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O Brasil tem aproximadamente 8 bilhões e meio de artesãos, sendo a maioria constituído por mulheres. Muitas delas vivem diretamente da sua produção. O setor representa 3% do PIB, o produto interno bruto do país, e movimenta por ano R bilhões deais. E é neste contexto que o ser empreendedor de hoje mostra quem decidiu investir em artesanato confeccionando produtos para festas. [Música] O nicho de festas, como casamentos e aniversário, é uma boa opção para quem decide empreender, o que pode começar como uma renda alternativa e se tornar um negócio. Segundo pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora, 80% das mulheres empreendedoras decidem fundar as suas empresas depois de terem filhos, como é o caso da Silmara. Eu tive luco no Facebook. Na verdade eu tive uma como se eu tivesse uma depressão. Mas você trabalhava ainda ou não? Não. O Luca com 5 meses eu precisei parar de trabalhar. Voltei. O Luca não pegou mamadeira e aí foi uma criança mais difícil. Nasceu prematuro. Aí eu tive que sair. Aí eu saí tudo. Aí fazia um ano e pouquinho que eu tava em casa. Aí sabe aquela sensação de depressão, aquela coisa ruim. Aí eu fuçando no Facebook, eu vi um curso de forminhas. Como eu gosto já do artesanato, eu falei assim: "Gente, mas forminha, eu nunca vi esse negócio por aqui, eu não conheço". Isso foi em 2018. E aí eu resolvi fazer aquele curso gratuito. Aí eu passei por três, era três aulas, eu fiz a três aulas. Menina, quando foi ver, eu já tava envolvida. Eu falei assim: "Nossa, eu quero isso pra minha vida, porque eu vou est em casa e fazendo uma coisa que eu gosto". Falei: "O outra, é luxo, eu gosto dessa parte de festa, do luxo, da decoração, dessas coisas". E aí eu resolvi fazer esse curso, mas aí vem questão de valores até então, porque o curso era só gratuito até ali. Três dias de graça. Três dias de graça. E depois? E depois R$ 15.00 o curso. R$00. desempregada. E aí eu falei assim: "E agora é algo que eu queria fazer, era algo que mexeu comigo". E aí eu conversei com umas primas minhas, duas primas minhas, ela falou: "Não, eu pago, eu ajudo você, a gente paga". Elas pagaram o curso para mim. Aí eu fiz esse curso durante um ano, só que até então eu cortava tudo na mão, na tesoura. E aí quando foi dois, mas já vendia ou fazia só para ir em casa? dia trein treinando, mas eu estava preparada, mas eu não tinha coragem, não tinha coragem. Aí quando foi em 2019, eu conheci uma senhora do Rio de Janeiro e aí eu mostrando para ela as peças, falando para ela que eu fazia, falou assim: "Menina, você tá pronta? Divulga isso". Eu falei assim: "Não, não consigo". Você consegue, você consegue, você tá pronta. Então assim, ela me incentivou. Aí quando foi no meio de 2019, mais ou menos em junho, eu divulguei no Marketplace do Facebook e bombou na primeira postagem bombou assim de uma maneira que eu não esperava. Muitas encomendas, começou a entrar muitas encomendas. Eu falei: "Meu Deus, e agora?" Porque até então tesoura, eu não tinha máquina. Ela encomendou 250 forminhas. Até então foi no papel. Então o papel fui indo, fui indo. Só que quando eu acabei de divulgar encontrei uma noiva e essa noiva através dela, ela abriu as portas para mim através do casamento dela e ela veio que era 300 forminhas de papel de seda, só que eu não trabalhava com a seda porque a seda ela é muito fininha. O curso até então era com que tipo de era tecido, o que que era o curso? Ela deu vários tipos de material, então era aquele que você se adaptava, eu se adaptei com com o tecido artesanal e até então essa moça veio, mas ela queria de papel de seda, que era um pouco mais em conta. E aí eu conheci uma senhora que ela entregava cortado já. E aí eu peguei 300 forminhas cortadas só para colocar no fundo de doce, que era fazer aquele esse buraquinho aqui, né? É verdade, fazer