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Música Um olhar para a realidade de muitos empreendedores individuais e de empreendimentos familiares das periferias. Este é o Empreende Campinas, que passa por trilhas de aprendizado, mentorias e acesso a recursos financeiros. E é sobre esse projeto que o Ser Empreendedor de hoje fala sobre como ele tem mudado a vida dessas pessoas nos seus territórios. Para a gente entender, nós viemos até a FEAC para conversar com a Karina Capelli, que é justamente a gestora desse projeto. Karina, conta para a gente como surgiu o Empreende Campinas. O Empreende Campinas surgiu em 2022, é a segunda fase de um grande projeto de empreendedorismo em que a FEAC investe. E ele surgiu para apoiar essas pessoas na busca de trabalho e renda dignos por meio do empreendedorismo depois da pandemia. Muitos nano, pequenos empreendedores ficaram sem renda nesse período de pandemia e estavam com a sua situação de vulnerabilidade agravada. E aí o projeto vem para potencializar esses talentos, esses sonhos, essas vontades das pessoas, oferecendo capacitação técnica, capacitação empreendedora, mentorias e o acesso a capital semente e microcrédito também. Quando a gente pensa nesse período pós pandemia, como a FEAC então chegou até essas pessoas? Como foi que vocês observaram e puderam detectar os territórios que precisavam que vocês fossem até esse local? Esse é um projeto em rede que é executado por quatro organizações sociais que estão nos territórios e já tinham essa entrada nas comunidades, esse vínculo com as pessoas do entorno das organizações entendendo essa demanda social Ao mesmo tempo, a Fundação FEAC tem muitos projetos em que ela investe em todos os territórios de Campinas e a gente sempre faz esses projetos em parceria com as organizações E aí as organizações vinham trazendo para nós essa necessidade de trabalho, de melhorar a renda, a questão da insegurança alimentar, a questão da falta de vagas de emprego formal. E aí a gente decidiu investir por via do empreendedorismo. A gente já tinha as pessoas em territórios vulnerabilizados procurando as organizações, tanto para fazer oficinas, cursos profissionalizantes, quanto oferecendo produtos e serviços que elas já faziam. E aí, nesse processo, essa demanda foi mapeada e a gente resolveu ampliar o projeto para que chegassem mais pessoas, parcerizar com o Sistema S. A Fundação Educar também apoiou a composição de recursos desse projeto e a gente entendeu que não bastava a gente apoiar com uma qualificação técnica. Então, a pessoa faz bolo de pote, ela vai passar por uma formação na área de gastronomia, vai, mas também faltava essa formação na área de gestão de negócios, faltava uma mentoria para estruturar o modelo de negócio, faltava o pontapé inicial, que é aquele recurso para ela comprar, às vezes um freezer, às vezes um pouco de embalagem, às vezes divulgar nas redes sociais, para ela poder começar a fazer aquele negócio girar e poder viver dessa ideia, desse negócio, desse pequeno empreendimento. O projeto mobilizou mais de 3 mil pessoas na cidade com esse interesse, e aí a pessoa faz um plano de inclusão produtiva, que é um plano em que, de acordo com as suas vocações, a sua experiência, a sua aptidão, a sua, o seu projeto de vida, ela desenha quais os cursos que ela precisa fazer e qual vai ser a trilha pela qual ela vai passar. O projeto mapeou mais de 3 mil empreendedores de periferia. Mais de 1.300 implantaram seus planos de negócios. Mais de 900 conseguiram certificado do curso de gestão de negócios. Mais de 700 concluíram cursos profissionalizantes. 