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Em 1978, Campinas dava os primeiros passos de uma história que ajudaria a transformar a oncologia pediátrica no país. Os desafios eram enormes. A taxa de cura do câncer infantil chegava apenas 5%. Conversamos com a fundadora do Boldrini. A história do Boldrini, na realidade é uma história coletiva da sociedade de Campinas, através do clube da Lady de Campinas, que tem a ideia de criar um ambulatório específico para atender crianças. Este ambulatório era uma casa em frente ao banco de sangue da Santa Casa e a Unicamp funcionava na Santa Casa no início da Unicamp. O departamento de pediatria onde eu trabalhava já dava perto do banco de sangue. Então essa senhora da [música] sociedade representada pelo clube da leide ofereceram um local para fazer um ambulatório. O reitor Jeferino Vaz falou assim para mim: "A senhora não tá autorizada a atravessar a rua. A senhora é dedicação exclusiva da Unicamp, mas seu reitor eu não tenho onde atender. Eu atendo embaixo da escada, atendo dentro da enfermaria. E essas senhoras vão dar essa casinha aqui em frente na Teodoro de Lima 21. Ele era inteligente, viu? É. Aí, ele disse assim para mim: "Então vamos fazer uma coisa. [música] cria um estatuto social que para mim era grego que ele falava e arranja um nome. Então, o clube da Leide e a senora Bet Abraão, que era presidente do clube da Leide, sugeriu o nome do Boldrini. O trabalho cresceu e ganhou força com os profissionais que ajudaram a colocar Campinas no mapa da pesquisa e do tratamento do câncer infantil. Como é pra senhora o que representa o o Boldrini para Campinas, pro Brasil e pro mundo todo? Olha, eu não tenho nenhuma dúvida em dizer [música] que essa fusão do coração e da alma dos voluntários da sociedade e da cabeça do pensamento crítico [música] científico da Unicamp, contribuiu pro Boldrine mudar a história. No Brasil ele mudou a história da leucemia de crianças. Era esperado que menos de 5% sobrevivesse. Nossa, com a criação do Boldrini, o Boldrini foi designado para coordenar o grupo brasileiro tratamento [música] a leucemia na infância. E um anjo que veio lá dos Estados Unidos ficou conosco um mês ensinando todos os progressos que foram feitos na área da leucemia e definiu que pro Brasil era importante um grupo brasileiro de tratamento da leucemia. E ele definiu aqui o Boldrini devia coordenar esses estudos. ficamos, eu fiquei no cargo da coordenação durante umas três décadas e foi possível realizar cinco ou sete estudos clínicos, aumentando as chances de cura que foram de menos de 5% para 40, 60, 70, 80. Estamos perto agora de 90% por uns tipos de de um de uns tipos de leucemia. Na média chegou em 84. Nossa. E eu carrego o desejo de chegar a 100% de cura, que hoje é uma bandeira internacional que nenhuma criança pode morrer de câncer. Em 1986, o ambulatório ganhou estrutura de hospital. Quase cinco décadas depois, os números mostram o tamanho dessa transformação. O Boldrini já recebeu mais de 10.000 mil novos casos de pacientes com câncer vindos de diferentes [música] regiões do Brasil, também de outros países da América Latina. O Bodrini desde a sua dos seus primórdios, sempre foi um local de referência. [música] Primeiro por ser pioneiro dos pioneiros no tratamento do câncer [música] e da doença do sangue infantil. Então, desde sempre o boldini já era uma referência [música] porque não se tinha esse tratamento no país e isso não se perdeu durante a história. [música] Hoje o Boldini continua sendo pioneiro em vários tratamentos do [música] câncer, assim como também como um ponto de referência [música] de recebimento de pacientes de todo o país e muitas vezes alguns países americanos. Bom, e os índices, né, de cura hoje superam 80%. [música] Isso quando você coloca, claro, alguns que são mais difíceis de tratar e outros um pouquinho vão um pouco melhor, mas se a gente pegar [música] as leucemias, que que é o câncer mais comum na infância, eh, nós estamos acima de 90%. O o baixo risco que é um subt já de cura. Hoje na leucemia, aqui no Boldrini, não é a realidade do país. Não é a realidade do país. [música] Se você pegar os índices hoje no Brasil, 50, 55%. É um uma criança que nasce no Brasil tem [música] 50% sobreviver com leucemia. Mas se ela viver pro bolding acima de 90. Impressionante, né? Veja a importância de que se tornou, não