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Ser Empreendedor | Da agulha ao sucesso
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Ser Empreendedor | Da agulha ao sucesso

13k views Publicado 06/10/2025 HD · 32:11

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No Ser Empreendedor desta semana, você vai conhecer duas histórias inspiradoras de pessoas que transformaram a costura em um sonho real de negócio! 🧵✨ 👕 João Carlos Oliveira Lopes, fundador do Canto da Costura, largou o emprego em uma franquia odontológica para ajudar a mãe no ateliê da família. O que começou como uma ajuda virou um negócio de sucesso — com lojas em Campinas e Natal — e agora caminha para se tornar uma franquia nacional. 👗 Vanilda Correia Avelino, criadora da Vanilda Costura e Arte, começou vendendo aventais em 1994 e descobriu na pandemia um novo propósito: ensinar costura e formar novas profissionais. Hoje, ela comanda sua própria escola de costura, exemplo de resiliência e reinvenção. 🧵 Duas trajetórias que mostram como empreender é também costurar novas oportunidades. 🔔 Acompanhe a TV Câmara Campinas nas redes sociais: 📺 YouTube: youtube.com/tvcamaracampinas 📷 Instagram: @tvcamaracampinas 👍 Facebook: fb.com/tvcamaracampinas 🌐 Site oficial: campinas.sp.leg.br

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[Música] Em um mercado que movimenta mais de R$ 190 milhões de reais por ano, as empresas do mundo da moda, ligadas à costura e a consertos de roupas representam aí 97,5% de pequenas e médias. E hoje o ser empreendedor vai conversar com o João Carlos, que é dono de uma rede que trabalha justamente com o delivery na hora de que a gente pensa em consertar uma roupa ou mesmo em mandar fazer uma peça. João, conta para mim essa história que parece que começou bem longe de Campinas, apesar de você ser aqui da cidade. Verdade. Boa tarde. Tudo bem? Boa tarde, Mina. É isso mesmo. Então, eh, esse sonho começou já com a minha mãe há 40 anos, né, atrás, e ela sempre sozinha e tal. E aí quando eu recebi o convite para participar, né, do ateliê de costura junto com ela, ó, vem aprender, né? Na realidade foi mais uma aposta, um desafio que ela fez comigo, né? E aí eu aceitei o desafio na época lá no Rio Grande do Norte. Mas parece que, ó, quero que você contei de bastidor, viu? Antes de você entrar pro mundo da costura, você já vamos embora por Nordeste, levou a mãe e ela começou empreender para não ficar sem fazer nada. Me fala. Isso mesmo. Foi assim mesmo, ó. Eu fui transferido para uma franquia de tratamento odontológico. Eu trabalhei 16 anos. Quando chegou no Nordeste, né, a minha mãe até trabalhou comigo nessa franquia e tudo, mas em seguida já montou o atelier de costura dela, né, que é o que ela mais gostava e tal. E quando essa franquia foi embora do Nordeste, eu fiquei sozinho, sem emprego, eu tava lá no atelier da minha mãe e essa história engraçada, né? E vi as pessoas assim: "Ai, ai, e minha mãe falando pras pessoas: "Ai, o seu não tá pronto, ai o seu não tá pronto ainda, ai, o seu é só semana que vem". E eu falei: "Nossa, mãe, as pessoas estão vão sair daqui chateada". Ela falou: "Mas ateliê é assim mesmo, filho". Eu falei: "Não, mãe, as pessoas saíam bravas. Saiam brava. Quem quem faz uma roupa para ir num rodeio, ela quer para aquele rodeio. Ela não quer pro rodeio do dia seguinte, sabe? Ela quer aquela peça, ela já se imaginou, mesmo que ela tenha ido naquela semana, mesmo que ela tenha ido naquela semana, porque nós do canto da costura temos esse esse plus que é emergência, né? Então, ah, eu Mas até então não existia. Até então não existia. Mas e aí o que aconteceu? Aí ela fez esse desafio, acabei entrando junto com ela e a gente acabou Mas você já era costureiro? Não, aprendi tudo em 2015, né? Eh, fui aprendendo, fui aprendendo, mas eu tinha que aprender mais mesmo era como administrar um atelier de costura, né? Lógico, saber costurar é importante. Eu aprendi a costurar