Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando estúdio Câmara no ar. Hoje, terça-feira, dia 27 de outubro, quero te convidar para conversar sobre os personagens que assumimos no dia a dia. Como assim eu personagem? Sim. Você já percebeu que você fala de um jeito com seu chefe, de outro jeito com seus amigos e de outro jeito com a sua família? Então, será que isso é falsidade ou faz parte da convivência? Será que existe uma técnica eh pra gente utilizar, pra gente conseguir ser os o mesmo em lugares diferentes? Então, até que ponto, né, mudar de comportamento é sinal de inteligência emocional? E quando isso se transforma em anulação pessoal, a gente precisa ter o equilíbrio aí entre os nossos personagens. A gente precisa ter o equilíbrio quando a gente precisa de se adaptar ao ambiente em que nós vivemos. Nós vivemos em vários ambientes. Se você parar para pensar, é em casa, é no trabalho, é na escola, é no social. E em cada lugar você é uma pessoa diferente. Será que é? Eh, às vezes a gente fica meio confuso em parar para pensar sobre isso, mas a gente vai tentar entender no programa de hoje. E a pergunta que fica é: até onde você se adapta nessa mudança? Nós estamos sempre vivendo de personagens mesmo? conversa com a gente, manda a sua mensagem para o nosso WhatsApp que está na tela, 199729377 e fala para mim quantos personagens você utiliza por dia. Já parou para fazer essa conta? Ainda não? Então, para, pensa um pouquinho e manda sua mensagem pra gente. Se de repente tem alguma dúvida sobre o tema do programa de hoje ou se você tem alguma experiência dos personagens que você precisa encenar durante o dia, conta pra gente. Estamos aqui para te ouvir e as nossas convidadas já no estúdio porque daqui a pouquinho vamos abordar esse tema, né, sobre os personagens. Será que nós ensinamos personagens todos os dias? Será que é assim mesmo? Vamos descobrir no programa de hoje. Agora vamos com a informação. Campinas realiza na quinta-feira, gente, dia 29, a 21ª edição do Ferão de Emprego e Oportunidades, com mais de 2.300 vagas e participação de 50 empresas. O evento será das 9 da manhã às 4 da tarde no Palácio da Cidade, no centro de Campinas, com processos seletivos, entrevistas presenciais e orientações para quem busca emprego ou quer empreender. Os interessados devem levar documento com foto, currículo impresso e carteira de trabalho física ou digital. As vagas podem eh antecipadamente ser consultadas no site do CEPAT, tá? Então, se você quer consultar as vagas disponíveis, pode acessar lá cepatcampinas.com. e cepatecampinas.sp.gov.br. Tá? O serviço fica onde? Palácio das cidades, na rua Regente Feijó, no centro de Campinas. Entrada, claro, gratuita para você. Boa sorte. E olha só que interessante, a feira de Barão promove a festa do Halloween nos dias 31 e de outubro agora, né? Aí, dia 1eo de novembro, na Praça do Coco, lá em Barão Geraldo. A programação inclui brincadeiras infantis, pintura facial, desfile de fantasias e música ao vivo. No sábado, a feira funciona das 10 da manhã às 4 da tarde, eh, com shows de rock e a partir das 13 horas, né? No domingo, das 10 às 3, a música fica por conta de Felipe Carvalho a partir do meio-dia. O desfile de fantasia será às 2 da tarde. A entrada é gratuita, interessante demais você participar, levar a sua criança também para se divertir. Praça do Coco, na rua Manuel Antunes, novo 822 822 em Barão Geraldo, Campinas. Um abraço aí para todo o pessoal de Barão Geraldo acompanhando aqui o nosso estúdio Câmara. Previsão do tempo para hoje. Vamos ver como é que fica o tempo. Já sabemos que temos aí uma virada de tempo, né, nos próximos dias, mas vamos viver o aqui o agora. Vamos lá. Hoje, mínima 13, máxima 23º, né? Sem chuva, um tempo com sol, algumas nuvens e a gente vai seguindo por aqui. Um ótimo dia para você, um ótimo dia para nós. E agora voltamos ao tema central do nosso programa. Será que nós estamos vivendo de personagens, né? Olha só que interessante, gente. O sociólogo Goffman, eh, ele criou a teoria conhecida como dramaturgia social ou modelo dramatúrgico em que ele compara a vida eh em sociedade eh a uma peça de teatro, né? Segundo ele, todos nós temos o nosso palco e os nossos bastidores. No palco está a maneira como nós nos apresentamos em público, no trabalho, em um encontro de família ou diante de pessoas que a gente quer impressionar. Ajustamos o jeito de falar, a postura e até as nossas reações de acordo com o ambiente em que nós estamos inseridos. Agora, nos bastidores, né, quando nós estamos sozinhos ou com pessoas quem a gente confia, a gente baixa guarda, a gente relaxa, eh e e a gente deixa de se preocupar tanto com a imagem que a gente está transmitindo. E isso não significa que a gente é falso, né? Eh, isso faz parte do nosso cotidiano. Adaptar o comportamento, sim, faz parte da convivência. Mas o que acontece quando o personagem que a gente veste para agradar os outros começa a esconder quem realmente somos? Até que ponto a gente consegue nos adaptar sem abrir mão dos nossos desejos, dos nossos valores e da nossa identidade? Então vamos lá. Para aprofundar essa conversa, nós recebemos aqui os as nossas convidadas que vão nos ajudar a entender os limites entre a adaptação, a autenticidade e a necessidade de aprovação. Então, vamos dar as boas-vindas a Luciana Regina. Ela é psicóloga clínica e mentora de líderes com mais de 20 anos de atuação em desenvolvimento humano e estudos voltados à autorregulação emocional. Uau! Bem-vinda. Bom dia. Obrigada, Rúb. Bom dia. Prazer receber você, viu, Lu? Muito obrigada. Muito obrigada pela sua presença. Lu participou com a gente há há quase um ano atrás e hoje nós temos aí a satisfação de recebê-la novamente. Seja bem-vinda. E para completar a nossa dupla de hoje, Poliana Oliveira, psicóloga, psicanalista e docente universitária com experiência clínica acadêmica em pesquisa na área da saúde mental. Muito bem, seja bem-vinda. Bom dia, obrigada pela sua participação. Bom dia, Rúbia. Bom dia, Luciana. Eu agradeço o convite. É um prazer estar aqui com vocês hoje falando de um tema que é cotidiano porque faz parte da nossa vida, faz parte de como a gente se apresenta ao mundo, mas nem sempre falamos sobre isso, né? Exatamente. E quando falamos, às vezes, eh, dá aquela impressão