400 pessoas participantes que não tinham renda mesmo no começo de sua fase empreendedora já conseguem ter uma renda superior a um salário mínimo por mês Além disso, são mais de 80 beneficiários diretos trabalhando com uma renda complementar superior a um quarto de salário mínimo As mulheres são a maioria, representam 69% dos participantes e 58% são negros ou negras. A Roberta, que trabalha com venda de roupas, começou a empreender em 2018 e chegou ao projeto a convite de uma amiga. Ela me indicou o curso, falou vamos lá fazer esse curso que vai ser muito bom. E aí eu fui, o curso é aqui perto de casa mesmo. E aí a gente começou a fazer, esse curso durou em média de uns 2, 3 meses Todas as quartas-feiras a gente ia lá participar do curso do Canva Curso de como empreender, de como investir E aí esse curso, passado um tempo, terminou o curso A gente não foi contemplada na época As pessoas que foram contempladas foram as pessoas que trabalhavam mais com alimentação A trajetória empreendedora começou quando viu sua vida como trabalhadora com carteira assinada não ter mais sentido. Eu era operadora de produção, trabalhei em várias empresas, e aí eu comecei a entrar como temporária nas empresas. Então eu trabalhava nove meses, desligava, e aí eles chamavam futuramente. E eu precisava sair dessa zona de conforto, porque eu estava fazendo muito mal, porque o meu sonho era ficar na empresa e ficar ali naquela zona de conforto, ganhando todo mês o dia 15 e o dia 30. Eu falei, não, eu preciso sair disso. E aí veio o start Que através de algumas terapias A minha terapeuta falou Eu vejo você trabalhando pra você Não vejo você trabalhando para os outros E isso despertou algo em mim E aí foi que eu resolvi empreender E foi que eu comecei com as T-shirts primeiro Aí o meu esposo saiu de uma empresa Aí ele tinha recebido a rescisão E investiu, me ajudou a comprar mais peças A gente foi pra São Paulo E aí a gente começou a movimentar Até então eu não tinha ainda um nome Pra loja E aí foi que nasceu a Leôs, bairro Roberta Soares E aí eu comecei no Instagram Divulgando no Instagram e no WhatsApp E aí faz um mês Que eu tô agora no meu espaço físico Tanto eu atendo Público, adolescentes De 15 anos, 16 anos Como atendo mulheres de até 50 anos Então tem uma diversidade aí muito grande Porque eu acredito que hoje em dia não importa As pessoas julgarem o que você veste Você tem que se sentir bem Se você tá se sentindo bem, se você tá feliz com aquilo Tá tudo bem Na segunda-feira eu vou administrando Vou, tipo, dando baixa de tudo que foi vendido Durante o final de semana E aí eu vou fazendo tudo Com o computadorzinho ali E vou me encaixando nas coisas E nos outros dias? Nos outros dias funciona normalmente De terça a sábado funciona normalmente Aliás, de segunda também Inclusive eu tava até com uma cliente agora há pouco Funciona normalmente Mas eu tiro a segunda Porque segunda-feira já é um dia mais tranquilo Então eu tiro a segunda mesmo Pra criar os conteúdos da loja Mas de terça em dia onde ela funciona normalmente, eu vou lá, entro nas minhas redes sociais, coloco que a loja tá aberta das 9 às 18 horas, as meninas vêm aqui, provam, experimentam. Algumas já conhecem o meu produto, então acaba rolando mais um online, aí eu chamo o Moto Uber, o meu esposo também me ajuda bastante e entrega pras meninas as peças que precisam. Também tem o conforto de provar na sua casa, ela não precisa, se ela não quiser vir aqui, não tem problema. Mando pra ela, ela prova no conforto da sua casa, se não der certo, elas me devolvem as peças E assim a gente vai administrando Como foi pra você pensar que um projeto como o da FEAC Te ajudou a dar esse pontapé inicial Você virou a chavinha lá atrás Uma primeira vez pra se tornar empreendedora E agora pra dar esse importante passo Como que foi? Foi bem desafiador Eu confesso pra vocês que eu tô vivendo o divisor de águas na minha vida Porque pra mim foi muito bom Porque eu misturava muito o meu pessoal com o profissional Porque trabalhar em casa a gente acaba misturando Então pra mim tá sendo muito libertador em relação a isso Porque eu sei que eu tenho que fazer na minha casa E eu sei que eu tenho que fazer aqui Então eu consigo separar isso E dar esse pontapé pra mim tá sendo muito bom Muito bom porque é sair da zona de conforto Porque eu comecei ali, tirei uma zona de conforto que era o CLT Pra empreender e estar no online E agora eu saí do online e continuo no online, né? Mas pra ter um espaço físico Então eu me imagino daqui a cinco anos, não com várias lojas, mas com o sucesso da Leuva. A escolha da marca é uma característica de que a empreendedora já sabia do seu potencial, o que foi analisado pelo Empreende Campinas no início deste ano como um negócio a