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agora. [música] [música] Olá. De acordo com o relatórioismo negro divulgado em 2024 pelo Sebrai, o Brasil tem 16 milhões de empreendedores negros, dos quais 67.80% 80% são homens e 41.7% atua no setor de serviços. E o ser empreendedor de hoje vai conversar sobre cabeleireiros, um serviço bem importante aqui na cidade com a pessoa que é referência, o Arlindo Moreira Filho, o Dinho. Dinho, todo ninguém nem sabe que é Arlindo Moreira Filho. Eu mesma não sabia, já conheço o Dinho há muito tempo. Me fala um pouquinho, Dinho, dessa sua trajetória, né? Em que momento sempre foi Dinho? Ou a partir do momento que você se torna cabeleireiro, que esse apelido pega? Me fala um pouquinho lá atrás, quando você começou, há quanto tempo que eu vi que aqui na frente tá escrito desde [risadas] 1983? É isso mesmo. Precisa falar, não precisa falar também, né? Tanta coisa, né? Bom, primeiramente, bom dia. Bom dia a todos e você, Milan, também obrigado pela essa oportunidade de estar falando um pouco da minha trajetória. E assim, Dinho veio lá, o Arindinho veio justamente porque meu pai chamava Arindo e eu chamava Arindo também. Então, para não misturar as coisas ficou cortou no meio, ficou ar lindinho aí. Aí cortou no meio e ficou só Dinho. Aí da onde que surgiu o Dinho aí que hoje que muitas pessoas que como você não sabia que meu nome era Arlinda. É. E como o Dinho se tornou cabeleireiro? É assim, ô Mina, foi uma uma necessidade, na verdade, porque em Campinas só tinha um salão que era uma referência que se chamava Carmelitos. muitas pessoas época Não, não, tá? Eu era, eu era cliente de lá, tá? Mas aí eu eu percebia que a a pessoa negra ela ela todo mundo se concentrava lá, então a gente passava praticamente o dia todo para esperar para cortar o cabelo. É verdade. E eu comecei a observar e aprender olhando ele a cortar meu cabelo, que hoje é uma dificuldade muito grande assim, muitas pessoas e até em cortar o cabelo black justamente por isso, porque na época praticamente o Carmelit ele serviu como um professor nosso. Sim. Então, mas aí você aprendeu com ele ou você foi fazer algum curso? Como foi isso? Não, eu ficava observando, cortava tanto dos outros clientes que eu ficava o dia todo vendo ele cortar. E aí também eu comecei a a adquirir essa técnica. Sim. Aonde que eu cheguei em casa uma vez numa brincadeira, falei pro meu primo, ó, vamos fazer o seguinte, hoje a próxima vez eu corto seu cabelo, você corta o meu? Ele falou: "Vamos lá, demorou". E ele falou que sabia também. Sim. Daí na hora, no quintal de casa, na casa da minha mãe, ele cortou meu cabelo, acabou com o meu black. Eu falei: "Não, não acredito". Mas ele pensou que eu ia dar relax também no black dele. Falei: "Não, vamos lá, vamos tentar ver se eu aprendi ou não, né?" É. Aí peguei, cortei, eu vi onde eu vi que deu certo, que meu pai, meus irmãos falou: "Ó, eu já já tô na fila aqui." Então, onde tudo começou na hora já, mas de graça também não cobrava nada. E por um tempo ficou para mim como um hobby. Sim. Eu adorava coitar. Depois eu fiquei muito feliz quando o pessoal trazia Coca-Cola, trazia um um salgadinho pra gente comer tudo. Eu falei: "Nossa, através do cor de cabelo tô ganhando refrigerante, tô recebendo salgadinho para comer." Então foi um negócio muito bacana para mim nessa época. Nessa época você já trabalhava com outra coisa ou não trabalhava ainda? Eu sempre trabalhei na na em metalúrgica, né? Na como inspetor de qualidade. Metalúrgica. Mas aí, em que ponto você falou: "Olha, sou bom nisso, vou empreender numa época que com certeza nem se sabia o que era empreendedorismo, nem se falava como a gente conhece hoje." Mas você falou, vou fazer isso ou abrir um salão, como que foi essa história? Então, foi tudo assim, eh, foi justamente pela necessidade e a carência que o nós negros a gente tinha na época com relação a salão de beleza. Mas aí você pediu as contas do trabalho, você foi demitido, como que foi? Então, eu fui demitido, fiquei um bom tempo. Ah, olha que que que coisa incrível. Eu