de falsidade, né? Eh, ah, mas você é de um jeito no trabalho, você é de outro jeito aqui em casa, né? Por que que você não é em casa como você é com os seus amigos? Então essa expressão viver de personagem nos faz pensar sobre a maneira como nós nos apresentamos ao mundo, mas também sobre o que acontece quando a gente sente que a gente tá precisando representar o tempo todo. Um exemplo são as redes sociais, todo mundo performando, todo mundo representando, tá tudo lindo, tá tudo maravilhoso. Ninguém vai na rede social de pijama descabelado do jeito que acorda, né? Ninguém dá um bom dia na rede social quando acaba de abrir os olhos abrindo a boca. né, sem escovar os dentes, não tá todo mundo lindo, maravilhoso, tá todo mundo performando. E aí um exemplo é eh eh da encenação, né, do teatro da nossa vida. Então eu começo perguntando pra Luciana, quando a gente muda o nosso jeito de falar, de agir conforme o ambiente, isso eh eh paraa psicologia é uma adaptação ou já passa a ser uma forma de esconder quem somos? É, é isso, é real. a gente precisa nos moldar conforme o ambiente em que nós estamos inseridos. Ele depende muito da posição, assim, porque eu acho que essa parte da adaptação desse contexto envolve muito a nossa a construção da nossa própria identidade. Então, quando nós estamos falando de nos adaptarmos a a um ambiente, a uma forma de se colocar no mundo, isso tem a ver também com a nossa própria história de vida. Então assim, existe uma forma de adaptação saudável, aonde eu vou pro mundo, eu coloco as minhas ideias, mas eu também tenho uma forma que é um tipo de adaptação que envolve bastante sofrimento, porque aí eu deixo de estar conectada com aquilo que de fato eu sou. Uhum. Então tem eh navega por o que é saudável, o que é preciso, porque é dentro de uma ambiência onde nós estamos inseridos, mas também existe um limear, alguma questão muito sutil, eh, para uma adaptação que causa muito sofrimento. Então, esse é um ponto de atenção que a gente precisa eh olhar, né, e aprofundar. Isso é através de um autoconhecimento, porque aí ele pode causar um sofrimento, inclusive trazer uma carga de julgamento para tudo aquilo que eu estou colocando no mundo. Então esse tipo de adaptação, ela não é benéfica. Muito bem. Importante a gente entender e reconhecer, né, quando a nossa adaptação ela está nos fazendo bem, que faz parte do processo e quando não. Agora eu pergunto paraa Poleana, por que que nós, seres humanos, nós precisamos eh eh tanto de ser aceitos pelos grupos, né? Por que que nós temos essa essa necessidade de pertencimento? Isso o que que a psicologia traz pra gente sobre essa necessidade de pertencimento? Todo mundo eh eh tem isso, eh todo mundo sente essa necessidade. Eu preciso ser pertencente a um grupo, a algo, a a um ambiente. Bom, eu não sei se todo mundo, né, mas a grande maioria de nós, o homem é um ser social. Uhum. Então a gente se agrupa desde desde quando a gente se multiplicou, a gente começou a se agrupar. E e eu acho que através desses processos de agrupamento, de reconhecimento, você vai se identificando. Uhum. Né? E você vai, eh, se sentindo parte, se sentindo pertencente. Isso me faz lembrar de um texto do Freud, eu não me recordo o ano exato agora, mas é o texto de psicologia das massas e análise do eu. E ele coloca muito essa questão de como a gente vai se inserindo e vai se sentindo protegido por estar inserido nessa nesse grupo, nessa nessa massa. Então, eh, eu acho que se a gente partir desse princípio de que o homem é um ser social e de que a gente faz isso para poder tá pertencente, eh, é um é um caminho a se pensar. É interessante. Verdade. Traz a sensação de segurança você estar inserido a um grupo, nem que para isso você tenha que se adaptar a um personagem, né? Para que você tenha aí a socialização dentro desse grupo. Agora, eh, Luciana, qual que é a diferença entre adaptar o comportamento por educação, por eh, precisar pertencer à aquele grupo? Vamos colocar um ambiente de trabalho aqui, né? Então, eu pertenço a esse grupo corporativo, eu preciso me adaptar à situação em que eu eh do meio em que eu estou inserida, né? Então, qual que é a diferença entre essa adaptação e aquela adaptação do personagem em que eu preciso me adaptar a esse personagem para estar agradando o outro? Para estar inserido, eu preciso agradar. Então, para agradar, eu preciso eh colocar um personagem em ação. Qual que é essa diferença de adaptação? fazendo um gancho inclusive com o que a a Poliana tá trazendo. Então, assim, essa questão da segurança, ela remete muito a essa a esse ponto do pertencimento. Então, quando eu me adapto por uma questão de educação, eu tô analisando toda essa parte do ambiente. Então é como eu me coloco, qual que é a minha postura e quando eu vou fazer uma adaptação, é justamente porque existe uma necessidade de de ser aceita, pode acontecer uma necessidade de de aprovação. Então, eu vou modulando todos os meus comportamentos e a minha forma de ser baseada nessa parte da dessa necessidade de de aceitação. Então, assim, e a partir do momento que eu caminho dentro desse território, eh, o que a pessoa busca de uma certa forma é a segurança, que a gente tá falando do do próprio pertencimento. Se eu não tenho essa segurança, é como se a minha identidade ela não pudesse existir naquele contexto. Então, assim, o o que nós vemos eh é muito assim da parte dos grupos sociais, né, essa parte do dos jovens hoje. Então, assim, eu preciso eh caminhar fazendo esse mesmo movimento que eu percebo que o meu grupo ele faz. Por quê? porque senão eu corro o risco de ter uma eh uma ruptura dessa identidade, porque eu não pertenço, eu não me identifico com nenhum grupo. Então eu acho que vai mais nessa linha da própria segurança mesmo e dessa busca por si mesmo, mas através da relação com o outro também. Então, como a Poliana falou, eh, nós somos seres relacionais, nós não tem, nós não conseguimos na realidade viver isolados. Então, a partir desse momento é que cria essa segurança e cria também um contexto para que essa identidade também seja organizada a partir da relação com o outro e com esse todo. Uhum. Muito bem. Agora, esse esforço, né, porque para algumas pessoas é um esforço constante eh você encenar, né, você eh eh colocar aí um personagem à tona para