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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar. Hoje, sexta-feira, dia 6 de novembro, te pergunto como você está. Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Bom, quero te convidar paraa gente pensar sobre expectativas, é as expectativas que criamos nos relacionamentos e a responsabilidade que temos com os sentimentos de quem está ao nosso lado. Bom, você começa a se relacionar com alguém, espera mensagens, atenção, demonstrações de carinho e quando essas expectativas não são correspondidas, vem a frustração. Por outro lado, será que precisamos atender a todas as expectativas de quem está com a gente? Até que ponto considerar os sentimentos do outro é responsabilidade afetiva? E quando isso começa a se transformar em cobrança, será que somos responsáveis pelo que o outro sente ou pelas atitudes que temos dentro de uma relação? E como a gente faz para encontrar esse equilíbrio entre cuidado e liberdade? Então, você já deixou de fazer alguma coisa por medo de decepcionar alguém ou já se sentiu frustrado porque esperava mais do que a pessoa poôde te oferecer. Então, participe com a gente. WhatsApp na tela, a gente quer saber de você a sua experiência, a sua dúvida, porque os nossos convidados já estão aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Enquanto isso, você manda sua mensagem, participa com a gente, porque o tema do programa hoje é responsabilidade afetiva e expectativas. 1997293776. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Daqui a pouquinho voltamos ao tema central do nosso programa de hoje. Olha, gente, a Rádio Câmara entrou oficialmente no ar na última quarta-feira, inicialmente pela internet. A emissora funciona 24 horas por dia e transmite reuniões, votações da Câmara, notícias do legislativo, programas sobre cultura, saúde, esportes, além de música de diferentes estilos. Então, para você ouvir, basta acessar rádioocamaracampinas.com.br. Lembrando que a mesa diretora da Câmara já solicitou ao Congresso Nacional a concessão para a transmissão em frequência FM. Então, logo em breve, Rádio Câmara também no seu rádio, no seu DA te acompanhando. Mas por enquanto você pode escutar a gente e nós, claro, aqui do estúdio Câmara estamos ao vivo nesse momento na Rádio Câmara Campinas. Então, muito bom dia para você que está ouvindo a gente, viu? E você que tá assistindo, claro, aquele super abraço de todos os dias. Olha, mais uma informação importante. A Câmara de Campinas realiza hoje, sexta-feira, às 7 da noite, audiência pública para debater o projeto de lei orçamentária, que prevém investimentos de mais de R bilhões 600 milhões de reais para o município. Eh, é para o ano que vem, tá gente? A população então pode participar presencialmente no plenário da Câmara, entrada pela Avenida Engenheiro Roberto M, número 66, no bairro Ponte Preta. Também será possível enviar perguntas e sugestões por meio do formulário que está disponível no site, tá? Campinas.sp.lege.br. E isso durante a audiência pública. O debate será transmitido ao vivo pela TV Câmara Campinas no canal 11.3 TR de TV aberta no canal 4 da Claro, no da Vivo e a transmissão também estará disponível nas páginas da TV Câmara e da Câmara de Campinas no Facebook, no streaming, no site do legislativo, no portal da TV Câmara Campinas e no canal da emissora no YouTube e agora também na Rádio Câmara Campinas, combinado? Previsão do tempo para este final de semana, parece que vem chuva por aí. Vamos conferir então. Olha só, gente, de acordo com a meteorologia, hoje nós teremos sol, mas tem algumas nuvens e pancadas de chuvas isoladas, tá? Então pode ser que chuva no meu bairro, no seu não, mas essa é a previsão porque estamos já com uma frente fria se aproximando e hoje teremos esse tempo assim meio nublado, mas ainda tem sol. 20:29, tá? A temperatura para amanhã sábado, sobe mais um pouquinho a temperatura, porém temos pancadas de chuva à tarde e à noite possibilidade de temporal. Amanhã 20:32, tá? E no domingo chuvoso o dia todo, mínima 15 e máxima 21. percebe que no domingo a temperatura vai despencar, porque se no sábado temos 32 a máximo e no domingo 21, então é sinal de que temos temperatura baixa, chuva e olha, um ótimo dia pra gente ficar em casa, para descansar, para equilibrar, para voltar pra segunda-feira. Mas como precisamos viver o aqui ou agora, volta para mim. Vamos lá, enche a sua garrafinha, pega o seu guarda-chuva e bora viver o dia de hoje. Voltando ao nosso tema central, a gente fala de responsabilidade afetiva, de expectativas nos relacionamentos. Quando começamos uma relação, é natural a gente criar expectativas. a gente espera carinho, atenção, reciprocidade. E muitas vezes a gente imagina até que o outro vai demonstrar os seus sentimentos da mesma maneira que a gente demonstra. Problema, gente, é que quando essas expectativas não são conversadas, quando a frustração vira cobrança ou quando a liberdade de uma pessoa passa a ser interpretada como falta de consideração pela outra, vem os conflitos. Mas também existe outro lado. Até que ponto a gente pode usar a liberdade individual para justificar as atitudes que machucam? Como que a gente faz para encontrar esse equilíbrio que a gente espera, né, e aquilo que a gente oferece? Será que tá do jeito certo? A gente precisa entender sobre responsabilidade efetiva e expectativas. Então, para conversar com a gente sobre assunto, a gente recebe hoje dar as boas-vindas a Evelyn Martins, psicóloga clínica eh e organizacional. Ela é especialista em visão familiar sistêmica e desenvolvimento do potencial humano nas organizações. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua presença. Eu que agradeço, Rúbia. É um prazer estar aqui da gente poder conversar e esclarecer um pouquinho essas questões que fazem parte do nosso dia a dia, das nossas relações. Muito bem, das nossas relações, das nossas emoções, porque isso, olha, é bem delicado e a gente precisa saber como equilibrar tudo isso. Por isso, nós temos para completar a nossa dupla de especialistas aqui do programa, o Flávio Oliveira. Ele é terapeuta integrativo, especialista em psicologia transpessoal e facilitador de constelações familiares e grupos de autoconhecimento. E também atua em temas como masculinidades, parentalidade e diversidade geracional. Uau, seja bem-vindo. Bom dia. Obrigado. Bom dia, Rúbia. Bom dia, Evelyn. Bom dia, pessoal de casa. É um prazer estar aqui com vocês pra gente bater esse papo sobre esse assunto tão importante atualmente. Muito bem. Então, a gente já começa com a Evelyn perguntando, quando a gente inicia uma relação, a gente já leva algumas expectativas sobre como a gente gosta, gostaria de ser tratado. A gente inicia uma relação sem conhecer muito bem a pessoa, a gente já desenha a pessoa que a gente imagina, né? De onde vem essas expectativas? A nossa história familiar, as experiências anteriores? tem algo a ver sobre as