acabei de casar com a minha digníssima Rosângela e que tá aqui, gente, ela tá aqui acompanhando a gravação, hein? [risadas] E e aí eu fiquei desempregado, fiquei um bom tempo desempregado. Aí arrumei outra empresa, fiquei mais seis meses, mandaram embora de novo. Falei: "Não é possível". Aí onde que assim eu falo para todo mundo que eu lia um, comecei a ler um livro que hoje eu acho que eu eu aconselho a todo mundo a ler que ele chama o Poder do Subconsciente, onde abriu minha mente e assim tem muitas passagens bíblica dentro desse livro e fala muito você falar com Deus assim, falar: "Pô, Deus me dá um direcionamento, né? É onde que eu quando eu fui mandado ele embora, eu vinha vind no ônibus da empresa. Aí eu vi uma passagem no livro que a gente tinha que firmar a mente, pedir muito para Deus abrir a mente da gente e dar um direcionamento. Aí cheguei em casa, eu morava do lado no fundo da casa da minha sogra, do meu sogro, seu Zé Angelita. E aí eu falei para ele: "Pô, seu Zé sogrão, tem como você montar um um espaço para mim nesse corredorzinho do lado aqui?" Daí falou assim, ó, se você comprar os o material tudo, eu faço para você sem problema nenhum. Aí onde ele construiu para mim um salão do lado da cozinha, aí comprei um espelho, uma cadeira e é onde tudo começou. Começou no fundo de casa, então é fundo de quintal. Fundo de quintal. É. Ah, sim. E a partir disso, como foi crescer? E a gente tá falando aí um em um tempo bem importante, do fundo de quintal, você foi para onde? Então, eh, você, então, eh, o que eu venho falando sempre assim dessa carência, né? Eu, eu estava em casa trabalhando, aí eu falava: "Pô, mas eu preciso aprender, eu preciso ver com os profissionais que já estão gabaritados na cidade, como que eles trabalham e o tempo que eu achava que demorava demais para fazer um black". Tá aí onde cheguei no salão que chamado espacial na cidade que hoje não existe mais era uma referência também na cidade. Aí eu fui lá entrei na sobreló, eu entrei como assim não queria nada, né? Falei assim: "Eu só vou só desbilar só para ficar sondando." E fui numa segunda-feira. Aí eu cheguei pro dono, falei assim ele, eu entrei na na sala, ele falou: "Pois não". Eu falei: "Putz, e agora? Vou ter cortar o cabelo". [risadas] Não. E ele falou, eu falei assim, não é que muito, há muito tempo atrás eu vi que você estava precisando de um cabeleireiro. Falou, não, eu anunciei ontem. Falei: "Ontem é aí falou: "Vem aqui fazer uma ficha. Nossa, e agora?" Falei: "Não, mas sabe que que ela só sei cortar cabelo masculino e black, só não sei fazer mais nada". Falou: "Não, mas preenche a ficha". E eu de comecei tremer ali já. Eu peguei a preencher a ficha. Falei: "Tudo bem". Preenchi a ficha. Aí chegando numa sexta-feira à noite, eu eu tava em casa, aí ele ligou para mim, falou: "Cara, tem como você me socorrer aqui no salão?" Que falou: "Meus cabeleireiros me abandonaram e eu tenho um cliente aqui que ele tem um compromisso muito sério amanhã, tal". Eu falei: "Ó, o seguinte, eu tô cheio de cliente aqui em casa aqui, mas medo, né?" Tô cheio de cliente aqui em casa e eu vou ver se vai dar para ir. Aí cheguei lá, por sorte era um black ainda bem grande. É que o Black Quanto maior, mais dificuldade ainda, né? Mais dificuldade. Isso. E assim foi. Eu trabalhei por c se anos com ele lá. Pareceu um campeonato de corte de cabelo. O primeiro campeonato que tive aqui na época era Otillet, onde é o Campina Shopping hoje, tá? Aí eu perguntei para todo mundo, será que se eu fizer esse desenho aqui eu fosse conseguir ser campeão? As meninas que trabalhava falou: "Pô, você consegui fazer esse Homem-Aranha aí, que era o rosto do Homem-Aranha na cabeça, né?" Hum. Aí onde que eu peguei, treinei em casa no meu irmão, fui lá, é 40 minutos para você fazer e finalizar o corte. Ah, tinha que fazer lá na hora. Na hora. Tá aí, onde eu fiz e assim, graças a Deus, peguei em primeiro lugar e aí comecei, não parei mais. A partir disso estourou, então. Ah, estourou. Daí eu comecei, falei: "Agora eu tenho que fazer colocar o quê? Na mídia." Na época