esse copinho. E aí logo em seguida entrou uma de 1000 forminhas assim de papel de seda também ou não? 800 de papel de seda e 200 artesanal. Menina, foi assim uma das maiores dores que eu senti na minha vida foi fazer porque eu faço três camadas, então na verdade 200 é 600. Então, imagina você cortar 600. Aí deu muito calo, foi uma dor terrível. Aí eu liguei pra minha irmã, falei assim: "Nossa, pelo amor de Deus, isso aqui não é para mim não. Eles falam que é só tesoura, mas não é". Falei: "Eu vou precisar de uma máquina". Mas você já tinha então pesquisado que tinha como trabalhar com a máquina? Tinha como trabalhar. Mas enquanto você não pega, você vai se virando, porque até então eu comecei do zero, eu não tinha nada. Aqui o atelier tinha uma cama que na verdade aqui era um um quarto de visita. Então assim, eu não tinha nada, foi o zero do zero. Eu falei assim: "Nossa, e agora?" Aí a minha irmã falou assim, ó: "Aproveita com a Simone, que era minha outra irmã, acabou de chegar um cartão de crédito para ela, antes que ela gaste, vamos comprar sua máquina." Eu falei: "Ah, eu vou chamar ela". Aí eu chamei ela, falei para ela, o valor da máquina era 150, que é essa. E aí ela, tá bom, vamos lá, 10 pagamento e vamos que vamos. Aí eu comprei logo em seguida não envolve só a máquina, envolve as facas. Então assim, o empreender, na verdade, quando você faz, eles falam assim: "Ah, só com isso e aquilo você consegue". Não, quando você pega a primeira que você sente, as dores vem além. Aí eu comprei, comecei a comprar as facas devagarzinho. A faca é o quê? O molde. A faca é um molde, tá? E aí cada faca, uma saía 60, outra 70, 8, os custos eram muito altos. Só que veio o quê? A pandemia. E aí veio a pandemia, não teve mais festa. E aí eu já tinha me envolvido bastante, pegado festa na semana, que foi ali em abril, que foi em 2000, final de 2019 para 2020, que ali que eu peguei uma encomenda, eh, parou. Era um casamento e um aniversário de 15 anos. Era 1000 forminhas também, 500 para pro noivado e 500, só que parou e ela tinha acabado de fazer encomenda. E aí eu continuei me divulgando. Mas você já tinha comprado os insumos, já tinha feito praticamente algumas coisas? Sim, foi através dessa festa que eu peguei, que foi abuil forminhas, que eu comprei um pouco de faca. Aí eu comprei um pouco de faca e aí eu já tinha alguns materiais, né? Só que eu usava o dinheiro do cliente para poder comprar matériapra, que no caso era o papel e esse tecido artesanal. A entrada que ele dava era isso era meu insumo. E aí veio a pandemia, eu tinha comprado já algumas coisas, só que eu continuei trabalhando pouco, mas continuei porque surgiu as pequenas festas e tinha gente que fazia. Na pandemia, o setor de festas e eventos teve uma retração de 98%, com o cancelamento da maioria dos contratos. Neste período, a empreendedora utilizou o auxílio emergencial do governo federal e ainda fazia algo para os eventos minimalistas. Com o fim da pandemia, o setor promoveu uma movimentação estimada de 33.1 bilhões de reais em 2022. E a Silmara é uma dessas pessoas que voltou ao trabalho com força total com a retomada das festas. 2022 eu falo que foi meu melhor ano. Eu trabalhei muito, mas muito assim, exageradamente. Só que nesse meio tempo de você trabalhar, você vai se aprimorando, né? Aí já tinha máquina, aí foi chegando as facas, aí foi chegando as mesas e aí eu fui, na verdade investindo aqui dentro, né, em cada peça que eu fazia. Só que sempre a minha divulgação foi no marketplace e algumas pessoas que indicava, algumas doceiras. E aí em 2022 eu encontrei uma doceira maravilhosa que, infelizmente ela foi embora pro Paraná e ela me indicava para todas as noivas dela e como ela era forte na cidade, então todo mundo fechava com ela e fechava comigo, que foi um dos anos que eu mais trabalhei, foi em 2022, 2023 foi bom, mas também vai