que você possa ser inserido, para que você possa agradar, né? tem pessoas que sentem essa necessidade e acabam eh eh deixando esse personagem falar mais alto para que ele tenha essa segurança, né, eh eh de estar pertencente a um grupo. Poliana, esse esforço que a pessoa acaba fazendo para ser inserido e acaba adaptando esse personagem no dia a dia, traz alguma eh eh alguma consequência paraa saúde mental? Isso isso vai eh causar um impacto, já que a pessoa não está sendo quem ela é de verdade e ela está precisando se adaptar e encenar um personagem para estar inserido em um ambiente. Olha, Ruba, muito interessante essa sua pergunta. E respondendo, né, a partir da psicanálise, que é a onde a minha atuação acontece, eu penso que a gente tá sempre em construção. Uhum. Então, quando a gente pensa quem eu sou, é como se a gente já tivesse definido, como se a gente já tivesse algo que é fechado e a gente está Uhum. Eu me fez me veio uma frase de Heráclito agora que ele diz assim que não se pode banhar duas vezes no mesmo rio porque as águas já rolaram e eu não sou o mesmo de antes, de ontem, né? Então a gente vai se conhecendo, se reconhecendo, a gente vai se identificando, fazendo rupturas de processo de identificação. Então a gente eh continua sendo, né? Então assim, quem a gente é, eu acho que a gente, não sei se a gente chega nessa totalidade assim fixa, mas eh voltando, né, retomando a sua pergunta, se tem algum impacto, né? Uhum. Eu acho que depende muito de como você coloca isso. Eu não acho realmente que o problema seja a gente ter máscaras sociais, porque tem um até um jeito pejorativo de pensar, né? a máscara social, como se a gente fosse falso, como se a gente fosse fake, como se isso não fosse uma questão de adaptação do ser humano. E é, né, eu sou uma pessoa quando tô trabalhando, sou uma pessoa quando estou com meu filho, sou uma pessoa quando estou com os meus amigos. Eh, são formas de você agir, são formas de você articular, são formas de você se comportar, de você se sentir pertencente. Então, a gente vai reconhecendo limites até onde você pode ir, em determinados ambientes, até onde você não pode. Eh, e eu acho que que o problema não é a gente ter essas máscaras, o problema é quando a gente não consegue se livrar de algumas delas. Uau, muito bom. que aí eu acho que pega num num ponto, você falou das redes sociais, eu tava aqui pensando, né? Hoje a gente tem um um leque de influencers e não é novidade assim, às vezes sair alguma coisa na mídia, a pessoa ela tá tão identificada com aquele personagem, com aquela persona, que ela com ela tem uma dificuldade muito grande de sair daquilo em outros contextos. E aí você escuta, né? Ai, o que o que vão pensar, né? Ah, eu vendo produto para emagrecimento. O que vão pensar se descobrirem que eu fiz uma lipoaspiração? Uau! Verdade. Desconstrói. Desconstrói a imagem. Quando a gente parte para pensar sobre essa essa dificuldade de se desfazer um pouco, de transitar entre as máscaras, eu acho que a gente tá falando de um uma questão mais não tão saudável assim. Uhum. porque a gente entra nesse nesse aspecto do próprio julgamento. Então assim, como que eu vou fazer isso, né? Sendo que também acho que me faz pensar sobre uma questão assim, mas como que eu vou eh fazer isso, sendo que eu não sou tão perfeita nisso? Então assim, aí é onde ocorre esse papel de máscara que no sentido eu preciso, não, eu preciso estar perfeita nisso para poder então eh me colocar no mundo e me colocar e ter esse senso de pertencimento, né? Então assim, eu acho que hoje em relação a essas redes sociais, a gente vê uma carga de julgamento muito grande, eh, e isso faz com que a pessoa se distancie mesmo desse, dessa essência que ela tem, desse eu, né? E aí quando a gente vai olhar também bastante para essa parte da história de vida das pessoas, existem máscaras, vamos chamar de máscaras, ou então eh são formas em que a pessoa encontrou para se proteger do que ela pôde viver, né? Então assim, eu assumo um determinado papel, eu assumo uma determinada posição na vida, no trabalho, em tudo o que eu faço como uma forma de proteção. Então, para você desconstruir essa proteção, ela precisa ser muito gradual. Por quê? Imagina uma vida que se constituiu eh a respeito dentro daquele papel. Então, à medida que chega uma possível mudança, isso é extremamente ameaçador, né, então assim, essa ameaça pode fazer com que a pessoa crie de fato uma resistência e aí continua no sofrimento, na adaptação que causa sofrimento que a gente falou. Uau! Olha só quanto ensinamento e interessante, eh, porque a gente consegue aprofundar nessa e eh nessa questão diária que nós temos de, eh, transitar pelas máscaras, né? Gostei de, como você disse, Poliana, porque sim, nós estamos transitando por máscaras e e tem pessoas que acabam não entendendo de repente a a importância desse transitar pelas máscaras, né? E a importância também de você tirar sua máscara e colocar no armário, né, em algum momento. Porque a quando você fala dessa questão e eh que você trouxe de a gente demonstrar a nossa vulnerabilidade, porque faz parte, é importante que a gente demonstre, que a gente mostre que nós somos vulneráveis, não a todo tempo, claro, mas é importante. Qual que é a importância da gente, quando a gente fala de viver personagens, qual é a importância da gente parar um pouquinho e lembrar que nós somos vulneráveis e que sim, nós podemos eh mostrar ao mundo também a nossa vulnerabilidade? Uhum. Porque a vulnerabilidade ela nos coloca num lugar de risco, né? Então assim, eh, se eu me sinto vulnerável sendo quem, se eu não tenho o pleno conhecimento, na verdade, de quem eu sou, ou eu sei das minhas sombras, eu sei, né, dos meus eh das minhas dores internas, então assim, como que eu vou poder mostrar isso pro outro e será que o outro vai me aceitar? Então assim, porque a própria experiência de vida muitas vezes ela conta, né, que o fato de ter demonstrado essa essa vulnerabilidade, a pessoa não foi aceita. Não é que ela não foi aceita, mas o outro talvez tinha um jeito de pensar, tinha um jeito, né, de olhar para tudo aquilo. Então a pessoa, de uma certa forma ela se fecha. Sim. E aí é onde ocorre esse esse isolamento interno, inclusive até paraa pessoa poder ir além dessa, né, dessa desse medo de se