não tinha rede social, não tinha, né? É, nada. O que tinha antes era jornal, televisão, revista e rádio. Sim. Falei: "Agora, como que eu fazer para sair no jornal?" Aí eu peguei e falei: "Vou fazer". Na época tava em alto chupacabra. Eu falei: "Vou fazer esse chupacabra na cabeça de alguém, porque daí não tem como a mídia não vir para cima". Aí eu cheguei no no nego velho que trabalhava com a gente, falei para ele: "Pô, deixa eu fazer esse desenho na sua cabeça". Falou: "Pô, que esse bicho feio, cara. Vou fazer que que esse bicho feio na cabeça?" [risadas] Eu falei, "Nós vamos ficar famoso, pô". Deixa fazer, mas falou que você tem certeza? Já tinha uma estratégia de marketing na cabeça. Já tinha, já sempre tive. Porque assim, eu falo para todo toda pessoa que quer empreender, você tem que ser estrategista em tudo. Então is uma forma de estratégia que eu tive na época. Aí onde eu fiz o chupacabra, ele falou: "Ó, negrão, se não sair chupar na no jornal, eu vou perder minha esposa, cara. Que esse bicho feio da cabeça. Fica tranquilo, cara. Até então ela que chegou na casa dele. Bom, você tem [risadas] amigos, né, que para ser seus modelos que que entravam também nessas suas aventuras, né? As pessoas falam que eu tenho muita facilidade de influenciar pessoas. Aham. Eu acho que decorrente, acho não é decorrente de dessas leituras que eu sempre tive com livro de autoajuda, né? Sim. No outro dia de manhã eu corri na cidade, na primeira banca que eu vi assim, falei: "Pô, mas não saiu nada. Vi no cabeçalho do Correio Popular, não saiu nada". Falei: "Pô, sacanagem essa mulher aí". Aí peguei, virei o jornal assim, tá meia capa no jornal assim. Eu desculp no desenho. Eu falei: "Nossa, que bacana, pô". Aí eu virei todos os jornais assim com a minha foto. Aí eu saindo correndo na cidade inteira para com banca de revista. Eu virava todo assim, o dono do da banca ver, eu virava minha foto que eu queria que todo mundo visse meu trabalho. Aí que era um tempo em que todo mundo ou era assinante ou ia na banca, né? Eu ia na banca. Aí eu falei que ia na é Camargo. Aí beleza. Aí o que eu fiz? Tinha um camarada meu que ia para São Paulo direto. Eu falei para ele se tinha uma hora de levar um envelope com os desenhos lá lá no programa na SBT. Daí pegou e levou. E eu tinha feito uma esculpida o rosto dele mesmo, desse rapaz que levou na nuca dele, certo? Eu tirei a foto e ele levou algumas fotos lá. Aí em seguida o pessoal da SBT entrou em contato. Eu até achei que alguém tava tá fazendo a gracinha, né? Olha gente, ele mandava o relase num envelope, né? fazia o trabalho que hoje muitos assessores de imprensa fazem. Ele já fazia no método bem antigo, já olha, com essa ideia, quero ir lá mandar o envelopinho com o que é que eu quero mostrar com o seu contato, tudo certinho. Exato. Recentemente nessa trajetória, inclusive você mais uma vez saiu na capa dos jornais e nos noticiários. Quando você, a equipe de Portugal esteve aqui, você cortou o cabelo do Cristiano Ronaldo, é isso? Então é, é legal até interessante de toda essa essa história que eu venho contando aqui, porque muitas pessoas perguntam assim: "Mas como assim, cara? Você cortou o cabelo do Cristiano Ronaldo?" Mas eu falei assim: "Na vida nada acontece por acaso, sempre tem um porquê". Como foi essa história? Então, então foi assim, eh, como eu virei uma assim, uma referência em Campinas nessa arte de de desenho, aí o que aconteceu no dia da que eles chegaram no hotel do Derroy Pão Plasma, a moça que era responsável por essa parte de levar eles para cuidar da imagem deles, ela levou para apresentar o salão de beleza. Aí chegando lá eles viram que era uma cabeleireira e que ela não sabia fazer uns desenhos, freestyle. Aí eles falaram assim: "Não leva mal não, mas a gente prefere um rapaz que sabe fazer uns desenhos e tal, né?" Aí ela falou assim: "Mas aonde eu vou arrumar espírito de Deus que vai fazer isso aqui nesse? Será [risadas] que em Campinas tem isso?" Então, aonde que ela ligou pro cabeleireiro dela que arrumou ela, inclusive arrumou ela no hotel lá para casar e ela perguntou para eles, né? Falou: "Não, eu tenho uma referência boa em Campinas aqui". Aí ele ligou para mim. Aí chegando lá, perguntei até para essa moça, eu não lembro do nome dela, eu falei: "Quem quer que vai cortar?" Falou: "Você não posso passar informação?" "Beleza". Aí beleza, subimos lá na sala onde preparar toda uma sala para um espelho, cadeira, para poder cortar o cabelo dos meninos. Aí o segurança de Portugal falou assim: "Ó, eu vou falar uma coisa para vocês, para vocês dois. No hotel, todo mundo tem acesso à seleção de Portugal, não pode trabalhar com celular, nada, mas como vocês não são funcionário do hotel, não tem como exigir isso de vocês. Falei: "Não, tudo bem". Falou assim: "Então você não pode tirar foto, não pode filmar, não pode fazer nada". Falei: "Não, sem problema nenhum". Aí cheguei, chegamos, entramos lá, arrumei minhas coisas. Aí a moça falou assim para mim, é, tá chegando o primeiro aí. Foi legal. Eu até tinha comentado com o Luiz, falei assim: "Luiz, o Cristiano Ronaldo, se por um acaso a gente conseguir ver ele, vai ser ou cortar o cabelo dele, vai ser o último, né? Porque ele é muito vaidoso, né?" Sim. Falei: "Beleza, então é is quer dizer aí ter manter uma tranquilidade para mim como para a todos que estav ali na sala, né? Aí a hora que saiu do elevador que entrou na sala, apareceu lá quase o tamanho da porta, quem era o cara? É o Cristiano Ronaldo." Eu falei: "Não acredito que esse cara". Mas e aí? Você agiu normal como cabeleireiro ou você naquele momento agiu como fã? Não, não, como profissional mesmo. Eu sempre fui profissional nessa parte, né? E aí ele chegou espontaneamente assim: "E aí vocês que vão cortar nosso meu cabelo tal". Falei: "Iso mesmo já veio pegando nossa mão, uma simpatia". Você ficou nesse salão quanto tempo? Então, esse salão eu fiquei 22 anos. AF Brasil foi um que eu constituí toda a minha história. Sim. Construí minha história, né? Foi lá tudo. E até esse nome eu ganhei de uma amiga minha chamada Amélia. Ela falou: "Din se Afro Brasil esse nome tem sua cara. E onde que eu coloquei lá como meu primeiro salão e assim tem maior orgulho e maior honra. E eu tinha um outro sonho que o sonho era o quê? Colocar abrir algum negócio. Como meu nome? Dinho que eu falo para todo mundo assim, quando eu trabalhava em metalúrgico, eu passava na press, eu via um painel bem grande, Dinho Veículos e por coincidência esse Dinho é um japonês e acabou virando meu cliente. Mas na pandemia, você vai montar salão, até meu sócio falou para mim, o Beto falou para mim, falou: "Você não acha que tu tá remando contra a maré?" Falei: "Não, cara, eu eu senti que Deus tocou no meu coração, falou assim: "Você tem que partir agora o momento seu é agora". E você vê que tudo eu falo assim que é Deus, porque no momento que a gente não podia nem abrir o salão, né? Sim. E você parte para abrir um negócio sozinho. Então, a minha esposa, a a as nossas filhas também me deram maior incentivo, a Jaqueline, a Júlia e com isso me deu uma força, uma energia para vir. E como eu sempre fui uma pessoa muito positiva, eu falei assim: "Não tenho por não ir. Aonde que as minhas filhas passando aqui na frente viram uma fase de aluga, sen falou é aqui. Agradecer a Deus e tô aqui. Desde quando você tá aqui? Então 2021. 2021. Qual foi o seu investimento para vir aqui? Porque você teve que comprar móveis, teve que fazer todo tudo isso além do aluguel. Claro. Então, e assim, a a minha esposa, ela ela uma pessoa que me ajudou nesse nesse momento aí, né, que ela ela saiu, ela ela aposentou, tal, ela tinha até um dinheiro para receber da empresa. Ela falou assim: "Pô, eu te dou a maior apoio se você resolver sair de lá, porque assim, o salão ela por várias vezes ela assim, ela falou assim: "Porque você não tenta montar o seu salão?" E eu falar assim, pô, mas ali eu criei raiz, ali tem o o nome, salão, tudo e como que eu vou sair dali e sair levar o nome não daria para levar, né? Porque eu falei: "Não vou sair porque você até é injusto minha parte". E como eu já tinha em mente de montar um Dinho, alguma coisa, eu falei: "Ah, Din, eu vou montar que eu vou criar o nome aqui." Daí saiu Dinho Hair Company. Aí ela me ajudou, entendeu? Eu tenho um investimento alto aqui, questão de móveis, tal. Sim. Você já conseguiu esse investimento de volta? E graças a ela, já graças a ela nós conseguimos montar esse salão aqui. Eu e como que é para você hoje? Olha, realizou o sonho, tem uma grande trajetória. Ah, começou com aquela questão do cabelo black. Hoje tem homens e mulheres sendo atendidos aqui e e hoje tem o seu nome, Hair Company. E aí? Isso aí para mim, nossa, é muito gratificante. E como é para você pensar que você é um empreendedor negro? que também atende as pessoas brancas e negras, mas que tem o cabelo afro e que você majoritariamente atende os negros aqui da nossa cidade e até quem vem de fora transformando, claro, cada cabelo em mais belo ainda. Como que é para você essa essa missão, Dinho? É uma coisa assim que eu falo, Mirnando, é que aqui o salão a gente não não vende um serviço, a gente vende autoestima e a gente vende resistência também, porque eu eu fico muito feliz em saber assim que a negritude assumiu o cabelo crespo, né? E que até uma uma época que é uma época que a sociedade pregava muito que o cabelo para ser bonito tinha que ser liso. Sim. E aonde que a gente sofria muito bullying na época, né? Eu sofri bastante na época do black também. E a gente tinha uma dificuldade até para trabalhar com cabelo black, entendeu? a sociedade pregava que o nosso cabelo era feio. E com o tempo, com essa luta que vem constantemente aí a gente na na batalha para poder as pessoas respeitar um pouco, né, o nosso tipo de cabelo, a nossa cor, tudo. E eu e com isso voltou novamente as pessoas assumirem o crespo. Mas nessa de assumir o crespo, eh, tem muitos profissionais estão tendo uma dificuldade muito grande em saber como cuidar do nosso cabelo. Sim. E aonde que assim que eu acabei, eu acabei sim se tornando uma referência Campinas também com Crespo, justamente por isso, a gente tem que buscar conhecimento cada vez mais, entender um pouco mais do cabelo crespo, porque assim é até judiação, porque a gente mete caer um trabalho que não é de de excelência? Então tem que ter tudo isso tá valendo a pena. Com certeza. Eu tô feliz da vida, porque os black estão chegando cada vez mais aqui no meu salão e tô feliz demais. Tá certo? Então, Dinho, muito obrigada, viu? Obrigado, Mina. Ó, e no próximo bloco a gente continua falando sobre [música] o empreendedor negro, justamente nessa área de serviços com outro cabeleireiro. Não sai daí que o ser empreendedor volta já já. [música] [música] [música] E neste segundo bloco a gente continua falando sobre empreendedorismo negro. especial no segmento de beleza voltado aos cabelos afros, cacheados, crespos. E a gente tem mais dados do estudo realizado pelo SEBRAI no ano passado. Eh, 50.4% 4% dos empreendedores negros tem idade entre 30 e 49 anos e 70% deles ficam na região Sudeste e no Nordeste. E olha só, por coincidência, o nosso entrevistado agora, ele começou a história profissional dele justamente no primeiro salão em que o Dinho, que foi o nosso entrevistado no primeiro bloco, disse que foi dono. Evan, conta pra gente que coincidência boa. Mas como que foi para você essa história de trabalhar, ter essa primeira experiência e depois ir pro mercado? E claro, daqui a pouco você vai contar em que ponto dessa dessa trajetória você passou a ser um empreendedor. A minha história ela se funde ali com a Afrobrasil, né? Eu comecei ali, foi ali que eu aprendi a dar as primeiras tesouradas. No intuito, na época era trabalhar com cabelo masculino, cabelo afro. E aí, mas você já tinha feito algum curso ou foi lá com os meninos que eles foram te ensinando? Não, eu ainda não tinha curso. Ainda não tinha curso. Eu fui fazer curso depois, né? Depois que eu que eu vi que era aquilo que eu queria mesmo pra minha vida. E ali foi onde eu aprendi. Então eu contei com um pouco do dom também, acreditando, até porque se a gente for olhar o mercado, no início não tinha escolas de cabeleireiros para trabalhar justamente com o cabelo crespo, né? Era meio daquela coisa de, ah, eu vou aprender com Carmelitos, vou aprender com Berto, com Dinho, com o outro. E aí com essas referências no caso de Campinas. É isso aí. Eh, quando a gente falava de escolas, talvez São Paulo, né? Talvez São Paulo, mas que eu me lembre em Campinas ligada a cabelo afro mesmo, uma escola hoje igual tenho. Hoje a gente tem uma academia em em São Paulo, né, só para isso. Hoje a gente tem especialistas para isso. Hoje a gente tem a internet que muita gente leva conhecimento através da internet, mas antes não tinha. Então a gente contava com o dom, com e os familiares ali de modelo e a gente ir testando ali o nosso dom. Sim. E a partir disso, quanto tempo você ficou lá e depois você já foi empreender ou ainda passou por outros salões? Não, demorou para empreender. Eh, eu fui me preparando dentro dos salões que eu passava. Então, eu pude, eu posso falar que eu fui muito feliz em encontrar as pessoas que eu encontrei, em ter passado pelos lugares que eu passei. Depois que eu saí da Brasil, eu senti a necessidade de trabalhar com cabelo tradicional, cabelo liso. Eu achei que eu eu deveria saber. E aí eu fui paraas Souzas, eu fui pro shopping, eu trabalhei em alguns shoppings de Campinas e depois eu voltei para para Afrobrasil de novo e fiquei mais 4 anos e meio. Então minha história difunde muito ali, né? E nessa volta, eh, eu fiquei muito colado com o Beto, que hoje, eh, a gente ainda tem uma conexão e a gente troca muita ideia sobre cabelo. Eu acho que é uma das pessoas mais experientes que a gente tem em Campinas a nível de cabelo crespo, de transformações químicas em cabelo crespo. E então aprendi muito com ele e foi depois de 4 anos e meio. Mesmo assim, eh, eu ainda não empreendi. Eu achei que eu tinha que pegar mais experiência ainda, né? E voltei pro shopping e veio a pandemia. Eu tava no Galeria, veio a pandemia e aí eu falei: "Cara, eu acho que agora é hora de de abrir o meu espaço e tudo mais. Eu acho que os ventos estão me levando para isso." Mas em plena pandemia ou na volta da pandemia? Na volta da pandemia. Na volta da pandemia. Aí, eh, resumindo assim, eu vim trabalhar num salão especialista em cachos, levei as técnicas de de soltura de caixo que eu já tava criando, trabalhando em cima disso e fui muito feliz. Você trabalha mais com a técnica do corte, com o tratamento, com a soltura, como você diz, ou o profissional, principalmente que atua com os cabelos crespos e cacheados, ele precisa saber de todo esse, digamos, desse combo? Eu acho assim, eu quis entender um pouco de tudo. Eu quis dentro da da questão de cabelos cacheados e crespos, eu quis entender de tudo, desde os cortes, desde os tratamentos, porque uma coisa puxa outra, né? Se eu quis trabalhar com transformações químicas, eu preciso aprender tratar esse cabelo, preparar esses cabelos, recuperar esses cabelos muitas vezes, né? E então eu quis entender de tudo. Eu quis, eu quero, procuro ser o mais completo possível, né? Tem gente que procura mais e ah, eu tenho o caminho ali do naturalismo, ah, eu tenho o caminho do corte, mas até o corte mediano. Eu já gosto dos dos curtos, dos curtíssimos, do crespo, dos ondulados. Eu gosto. E aí nessa trajetória, Evan, que você volta para um outro salão ainda de cabelos e começa a trabalhar com a soltura, você também passa a pensar mais na questão dos produtos. Você me contou inclusive em off, que a gente já conversou aqui, gente, que você se tornou naquela ocasião embaixador de uma marca. Como que foi isso? Sim. Eh, eu fui até o Rio de Janeiro buscar conhecimento, eh, mais conhecimento na ligado ali à soltura de caixa que tava numa crescente. A gente tá falando de quase 5 anos atrás que começou essa história e fui até o Rio e no Rio de Janeiro eu conheci os produtos da Elise, eh, que é a dona da Caixeados Cosmetics. E de lá eu já saí como técnico da empresa, fizemos uma parceria, a gente tem uma parceria muito grande. Eh, a minha função é é divulgar a marca aqui. A minha função é é trazer pessoas e ligada a a área da beleza para cacheados e com que ela cresça na nossa região, cresça em São Paulo. E através da Caxados, depois de ter virado embaixador, eu me apresentei nas duas maiores feiras da América Latina, né, a R Brasil e a Build Fair, que me deixou bastante contente. Mas aí você disse que a dona do salão, na ocasião em que você trabalhava disse: "Evan, depois de tudo isso aqui tá pequeno para você. Que conversa foi essa?" Realmente foi um conflito de interesses. Rolou um conflito de interesses e eu acho assim que todo passarinho que cresce precisa voar e e foi bem tranquilo. Foi bem tranquilo. E aí, você já abriu esse espaço ou você ainda foi para um outro espaço antes daqui? Ah, vamos lá. Então, teve um teste, né? teve um teste antes de abrir o meu espaço, eh, porque foi muito foi foi uma conversa muito de supetão, né? Eh, a gente sentar e conversar. E eu peguei, eu aluguei um espaço dentro de um salão, tá? Tá, que era aqui perto também. Eu quis ficar, é, é chamado aquele alugou uma cadeira ou não? Não, era, eu alugava uma sala dentro de um salão. Eu aluguei uma sala dentro de um salão. Quando eu percebi que realmente as pessoas estavam me procurando, aí eu falei: "Acho que agora é a hora". Então a gente resolveu vir para esse espaço aqui. Então tem esse projeto aqui desde novembro a gente tá aqui, tá batendo aí um ano aí que a gente tá nesse projeto aqui já. E como tem sido para você esse um ano aqui? tem sido legal, muita gente procurando e e tá em alta. Os tratamentos que eu faço acaba que tá em alta, né, cara? Porque eh a moda ela vai e volta, essa que é a verdade, né? Mas de toda forma, mesmo você falando de moda, eh, nessa trajetória, quando a gente fala de cabelo cresco, quando a mulher que tem esse esse tipo de cabelo, ela passa a buscar a sua identidade, porque também tem uma questão cultural envolvida, uma questão de reconhecimento do dos afrodescendentes e a importância de se valorizar esse cabelo também vem nesse processo cultural. A beleza, não ela acompanha isso também. Sim, acompanha. Acompanha a moda, ela é geral. e e e ela vai ter mudanças, né? Hoje a gente, graças a Deus, a gente tá vendo as mulheres assumindo seu cabelo, as mulheres eh eh se empoderando e mas tem uma parte delas que às vezes que tem aquele sonho da curvatura perfeita. O meu trabalho é trabalhar em cima de liberdade, tá? a mulher seja crespa eh natural, ela seja crespa ou ou uma crespa que de repente procura uma transformação para para facilitar a vida dela. Eu sou a favor da liberdade, então eu procuro ser completo ao máximo, tentando ser completo ao máximo para satisfazer todo mundo, entende? E e tá na tá uma crescente em algumas transformações, né? tipo o permanente voltando, a soltura de caixo tá muito em alta e e eu dei sorte de já tá dentro, né? Então, que a moda venha, que a moda vem e passa e a gente vai est acompanhando. A gente acompanhou inclusive no primeiro bloco, eh, claro, e você também tem essa especialização, começou com os cabelos masculinos, depois vai para um universo de cabelos lisos, volta pra soltura de cabelos, que geralmente a gente tem essa questão mais da mulher querendo fazer esse procedimento. E como que tá hoje isso tanto pros homens e pras mulheres? Ah, e como eu disse, eh, hoje quase todo o corte de cabelo que uma pessoa do cabelo liso faz, dá pra gente adaptar no caixo e no cresço, quase todos. Então, assim, como a moda vai e volta, eh, a gente tem procura, a gente hoje eu faço muito Pix Cut, taper ed cut, tudo muito americanizado, né? Mas é a moda que traz isso. E então assim, tem um mundo de oportunidades e variedades para as pessoas escolherem fazer seu cabelo, né? Antigamente a gente não se falava de ver uma crespa com mechas, né? Uma caixada com mechas, né? Olha hoje. Então assim, a moda ela é vasta e a gente tem que procurar trazer tudo que tem lá de fora para dentro do universo do dos cabelos com curvatura. Sim. Aí, nessa trajetória, quando você então decide empreender e falar essa é a hora a gente percebe que você hoje ainda faz o o atendimento do começo ao fim. Sim. você é eu preso. É isso. É, é bem isso. Porque assim, eh, quando a gente faz, a gente trabalha com transformações, existe, existe uma pré-avaliação que eu tenho que fazer, porque eu vou fazer essa transformação. Então, às vezes eu já identifico se o cabelo pode passar por aquele processo ou não através de uma pré-avaliação pelo celular. Então, eu atendo no WhatsApp, eu faço essa essa pré-avaliação, depois a gente eh vai marcar essa essa essa avaliação aqui presencial. Aí a gente vai fazer um teste de mecha nesse cabelo e vamos escolher a melhor transformação. E gente, é tudo ligado a caixo, tá? Aqui não se alisa cabelo, são transformações ligado. Por quê? Porque muita gente acha que, ah, eu posso ter o meu, você pode ter o seu cabelo natural, tá? Mas a gente tem inúmeras situações. A gente tem uma situação, por exemplo, de uma pessoa que tem um cabelo muito crespo e de repente ela tem um cabeludo muito sensível. São duas coisas que não casam. Então, se eu posso fazer uma transformação ligada a caixo e essa cliente vai ter eh uma penteabilidade melhor para cuidar desse cabelo, a gente vai fazer tudo. Tem o os prós e os contra. É lógico que a química tira nutrientes, mas a gente tenta fazer de uma maneira onde a gente prepara esse cabelo e cuida. E a cliente fazendo certinho, ela vai seguir feliz. Eu sou a favor da liberdade. Agora, Evan, quando a gente pensa do ponto de vista do negócio, você hoje tá trabalhando sozinho, mas você já pensou que quando o seu negócio atingir um certo certo patamar, você vai precisar de colaboradores? E você já pensa nisso? Ou por enquanto você fala: "Não, vou ficar como que tá e essa questão para você?" Cara, para mim, eu vou lidar muito bem com isso, vai ser muito tranquilo desde que eu encontre pessoas que tenham paixão, porque eu tenho muita paixão por isso. Então, assim, quando eu falo paixão, é, é saber doar o seu tempo com todo o carinho, porque a a aqui a gente lida com dores, a gente lida com dores, com traumas e aqui as clientes chorou na cadeira. Então assim, eh, eu preciso que a pessoa seja apaixonada por aquilo e a gente vai sim depois da primeira. Mas não é difícil fazer tudo sozinho? É difícil, é complicado, mas cara, você já se atende, você cuida dos agendamentos, você faz tudo. Mas assim, cara, eh, o que acontece é muita paixão envolvida, então a gente chega no final do dia, a gente tá cansado, mas tá feliz. E e por outro lado, eh, você vê, a gente tá num prédio comercial, eh o meu salão ele não tá visível, a minha clientela é muito fechada e eu coordeno a minha agenda. Então não há correria. Quem quem passa por aqui sabe que o nosso trabalho ele é muito eh é muito acolhedor. É um porta aberta, a pessoa vem aqui depois é um atendimento muito exclusivo, né? Então, pra gente abrir para todo mundo, realmente eu vou precisar ter equipe. E pensando até nesse ponto de vista, qual é o futuro do seu negócio na sua visão hoje? Hoje o que eu tô pretendendo pro futuro, a gente tem projetos de de educacional, a gente tem, eu tenho um curso que tá subindo para uma plataforma aí online vai vir um um curso de soltura de caixa que pouco se fala, né? Eh, na internet a gente vê alguns cursos presenciais, igual no Rio. Eu fui no Rio, eh, fiz um curso na Caxeados, mas ã online tem pouca coisa se falando, né, de de até mesmo do mercado para isso, até mesmo do permanente eu já vi, mas soltura de caixo tem pouca coisa e a gente tá lançando esse curso aí no educacional. a gente faz eh essa parte educacional aqui também, a gente faz curso VIP aqui, que é eh é uma ou duas pessoas no máximo, né? E esse é o projeto, continuar com educacional e crescendo devagarzinho, eh, ao ponto de futuramente a gente sim ter uma equipe, tá certo? Então, muito obrigada, viu? Eu que agradeço, tá? Olha, e você pode acompanhar o Ser empreendedor também nas plataformas digitais. Você vai lá no youtube.com/tvcâmaracampinas, entra na playlist Serpreendedor, você vai ver tantas histórias inspiradoras como no programa de hoje com Dinho e agora com Evan. Até a próxima. [música] [música] [música] [música] [música]