impulsionar. Todas as mulheres nós temos uma Leuva dentro de nós, independente de sermos mães, independente de qualquer situação. Não tem mulheres que querem simplesmente só conquistar o seu espaço no mundo profissional. E ela é uma leoa, porque ela luta por aquilo. A mãe também luta pelos seus filhos. E assim, eu não sou mãe, mas eu sou uma leoa. Eu me considero como uma mulher forte, uma mulher corajosa, uma mulher determinada. Então foi daí que nasceu o nome, leoas. Iniciou o ano de 2024, as meninas entraram em contato. Falaram, Roberta, vamos tentar de novo? Quem sabe dá certo. E tentamos novamente e deu certo. Aí você teve que fazer o curso novamente? Não, não precisou fazer o curso. as meninas entraram em contato com a gente, comigo, na verdade, foram até o espaço que eu tinha, que era no online, que é na minha casa, na verdade, na minha casa, e aí elas olharam a estrutura, viram o que eu precisava, o que eu precisava adequar, e mostrou pro pessoal, e mostrou todo o material pro pessoal, o pessoal se interessou e falou, vamos lá, vamos investir. Quais foram as adequações que você fez? Eu comprei uma arara nova, porque eu não tinha, comprei a sacola pra loja personalizada com o logo da loja, mudei o logo, porque o logo era um, aí eu mudei o logo, investi na papelaria, Comprei, esse espelho faz parte também, um ferro, o que eu precisava de um ferro Um ferro a vapor, porque o ferro normal, querendo ou não, danifica as peças E aí eu fui investindo, fui investindo, fui investindo O curso no território que foi realizado na Praça da Juventude, no Distrito do Ouro Verde Foi fundamental para que a empreendedora aderisse ao programa As organizações parceiras que formam essa rede do Empreende Campinas identificam os territórios que vivenciam situações de maior vulnerabilidade, não só de renda, mas também questões de violência, questões de falta de acesso a equipamentos públicos, enfim, regiões em que o setor privado não está tão presente nessa oferta de trabalho, e aí fazem essa parceria. E a maioria dos negócios que a gente tem no Empreende Campinas, desses nanoempreendedores, são na área de alimentação. Depois a gente tem a área de costura, de estética e alguns pequenos serviços e comércios também. Então a gente entende qual é o interesse das pessoas daquele território. se é o interesse pela área de serviços elétricos, ou então para a área de costura e confecção. E aí a gente busca levar aquele curso de interesse dentro daquele território mesmo. A jornada do empreendedor no projeto, ela começa então a partir desse mapeamento, do cadastramento, depois a pessoa acessa a capacitação técnica, capacitação empreendedora, que acontecem tanto executadas pelos parceiros, quanto pelo Sistema S também, dentro do projeto. E aí depois a pessoa passa pela mentoria, ela vai passar por uma mentoria em grupo e também por uma mentoria individual para estruturar esse modelo de negócio. Essa mentoria é executada em parceria com a PUC de Campinas, com a Escola de Economia e Negócios, as ligas acadêmicas, que fazem um plano de melhorias para o negócio junto com cada empreendedor. Eu falo no feminino, porque a maioria são mulheres. E aí depois essas pessoas que estruturaram o seu Canvas, elas vão se candidatar a receber os recursos financeiros. E aí elas passam por uma análise do comitê gestor, que é formada por representantes da rede, para analisar a viabilidade do negócio, para analisar, a gente dá prioridade para a diversidade, a gente prioriza mãe solo, pessoas negras, LGBTQIA+, pessoas que são a rima de família e também pontua, pontuam mais as pessoas que passaram pela trilha de uma forma mais completa. E aí quando é concedido o capital semente, então essa pessoa vai usar para capital de giro, Esse é o valor de 2 mil reais, o capital semente, que é uma doação sem retorno mesmo, para a pessoa iniciar suas atividades ou dar aquele primeiro passo. Desde que foi implantado, o programa já investiu em 60 empreendedores da periferia, num total de R$ 120 mil em investimentos nos segmentos da alimentação, seguidos pelo de costura e confecção artesanal, lojas de roupas e outros serviços. Quatro já tiveram acesso ao microcrédito, que vai de R$ 6 