expectativas que nós criamos a partir da outra pessoa que a gente vai conviver? Sempre tem. Então, quando a gente começa a se relacionar com alguém, normalmente a gente tem até uma listinha de coisas que nós gostaríamos, né, que o outro nos oferecesse. Então, é o que a gente chama de um ideal. E quando a gente começa a se relacionar, a gente começa a entender e a vivenciar o que é o real e o que realmente é a outra pessoa. E nós carregamos naturalmente aspectos que têm a ver com a nossa história. Então, se eu olho pro outro e desejo muito que ele olhe para mim, que ele cuide de mim, que ele ofereça tudo aquilo que eu desejo, muitas vezes é um desejo daquilo que eu não tive na minha história familiar. Então, por exemplo, crianças que não foram cuidadas, crianças que não tiveram colo, afeto, muitas vezes busca no outro, na relação, busca que o outro cuide dessa pessoa agora na fase adulta. Então, eh, sempre tem por trás das nossas expectativas um desejo muito grande. E na maioria das vezes, o ser humano em si sempre busca o desejo de quê? de ser visto, de ser amado. Uhum. Muito bem. Olha só que interessante. A gente volta lá na infância e todos os programas do estúdio câmera é interessante que a gente vai falar sobre um tema atual, mas a gente precisa voltar lá na infância. E cada pessoa eh chega a uma relação com suas próprias referências, mesmo assim como a Evelyn pontuou. E nem sempre aquilo que representa carinho e atenção para mim é percebido da mesma maneira pelo outro. Nós falamos da linguagem do amor, das linguagens do amor em outro programa. Isso tem tudo a ver. Agora, o Flávio, ele trabalha com grupos de autoconhecimento, com círculos reflexivos exclusivamente para homens. E aí a gente vai perguntar como que essa dificuldade de reconhecer, de expressar sentimentos aparece nesses encontros. Eh, é de que maneira isso interfere na nas expectativas, né, que principalmente os homens criam e nas relações que eles estabelecem? Porque a gente sempre fala da mulher. E aqui eu gostaria que você pontuasse essa questão do masculino também. Sim. Eh, os grupos eles são um terreno muito fértil para explorar esses lugares, principalmente humanos, né, da das relações. E quando nós estamos entre homens e nesse nesses círculos reflexivos, nós queremos um ambiente de segurança, de confiança, para que a gente possa aprofundar um pouco mais essa essa conversa, essa essa partilha. E e é muito comum surgir durante os encontros com homens nos grupos questões relacionadas a um bloqueio emocional. Porque eh isso, como você mesmo falou, Ruby, é muito formado na infância, né? E a construção da masculinidade, principalmente para nós homens, ela ela começa muito cedo, de uma forma muitas vezes equivocada e isso traz consequências depois. Então, quando nós estamos entre homens e aí homens maduros, adultos, embora nesses grupos tenha uma diversidade geracional bem grande, porque tem homens com, sei lá, 20, 20 e poucos, 30 e poucos anos, mas tem homens mais maduros, com às vezes 60, 70 anos. Então, esse essa essa confluência dessas gerações traz um aprendizado muito grande para que a gente possa olhar para isso e falar: "Puxa, se eu soubesse disso antes, eu poderia ter sofrido muito menos na nas minhas relações afetivas ou nas relações sociais, profissionais, etc." Nossa, muito interessante, né? Quando você fala da criação, eh, que bom que nós estamos aprendendo, que bom que as gerações elas vêm evoluindo com o tempo, né? Porque esse negócio de homem não chora, homem é provedoro, o homem é isso, homem aquilo. Pera lá, gente, calma aí. O homem é ser humano e ele pode chorar, ele pode sentir, ele pode eh concordar, ele pode discordar. E a gente vem entendendo e eu acho que a sociedade vem mudando essa forma de pensar. E que bom que as próximas gerações de adultos elas eh possam ter aí um terreno mais eh um jardim mais florido para para no no caminho, né? Então assim, eu acho muito importante essa essa conversa, principalmente sobre o lado masculino. Agora para Evelyn, como é que a gente faz, Evelyn para diferenciar quando você disse a necessidade emocional que pode vir lá da infância, né? Como que a gente faz para diferenciar essa necessidade emocional? legítima de uma expectativa que a gente projeta eh na outra pessoa, porque a gente tem que aprender qual que é a diferença e olhar paraa gente e de repente entender que nós precisamos alinhar algo que está conosco e que vem lá lá da nossa infância. Como é que a gente faz para diferenciar isso? Então, é natural que nós desejamos que o outro eh tenha uma boa relação, né, com a gente, uma relação de afeto, de cuidado, de parceria. Isso é muito natural. Quando é que a gente percebe que isso tá fugindo um pouco, né, da responsabilidade afetiva ou tá partindo já para um controle, ciúmes, essas questões todas? Quando existe um excesso, um exagero. Nós terapeutas a gente sempre fala, todo excesso esconde uma falta. Então, quando eu não tive na minha história, eu vou projetar no outro a necessidade do outro cuidar de mim. E então os excessos, eu sempre falo, né, Rúbia, excesso tanto para mais quanto para menos, quando eu desejo muito que o outro esteja comigo, que o outro faça tudo comigo, então esteja de mão dada, eh, vá no supermercado, no banco, vá na reunião do da escola dos filhos, faça tudo junto, né? Então, tem aí um exagero. Por quê? Porque numa relação afetiva ou em outras relações também a gente tem que ter o outro, eu, meu espaço, espaço do outro e o nós, né? aquilo que nós estamos construindo juntos, aquilo que é bom para nós. Isso é importante. Quando existe então o exagero, é tudo muito. Ou numa outra polaridade, quando um da das uma das partes, ela se omite, ela deixa de estar presente, ela deixa de falar, ela deixa de contribuir com uma construção que é da relação, própria da relação. Então tudo que entra nessas polaridades ou um excesso ou uma falta, a gente pode pensar que existem essas dificuldades que não foram o quê? Olhadas, cuidadas, tratadas. E como que a gente pode caminhar de uma forma mais saudável? Isso aqui que nós estamos fazendo, parando, refletindo, buscando eh autoconhecimento, né? tratamentos, eh, eh, condições de que nas quais nós possamos olhar para essas questões. Aquilo que é nosso, que muitas vezes está guardado e não foi trabalhado, não foi olhado. Quando não é cuidado dói. E muitas vezes eu projeto no outro essa dor, essa necessidade, essa busca, essa ânsia, né, de sentir essa inteza dentro de nós, mas não é o outro que é responsável por isso. Muito bem. Agora vamos imaginar aqui, Flávio e Evelyn, eh, duas pessoas conhecendo, né? Uma começa a criar expectativa de compromisso, né? Enquanto a outra quer viver aquele momento sem definir a relação. Olha só, qual que é a responsabilidade de cada uma nessa situação, Flávio? E aí, como que faz? É, nesse nesse campo das relações, a a comunicação e a conexão entre esses dois seres, esses dois elementos, é muito importante. E