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[música] O mercado de brechós em todo o país está em alta, com consumo cada vez maior de peças de segunda mão. Para se ter uma ideia, aqui na região metropolitana de Campinas, de acordo com o SEBRAI, são 470 estabelecimentos abertos justamente com esse intuito. E hoje nós estamos aqui em uma avenida aqui da cidade de Campinas para falar com a Alessandra. Ela que é empreendedora, vai contar um pouquinho da sua trajetória e também agora está no mercado de brechós. Alessandra, nós já te entrevistamos no ser empreendedor quando você participou lá naquela semana que nós tivemos, né, no Campinas Innovation Week, naquela ocasião você estava com suas peças autorais. Me fala um pouquinho desse trabalho e e essa questão do brechó agora. conta pra gente, é o trabalho de peças autorais, né? São peças que eu faço, ela é voltada para qualquer mulher que quer se sentir bem, autoestima, né? Porque qualquer acessório muda qualquer look, né, Mirna, né? E com isso, com a parte sustentável que eu tava fazendo acessórios, eu ganhava muitas peças de amigas que falavam assim: "Lê, esse colar quebrou, mas olha essa peça, que coisa mais linda". E eu transformava em uma outra peça, né? e fui trabalhando com isso. E eu falei, por que não fazer isso com as roupas, né? A gente vive hoje num mundo que é tudo é jogado fora, sim, né? E com medo de que o planeta pode acabar. Então, se cada um fizer um pouquinho, né? Existe tantas peças maravilhosas que as pessoas não usam mais porque não serve, porque engordou, porque emagreceu, porque enjoou e a peça tá tão boa quanto que pode servir para uma outra pessoa. E muitas vezes tem a parte de doação também, mas muitas vezes tem peças que não é para doação, tem peças que é fashion, né? Que é peças que você pode sair para ir para uma balada, para ir num restaurante, para ir num casamento e vamos customizar também. Mas aí você deixou o negócio da dos acessórios autorais ou você agregou o seu negócio? Eu agreguei. Eu acho que combina. Eu acho que é como que fala quando junta? É agrega, agrega agrega. Você pode estar usando uma peça de brechó com um colar autoral, né? e você vai est totalmente autêntica ao seu estilo. E como foi formatar então esse brechó, pensar nessa curadoria, formatar, pensar no espaço, aquilo que pode, que não pode, aquilo que atrai o cliente. Como que você fez tudo isso? Eh, mexer com a pessoa é difícil a gente, né? E agora assim, até então era online, né? era online ou agendamento. Agora eu abri realmente o brechó pra rua e agora que eu tô conhecendo realmente mais pessoas, o que as pessoas buscam. Mas o meu brechó ele é bem casual. Eu gosto muito de roupas que é versátil, que você pode estar tanto durante o dia trabalhando com ela, como você trocar o sapato e você pode qualquer um coquetel tudo, né? Mexo muito com jeans. E eu acho que isso é vai agregando também com as peças autorais. Sim, né? Sim, você disse que no início eram doações, pessoas que foram chegando e que você pensou por que não ter esse negócio da roupa, dessa economia circular. Antes você fazia o quê? Sempre empreendeu ou não? Não, eu sou formada, né? Eu tenho duas faculdades. Eu sou formada em terapia ocupacional, aonde na terapia ocupacional eu descobri o meu dom de gostar de fazer as coisas com a mão, né? e sou formada em administração de empresa na parte de RH. Trabalhei mais de 20 anos atrás de uma mesa cuidando de mais de 50 homens como RH. E na pandemia a firma fechou tudo. E hoje eu quero eh trabalhar numa coisa que eu sempre gostei, porque eu sempre gostei de brechó. Você ia adiano por pela comodidade do CLT? Você acredita que foi isso? né? Porque era muito serviço, era assim, eu eu trabalhava muito, eu não tinha tempo, mas eu eu antes de de eu realmente fazer, eu já tava vindo algum tempo indo mais curiosa nos brechós que eu frequentava, que eu comprava tanto roupa para minhas filhas, então antes de ser vendedora, você era consumidora? Muito. Sou até hoje. Hoje eu estou todinha de brechó, gente. Eu eu assim, a maioria hoje assim ainda tem roupas no meu no meu guarda-roupa, tudo, mas assim, tem muita roupa de brechó. Eu sempre