e até me enveredei pelo pelo reciclado, né, que eu já falei com você. Mas eh o atelinha de costura começou a ser formado, eu e ela. Quando eu decidi fazer o delivery de costura, eu tinha uma chuteira para levar no sapateiro. E todas as vezes, Mirna, que eu chegava no sapateiro, ou ele tava fechado ainda, né? Sair de manhã para trabalhar, tá fechado. Você volta do trabalho, o sapateiro tá fechado. Eu falei: "Mãe, quanta gente tá querendo trazer roupa pra gente, tá nesse mesmo dilema. A gente tá sempre fechado para essas pessoas. Vamos montar o delivery de costura. Minha mãe foi a primeira e contra. Ai filho, isso aí não é para agora, isso é o futuro. E tal, falei: "Mãe, vai ser agora". Em 2018. Em seguida veio a pandemia, mostrou para ela que o delivery é importante e aí eu também já montei a minha lá no Rio Grande do Norte, então ela ficou com a dela e eu fiquei com a minha, os dois cantos da costura. Já tinha esse nome? Já tinha esse nome. Já tinha esse nome. E aí, mas como que você conseguiu convencê-la Aham. que esse modelo de trabalho era viável, apesar dela ter ainda aquele ritmo um pouco mais assim, olha, hoje não tá pronto, tem que esperar. Como foi isso? Porque é uma mudança de cultura, uma mudança de cultura. Ela na cabeça dela, ninguém vai dar certo para trabalhar comigo e tal. E eu fui mostrando para ela, ó mãe, se você tiver uma pessoa que você corta para ela e ela fecha, você já tem uma uma mão de obra assim. E eu fui mostrando sobre hora máquina, né? Então ela imaginava que pegar uma roupa para fazer e cobrar R$ 1.000 que ela estaria indo bem. E eu falei: "Não, a barra de calça de R$ 30, de R$ 40, o cós, a a o zíper dá mais dinheiro do que a roupa, porque é menos hora máquina e tal". Eu fui mostrando e ela foi vendo. Realmente a gente foi contratando um funcionário, dois, três, até a gente comprar mais uma loja, ficar nós dois. E aí agora eu voltei para Campinas para montar a terceira e quem sabe um dia fazer uma franquia. Sim. E aí quando você volta para Campinas, você já veio com essa proposta de montar o negócio aqui ou você também teve que readequar de acordo com os costumes aqui do pessoal da cidade? Me fala desse desafio. Vou contar toda essa essa história que ela ela é longa, mas eu vou tentar. Eu reencontrei na internet uma ex-namorada minha, tá? Que eu namorei quando ela tinha 14 anos, tal. Eu sou 6 anos mais velho que ela. Eu tinha uns 20, ela tem 14. A gente namorou, nos separamos. A vida deu dois novos rumos. Ela casou, teve dois filhos. Eu casei, tive dois filhos lá em Natal. Nós nos separamos e nos reencontramos na internet. E quando foi, começamos a namorar e avião para lá, ficou caro para caramba. Ela falou assim: "Ó, você não quer ficar comigo de verdade? Pois eu tenho uma proposta para te fazer. Eu sou contadora, né? Eu tenho uma um uma escritória de contabilidade. Vem trabalhar comigo no escritório de contabilidade, aluga sua loja aí que a gente fica junto lá em Campinas e tal. Assim, combinou? Eu falei: "Pois é isso mesmo que eu vou fazer". Eu eu amava, amo ela muito. A gente tá junto até hoje, deu certo, né? O nome dela é Camila. E aí eu voltei para ficar com ela, virei ajudante de contador, tal, mas deu 10 meses. Eu falei assim: "Ai, Camila, eu não aguento mais contabilidade, eu quero montar minha loja". Ela chorou tudo, mas entendeu, falou: "Não, beleza". E aí foi. Mas quando você veio aí você inicialmente, tá? Então, inicialmente não era nem pra loja. Não, não, não. Vou lá viver meu grande amor. Vou lá viver meu grande amor. Você, você matou a charada. Vou voltar para Campinas para viver meu grande amor. Tá, começou lá no comecei no escritóri, comecei no escritório de contabilidade, só que é o seguinte, olha como são as coisas. O escritório de contabilidade fazia um serviço aqui embaixo numa rua. Eu vinha pra Camila aqui, quando eu chegava, olhava essa rua das noivas aqui, já ficava encantado. É, nós estamos na rua José Paulino, que é bem no