eu e eu percebo que nesse campo aí da dos afetos e da dos relacionamentos, a comunicação às vezes fica truncada, porque eh às vezes eu imagino que o outro saiba aquilo que eu estou querendo, né? Eu já ouvi muitas pessoas falarem assim, mas mas era óbvio f assim, óbvio para quem? às vezes é óbvio para mim, mas pro outro não. Ele tá ele tem uma outra visão de mundo, ele tá olhando por uma outra perspectiva. Então é muito importante que isso seja dito, né? E e quando isso não é dito, tem inclusive uma uma frase que diz assim: "Aquilo eh o não dito pesa muito mais do que o dito". Então, quando a gente não fala alguma coisa, isso fica no campo, reverbera no campo e começa a trazer uma tensão. Então, se eu falo alguma coisa, lógico que aí vai muito do da habilidade comunicativa que eu tenho com isso, porque a comunicação é algo que se pratica, que se exercita e entre duas pessoas que ainda não se conhecem, que estão desenvolvendo uma intimidade, uma uma relação de parceria, como a Evelyn falou, elas vêm de origens e de lugares diferentes, de construções da sua personalidade, da sua a sua construção familiar, as crenças. E quando isso se encontra, às vezes existe um choque. E se eu não deixo claro pro outro, se eu não tenho clareza e honestidade na minha fala com outro, isso pode trazer conflitos que depois vão precisar de uma certa habilidade para para ajustar essa esse ruído na comunicação. Uhum. E pensando nisso que o Flávio tá trazendo, Ruber, eu falo que toda e qualquer relação nós temos dificuldades na comunicação. Verdade. Por da onde vem também dessa construção, quanto quando éramos crianças, adolescentes, nas fases da vida, né, nós pudemos ser ouvidos, escutados? Quando é que, né, esses cuidados existem? E o que você quer? E nem sempre o que a criança quer, ela pode, mas tem e possibilidades dos pais, dos cuidadores, oferecer opções, ou isso ou aquilo. E aí já começa escolhas, já começa o processo de expressar, de verbalizar, né? Então, a comunicação ela permeia todas as nossas relações, tanto nos encontros afetivos de amizade, relações de trabalho e é o grande, a grande dificuldade, o grande nói, eu falo, né? E que é preciso olhar, é preciso cuidar disso. Nós temos naturalmente essa dificuldade. Uhum. Né? É difícil uma expressão em que eu posso ter uma opinião diferente, posso pensar diferente e posso escutar também. que o outro pensa diferente e chegar em acordos saudáveis. Muito bem. Agora a gente volta para aquela aquele desenho, aquele cenário que nós fizemos, né? um todo apaixonado, que quer casar e o outro que só quer viver o dia a dia. Vamos lá, a expectativa. Só que aí um deles se afasta, né, e deixa de responder as mensagens, não explica o que que aconteceu. A gente tá diante de uma falta de responsabilidade ou de uma escolha individual. Como é que a gente faz para entender essa situação? Porque um foi com tudo na relação, se jogou de cabeça achando que aquela era a relação da vida. Em contrapartida, não houve comunicação e o outro tava só vivendo um momento. E como ele estava vivendo um momento, o momento finalizou e ele simplesmente deixou a relação. E agora, como é que fica a questão da responsabilidade afetiva e da expectativa? Então, expectativas são são é algo muito subjetivo e muitas vezes a própria pessoa tem uma expectativa, mas ela não tem clareza sobre isso. E se ela não tem clareza nem para ela, ela vai ter muita dificuldade em comunicar isso, né, pro outro. E às vezes a expectativa, isso entra em choque com a expectativa do outro. Então, eh, esse ajuste, né, que passa muito pelo que a gente falou aqui sobre comunicação, eh, ele precisa ser de uma maneira muito honesta, porque primeiro, por isso que os processos de autoconhecimento são importantes, porque se eu não sei sobre mim, se eu não sei sobre o que eu quero para mim e o que eu não quero para mim, eh, isso pode trazer consequências depois, né? Então isso se traduz nos muitas vezes no nos comportamentos, mas eu vejo uma coisa muito importante nessa nessa relação, que é o que é dito e o que é feito, que são as ações. Às vezes as ações elas têm uma incoerência com as palavras. Então, às vezes eu digo uma coisa, mas eu faço outra coisa. como você falou, eh, Rúbia, sobre a esse desaparecimento, essa coisa das vezes a pessoa se afastar, isso pode ter várias motivações e às vezes inconscientes, porque às vezes a pessoa tá com medo, mas ela nem sabe que tá com medo de se entregar para aquela relação. Por isso, os processos de de aprofundamento individual são importantes. Se eu não sei sobre mim, como é que eu vou entrar em relação com uma outra pessoa que eventualmente ou muitas vezes não sabe também sobre ela, né? Então, nessa dança, as pessoas vão vão interagindo, se conhecendo e trazendo a oportunidade de de aprender juntas, né, num modelo de parceria e não como às vezes a gente vê, de uma concorrência, de um querendo disputar com o outro, né? E e aí às vezes surge esse afastamento e que pode ser um jogo às vezes, mas às vezes pode ser algo muito interno que a pessoa não sabe como lidar com aquilo, ela não aprendeu, né? E isso pode ser aprendido também. Muito bem. Pode ir lá. É, Julinho, nós temos até um termo que diz assim, né, entre nessa relação, nessa dança, é um jogo de tênis ou é frescoball? Uau! O tênis é sempre uma competição, né? Vamos ver quem é quem tem melhor desempenho, quem vai estar melhor no ranking, na pontuação. Olha isso. Então, é saudável olhar para isso, como o Flávio trouxe. É bom para mim. é o que eu quero. E nem sempre nós sabemos. Eh, e quando você diz, ah, e o outro pode se afastar, o outro pode não falar nada, pode sumir numa relação, quando um tenta, né, buscar a presença do outro, a parceria e o outro nada fala, nada, é um silêncio total, tem um nome para isso, ghosting, né? Então o outro não se apresenta, é ação. Aquilo que eu disse anteriormente, é a polaridade em que o outro não existe nessa parceria. Ele ele se exenta disso, dessa relação da troca. E o que que gera no outro? Insegurança, né? Com quem eu estou me relacionando? O que que o outro tá pensando? O que que o outro quer nessa relação? Então isso mais destrói do que constrói uma base e uma boa relação. Muito bem. Agora, eh, na sua avaliação, Evely, o que que faz a expectativa de um relacionamento se transformar em um sofrimento, né? Isso a gente fala de relacionamento afetivo, familiar, eh eh entre amigos, né? relacionamento social, porque às vezes você cria uma expectativa e aí essa expectativa não é correspondida e você acaba sofrendo, né? Por que que a gente tem essa tendência de sofrimento diante das expectativas que criamos? A gente sofre quando a gente deposita no outro poder de me fazer feliz, o poder de trazer coisas boas para mim. Nunca vai ser o outro. Sou sempre eu. Se eu não estou bem num aspecto da minha vida, no aspecto afetivo, eu que tenho que buscar o que vai me fazer feliz ou que que recurso eu preciso utilizar para sair da condição