admirei, eu acho assim, eh, eu compro de brechó, brechó compra de mim, né? E daí eu fui com um ar curioso de saber como elas faziam a curadoria, como você faz um garimpo, né? E foi aí que eu fui estudando para poder montar o meu. Sim. Pandemia veio, a empresa onde você trabalhava fechou. E a partir disso que você disse: "Olha, eu fui estudar, eu fui eh entender como funciona um garimpo, como funciona essa curadoria e como que você foi formatando para pensar, olha que tipo de peça você, você até falou: "Olha, minha minha moda é casual, quem é o seu público para você ter escolhido esse modelo? Ou é a partir da sua própria vivência que você falou: "Eu quero trabalhar com esse modelo de roupa". A gente começa em primeira mão, a gente sempre começa pela família e pelos amigos, né, Mirna, né? O estilo de roupa. Eu sempre começo, eh, comecei com amigas mesmo e pessoas falando: "Eu gosto do seu estilo, Lê, né? Eu gosto das roupas que você que você joga, né? O que você monta." E daí então eu fui montando a pessoa através disso. Hoje o meu público são mulheres acima de 25 até a idade que quiser, porque eu tenho cliente até de 70 e poucos anos. Sim. E como é essa questão de abrir as portas? Você disse: "Antes eu atendia com horário agendado ou às vezes pela internet. Como é agora esse atendimento físico? É, eh, foi muito trabalho, né? E eu abri, eu inaugurei, não faz nenhuma semana, né? Eu inaugurei a loja semana passada, né? E assim, tô tendo até assim, porque daí você pega outro tipo de público. Hoje, por exemplo, eu tô mais focada, eu tava mais focada em roupa feminina, tudo, né? Mas assim, eu já vi que, como eu tô no meio de três faculdades, eu já vi que eu posso abrir também pro masculino, pro unissexo. Unissexo eu já trabalho bastante, né? Mas pro masculino, por conta disso, para pegar um outro público também, que é o público jovem que vem até a universidade. Isso. E eles adoram, né? O público jovem hoje, se for ver, eles estão mais conscientes do que os públicos, do que as pessoas mais velhas sobre brechó, sobre curadoria, sobre é a segunda mão que pode ser usado, né? Eles estão muito mais consciente e pensando mais no planeta do que muitas vezes pessoas da minha idade da sua, né? Quando você, por exemplo, menciona, ela conversou comigo um pouquinho, disse: "Mir, eu tô já planejando em fazer, por exemplo, uma panfletagem nessas universidades aqui que ficam ao redor do meu brechó." Então você de certa forma vai unir a internet, que é a propaganda do momento, com algo que é considerado ai panfletar é algo bem antigo, mas que você acredita que vai dar resultado. Ah, eu acredito que o panfleto dá resultado, ele sempre dá, né? Porque você porque é o é o corpo a corpo, né? Você tá ali, se eu chegar ali na porta de uma faculdade que nem tem a Mandica aqui perto e cada pessoa que chega eu entregar o panfleto e falar que é meu, eu acho que a conexão ela fica mais legal, né? Né? Não é apenas, ah, tá no semáforo, não. Eu vou panfletar na porta da faculdade e falar que é meu, né? a pessoa vai vir aqui, vai ser atendida por mim, vai ser um atendimento consultivo, que tem muitas e você agrega tudo isso, não é só vender roupa ou acessório. Eh, você tem pessoas que não sabem montar look, por exemplo. Ah, então você dá uma espécie de consultoria também na hora de montar o look. Isso. Tem pessoas falam assim: "Ah, eu gostaria tanto de, ah, eu tenho um coquetel para ir, eu não sei o que usar". Então vamos procurar uma coisa que fica legal no corpo daquela pessoa, que ela vai se sentir bem, que ela não vai usar só naquele momento, que ela vai usar aquela peça várias vezes. Sim, né? Então é um atendimento con consultivo, né? E personalizado. Sim. Outra questão, a Lê falou também que ela escolheu alguns horários alternativos pensando justamente no seu público do entorno. Conta para nós como que é essa estratégia. É, eu fiz uma pesquisa de mercado aqui no bairro mesmo, né? que eu acho que a gente tem que primeiro atender onde você mora, né, e até prestigiar, né, o a sua região. E aqui, por conta da faculdade, por conta do horário de ser uma avenida, né, muito movimentada, a partir de manhã cedo, eu acho que eu não vou