centro de Campinas, uma das ruas que mais tem lojas de vestidos para festas, alugel, é aluguel e tudo mais, de roupas e tudo. E é onde hoje João Carlos está instalado com o seu negócio. É isso mesmo. A loja número três é aqui. E aí eu comecei a fazer um PAP, comecei a fazer uma pesquisa. Gente, eu vinha paraa Camila fazer os documentos, aproveitava e dava uma volta aqui, falava: "Ó, se montar um atelierê de costura aqui, porque não tinha nenhum, tudo aqui é mais de aluguel de roupa e tal, fantasias, né?" "Ah, vai bem". Todo mundo dando maior conselho, não pode vir, pode vir montar e tal. E foi isso que eu fiz. Já tava pesquisando quando eu falei, "Camila, quero montar meu atelier". Eu já vim para cá e já aluguei essa loja. Abriu dia 13 de março de 2023. Sim. Já vai fazer três, três anos essa loja. E no começo você contratou a pouco vocês vão ver, tem uma pessoa que ajuda, que trabalha, né? Tem outras também colaboradoras. Mas no começo era só você ou você já trouxe gente? No começo era só eu. No começo era só eu. No começo, quando eu não tinha loja, eu tinha uma costureira no bairro. Eu pegava, fazia o delivery, pegava as roupas, levava para ela. O que eu o que eu conseguia fazer, eu fazia em casa. O que eu não conseguia, levava pr essa coisa. Mas como você pegava o delir aqui mesmo? Não. Eh, eu fiz propaganda na internet e as pessoas me ligavam. Ah, sem ter o espaço físico. Sem ter o espaço físico. Os primeiros dois, três meses foi sem ter o espaço físico. Eu falei: "Vou começar, vamos ver se o delivery vai dar certo aqui." E aí comecei sem ter o espaço físico, pegando roupa, levando para ela, fazendo um pouco, levando para ela, eu fazendo um pouco. E aí eu, mas logo em seguida, em dois meses, eu já montei aqui, certo? Eu vi que ia dar certo, vi que o delivery tava funcionando. Entendi. E aí eu falei: "Não, é a hora, é a hora de montar o atelier". E você já me contou nos bastidores que além desse trabalho de conserto, devido também a uma demanda e um propósito que trata de questões, né, da quando a gente pensa naquela economia circular, meio ambiente, você teve uma outra ideia com calças e roupas jeans. Me conta. Foi assim, eu tava no McDonald's, tem aqueles papéis de bandeja no McDonald's e tava escrito assim, ó: "Você sabia que para produzir uma calça jeans você gasta 10.000 L d'água? Pois cuide dela, faça isso, recicle e tal". Eu falei: "Caramba, para produzir uma calça jeans vai 10.000 L d'água? Como gasta? Como como é e ecologicamente incorreto, né? Então eu pensei, vou começar a reciclar calça jeans, não vou jogar fora, vou fazer tudo que eu puder. E aí comecei bolsas, mochilas, tapetes, tudo com restos de calça jeans, né? Mas como foi p angarear essas calças jeans? É, são eh sobras de consertos que você já faz ou o pessoal começou a comprar sua ideia também? O pessoal começou a comprar minha ideia, eu comecei a dar desconto. Ah, você quer desconto, traga uma calça jeans velha usada e tal. E comecei a arrecadar. E aí, de tanto tá nesse mercado, eu comecei a descobrir que existe algumas ONGs que vendem calça jeans mais baratos a R$ 1, bazares. Os bazares. Aí eu comecei com tudo isso, restos de calça jeans, meu. Ah, faz uma bermuda dessa calça jeans. Eu já guardava as pernas, né? Então eu guardo tudo de calça jeans. Eu tenho um monte ali. Ali eu tenho uma sacola só com barras de calça jeans, outra só com zíper, outra só com cós. Sim, né? Então depois eu vou mostrar a jaqueta que você viu, é tudo cós de calça jeans, as mangas e tal. Então comecei as reciclagens, comecei ver na internet as roupas jeans que dava para ser feito. E você me disse, João Carlos, que pretende transformar esse negócio num modelo de franquia. Que que dá pra gente pensar em um modelo de franquia quando se trata de costura e conserto de roupas? Ah, eu acho que eu descobri. Ah, muito descobri esse nicho de mercado, né? É, é. Hoje em dia, Mirna, eu vou na casa das pessoas, eu só recebo elogio. É assim, ó. Nossa, não