mil para a MEI, passando de R$ 8 mil para negócios familiares e R$ 10 mil para grupos produtivos. Dois são de comércio local de roupas e móveis, um na alimentação com um negócio de confeitaria e um para serviços diversos. Facilitou muito, porque o curso começava, dependendo do horário, às vezes o professor tinha alguns problemas no caminho Então, umas oito horas, no máximo, começava o curso E era perto de casa E hoje em dia a gente tem aqueles riscos, né? Tipo, às vezes ser muito longe, você tem que pegar um ônibus, tem que sair daquela rotina sua Então, era perto, era só eu descer a rua, eu já estava fazendo o curso Então, para mim, ajudou muito, muito, muito ser bem perto de casa Você acredita que para outros empreendedores também essa questão de ir até o bairro, de ir até o território muda muito? Muda, muda porque a gente lembra que nós não somos esquecidos, que tem alguém que olha pela gente, que tem alguém que quer investir, que quer ajudar Porque hoje eu vejo que tem muitas empreendedoras que não teve a oportunidade que eu tive de ter o valor que a gente ganhou E tem muitas empreendedoras que estão perdidas, que não sabem por onde começar, que caminho seguir, para onde ir. Então, eu acredito que tenha ajudado muito, muito, muito mesmo. O Capital Semente é uma doação de R$ 2.000,00, que é feita a partir da aprovação do comitê gestor, com prioridade para critérios de diversidade e para viabilidade do negócio também, e se destina ao capital de giro. Então, ferramentas, maquinário, investimento no local de atendimento, ou um pouco de embalagens, enfim, para esse primeiro passo. E aí, em todo esse processo, é feito o acompanhamento pelas assistentes sociais para identificar se existem outras vulnerabilidades que podem atrapalhar o desenvolvimento do negócio dessa pessoa. Então, às vezes, é um filho que está fora da escola, é uma pessoa que teria direito a um benefício de transferência de renda, uma situação de violência doméstica. Então, tem esse acompanhamento sócio-assistencial também. Depois, agora, eu estou com o interesse do microcrédito, entrei em contato com o pessoal da FEAC, porque como eu abri esse espaço, eu quero aumentar mais. O microcrédito, para mim, vai ser muito importante, porque eu vou conseguir conquistar outras coisas, Que nem aqui é um espaço que não é fora, não é na rua Onde a pessoa passa na calçada e vê Então depende muito de mim, da minha divulgação, do meu empenho E eu preciso também colocar uma placa aqui na frente Que é pra chamar a atenção de outras pessoas que vão passar na rua E falar, olha ali tem uma loja Então esse passo de pedir ao microcrédito é pra isso É pra mais aperfeiçoar, fazer mais pro crescimento da loja mesmo E pro meu crescimento também Porque eu pretendo também com esse dinheiro fazer vários cursos Aprender outras coisas porque a gente não pode ficar naquela bolha, né? Ah, eu sei isso e tá bom. Não, a gente tem que crescer, fazer um curso de moda, os outros cursos que agrega mesmo para o crescimento da loja. Entusiasmada, a empreendedora já faz planos para o futuro do negócio e assim como um dia foi convidada, diz que hoje indica o programa para outros empreendedores. A vontade de escutar o nome, é o vento, né? O vento faz shhh e o nome de hoje tem que ser assim como esse vento. Então, ele me ajudou muito a abrir o meu horizonte em relação a não só, porque o empreendedorismo não é só, sei lá, pegar peça, colocar no corpo, tirar uma foto e vender. Ele vai além disso, né? Porque tem a área administrativa, o financeiro. Então, são várias questões ali que eles ensinaram a gente a cuidar dessa parte, porque eu tinha muita dificuldade com precificação. E foi uma coisa que me ajudou muito, né? O projeto Empreende me ajudou muito na precificação, Me ajudou muito em relação a abordar os clientes Eu participo também de feiras Então, me ajudou muito nesse sentido de comunicação também De saber lidar com o cliente, de tratar o cliente De saber o que o cliente quer e oferecer o que o cliente quer Se eu souber que está tendo um ali na esquina, eu falo, vai Vai, que pode ser que a princípio Porque comigo não foi da noite para o dia Primeiro eu fiz o curso, não fui aceita