pegar público nenhum, porque a pessoa tá na correria, tá indo levar filho na escola, tá indo trabalhar, tá indo pra faculdade. Então eu acho que no horário do almoço, então meu horário começa meio-dia, eu vou pegar um público que tá saindo da faculdade, um público que vem almoçar no mercado e ficar até 7:30 da noite, que também quem passou cedo e não conseguiu ver na volta dele, ele passa aqui na porta de casa e vai ver que tá aberto na volta do trabalho ou no caminho da universidade. Ou no caminho da universidade. Ah, uma boa. E como que foi para você hoje eh pensar nessa migração daquele brechó online? para hoje o físico ou você pretende manter os dois. Como que é isso para você? A gente não pode sair da internet, né? Então não, lógico, porque para pra pessoa também chegar [limpando a garganta] até você no físico, você tem que se comunicar com ela de qualquer maneira. Então tem a panfletagem que aqui perto, mas se eu quero atingir outros públicos, né, eu tenho que estar online, eu tenho que estar no Instagram, eu tenho que estar pondo novidade, eu tenho que estar pondo que a loja tá aberta, tá o horário. E isso não é uma vez ou outra, isso é são todos os dias, porque o mundo é assim hoje, né? Mas como você tá administrando, então o tempo você abre a partir do meio-dia, correto? A partir do meio-dia e que horas você tem, por exemplo, para montar o look, tirar a foto, eh trabalhar aquela foto para colocar no Instagram? Como que tá sendo sua agenda com tudo isso? É, eu fiz uma agendinha, né, ainda mais para montar as peças autorais. Então, de segunda-feira, como eu não abro, são os dias que eu vou tirar para muitas vezes fazer um garimpo, eh fazer peças autorais, né? pelo menos eh como eu tenho que condicionar a peça, deixar montada, então eu condiciono daí no outro dia, como a parte da manhã eu tenho, então é onde muitas vezes eu venho, eh, faço as peças. Na hora que eu abro a loja, que nem nós estamos aqui, não chegou ninguém ainda, né? Então eu tenho esse tempo que eu posso tirar uma foto de um look, mesmo que eu não monte ele agora, mas eu tô com a foto. Na hora que eu entro, que eu vou fechar, porque empreendedor nunca para de trabalhar, né? Verdade. [risadas] Então, na hora que eu entro para dentro de casa, eu falo: "Nossa, aquelas peças que eu tirei no brechó, agora eu posso melhorar". E no outro dia de manhã eu faço a montagem e monto os looks e posto. E qual a vantagem para você de ter o seu negócio perto da sua casa, num cômodo na frente da sua casa? Isso facilita bastante a sua vida? Facilita, pelo menos financeiramente falando, eu não tô tendo um gasto de aluguel, correto? Né? que é aquele eh eh como fala? Eh, os valores fixos eles não acabam, eles agregam aqui também, né? Porque eu tenho que calcular tudo para fazer para na curadoria, quanto eu vou cobrar da peça, tem tudo isso, né? Mas assim, eu estou dentro da minha casa, então é uma vantagem que eu tenho de não pagar aluguel, é uma vantagem que eu tenho de muitas vezes pedir um socorro, né, para alguém falar: "Olha, fica ali um pouquinho que eu preciso tomar uma água, né, comer alguma coisa, né?" Mas eu sempre deixo já planejado que depois do meio-dia que eu abrir eu vou ficar por aqui mesmo. Mas é uma vantagem. Abrir essa loja é um sonho realizado. É, eu tô muito feliz. E com você aqui então nós [risadas] é a gente que acompanha o trabalho da Alessa, inclusive ela que participa do programa da feira da Mulher Empreendedora com as peças autorais. Você acha que inclusive participar lá tem cursos, uma série de atividades te deixou mais empoderada para tomar coragem e abrir esse espaço? Sim, sim. A GR, a GRZ ela tem, ela tem é como falar, ela tem uma, uma porção muito importante na minha vida, né? Porque ela acreditou. Quando você pensa que ninguém vai acreditar, ela acreditou, né? Primeiro você tem que acreditar em você, mas só você também não funciona. Então você tem que sempre ter alguém que daí impulsiona. E minha mãe mesmo falou na sexta-feira que eu inaugurei a loja, ela falou assim: "Sonho realizado, né, filha? Teu sonho era ter uma loja sua, vendendo as coisas que você gosta, eh, mostrando a moda que você gosta, que você