indo porque as festas as pessoas começam a diminuir. Não é sempre que todo mundo fazia festa. Antigamente fazia para 200, 300, hoje as pessoas fazem para 50. faz aquela coisa mais individual. Mas assim, eu continuei trabalhando. Hoje eu tenho todas as ferramentas para trabalhar, tudo, tudo, tudo, tudo. Não preciso mais nada. E aí eu precisava conquistar essa peça aqui que é para guardar os materiais. E aí agora em 2024, então assim, foi tudo uma formiguinha, né? Foi aos poucos mesmo. Aí eu consegui comprar essa peça, consegui comprar outra. Hoje eu tô mais para trabalhar mesmo e aquilo que eu vou conquistando, vou quitando uma dívida aqui, eh, conseguindo outra coisa ali, aí vai. A pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios aponta que quando se trata de utilizar ferramentas digitais, sobretudo as redes sociais como canais de venda, as mulheres se destacam. O estudo do SEBRAI em parceria com o IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, também mostra que 78% das empresas que mais vendem por meios digitais são comandadas por elas. Entre os empreendedores homens, esse percentual é de 68%. WhatsApp e o Instagram são as redes sociais mais utilizadas para vender produtos e serviços pelos pequenos negócios independente de gênero. Eu fiz um pequeno curso pelo WhatsApp e através do WhatsApp, o WhatsApp entrega para mim pro Instagram e pro Facebook. Então assim, foi um curso que eu paguei muito em conta e através desse curso eu implantei o meu catálogo, todas as forminhas no meu WhatsApp. Então meu WhatsApp é Business e aí lá mesmo a ferramenta com o WhatsApp Business me dá, ele dá para mim poder divulgar o meu trabalho, só que ele faz a entrega. Então os meus clientes, 85% é de fora, não é daqui. Então eu entrego tudo por correio. Já entregou, por exemplo, para que lugar? Eu acho que o mais longe que foi foi Maceió, que foi agora em dezembro. Só que assim, é Maceió, Minas, Rio de Janeiro e São Paulo. São os lugares onde as pessoas valorizam esse tipo de trabalho. Eu faço a divulgação, pago por seis, 7 dias e começa já chegar, começa a chegar tipo as pessoas terem interesse. Então, já aconteceu de ter mais de 60 pessoas me chamando pelo Então, não é um catálogo fixo, é você coloca por um período. É assim? Não, eu tenho o catálogo montado fixo. Eu faço a divulgação por um período, a cada 7 dias eu pago lá se e pouco, 6:20 por dia. E aí eles fazem o Instagram e o Facebook faz essa entrega. Com uma produção em média de 4.000 unidades por mês, a organização do trabalho é conforme a demanda, pois a empreendedora produz as peças sozinha. Ela chegou a momentos de exaustão, mas fez as pazes com o seu negócio. Eu sempre vejo o que tem e as datas, eu sempre deixo as datas tudo certinha. Aí eu venho cortando. Ah, é tudo artesanal. Eu pego o rolo, corto tudo que é artesanal. Aí eu deixo, aí eu venho tingindo, conforme as datas das festas eu venho tingindo. Mas assim, já aconteceu de eu ficar sobrecarregada assim de uma forma de falar assim: "Agora, que que eu faço?" Onde se olhava tinha tinha papel, tinha papel, tinha forminha tingida, tinha forminha e aí bateu desespero. Que que você fez? Chorei. Não, fiquei muito nervosa. Liguei pro meu marido, falou: "Olha, eu tenho uma encomenda para Mogimirm, eu não dou conta mais. Tudo tá doendo, tá doendo, tá doendo." Foi aquela coisa, Mesmo com a máquina. Mesmo com a máquina, porque é manual, né? O corte é manual, mas a montagem tudo é manual. E aí ele falou assim, ó, faz o seguinte, descansa e a gente vai até lá levar pro cliente. Então eu tive que sair e eu fui levar pra cliente. Eu acho que foi aí a vontade de desistir. Eu levei, quando eu cheguei, eu fiquei dois dias de cama, dois dias. Eu chorei muito, muito. Foi isso. Aconteceu em 2023. Chorei demais. Não queria mais, não queria forminha, não queria fazer mais isso. E aí eu era a lucharte delicadeza