tem nem costureira para você ir na casa. Imagina um que vem na nossa casa, meu Deus. Porque costura é é uma mão de obra escassa, né? Então, eu tenho tenho tanta dificuldade aqui na hora de achar a costureira e tal. Eu vejo. Então, tá todo mundo elogiando. Primeiro, eh, tempo, acabou esse aqui, não tem esse negócio, ai não tá pronto ainda, mas não era para tal dia. Então, isso eu eliminei isso na empresa, né? 99%. tendo um processo como se fosse um processo industrial. A roupa entra, já fica tudo marcado, a gente sabe a data que entrou. Eu já prometo com s dias entrego antes, tudo de traumas do passado, de ver como era no atelier da minha mãe querendo fazer, sentir aquela dor e falei: "Cara, isso tem que ser diferente, não pode ter um ah, se der, deu, não, não, não pode ter. Eu te aviso quando tá, é, não, tem que ter um compromisso." Então, não somos perfeitos. E falhas existem, mas eh nós minimizamos. Acho que 99,9%. Então hoje em dia aqui sai tudo no horário. A gente consegue para montar esse negócio físico aqui. Tem o quê? Uns 100 m. 100 m? Será? Deixa eu ver. Uns 80 m. É uns 80. Uns 80. Para abrir um lugar fixo. A gente tá vendo aqui são quatro máquinas de costura. OK. É, tem mais duas também. É, tem mais duas. Mas para ter um padrão como esse, você investiu quanto? Para ter um padrão como esse, você tem que investir 80.000, 100.000, você consegue ter as. Você já teve seu investimento de volta? Já tive meu investimento de volta nesses dois anos. Já, já consegui tirar. E quando você acha que vai ser possível pensar em um modelo replicável para uma terceira pessoa que vai ficar longe do seu olhar, de certa forma vai ser treinado por por você, que esse é o princípio da franquia, mas que vai garantir a qualidade da sua marca. É, eu vou, nós temos que, eu, eu ponho no papel, tem que pôr no papel tudo que eu faço aqui mastigado para essa pessoa entender como que é o caminho, para ela seguir esse caminho. É a trilha do sucesso é essa. É, é ter boas costureiras, né? Isso, graças a Deus, a gente tem. Porque as costureiras, como eu falei para você, como tá acabando, a maioria aqui é tudo mais de idade, né? São senhoras e as e elas, eu gostei muito de trabalhar que sou muito caprichosa. É um jeito diferente de se administrar, sim, né? É um jeito diferente de conversar, né? Eu eu eu tento ser muito mais humano, né? Eu não eu não me acho patrão. Eu não sou patrão. Eu sou um amigo delas. É brincadeira o dia inteiro. Você vê ali, ó. Não é porque vocês vieram, mas na cozinha sempre tem requeijão, bolo, leite, tudo, toda hora. Olha, gente, 3 horas da tarde é a novelinha ligada aqui da equipe, não é? Ô, ô, Dag. E aí? Conta para ela, Dag. Aí daqui a pouco a Dag já conta pra gente, mas a gente percebe então que você mesmo atende os clientes e como que essa a pessoa vem até aqui, mas você também busca a roupa. Então, busco sim. É o delivery de costura. Isso mesmo. A pessoa tá no escritório, aonde ela estiver, ela vai ligar pro canto da costura ou mandar um WhatsApp. Preciso de um conserto de X, Y. Ali eu já vejo a distância do bairro, tudo ali já fica tudo calculado. Ah, eh, eh, acima de cinco peças não paga o delivery, paga só as costuras. se morar próximo à loja. Então eu vou no escritório, já alfineto tudo. Ah, dá para tirar medida tudo no lugar que as pessoas tá tudo geralmente. Ou na casa dela, ela vai na no quarto e volta na sala. Ali eu já fico na sala alfinetando. É no escritório, eu espero na mesa, ele vai no banheiro, experimenta. Eu vou muito em banco, eu tô indo muito em tribunal, né? Então chega lá a gerente do banco já, eu já ela já experimenta. Alfineto, o que que você precisa? trago tudo pro atelier concerto e depois vou devolvendo o conforto do lar ou do trabalho. Eh, e por hora, quando a gente pensa nesse modelo de negócio e tudo que você trouxe da sua experiência profissional trabalhando em uma rede de franquia, isso é que te inspira a hoje também pensar em ser um