meta para você para pensar: "Olha, eu quero concretizar esse sonho de ter meu espaço físico em tanto tempo ou ainda não?" Ainda não. Eu ainda não parei para me colocar essa meta, mas preciso. Mas está na tá no projeto de 2000 2026, talvez não, mas talvez 2027. É importante, né, a gente pensar sempre em uma data quando a gente fala de negócios e metas. Sim. No mais, Cíntia, valeu a pena ter chegado um dia lá na sua empresa e falado: "Olha, gente, eu não quero mais". E começar a empreender? Valeu muito, apesar de tudo que de tudo como não é fácil empreender, né? Eh, não vamos romantizar porque realmente é desafiador. A gente sempre tem que tá inovando estratégias e falando com pessoas e mas assim, mas se me perguntarem, você faria tudo de novo? Faria. Faria. Eh, porque é além do empreender. Eu penso que o empreender faz é um crescimento, um alto um alto crescimento muito grande que te faz eh se desafiar, te faz perder medos, enfrentar os seus medos, eh, e faz você ver que você é capaz, que faz você acreditar em você mesmo, porque se você não acredita em você, ninguém vai acreditar. Então, combinado ser empreendedor vai voltar aqui em 2026, 2027. Aqui não, né? O seu showroom, meu showroom de vinhos. Tá certo? Então, muito obrigada. Eu que agradeço, Mirna, e agradeço a oportunidade e até 2027, combinado? Então, o ser empreendedor fica por aqui, mas não saia. No próximo bloco a gente vai contar mais uma história inspiradora. [música] [música] [música] [música] [música] E neste segundo bloco a gente continua falando de vinhos. Nós vamos conversar com a Daniela Buso que tem um modelo de negócio um pouco diferente da nossa entrevistada do primeiro bloco e ela vai falar dessa trajetória. Daniela, antes de trabalhar com um vinho, parece que você tem uma outra história profissional e que daí a pandemia que te despertou para esse lado empreendedor. Me conta. Bom, primeiro é um prazer estar aqui com você. Eh, contar a minha história é sempre gratificante porque é uma soma de lutas, né? Isso pra gente mulher é tão importante também, né? Com certeza. Vamos lá. Eu sou advogada de formação. Eu atuei durante 26 anos no mercado financeiro. Na pandemia eu resolvi empreender. Eu sempre tive a paixão do vinho como uma válvula de escape para você desprender daquilo que é finança, daquele daquele mundo mais eh corporativo, aquele mundo mais opressor, vamos dizer assim. E eu falei assim, eu vou vou me formar somelier e eu vou vou montar o meu negócio, tá? Mas quando você se formou já era com esse objetivo? Já não. A eu estudo vinho desde 2002, então há 24 anos exatamente que eu estou nesse mundo do vinho como hobby e há três há 4 anos para cá que eu coloquei como profissão. Mas aí quando na pandemia você decidiu empreender, você já tinha essa certeza que era convinc? Eu tinha, não tinha uma certeza, porém era o meu coração que falava assim: "Você gosta tanto disso, por que que você não empreende, né?" E naquela, naquela, eu lembro que todo mundo bebia vinho, todo mundo tava curtindo o mundo do vinho, todo mundo me ligava na pandemia porque a gente estava em home, né? A gente não podia trabalhar e em loco. Todo mundo me ligava: "Ai, eu quero vinho, eu quero isso, o que que você me indica?" que eu falei, gente, eu acho que eu nasci para isso, então vamos lá empreender. Aí em finalzinho de 2021, abri a Wine Doc, que é uma empresa, eh, que começou vendendo do quarto de hóspedes da minha casa. Era um delí, era um social commerce, iFood, uma loucura. A gente vendia apenas pelo WhatsApp e pela pelo Instagram e pelo iFood. A gente fez um cadastro no iFood, mas inicialmente você fazia como? Você foi atrás de um fornecedor, você comprava e revendia, qual foi a sua estratégia? Tá, quando eu decidi montar o NOC, isso, né, em no