em forminhas. Hoje eu sou SB Luchte porque eu quis até trocar o nome. Hum. Porque foi algo que mexeu emocionalmente comigo e ao mesmo tempo que é o amor pelo que eu faço, eu queria desistir. Mas quando você fez então as pazes com o seu negócio? Quando eu fiz as pazes, o meu negócio foi depois de passar dois dias que eu falei na cama e eu falei assim: "Não, eu preciso fazer alguma coisa aí para mudar porque eu não quero mais. Eu não entrei aqui, falei: "Eu não quero mais". E aí eu fui pesquisar alguma coisa que envolvesse o meu nome, tirasse a delicadeza em forminhas, uma, porque era longo demais. E eu fui pesquisar, fui pesquisar sobre as cores e aí eu defini como as cores marrom e laranja, que era alguma coisa. Eí, eu li sobre, não vou lembrar agora exatamente o que emite a o laranja e o marrom, mas foi algo que me impulsionou. E aí eu chamei uma amiga, falei: "Ó, quero trocar logo, quero trocar tudo, quero mudar tudo para poder trocar a página para ter aquele incentivo de voltar". Então, mas você ainda ia trabalhar com forminhas ou naquele momento você falou: "Nem vai ser forminha mais". Não, sempre foi as forminhas. Pronta para escalar o seu negócio, Silmara teve que lidar com a morte da irmã. Agora ela retoma o projeto de ampliar o seu leque de opções, né? Que é com bebida, que é com chocolate, que é com cesta de café da manhã, que algo foi através de um curso. Esse foi um curso também que eu fiz pelo governo e eles além de eu já empreender, eles falaram assim: "Tem alguma coisa mais?" Então eu sempre gostei muito dessas coisas da delicadeza de entregar alguma coisa, aquela coisa da sensação da pessoa, né, do cliente. Então foi isso. E esse então vai ser o seu próximo passo? Já tá sendo, na verdade, que eu tô voltando agora no dia dos namorados, foi o ano passado e eu já estava entrando com os buquês, eu já estava divulcando. A SBT entrou para não ficar só delicadeza em forminhas, para dizer que a minha página não era só de forminhas, porque eu ia envolver os buquês também. Só que bem no meio disso tudo, eu investi demais no Dia dos Namorados do ano passado. Eu investi, eu tava animada e eu ia divulgar, ia para Hortolândia, ia colocar um, sabe aquele boom, eu tava no auge mesmo. E aí a minha irmã faleceu bem nessa nessa nessa época, nessa época que foi o ano passado. E aí mexeu emocionalmente comigo. Eu travei aí fiquei uns dois meses meio que travado em tudo, até nas forminhas. E se você não se divulgar, se você não falar, se você não fizer algo para, você não é vista não. Não adianta, não adianta falar assim que você vai ser vista, não tem como, porque os dois meses que eu fiquei atraindo toda essa negatividade, essa tristeza, tudo parou. Tudo parou. os clientes não vinha, forminha não tinha para fazer e até com que eu precisei sair disso, né? Porque não, mas que qual foi o momento que você falou: "Olha, não, eu preciso, eu passei pelo meu luto, eu tive essa situação, mas eu vou me reerguer". O momento foi no final de agosto e eu tive um sonho com a minha irmã e eu chorei muito, muito, muito, muito, muito, porque era muito real, era muito real. E eu falei: "Não, eu tenho filho, eu tenho casa, eu tenho marido, eu montei uma empresa, como é que eu faço com tudo isso que eu tenho hoje?" Você é meio? Sou meio. Eu falei, como é que eu faço com tudo isso hoje? Querendo ou não, de alguma forma eu dependo disso, né? Eu falei: "Não, vou vou voltar. Eu preciso voltar. Eu preciso voltar. Foi quando foi final de agosto que eu acabei escrevendo uma carta de mim para mim mesmo, para que eu pudesse voltar a ler ela em agosto, porque foi um momento assim bem difícil, sabe? E aí eu voltei a divulgar, voltei a fazer isso que eu faço pelo WhatsApp, né, que eu falei que eu faço. E foi que agora tô voltando, quero entrar assim. Na verdade, eu não cheguei a sair, mas eu parei de me divulgar, eu parei de aparecer