sempre gostou de moda. Sim. Olha, então, para que a gente pense nesse mercado de brechó para essas pessoas, o que que você acredita? Inclusive na abertura eu falei que é um mercado que está em franca expansão, que como a Alessa disse, a gente tá tí a a fest moda, né, que é são aquelas pessoas que vão comprando, mas que muitas vezes inclusive é um mercado têxtil que tem aí um uma questão ambiental importante também, mas por outro lado nós temos pessoas cada vez mais conscientes dessa importância da moda circular. Do ponto de vista do negócio, apesar de você falar assim, olha, tá tendo aquela satisfação pessoal, quando você espera ter o seu investimento de volta? Olha, eh, assim, eu acho que o sol brilha para todos e assim, eh, cada um, por isso que eu gosto muito do brechó, nem você falou da moda fest fashion, se qualquer esquina que você for tá vendendo a mesma roupa, mas muitas vezes você quer uma blusa que só aqui vai ter, né? Tem aquele brechó que só vem de roupa antiga, vintage, né, que é de CGC, né? Então, eh, eu acho que o mercado serve para todos. O tempo eu não sei mencionar ainda, né? Mas assim, eu eu acredito que que ele vai ser satisfatório, porque a visibilidade agora vai ser maior, porque uma coisa é a pessoa comprar uma blusa que eu posto. Adorava quando ela comprava a blusa e falava assim: "Ah, eu vou ir visitar sua loja que daí eu pego a blusa". Porque daí a possibilidade daquela venda ser maior é muito maior, porque a pessoa tem uma loja inteira para ela ver. Sim, né? E com as portas abertas agora, eu acho que o físico também, por mais que tenha online, a possibilidade, a pessoa entrou para dentro de uma loja, a arara de brechó, gente, é assim, cada você pode mexer nela 10 vezes. Às 10 vezes você vai achar uma peça que te interessa. É [risadas] verdade. Então, tá certo. Muito obrigada e muito sucesso, viu? Obrigada. Obrigada a você. Gratidão por estar aqui. Imagina. Olha, gente. E no próximo bloco a gente continua falando sobre brechó. Nesse caso, nós vamos mostrar uma empreendedora que formatou o seu negócio, olha, e hoje já é uma franquia desse modelo de brechós, está aqui na cidade de Campinas. A gente volta já já, não saia daí. [música] [música] E neste segundo bloco a gente continua falando sobre brechós, mas em um novo conceito. A Michele, que é a proprietária e que lá com 17 anos começou a trabalhar com moda, traz essa realidade de Bauru para Campinas. Michele, conta para mim o que que tem diferente no seu brechó daquilo que as pessoas estão acostumadas. quando pensam nessa ideia do que significa um brechó. Perfeito. Bom, primeiramente o mix de produto que é extremamente selecionado de acordo aí com o estado de conservação excelente e também com as tendências da moda atual. Então nós selecionamos realmente as peças que as clientes estão desejando no momento, de acordo com o nosso banco de dados. E além disso, a gente preza muito por uma experiência de compra de alto padrão. Então a loja é toda setorizada por tamanhos, né? Você não encontra peças com avaria e a gente usa as técnicas de visual merchandise que uma loja de moda convencional, uma boutique usa. Mas para esse segmento, realmente para aquela cliente que pensou: "Eu nunca compraria um brechó", mas ela vem aqui e ela sente como se ela estivesse numa loja convencional com uma boutique de shopping. Confesso que foi a sensação que eu tive chegando aqui, eu inclusive perguntei para você, é realmente roupa de segunda mão? falou: "É sim, é roupa de segunda mão nesse novo conceito. Como que foi então trazer?" E é nesse dia a dia que você montou lá em Bauru, quero que você conte um pouquinho a sua história, porque você não começou hoje? Como que surge aquela menina interessada por moda e que pensa em uma maneira diferente de vender roupas? Legal. Bom, e tudo isso começou quando era muito jovem, né? que eu tinha lá de 16 para 17 anos, comecei a estudar moda, fui em uns um dos brechós da minha cidade a fim de estudar aí as décadas, as tendências e aí olhei para um lado, olhei pro outro, ainda com aquela cisma, nossa, vão me ver entrando num brechó. Entrei, me apaixonei, fiquei perdidamente louca por esse segmento, justamente