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Olá, começa agora mais um na ponta do lápis. E olha só, o preço dos alimentos continua pesando no orçamento de diversas famílias brasileiras. Mas como fazer a melhor escolha e continuar com a qualidade dos alimentos? Quem está aqui comigo e vai explicar pra gente todo esse fenômeno da inflação nos alimentos, é ele, Pedro Costa. Ele que é economista e professor universitário. Pedro, seja muito bem-vindo. Muito obrigado por aceitar o convite do Na Ponta do Lápis. Obrigado. É sempre um prazer poder atendê-los aqui. Pedro, e a primeira pergunta é: a inflação dos alimentos continua sendo uma das maiores preocupações dos brasileiros. Quais produtos hoje mais pressionam o orçamento doméstico? Sim, é dentre os produtos mais básicos da cesta básica, né? Eh, nesse nesse primeiro semestre do ano, o tomate e a batata foram dois produtos que elevaram bastante de preço, mas a gente tem observado, de certa forma já era previsto, eh, uma inflação, especialmente nos alimentos mais elevada que no restante dos produtos. E o que explica esses alimentos, como você mesmo citou, o tomate, a batata. aqui explica esses alimentos em específico terem apresentado esse aumento no preço. Sim. Eh, no caso desses dois produtos, a gente teve uma combinação aí de um momento de entreafra desses produtos com algumas questões climáticas. Isso pressionou bastante para cima o preço desses alimentos. é esperado que no segundo semestre esses preços se estabilizem, mas eh no geral a gente eh tem uma safra e vem tendo uma safra e previsões de safra pro ano de 26 piores relativamente ao ano de 25, né? E aí com essa menor oferta a tendência é um aumento maior de preços. Ô Pedro, e na prática o que mais pesa na conta do supermercado é realmente esse aumento no preço dos alimentos ou a falta de planejamento financeiro? Olha, eh, né, que que o aumento do preço dos alimentos pesa isso, né, é innegável, né? Eh, acho importante dizer que isso pesa mais nas famílias de mais baixa renda, né? Porque o orçamento de alimentos como um todo nas famílias de baixa renda, ele ocupa uma parcela maior do próprio orçamento, tá? Mas o planejamento familiar pode ajudar. Eu acho que a questão é eh a família planejar o que é prioritário para ela, né? Reservar uma parte disso para para esse tipo de consumo, né? e se for o caso, conter mais o consumo de produtos que a família julga não sejam tão essenciais. Entendi. Eh, eu queria voltar um pouco na sua primeira resposta que você falou da batata, do tomate. Esses foram os alimentos que tiveram aumento no preço nesse primeiro semestre de 2026. Agora, no segundo semestre, tem alguma previsão de algum alimento específico que irá apresentar alguma alta significativa? Eh, não do tamanho que tivemos aí nesses dois itens é esperado que não. Claro que a gente vive um momento até em termos mundiais de certas indefinições, né? Qualquer indefinição em termos de de guerra, isso impacta de alguma maneira nos preços. Eh, mas é esperado uma estabilidade desses dois itens e é esperado que os outros itens eh subam, mas não de forma tão concentrada quanto houve com a batata e o tomate nesse primeiro semestre. Professor, o que é a inflação? Como ela é medida e como esses números chegam nas prateleiras, no valor final que a gente vê nos supermercados. OK, vamos lá. Acho que é uma boa oportunidade mesmo. Então, primeiro a gente pensando assim, né, e nós aqui do Observatório pouco que a gente divulga, ah, cesta básica subiu 5%. O que é isso, né? Então, no caso da cesta básica, é um conjunto de itens, que são três itens ã, e um conjunto de quantidades desses itens, né? Quando você fala em índice geral de preços, por exemplo, a inflação no Brasil, o o índice considerado índice oficial de preços do Brasil é o IPCA medido pelo IBGE. E aí é uma gama enorme de produtos, né? Passam de 200 produtos. Mas pro consumidor entender, é como se ã, e claro que é uma sexta, quando a gente fala sexta, não é a cesta física, mas é esse conjunto, né? Então, pro consumidor entender, eh, se ele fosse ao supermercado e fizesse uma determinada compra dos itens que ele precisa, né? Então ele vai num determinado mês, por exemplo, em janeiro, e aquele carrinho de compras vai ter um determinado valor. Vamos supor que ele vá no mês seguinte, faça exatamente as mesmas compras, os mesmos itens nas mesmas quantidades e veja quanto dá conta. Essa diferença das duas contas é a variação de preços, tá? A inflação em termos do cálculo, o que se faz é isso, só que não é um carrinho, é um conjunto enorme de produtos, né? E claro, para cada consumidor isso pode variar um pouco, porque alguns consumidores consomem mais de um produto, outros consomem mais de outros, né? Mas esse essa cesta de produtos, esse conjunto é um conjunto considerado na média da população. Professor, e depois dessa explicação que você nos deu, como que tudo isso chega então no valor final lá da prateleira quando o consumidor vai lá e tá fazendo a compra do mês? Perfeito. Porque tudo isso, né, são os preços medidos ali na ponta, né, ao consumidor. Obviamente que eh o preço final ele é um resultado, né? E aí, né, a velha lei da oferta demanda em parte é o lado