final de 2019, começo de 20, logo no início da pandemia, eu já tinha essa ideia. Eu quero montar um negócio, um plano B para sair do do mundo corporativo. Não quero mais. Tem uma questão da maternidade, uma questão de você ter mais liberdade, uma questão de você ter assim, trabalhar com propósito, trabalhar com alguma coisa que você goste mais e que e que te faça brilhar os olhos. Aí eu falei assim, que tal? Falei pro meu sócio, né, que é meu marido, o sócio na vida, né? Falei assim, que tal a gente empreender no mundo? Não, te dou total apoio ele permanece na profissão dele e eu fiquei, virei full time para o vim. visitei, comecei a visitar vinícolas brasileiras, importadores que estão aqui no no Brasil. Então, a gente tinha uma gama, no começo eu fiz tanta coisa errada, comprei muita garrafa de vinho, tinha mais de 120 rótulos, desnecessário, e aos poucos a gente foi evoluindo, mas o meu, a minha vontade era de criar. Então, eu fui até um certo limite, operando com rótulos de terceiros. Até hoje a gente opera com rótulos de terceiros. Hoje a gente mudou completamente, vou contar rapidamente depois. Mas eh o que que a gente vislumbrava? Vislumbrava que eu queria uma marca minha. Então eu falei assim: "Eu não quero saber, eu não vou só vender de marca de terceiros, eu quero montar uma marca, eu quero fazer uma marca de vinhos minha". E aí a gente lançou o Andanças, tá? O andanças foi a nossa eh segunda importação. A primeira importação foi o Aeros, mas foi uma importação coletiva. Então eu me aventurei, olha que louca, me aventurei no mundo do vinho através de uma importação direto já de caro. E a primeira foi pelo Chile. Depois essa é é importação 100% da Wedanças para quem tá em casa e não entende nada desse mundo de como é essa questão? Você teve que entrar em contato com uma vinícula? Sim. dizer o que que você pensava sobre esse vinho que você queria. E aí surge o Andanças. É isso. Sim. O andanças, o nome, o que que é o andanças, né? Eu quando eu quis fazer a minha marca própria de vinho, eu pensei assim: "Eu quero algo que seja diferente e que o brasileiro não tenha acesso ainda ou que tenha algum poucas poucas importadoras." Sim. Então, eu visitei inúmeras vinícolas lá na Argentina para até chegar uma vinícula com um projeto bacana, porque eu tive que comprar o vinho, eu tinha que deixar o vinho armazenando e envelhecendo na madeira, eu tive que fazer vários e eh percalços aí eu tive que dar várias etapas para sair o vinho pronto, que é esse que a gente tá tá aqui. Mas eu visitei vinícola, eu fiz contato com o fornecedor, eu fui atrás da gráfica do rótulo, eu comprei garrafa, então tudo eu fiz do zero. Escolhi a uva a dedo. Eu falei: "Eu quero um caberne franco e um torrontê." Porque Malbec todo mundo bebe. Caberne frank não era ainda a bola da vez, a uva da vez, né? Sim. Aí a gente fez uma linha de caberne frank tinto e um torrontê branco, tá? Peguei duas regiões, então região de Salta, que é onde a Torront se dá melhor devido à altitude, e Cabernet Frank do Vale de Huco. Importamos os contêiners e distribuímos aqui internamente. Foi uma loucura. Só que o nosso estoque acabou em seis meses. Então hoje eu tenho pouquíssimas garrafas só para Você fez uma edição limitada? Não, não fiz. A primeira, a primeira compra que foram contêiners, eles venderam tão rápido que eu falei assim: "Meu Deus, como que eu faço agora?" E daí eu falei: "Então, agora vou fazer outro tipo de vinho". Aí a gente fez uma linha de espumantes em garrafas chamada vivência. Esse é nacional. O espumante brasileiro é um dos melhores espumantes do mundo. Então a gente acredita muito na uva e no projeto, no processo de dos enólogos brasileiros para fornecer um um espumante de qualidade. A gente visitou vinícula e conversa, a