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[Música] Bom, pessoal, quadro de Olho na Educação e hoje um assunto super bacana, super importante, eu particularmente gosto bastante, que é leitura. Vamos falar sobre o clube da leitura. Quem vai explicar pra gente é a professora Michele. Nós estamos na escola Orlando Carpino. Antes de mais nada, professora, muito obrigado por nos atender. Tudo bem? Tudo joia. A gente que agradece vocês partilharem um pouquinho com a gente aqui do nosso dia a dia. Bom, a gente já deu uma olhadinha lá fora e tudo mais. É realmente sensacional, é muito bacana. Eu conversei com algumas crianças e e essas crianças super empolgadas aí, não é? eh lendo, falando que que tem melhorado a comunicação, aprendido novas palavras. Primeiramente fala sobre o projeto, por favor, professora, como que surgiu? O que é na verdade o Clube da Leitura? Então, o Clube da Leitura é um espaço pra gente ler, partilhar essas leituras, conversar sobre o que a gente leu. Ele surge há alguns anos quando as próprias crianças comentam que elas gostariam de ler de uma forma divertida. E aí quando elas trouxeram isso, eu parei para pensar um pouquinho, falei: "Mas como assim?" E aí na escola a gente lê, porque faz parte do cotidiano, mas a gente lê com algumas finalidades, né? Não exatamente só com essa finalidade de se divertir com a leitura. E aí eles começam a trazer a demanda de de repente a gente poderia ler com uma coberta, a gente pode trazer uma coberta, a gente poderia ler de pijama e a gente começa a fazer essas experiências. Paralelo a isso, tem o programa municipal, né, na na prefeitura de leitura e escrita. a gente tava pensando sobre os clubes de leitura e aí no processo a gente foi percebendo que a gente já era um clubinho de leitura e aí a gente começa a dar nome para esse clubinho, virar o clubinho da leitura divertida. E aí nos anos seguintes, eh, quando eu começo o ano com as crianças, eu costumo partilhar o planejamento com eles. E aí quando eu mostro que isso já aconteceu, eles ficam encantados e aí eles também querem fazer. E aí cada turminha vai dando a sua cara para esse espaço de leitura, assim, mas basicamente o clube de leitura é um espaço democrático de escuta, de leitura, de partilha. é um espaço que a gente aprende a ouvir o outro também, a negociar esses sentidos, porque quando a gente lê um livro a interpretação é muito particular, cada um tem a sua. Então também é muito importante nesse sentido das crianças perceberem que a gente existe pensando de formas diferentes, né? Mas basicamente é isso. Como funciona? Tem todos os dias? É uma vez por semana, uma vez por mês? Como que é? Então essa periodicidade eu costumo combinar com as crianças. É, já teve ano que foi semanal, esse ano a gente tá fazendo quinzenal, porque também é um trabalho que é combinado com as famílias, né? Então a gente partilha isso no começo do ano, a gente escuta essa família para saber como eles estão olhando pra leitura, qual que é a importância disso. E aí quinzinalmente a gente se organiza. Então vai um bilhete para casa que a gente faz coletivamente explicando qual vai ser a leitura hoje, por exemplo, da praia, o que que a gente poderia trazer, o que que a gente vai precisar para esse momento. As famílias se organizam com as crianças e aí a gente faz a leitura. Esse ano quinzenalmente, duas leituras por mês. Como é, a professora? Surgiu onde esse projeto? A gente começou, eu tava numa escola em Souzas, foi com o quinto ano, a gente fez com quarto ano também. Já tem uns 4 anos que ele tá acontecendo. E aí cada turminha vai configurando de uma forma diferente. Essa turma quis fazer um cantinho de leitura fixo e a especificidade da sala também vai trazendo outras demandas. Por exemplo, teve um ano que eu tinha uma estudante cega, então a gente precisava que essa leitura fosse acessível, que houvesse os livros em braile e aí a gente começa a pensar quem são essas pessoas que estão lendo. A gente começa a entender que as pessoas leem de formas diferentes. Então a gente tem esse ano um estudante que se comunica através de comunicação alternativa, que são símbolos. E aí a gente começa a se comunicar com ele, trazer pra leitura também. Então a gente vai adaptando conforme a turma. Bom, qual o principal objetivo? se formar, não é, eh, leitores, produtores de texto, eh, fazendo com que os alunos desenvolvam aí a capacidade, né, eh, intelectual, capacidade, enfim, de de leitura. Fala um pouquinho mais sobre isso, professora, porque realmente é muito legal, muito interessante, faz todo sentido, super necessário, né? Sim. Eu acho que eh no ano passado, se eu não me engano, a gente teve aquela pesquisa retratos da leitura no Brasil, né? E aí ela trouxe um dado pra gente que pela primeira vez, né, na série histórica, o Brasil não está lendo como lia antes, né, que a gente perdeu aí em 4 anos 7 milhões de leitores aproximadamente. Então eu acho que resgatar a leitura, ela é fundamental para adultos, para as crianças, mas principalmente a escola é um espaço que pode possibilitar isso, né, que pode proporcionar essa essa leitura lúdica, que também vai formar leitores, escritores, autores, ilustradores, que vai aproximar as crianças desse universo. Eu fico pensando que aproximar a leitura do lúdico, do prazeroso, é algo muito importante que a escola consegue fazer, trazer os livros diferentes, fazer os espaços diferentes. E tem uma frase do Ruben Alves muito legal que ele fala que um livro é um brinquedo com letras, que ler é brincar. E eu acho que quando a gente entende que a gente pode ler da mesma forma que a gente brinca, é algo que se aproxima muito das crianças e é um hábito que eles passam a cultivar. assim, às vezes, eh, eu tô tentando pensar como a gente vai fazer a leitura, eles já criaram possibilidades, eles já se organizaram. No ano passado, por exemplo, teve o filme Divertidamente e aí eles pediram uma leitura do filme. Falei: "Mas como é que tu faz uma leitura do filme?" Eu falei: "Não, não, não tava fazendo sentido para mim". Eles: "Não, mas é uma leitura de emoções, porque o livro fala de sentimentos. Então, a gente vai vir com a roupa da cor do sentimento e a gente vai pintar o personagem." E a gente teve a leitura sobre o filme. Então assim, é muito legal também escutar as crianças e ir criando junto com elas assim. Bom, isso de certa forma e incentiva, não é, a criançada, né, professora? Porque tudo que é feito com aquele toquinho de diversão, que você pode usar criatividade e tudo mais, isso não, isso pr as crianças não tem preço, né? Sim. E eu acho que a escola ela não pode perder a função acadêmica que ela tem de de estudo propriamente dito, mas eh pode ser prazeroso, pode ser divertido. E eu acho que pra gente que é professor também é mais gostoso, é mais interessante, a gente também se envolve e pras crianças principalmente, né? Porque eu acho que o que ficam são essas boas memórias, né? A gente vai guardando esses momentos, a gente vai entendendo que a gente pode ser um leitor, se relacionar dessa forma com a literatura. E a expectativa é que isso fique, né? que a gente que apesar desse mundo corrido de tecnologia que a gente possa cultivar também o hábito da leitura, assim, se dá esse direito de ler por prazer. Bom, e o clube da leitura aqui atende crianças de quantos anos? Mais ou menos essa sala eles têm aproximadamente 8 e 9 anos. A escola tem outras iniciativas de leitura também. Tem a professora Jeisa, que revitalizou a biblioteca e faz atividades literárias. Tem a professora Érica, que também faz uma atividade de leitura com as crianças. Então assim, eh, de alguma forma a gente tá tentando olhar paraa leitura de uma forma diferente e me parece que tem feito muito sentido para eles, assim, o relato das famílias também é um relato de que ano passado eles pediram livro de Natal, que eles estavam pedindo títulos. Então assim, eh, essas conversas de reunião ou mesmo na porta da sala vão dizendo pra gente que que vai funcionando. Assim, o meu filho tem 4 anos, vai fazer cinco no dia 13 de agosto e eu já incentivo a leitura, professora, até pegando o gancho, porque é importante no nosso quadro aqui, o de olho na educação, tem muitos pais que que assistem a ao quadro, né, e que ficam aí ligadinhos querendo saber que a gente tá sempre entrevistando especialistas na área de educação. Com quantos anos é legal aí incentivar a a criança ou sei lá, até o bebê que seja com a leitura? Então, eu acho que é legal a gente pensar exatamente isso. A leitura não é algo que precisa começar na escola, né? Eu acho que bebês já ouvem histórias, as crianças tomam banho com livros de banho, elas já se aproximam. Eu acho que também é encontrar outras formas, porque às vezes as crianças querem contar as histórias, né? E às vezes parar esse momento para escutar a criança manuseando um livro, contando uma história, também é um movimento que colabora muito