franqueador? É isso mesmo. É isso mesmo. Eu vejo o como eu descobri esse nicho de mercado. Eu replico tudo que eu aprendi com os meus expatrões da franquia de odontologia, né? Então é desse jeitinho. São princípios que dá para ser aplicados em todos os nichos. Em todos os nichos. Isso mesmo. Tá certo. Então tipo vendas é vendas é venda de tudo, né? Você faz venda de uma coisa, você sabe fazer venda de outra. É a mesma coisa, tá certo? Então olha ele a gente, você vai ver inclusive aí as peças jeans são bolsas, né? Tem algumas inclusive aqui do lado, olha. Ó, tudo feito de calça jeans, desde o zíper, tudo reciclado, né? Essas são as shelders bag, né? Tudo pro lixo. Então esse é o é o é o é o mote do canto da costura, sabe? Eh, ajudar a natureza. Então, como que eu vou ajudar a natureza? Recolhendo o lixo, recolhendo a calça jeans, transformando o que era lixo em luxo. Sim, né? Tá certo? Então, lixeiras, tapetes, bolsas, blusas. Depois você vai mostrar pra galera. É isso aí, o ser empreendedor fica por aqui e no próximo bloco a gente continua falando sobre costura. Não saia daí. [Música] [Música] E neste segundo bloco do ser empreendedor, a gente continua falando de costura, mas numa outra vertente, até porque dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção aponta que o faturamento do setor foi de R$ 215 bilhões deais o ano passado. 7% a mais que 2023. E por isso a gente tá falando aqui sobre costura, sobre confecção com a Vanilda. Ela que muito tempo decidiu empreender, dando aula a partir do seu próprio saber, porque é isso mesmo. Você é autodidata, Vanila, na costura. Sim. me conta essa história bem antes de você empreender ou você já empreendia lá em casa sozinha, fazendo uma costura, um pequeno conserto. Me conta um pouquinho disso. Então, acho que o o empreender tá meio que nas veias da do brasileiro que quer trabalhar, né? Então, eu comecei muito criança ainda aprendendo, pegando livros da minha mãe, porque meu pai me tirou da escola e eu não podia estudar. Eu queria estudar, não queria ficar burra de jeito nenhum. E eu estudava os livros de corte e costura. Sim. E não entendia muito as frações. Mas ele tirou da escola que queria que você fosse trabalhar. É isso. Ele ele falava que mulher não precisa mais do que a quarta série. Entendi. Então foi muito triste, mas foi real. E eu não queria ficar burra, fui estudando livros que eu achei pela frente. O livro de corte e costura foi meu aliado. Só que quando chegava na fração, eu sofria muito porque eu não entendia a matemática. A matemática. Mas eu aprendi dobrar a fita e descobri um quarto ali assim. E hoje isso me ajuda muito a ensinar, porque eu também ensino mulheres que não sabem nem escrever seu próprio nome às vezes. Olha. E aí para elas entender, eu preciso dessa didática que eu criei, que você criou lá atrás sozinho. E aí eu consigo ensinar elas hoje. Mas a partir de dessa leitura, quando efetivamente você começou então a costurar? Então, eu comecei a costurar para para pros meus filhos. Quando eu tive criança, eu já comecei a fazer roupinha para eles e alguma vizinha vinha, olhava, falava: "Ai, faz pro meu". Aí foi onde começou o empreendimento, porque você vai fazer pro outro, você pegava uma encomenda, ganha um dinheirinho, cria gosto por aquilo e vai e vai e fazendo. Isso já em Campinas ou não? Não, ainda no interior aqui em Campinas. Quando eu cheguei aqui, eu já cheguei querendo a dar aula já, porque lá eu já dava aula, só que eu não tinha cursos, aí eu tinha medo de estar ensinando errado e precisava de um curso para me ensinar corretamente. Mas aí o que você foi fazer aí? Primeiro eu me candidatei como voluntária ali no grupo Primavera para dar aula, porque era o que tava correndo na minha veia. Lembrando que nós estamos nessa escola aqui da Vanilda que fica no Jardim de São Marcos, na região dos Amarais, aqui em Campinas. E aí você foi ser voluntária? Fui ser voluntária e o meu sonho era montar minha