nas redes sociais, eu parei de querer fazer alguma coisa, entendeu? O que é fundamental para um pequeno negócio, né? E a partir de agora, e a partir de agora tô animada, tô mais animada. Os clientes voltaram e assim e eu tenho cliente que não é só cliente, elas se tornam amigas, né? E elas fala: "Não, tem que tem que fazer, tem que acontecer". E eu tô num grupo também de vendas. E esse grupo de vendas, elas incentivam a gente a tá postando, a tá falando e tudo que aparece diferente no Instagram, tipo, ah, mudou um ícone, ah, o Instagram colocou um WhatsApp para você poder, porque agora, por exemplo, os stories você consegue compartilhar lá, consegue, né? E elas vão e fala. Então eu tô agora, voltei, quero [Música] ficar no próximo bloco, a maternidade que levou uma advogada a empreender no segmento da decoração com flores naturais. [Música] [Música] E quando se fala em festa, também vem logo à mente a decoração. Pensando nisso, uma empreendedora encontrou no nicho da decoração com flores naturais uma oportunidade. No Brasil, a maioria das mulheres empreende por necessidade e muitas delas, especialmente as que são mães, o fazem em nome da flexibilidade, ou seja, buscam a possibilidade de conciliar trabalho e maternidade. O segundo filho da Renata foi o que impulsionou a advogada a empreender com flores para festas. Como que foi esse insite? Quando começou essa trajetória? E eu sou advogada, eu advogava já faz uns 13 anos que eu trabalho com decoração. E foi uma coisa natural, na verdade não foi uma escolha que eu falei: "Ah, não, agora eu vou parar de advogar e vou trabalhar com decoração". Eh, o meu segundo filho era pequenininho, então eu tinha parado de trabalhar quando ele nasceu, porque eu tinha os dois pequenos. E aí eu eu sentia falta de fazer alguma coisa e comecei, eu sempre gostei de mexer com isso, organizava a festa dos meus filhos, fazia eh convite, lembrancinha, toda essa parte de papelaria. E aí quando ele tava pequeno, que eu tinha um pouquinho de tempo, comecei a fazer isso. Daí uma amiga pede, outra amiga pede, fui fazenda dos meninos. E aí foi foi assim, foi naturalmente. Mas e esse primeiro, essas primeiras peças, você fazia já oferecia ou não? Você postava em rede social e alguém perguntava: "Você faz para vender?" Como que era essa história chegar a esse cliente? Como os meninos eram pequenos, então meus primeiros clientes eram ali o nosso círculo de amizade. Então, eh, como eu fazia pros meus filhos e aí eu falava, né, pra mãe dos amiguinhos, era essa fase, quando eles são pequenininhos, a gente tá sempre junto, né, nos eventos da escola, nas festinhas das crianças, os pais vão, a gente sempre participou muito. E então foi naturalmente. Ah, Renata, você faz, ah, faz um convite para mim, faz. assim, ah, não arruma a mesa para mim. E aí eu comecei a me dedicar profissionalmente. Foi uma coisa que eu gostava muito, sempre gostei muito de fazer e era uma coisa que eu tinha mais flexibilidade, né, e que era um trabalho mais leve que eu conseguia tocar com os meninos pequenos e mesmo assim tá presente, né, na vida deles, eh com mais tempo disponível, né? Sim. E como você então foi crescendo de uma forma que você saiu daquele círculo, das festinhas das crianças para um outro público, foi percebendo que tinha novos nichos para você trabalhar? Porque eu sempre, a minha mãe gosta muito de decoração, então eh nós somos em quatro na minha casa e a minha mãe sempre organizou as nossas festas e e sempre gostou muito de receber. Meus pais são muito animados. Eles sempre gostaram de receber, de fazer festa, de fazer churrasco. A nossa família é grande. Então, eu já tinha isso comigo, né? Minha mãe, a casa da minha mãe sempre foi florida. Então, quando eu comecei a fazer as decorações, eu comecei a sentir necessidade de colocar flores, né, nas minhas decorações. Isso há 13 anos não era uma