colocar vulnerável. Então a nossa vulnerabilidade na verdade é a nossa humanidade. Uhum. E não tem nada de errado em mostrar de fato quem eu sou, né? Muito bem. Eh, a gente falando de máscaras, falando eh de vida, sendo vivida eh a partir de personagens, né, de palco, de teatro, nós estamos, a nossa vida eh eh é um teatro, a gente tá aqui e a gente acaba eh hoje nós eh eh estamos num personagem, amanhã nós estamos em outro, a vida é movimento. E aí me vem uma ideia do rapor, né? O rapor ele faz parte da nossa vida. Eu vim aprender sobre rapó em um curso de programação neurolinguística e achei muito interessante essa questão da adaptação nos ambientes através eh da do pertencimento, né, que é a questão do rapor. Eu gostaria que você explicasse pra gente, Poliana, sobre eh esse esse negócio de eh nos adaptar eh dentro de uns um ambiente e fazendo com que a pessoa ela se sinta pertencente, ela se sinta parte de nós. O rapor traz isso pra gente, porque o rapor nada mais é do que você se comportar eh de forma parecida com a pessoa que está na sua frente. Para quê? Para que ela tenha segurança, né, que foi o que você trouxe pra gente, para que ela tenha segurança de interagir com você. Então, a necessidade, a importância desse comportamento, dependendo da situação e do ambiente que a gente se insere. Olha, eu fui te ouvindo aqui e pensando eh em como a gente vai se como a gente vai se desenvolvendo a partir do desejo do outro. Uhum. Verdade. Então, nós somos falados mesmo antes da gente nascer. Falam sobre nós. Uhum. Meu pai, eh, um dia eu perguntei para ele: "Pai, e se eu fosse menino, como que eu ia chamar? Ah, já tinha nome? Não, não, era menina mesmo, né? leu o livro Poliana e aí gostou da personagem e tal, que joga o jogo do Contente. É um livro que ficou conhecido. Uhum. E eu vou ter uma filha que vai chamar Poliano. Não tinha possibilidade, não tinha um nome pro menino. Então assim, nós já somos pensados antes de termos nascido. Nós somos pensados a partir do desejo de quem tá ali fazendo a função paterna ou materna. Pode ser o pai, pode ser a mãe, pode ser um avô, pode ser um avó, quem faz a função. E aí a gente já parte do desejo do outro em relação à gente, né? Ah, esse aqui vai ser o médico da família. Uhum. Ah, esse vai ser a alegria da família. Então, a gente vai ouvindo coisas e a gente vai entendendo o que a gente precisa ser para continuar sendo desejado por aquela pessoa, para continuar sendo amado por aquela pessoa. Ó, um exemplo que me veio à mente agora. Eh, eu eu tenho um filho de 3 anos, então tá bem eh ehvescente por conta da idade dele, essa questão da formação, da identidade, né? O desejo dele ainda tá tá muito atrelado ao meu, aquilo que ele identifica como meu. Fui buscá-lo. Ele fica numa casa de brincar, foi buscá-lo esses tempos atrás assim e ele saiu tomando uma garrafinha de água. Uhum. E eu, ai que lindo, tá tomando água, se hidratando. Muito bem. Depois desse dia, todos os outros que eu fui buscar, ele saiu, né? E aí me mostrando, né? Ó, ó, tipo aqui, tô aqui, tô tomando, mesmo que não tivesse com se tá tomando água, né? Era o elogio. Exato. A gente vai aprendendo. Ai, deu risada. Ei, que lindo, bebê. A gente vai aprendendo que para ser desejado a gente tem que corresponder. A criança não tem esse raciocínio, mas a assim tão lógico, né? Mas a gente vai entendendo o que a gente precisa fazer para manter o Toda demanda é uma demanda de amor. Já diria lacan. Olha aí. Então, a gente vai entendendo a partir do outro eh o que eu preciso ser, o que eu preciso corresponder. Aí eu trago a Inicot, que é um psicanalista inglês, que ele fala da questão do falso self, não de você ser falso, mas eu acho que de você tentar eh sustentar isso. Uhum. Porque o ambiente tá pedindo para que você sustente determinada personagem, determinada questão. Sim. Uhum. Né? Você falou do rapower. Sim. Hum. Então eu acho que a gente vai, é isso, a gente vai eh se constituindo a partir do olhar do outro. Como que a gente se livra disso depois? Então, né? Eu sou psicóloga, você acha que eu tenho crise? Imagina. Não, né? Tem problema, gente. Dentista ter dor de dente nunca. Cardiologista ter problema, não. Jornalista ter, né? Mental, esquecer as coisas. Quando que a gente pode se permitir? Tenho todos os meus problemas resolvidos assim, tenho a resposta para tudo, distribuo o conselho para todo mundo, né? Porque é isso que pensa sobre Então, eh, é, é mais ou menos nessa linha assim, né? Entendi. É verdade, né? A gente fala, fala, mas a gente volta ali a a ao início, que é sempre fazendo de tudo, vestindo máscaras para ser aceito, para agradar, para pertencer. Eu gosto do de nomear essa experiência enquanto a Poliana falava sobre o filho. Então esse é o comportamento adaptativo. Isso. Então assim, o comportamento adaptativo faz a gente de uma certa forma tá buscando um reconhecimento, tá buscando, né, esse senso de eh a necessidade de ser amado, de ser reconhecido o tempo todo. Então assim, nós vamos nos adaptando. Então podemos ter os comportamentos adaptativos também para um viés que seja muito positivo, mas também a gente tem os comportamentos que foram adaptados em função de histórias eh traumáticas, inclusive a gente pode trazer um pouco aqui, né? Então assim, e aí a busca por essa a reconstrução dessa identidade é o trabalho, né? É esse caminho de olhar, mas ao que que é eh aonde eu tô me adaptando que não é tão saudável, né? Então a criança ela faz muito isso e a gente vai levando esse tipo de padrão paraa vida adulta mesmo, né? E aí, dependendo do nosso contexto de de história também, né? Uhum. E quando a gente se adapta tanto, a gente tem tantos personagens, né? Eh, e quando chega ao fim do dia, a gente se olha no espelho, Poliana, e a gente nem sabe quem a gente é. Eu acho que você tá me dizendo sem falar que às vezes bate um cansaço de uma certa forma. É isso. Eu acho que se for Aham. Ai que que começo lindo, né? Porque se bateu o cansaço, cheguei no meu limite. Uau! Muito lindo, né? Porque quando a gente não se dá conta, que eu acho que é o real o real problema, porque você vai só se reproduzindo. Uhum. Você não sai daquilo, você não não não consegue transpor. Mas eu acho que quando você faz essa distinção, né, quem começa a se questionar Uhum. É um começo, um começo para você