própria escola. Então eu fui lutar para isso. Aí eu fui fazer cursos para entender que eu não tava errada coisa nenhuma, que eu tava fazendo certo, só que com o meio de pensar diferente, mas o resultado final tava tudo OK. Quando você decidiu fazer o curso, claro que tem uma importante questão nisso, mas às vezes é aquele negócio, será, será que eu posso confiar em mim mesma? Uma insegurança foi mais ou menos isso. Insegurança. Isso. Eu precisava de um divisor de água para mim entender que eu tava segura e eu podia empreender nessa parte. Eu podia criar minha própria escola, eu podia seguir em frente. E eu sempre trabalhei para isso. Eu trabalhei comprando máquina de costura, eu trabalhei comprando uma coisa, comprando outra. Fiz curso de empreendedorismo do Sebrai uma vez online na pandemia e não peguei o tinha um dinheiro lá também, eu não sabia se era um capital semente ou se eu tinha que devolver, não entendia, não peguei nada porque eu falei assim, era só 2.000, não dava para mim investir em uma máquina que eu queria, que a máquina que eu queria custava cinco. Entendi. Ó, gente, vocês estão percebendo aqui atrás a mulherada tá em aula, viu? Nós estamos aqui no momento em que tá tudo com a mão na massa aqui aprendendo. Hoje, inclusive, só falando um pouquinho da história, isso aqui é langerry básica. Você me falou, a aula de hoje é langerry básica. Então, a partir de que momento você eh decide lá na pandemia fazer esse curso online, mas ainda não tinha a escola? Ainda não tinha a escola. E o que que você foi fazer ainda nessa trajetória, Vanilda? precisava aprender todos os detalhezinhos que faltava, porque eu precisava saber, não sabia nem o que que era o fluxo de caixa. Não precisava saber o que fazer para para empreender direito, para fazer sem dar um tiro no escuro, para planejar algo com pé no chão e a cabeça nas alturas. Sim. E o próximo passo, o próximo passo foi ir comprando os materiais e e abrir as portas da escola mesmo. Mas aí veio a pandemia, aí fechou tudo. Mas você já tinha aberto a escola ou ainda não? Ainda não. Não, ainda não. Então naquele momento, seus planos foram adiados, digamos assim. E o que você fez para sobreviver naquele período? Foi adi fazer máscaras, né? Porque foi foi o que faltava no momento. Eu as minhas alunas ficou tudo trancada dentro de casa e o meu medo é Mas você não tinha aberto a escola? Você já tinha aluna? Não, eu tinha aluna do Primavera. Ah, do Primavera que é o trabalho voluntário. Isso. Tinha alunas lá e todo mundo teve que ir para casa. E geralmente as meninas que vai pro grupo primavera já tem algum problema, vai encaminhada pelo posto de saúde, pelo Cras, então já já são pessoas que precisam de ajuda. E aí eu ficava preocupada com elas. Eu comecei a gravar um vídeo todo dia e pôr no grupo. E aí eu fiz o vídeo da máscara. Quando eu fiz o vídeo da máscara, a Rute falou assim: "Como eu não pensei nisso? Vamos fazer umas máscaras pro nosso pessoal do nosso bairro, você consegue fazer umas 500 máscaras?" Falei: "Ah, consigo". Aí ela mandou para mim o tecido, material, cortei as máscaras e dividi entre as alunas. Cada uma fez um pouco. E aí PTB veio fazer uma cobertura. A partir do momento da cobertura, veio muita encomenda de máscara, de empresas, muita, muita. A gente fazia 5.000 máscaras por mês. Eram em quantas mulheres? Eram em várias. Eu não, é bastante. É bastante. E aí passou a pandemia. Que que você pensou? É hora de abrir a escola ou você esperou um pouquinho? Não, eu já pensei, agora é a hora de abrir a escola. Mas e aí, você já tinha todo esse maquinário ou você comprou mais um pouco? Eu abri a escola com o que eu tinha. Eu comprei pouca coisa. Eu precisava comprar uma mesa, uma mesa grande para corte. Eu precisava comprar algumas coisas. Então eu comprei parcelado, mas já com um uma estratégia. acabado de fazer o cursinho de empreendedor no pelo pelo pelo Sebrai, pelo Sebrai, que foi feito online ainda. Então tinha umas