na qual eu estou. Então, as projeções o tempo todo, né, eu olhar pro outro, o outro vai me ajudar, o outro vai se responsabilizar por mim. Eh, e aí isso é doentil, não tem como, né? Isso não tem saída. Eu não consigo eh controlar o que o outro pode fazer por mim. Eu falo que nem mal nós controlamos o nosso próprio comportamento. Verdade. Às vezes a gente quer, deseja muito ir numa direção e o que que nós fazemos? Nós vamos na outra. Isso eh existe por trás disso as nossas dificuldades. Por exemplo, se eu sumo numa relação, eu estou com alguém, essa pessoa quer um relacionamento sério, quer um namoro e eu não. E eu sumo, vou embora, né? Eu provavelmente tô presa a alguma situação que me fez mal. Eu tô presa a uma situação, a uma pessoa, né, algo mal resolvido e aquilo não foi eh olhado. E aí eu nessa relação acho, penso que pode acontecer a mesma coisa do outro me fazer sofrer. Então, antes de que eu sofra com essa pessoa, eu, ó, vou, eu parto, eu vou embora e aí eu evito, eu evito sofrer novamente ou expressar os próprios sentimentos. Tem pessoas que têm dificuldade de falar: "Eu gosto de você, eu te amo, eu gosto isso que você faz para mim". Nossa, como você tá bonita, né? Olha, eh eh valorizar o que o outro faz, o sucesso do outro, porque se envolver, porque expressar, porque trazer essas emoções à tona pode significar uma entrega. E se eu já me entreguei uma vez e isso não foi bom, então o que que eu faço? Eu congelo, eu congelo. Eu paraliso os meus sentimentos, as minhas emoções e eu deixo de expressá-las. Olha só, isso traz um impacto eh pro dia a dia, né, para pro social, pro pros relacionamentos em si, porque você por isso que tem gente que fala assim: "Nossa, essa essa pessoa é marrento, né?" Só que não sabe o que aconteceu antes e o porquê da reação dessas pessoas. A importância do autoconhecimento, né? Porque eu acho que quando a gente termina uma relação, eh, antes de iniciar outra, a gente tem que tentar ajustar o que a gente tá sentindo, porque senão a gente pode adoecer o outro também. Sim, sim. Eh, às vezes a gente pode estar adoecido e acabar adoecendo o outro justamente por não saber sobre nós, né? Então, se a gente pegar essa esse binômio, né, responsabilidade afetiva e a gente separar os dois e você olhar, por exemplo, a o que significa responsabilidade, parece que tem um peso, né? Uhum. Mas responsabilidade nada mais é do que a habilidade de dar uma resposta a algo, de lidar com uma situação. E e quando a gente fala de afetos, tá ligado às emoções. Então, a habilidade socioemocional, ela é muito pouco desenvolvida entre nós, na nossa sociedade, principalmente em nós homens. Então essa quando a gente junta esses dois e traz e traz essa habilidade de responder algo que tá ligado às emoções, né? Eh, a gente falou sobre comunicação, mas eu eu vejo que quando a gente fala de afetos, isso tem uma conexão muito grande com esse mar de emoções, esse oceano de emoções que vamos imaginar dois barquinhos navegando, os barquinhos se encontram, mas de repente um quer ir para um lado, outro quer ir pro outro e eles não ajustam a rota para poder navegarem juntos e às vezes pode acontecer um desastre nessa nessa história. Então, eh, ter responsabilidade é ter habilidade de de lidar com esses com esses afetos que nessa construção, nesse campo das relações, isso pode, como a Evelyn falou, né? Eh, eu não sou responsável pelo que eu causo ao outro, mas eu sou responsável pelas minhas atitudes, pelos meus comportamentos. E se eu não for responsável por isso, eu posso causar um dano e não só na no campo afetivo, eh, de uma relação afetiva entre duas pessoas, mas também numa relação profissional, numa relação familiar, numa relação parental, às vezes com os filhos, né? E você trouxe, Rúbia, essa coisa da construção eh da nossa personalidade, da nossa forma de lidar com as coisas. Eh, tem muitas coisas que às vezes ficam guardadas lá no fundo e que a gente não teve oportunidade ainda de compreender e de reconhecer porque nós lidamos dessa forma. E se a gente volta fita um pouco na história e começa a olhar para isso, a gente tem a oportunidade de falar: "Puxa, eu eu posso aprender com essa situação que aconteceu e e ter e dar uma nova resposta, uma resposta diferente, às vezes um pouco mais humana, um pouco mais coerente do que eu tenho dado nas relações que eu que eu exerço na vida. Excelente. Quando você fala em desenvolver a eh em habilidades, a gente precisa desenvolver, voltar a desenvolver as nossas habilidades, né? Porque a gente tem perdido as habilidades. Por quê? Veja se me corrija se eu tiver errada, mas eh essa questão do tudo online, de tudo muito fácil, você não precisa se relacionar pessoalmente, né? Porque é mais fácil. você tá lá atrás de uma tela, você fala é o que você quer, a pessoa entende da forma que ela quiser entender e aí a gente vai perdendo a habilidade da comunicação, a habilidade do relacionamento, a habilidade da paciência, a habilidade do ouvir, tudo isso são habilidades e a gente precisa treinar as nossas habilidades novamente, não é? Sim. O digital, eu acho que ele tem um grande peso nesse nesse campo dos conflitos afetivos e da e dos conflitos relacionais. Eh, tem um tem um autor, tem um escritor chamado Alvin Tofler que ele diz assim: "Os analfabetos do século XX serão aqueles que não forem capazes de aprender, desaprender e reaprender." Uau! Porque a gente às vezes aprendeu um monte de coisa que não cabe mais no tempo de hoje. E às vezes a gente não aprendeu a se comunicar, principalmente gerações mais jovens, acho que principalmente gerações agora que nasceram já no digital. Sim. eh elas têm um muitas vezes tem um bloqueio da da conversa, né? E nós que somos de outra geração, às vezes isso para nós é muito natural. E aí a gente esbarra às vezes no digital nessa forma de se comunicar de uma maneira mais fluída, né? Então, a gente pode aprender muito com as gerações mais novas e e também mostrar um pouco a importância dessa relação humana e dessa conversa sem ser uma coisa beligerante, sem ser algo onde eu tô competindo com o outro, querendo vencer o outro, querendo mostrar que eu posso mais. Porque na comunicação, se você não cria conexão, você não tem comunicação. Então, estabelecer conexão, quando acontece isso que foi falado do ghost, né, da pessoa desaparecer, é como quando você tá falando com alguém no telefone e a linha cai, cadê? Cadê? Morreu, caiu no buraco, foi abduzido, não, né? O que que aconteceu? E você não tem resposta. E às vezes esse silêncio, esse essa lacuna, esse ato, ele ele pode trazer um dano emocional paraa pessoa que tá do outro lado nesse aguardando essa resposta que que não vou dizer que é irreparável, mas pode trazer uma consequência muito grande. É, então é importante os comunicantes ali, as duas partes, saberem que do outro lado existe um outro ser humano que pode e geralmente pensa diferente e que às vezes não tem as mesmas habilidades emocionais que eu tenho, né? Então eu posso também ser um pouco mais compreensivo, acolhedor para lidar com isso de uma forma mais saudável e não às vezes disfuncional. Uhum. E tem um aspecto eh, Flávio, né? a gente pode eh conversarmos sobre isso. Além desse digital e do real e da comunicação, tem a comunicação verbal e a não verbal. Sim. Então, no digital, né, muitas vezes a gente não consegue ter isso. Então, o verbal ou o não verbal é a minha expressão, é a forma como eu me apresento dentro das linguagens do amor. Se eu estou, né, próximo a alguém, um toque, um gesto na direção do outro já está mostrando o meu sentimento e a minha emoção. Então, muito se fala que nós estamos nessa era digital, nunca estivemos tão conectados e de forma global e desconectados. Verdade. Uhum. Então, muitas vezes falta esse até é um sutil, mas que essa comunicação não verbal nós compreendemos e muito, né? Então, precisamos considerar isso um gesto. Às vezes você não fala em palavras, mas é um pequeno gesto. E isso muda tudo nessa conexão, né, nessa relação de afeto, nessa relação de troca. Sim, é muito eh valoroso e importante a troca. Então, toda e qualquer relação, ela se sustenta na troca. Quando eu faço, o outro faz. Quando eu cuido, o outro cuida. E quando a gente vê que um só se preocupa, faz, eh, ajuda o outro, então começa a gerar desequilíbrios, porque um faz, faz, faz e o outro recebe, recebe, recebe, né? Então, eh, o que fica gostoso, o que fica saudável, o que eu sinto que tem alguém que tá junto comigo, lógico que temos as nossas diferenças em alguns momentos, eh, não vai tá bom essa relação, que são os altos e baixos, porque a vida não é linear, nada é linear. E que bom que temos os altos e baixos, porque é nessas horas que a gente vai ver a força dessa relação. Olha aí, que interessante, né? Agora vamos lá, Flávio. Vamos montar um outro cenário aqui, tá? Eh, alguém começa, tem um relacionamento e começa a exigir respostas imediatas, atenção constante, provas de amor, explicações sobre cada passo, né, da outra pessoa. Eh, isso é um cuidado. A partir de que momento a gente precisa eh entender que de repente está acontecendo algo que, por mais que a gente não entenda, tem algo errado nessas ações. E a expectativa, né, e do cuidado dessa relação, ela deixa de ser saudável a partir de quando e começa a funcionar como uma forma de controle. Que que você pode trazer pra gente sobre isso? Sim. Ah, tem uma linha muito tên, né, entre esse cuidado excessivo e o controle, né, porque às vezes ele pode táar camuflado, ele pode tá disfarçado e você, a pessoa que está exercendo esse cuidado excessivo, eh, dizer que aquilo é amor, que aquilo é não, mas eu tô preocupado com você, tô preocupada com você. Só que muitas vezes isso pode vir de um lugar de querer saber, controlar a vida do outro, eh, bloquear a autonomia, né? Porque eu acho que nesse nessa nessa reciprocidade, nessa nessa dança, é muito importante que o outro também, a outra pessoa tem a autonomia para lidar com a vida dela como uma pessoa adulta, responsável. É lógico. Ah, quando a gente tá falando de pessoas, existem pessoas mais jovens que estão iniciando uma que tem pouca biografia, que estão aprendendo. Existem pessoas que já t um pouco mais de biografia, que já tem mais experiência de vida, já passaram por diversos relacionamentos e sabem lidar um pouco melhor com isso. Mas, eh, o controle ele ele pesa e o cuidado ele é leve. Então eu acho que se a gente conseguir, isso é uma linguagem simbólica, né, do leve e do pesado, porque não é uma coisa que se mede na balança, mas é uma percepção que se tem de como está aquele eh aquele movimento, aquela aquela troca entre um, como a como a Evelyn falou, esse dar e receber de um pro outro, porque nem sempre é na mesma moeda. A expectativa às vezes do outro é que se eu ofereço algo eh numa moeda X, eu quero receber na moeda X. E não, às vezes eu recebo em de outra forma, porque a outra pessoa tem outros recursos e outras habilidades que ela pode me devolver aquilo de uma outra maneira. E às vezes não é no tempo que eu espero, é no tempo dela, no ritmo dela. Então, eh, a questão do controle, eu acho que ela ela precisa ser, antes de projetar isso no outro, como já foi dito pela Evely no começo, é importante olhar para mim. Por que eu tenho tanto essa necessidade de controle? Será que isso foi uma construção que aconteceu comigo por outras relações ou por uma característica da minha personalidade? Será que isso é bom para mim? Será que que isso me traz benefícios ou isso me traz um sofrimento psíquico? Isso me eh reverbera também no outro como uma dificuldade de limitar a autonomia? Exatamente. Tem uma questão que o controlador, quem tem necessidade desse controle, ele não consegue ter essa autopercepção. É muito difícil aí nos apontamentos, né? Quando o outro fala: "Olha, isso é demais, né? Aí sãoulos para que o outro, para que o controlador possa repensar um pouco as suas ações. E eu sempre falo, o controle não é amor. Uhum. Amor, existe liberdade no sentido como Flávio falou, cada um cuida da sua vida, que somos seres adultos. Então, as pessoas, né, no lugar do adulto tem a autorresponsabilidade, o autocuidado, né, busco o autoconhecimento. Eu falo que sempre esse é o lugar do adulto. Quando eu delego isso para o outro, eu já tô fugindo dessa condição que é lá a criança que precisa de alguém cuidando de mim. Eu fujo, né, deste lugar. Então, o lugar do adulto é esse. Eu vou olhar para mim, reconhecer as minhas necessidades e eu vou buscar isso. Uhum. Mas também, de novo, na questão do equilíbrio, eh, na relação de adultos, cada um cuida do que é seu, da sua própria vida, das suas necessidades e também tem o momento do nós. Isso é equilíbrio. Uhum. Né? Então, o controle é uma necessidade a mais, vai um pouquinho além. do eu cuidar da minha vida. E tem controladores que cuidam muito pouco da própria vida e cuida muito da vida do outro. Desequilíbrio total. Uau! Pode ir lá, Flávio. Vai lá. É, a Evelyn tocou num ponto muito especial, muito uma palavra chave aqui que é autocuidado, né? Nós estamos no mês de novembro e o mês de novembro sempre convida nós homens a olhar para esse cuidado consigo mesmo, né? E e se eu não sou capaz de cuidar nem de mim de uma forma mais ampla, como é que eu vou poder conseguir cuidar de uma outra pessoa, né? E às vezes esse cuidado ele é ou ele é excessivo ou ele ou ele falta também, porque eu não eu não aprendi a cuidar de mim. Então, esse esse aprendizado de de desenvolver uma uma autonomia consigo mesmo e de cuidar de de si, a Evely tocou num ponto no começo, né? Às vezes a expectativa entre entre um entre duas pessoas é que um cuide do outro, mas eh até que ponto vai esse cuidado? Será que eu tô depositando no outro um fardo, um peso de uma responsabilidade de cuidar de algo que deveria ser responsabilidade minha, né? Então, eh, e eu posso não ter habilidade de de cuidar de mim, mas isso pode ser aprendido, isso pode