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Olá, está no ar mais uma edição do Saúde Agora. Hoje nós vamos falar sobre um hábito que muita gente tem, parece inofensivo, mas que pode impactar seriamente a saúde do seu intestino. Estamos falando da dificuldade ou até da total incapacidade de usar o banheiro fora de casa. Essa condição tem nome. Chama-se Parcoprese, conhecida popularmente como a síndrome do intestino tímido. Para nos ajudar a entender o que acontece com o nosso corpo e quais são os riscos desse bloqueio, convidamos a gastroenterologista Dra. Gabriela Canedo. Doutora, muito obrigada pela participação. Seja bem-vinda. Bom dia. Muito obrigada pelo convite. Bom, doutora, vamos iniciar então, né, falando sobre esse bloqueio, mas primeiramente sobre o que é essa parcoprese. Realmente ela é conhecida como essa síndrome, né, do intestino tímido, o que acontece com o nosso organismo. Bom, a parcoprese é um termo informal, não é um diagnóstico, né? É uma maneira da pessoa se comportar, né? Alteração do comportamento relacionada à dificuldade de evacuar, principalmente quando tá fora do seu ambiente domiciliar, né? Isso pode acontecer em ambientes públicos, em viagens, né? E é relativamente comum, né? E muitas vezes vem desde a infância esse hábito de ficar inibindo a vontade de evacuar. E esse bloqueio ele surge por conta do do medo, da vergonha de ter alguém, né, ouvindo principalmente. isso acaba, né, trazendo esse desconforto, mas ao mesmo tempo isso é prejudicial se for realmente algo assim que eh a ao longo prazo, né, doutora, digamos assim, isso é como que a gente pode perceber o que de fato é apenas um dia assim que eu não estou conseguindo usar o banheiro ou quando tem o sinal de alerta pra gente prestar atenção? Bom, é importante, né, observar sinais de alerta, como sangramento, dor abdominal, distensão, perda de peso, né? São sinais que sugerem algo a mais além somente de alteração comportamental, né? Então, nesses casos, é sempre muito importante procurar avaliação com gastroenterologista para ver se tem algo a mais além da questão comportamental. em relação à dificuldade de evacuar em locais públicos, né, isso pode levar uma isso é uma leva à inibição do reflexo chamado reflexo gastrocólico, que normalmente é a vontade de evacuar depois de uma alimentação. Então isso pode com o tempo gerar constipação crônica, né? Então, a dificuldade de evacuar, as vezes ficam mais endurecidas, aí pode levar extensão, dor abdominal, formação de fissuras no ano machucados por conta dessas fezes ressecadas. Quem já tem, então, por exemplo, algum problema já de intestino, tem que ter mais cuidado. Tem alguns riscos, fatores, né, também de riscos para algum grupo específico, doutora? Bom, o que que a gente sempre orienta? Existem os quatro pilares fundamentais pro intestino funcionar regularmente, né? Então, ingestão de fibras, ingestão de água, né, em torno aí de 35 a 40 ml por kg por dia, fazer atividade física, que isso estimula o movimento intestinal, né, e não inibir a vontade ao banheiro. Então, isso ajuda manter o intestino funcionando regularmente, com fees espaosas, sem dificuldade, sem esforço, né? Então, o grupo de risco, que eu digo assim, são pessoas que têm maior dificuldade de de ter realmente esses hábitos saudáveis, eles podem evoluir com mais constipação, principalmente idosos mesmo, crianças. Então, os extremos de idade aumentam, eh, acabam correndo o risco de ter mais constipação, principalmente se não seguirem esses quatro passos. Eh, você comentou sobre os sintomas, né, sobre febre, perceber algo assim, né, no nosso organismo. Esses sintomas eles eh indicam algum outro fator, alguma outra doença intestinal quando esse quadro já está mais agravado, por exemplo, desse intestino tímido, doutora? Bom, intestino tímido é mais comportamental essa questão de inibir a vontade de evacuar. sinais de alerta como sangramento nas feeses, perda de peso, eh anemia, né, deficiência de ferro, são sinais que podem sugerir inflamação intestinal, que podem sugerir também câncer, né? Eh, sangramento também pode estar relacionado a alterações vasculares, como a presença de hemorroida, né, que é a o aumento do volume das veias ali ao redor do anos. Então, esses são sinais de alerta que devem ser eh realmente a pessoa tem que estar atenta e procurar médico especialista para avaliar se realmente tem alguma doença de base. E sobre essa questão então dessa timidez, dessa