informação e eu fui pôr em prática aquilo para ver se dava certo. E aí abriu a escola, essas próprias alunas que participavam das do seu trabalho lá no primavera vieram ter aula com você, elas te indicaram como que foi então também conquistar alunos pra escola? Porque agora a gente tá falando de um negócio. É, no negócio começou com alunas de fora, que eu já dei aula no centro também numa escola lá, então eu tinha alguns contatos de alunas, mandei todo mundo, vamos começar comigo e já veio algumas e as do Primavera também, porém muitas não conseguiam pagar um curso e eu consegui dar muitos cursinho gratuito para elas também junto com as alunas pagas. Então, sempre que tem alunas paga, eu deixo um lugar reservado para uma aluna que não você tem uma reserva social, digamos assim, uma aí desse grupo de reserva social, essas mulheres se juntaram e formaram hoje o grupo mãos de Pada. Uau! Que são mulheres que um um uma micro um um um uma vamos supor que é uma semente de uma cooperativa de costureira. Isso mesmo. Uma sementinha assim que tá informal, mas já trabalham juntos, já ganha um dinheirinho juntas e divide entre nós, porque eu também faço parte, eu também ganho a minha porcentagem nesse assunto. Ah, e isso vai ficar para um outro programa, porque, ó, já vou deixar o convite aqui. Quando essa cooperativa tiver formalizada, potencializada, a gente quer mostrar aqui no ser empreendedor, hein? Com certeza vocês vão ter o prazer. E aqui na escola, quando você passa então a dar aula pós pandemia e passa a pensar como uma empreendedora, como uma dona de uma empresa, o que que mudou para você? Porque agora você tem que pensar no fluxo responsabilidade, né, de ensinar, porque eu vi que você coloca a mão na massa ensinando para cada uma das meninas. Vocês que estão aí em casa vão ver as imagens, mas também você tem que pensar nesse fluxo de caixa, nos produtos, tudo que precisa fazer. Compriso é um compromisso bem maior, né? A gente trabalha mais. Eu tenho uma filha que é minha ajudante nisso e a gente luta mais com certeza. Uma responsabilidade tanto. E eu soube que nessa trajetória você encontrou um projeto que o Serendedor já falou aqui também com outras empreendedoras que é o projeto da FEAC e que inclusive recebeu um fomento chamado de capital semente. Como você encontrou o pessoal do empreende de Campinas? Eu assim de conversas, né, de amigas, aí postaram no grupo daqui no grupo de costura sobre o curso de empreendedores e eu convidei as meninas, alunas para fazer também várias delas fez junto comigo, ganharam também o Capital Semente, porque eu já tenho alunas empreendendo que faz parte já de uma feira que tem aqui no bairro e vende os seus produtos e a gente fez o curso e ganhamos o Capital Semente. E o, ó, o Capital Semente, pra gente lembrar, caso você não tenha visto outro programa, ele é um incentivo de R$ 2.000. O empreendedor ou a empreendedora tem que mostrar, né, a necessidade, o que ela vai fazer com esse dinheiro para fomentar o seu negócio. No caso da Vanilda, o que que você fez? Me mostra. Eu comprei um celular, né, para mim fazer uns vídeos bem bacana para que também tem aula de marketing lá no lá no curso, né? Você fez também? Olha, aí para usar o que eu aprendi no marketing, eu precisava do celular e eu comprei a maquininha de corte para mim cortar uma produção de peça, porque na tesoura a gente corta pouquinho ali, faz calo na mão e tudo mais. Com essa maquininha eu corto 50 biquíis desse, 50 maiô desse de uma vez só. Hum. Então eu consigo cortar várias peças e pras meninas que tá formando a cooperativa e eu cortei todas as peças dela com a maquininha e elas só sentaram e foram costurar. El costuram. Uau! E como que é para você pensar em ter esse incentivo e que outras empreendedoras também, algumas inclusive que você conhece que também foram contempladas? Aí é muito é muito gratificante. Eu incentivo todo mundo aí que tá nos vendo a fazer esse curso, porque é