pela exclusividade, por serem peças únicas, diferentes e também pelo acesso, porque eu queria consumir nas boutiques da cidade, eu não tinha condição para isso. E eu vi no brechó aí uma opção de eu imprimir o meu estilo, a minha personalidade num custo benefício que era maravilhoso. E aí eu comecei a contar pra mulherada, né? Falei: "Gente, olha esse look, vamos lá, não sei o quê". E a boa parte delas nem queriam entrar em um brechó. Tinha esse paradigma, né? Imagina 15 anos atrás, né, gente? É, hoje é um preconceito, mas antes tinha um preconceito, né? Exatamente, né? A palavra brechó já soava pejorativo, né? Então, muitas não queriam ir e as que iam também não encontravam nada, porque justamente esse olhar apurado pra curadoria fez toda a diferença. E aí eu coloquei na minha cabeça que isso não podia ficar parado comigo e coloquei como um propósito de vida mesmo, né? fazer essa ação de transformar o hábito de consumo das mulheres, levando aí essa forma de consumo de uma forma comum, que até então não existia esse hábito, não era muito bem visto. Mas aí você foi logo abrir a sua loja ou você foi estudar moda ou foi estudar o segmento de brechós para que você pudesse então abrir o seu negócio. Perfeito. Eu comecei assim, muito pequena, com só 30 peças. Você acredita? R$ 400. Parece mentira, mas é a verdade. R$ 400 [risadas] e 30 peças que eu tinha garimpado. Então eu fiz um blog de moda na época, tava muito em alta esse segmento de blogs, né? E comecei aí então pesquisar e esse segmento e a vender as peças de forma online. Aí depois abri a primeira loja que era no fundo de uma de uma lojista, comecei num espaço muito pequeno, depois 40 m², conquistei a minha primeira vitrine, o primeiro manequim. Então assim, foi um crescimento muito passo a passo, né? Assim como a gente fala da parte sustentável na na parte mais ecológica da moda, também vejo a a empresa com crescimento sustentável de ser passo a passo, realmente sentindo e amadurecendo junto com o mercado. A gente vê que você trabalha com peças eh chamadas de roupas, né, que popularmente as pessoas falam roupas de marca. é como que essas peças chegam até você e depois como elas passam por esse processo de curadoria. Perfeito. Olha, no início eu garimpava nos bazares, nos brechós da cidade e hoje é um movimento muito lindo, porque é um senso de comunidade. As próprias clientes são também fornecedoras e vendem para nós os desapegos delas, aquelas peças que ficam no armário. Inclusive tem estudos que apontam que a gente usa só 30% do que tem no armário. Então, imagina que absurdo, a cada 10 peças a gente usa três e fica com sete no armário. E aí é muito interessante porque elas podem receberem novos looks, né? comprar outros looks aqui na loja com esse valor, né, com esse investimento que elas já tinham feito com peças que não fazem mais sentido. Ou então em consignação, onde ela tem um aplicativo e acompanha tudo como um extrato de banco, assim, plim, vendeu e depois elas vão recebendo sobre essas peças. Isso, ela ou fica com crédito ou recebe em Pix depois que as peças vão sendo vendidas. A curadoria consiste em quê? A curadoria consiste em analisar todos os pontos aí, uma análise profunda para ver se aquele produto ele é vendável ou não. Então a gente vai desde o estado de conservação da peça, o tecido, né, eh detalhes, aviamentos, se estão em ótimo estado e também no modelo, se é um modelo vendável, se tem saída, se tem procura, uma cor também, cores que vendem mais, cores que vendem menos. E aí, por fim, a análise daquela marca onde a gente compara o valor que seria esse produto em loja novo e o produto que ele vai estar no mercado de second, porque não tem como vender, sei lá, uma peça de luxo ao mesmo valor de uma peça de departamento. Então a gente faz toda essa análise para que seja muito bom pra fornecedora e também muito bom pra cliente que vem na loja, né? Tem que ser bom para todo mundo. E essa questão do preço, você falou, a pessoa vai ter uma peça de luxo. Eh, como que é precificado isso para que ele seja acessível e ao mesmo tempo que seja uma experiência incrível, tanto quanto se ele tivesse ido a uma loja de luxo. A gente