vergonha, né, porque é mais voltado realmente pros sintomas emocionais e comportamentais, né, essa questão da pessoa não querer usar o banheiro fora de casa. O que fazer então nessas condições? Eh, doutora, o que que você orienta no sentido de eh viagem, por exemplo, né? Pessoas que vão viajar horas ali no voo ou até mesmo uma viagem de carro, sentiu vontade de usar o banheiro, fica segurando. Isso é prejudicial, né? O que que a gente pode falar para tentar pelo menos eh mudar um pouquinho esse cenário dessa vergonha e dessa timidez? Porque isso pode acarretar um problema futuro grave, né? Sim. Sugestões, né, para melhorar isso, né? Então, às vezes, essa ansiedade tá relacionada à questão da higiene do local, né? Então, hoje em dia, além sim os umedecidos com substâncias eh desinfetantes que podem ser usados pra limpeza da superfície, capas protetoras, né, de plásticas também que podem ser adquiridas em farmácia para colocar também no no vaso sanitário. Eh, existem também substâncias que podem ser borrifadas no vaso sanitário antes de evacuar, que vão minimizar o odor para aquelas pessoas que ficam com medo que alguém venha sentir o odor. E pessoas que às vezes ficam muito tensas e ansiosas podem usar o foninho de ouvido, um som ambiente também para minimizar essa ansiedade durante a evacuação, né? E outra coisa interessante é procurar evitar eh o eh usar banheiros públicos num horário que esteja muito cheio no ambiente. Então isso vai diminuir um pouquinho aquela ansiedade, aquela preocupação que a pessoa possa vir a ter de evacuar. É igual eh no começo, né, do programa a gente falou sobre essa questão mesmo de pode até parecer algo inofensivo, né? Lógico, se é uma vez ou outra. Ah, hoje eu não usei o banheiro, porque tem gente, né, que a gente fazendo as pesquisas, os relatos de que passa à vontade, né, se segura um pouco, depois logo passa à vontade, não vem mais aquela vontade. E isso já é algum alerta também de prestar atenção, porque tem gente que tem aquele reloginho mesmo biológico, né? Consigo ir no banheiro sempre de manhã, né, depois do café da manhã e depois eu não vou mais. Só que tem pessoas que tende ao longo do dia ter, né, essa necessidade, mas que depois passa se não for naquele momento. Isso também acaba dificultando um pouco, né? Sim, com certeza, né? A gente, nós somos uma máquina muito perfeita, né? Então, o reflexo gastropólico, que é justamente isso, aquela vontade de evacuar, principalmente após alimentação. Então, o estômago encheu, a tendência é esvaziar, né? Então, se você inibe, aí depois passa e muitas vezes isso vira um ciclo vicioso, né? Se essa inibição é recorrente. Então, isso pode levar a constipação crônica, né? E isso a gente vê aqui no consultório, no dia a dia, isso é muito comum, principalmente entre mulheres, né, que às vezes estão justamente por isso, estão fora de casa, fora do ambiente doméstico e aí fica inibindo à vontade. Então a sugestão é procurar obedecer os sinais do seu corpo, né? Então e tem como a gente tentar controlar isso também. Então, procurar ir sempre no mesmo horário, todos os dias, para evitar que venha evoluir com constipação crônica. Então esse, na verdade não existe um tratamento, não existe uma prevenção. A prevenção, no caso, é mais aquele reconhecimento mesmo do comportamento emocional, porque a gente fala muito desse impacto, né, emocional que traz. Então, nesse caso, esses sintomas e também essa condição, né, do intestino tímido, ele é muito mais comportamental mesmo do que o próprio físico, né, doutora? Sim, exatamente. Então, terapias de relaxamento, eh terapia cognitivo comportamental quando é indicada e até mesmo farmacológico, quando está associado a quadro de ansiedade intensa. Esse quadro pode estar associado com transtorno de ansiedade generalizada, transtorno obsessivo compulsivo. Aí nesses casos, a gente precisa lançar mão de tratamento farmacológico. Esse paciente então, Dra. Gabriela, não identificar esses sinais ou achar que realmente é algo passageiro ou que não é tão eh grave, né, paraa saúde, tem os riscos de outras doenças, né, com constipação, como você mencionou. Mas algumas informações sobre mitos e verdades que a gente sempre traz aqui no quadro sobre o câncer, por exemplo, câncer de intestino, tendo essas dificuldades, né, essa dificuldade de de evacuar, usar o banheiro fora de casa, isso pode trazer também riscos de câncer futuramente? Não. Eh, essa questão de evitação do