mesma coisa que fizemos na Argentina, no Chile e fizemos no Brasil e lançamos uma linha para para atender eh o mercado de bifet, mercado de supermercado, eh mercado de de que a gente chama oeca, né? Hotel, restaurante, bares. E também foi um sucesso. Essa linha é vigente com a gente. Então a gente tem um brute branco e um rosê moscatel, que é aquele mais docinho. Sim. E é um encanto, ele é típico. O próprio nome já diz que vivência é aquilo que a gente vivencia de coisa boa, tanto coisa ruim quanto coisa boa. Andanças, eu quis pegar o melhor do terroar de cada lugar que eu andei. Então a gente colocou o terroar argentino. A gente acredita que a Caberne Frank se dá muito bem no Vale de Huco. Então, pelas minhas andanças no mundo do vinho, eu entendi que eu deveria fazer um Camer Frank do Vale de Uco e um Torrontes de Salto, certo? Então, a ideia a gente crescer andanças, né, tanto Brasil, Portugal, eh fazer um uma espécie de um algum misto ou um blend, alguma alguma alguma coisa diferente para trazer um vinho diferente pro Brasil lá da Europa. A gente vai minhas andanças no mundo vinho. Então continua essas andanças. A andança não vai parar nunca. Ai que demais. Só que aí, gente, a Dani não parou nisso não. Ela não ficou contente com ser uma vendedora de uma outra marca e ter a própria. Qual foi o próximo passo? Ah, aí foi um projeto inovador. A gente criou, eu, eu fui uma viagem, uma andança, uma andança minha na Europa. Eu vislumbrei assim uma cena muito inusitada, né? né? Tinha uma um pô do sol e lá no no trocader assim ali na na fundo com a com a torre Effel e tinha uma moça tomando um vinho em lata. Isso em 2000 e 2013 nem sonhava em trabalhar com vinho. Eu olhei aquilo e falei: "Meu Deus, não tinha nada de lata no Brasil, né?" Falei: "Meu Deus, olha que mulher linda, olha que cena linda, aquilo marcou". E ela tava tomando um vinho lata. Aí eu falei, eu quero lembrar dessa cena, mas eu quero ser essa mulher. [risadas] E eu fundei a linha uma Colors. Então a gente tem hoje cinco estilos de vinho. A linha vai crescer agora. A gente vai abrir o leque, aí a gente não vai ficar limitado a vinho. A gente acha que o mercado brasileiro ele consome vários estilos de bebida, a gente tem que estar sempre antenado. Mas a a minha menina dos olhos é alma Colors, então a gente vende para 17 estados. Hoje a produção é é a produção é no sul. A produção é no sul. Então eu compro todas as uvas eh uvas e vinho, né, do sul. Eh, a gente tem um uma vinícula parceira que que a gente terceiriza essa produção. Então, a marca é minha, o projeto é meu e eu só utilizo avenícula para fazer esse invase. Dessa dessa desse produto. A ideia é desburocratizar a bebida. Você não precisa tomar um vinho de qualidade somente na taça, numa garrafa. Não há necessidade de você ter glamor. A bebida tem que ser, ela tem que ser popular. Então, o que que a gente acha? A qualidade da lata e a qualidade da garrafa você consegue unir em uma só. Tanto uma garrafa quanto uma lata. Falando na minha lata, a qualidade é sensacional. que isso foi essencial para essa sua decisão. Isso foi essencial, porque eu não poderia colocar um produto inferior na lata, porque senão a pessoa vai tomar, pessoa que é leiga, ela vai olhar a lata, vai falar assim: "Pera um pouquinho, mas eh não faz sentido eu tomar um vinho de qualidade aqui". Lógico que faz. A lata é só um meio de transporte do vinho, mas o líquido tem que ser de total qualidade. Então eu prezo muito a qualidade que tá ali dentro. A gente começou com a música Tel, que é a docinha, que todo mundo gosta. Depois evoluí pro espumante brut. Temos agora um zero álcool, que é a é o carro chefe da nossa empresa, um vinho branco e um vinho rosê. Eles eles complementam por enquanto a linha. Lá em 2021, qual