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Na Ponta do Lápis | Impacto Dólar Alimentos
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Na Ponta do Lápis | Impacto Dólar Alimentos

14 views Publicado semana passada HD · 15:30

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A alta e a queda do dólar vão muito além do mercado financeiro e têm impacto direto no bolso dos brasileiros. Mas por que a variação da moeda americana influencia o preço dos alimentos? Quais produtos sentem esse efeito com mais intensidade? E existe alguma forma de o consumidor amenizar esses impactos?

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Olá, começa agora mais um na ponta do lápis. E olha só, quando o dólar sobe ou cai, isso pode impactar muito além de viagens e mercado financeiro. Isso pode impactar diretamente o valor do produto que você compra no supermercado. Mas como isso acontece e por isso acontece? Eu estou aqui com o Pedro Costa, ele que é economista e professor do Observatório PUC Campinas, que vai falar um pouco com a gente e explicar um pouco todo esse fenômeno da moeda americana. Pedro, seja muito bem-vindo, muito obrigado por nos receber aqui. Oi, Felipe, é sempre um prazer poder aqui atender os telespectadores da TV Câmara. Pedro, para começar, eu quero que você explique para mim e pro pessoal que está nos acompanhando em casa, por quando o dólar sobe, o consumidor brasileiro sente esse impacto no supermercado. Sim. Olha, a gente pode pensar em três aspectos aí, né? Eh, tem produtos que são importados e aí eu acho que é mais fácil o entendimento. Quando o preço desse produto sobe, eh, né, ele vai ficar mais caro mesmo, porque eh o preço dele é estabelecido em dólar. Agora, existe um outro grupo de produtos e às vezes o consumidor e até estranha, né? Ah, o café, por exemplo, é um produto produzido no Brasil. Por que que o dólar afeta o preço do café para nós? brasileiros. O que acontece é que o café como uma commodity, ele ele é exportável e exportável, então ele tem um preço no mercado internacional cotado em dólar. Quando esse preço em dólar sobe, o preço em dólar no Brasil também sobe, porém corrigido pela nova cotação do dólar. Então, eh, o preço tende a subir também aqui no Brasil. Isso acontece principalmente com os produtos, como eu disse, que são exportáveis, né? Então, café, soja, muito das carnes. Então, são produtos que também sofrem esse impacto. Entendi. E, e você citou aí na sua resposta, a soja, o café, as carnes. Tem mais alguns produtos clássicos das prateleiras dos supermercados que acompanha esse crescimento ou são mais esses? É, esses são as principais commodities, né, que que são exportáveis. H, mas o consumidor deve também perceber que outros produtos sobem por conta do dólar. E aí tem um outro motivo ainda que é o componente custo desses produtos. Então, eh, por exemplo, né, vegetais que até pela própria característica tem pouco potencial de ser exportável, né? Então, o tomate é produzido no Brasil, a gente não exporta tomate, né? Por que que o preço sobe quando o dólar sobe? Porque ou existe um aumento de custo que pode estar ligado a fertilizantes, a defensivos ou um custo no transporte do produto, né? Então isso afeta o que a gente chama a chamada cadeia produtiva, né? Entre ele sair ali do produtor e chegar no consumidor. Isso também pode causar um impacto em preços. Professor, quando a gente fala de commodities, a gente vê nos jornais, na internet, o que significa esse termo e como que ele faz parte de tudo isso que a gente tá falando aqui hoje. É, a definição de commodit passa por um eh eh por algumas características de produto. Então, eu vou vou usar a soja, que acho que é o maior exemplo. Eh, é um produto que ele tem por definição ser padronizado, né? Então, dificilmente a gente vai ouvir falar, eh, principalmente quando, eh, na relação entre produtores e esmagadores, você não distingue marcas, né? Então, você tem um produtor, do outro lado você tem alguém que é uma outra empresa, por exemplo, que vai comprar essa soja para esmagar e fazer óleo ou fazer ração. Eh, ele vai comprar em geral disso. Ele não vai distinguir entre o produtor A e o produtor B, né? e para ele o que vai interessar é o preço. Então, eh, são características das commodies de ser um produto