são números impressionantes, né? Veja a importância que o [música] Boldrini se tornou no panorama nacional do tratamento do câncer de Bom, e o senhor tem quanto tempo de boldrini já? 32 anos também. Eh, hoje me considero campineiro. Não é de Campinas não. Mas Campinas é uma foi a cidade que me acolheu, né, e deu [música] tudo o que eu consegui do ponto de vista profissional e até de familiar. Então, Campinas para mim tá no coração. E existe um ingrediente fundamental para que essa história continue, a solidariedade. Cerca de 55% da receita mensal [música] do Boldrini vem de doações. Bom, são 48 anos de uma história que começou pequena e que ganhou dimensão nacional e internacional com a colaboração de muita gente, médicos, pesquisadores, voluntários e claro, né, gente, toda uma comunidade. Eu acho que você disse bem, [música] eh, o Boldrini já começou com a ajuda dos dos moradores daqui. Quando o Banilho foi fundado, já foi o Clube de Leite que já eram pessoas da sociedade campineira. E isso se perpetua até hoje. O Modrini depende muito da sociedade de Campinas e até de outros lugares para [música] sobreviver, uma vez que o gasto é muito acima daquilo que a gente consegue arrecadar, uma vez que 80% [música] dos pacientes são do SUS. O SUS não consegue eh cobrir o gasto. E a gente necessita de quem? Das campanhas, doações, doações que vem da população, as empresas. Sem isso não conseguiríamos sobreviver. Mais uma vez, mostrando como Campinas abraçou a causa, né? Abraçou a causa Boldrini e até hoje a mantém. Quando o senhor entrou aqui no Boldrini há 32 [música] anos. 32 anos. Imaginava que hoje o Boldrini seria exatamente como é [música] hoje essa potência? Olha, eu não sei se a gente imaginaria, mas não seria surpresa quando você trabalha com uma pessoa como a Dra. Opa. [música] Porque você, ela me acolheu, boldinho era bem pequenininho, mas ele já tinha uma história que já encantava, que ela começou numa coisinha pequenininha, [música] depois foi para uma casa, outra casa e quando eu cheguei já tava aqui. Então a gente já viu do que ela era capaz. Então eu não imaginava, mas não me surpreende [música] que inclusive ela ainda vá fazer mais coisas. Ela quer mais, quer mais. Inclusive, ela chegou, ela falou para mim que quer chegar no 100% de cura. Sim. E vai duvidar? Eu não duvido não. Bom, e agora a gente vai conhecer a Helena, que há 12 anos é voluntária aqui no Bondrini, faz um trabalho excepcional, com muita empatia, com muito amor ao próximo, não ganha nada, vem com muita força de vontade, porque realmente é uma causa que vale super a pena. Sim. Não ganha nada de dinheiro, mas ganha o retorno, que é muito importante, né, Helena? Importante. Isso é importante. Qual é essa sensação? Olha, só estando lá para conseguir [música] descrever com todos os sentimentos possíveis. Olha só, gente, é difícil assim, poucas palavras você resumir o que você sente quando tá [música] naquele ambiente, sabe? eh visitando as crianças e tendo aquela interação e com as mãezinhas, né? Então, só estando lá naquele ambiente para você poder ter um sentimento [música] realmente verdadeiro. Como você chegou aqui? Como surgiu essa oportunidade? Que que você pensa daqui pra frente? Então, eu quando eu trabalhava, né, em São Paulo, eu sou de São Paulo, era de São Paulo e eu sempre pensei que um dia eu teria que fazer um trabalho voluntário na minha vida. Sempre pensei assim. Aí mudei-me para Campinas, isso há 14 anos. E uma vez em Campinas eu comecei a procurar por um trabalho voluntário. Fui lá no Google, digitei voluntariado, o que me aparece Moldrini. E eu disse: "Mas o que é isso, Boldrini? Não, nunca tinha ouvido falar em São Paulo. Aí eu fui me interando, eu falei: "É isso que eu quero". E veio para Campinas para isso? Não, não. Eu vim mudando de mudança com a minha família, né? Mas eu já estava aposentada, né? E uma vez aposentada eu falei: "Não, agora é hora de fazer um trabalho voluntário, né?" E aí me apareceu assim de portas escancaradas o Boldrini. Aí eu fui procurar saber o que era o Boldrini e tal e gostei demais, me encantei. E logo em seguida tinha um novo curso de capacitação. Já [música] me inscrevi e aqui estou até hoje. De 5 para 80% de um pequeno ambulatório para um dos principais centros de oncologia pediátrica do Brasil e da América Latina também. O Boldrini é Campinas que deu certo. [música] เ