maravilhoso. Por mais que às vezes a pessoa pensa, ah, R$ 2.000 é pouco, é pouco, mas quando a gente trabalha para ganhar ele é muito, né? Então ele serve muito. É a ajuda que vem ali na hora certa pra gente tem que pensar bastante antes de gastar ele, porque tem que gastar com uma coisa que vai valer a pena pro resto da sua vida. E eles também acompanham o desenrolar desse investimento, né? Se ele realmente trouxe resultado e tudo mais. A gente ganhou o consultor ainda. Você já ganhou a consultoria, gente? Que notícia boa. Olha só, a gente sabe que lá o pessoal do Empreende de Campinas tem uma segunda fase que o negócio conforme ele vai prosperando, tem consultoria que inclusive com pessoas especializadas de universidades, pessoas especializadas em negócios e que logo logo então você tá fazendo esse curso também. Sim, já tivemos o primeiro encontro. Já teve. E eu tô amando tudo. Tá amando? E como você pensa naquela naquela menina que independente daquilo que foi dito para ela, você não pode estudar, você não vai estudar, você foi lá, teimou, estudou e hoje tá aqui, ó, dona da sua escola. Eu penso, eu penso que eu sou uma vencedora. Eu acredito que eu já venci. Então, a luta daqui pra frente é para fazer essas mulheres vencer também. Aquela coisa que não é só para você, não é só para mim. Eu preciso compartilhar, ensinar elas e falar: "Vale a pena". Sim. E vale a pena a gente pensa sobre costura. Hoje, eh, quando a gente pensa no mercado de confecção, é difícil as pessoas estarem trabalhando para si mesmas. Muitas estão trabalhando, inclusive a gente vê algumas reportagens, né, em grandes confecções, que também é um é um emprego, mas trabalhar para si mesmo no setor da costura. Você acha que é fácil ou é difícil? Eu acho que é fácil. Acho que é mais fácil do que difícil. É melhor do que trabalhar pro outro. Ah, é? Eu acho. É difícil assim pensar pensar no pagamento, porque quando você é CLT, você tá ali garantido seu pagamento. Quando você empreende, você luta costurando para si mesmo, você tem que ter uma estratégia, tem que saber o que vai fazer com o seu dinheiro, não é? Para ganhar você precisa trabalhar mais, com certeza. Agora, como qualquer empreendimento. É verdade. Agora tem que trabalhar mais. Você que fez esse caminho e que teve um tempo aí, né? Você foi amadurecendo essa vontade de empreender até abrir a sua escola. Na verdade, você já empreendia quietinha de um jeito, mas para ter escola você fez um caminho. O que você diria para quem tá lá em casa e tem tem aí uma vontade, tem um talento? e fala: "Ah, eu não sei, eu acho que eu não dou para isso." O que que você diria para aquela pessoa que tá em casa? Eu diria que tem que ter coragem, tem que ir à luta todos os dias e não desanimar por nada e não meter os pés pelas mãos, porque é uma escada, você tem que subir devagarinho, cada degrau um dia, porque tem pessoas que vai lá e enfia o pé na jaca, depois fala: "Ah, meu negócio não deu certo, me deu um monte de prejuízo e coisa e tal". Mas não planejou, não correu riscos calculados, porque você tem que calcular, você pode correr risco, sim, mas você tem que ter tudo planejado para conseguir pagar no fim do mês, tá certo? Então, muito obrigada, viu, Vanilda? De nada. Eu que eu que agradeço. Olha, gente, já que a gente tá falando desse projeto, a gente vai deixar além do link aí da Escola da Vanilda, também o link do projeto Empreende Campinas, que você pode entrar em contato com uma das quatro instituições que executam o projeto pela cidade para saber se tem aí um perto da sua casa ou se você consegue se deslocar para ir aprender sobre empreendedorismo, sobre negócio, sobre marketing, sobre como fazer com que umas simples coisas às vezes falar: "Ah, eu faço algo tão simples, não vai vender, mas que você pode fazer com que isso seja o seu empreendimento." O ser empreendedor fica por aqui. Até um próximo programa. [Música]
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