coisa que se usava tanto. As mesas eram mais e bonecos, papelaria, né? tinha até um pouqu tava saindo daquela fase do isopor nas decorações e aí eu comecei a colocar flores nas minhas mesas mesmo quando era uma festa infantil mesmo. Todas as minhas mesas têm flores, seja de menino, seja de menina infantil ou adulto. É claro que eh tá ali sempre no contexto do tema ou eh do tipo de comemoração, mas sempre tem. E aí na pandemia as festas pararam, porque as pessoas não podiam mais, né, se se reunir dessa maneira. E eu comecei eh a fazer as as mesas na minha casa, porque daí eu arrumava muito a mesa aposta, que foi é uma coisa que sempre teve também na na minha casa dos meus pais e depois na minha, desde que eu casei. E aí aí que eu comecei a compartilhar mais eh no Instagram essas mesas postas, os arranjos florais e inspirações, porque era um momento tão difícil, né? E era um momento, por outro lado, que as pessoas começaram a prestar mais atenção nas reuniões familiares também, né? Sim. É, é muito engraçado porque eh quando eu comecei a compartilhar isso no Instagram, tinha gente que escrevia assim: "Nossa, mas eh o que eu almoço aqui na minha casa, nem dá para ter uma mesa dessa, né? Querendo dizer: "Nossa, uma mesa tão bonita para um". Eu falei, gente, aí eu sempre falava, gente, aqui na minha casa a gente come arroz, feijão, salada. Então assim, não é não são refeições requintadas, não é isso, é uma mesa bonita que convide você a ficar. E aí eh eu também recebia muitas mensagens assim das pessoas falarem: "Nossa, eu nunca eu não tinha um jogo americano, eu nunca tinha arrumado uma mesa, nunca tive flores em casa". E foram pegando esse gosto e e e sentindo essa importância mesmo, né? de de ter assim eh o o bonito, o belo, não é para mostrar, é para aconchegar e para que as pessoas se sintam bem, né? Sim. E quando passou esse momento e as festas voltaram a acontecer, até com maior intensidade, porque as pessoas falaram: "Olha, a gente não sabe quando vai ter outra pandemia, vamos comemorar". Como ficou o seu negócio? O isolamento social por causa do novo coronavírus colocou muita gente dentro de casa. Quem antes dependia da circulação de pessoas e aglomeração para o negócio teve que repensar a estratégia. Mas muito do que foi utilizado como modelo naquele período passou a fazer parte do leque de opções da decoradora. Ainda durante a pandemia, algumas pessoas que me acompanhavam no Instagram começaram a me pedir as flores. E aí que eu comecei com a assinatura floral. Então eu fazia essas entregas de flores eh uma vez na semana. Quando as festas voltaram, eu continuei, porque daí já era uma coisa que eh eu gostava muito de fazer. Tá na nossa agenda, porque toda semana eu acabo fazendo o mercado de flores, porque eu compro as flores paraas festas. Então eu continuei com entregando as assinaturas. Então aí a gente ficou com dois produtos, a decoração dos eventos, que não são só festas, né? Hoje eu comecei com as festas infantis, mas aí eh vou acompanhando. Então tem cliente que eu fiz um ano e fiz 10 e tá indo pros 15. Então hoje você faz todos os estilos, podemos dizer assim. Isso. Faço corporativo, faço infantil, adulto, eh, faço um pouquinho alguns mini weddings. Eu não faço grandes casamentos, mas alguns menorzinhos faço também. E e continuo com os arranjos florais também. E qual é a sua principal vitrine? É rede social? É o boca a boca? Como é isso? Eu acho que ainda é o boca a boca. Desde sempre. Eh, e graças a Deus eu tenho clientes muito queridas que me acompanham aí durante todos esses anos. Então, é isso que eu te falei. Eu tem criança que eu fiz um ano e já tá indo pros 15. Eh, fiz batizado e agora também já tá grande e eu continuo fazendo. Aí faço do pai, da mãe, as bodas. Então eu acho que esse cliente fiel, que é o que indica, e eu ainda acho que o boca a boca é a maior vitrine, mas o