hábito de evacuar não aumenta o risco de câncer de intestino, tá? O que a gente tem que pontuar é a questão de sinais que podem sugerir câncer de intestino, como sangramento, perda de peso, mudança abrupta do hábito intestinal. Esses sim podem ser sinais de um quadro de neoplasia, né? Então, nesse caso, não postergar a procura por avaliação médica, né? Então são sinais de alerta e prontamente deve procurar atendimento médico. E falando sobre as prevenções, né, tem como prevenir, no caso dessa pessoa que vai viajar ou que vai, né, fazer uma viagem mais longa e evitar alimentos mais pesados, algo assim que possa, né, contribuir pra vontade de usar o banheiro. Tem também essas orientações? Bom, o que a gente sugere é não inibir a vontade ao banheiro, né? Então, pessoas que tendem a ficar mais constipadas, eh, na verdade, a gente estimula aumentar a hidratação, aumentar a atividade física, né, e dispor desses lencinhos umedecidos, né, desses suportes também pro vaso sanitário para justamente a pessoa se sentir mais à vontade de evacuar fora do ambiente, né, e quando necessário, associa também algum medicamento que ajude a estimular o intestino. o para que ele funcione regularmente, paraa pessoa não ficar sofrendo durante a viagem com a constipação. Então, na verdade, esse acompanhamento ele parte, né, do especialista do gastro e também de uma terapia de algo mais também eh da saúde mental, né? essas duas eh essas duas ligações, né, das especialidades acabam ajudando também essa pessoa de uma forma mais natural, digamos assim, Gabriela, seria isso? Sim, com certeza, né? A gente sabe hoje que o intestino é o segundo cérebro, né? Existe uma via de comunicação que é eh vai dos dois lados, né? vai e volta tanto o cérebro pro intestino e de intestino pro cérebro, então tudo tá conectado. Então é muito importante essa abordagem, né, holística do paciente, né, o olhar integral, a avaliação do quadro de humor, de sono, a parte nutricional, a alimentação, eh tudo isso influencia os sintomas gastrointestinais. Então, uma boa avaliação gastroenterológica envolve isso, avaliar todos esses sintomas do organismo como um todo. E nas suas eh orientações, né, com seus pacientes, eh tem também essas informações sobre o tabu, né, como a gente começou falando sobre a vergonha, a timidez, todo mundo faz isso, né, doutora? Não é algo único, né, exclusivo de uma pessoa só. Então, é algo que faz parte do nosso cotidiano, das nossas necessidades fisiológicas e isso é muito natural, né? A gente tem que tratar esse assunto com naturalidade, né? Sim. E isso vem da infância, né? Então é interessante até nas escolas ter essa abordagem com as crianças, né? Com as meninas, que eu vejo que as meninas muitas vezes ficam com mais vergonha que os meninos, porque isso é fisiológico, né? Não é doença, né? Então, evacuar faz parte da saúde, né? Então, quem tá evacuando direitinho tá saudável. Eh, então, e nas escolas também dispor de papel higiênico, uma higiene adequada nos ambientes escolares, porta com fechadura, né, paraa criança se sentir segura de evacuar sem sem ter medo de ter algum coleguinha ali abrindo a porta. Então isso vem desde a infância, né, tanto no ambiente escolar, ambiente em casa e e o cuidado para não ter aquela pressa, né, de estimular. Às vezes a criança manda logo, você tá atrasado, né? Então a criança tem que ter aquele momento também para para relaxar e conseguir evacuar no momento certo. Então o hábito ele precisa ser criado, né, logo então na infância, né, para já acostumar e não criar, né, essa situação de vergonha e timidez. Então a gente pode deixar essa mensagem, né, para quem tem filho pequeno já começar a incentivar e já educar logo na infância. Exatamente. Vem lá da infância, vem de pequenininho, né? E isso eu vejo no dia a dia aqui de mulheres com constipação crônica, que aí vem da infância mesmo, aquele medo ou vergonha de frequentar o banheiro dentro da própria escola. Tá certo? Dout. Gabriela, muito obrigada pela sua participação, né, por esclarecer e deixar essa mensagem. Então fica então essas dicas e orientações. Muito obrigada pela sua participação. Eu que agradeço. Um abraço a todos. Bom dia. Tenha um ótimo dia. Bom, o saúde agora fica por aqui. Espero que você tenha gostado. Obrigada pela companhia e pela audiência. E você pode acompanhar esse conteúdo na íntegra pelo portal tvcameracampinas.com.br e também em nossas redes sociais. Te vejo na próxima semana. Até lá.