E depois veio Então, às vezes as pessoas falam ai, mas será que é verdade? Tem uma pessoa que está me perguntando, ai, mas será que isso é verdade? Eu falo, é, é verdade porque aconteceu comigo. Então, para que eu não vou ajudar as outras pessoas, sendo que foi um benefício bom para mim? E me ajudou a abrir, assim, vários caminhos, né? Tanto profissionalmente, mentalmente, enfim, abriu várias oportunidades. No próximo bloco, o casal que após participar do Empreende Campinas, dá um up no negócio e dobra o faturamento. Legenda Adriana Zanotto Antes a minha mãe fazia bolos, né? Ela fazia bolos para a família e eu sempre ajudei ela a fazer. E aí eu acabei gostando de fazer. Aí a gente começou fazendo bolos de pote na época, né? A gente vendia para amigos, famílias. Aí eu decidi fazer um curso de confeitaria. Aí eu fiz um curso de confeitaria no Senai e a partir daí a gente começou a vender os bolos também de festas, né? Por encomenda. e através dos bolos a gente já engajou ali nos salgados e a questão do nome, a gente ficava pensando muito num nome que é muito difícil de achar, né? E aí surgiu a ideia desse nome. No começo a gente trabalhava só em casa mesmo com encomendas de bolos, salgados, não tínhamos um ponto físico. Depois do curso a gente foi contemplado com o Capital Semente e tivemos a mentoria com o pessoal da PUC, que ajudou bastante a gente e a partir daí a gente decidiu abrir o ponto físico e hoje a gente tem alguns produtos à pronta entrega na loja, como os copos, continuamos com a encomenda também e ampliamos a nossa linha de produtos. E o negócio que começou em 2018 com a Franciele na cozinha de casa ganhou um novo status a partir da participação do casal no programa. E o marido deixou de ser apenas o ajudante da confeiteira para ser também um empreendedor. E agora juntos eles transformaram o que era antes uma vitrine apenas na internet em também um espaço físico. Uma pesquisa do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, realizada em 2021, mostrou que os negócios periféricos têm, em média, 37 vezes menos capital do que os realizados fora delas e que as receitas obtidas são, em média, 21 vezes menores. Ou seja, as desigualdades sociais refletem significativamente no empreendedorismo em comunidades periféricas. Impulsionar o negócio. Com as aulas e mentorias, o casal aprendeu sobre precificação e marketing e com capital semente, comprou um freezer. Qual foi a virada de chave? Eu acho que foi o conhecimento. A gente adquiriu bastante conhecimento através do curso. Conhecimento que se a gente antes estivesse aberto, provavelmente a gente não ia saber como trabalhar O que vocês investiram? A gente investiu em um freezer Por que foi essa escolha? Porque a gente perdia muita venda por não ter um produto à pronta entrega Então, vendas de salgado, venda também de bolo, que às vezes a pessoa pedia ali querendo um bolo no dia E a gente não conseguia fazer todo o processo de massa, recheio Então, a partir daí, a gente conseguiu ter um estoque mínimo de salgados e também de massas de bolo, que aí a gente só ia e fazia a montagem deles. Hoje, a questão de produtos de pronta entrega, a gente produz diariamente, né? E os produtos que são por encomenda, a gente tem alguma coisinha ali que já fica pronta, adiantado e outras, conforme vai tendo o pedido, a gente já vai produzindo. Vocês fazem doce e salgado, como que vocês dividem esse trabalho? O doce, eu que faço, né? Tenho a ajuda do Elton e o salgado, quem produz é ele. E vocês, você me disse que vocês começaram primeiro com os bolos, né? E a partir do freezer que você começou a fazer esses potinhos de doce, me conta essa história desses doces aí. Os doces da loja, em outro momento a gente já fazia, aí depois por um tempo a gente precisou parar de produzir o pronto-entrega e a gente voltou agora, devido até ao ponto físico, para ter na loja nossos produtos prontos. Como o freezer, a gente utilizou mais na parte dos bolos mesmo em si, porque os produtos de loja não tem como congelar. A gente já faz e vende O esposo da confeiteira ajudando ela Então nunca foi nada a sério Aí depois disso a gente começou A investir em conhecimento Começou a conhecer o