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O teatro é a arte de transformar emoções em gestos e histórias em experiências que permanecem na memória. E é por meio dessa magia que a companhia CIA Santa de Campinas, há mais de 50 anos, dá vida a personagens, encanta plateias e mantém viva a arte de contar histórias no palco. Campinas que deu certo no ar. Eu estou aqui na CIA Santa. Ao meu lado, um dos diretores, o Crispim. Tudo bem, Crispin? Tudo bem. Sejam bem-vindos. Um prazer para nós estar aqui com vocês. Eh, como que surgiu a companhia? Como surgiu a CIA Santa? A companhia nasceu de uma vontade, eh, sobretudo do outro diretor, o Jorge e eu, de criar uma companhia de teatro profissional que pudesse sobreviver da sua arte. E, eh, nós começamos em 1973, mais precisamente no dia 10 de junho. Então, no último 10 de junho, completamos 53 anos. Nascemos no Teatro do Sesc em Campinas, que abriu as portas pra gente e lá foi a nossa primeira sede. E por que o nome CIA Santa? Eh, primeiro que é uma estratégia de marketing organizada pelo Jorge, nós tínhamos em plena ditadura tínhamos o hábito de fazer as coisas de forma democrática já naquela época. E tinha duas correntes. Eu queria que chamasse Conat, que eu sempre fui mais assim exibido, né? queria que chamasse Companhia Nacional de Teatro e o Jorge queria que chamasse companhia santa, porque a gente vinha de uma experiência de um grupo de teatro religioso amador ligado a uma igreja eh de Campinas, igreja do Rosário, chamava Grupo Teatral Rosa Jovem. Foi quando nós nos conhecemos e o Jorge então propôs que chamasse CIA Santa. Na votação empatou Conati e Cia Santa e faltava o voto do Jorge que era o presidente da Assembleia. Lógico, ele votou no nome dele, né? Aí, como ele percebeu que eu fiquei desenchavido, ele propôs a gente trocar o C de companhia abreviado, né, para S, como se fosse uma sociedade internacional de artistas e tal, e isso ia provocar uma curiosidade no público, porque com S, né? E aí esse é o motivo. Mas a gente ouve histórias de que não, é porque tinha uma uma senhora, a a tia santa, que fazia o cafezinho e levava no camarinho e tal. E aí ficou essas duas histórias. A a original é essa a primeira que eu te contei. Sim. É bom que o pessoal de casa já fica sabendo, né? A a real. É verdade. E aí o pessoal realmente eh pergunta muito isso. Por que santa com s, né? É. Isso faz com que as pessoas gravem o nome, provoque essa curiosidade, né? Que bacana. Ideia do Jorge. Crispinho. Eh, vocês fazem, eu eh tudo relacionado aqui aos espetáculos, vocês fazem tudo aqui mesmo, né? A criação, atuação, produção, cenografia, iluminação, tudo é, são vocês que fazem. Eh, como que é coordenar tudo isso? Ah, é difícil, né? Por porém é apaixonante, né? Porque uma companhia de teatro que não tem o seu próprio teatro, é como um time de futebol que não tem o campo para treinar, né? Então aqui é o nosso laboratório, aqui é o lugar que a gente experimenta, testa, né? É difícil acertar de primeira, a gente tem que treinar muito, né? E como a gente é muito apaixonado pelo que faz, tem uma frase do Charlie Chaplin magnífica que quando você faz o que você gosta, você não sente que tá trabalhando. Então ele fala assim na na frase memorável dele: "Eu faria isso mesmo que não me pagassem". Então essa paixão, né, é que move. Então a gente precisa dedicar o tempo que a gente fica. Uma parte é administrativa, outra parte é tributária, outra parte é fiscal, outra parte é artística, outra parte é técnica. Outra parte de transporte, a gente tem um ônibus, então tem cuidar a manutenção do transporte, reposição de peças, né? Depois tem iluminação, sonorização, efeitos especiais, fumaça, todo esse conjunto de itens, eh, ele, eh, resulta num bom espetáculo, num espetáculo razoável