eh delimitar os seus espaços, para você se perguntar, isso faz sentido? Porque adaptáveis nós somos, né? A Luciana colocou muito bem. É, é do nos parar para pensar, fomos forçados numa esfera global por conta de uma pandemia. Hum. Verdade. Uhum. Quando que nos adaptamos? Gente, quando que eu ia imaginar, exato, não pode sair de casa, não pode ter contato com as pessoas, nós conseguimos, né? A gente conseguiu. Então isso é a nossa natureza e é da natureza se adaptar. Verdade. Você vê um um um planta em determinados contextos, o que ela faz para poder se adaptar, um animal, o que ele faz para se adaptar. E a gente vai na mesma linha. Sim. É porque e aí essa parte do do adaptativo, assim, somos totalmente temos essa capacidade em nós, mas a questão é quando chega algo novo, algo que incomoda nessa linha do que a gente tá falando, como que eu desaprendo essa adaptação que tá muito enraizada para fazer a construção desse novo? Nossa! E aí é que dá muito trabalho para sair, né, dessa. Então assim, existe uma necessidade da gente se adaptar e OK, mas também existe uma parte nossa que assim e ela gosta tanto desse formato que já é tão conhecido que a partir do momento que se torna tão conhecido, às vezes cria até uma certa resistência para poder sair desse lugar. Ah, mas tá tão bom aqui. É tipo o colo quentinho, né, da mamãe, o bebê lá, né, na gestação. Então, assim, é esse quentinho, tudo o que é conhecido. Então, o comportamento adaptativo também ele acaba vindo muito nessa linha, né, mas que tem uma necessidade da gente também se abrir para criar esse espaço pro novo. Muito bem. Agora 8:38, nós estamos falando aqui sobre as máscaras, né? As máscaras que nós vestimos durante toda a nossa vida. Ai, Rúbia, mas eu não uso máscara nenhuma. Que isso? Eu sou autêntico. Será mesmo, né? Para pensar. Será que somos assim autênticos? Você é uma pessoa só do início ao fim da sua vida? Eu acredito que não, porque nós estamos em movimento, né? O que eu sou hoje, a Rúbia aqui hoje, amanhã já pode ser outra, já pode pensar diferente e tá tudo bem. Nós somos seres adaptáveis, como vocês trouxeram pra gente. Então é importante a gente parar para analisar, porque muita gente às vezes se cobra, né? Se cobra porque tem que encenar um personagem, tem que, né? Imagina um líder em uma empresa gigante. Essa pessoa, ela tem as vulnerabilidades, ela tem suas fraquezas, ela chora, ela ri, ela pode ser mãe, pode ser pai, pode ser cuidador, pode ter um problema em casa. Eh, tem várias situações que lá na empresa, onde ela é o líder, ninguém nem imagina que ela tem. Por quê? Porque lá ela não demonstra a sua vulnerabilidade, porque lá ela precisou encenar um personagem onde ele é o líder, ele tem o discernimento, a sabedoria e ele precisa liderar, né, toda aquela equipe. Agora você imagina o peso de uma pessoa, desse cenário que eu montei aqui, imagina o peso que essa pessoa pode, né, pode ser que ela sinta no retornar para casa e ter que encarar a sua realidade, né, o seu mundo real. Então tem aí eh eh dois pesos e duas medidas quando a gente fala nessa adaptação. Dois pesos e duas medidas quando a gente fala sobre viver os personagens que a gente precisa encarar no dia a dia. É isso. É essa. Eu acho que pegando esse esse ponto que você trouxe, Rúbia, da liderança, assim, eu acho muito importante esse tema de hoje, porque assim, a liderança hoje ela vive uma pressão muito grande pela entrega dos resultados, pela gestão da equipe, por tudo o por todo o papel que esse líder ele exerce nessa função, exerce nesse local, nesse contexto, mas a gente nunca pode esquecer que atrás desse papel existe um capital humano. Existe uma pessoa humana que ela tá carregando muitas vezes eh questões pessoais ali que t um impacto muito grande. Então assim, hoje eu tenho trabalhado com a autorregulação desses líderes. Então assim, trabalhar esse ponto da autorregulação é justamente aumentar esse campo de resiliência interna. na questão do comportamento, das emoções, porque a partir do momento que você e hoje as empresas elas têm trabalhado mais essa questão da das emoções, então isso tá sendo um caminho muito bom, existe um caminho muito longo pela frente, mas eu acho que já começamos a dar os primeiros passos. Então essa autorregulação, na realidade ela ensina o líder a cuidar de si mesmo para depois então ele fazer todo esse paralelo de ir cuidando da gestão, porque quanto mais centrado, mais organizado internamente, mais ele vai dar conta dessas eh dessas demandas que tem ao longo do dia, do trabalho, da própria responsabilidade que ele tem. Então assim, eh, essa autenticidade também agora falando de forma geral, ela tem muito a ver assim com a questão dos meus valores, a questão dos meus limites. Então, assim, eu estou me respeitando, eu tô sendo verdadeira comigo mesma quando eu digo sim para algo ou quando eu digo não para algo. Uhum. Hum. Então isso é ser autêntico, não é uma questão de, porque às vezes as pessoas acham que a autenticidade é o egoísmo, né? Ah, não, eu vou pensar só em mim e vou fazer só dessa forma. Não é isso. Mas existem momentos que a vida pede para você fazer uma escolha que é de você se escolher. Uhum. Porque você tem caminhos a percorrer. Então não é abandono do que tá ao seu redor, mas é um centramento de modo que você possa ser autêntico com você mesmo. É a sua verdade, né? Também muito bom. Olha só quanto conhecimento, né? transmitido aqui nesse momento, a gente falando sobre algo que acontece no nosso dia a dia. A gente não percebe, a gente não percebe, a gente faz, é, é meio que inconsciente já. Eh, eh, Poliana, essa, essa mudança de personagem. Vamos lá. Eu levantei, fui brincar com meus cachorros, tomei um café, cabelo para cima, roupão, tá? Nem escvei os dentes, porque daí depois eu fui tomar um banho, fiquei 20 minutos no chuveiro, me ajeitei, entrei no carro, a Rúbia ainda, né? Ah, Rúbia de casa, tá? Entrei no carro, tal. Trânsito motorista. Vamos lá. Presta atenção no trânsito. Vem aqui, vem ali. Chegando aqui. Opa. Ah, bati o meu dedinho lá no ponto. Vamos lá, Rúbia jornalista, né? Rúbia tá aqui apresentando o programa para vocês. Então, eh eh a a gente vive nesse nesse momento de de várias faces, né? E isso não é falsidade, isso faz parte de nós. A gente só precisa saber quem somos pra gente