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Quem passa pela Praça Imprensa [música] Fluminense, no Cambuí, encontra um dos espaços culturais mais conhecidos de Campinas, o Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes. Inaugurado em 1976, o complexo foi projetado [música] para ir além de um teatro. Esse é um projeto premiado do arquiteto Fábio Penteado e ele foi muito importante, né, na década de 70 por por ocupar esse espaço com um equipamento cultural, né? Então ele chegou eh naquele momento a ser uma grande mudança eh inclusive no bairro do Cambuí, né, transformando ele nesse bairro muito muito nobre também. Eu acho que o Centro de Convivência foi responsável por isso. E eu acho que a grande característica dele naquela ocasião é que ele era um equipamento. Eh, Campinas é uma cidade muito cultural, onde o público responde muito às atividades. Então, por bastante tempo ele foi assim, as temporadas dos teatros, eh, das grandes companhias passavam por Campinas, às vezes iniciavam em Campinas. Então ele teve um protagonismo eh na cena cultural muito importante. Fora isso, a gente tem também nas outras linguagens da dança, eh Campinas sempre foi uma cidade muito com muita oferta, né, de academias, tudo. Então, todo mundo se lembra eh de ter vindo dançar aqui, de ter vindo assistir uma peça. Então ele fez parte, acredito que por mais de 30 anos ele fez parte dessa história cultural de Campinas, né? E ele tem essa característica de ser um equipamento eh todo em concreto, que é um pouco da característica do que o Fábio Penteado trouxe. Como eu disse, ele foi premiado com esse projeto. Eh, e ao mesmo tempo eh uma um teatro de arena construído em cima do teatro interno e das galerias, né? E o desejo dele era ter essa praça eh toda habitada com com essa permeabilidade entre os equipamentos. E eu acho que ele cumpriu muito esse esse essa função, né, que ele teve por muitos anos. [música] Mas a trajetória do local também foi marcada por um longo período de interrupção. Os equipamentos públicos, eles têm uma premissa e bastante difícil que é a sua manutenção. Eh, são equipamentos que têm necessidades de uma manutenção perene. E e a e é lógico que a o, vamos dizer assim, a questão financeira da secretaria, ela sempre foi muito difícil [música] de ter consistência. Então, eu acredito que eh desde a desde a concepção do espaço, ele já tinha alguns problemas sérios [música] eh de vazamentos pelo conceito, né? Então, é um teatro aberto que chove, que tem todo o seu problema de manutenção em cima de um de um outro equipamento. Então, relatam pra gente que desde a origem do teatro ele ele já tinha infiltrações e tudo mais. E aí eu acho que essa falta de manutenção, e eu de forma nenhuma quero ser desrespeitosa com todos os que vieram antes, porque eu acho que a gente sabe como é duro manter esse espaço, como é duro essa manutenção do dia a dia, sabe? Eh, a gente quando a gente vem, usa o banheiro, a gente já relata, olha, tem tal detalhe, a, sabe, tudo tem que tá cuidado no dia a dia, porque se você não faz o dia a dia, as coisas vão se acumulando. E foi isso que aconteceu. Eh, tem imagens que fazem parte da do inconsciente das pessoas, de vazamentos assim, que isso aqui não dava, assim, ficava cheio de água. Então, às vezes, antes de uma de uma apresentação de balé, eh, a gente tinha permanentemente duas, três faxineiras que ficavam limpando com rodo para tirar a a água que ficava acumulada. E aí o lustre já começou a ter comprometimento, porque ele ele ficava eh sempre com água vertendo. O o fosso que tradicionalmente foi feito para óperas, né, para orquestra, ele tinha um espelho d'água permanente. Isso não foi depois, foi logo que fundou, porque acho que alguns problemas estruturais ficaram para trás, né? Então eu acho que isso ele foi eh, vamos dizer, deteriorando ao longo do tempo e e a falta de manutenção, acho que ele acabou condenando o espaço a ponto de que eh na temporada de balé, que é uma temporada super intensa, que tem academias, no dia que a academia chegou para se se apresentar, eh ele foi interditado pela Defesa Civil porque entendiam que poderia colocar em risco com as pessoas, né? Então, nossa, foi muito triste para todo mundo. A a academia, ela ocupou a praça, eles dançaram, mas é muito triste, né? Porque a cultura ela tem isso, ela tem que acontecer, ela tem que est no espaço. E aí, eh, esse é o grande motivo, né? Acho que essa essa falta dessa manutenção sistemática, né? Não é, não é as grandes coisas que condenam os espaços, são as pequenas [música] coisas, eh, vão se acumulando, né? Sim. Depois de cerca de 14 anos fechado, o Centro de Convivência voltou