Instagram também já foi melhor. Eu acho que tá um pouquinho mais, foi mudando também, né, o perfil do público e tudo mais, mas ainda é uma grande vitrine. E eu uso bastante o Instagram como um portfólio mesmo, porque daí é onde eu posto todas as fotos e então quando a pessoa fala: "Ai, não queria conhecer o seu trabalho". Aí lá no Instagram tem bastante foto com um pouquinho de tudo que eu faço. O maternar mais, né? Quando você se viu nessa rotina e nessa questão de exercer com mais tranquilidade a maternagem te transformou em empreendedora. Hoje, como é essa rotina? Bom, meus filhos são grandes, né? Então, quando eu comecei a fazer isso, o meu mais novo tinha um para dois e o meu mais velho tinha três para quatro, quatro para cinco. E hoje eles têm 16 e 19. Então, eh, até esses dias a gente tava conversando sobre isso e eu acho que, eh, a maternidade me trouxe esse presente de poder empreender para me sentir mais livre, para acompanhar os meus filhos, né? e ao mesmo tempo para agora, que é um momento que cada vez menos eles precisam de mim. Então, é claro que a gente continua muito presente na vida deles, mas aquela rotina, né, de leva pra escola, busca, leva aqui, leva ali, então o meu mais velho já não preciso, ele já não precisa de mim para esse leve trás. ele até me ajuda muito com o mais novo. Então, eh, eu sinto que eu eu consegui manter essa rotina de trabalho sem ser um fardo, uma coisa pesada e e curtir os meus filhos, né? E passar também para eles isso, que o trabalho não precisa ser uma coisa pesada, né? Pode ser uma coisa leve, pode ser uma coisa que você goste, que te dê prazer, que dá trabalho, que a gente trabalha muito, mas que vale a pena. Hoje você tem então duas frentes, a assinatura, como que ela funciona? É por arranjo, por número de flores? Como é isso? Eh, a gente tem um um padrão, então eu tenho dois modelos de arranjos, né? dois tamanhos e são eh é sempre uma surpresa. Então, os arranjos eh não são pré-estabelecidos e nem escolhidos pelo cliente. Uma vez, toda quinta-feira eu faço essa entrega com as flores do dia. Então, é a que tá mais bonita no dia. A gente tenta variar bastante o mix para sempre entregar algo diferente, em cores diferentes. Mas o cliente pode escolher basicamente entre duas opções de tamanhos e aí ele recebe toda semana um arranjo diferente. Isso você vai na SEASA ou você tem um fornecedor? Eu pego, normalmente eu pego no SEASA. depende é da quantidade de eventos, porque às vezes quando se se eu tenho eventos, muitos eventos, eventos maiores que demandam mais quantidade de flor e até um uma produção antecipada, eu pego lá no Seaflor, que é em Olambra, que aí eu vou às quartas-feiras, ou eh quando a gente consegue, como eu também, né, trabalho há muito tempo, os os fornecedores me entregam aqui em Campinas, eu tenho um fornecedor aqui em Campinas também, então Então é é bem tranquilo, dependendo de como é a nossa agenda. Como você então organiza essa agenda? Você tem, claro, os eventos corporativos, tem a quinta-feira, que é o dia das entregas da assinatura e tem as festas. Como é a sua sexta, o seu sábado geralmente como é você se organiza nessa rotina? Eh, eu falo que as pessoas acham que realmente meu trabalho é gostoso, é só alegria, são festas, são flores, mas a produção não é sempre eh só alegria, né? Então, a gente trabalha muito, enfrenta muitos desafios e eu trabalho muito com os eventos ao final, aos finais de semana, sábado e domingo, mais até sábado do que domingo. Então, a gente começa a produção durante a semana, normalmente, às vezes a gente também produz na segunda-feira, porque algumas entregas corporativas em consultórios, escritórios, a gente faz na segunda-feira e aí a gente programa a agenda do fim de semana. Então, os arranjos florais, as assinaturas, eu já tenho, né? A a rotina de entregas é aquela. E aí eu encaixo nos eventos, a gente