ser desenvolvido, né? Eu, como trabalho com homens, como atuo com homens, tô sempre tanto na no atendimento clínico, como nos grupos com os homens, eh é muito comum escutarmos os homens eh quando passam por uma crise, uma crise de saúde, uma crise financeira, uma crise relacional, até uma crise profissional, eles não conseguirem cuidar deles mesmos. E aí vem um bloqueio também que é com relação a a não conseguir pedir ajuda, né? já começa que não não aceita ajuda, né? Isso é muito comum. Eu não, eu não preciso de nada, eu tô tá tudo certo comigo, tá tudo bem, eu tô tô lidando com as coisas. Não, não tá bem. Então, se não tá bem, se eu não tô conseguindo dar conta de tudo sozinho, eu posso aceitar ajuda quando ela é oferecida. E se eu não tiver a ajuda oferecida, eu posso buscar apoio, né? Porque se eu não tiver, se eu não estiver inteiro, como a Evely trouxe a questão da inteiraza, se eu não sou inteiro, eu tô pela metade. E pela metade eu não falta alguma coisa. E às vezes eu vou buscar completar essa falta dentro do do universo e da existência de uma outra pessoa. E isso acaba se tornando uma violência. Por isso que tem uma linha também muito muito tênue entre e a e acho que a responsabilidade afetiva é uma é uma porta de entrada paraas paraas violências que a gente tem dentro dos relacionamentos, as violências de gênero, as violências conjugais, porque eu já escutei algumas pessoas acharem que violência é só física, mas não. Hoje existem vários tipos de violência. A violência psicológica, por exemplo, a falta de responsabilidade afetiva é um tipo de violência psicológica e isso pode trazer consequências pros dois lados, né? Hoje muito bem, muito bem. Quer completar? É, aumentando esse nível de violência, de agressividade, é onde a gente chega nos feminicídios. Olha só, né? Então eu não respeito no aspecto eh psicológico, verbal, emocional. E isso vai, esse nível de falta de respeito, de consideração, de cuidado pelo outro, vai aumentando, aumentando, aumentando. É onde nós temos esses altos níveis, índices de feminicídio. Muito bem. A importância do autoconhecimento, a importância da informação, né? A a importância da gente aprender todos os dias. E esse programa aqui tem essa missão e a gente consegue cumprir isso com destreza por conta do aceite de vocês. Então a gente só tem mesmo que agradecer a participação de vocês aqui que nos ensinam tanto todos os dias. A produção tá me avisando que nós temos algumas perguntas, então agora a gente direciona pro pessoal que tá em casa para responder essa turma aí. Vamos lá, cestamos, né? E a gente tá aprendendo sobre relacionamento, gente. E relacionamento não é só eh um relacionamento entre duas pessoas, não, tá? É um relacionamento da vida, relacionamento com a família, com os filhos, o social. E a gente precisa aprender todos os dias. Vamos ver quem tá com a gente. Luciana Ferreira do Chapadão. Olha só, tem gente que fica chateada quando a gente não percebe que ela está triste. Hum. Mas será que é justo esperar que alguém perceba tudo sem a gente falar a bola de cristal? Pois é, né? E a gente tem, de repente, tem uma tendência de achar que a outra pessoa vai perceber e o óbvio, às vezes ele precisa ser dito, não é, Evely? É. Aí volta nas responsabilidades. Eh, eu preciso também expressar para o outro quando eu não tô bem. Isso é importante. Olha, hoje não é um bom dia para mim ou estou triste, né? Se quiser dizer o que aconteceu, mas só o fato de sinalizar. Esse já é um aspecto muito importante, o sinalizar para o outro. Quando você tá bem, quando não tá. Ã, olha, precisamos sentar e conversar. É uma conversa um tanto quanto difícil. Então, o sinalizar ele é importante. Bola de cristal, até onde eu sei, ninguém tem, né? Eu não tenho, você não tem. Nós não temos bola de cristal. E também, Rúbia, o perguntar também é possível. Se eu perceber algo estranho no outro, por que não eu também posso fazer esse movimento? Hum. Porque aí não fica o outro, sempre o outro tem que sinalizar se ele tá bem ou não e eu nada faço. E também, né, eh, eu também posso explorar isso, que é um sinal de cuidado. Se eu percebo algo e pergunto, isso também eh traduz esse cuidado com o outro. Então, a responsabilidade de ambos. Exato. E aí traz eh vem bem de encontro com o tema do programa, responsabilidade afetiva e expectativa, porque o outro tá na expectativa que você pergunta se ele está bem ou se ele está mal. E você de repente pode ter uma responsabilidade afetiva de ir lá e ver e reconhecer que não tá tudo bem e perguntar, né? Você tá bem? Você precisa de ajuda? é o tal do equilíbrio que vocês sempre trazem pra gente. Tem um tem uma coisa muito interessante na comunicação entre grupos ou entre duas pessoas principalmente, né, que é a inferência, né, o julgamento sobre aquilo que você imagina que tá acontecendo com o outro. Por isso, como a Evelyn falou, perguntar, mas às vezes o outro não quer perguntar, às vezes para não ser invasivo, para não comunicar. Por isso a responsabilidade minha, se eu tenho alguma questão, comunicar para o outro e falar assim: "Puxa, ó, eu não tô legal, eu não tô bem, tô com algum problema, não tem nada a ver com você, eu tô resolvendo". ou se tiver intimidade suficiente para compartilhar aquilo e quiser compartilhar também falar: "Olha, é uma uma questão assim assim, às vezes é pode ser uma relação que não exista esse nível de intimidade, mas eu posso comunicar pro outro que aquilo é uma é uma coisa que diz respeito a mim e não à nossa relação." E aí pode trazer uma tranquilidade, porque eu tenho um lema nas relações que eu aprendi a estabelecer, que é assim: "Se você não me fala, eu não sei." Sim, então se você não me falar, eu não, eu vou evitar. Lógico que é é natural que a gente vá pensar, imaginar, julgar, mas aí usar esse recurso da pergunta de falar pro outro: "Olha, eu tô percebendo que você tá diferente de uns tempos para cá você parece que tá meio triste, tá meio chateado, como foi o tema da pergunta, chateado, chateado, que que tá acontecendo? Você quer conversar alguma coisa sobre isso?" E a pessoa pode falar: "Não, eu ainda não sei o que tá acontecendo. Eu não tô bem, mas eu não quero falar sobre isso". E aí entra o respeito. Eu posso respeitar o direito do outro também de não querer falar sobre determinado assunto. Excelente. Muito bom. Agora 851 pode colocar mais uma pergunta na tela pra gente, produção. Vamos lá ver quem é que tá conosco. Pode colocar aí. Vamos ver. Rafael Souza do Parque Industrial. Quando alguém fala que ficou magoado, tem gente que responde dizendo que a pessoa é sensível demais. Isso pode ser uma maneira de fugir da responsabilidade pelo que fez. Olha a invalidação aí, né? Vamos lá, então, Fábio. Eh, aí eu acho que a gente tá falando um pouco sobre o cuidado, né? Sobre o olhar sobre o outro, é achar que o outro lida com as situações do mesmo jeito que eu posso ter recursos e repertório para lidar. Eh, saber que o outro