poder depois no final do dia voltarmos para nós mesmos, né? É. Viu que hora você acorda para fazer tudo isso antes de tá aqui? A Rúbia acorda 5:30 da manhã. É, Rúbia acorda 5:30 da manhã. Mas você sabe que é bom, já acostumei e o relógio biológico que funciona é uma maravilha. Mas eu preciso acordar 5:30 para poder vir em personagem, né? e não ter neva mental e não esquecer e dar uma lei uma uma lida num roteiro, porque senão não tem jeito. Tá vendo só como a gente se adapta, né? Tá vendo só como eh faz parte? E as psicólogas também se adaptam, né? Elas estão aqui, são psicólogas, elas estudaram para isso, mas atrás dessas mulheres, né, que nos aconselham, que nos orientam, que estudam para eh que a gente possa saber quem somos, né, para para que a gente tenha aí um caminho mais leve durante a nossa estrada da vida. Essas mulheres também adoecem, também tm seus problemas, também choram, também fazem terapia, né? Mas hoje, nesse momento, estão aqui como as nossas personagens, né? As personagens, elas são psicólogas, psicanalistas e estão para nos orientar. É mais ou menos isso que acontece na nossa vida. E tá tudo bem? Tá tudo bem. Até onde? Até onde a gente não se sente oprimido, até onde a gente não sente que não vai de encontro com aquilo que a gente é capaz de sustentar. Uhum. É OK, né? Eu acho que começa a não ficar saudável quando exige muito de você para para aquilo poder funcionar. Porque adaptar a gente vai, né? A gente tá falando isso aqui desde desde o começo, mas até que ponto é até que ponto eu me permito e até que ponto eu eu sustento me sustento nesse personagem e e não é só isso. Por quê? Eu tenho que me perguntar qual o sentido, né? Né? Qual o sentido disso, né? Não é só eu dou conta. Uhum. É por eu quero dar conta. Sim. Por que eu quero continuar nesse mesmo lugar? Porque eu quero não perder essa representação que eu tenho para determinada pessoa. Humum. O que eu tô Essas perguntas a gente tem que se fazer, porque a gente se mantém eh a maior parte das vezes a gente se mantém nesse mesmo lugar porque a gente tem medo de perdas que vem. Uhum. Se eu sempre fui a mulher que dá conta de tudo e quando eu não der, quem eu vou ser? Às vezes eu tô tão identificada com o papel que eu também não sei quem eu sou sem aquilo. Uhum. Quando a gente vai se descrever, a quem é você? Aí você vai, ah, eu sou psicóloga, eu sou, você vai falando dos papéis sociais que você ocupa, né? Examente. Uhum. Então, eh, eu acho que que por essa, partindo dessa lógica, quando a gente começa a a não mais sustentar, não mais suportar, tem uma questão aí que precisa ser vista, precisa ser fazer essas perguntas, né? Por quê? O que que eu tenho medo de perder? Por que que eu ainda me mantenho nesse lugar? Porque eu porque isso vem de um pensamento infantil e que a gente vai reproduzindo ao longo da nossa existência. tendo essa manutenção, como eu trouxe o exemplo do meu filho, sim, ele se desvincula, é esperado que determinado momento da vida dele ele se desvincule um pouco, né, ou muito de mim e ele vai ter as interações sociais, vai ter e aí ele vai escolher outros objetos, né, outras pessoas que sejam referência e tal para ele eh continuar tentando ser desejado por essas pessoas. pertencente, pertencente, pertencente. A gente paga um preço alto, dificilmente a gente se dá conta disso. É verdade. Você falando aqui, eu tô imaginando, dificilmente a gente se dá conta disso. Dificilmente é a gente paga, vai meio que no no inconsciente. A gente vai fazendo, fazendo, fazendo. quando vê já fez já fez para se adaptar sem perceber às vezes que a gente tá fazendo o que o que estamos fazendo, que eu estou vestindo um personagem para me adaptar, para se sentir pertencente àquele ambiente. Bem interessante. 8:48. A produção tá me avisando aqui que nós temos algumas perguntas, tá? Então vamos lá. Quem não sabe do que a gente tá falando, começa a escutar a gente conversar, falar assim: "Nossa, mas o que que essas mulheres estão falando em pleno 8:48 da manhã falando que eu tô vestindo máscara, falando que eu tô que eu sou personagem, falando que eu não sei quem eu sou." Gente, é é bem interessante porque eh de um assunto nós conseguimos assim eh rascunhar situações que fazem parte do nosso dia a dia e que a gente não percebe e que é importante a gente eh ter a percepção de quando eh essas máscaras, esses personagens começam a nos ferir, a nos fazer mal. É o momento de parar, de dar um passo atrás, de olhar, né, o amplo e ver o que faz sentido, né? O que que está fazendo sentido. É o que pole trouxe pra gente. Por que eu preciso fazer isso? O que isso representa para mim? Qual o peso que isso tem na minha vida? Qual o sentido que isso tá fazendo, né? E aí você volta para si e vê se faz sentido. Se fizer, continua. Se não fizer, recua e analisa, né? vai para um ponto de equilíbrio aí e tenta recomeçar e seguir novamente, que a gente sempre consegue, né? É, mas a gente precisa cuidar com os pesos que nós carregamos, que às vezes nem são nossos. E por conta desses pesos, a gente se obriga a vestir algum tipo de máscara que também não está a contento e a gente acaba daí ã ficando triste e de repente desencadeando algo bem mais sério que vai precisar de uma intervenção. E isso é sério quando a gente fala, porque a gente acaba se perdendo, a gente acaba perdendo a nossa identidade. E a partir disso, quando não sabemos quem somos ou o que queremos, aí o negócio fica bem desafiador. É por isso que a terapia existe, é por isso que é importante a gente conversar com essas mulheres aqui, para que a gente possa é ter orientação de como a gente deve seguir a vida. É isso, gente. 