a receber o público em 2025 e a reinauguração marcou uma nova fase para esse espaço que faz parte da história cultural de Campinas. obra toda, a praça tava separada por um tapume, então as pessoas não vinham o avanço da obra e o tempo todo a gente tinha que dar satisfação, está acontecendo alguma coisa, vai sair daqui um novo teatro. Uhum. Mas como o Tapumi tava lá, as pessoas não viam. E aí pra gente assim foi muito significativo a retirada do tapume e a revelação desse teatro restaurado, né? Uhum. devolvido pra cidade. Hoje, teatro, música, dança, exposições e ensaios fazem parte da programação. Eu sempre gosto de mencionar, né, de de julho do ano passado para julho desse ano, vamos falar um recorte de um ano, foram mais de 100 eventos. Quando a gente fala evento, atividades culturais, né? 100 atividades culturais e mais de 100.000 pessoas ao todo, né, circulando nas exposições, nos concertos e nas atividades a céu aberto, no teatro de Arena, no teatro interno. Toda semana a gente tem alguma coisa. Hoje, né, a gente foi de julho a julho, mas agora a gente já tá no mês de outubro, né, e o ano tá correndo, né? E a gente todo dia, de terça a domingo, a gente só fecha as segundas-feiras para as manutenções, para cuidar do lugar, mas de terça a domingo a gente tem atividades das mais diversas. E entre as novidades desta nova fase está o retorno de dois ícones que marcaram a trajetória desse local. Nossa última tarefa é trazer o lustre de volta, que todo mundo pergunta. A gente tá aí numa tarefa muito muito nobre, que é conseguir que a gente eh tem o patrocínio de vários empresários que estão nos ajudando. Eh, a gente vai conseguir trazer esse ilustre de volta. A nossa ideia é ter isso pro ano que vem. É porque isso era um lustre tão monumental que as pessoas viam tirar foto. Eh, sabe aquelas fotos de casais no que se casam? Eles vinham tirar foto aqui na frente do Lúcio, a gente quer ele de volta. Então, acho que são as duas últimas tarefas muito importantes, que é trazer o lustre de volta e trazer o Recoleta aberto de volta, né? E se a arquitetura foi pensada para receber a cidade, é no palco que essa ideia ganha vida. Foi assim com o grupo Primavera, que levou cerca de 162 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social ao teatro. Eles apresentaram o espetáculo 45 Primaveras, [música] Flores onde estiver, em comemoração aos 45 anos da instituição [música] que atua na região do bairro São Marcos. Primeiro abrir as portas de um lugar como esse, um lugar que é muito falado, né? Eles são crianças e adolescentes de regiões periféricas que, querendo ou não, estão à margem da dessa parte da sociedade, estar aqui, ganhar o olte, ser protagonista em um palco, num lugar, numa região nobre, né? Num lugar reformado, tão bonito como tá. Eu acho que isso engrandece eles. Acho que isso é importante você e não só você passar para assistir, mas você tá ali como protagonista, como fazedor, né? Então você tá nesse local eh verdadeiramente, isso empodera uma criança, ainda mais um adolescente que vem da periferia, eles não acham que eles podem estar em lugares como esse. Imagina só eles serem as estrelas em um lugar como esse. É muito engrandecedor e é muito eh, como eu posso te dizer? É, eu eu tenho muita gratidão por esse momento em ver eles ali, sabe? vê-los criar, vê-los brilhar em um lugar que que serve para isso, para receber estrelas. Eles são. Cinco décadas depois da inauguração, o Centro de Convivência continua sendo um lugar de passagem, permanência e principalmente de encontros. A história do prédio se mistura a de quem já esteve aqui, de quem já subiu ao palco, de quem assistiu a espetáculos, de quem veio à feira ou simplesmente passou algum tempo na praça. Por isso, o Centro de Convivência Cultural de Campinas, Carlos Gomes, ou o CCC, como também é conhecido, é Campinas, que deu certo. Quando você fala o centro de convivência, já pensa em Campinas, já pensa no centro de convivência, é obrigatório. Então eu acho que sim. É, deu super certo. Um ponto de cultura é essencial pr para que a Campinas cresça de diversas formas, né? Eu acho o Centro de Convência um lugar lindo, um lugar charmoso, né? Você passa aqui, você vê a grandiosidade dele, tanto tempo que ele tem de história. Eu acho que é com certeza que Pinos que deu certo tá aqui, né? É esse espaço múltiplo que hoje, né? Eu falo, a gente eh tem tem ele aberto, né, o Teatro de Arena aberto até às 9 da noite e todas as noites as pessoas caminham, as pessoas vêm com os carrinhos, com os cachorros e essa cidade se que se sente representada aqui, né, como esse espaço de convivência que é de todos nós. [música] [música] [música]