foi o seu investimento no negócio? O investimento não vem de um dia para noite. Então eu a gente fez uma, vamos dizer assim, uma uma reserva financeira para comprar um estoquinho. Isso daí era uma questão que eu fui trabalhando. A gente não pode empreender se você não tem uma contrapartida, porque você não tem o resultado imediato. O empreendedor, ele precisa, antes de colocar a mão na massa, prever problemas. Porque a gente tem que trabalhar, como a gente fala no mundo, né, no no mercado financeiro, a gente tem que colocar aquele stress teste, a gente tem que pensar numa situação onde ninguém vai consumir. Como que você vai virar a chave para deixar de empreender, para voltar para trabalhar, para fazer outra coisa. Então você tem que ser tem que ter assim responsabilidade. Eu digo então de quant o meu o meu investimento, eu lembro assim na época a gente teve que fazer apenas um Instagram, então eu tive que comprar uma linha, uma linha de celular, né? Uma linha, a gente teve que fazer um site, mas não era um site todo bem feito, era uma landing page, só para dizer que a gente estava lá. E a gente fez, a gente pegou R$ 15.000 R$ 1.000 em estoque, tá? Que foi isso que eu comecei, que foi até que você comentou que tinha mais de 100. Não, aí você quer tudo, né? Porque eu que sou estudiosa do mundo vinho, como que eu não vou ter um vinho da França? Como que eu não vou ter um vinho da Europa, né? Da tem que ter um um de cada país. Bobagem. a gente tem que fazer aquilo que tá no próximo passo. Hoje eu não me arrependo porque assim, eu tive a minha a minha clientela cresceu eh em virtude de eu ter uma curadoria muito legal nisso, mas não há necessidade de você investir. Se você focar e der um der um gás nesse foco, você consegue dar o próximo passo. Nesse modelo, em quanto tempo você conseguiu o seu investimento de volta? O meu investimento eu consegui no terceiro mês. No terceiro mês eu consegui, só que daí eu fui investir mais. Sim, porque você foi fazer eu fui fazer a importação, aí eu tive que tive que contratar pessoas. Então assim, o investimento não vem no dia pra noite. A minha ideia era: "Ah, eu vou ter uma vinícola". Hum. Não, não, não, não, não, não. Então, muito, todo mundo acha que trabalha com vinho, quer ter, mas não é ainda, eu, eu prefiro criar marca, então a minha ideia é criar marca. Quando você pensou no modelo em divino, em lata, qual foi o investimento? Porque era era já um outro patamar. R$ 10.000. R$ 10.000, menos ainda do primeiro. R, muito menos. Só que menos. Porém, eu tive que fazer criação. Toda a marca ela tem que ser registrada. Sim. Então, o investimento não é só comprar o líquido e vazar e colocar na prateleira, é você primeiramente registrar a marca. Isso é fundamental para uma pessoa que quer investir em qualquer marca, seja pincel, eh, botão, qualquer coisa, registre a sua marca. Então, isso tem um custo, é um custo de registro de marca. Então isso já faz parte do investimento. Quando a gente evoluiu pro vinho na lata, era um era um vinho que quase ninguém fazia, quase ninguém faz ainda, porque o mercado ainda tá em crescimento no país. O país ainda tem essa, esse préonceito de não conhecer o produto antes de de dar opinião. É falando, nossa, mas em lata não é cerveja em lata, é outra coisa. É outra coisa. No começo colocaram na gôndula do supermercado o vinho do lado da cerveja. Faz sentido nenhum. Sim. O vinho é o vinho, a cerveja é cerveja. O vinho ele ele pode ser barato, ele não tem uma característica eh de de ser mais barato que a cerveja. O processo de fabricação de uma cerveja em larga escala é infinitamente eh menos custoso que o vinho. O vinho a gente tem curadoria, o vinho a gente não que a cerveja não tenha, mas o vinho eu trabalho com uva, que não é a mesma coisa que a cevada, é um outro processo, né? Então a gente coloca maturação. Eu dependo muito da maturação do vinho, dependo muito do que a uva vai apresentar para mim no tanque pra gente envazar ou enlatar ou engarrafar, porque tem vários hoje vários vários eh recipientes que você pode guardar, né? Ouv. Você comentou inclusive que o seu o seu parceiro é uma venícula do Sul e a gente sabe que recentemente o Sul passou por algumas questões. Isso de certa forma naquele momento teve um impacto no seu negócio ou não? Não, pelo contrário, eu achei que depois de tudo que aconteceu no Sul, pela pela pelo clima, por outras questões, né, que teve na mídia trabalhista, tudo, só fortaleceu os empresários, né, eu eu assim os os viticultores, vamos dizer assim, eh gaúchos, que são os que eu que eu compro, eles são fantásticos. São empresários que têm um amor pelo que fazem. A maioria tem descendência italiana, então trouxe isso com a família. Então tem uma característica bem eh semelhante a vinhos de de mesa na Itália, certo? As gerações seguintes a gente vê claramente já tá mudando isso, então tá bem profissionalizado o vinho brasileiro, não só gaúcho, mas o catarinense, o paulista, o vinho nordestino, o vinho do Centro-Oeste, que todo esse lugar tem vinho, né? O vinho mineiro, o vinho do Rio. É, o Brasil hoje em dia tá vinho, nordeste tem vinho, uma região incrível, vale a pena todo mundo conhecer. Todos têm essa esse amor pelo que faz. O vinho gera isso. Eu não vejo o vinho como uma bebida alcoólica. Todo mundo, ah, eu trabalho com vinho, todo mundo acha que eu bebo o dia inteiro. Não, a gente estuda muito. É assim, você tem que estar muito claro em tendência, você tem que entender muito de geografia, de história, de terra, de do que a uva, uma uva vai dar certo no Brasil, outra não vai dar. Então, a gente tem que apostar nas uvas que mais se adaptam ao nosso clima, ao nosso terroar. Então tudo isso os gaúchos, né, que nem você fez a tem fazem com maestria. Gosto muito de trabalhar com eles. E como você eh foi conquistando nesses anos todos os fornecedores? É B2B, não. Você falou desse primeiro modelo que era para hotel, restaurante. Hoje ainda são eles o seu carro chefe quando você pensa em público alvo. Tá. Os clientes. Sim, sim. os clientes, a gente faz vinho. Eu eu quando eu criei o vinho, eu não faço vinho para mim, eu faço com uma curadoria para mim, porém eu respeito o paladar do cliente. Quando a gente lançou a primeira importação, né, do Aeros, que é um vinho chileno, a gente pensou o quê? O que que o brasileiro gosta? Carmener e Cabernetinho, seguido de Malbec. Aí eu pensei na segunda importação, para que fazer malbec? Vamos pensar fora da caixa, vamos fazer caberne frank. Despontou o caberne frank. Mas você acha que foi do nada assim, ah, eu acordei e falei: "Não, eu vou fazer um caberne frank". Não, a gente olhou o nosso cliente final. O nosso cliente final no começo do nosso negócio era só pessoa física. Então, quem que eu queria atender? os meus amigos, pessoal aqui da região, eu não queria passar, eu queria mostrar para todo mundo que eu tinha capacidade de ter um portfólio legal de vin e que eu poderia ganhar dinheiro para isso. Quando eu pensei em criar a marca, o meu público alvo mudou, não é mais a pessoa física só. Agora é a pessoa jurídica, é o B2B, né? É aquilo que vai entregar o meu produto. Olha só, né? A gente agora vende pra física, mas o meu carro chefe é pessoa jurídica. São públicos diferentes. No final todo mundo quer atingir o objetivo só, quer satisfazer o consumidor final. Sim. Mas olha a etapa que a gente tem que percorrer. Então a gente tem que estar alinhado em preço, tem que tá alinhado em marketing, tem que tá alinhado na questão da da qualidade da bebida. A bebida nunca pode chegar errada pro cliente. Então, se a lata amassa, eu sou obrigada, é por obrigação minha trocar essa lata. Ele não pode receber uma lata amassada. Isso é é vai contra a política. A gente tem uma equipe super comprometida que trabalha com a gente e sabe esses valores. Então, o que que eu prec o que que eu quero entregar? Eu não quero entregar o vinho mais caro, eu quero entregar a melhor experiência para ele. Então, hoje eu tenho uma boa experiência no B2B e no B2C, um complementa o outro. Ah, perfeito. Agora me fale dos desafios nessa trajetória e a partir de agora onde esse negócio vai chegar. Vamos lá. Desafios a gente é assim, é toda hora aparece, né? Os principais desafios hoje que eu vejo de um empreendedor brasileiro é a falta de persistência. Às vezes a gente tem aquele bate aquela aquela aquela consciência, meu Deus, será que vai dar certo? Se você faz com propósito, se você faz dentro da lei, se você não faz errado, se você não passa perna em ninguém, se você busca o melhor pro seu cliente, se você quer entregar um serviço de qualidade, por que vai dar errado? O que que você precisa? tá super antenado, estudar muito o seu o seu mercado, tem que tá olhar aqui e olhar fora. O meu mercado, por exemplo, eu olho muito Europa, mas não é só Europa. A gente tem, por exemplo, Nova Zelândia, Austrália trazendo vinhos incrívos, incríveis. Eh, Reino Unido é um um país que tá produzindo espumantes incríveis. ou no carro chefe brasileiro são espumantes. Então a gente tem sempre que ver a mudança climática tá fazendo com que os vinhos estejam se transformando. Tem isso também, tem muito isso. Então, regiões que eram tecnicamente saudáveis, entre aspas, né, pra produção de uva hoje tá tendo que repensar, colocar um outro estilo de uva ou uma outra técnica. vinhos muito alcoólicos, pessoal tá tirando o pé do álcool. Dá para fazer vinho menos alcoólico? Claro que dá. Eu tenho vinho zero álcool. Então a gente tem que estar muito alinhado à tendência, estudar o mercado, eh conversar com pessoas, relacionamento, vinho zero álcool. Só uma curiosidade no meio disso. Às vezes você fala assim: "Ah, vou tomar um vinho zero álcool". A pessoa falar: "É suco de uva". Explica aí. [risadas] O suco de uva ele passa por um processo de pasteurização, é como se fosse o leite longa vida, tá? Então o suco de uva para eles ficar dentro da embalagem ele tem que ser aquecido. Toda vez que a gente aquece as propriedades do vinho vão embora. O vinho ele tem que tá temperatura constante. Então a produção do nosso do nosso vinho sem álcool, né, que é uma bebida de uva eh gaseificada, ela passa por um processo chamado mosto gaseificado. O que que é o mosto? É a primeira prensa, a segunda prensa da uva que sai aquele líquido. É aquilo que vai me gerar a base para fazer a o vinho sem álcool. Existem três tipos, eh, três métodos para você fazer o vinho sem álcool. Esse é o mais fácil de fazer, o mais em conta de fazer. Existe um método que é você centrifuga todo toda a bebida e as moléculas elas somem. Esse é um processo assim extremamente custoso que não é feito no Brasil, feito só fora. Nós vamos chegar lá e a partir de agora, a partir de agora o seu limite. Agora eu peguei gosto, então agora não, não quero ficar só no vinho. Eu acho que eu preciso olhar outros mares, outros horizontes, porque eu gosto de criar a marca. Então vamos combinar o seguinte, quando tivermos novidade, o ser empreendedor volta aqui. Bora lá, tá bom? Olha, ser empreendedor, então fica por aqui. Lembrando que você pode acompanhar a nossa programação nos canais 11.3, 4 da Claro, 9 da Vivo e também todo o nosso conteúdo está lá no youtube.com/tvcâmaracampinas. Também nos acompanhe nas redes sociais e até o próximo ser empreendedor. [música]