para se aproximar da leitura, né? Acho que essa leitura fluente, esse leitor voraz aí do futuro, ele começa com essas pequenas aproximações, né? Bom, vamos lá. Tô vendo que você tá com vários livros aí, vamos mostrar alguns deles, falar um pouquinho sobre eles. Verdade. Eh, eu separei alguns livros para falar justamente da importância dessa variedade, né, dessa curadoria de trazer uma variedade de livros para as crianças. Eu mesma não tive esse acesso na infância, então é é bem legal. Esse aqui é um livro que fala sobre o povo indígena e aí a gente tem trabalhado muito sobre os povos originários. Tem outro tema importante das pessoas com deficiência, que é algo que dá para trazer, que a literatura traz de uma forma muito bonita. E aí esse livro conta a história também de um menino que cozinhava, que era bem legal. São várias opções, né? Sim, sim. Que mais que temos aí pra gente mostrar aqui no quadro? Então, a gente tem livros que também trazem questões polêmicas assim, que às vezes são difíceis de lidar com as crianças, como a morte, por exemplo, a questão da adoção, a questão da identidade. Então, são livros que de uma forma lúdica, aproximam as crianças dessa. É claro, ver pode chorar coração, mas fique inteiro. Esse é sobre a morte. Isso é sobre a morte. Mas é um livro muito sensível assim que as crianças é. Não, e é legal mesmo porque normalmente crianças têm medo da da morte, né? porque não entendem como funciona exatamente e é algo muito presente, né? Esse livro fala sobre adoção, sobre identidade também. Super importante. Sim, sim. Mas no geral e tem livros variados, né? Tem esse livro que tá até plastificado porque é um livro brinquedo onde as crianças procuram objetos que também é um tipo de literatura. As crianças leem sozinhas ou com ajuda de vocês? Pode levar para casa ou não? Tem. Eles fazem o empréstimo na biblioteca, eles levam semanalmente. Diariamente eu faço a leitura para eles, mas eles também leem sozinhos. Tem o cantinho da leitura e terminando a lição, eles pegam os livros para ler normalmente e enfim. E eles produzem livros também. Esse livro é uma produção da turma do ano passado, que aí é uma história que eles criam. Claro, é que esse tá plastificado para sobreviver. Olha aqui, pessoal, sobre o que é o livro. Então, tem uma coleção de livros que se chama Fábrica de Fábulas, que eles trazem novas versões pros contos clássicos. Então, é João e os 10 pés de feijão, tem Joões e várias Marias e aí eles quiseram criar as versões deles. Então, esse é inspirado nos penteados de Rapunzel. E aí a Rapunzel não escapa só com a trança, ela cria outras possibilidades. E aí eles criam outras possibilidades de fuga e outras histórias. Boa, professora Michele, suas considerações finais aqui no quadro de Olho na Educação, esse assunto super importante, super bacana, que eu particularmente, como eu disse no início, adoro. Eu acho que eu fico muito feliz que a gente possa falar sobre isso, que a gente possa olhar pra leitura dessa forma lúdica, prazerosa, saber que o quão é importante ela fazer parte do dia a dia das crianças, até de nós adultos. Eu acho que a literatura ela tem o poder de fazer a gente olhar pra gente, de se reconhecer, de valorizar quem a gente é. nossa cultura e também de fazer a gente querer mais, né, de sonhar, de querer outras possibilidades. Então, que todo mundo possa ler, assim como a gente brinca, assim como a gente se diverte, que a leitura se aproxime de todo mundo de alguma forma e quem lê vai escrever melhor, vai falar melhor, vai se comunicar melhor, vai ter um vocabulário melhor, né? É, ela impacta diretamente, né? Acho que conforme a gente vai se aproximando das histórias, as histórias também vão se criando, né? Na nossa cabeça a gente vai querendo externalizar isso, vai criando, vai produzindo também. Bom, e a e a criançada aprovou super, então, o clube da leitura. Sim, aprovou, aprovou. E quando eu é engraçado que hoje, por exemplo, a gente teve um dia que o parque ele tava em reforma e a gente não poôde fazer, a gente teve que postergar um pouquinho e aí foi aquele caos, não, mas vamos esperar, a gente vai fazer, porque o que é combinado, né, como diria minha avó, não sai caro. Então eles gostam muito. Bom, se a criançada aprovou, tá tudo certo. É isso aí. Valeu, professora. Muito obrigado por nos atender. Bom, pessoal, eu sou o André Aranha e você, claro que já sabe, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao [Música]