8:50 pode colocar a primeira pergunta na tela. Falo demais, né? Mas adoro falar. Vocês vão abrindo a mente assim, ó. Vai vindo coisas aqui, ali, a gente vai falando. Felipe Souza, Nova Europa. Quem cresceu ouvindo que era igual ao pai? Nossa, Felipe, é verdade. Quem cresceu ouvindo que era igual o pai ou a mãe, pode sentir algum tipo de influência na forma de ser ou agir? Ou todos nós acabamos desenvolvendo nossa própria personalidade? Essa frase, você é igual a seu pai, você é igual a sua mãe. Não sei até que ponto isso é benéfico, né? Tem muita gente que cresceu ouvindo isso, né, Paulena? Tem. Então eu acho que assim a nossa própria personalidade, a gente vai se identificando positivamente ou negativamente. Eu quero ser parecido com ou eu quero me distanciar daquilo que eu não admiro. Sim. E mesmo querendo fazer esse esse distanciamento, às vezes a gente acaba assim eh sendo parecido ali, né? Mas eu acho que é é tudo isso. A gente é influenciado por aquilo que a gente conviveu, por aquilo que disseram pra gente, de quem a gente era, de quem gostaria que que a gente fosse, pelo meio que a gente vive, porque a gente precisa de ser personagem. Se não fôssemos influenciados, não precisávamos de personagens para estar pertencente a um grupo, não é? A hora que você disse do do da ambiência, eu acho que quando você tem um ambiente seguro, é onde você tá mais próximo de poder transmitir, né? Eu acho onde você tá mais próximo. Eu acho que complementando o que a Poliana tá trazendo também, primeiro que assim, eu na minha linha de trabalho, eu acredito muito que nós recebemos todas as características de pai e todas as características de mãe. Isso é fato. Estamos aqui porque existe um pai e uma mãe ali. A a a colocação do Felipe é muito interessante porque assim, me parece que existe uma fala de comparação. Uhum. Então assim, quer dizer, eh, se uma pessoa talvez se incomoda com o que o outro está trazendo, eh, então assim, você é igual ao seu pai ou você é igual a sua mãe, você é igual a tal pessoa. Então, é esse ponto que a gente precisa se policiar hoje na vida, justamente porque às vezes é uma comparação, mas num tom mais negativo do que o positivo. Exatamente. Ex. Então assim, e é muito mais fácil o ser humano ir para essas questões negativas do que pelo positivo. Então, olhar, por exemplo, ah, você é muito parecido com o seu pai, mas numa questão positiva do do sentido, né? Então assim, nós, e a pergunta do Felipe traz um ponto que mostra eh onde nós estamos identificados, é com o pai, com mãe. Então, dependendo do comportamento, a quem eu tô sendo mais leal na minha vida? Será que é só um comportamento de característica positiva? Ou é algum padrão que eu tô reproduzindo do pai ou da mãe que faz com que eu vá pra vida? modulando aquele comportamento baseado nessa nesse modelo, né, de feminino, de masculino. Então assim, pode ter influência, claro, nós temos essa energia, né, do feminino e do masculino dentro da gente, né, Poliana? Então isso é fato. Então existe uma possibilidade de ter muita influência, mas ao longo da vida o que vai acontecendo é com o processo terapêutico e tudo mais, você vai identificando esses padrões e aí você vai desconstruindo o que não precisa mais carregar contigo. aí para formar a sua própria identidade, mas aproveitando aquilo que é bacana de pai e mãe, né? Então acho que tem esse esse viés também. Uau, muito bom, hein? 8:54. Vamos lá, mais uma pergunta na tela pra gente, por favor. Aline Ferreira, Jardim Proença. Às vezes percebo que escondo certos gostos como músicas ou hobbies, porque acho que os outros vão julgar estranho. Por que temos tanta vergonha de coisas simples? Aline, olha aí, Poliana. Ai, aine, vou ser bem sincera com você. Certos gostos estranhos. Ai, que bom, que bom que você não tá tão assim, eh, na massa como a gente estava falando, né? Porque o que é o mais difícil de de influenciada, mais difícil de reconhecer hoje são essas nuances, né? Quando o diferente soa estranho diante do outro, o diferente soa impactante diante do outro. E eu acho isso lindo. Uhum. Hum. E eu e é duro. É, é duro. É porque às vezes você pode não ser aceito, né, no ambiente. Exato. Mas aí aí que tá, né? Até que ponto a gente precisa a gente precisa desse reconhecimento tão forte que nos despersonaliza. Será que ela precisa vestir uma máscara, né? Por que que ela Ah, e eu um exemplo lá, ela tá falando, né? música, por exemplo, eh, ela vai em um lugar que tem rock e mas ela não gosta de rock, então ela é convidada para ir, ela não gosta de rock, então ela vai fazer de conta que ela gosta só para agradar quem a convidou, ela tá agradando o outro e desagradando ela. É, né? Acho que essa parte, essa palavra vergonha da pergunta da Aline me chamou muito atenção, porque a vergonha na realidade ela nos retira desse engajamento social. Uhum. Então, quando eu sinto vergonha de alguma coisa, né, Poliana, eu já me coloco numa posição assim de eh de isolamento. Então, já me coloca numa posição que é muito do eu tenho vergonha, então eu sou muito diferente. Então, essa pergunta dela tem muito a ver com o se bancar na decisão. Uhum. sabe, de ter um hobby diferente, de fazer alguma coisa diferente. E aí cai sim nessa questão, leva para essa questão da segurança e do pertencimento. Porque se eu penso diferente desse grupo ou penso diferente das pessoas, então assim, eu tô correndo um risco, então eu não vou fazer esse hobby. Uhum. Hum. Eu não vou, né, seguir em frente. Então, por isso que é tão eh a pessoa acaba, eh, eh, tendo uma uma luta interna mesmo, sabe, para poder dizer: "Não, eu vou realmente bancar isso que eu tô pensando, eu vou, né?" Muito bom. E Aline, a gente precisa no mundo de pessoas que pensem diferentes, porque a humanidade ela vai se construindo pelo contraste. Se todos nós disséssemos a mesma língua, a gente não ia ter parâmetro para nada. Voltando ao exemplo da pandemia que eu tinha dito, eu acho que as pessoas que se inquietaram diante do vírus foram aquelas que foram pros laboratórios, que foram pensar, que foram criar, né? Entre tantos outros exemplos que a gente tem de coisas que que a humanidade só produziu porque houve uma inquietação e houve uma inquietação diante daquilo que era igual. Acho que as melhores músicas, como você trouxe o exemplo da música, elas foram escritas em momentos de angústia. O ser humano se angustia e isso traz movimento. Uhum. Pode trazer paralisação, mas se a gente eh o potencial da angústia é para trazer movimento. Então assim, a gente precisa de pessoas que tragam esse movimento porque realmente pensam diferente dos outros. Eu acho um bom caminho, viu? Excelente, hein? Olha só quanta linha de raciocínio, né, que a gente pode pegar aqui, ó. Angústia traz movimento, né? Isso faz todo sentido. Vamos lá. 8:59. A última pergunta do programa. Tá tão bom aqui que a gente passa amanhã inteiro conversando, né? Vanessa Lima do Parque Prado. Tem adolescentes que são muito