pode comparar com outro segmento de seminovos, digamos assim, que é muito mais comum, que são os carros. Um exemplo, um carro ele sai da concessionária, ele já perde um tanto de valor e aí conforme passa o ano, modelo, a procura, o desejo pela aquela marca, por aquele modelo, e a gente leva em conta exatamente dessa forma. E aí a cliente final, ela consegue garantir uma peça com pelo menos metade do valor que seria na loja, mas esse desconto pode chegar em até 80%. E aí a gente faz essa análise aí de cores, tampa, ano da coleção, marca, enfim, todos esses dados aí para formatar essa porcentagem de desconto que vai variar de 50 a 80%. Alguns modelos a gente percebe que existe uma única peça, outros têm mais de uma. Como funciona isso? Perfeito. A maioria das peças são exclusivas de fato, então isso também é muito legal, né? Porque a gente vem na loja semana que vem, já tá tudo diferente, já tem produtos diferentes e são exclusivas como o nosso estilo deve ser. E as peças que a gente tem duas ou três peças que ainda é um volume pequeno, são peças também de outlet. Então nós também conseguimos recolocar no mercado aquilo que fica de outros logistas, dando uma segunda oportunidade para aquelas peças serem vendidas, porque afinal de contas moda é isso, gente. Geralmente o dinheiro do logista fica no estoque. Então dar essa vazão também para eles é muito importante e pro cliente final que a garante numa grande oportunidade. Michele, você comentou que no início você garimpava as peças. Hoje essa loja, por exemplo, você não tem mais tempo de fazer isso. Como que funciona hoje o seu negócio? Hoje as próprias clientes vêm até a loja e aí traz o seu lote pra gente fazer essa avaliação na hora. E temos também outras clientes que aí tem lotes muito grandes, a gente faz uma visita em closet e faz a retirada no local, mas aí a gente tem uma equipe de curadoria, todo um time por trás para dar conta aí, né? E o negócio tá tão maturado que, olha só, nós estamos falando aqui do Cambuí em Campinas, mas essa é a segunda loja da Michele. A primeira foi em Bauru e agora ela já tem toda uma estrutura inclusive para se lançar no mercado de franquia. Me conta sobre isso. Ah, isso é muito legal, né? veio desde aí desse início desse propósito realmente de compartilhar. Então eu iria compartilhar as minhas peças, os meus achados e depois compartilhar também com outras empreendedoras, né? Então se eu conseguir fazer esse negócio prosperar, eu não quero que as mulheres que querem começar nesse segmento comecem do zero e passem por todas as dificuldades e aprendizados que eu passei nesses 15 anos. Então o negócio já nasce aí com os erros e acertos validados para só iniciar e pegar aí o melhor momento do second. Então iremos aí abrir unidades por todo o Brasil em breve. E como foi montar esse modelo de negócio? Você contou inclusive com uma assessoria especializada. Em que momento vocês estavam tão maturados que você falou: "Não é hora só de ter a minha segunda ou terceira loja. que outras pessoas repliquem esse modelo. Como foi isso? É algo muito sério, né? Quando a gente fala em replicar a unidade, todos os processos têm que estar muito bem desenhados, muito redondo, treinamentos. Isso vem sendo feito, para você ter uma ideia, desde a época da pandemia, desde 2019, 2020. Então aí são 5 anos de estudo e análise de mercado para que isso realmente fosse lançado. E aí hoje nós contamos sim com uma aceleradora de franchise que inclusive é uma das maiores do país, é a maior do país. E eu fiz um pit para eles igual a gente faz no Shark Tank, só que não foi televisionado desta vez. E aí realmente para fazer toda essa validação de margens de lucratividade e de processos mesmo para que a franqueada ela abra com toda a segurança e expertize necessária. E Campinas, por que Campinas? Olha, nós tínhamos várias cidades mapeadas aí como as queridinhas aí que a gente pretende abrir. Mas Campinas me chamou muito atenção, primeiro pela proximidade de São Paulo e segundo por ser aí o grande polo do interior. Então, como nós já estávamos em uma cidade de interior, nós queríamos também eh fazer aí eh um teste numa cidade ainda interiorana, mas