padronizado e ter um preço, ã, de mercado, né, negociado no mercado. Então, a gente tá falando do dólar, né, o dólar é um é um produto, na verdade, ele é um índice que ele é negociado no dia a dia, né? E essas commodits também eles têm uma cotação e eh eles são negociados inclusive em bolsas internacionais e justamente por eles serem padronizados, eles podem ter essa negociação de preço padronizada também. E quando a gente tá falando em aumento do dólar, a gente fala aqui na questão de como isso impacta no valor final das prateleiras. Mas esse aumento do dólar, isso pode influenciar pos positivamente o agronegócio brasileiro? Sim, na medida em que o agronegócio brasileiro tem um viés exportador. Então, vamos lá, né? Aí eu vou assumir a minha função professora aqui mesmo. Então assim, em geral para os exportadores, né, é melhor quando o dólar está mais alto. Por quê? Porque o exportador é alguém que tem a maioria dos seus custos em reais e a maioria das suas receitas em dólar. Então, quando o dólar fica mais alto, ele está aumentando as suas receitas sem aumentar os seus custos. Claro, muitos dos produtos que são produzidos tem algum custo também em dólar, tá? O o exatamente ao contrário acontece com o importador, né? Quando o dólar se encarece, o importador que tem um custo em dólar, para ele é ruim, esse produto fica mais caro, né? Eh, essa questão cambial é uma questão que, né, nós economistas discutimos bastante sobre qual seria o nível ideal do câmbio. Mas eu diria o seguinte, Felipe, aí, né, falando pro consumidor, pro consumidor não é bom, né, justamente pelo que a gente falou agora, porque os produtos tendem a ficar mais caros. Eh, no entanto, para para pros setores exportadores, dólar mais alto pode ser bom. E mesmo para a indústria, a gente não tá falando disso, mesmo paraa indústria local, nacional, pode ser bom também. Por quê? Porque se o dólar, ao contrário, ficar muito barato, vai ficar também muito barato importar produtos industrializados e isso vai concorrer diretamente com o produto produzido aqui. Entendi. E o que impacta então no valor final que a gente tá vendo ali? Sim. E e só voltando, né, aos olhos do consumidor, produto mais barato é sempre melhor, sem dúvida nenhuma, né? Eh, mas de novo, tô sendo um pouco aqui, né, professor demais, mas eh é um olhar que a gente tem que ter, por exemplo, é que eh a indústria e as atividades econômicas nacionais, seja o agronegócio, seja indústria, seja serviços, elas são entidades que empregam, né? Então, se o preço ficar muito baixo pro consumidor enquanto consumidor, pode ser bom. Mas se por conta disso a indústria perder competitividade e deixar de existir ou sair do país, pro consumidor enquanto trabalhador que precisa de emprego, isso pode ser ruim. Então, por isso que eh esse nível do dólar é sempre uma discussão grande entre os economistas. Mas eh hoje o que a gente tem é um dólar determinado aí pelo mercado mesmo, pela oferta e demanda. Entendi. E eu queria voltar um pouco no começo da nossa entrevista quando a gente falava que ah, o Brasil produz muita coisa que é cotado em dólar. Até que ponto o mercado brasileiro, o mercado interno do Brasil consegue conter esse aumento no dólar pro produto final que a gente tá vendo nas prateleiras, certo? É, veja, o Brasil hoje eh é um país, a política econômica brasileira já há algum tempo, né, ela ela optou por não fazer grandes interferências de preços, claro, né? eh eh o imposto em si é algo que afeta isso, mas, por exemplo, eh não existe nenhuma restrição à quantidade de produtos que podem ser exportados ou não. Alguns países fazem isso. Então a gente falou do café, né? O Vietnã, por exemplo, ele tem uma política que o produtor de café local, ele tem que obrigatoriamente destinar uma parte da sua produção pro mercado interno. O Brasil não faz isso. Então, eh eh em relação a isso, a gente não consegue se proteger, mas é em nome de uma liberdade de mercado do produtor. No entanto, a gente também falou na questão dos custos. Uma das maneiras que o Brasil tem usado para se proteger é via preço dos combustíveis, né? A Petrobras é a maior produtora, ela não é monopolista hoje, mas é a maior produtora. E ela hoje tem uma política de preços que permite a ela não repassar eh automaticamente aos ao preço do petróleo, as