que era Empreendedorismo de verdade Foi tudo muito novo Porque não foi na parte de fazer E sim em aprender A gente viu que era necessidade de algo a mais Que hoje não era só fazer E sim poder Aprender mais como administrar Como fazer aí eu sempre apoiei ela, naquela época eu fiquei desempregado, tava desempregado aí eu falei pra ela, já que estamos muitos anos a gente nunca fez certo então vamos fazer certo pra fazer acontecer aí a gente foi no empreendedor Campinas e tudo foi aí que tudo começou foi tudo novo engajador também, mas deu tudo certo até agora tudo certo comecei a gostar mais do que mais do que antes e vi que a gente tem potencial, né? Qual é a sua responsabilidade nesse negócio? Eu faço a parte dos salgados e ajudo ela nas compras, ajudo também a parte da iniciativa. Hoje a gente está, depois a gente fez o curso junto, a gente começou a compartilhar as ideias juntos, né? Começou a sair um pouco de esposo para empreendedores juntos também. Como que é quando vocês vão discutir, por exemplo, vocês decidiram comprar o freezer. Depois do freezer Decidiram abrir esse espaço físico Como que foi Vocês trocarem essas ideias Para saber qual era a decisão em cada fase Então Quando a gente comprou o freezer A gente viu que era necessidade E na época eu fiquei desempregado A gente falou assim Agora que a gente tem um pouco de conhecimento Vamos colocar em prática A gente resolveu montar a loja Em si Aí veio a estruturação da loja Estruturação de tudo Aí começamos a criar um processo, como seria feito. Aí tudo foi tudo como estava pensado. Antes era tudo no olho, hoje é tudo na balança. Então tudo começou a mudar. E planilha, tem planilha? A gente tem. A gente começou a querer mais conhecimento, começou a enchercer um pouco o pessoal da FIAC. E o pessoal da FIAC sempre deu suporte. Depois que a pessoa acessou o Capital Semente, que ela demonstrou essa aplicação no negócio e o negócio está evoluindo, a gente estruturou um fundo de microcrédito que tem uma taxa de juros neutra, ou seja, a pessoa devolve o mesmo recurso que ela pegou sem juros, a gente absorve esses juros, tem que ser aprovado também pelo comitê gestor e tem período de carência e ele é para o investimento nesse pequeno negócio, nesse nano empreendedor. E aí tem esse acompanhamento também, essa atualização do plano de negócios, Junto com a equipe que trabalha essa questão econômica dentro do projeto. O negócio estava estagnado? Estava. E o que você pensava? Eu preciso melhorar, mas eu não sei para onde ir. O que passava na sua cabeça? A gente sabia que a gente precisava melhorar, mas a gente não sabia por onde a gente começava. Se seria o ideal a gente melhorar em produção ou em marketing. A gente não sabia ali por qual caminho ir primeiro. Um diferencial importante do Empreende Campinas em relação a projetos que são oferecidos de maneira totalmente remota e até um pouco impessoal, é que a maior parte das atividades do projeto são executadas presencialmente nas comunidades de origem das pessoas e também esse olhar para o indivíduo, para a trajetória daquele indivíduo. Então, o plano de inclusão produtiva é individual, não é um plano massificado para todos aqueles que estão envolvidos. Ao mesmo tempo, tem apoios no sentido de matemática financeira, de inclusão digital e tem um vínculo importante que é construído com as equipes das organizações que fazem esse acompanhamento nessa jornada empreendedora. E uma outra questão muito importante é essa questão do empoderamento pessoal, que são feitas atividades justamente com esse olhar de autoestima, de fortalecer a comunicação, de fortalecer os vínculos familiares e comunitários dessa pessoa, porque as vulnerabilidades não são só econômicas, elas têm uma ligação com a forma como essa pessoa se relaciona com o seu território, se ela tem rede de apoio. Isso também vai ser fundamental no desenvolvimento desse negócio e dessa pessoa. Hoje, além do boca a boca, o Instagram, toda a parte de internet, também tem os clientes que vieram mesmo através do ponto físico. Você acredita que aumentou, vocês já fizeram as contas de quanto isso aumentou na rentabilidade, na lucratividade? Como que foi esse percentual? depois