quietos na escola, mas em casa discutem por qualquer coisa. Por que o comportamento pode mudar tanto entre esses ambientes? Ah, vamos lá, Luciana. Muito interessante essa pergunta da Vanessa. Eh, eu penso que o adolescente hoje ele tá vivendo uma construção de uma identidade, né? Então assim, em casa é um ambiente que é conhecido. Então assim, ali de uma certa forma inconsciente eu tenho uma garantia de que eu talvez não vá perder o amor. Então eu posso falar, mas as pessoas sempre estarão ali. Sim. Quando eu vou para esses grupos externos, o que que acontece? O risco é maior. Uhum. Então, essas pessoas podem, o grupo de fora pode não aceitar aquilo que eu tô fazendo ou a forma como eu tô me comportando. Então, existe inconscientemente e até mesmo nessa ambiência uma questão de segurança, porque é a família. É claro que não dá para generalizar, porque a gente tem contextos familiares aonde essa segurança ela não existe, né? Então aí tem um pouco de fragmentos, mas onde? Eu acho que a pergunta que ela tá trazendo é justamente essa, num ambiente já existe essa segurança. Então, e ele também, o adolescente, ele está nesse movimento de demonstrar o poder dele. Então, essa construção de identidade vai nessa linha também de mostrar que ele pode. Uhum. É claro que tem os limites, né? Aí é a construção do ambiente familiar com os limites, né, numa construção dessa transição que é justamente a a adolescência, né? Excelente. Excelente. Então, a pergunta final, né? A pergunta que fica eh paraa gente aqui do programa de hoje, nós vivemos, né, eh entre personagens, nós assumimos personagens diferentes durante o nosso dia, eh enquanto a nossa vida, nós eh temos várias máscaras, considerações finais e a respostas dessa pergunta, Poliana, sim ou não? Sim, temos muitas. E falei, né, no comecinho lá que a gente já é falado, já é pensado antes de existir. Olha o o que que eu carrego. Meu nome é Poli Ana. Poli Ana. São várias. Muito bom. Dá licença que eu tenho licença poética para ser várias. Sim. A gente carrega sim e não tem problema nisso, né? Eu acho, no meu ponto de vista, o problema é quando a gente não consegue se desfazer das máscaras que nos fazem mal. Acho que aí a gente tem uma questão para para levar pra análise, para pensar um pouquinho melhor, mas não há problema em vestir essas máscaras. É, socialmente falando, a gente precisa disso. Excelente. Quero agradecer a sua participação. Obrigada, viu? Adorei o nosso bate-papo. Convidada para outros programas. A gente agradece demais a sua presença, viu? Foi muito divertido. Tava nervosa aqui fingindo costume, mas foi maravilhosa. Obrigada, Poliana. Quero agradecer a Luciana também no Obrigada. Muito prazer imenso de receber mais uma vez aqui no programa. Está convidada para mais vezes também. E sim, né, a gente vive personagens desde pequenininhos, né, e a gente eh só precisa entender quando esses personagens que nós ensinamos está começando a trazer algo que não é bom para nós, né? Exato. Eu gostaria que você deixasse uma consideração final e mais uma vez agradecendo. Obrigada pela sua participação. Obrigada. Obrigada pela oportunidade. É muito importante que sobre essa máscara, esses comportamentos adaptativos, que a gente tenha muita consciência de onde essa adaptação ela pode nos levar. Então assim, é um é uma adaptação que eu faço, mas de uma forma saudável que me leva para um caminho de crescimento ou é uma adaptação que eu faço simplesmente por uma necessidade de ser aceita, de ser vista, de ser reconhecida, né? Então, acho que é muito importante eh olhar para esse caminho, né, de eh de conforto com você mesmo. Então, assim, quais são os seus valores, os seus princípios, eh o caminho que você já percorreu nessa vida, até o momento que você tá. Então, assim, tudo isso é muito importante eh de se reconhecer até para olhar para essa máscara eh de com esses comportamentos de uma forma muito mais autêntica, né, e verdadeira. Sim, excelente. Muito obrigada pela participação de vocês. Obrigada pela sua participação aí de casa. Aproveita hoje, faz aí um exame de consciência, dá uma olhadinha nas suas máscaras que estão guardadas aí no seu guarda-roupa, de repente tem alguma que você precisa abandonar, jogar fora, não faz sentido para você. De repente tem outra que você precisa ressignificar, né? E vamos fazer isso porque faz parte da nossa vida esse movimento. A gente tá em plena mudança e se a mudança é para melhor, que venha, né? que seja e que vem e que aconteça. Hoje a nossa conversa foi então sobre os personagens que nós assumimos no dia a dia e sobre o limite entre a adaptação e a perda da identidade. Mudar a maneira de agir conforme a situação faz parte da convivência, né? A gente muda porque a gente precisa mudar por conta de nos ambientar. Mais o importante é a gente perceber quando essa mudança ela deixa de ser uma escolha e passa a ser uma exigência para que a gente possa ser aceito, né? Então você pode respeitar o outro, se adaptar e conviver com as diferenças sem deixar de lado quem você é, sem perder a sua própria identidade. Agradeço você que tá com a gente. Quero te convidar porque hoje ao meio-dia tem Câmara Notícia com Gabriel Castro. A programação da TV Câmara Campinas segue, sempre feita com muita responsabilidade, com muito carinho de toda a nossa equipe do grupo Mais especialmente para você que tá em casa. Eh, na próxima, na próxima semana, não, gente, na próxima edição do nosso estúdio Câmara, a gente vai conversar sobre contágio emocional. Olha só que tema interessante, bem complexo, porque a gente precisa entender, será que os problemas do outro acabam nos afetando, né? Nós falamos eh sobre algo parecido à semana passada, mas eh amanhã a gente vai trazer a situação assim, ó. Conviver de perto com alguém que está sofrendo pode também afetar a nossa saúde emocional. Como a gente faz para acolher sem ser esponja, né? A gente vai falar de relações em meio aos problemas. Imagina que o seguinte, você é parceiro de uma pessoa que está vivendo num num momento de depressão. Como você faz para acolher sem ser esponja? Será que você vivendo com essa pessoa você corre o risco de se tornar uma pessoa depressiva também? Se a gente parar para analisar os filhos que cuidam e é de pais com Alzheimer, né? O que que isso pode ocasionar? