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Música Estamos no ar com Giro Ambiental e hoje o assunto é compostagem. Há algumas edições nós falamos aqui sobre os desafios da gestão de resíduos sólidos nas sociedades atuais em que a produção de lixo cresce cada vez mais. E uma das alternativas que nós comentamos começa em casa, com a compostagem orgânica, uma prática que pode ser feita por qualquer pessoa de forma relativamente simples. Basta ter ela, a composteira. Hoje é o momento de, digamos assim, estender esse tema e a nossa convidada de hoje tem um esquema super legal em casa que vai ajudar e muito a gente para se inspirar em fazer também. Ela é a Luísa Corradini, engenheira ambiental, está aqui com a gente no Giro Ambiental. Luísa, seja muito bem-vinda, viu? Obrigada, é um prazer imenso estar aqui com vocês hoje. Esse tema é muito legal porque a gente já começa tirando os mitos e os tabus da coisa, né? Eu ouço muita gente falar mal da compostagem orgânica, dizendo que dá trabalho, que é complicado, que cheira mal, que tem minhoca, vamos tirar essas calúnias da pobre composteira? Conta pra gente o que é uma composteira orgânica, o que é preciso pra ter em casa, como é que funciona, porque ó, você aí de casa, a Luísa mandou uns vídeos pra gente de como ela faz na casa dela, como a gente ainda tá em pandemia, não pudemos ir até lá, mas enquanto ela explicar, a gente vai mostrar ilustrativamente, né Luísa? Conta a sua experiência pra gente. É isso aí. Bom, vamos falar então da composteira doméstica, que é a clássica, que todo mundo já ouviu falar. Essa composteira, ela tem uma pequena delicadeza, porque quem é o agente decompositor, quem vai degradar a matéria orgânica, são as minhocas. Então a gente tem que ter um cuidado especial com elas, elas são praticamente um pets dentro da nossa compostagem. Então, a gente precisa tirar essa ideia aí de que é fedido, de que traz mosca, isso daí são consequências de uma compostagem que não estava dando certo, tá? Então, quando a compostagem está sendo bem feita, ela não gera nenhum tipo de odor. A compostagem doméstica, feita através de minhocas, ela tem algumas limitações com relação ao material que você pode pôr ali para as minhocas comerem, vamos dizer assim. Elas têm algumas restrições com alimentos cozidos, com alimentos muito cítricos, então você não pode colocar um pedaço de carne, um osso de frango, tudo isso vai prejudicar o sistema que você gostaria que estivesse acontecendo ali dentro da sua caixa. E aí quando a gente começou a fazer compostagem, quando eu comecei a praticar compostagem, eu comecei a me incomodar com essa situação de que eu não podia colocar algumas coisas ali com as minhocas, Ou melhor, poder pode, né? Eu não estava gostando de lidar com as consequências. E aí eu comecei a pesquisar outras possibilidades que a gente conseguiria fazer a compostagem e eu encontrei a compostagem termofílica. A compostagem termofílica, o agente decompositor, não são as miocas, mas são fungos, são bactérias que quando eles estão degradando o alimento, eles fazem com que a temperatura aqueça até 70 graus de temperatura. degradando o alimento e transformando em adubo orgânico. Que interessante! E aí, para as pessoas que nunca viram uma composteira dessa, Luísa, basicamente o que ela precisa saber? Qualquer resto de alimento, exceto o que você falou, esse resto de carne, um osso, mas por exemplo, uma casca de fruta, um resto de um outro tipo de alimento orgânico, o que essa pessoa faz? Ela junta tudo e aí, faz o que com isso? Aí esse material você vai colocar dentro da caixa do minhocário, existem vários termos, algumas pessoas chamam de minhocário, outras pessoas chamam de compostagem doméstica, que nada mais é do que caixas, uma em cima da outra, onde uma caixa você vai alimentando com as sobras das nossas cozinhas e caixa de baixo vai fazendo a decomposição. E aí vai acontecendo um revezamento entre caixas. Quando a gente coloca o material ali dentro, as sobras alimentares, elas são muito ricas em nitrogênio. E a gente precisa fazer uma compensação para o processo dar certo. Esse processo precisa de carbono para acontecer. E o que é carbono? É serragem, é folha seca, é, vamos pensar, guardanapos. Tudo isso são fontes de carbono que a gente deve colocar junto na mesma proporção. Se você coloca um potinho de sorvete de sobras alimentares na tua composteira, o ideal é que você coloque, no mínimo, mais um potinho de sorvete de serragem para fazer um equilíbrio dar certo e você não ter problema. Ah, importante, não pode deixar o material exposto. Quando a gente deixa o alimento exposto, a gente atrai vetores, a gente atrai mosca e a gente não quer isso para a nossa composteira. E aí o resultado disso é o adubo que pode ser reutilizado. Então o ciclo continua essa ideia, Luísa? Exatamente. Quando você tem o material final, aquilo ali, nada mais é do que uma digestão que passou por dentro da minhoca e a gente tem o húmus da minhoca. A gente tem um composto proveniente da digestão daqueles seres. O ideal é que a gente não plante direto desse material, é uma concentração muito forte Esse adubo é importante para você misturar com a terra Você já tem um vasinho ali que já está plantado há muito tempo Você utiliza o seu adubo para dar uma vida naquele vaso Para trazer novamente todos aqueles nutrientes que a planta precisa E aí muita gente me pergunta, Luísa, mas eu não tenho tanto vaso de planta, vou fazer a compostagem na minha casa, vou gerar esse monte de adultos, o que eu faço? Você coloca no pé da árvore ali da sua rua, você doa para o seu vizinho, você faz o bem à comunidade. E isso é muito interessante nesse ponto que eu queria chegar, Luísa, porque a gente trouxe alguns dados aqui para ficar mais fácil entender como essa prática da compostagem orgânica é muito mais do que uma alternativa para lidar com resíduos orgânicos ali em casa. Olha só, de acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, mais da metade de todo o lixo que a gente produz em casa é orgânico. E aí todo esse resíduo, né, quando ele é descartado em aterros e lixões, junto com materiais tóxicos, como pilhas, remédios, eles acabam produzindo efluentes que contaminam solos, lençóis freáticos e a atmosfera, e aí piora toda a nossa qualidade de vida, né, Luísa? E aí tem também toda a questão do gás metano, que esses resíduos podem produzir quando não tratados da maneira correta. E o gás metano é cerca de 25 vezes mais prejudicial para o efeito estufa do que o gás carbônico. Ou seja, a gente está falando de uma prática que vem a contribuir com o próprio planeta em que a gente está vivendo. Se todo mundo aprendesse um pouquinho, já ia estar melhor, né, Luísa? Exatamente. Então, a questão da gente colocar o nosso resíduo orgânico ali para a coleta da produtora, abrange muitas questões. Então, uma coisa muito importante é a gente conseguir reconhecer como que funcionam os ciclos dos nutrientes, como que os alimentos são produzidos. O alimento, ele precisou de alguma coisa ali da terra para ele crescer e se desenvolver. Quando a gente pratica a compostagem, a gente fecha novamente o ciclo dos nutrientes, a gente devolve para o solo tudo aquilo que o alimento precisou tirar. Então, quando a gente coloca o nosso lixinho ali para a prefeitura recolher, mais do que todos os impactos ambientais, a gente quebra um ciclo, a gente quebra um ciclo de vida, então a gente precisa trazer novamente, fechar novamente esse ciclo. É, essa é a pergunta que eu ia fazer, né, pra quem não sabe por onde começar, ou não tem uma composteira, ou sei lá, não tem interesse em ter, né, qual que é a maneira correta, então, de fazer esse descarte? Porque o que a gente mais vê é um descarte incorreto, né, Luísa? A gente vê muito isso. Bom, vamos lá, a coisa mais importante que a gente deve fazer, uma prática, é começar a separar os resíduos dentro de casa. Ali na nossa pia é legal que a gente tenha um potinho para a gente colocar só os restos alimentares, um potinho para a gente colocar só o material reciclável e um potinho para a gente colocar aquilo que efetivamente é rejeito, que não tem o que ser feito, não tem como dar um novo destino para aquilo, a não ser enterrar no aterro sanitário. Quando a gente tem essa segregação dentro de casa, a gente já começa a refletir e observar sobre o nosso próprio consumo. Se a pessoa não quer fazer a compostagem dentro de casa por muitos motivos, ou porque não quer lidar com minhocas, ou porque não tem tempo disponível, não tem espaço, ou realmente não tem interesse, uma possibilidade legal é vir falar aqui com a gente da Guaraipa. Nós oferecemos o serviço de coleta dos resíduos orgânicos da casa das pessoas e de pequenos empreendimentos para que nós possamos fazer a compostagem por vocês. Que legal, então deixa suas redes sociais, Luísa, para a gente te conhecer, pessoal que está em casa, como chegar até vocês? A gente tem usado bastante a rede social do Instagram, vocês encontram a gente no arroba, guaraipo, underline, compostagem, ou através do nosso WhatsApp, que é o 19 971 61 9609. Eu acho que eu falei o número errado. Eu acho que é 19-971-519-609. Legal. Luísa, essa entrevista veio num momento muito legal, porque a gente tem visto muito agora na pandemia as pessoas se voltarem mais para a natureza dentro de casa. A gente tem visto muita gente procurar mais plantas para colocar em casa, transformar apartamentos que são muito abafados, muito escuros, em lugares mais confortáveis para se viver, por conta do isolamento social, a gente quer ficar num ambiente que seja gostoso, que seja que nos remeta também às nossas raízes e essa coisa da permacultura eu vejo que veio pra ficar e eu espero que a gente tenha inspirado as pessoas nessa entrevista a terem mais contato com isso quem sabe mandar vídeos pra gente, né, então obrigada, viu, por hoje Eu que agradeço Até a próxima, Luísa E ó, você aí de casa que tem uma foto para mandar, como eu disse, a pandemia exigiu, trouxe essa reflexão, será que estou vivendo em um ambiente gostoso? Mais do que isso, será que estou contribuindo para que o planeta seja mais sustentável? As minhas ações estão indo ao encontro do que eu prego no quesito meio ambiente, então, se você acha que você está contribuindo para esse planeta ser melhor, tira uma foto do que você tem feito, um vídeo e manda para a gente. Muito obrigada por mais essa companhia, se você tiver dúvidas, pode reassistir à vontade essa entrevista e outras também do Giro Ambiental nas nossas redes sociais. Eu e a Luísa agradecemos a companhia e eu te espero na próxima edição. Tchau, tchau. E aí