ou num espetáculo ruim, né? Embora o teatro seja texto, ator e público, né? dentro do ator tem uma retaguarda atrás dele, né, para que ele possa eh honrar as palavras do autor. Com o objetivo de aproximar crianças e adolescentes da arte teatral e contribuir para a formação de público para o teatro brasileiro, a CIA Santa criou em 1973 o programa A Escola Vai ao Teatro, que leva espetáculos às escolas e promove sessões durante o horário escolar. Uma delícia, um prazer enorme que isso nasceu com a gente, né, lá atrás que falavam: "Puxa vida, vocês não querem eh fazer um espetáculo que tenha mais público do que vocês têm normalmente fazendo teatro adulto?" Não queremos, então faz para criança. Como assim? E era a época da ditadura. Débora César, você acredita? E a gente falou, vamos tentar, vamos, vamos nas escolas tentar vender ingresso. E não é que deu certo. Professor adora teatro. Professor adora teatro. E aí começou, nossa, as crianças amam, né? E deu certo. E aí quem colocou, quem batizou esse nome a escola Val Teatro foi o Crispinho. Acho que foi a primeira pessoa que ouviu. Ele falou: "A escola Valte, falei: "Nossa, que lindo a escola". E ficou. E hoje a escola Valte é uma marca, né? Uma coisa fantástica. Jorge, e você tava me contando que pro ano que vem tem novidades também, né? Ah, sim. A gente já tá fazendo toda uma programação para 2027. Nós devemos ter um programa aqui dentro do nosso teatro e aqui na nossa região. Nós estamos aqui na periferia, no Parque Santa Bárbara. Quem nunca veu, venha, por favor. Muito gostoso aqui, né, Débora? Bacana demais. E ah, nós devemos atingir de 13 a 15.000 1000 pessoas nos projetos que nós estamos montando. Projeto bem bacana para final de semana com formação, com formação para idosos, para jovens, para crianças, para professores, separado por nível, pegando professores de ensino fundamental um, depois em outro tipo de oficina, professores para ensino fundamental dois. Tudo isso vai acontecer o ano que vem aqui no teatro. E o que é melhor de tudo, Débora? O que que é o melhor de tudo? De graça. Ah, isso é perfeito. Nós estamos trabalhando muito e vamos conseguir para ser de graça para que todo mundo, não só aqui da nossa região, mas de toda Campinas, que deu certo, estamos aqui, a gente sempre recebe gente em tudo quanto é lugar. A CIA Santa mantém em cartaz um repertório com 19 espetáculos para todas as idades e gostos. Ao longo de sua trajetória, a companhia conquistou reconhecimento, levando a arte teatral a milhares de instituições de ensino em diferentes regiões do país. São 53 anos ininterruptos de atividade. Durante a pandemia, a gente estava impedido de exercer o nosso ofício e mantivemos todo o nosso corpo estável. Mas eu quero acreditar que a perseverança e a paixão pelo que faz talvez seja o principal motivo da gente até hoje eh estar dando certo dentro da da filosofia do quadro, né? Embora com muitos percalços, com muita dificuldade, né? Não existe vitória sem luta e nós temos mais lutas do que vitórias. Eu acho que o mais importante é que tanta gente veio de fora para viver a CIA Santa, um período que mostrou para nós que nós estamos no caminho certo. E a gente tem uma brincadeira aqui que o elenco faz, né? Eu ficam meio de fora nesses momentos, mas eles dizem o seguinte: "A gente passou pela CIA Santa. A C Santa nunca vai passar pela gente, ela sempre fica. Com um quadro de mais de 30 artistas cooperados, o elenco trabalha em sistema de revesamento, de acordo com os espetáculos e as produções. Um dos atores é o Lucas, que começou a frequentar as oficinas de teatro aos 5 anos. Aí ele veio, falou comigo no no terceiro ano de oficina, chegou lá na minha porta, Jorge, eu vim aqui que eu quero fazer teatro com vocês viajando, viu? Eu falei: "Mas não pode, Lucas, você tá com 8 anos, tem que ser adulto, tem que ser, tem que ter uma coisa chama DRT, ser profissional". Ah, tá bom. E sumiu. Aí um dia ele apareceu na minha porta, já com essa carona dele atual. Oi, oi, oi. Tudo bem? Tudo bem. Tá aqui meu DRT. Quando que eu começo? Nossa, foi amanhã. Decidido. E começou, nunca mais saiu daqui. Trabalho aqui faz mais ou menos 10 anos, 10 para 11 anos já aqui na Candra. E você participou de quantos espetáculos nesse tempo? Dos espetáculos de repertório. Dos infantis eu participei de todos já. E dos antigos ainda não participei porque não remontaram, mas todos os espetáculos queão que estão encartazados aqui hoje, hoje eu participei de todos. Já participo de todos. Você é bem atuante, né? Sim, sim, sim. E qual o espetáculo que você mais gostou de fazer? Olha, eh, eu gosto de todos, né? tem um carinho especial por todos, mas o que mais me toca é o Pequeno Príncipe. Pequeno Príncipe tem uma mensagem linda sobre você se tornar responsável por tudo aquilo que você cativa e traz uma mensagem mais emocionante ainda sobre o valor da amizade, das coisas simples da vida, né? Do essencial, que a gente não precisa de muito, precisa apenas do essencial, que ele é invisível aos olhos. Bom dia. Ai, bom dia. Bom dia. Bom dia. Bom dia. Meu nome é Rafael e o de vocês fala. Para você, como é fazer parte da CIA Santa? Para mim, fazer parte da CIA Santa é extremamente importante, porque eu sou um menino periférico da periferia, sou uma pessoa com deficiência. Eh, comecei a fazer teatro através das políticas públicas do ponto de cultura, quando eu era criança. E hoje eu tô aqui trabalhando, né? E talvez se não fosse a Canta, não sei nem se eu teria profissão, né? Mas acho que o teatro, esse espaço em especial me salvou de mim mesmo várias e várias vezes. Importante. Importante. Eh, o Jorge falou um pouco da sua, contou um pouco da sua trajetória, né? E o que que te inspirou a a ser ator, a querer, né, correr atrás, buscar e realizar esse sonho? que me inspirou eh poder contar histórias, cada dia uma história diferente, né? Cada dia um espetáculo, poder ser outras pessoas ao mesmo tempo sendo eu. Eh, eu acho que tem uma uma frase de uma cantora que me inspira muito, que diz que bênção a a poesia pra gente poder se expressar. Então, eu acho que poder me expressar, ser quem eu sou aqui no palco é libertador. Que legal. A liberdade é muito importante. É muito importante. E eh por que você acha que a CIA Santa é um Campinas que deu certo? Por quê? Porque a CIA Santa existe há 50 anos, né? Mais ou menos 50 anos. tem esse espaço que recebe jovens, adultos, recebe crianças, eh tem projeto de de curso, de férias, tira as crianças da rua, coloca aqui. Muitas dessas crianças recebem um lanchinho aqui, às vezes vem ao teatro, conhece o que é a cultura de perto e isso é encantamento, né, pras crianças que não tem essa oportunidade. E tudo isso sempre pensando em todos, né, inclusão, né? Eu acho que a C Santa, o mais importante dela é pensar na inclusão de todos, o teatro para todos. Então, e aqui em Campinas, acho que ela deu certo, deu certo por isso. Eu sou um case de sucesso da CIA Santa, eu poderia dizer, como outros colegas também que são. Sim. É, eu acho que foi possível a gente perceber o porquê a CIA Santa é sim um Campinas que deu certo, né? Deu certo para vocês, né? E deu certo para todos. Certo. Sim. Então, acho que assim, a gente pode até convidar todo mundo. Vamos convidar então, Lucas. Vamos. Sim. Venham pro teatro, venham pra Cia Santa. Teatro. Sigam a gente nas redes sociais, Teatro Cia Santa. Acompanhe o nosso site, ciasanta. que lá tem todas as novidades para todos vocês e o ano que vem um ano de muitos projetos e vai dar tudo certo, se Deus quiser. Perfeito. Campinas que deu certo.