variações do preço do petróleo, que muitas vezes dependem do próprio dólar. Isso consegue diluir muitas vezes o impacto disso no custo do produto. Ô professor, e a gente fala muito desses produtos brasileiros que a gente produz, que acabam sendo impactados pela alta do dólar ou pela baixa do dólar, enfim. Eh, mas tem alguns produtos que estão nos supermercados que a gente não imagina, mas que são exportados e que a gente sente o peso dessa variação do câmbio. Então, eh, que tem uma exportação relevante. que a gente falou em termos de alimentos são esses que a gente já citou, café, na soja. Eh, mas alguns que a gente sente o impacto muitas vezes, Felipe, tem a ver justamente com essa questão do custo, né? Então, o custo fica maior e aí o o preço do produto aumenta também. Entendi. E então encaminhando para para o final da nossa entrevista, o consumidor, quando o dólar cai, o consumidor ele sente esse impacto ou é algo que demora mais para chegar até as prateleiras? Porque, por exemplo, quando a gente tem um aumento no dólar, a gente já sente o aumento significativo desse desse preço já nos próximos dias. E quando o movimento é ao contrário, quando o dólar cai. Sim. Eh, esta é uma questão que, e o consumidor, né, muitas vezes percebe isso e fica irritado e acho que com razão. Por quê? Porque realmente o o a velocidade com que os preços sobem costuma ser maior do que a velocidade com que os preços caem. Parte disso é porque o produtor, e quando eu falo produtor, é todo elo na cadeia produtiva, às vezes não é o supermercado, né? Eh, então assim, anunciamos um, se anuncia hoje ou por algum evento, o dólar subiu hoje, talvez depois de amanhã o preço já subiu. Agora aquele produto, provavelmente quando ele foi comprado, ele não foi comprado com o preço novo, mas o produtor já antecipa isso porque ele sabe que vai subir, né? Eh, já quando a gente tem uma queda, eh, isso nem sempre acontece. né? Aí depende de um certo grupo de produtores começar a baixar o preço para outro se estimular a baixar também, né? Então, realmente, eh, essa velocidade não é a mesma e depende muito da chamada concentração de mercado, ou seja, de como esse mercado está distribuído. Quando a gente tem muitos produtores, a tendência é que esse preço caia mais rapidamente. Se a gente tem poucos produtores, a tendência é que o preço demore para cair. Entendi, professor. Eu sei que eu tinha falado que era a última pergunta, mas agora para finalizar de verdade, eu quero saber se a população que está nos acompanhando em casa, se quando tem esses aumentos do café, da carne, da soja, se a gente consegue driblar esse aumento ou se a gente tem que se reorganizar financeiramente para conseguir dar conta lá da compra final. É, eh, sempre assim, eu eu sempre fico eh querendo ajudar o consumidor, mas sem gerar culpa, né? Então assim, o consumidor na maioria das vezes não é culpado do aumento dos preços, né? Café, e eu vou falar por mim, difícil para mim consumir menos café. Eu acho que que a gente pode fazer é pesquisar o menor preço, talvez, né? Ver uma marca que seja de qualidade que, né, e que seja mais barata. Então, eh, o consumidor pode buscar alternativas. Alguns produtos oferecem maiores possibilidades de alternativa até de outros produtos. Para outro a gente vai ter que realmente assumir a perda e, né, verificar, tá bom? De onde vamos tirar, né? E uma coisa que é sempre importante, né, é eh é analisar realmente, parar, não precisa ser todo mês, mas pelo menos de dois ou três em três meses, tenta assim, onde é que eu estou gastando, né? Porque às vezes a gente tá gastando em coisas que nem são tão necessárias assim ou não trazem tanta satisfação e que tem um potencial grande de redução de custo para que a gente possa, né, de dedicar o nosso orçamento para as coisas que realmente nos trazem satisfação ou que são muito necessárias. Entendi. Tá certo. Então, professor, muito obrigado e obrigado por nos receber aqui. É sempre um prazer poder atendê-los. a gente tá à disposição, tá certo? No na ponto do lápis de hoje, então você conferiu como a alta ou a queda do dólar pode impactar o valor final que você vê no supermercado. Na ponta do lápis de hoje vai ficando por aqui, mas eu te espero semana que vem. Até mais.
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