começa então a produzir eh eu tenho a minha assistente que me ajuda muito na curadoria, na seleção de peças, o que a gente, eu faço o projeto e aí no início da semana a gente vai pensando, né? Eh, a gente procura deixar de segunda a quarta para fazer essa curadoria de selecionar as peças pros projetos e a partir de quinta-feira, quarta ou quinta, dependendo de como tá o movimento, a gente começa a produção floral pras assinaturas e pros eventos também. A gente percebe, inclusive quem tá assistindo pode dar uma olhada aí nas imagens que o seu negócio vai além das flores. A gente, você tem inclusive um pequeno almoxarifado com as peças que compõem todo esse visual em cada evento que você organiza, em que você decora. me fala um pouquinho de como foi criar, né, esse essa espécie de olha, eu tenho uma peça que vai combinar com tal decoração. Você até mencionou que mesmo nos infantis você tem toda essa preocupação. Me fala desse acervo, tá? Eh, quando eu comecei a trabalhar, né, há 13 anos, 14, eh, tinha poucas lojas de locação de peças. Então, eh eh eu fui criando um acervo pessoal, porque eu eu ia, né, de acordo com as festas que iam aparecendo, eu ia comprando as peças, os vasos e alguns itens temáticos mesmo, porque como eu fazia muito infantil, alguns e sempre tem, né, épocas que tem muito um tema. Então a gente acaba investindo um pouquinho nisso e e aí eu investi em ter algum acervo e invisto até hoje, porque aí a gente vai vendo, tem coisas que a gente usa muito, então peças de cristal, eh, e cores básicas, né, assim, rosa, azul, bebê, algumas corzinhas, né? Então, eu tenho um pequeno acervo, alguns eu tenho um pouquinho, alguns móveis também tenho, então, eh, a base eu consigo fazer com o meu acervo, mas aí a gente tá sempre garimpando outras coisinhas para agregar a cada projeto. Uma assinatura custa em média quanto? De 200 e pouquinho, a de 200 a R$ 400. Um projeto de uma festa, mínimo e máximo. A máximo o céu é o limite. A gente eh é fazer uma festa é assim, né? Já que eu tô fazendo isso e se colocar mais aquilo, enfim. Então assim, máximo não tem, vai de quanto o cliente está disposto a investir. Eh, mais ou menos a partir de R$ 2,5, R$ 3.000, uma festa completa, é uma decoração eh não tão grande. O que eu sempre digo é que eu acho que o, principalmente, eu sempre tive isso, né? Eh, até porque era o que vinha da minha casa, que que eh foi eh formando esse meu lado profissional que eu não sabia que eu tinha, porque até então eu advogava. Mas eh qual é o propósito da comemoração, né? Então, eh na minha casa, o propósito das comemorações sempre foram reunir a família, receber os amigos, eh celebrar a vida, agradecer as bênçãos que a gente tem nas nossas vidas. Então, eh, eu gosto de eventos lindos, bonitos, que as pessoas cheguem e e admirem isso. Sim, também, mas não é uma coisa para falar: "Ah, tem que ser um mega evento, uma super produção". Claro que sim, pode ser, mas que que esse não seja o propósito, né? que o propósito seja celebrar, receber, dividir amor e e não esbanjar e pensar nos no dinheiro, né? E hoje, qual é a avaliação que você faz do seu empreendimento que começou de uma forma, digamos que não proposital e que hoje tem um nome, as pessoas te indicam? Como que é isso para você, Renata? Ai, é um motivo de alegria, de orgulho, né? Eu acho bonitinho assim ver os que os meus filhos acompanharam isso, então deles poderem ter orgulho, sabe, de falar: "Ah, minha mãe, eles me indicam pros amigos, sabe?" E eu falo, era uma coisa despretenciosa que começou por acaso, mas que virou um negócio e e que me dá prazer e que me eh me preenche como profissional, né? E não apenas ter o meu papel de mulher, de cuidar do meu marido, dos meus filhos, da minha casa. Então eu eu sou muito grata a ter tido essa oportunidade e das coisas terem chegado aonde chegaram assim. [Música] [Música] [Música]