só que mais próxima à capital. E aí a Campinas foi a cidade escolhida. Quando a gente veio conhecer a cidade e andar, a gente se apaixonou pela cidade, pelo bairro e viu um potencial, um potencial altíssimo aí no consumo de moda, tanto convencional como seconde, depois de vários estudos de mercado. E tá valendo a pena. Com certeza. A gente começou faz mais de um mês e a resposta do público tem sido muito positiva e estamos extremamente felizes aí em fazer parte da cidade. Onde esse negócio vai chegar? Melhor do Brasil. Essa é a nossa meta, ser o melhor brechó do Brasil e levar esse conceito para o maior número de pessoas que pensaram assim: "Eu nunca compraria um brechó", que elas vão comprar. Então, realmente, além da venda, além de tudo isso que é muito gostoso e muito legal da parte do empreendedorismo, é um processo que bate muito forte no meu coração, que é da educação, é de levar esse conceito. A gente fala que depois que vê, não tem como desver. igual você entrou hoje, teve uma experiência legal, viu? Falou: "Depois que você for numa loja convencional, você vai falar: "Por que não eu poderia comprar numa peça tão boa quanto essa e pagar muito menos e uma seleção de peças que são exclusivas". Enfim, então essa questão de transformar o hábito das mulheres é realmente o nosso grande intuito. Algumas coisas também que eu percebi aqui que são, parece palavras chaves. Por exemplo, second, você já não usa a palavra em português, né? a expressão segunda mão em português, arara de ouro. É, algumas coisas nesse sentido. Eh, por que você escolheu esses termos para diferenciar um setor de outro? Me fala um pouquinho sobre isso. Perfeito. Nós acreditamos muito piamente que o branding, a experiência do cliente, ela tem que agregar com toques mais criativos, mais diferentes, né? E quando a gente fala a palavra brechó, foi feito todo um estudo e uma análise que isso soa pejorativo. Então, as nossas memórias, se a gente fechar o olho, imaginar um brechó, não, você não imagina essa loja, você imagina uma loja totalmente diferente. Então, por isso que a gente não aborda tanto essa palavra e sim o second hand, porque nos Estados Unidos é muito já bem visto, muito comum. Outro termo que a gente usa muito é a moda inteligente, porque não tem nada mais inteligente do que a gente aproveitar as peças que estão paradas no armário para novas formas de consumo e também comprar esses produtos a valor de oportunidade. E arara de ouro é um quadro bem legal, onde eu apresento as peças e dou dicas para as clientes de como combinar, como pegar essa peça e usar ela de forma muito versátil, que é esse o intuíto, né, que ela compre aqui também e use muitas vezes, aproveite muito esse produto. Então, nesse caso, é uma experiência que começa na internet e termina na loja física. É isso? Isso. Perfeito. Tudo tem que est interligado, né? Hoje com os canais digitais não tem como se prender só o físico e o digital ganha muito com o físico, principalmente para nós mulheres e pro setor da moda, onde a gente tem essa necessidade de tocar, ver o tecido, provar no corpo. Aí, ah, tá avançando, mas ainda não substituiu, né? A delícia que a gente tá aqui juntas, provando roupas e vendo tudo isso no corpo, tocando os produtos. Tem para todos os tamanhos. Com certeza. Esse também é um grande diferenciado. Então, como a loja é setorizada por tamanho, a maioria dos brechós tem uma dificuldade grande de G e GG. Sabe por quê? A mulherada vai o quê? Engordando um pouquinho e desapegando daquilo que não serve mais. E aqui a gente faz assim um trabalho massivo de captação para que tenham opções interessantes para todos os tamanhos, tá certo? Então, olha, o ser empreendedor fica por aqui. Lembrando que você pode acessar as nossas redes sociais. Ah, desculpa. Tá certo? Então, ser empreendedor fica por aqui. Lembrando que você pode acessar o nosso programa lá no youtube.com/tvcâmaracampinas. As outras histórias inspiradoras que nós trazemos semanalmente com estreia todos os domingos e reprise em toda a nossa programação. Curta também as nossas redes sociais e até um próximo ser empreendedor. Eba! Até. Tchau. Ciao. [música] [música] [música]