da loja antes a gente não vendia todo dia a gente não tinha vendas todos os dias e agora com o ponto físico todos os dias a gente tem vendas todos os dias a gente tem produção antes a produção era mais focada no final de semana em si, com a loja praticamente as vendas dobraram 100% você pode dizer? uns 80% como nós já existe, deve-se que muitas pessoas que tem essa falta de conhecimento, quando você conhece você realmente libera um desejo de querer aprender, porque é interessante que quando você aprende e você começa a colocar em prática e vê as coisas acontecendo as coisas parece que vão assim, pô, agora tá dando certo porque antes a gente fazia, será que vai dar certo? será que não vai? Então a gente perde um pouco hoje da teoria com a prática antes só tinha prática e hoje no mundo dos negócios não adianta só ter a prática tem que ter os dois Com a participação da trilha do Empreende Campinas, os empreendedores vão olhando mais para o potencial que existe em cada um. Eles confiam mais na gente do que a gente mesma, né? E eles sempre falavam pra gente, vocês são capazes de conseguir. Às vezes, não era uma pessoa que ficava ali parada, esperando, né? A gente sempre ia atrás deles, tirava dúvida, perguntava. E eles sempre iam ali dando suporte pra gente, né? E eu acho que... Pra essa loja ser realidade, vocês fizeram um plano de negócio? Fizemos. Como foi? A gente nunca teve um plano de negócio, a gente nunca teve um plano de negócio, através do empreendente que a gente foi fazer o plano de negócio. A gente só chegava, produzia e vendia. E como que é hoje ter esse plano e pensar não só na produção, mas na compra dos insumos, na manutenção, como que é toda essa estratégia? Hoje é totalmente diferente de antes, tudo tem que ser muito bem pensado, tanto em questão de produção, o que eu vou produzir, se é viável para mim produzir ou não, se eu vou produzir para quem que eu vendo, como que eu vou fazer o meu cliente conhecer esse produto. Então, hoje, tudo que a gente faz, a gente pensa antes de fazer. Antes a gente só fazia e nisso a gente acabava perdendo muito. Eles não se veem como empreendedores. Muitas vezes eles se veem só como uma pessoa que produz um produto ou presta um serviço. Então é nosso papel também reconhecer neles essas potencialidades, mostrar para eles, e as equipes das organizações parceiras são muito boas nisso, em mostrar que aquele nano empreendedor lá da periferia é um empreendedor igual àquela pessoa da startup que cresceu, que ficou famosa, e que é possível você viver do seu negócio, viver do seu talento, ter, auferir uma renda digna e conseguir desenvolver os seus talentos, né? E hoje? Hoje a gente melhorou bastante, mas a gente acredita que a gente pode hoje. Melhorar cada vez mais e eu já acredito mais. E agora, fala pra mim, um sonho desse negócio? Abre franquia, né? É muito gratificante para a gente ver, ter esses feedbacks dos empreendedores, das empreendedoras, porque a gente acredita que não basta esse nível informacional de aplicação de ferramentas de negócio, é necessário também empoderar as pessoas, é necessário se conectar com essas pessoas, reconhecer esses projetos de vida, acolher essas pessoas, promover rede. E a gente procura fazer isso, porque a FEAC tem essa missão de promover o bem-estar social na cidade de Campinas, né, então a superação das vulnerabilidades, então o olhar vai muito além desse olhar econômico, e aí quando você tem esse olhar integral, pro desenvolvimento integral das pessoas, você também promove esse empoderamento pessoal, que é fundamental pra pessoa em várias áreas, né, pra ela se passar por um processo educativo, um processo formativo, em processo de incubação também. Qual o futuro do Empreende Campinas? Olha, o futuro do Empreende Campinas é brilhante. A gente está pensando em expandir o projeto, em trazer mais investimentos para ele, aumentar essa rede de organizações parceiras, poder atender mais pessoas por mais tempo. A gente está muito feliz com os resultados do projeto, com a transformação social que a gente viu nele e está acreditando que é possível, com mais investimento, aumentar ainda mais esse alcance. Legenda Adriana Zanotto