pensa, funciona, sente e se comporta diferente de mim é muito importante, porque senão eu vou de novo inferir e imaginar que a outra pessoa é igual a mim, né? Tem uma frase que tem um um poeta que já diz que Narciso acha feio tudo que não é espelho, né? Uhum. A gente olha pro outro achando e desejando muitas vezes que o outro seja igualzinho eu quero que ele seja, ela seja. e as pessoas são diferentes. Então, eh, respeitar esse essa sensibilidade, porque se eu sou uma pessoa que tem um nível de sensibilidade baixa e a outra pessoa tem um nível de sensibilidade mais alta, é natural que em alguns momentos, em algumas situações, ela expresse que ela sentiu algo diferente do que eu senti ou muito mais do que eu senti. E se eu não ajustar isso e compreender e tiver essa consideração com a o universo do outro, só que às vezes por não saber eh não saber sobre mim, eu nem sei sobre o outro porque não sei sobre mim. Então, de novo, voltamos ao autoconhecimento e ao respeito nessas relações de não ser eh invasivo, não ser violento, não ser desrespeitoso, ser generoso, ser gentil. Uhum. Aqui a gente aprende a questão da validação dos sentimentos, né? É importante a gente validar, né? Porque essas falas assim, ah, vai passar, não, fica em paz, se é forte ou ah, igual e ele colocou, né, na na pergunta, você é sensível demais. Isso é uma forma de invalidar o que o outro tá sentindo, não é, Evely? totalmente. Eh, e a gente precisa sair dos padrões, esses, essas diferenças, elas sempre vão existir, né? Eh, na comunicação tem um aspecto até da comunicação não violenta, chamada CNV, eh, quando eu descrevo algo e falo sobre mim. Então, nessa situação, como eu me sinto, então eu me sinto magoado, o outro pode ficar espantado com o que eu estou falando, mas é a forma como eu me sinto. Sim. Então, esse reconhecimento, essa validação, ela é importante, né? Eh, não dá para eu desconsiderar o que o outro tá sentindo. Ah, não, né? Como você falou, isso passa, né? Mas pode passar em tempos diferentes paraas pessoas. pode passar em condições diferentes. A gente não sabe o histórico de que cada um carrega. Então, respeitar quando o outro fala, quando o outro expressa como ele está se sentindo, isso é fundamental na relação e é o que traz benefícios na comunicação. Excelente paraas relações humanas, gente, isso aí para todos, para todos nós. Importante demais. Agora, 8:54, a última pergunta, produção, e aí a gente vai para as considerações finais. Pode ser? Então, tá bom. Muito obrigada. A Mariana Costa do Cambuí, uma colega de trabalho, sempre divide os problemas pessoais comigo até fora do expediente. Como posso ajudar sem acabar levando todas essas preocupações para casa? Ô, Mariana, tá ouvindo e tá absorvendo tudo, né? Ô, Flávio? E aí, Esponja? Eh, muitas vezes existe uma ressonância entre o problema do outro e o nosso, né? Então, é é importante saber também que eh o que é do outro é do outro, você pode apoiar a outra pessoa. Agora, quando isso pega num ponto muito importante para mim, é natural que você se sinta sensibilizado com a com a questão do outro. E e às vezes essa pessoa pode estar compartilhando isso com você simplesmente para desabafar e não querendo que você traga uma solução para isso. De novo, as perguntas, né? Quando a pessoa te traz algo, você pode perguntar: "Você precisa de apoio? Será que existe algum caminho pra gente resolver isso? Você já buscou ajuda com alguém? Porque senão eu fico querendo resolver o problema do outro, acabo sendo invasivo ou invasiva e não e acabo não resolvendo, porque o que é do outro é do outro, o que é meu é meu. A gente pode apoiar as pessoas em alguns processos, mas eu tenho as minhas questões que muitas vezes, né, existe uma tendência de querer salvar o outro, de querer ajudar o outro, colocar uma capa de superherói e a e as coisas não devem funcionar dessa forma, né? porque eh eu acabo, isso pode ser também eh inconscientemente uma fuga de querer resolver o problema dos outros para não resolver os meus problemas. Então eh eu acho que o cuidado tá nisso, né, de não se misturar, não se envolver demasiadamente, né, com a história do outro e esquecer da minha história e das minhas necessidades, da minha autonomia, do meu protagonismo. Você sabe que eu aprendi isso na prática. Às vezes a pessoa ela quer desabafar com você, ela precisa falar, ela precisa, na verdade, ser ouvida, ela não quer que você resolva o problema dela. Ela precisa soltar um pouco para poder conseguir organizar os pensamentos. Então, ela te procura porque ela quer desabafar, mas ela vai resolver o problema dela. E como você disse, a gente tem a tendência de uau, pera aí que eu resolvo isso agora. bota a capa lá e sai voando. Não é assim, porque depois a gente que tentou ajudar vai acabar se quebrando. Você precisava só ouvir. De repente a pessoa precisa só falar, não é, Evely? É um cuidado que eu falo sempre, quando alguém vem desabafar, trazer, nós temos uma tendência muitas vezes na relação de de amigos, na relação de amizade, como foi a pergunta, de responder: "Se eu fosse você, se eu fosse você, eu tô considerando as minhas questões, o meu repertório, eh, a minha bagagem". Então, isso que o Flávio falou, faça essa pergunta. O que eu posso te ajudar? que tipo de recurso a gente pode buscar se for essa questão, se o outro realmente desejar uma ajuda para além do desabafo. Aham. Muito bem. A comunicação de novo, né? Vamos perguntar. Ouve e pergunta. E se de repente só quer que você só quer ser ouvido, ó. Ótimo, você cumpriu a sua função. Tá bom. Agora 857. Dá tempo? Não dá para mais uma? A gente entrega 9, tem? Se tiver, pode colocar na tela aí pra gente, por favor. Aprendendo muito, hein? Fechando a semana com chave de ouro, com muito aprendizado. Bruno Almeida, do Jardim São Marcos. Ô, gente, desculpa pelo, mas é, a minha garganta hoje tá ruim, tá? Vamos lá. Bruno Almeida do Jardim São Marcos. Conheço pessoas que pedem desculpas, mas logo acrescentam que o outro também teve culpa. Isso pode acabar tirando o valor do pedido de desculpas. Pois é. E tem aqueles Evelyn que fica toda hora. Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, mas ele nunca melhora, só pede desculpas. E agora como é que a gente faz? Vamos responder o Bruno. Então, nesse aspecto, esse pedido de desculpa, que valor que tem. Se eu peço desculpa, então supõe-se um reconhecimento daquilo que eu tô identificando que não foi positivo, que não foi bom, né? E aí eu paro por aí. Então existe uma autor reflexão, mas quando eu tenho a necessidade de dizer, mas você então eu tenho, eu faço aquela meia culpa, né? Uhum. E quando algo não tá dando certo, sempre tem as partes, nunca é um só, né? Porque nós estamos na relação, nós estamos falando da relação. Então, reconhecer o que cada um pode melhorar e isso é positivo. Mas quando eu peço desculpa, tem que identificar que valor é esse, que autorreflexão eu fiz e não ficar apontando para o outro que o outro também tem a parcela dele. Mas não preciso ficar fazendo isso naquele momento, né, que tá sendo feito a reflexão daquilo que eu preciso rever enquanto comportamento e e o que é saudável para essa relação. Uhum. Eh, nessa nessa pergunta eu vejo eu vejo algumas coisas, mas eh tem um ponto muito importante, já que a gente tá falando sobre responsabilidade afetiva e tudo começa conosco, tudo começa comigo. Então, a autorresponsabilidade é muito importante. Se realmente eu cometi uma falha, eu errei, a gente não vai acertar sempre. Então, eh, fugir dessa responsabilidade de que você cometeu algo contra o outro e querer depositar no outro uma justificativa sobre uma atitude sua, isso já começa errado. Então, eu posso até assumir e depois desdobrar para uma outra conversa, mas eh existe uma tendência de querer justificar as coisas e não se responsabilizar. E aí você muda o foco da conversa, você leva isso para um outro para um outro campo e essa questão começa a escalar. E aí aquilo que era o ponto inicial que foi uma falha, eu ao invés de apagar essa fogueira, né, eu falei: "Se a gente quer apagar uma fogueira, a gente não joga gasolina na fogueira, a gente joga água ou a gente no mínimo não coloca mais lenha". Então eh tentar compreender, assumir que errou e procurar fazer uma reparação, porque às vezes as reparações não são feitas, né? E isso acaba sendo, tem um efeito cumulativo disso, inclusive sistêmico, né? E que lá na frente essa conta pode chegar e se você não faz isso por iniciativa própria, a vida vai te cobrar de alguma maneira. É, gente, quanto aprendizado, né? Isso mesmo. Seestamos com responsabilidade afetiva e expectativas. A gente precisa encerrar o programa. Eu só tenho agradecer demais vocês dois. Muito obrigada pelo ensinamento, pelo compartilhamento de informações, pelas orientações aqui no estúdio Câmara. Flávio, vamos encerrar e eu quero que você, por gentileza, deixe uma reflexão aí, principalmente pros homens, né? Acho que novembro é um mês eh que a gente precisa eh eh bater em cima, porque os homens ele têm essa eles têm essa tendência de não buscar ajuda, de achar que são fortes, de de não querer chorar, mas a gente sabe que isso é uma cultura, né? E a gente precisa quebrar esses e essas crenças que limitam, né? Essas crenças limitantes. Então, pra gente encerrar, por gentileza, a sua reflexão, né? e principalmente falando com os homens que estão assistindo a gente hoje. Sim, sim. Eh, eu acho que a o meu convite, o meu chamado pros homens é que a gente possa ser um pouco mais cuidadoso, nós homens, com com nós mesmos. Eu eu digo que durante muito tempo na minha vida eu sofri muito por eu não saber que isso era possível, eu não sabia que eu podia pedir ajuda, eu não sabia que eu eh que eu poderia dizer que eu não sabia, que eu não tava conseguindo, que sabe que eu estava com um problema. Para mim, eu sempre quando alguém me perguntava como tava como estavam as coisas, falava: "Tá sempre tudo bem". Só que não tava bem. Muitas coisas não estavam bem. Mas também porque eu tinha uma crença instalada em mim de que eu era, eu precisava conseguir resolver tudo sozinho e isso é muito cruel com a gente. Então eu convido os homens a saber que a gente pode dividir um pouco esse peso e saber que a gente não não precisa dar conta de tudo, tá? A gente pode ser um pouco mais leve conosco, porque sendo leve conosco, a gente vai conseguir ser mais leve em todas as nossas relações. Ai que maravilha. Muito obrigada mais uma vez pela sua presença, viu? Evely, querida, obrigada por tanta informação compartilhada com a gente. Gostaria que você deixasse uma mensagem aí para paraas mulheres, os casais, né, as pessoas que eh estão vivendo relacionamentos eh sejam de amizade, sejam afetivos, né, a importância da gente ter essa responsabilidade e diminuir, de repente, as expectativas, né? Eh, vou trazer a ideia, né, do novembro azul, do outubro rosa. Olha aí, ó. Aham. Então, os homens podem e devem cuidar de si e nós mulheres também. Uhum. Esse vai ser o caminho mais saudável, onde cada um cuida, né, das suas necessidades. Cada um pode buscar ajuda, buscar recursos para lidar com aquilo que a gente não consegue aqui agora. Uhum. E a Brenebral vai falar muito da importância da vulnerabilidade, ir para a sua vulnerabilidade. E tá tudo certo. Nós carregamos aqui dentro de nós coisas boas, bonitas. Eh, muito nós falamos e temos os círculos, né, de mulheres e de homens, o sagrado feminino e o sagrado masculino. Uhum. Esse vai ser um bom caminho para que a gente possa ter relações eh no equilíbrio, na troca, né? E recebendo, dando e recebendo aquilo que cada um merece. Todos nós merecemos, mas tudo começa por nós. Nossa, que maravilhosa. Muito obrigada pela sua participação e presença, tá bom? Ah, agradecemos você que tá aí do outro lado também. Obrigada por estar conosco. É isso, gente. Expectativas, reciprocidade, cuidado consigo, né? a gente precisa aprender muito. E hoje nós tivemos mais uma oportunidade. Eu quero te falar que esse programa está disponível no YouTube e de repente se fizer sentido para você compartilhe, né, com as pessoas aí da sua rede eh de apoio, da sua convivência, da sua família, porque todo o aprendizado é bem-vindo, gente. Então, agradecendo mais uma vez a sua audiência, a sua companhia. A gente tá fechando a semana com chave de ouro. Eh, mais uma semana de estúdio Câmara. a gente fica muito feliz por essa troca que a gente consegue aqui todos os dias. Eu quero lembrar você que na segunda-feira nós temos mais um estúdio Câmara, né, a partir das 8 da manhã e a gente vai conversar sobre ficar em forma. Eh, será que é possível ficar em forma dentro de casa, malhar em casa, sabe, sem ir pra academia, porque a gente tem uma rotina corrida, OK? Aí o custo da academia não está compatível com a sua renda, né? Aí muita gente acaba adiando a atividade física por conta de várias situações. E aí a pessoa fala: "Vou treinar em casa". Mas será que dá para ganhar força, melhorar o condicionamento e cuidar da saúde treinando na sala de casa, mesmo com pouco espaço e sem equipamentos? Então, na segunda-feira, a gente vai conversar sobre os benefícios e os desafios de se exercitar em casa, como a gente faz para criar uma rotina, manter a motivação e adaptar os exercícios à realidade de cada um de nós, né? E quando a orientação profissional faz toda a diferença, será que é possível ficar em forma em casa? Você aí dá uma olhadinha pra sua esteira. Virou cabide? Então, a segunda-feira a gente conversa sobre isso, tá bom? Um ótimo final de semana para vocês. Ao meio-dia, Câmara Notícia com Gabriel Castro. Programação de final de semana da TV Câmara Campinas está super especial, com grandes estreias dos programas produzidos por toda a nossa equipe do grupo Mais especialmente para você com muito carinho e claro muita responsabilidade, combinado? A gente se fala na segunda. Beijo, fique bem. Bom fim de semana, se cuide e até lá. Ciao