da demanda, o quanto esses produtos estão sendo demandados pelo consumidor e em boa parte que custo que esses produtos têm. E aí se torna importante toda a cadeia produtiva, desde o produtor, né, até o momento da distribuição, do transporte, até chegar ao supermercado. Então, seja pelo lado da demanda, seja pelo lado da oferta, eh, isso pode provocar variações no preço do produto. No caso de alimentos, como alimentos são produtos básicos e a gente não costuma ter grandes variações da demanda por alimentos, né? Ela é costuma ser mais constante, então normalmente a variação de preços é mais devido a algum impacto na cadeia produtiva, ou seja, nesse lado da oferta. Entendi. Aproveitando então um pouco o gancho, por isso que quando a gente fica eh sabendo das notícias, teve aumento no valor da gasolina. Por isso que o pessoal então já fica preocupado sobre como isso pode impactar o preço de tudo, inclusive dos alimentos no supermercado, inclusive dos alimentos, porque embora, né, eh, obviamente que alimentos não são feitos de combustíveis, mas ele precisa ser transportado, né, e alimentos, como ele tem em relação ao peso dele, ele não tem um valor agregado tão grande, o transporte acaba sendo um item importante de custo, né, nesta cadeia produtiva do produto. Entendi. Então, a partir desse desse momento e de toda essa explicação, como que a população em casa pode fazer para se adaptar então a essas mudanças que a gente tem dentro dos supermercados e conseguir ali montar uma cesta nutritiva pro para durar ao longo do mês. Sim. Bom, sempre é bom dizer que o aumento de preços é uma perda, né? O consumidor tem que lidar com isso, mas dificilmente ele vai conseguir compensar inteiramente. Mas buscando soluções, eu diria que é pensar numa questão de diversidade, né, e numa questão de produtos que podem um substituir o outro, tá? Então aí dependendo, claro, do gosto pessoal do consumidor, do próprio valor nutricional dos produtos e hoje há muita informação sobre isso, é possível ir substituindo, né? Então, uma proteína, a proteína animal, a proteína bovina se encareceu muito, você pode substituir todo ou parte dela por uma proteína de frango, no caso da bovina, ou pelo ovo. Então, é é buscar substituições entre os vegetais também a gente enfrenta muito esta questão de safra. E no caso dos vegetais, às vezes nem é uma variação de um mês para o outro, às vezes de uma semana para o outro tem uma variação. Então, se o consumidor trabalhar com essa variedade, né, e fizer pesquisas, ele pode escapar um pouco desse aumento de preço, ou seja, né, de do total dessa inflação, ele pode se adaptar para não impactar 100% nele. Entendi. Ô, ô, Pedro, e em contrapartida, quanto alimentos apresentam esse aumento no preço? Tem alguns que, por conta disso, apresenta um uma queda no preço? Sim, sim. Eh, a, bom, para dar dois exemplos recentes, né? E e o consumidor eh ainda deve estar achando caro, porque realmente tá, mas o café teve uma alta muito grande. Ã, eu diria que foi ali de meados de 24 até meados de 25, né? E de lá para cá ele vem caindo ainda devagar, mas tem tido uma queda. O arroz eh também teve um movimento parecido, uma alta aí do anos atrás e agora vem retornando a um a um valor mais dentro do esperado. Então a gente tem esses retornos de preço. Claro que o movimento geral é sempre de alta. Quando a gente pega ao longo de 10 anos, dificilmente a gente vai encontrar um produto custando menos, né? Mas no intervalo aí de 2, 3 anos, a gente pode sim encontrar quedas e especialmente reforçando nos vegetais, né? Vegetais às vezes tem uma semana que ele subiu a batata mesmo. O consumidor eh pode encontrar aí por R$ 5, R$ 6 e na semana seguinte encontrar por R$ 4. Isso não é tão difícil de acontecer. Professor, para finalizar a nossa entrevista, quais são as expectativas para esse segundo semestre de 2026 e como que a população pode fazer para se preparar? Eh, bom, eh, em relação aos dois itens que a gente conversou, a expectativa é que pelo menos eles se estabilizem, porque o período de entreafra, né, deixa de existir, começa a entrar nova safra. Eh, no geral, a expectativa eh da inflação de alimentos é que ela fique aí em torno do 56%, tá? Eh, o que é um valor relativamente alto. Eh, mas eh isso já aconteceu o ano passado também. Normalmente a variação no primeiro semestre ela é maior do que no segundo semestre. Então, eh, né, não vou criar falsas expectativas de dizer que os preços vão baixar como um todo, mas acho que a variação experimentada nesse primeiro semestre, o que o consumidor sentiu de impacto no segundo semestre deve ser menor. De qualquer maneira, sempre vale, né, pro consumidor buscar pesquisar, buscar alternativas. Entendi. Tá certo. Então, Pedro, muito obrigado e obrigado pela disponibilidade de nos receber aqui. Eu que agradeço para nós do Observatório por Campinas. É sempre um prazer poder atender os espectadores. Certo? Na ponta do lápis de hoje, então, você conferiu tudo sobre inflação de alimentos e como isso pode impactar a sua conta no fim do mês e como driblar aí e continuar com uma cesta básica nutritiva. Na ponta do lápis de hoje vai ficando por aqui, mas eu te espero semana que vem. Até mais.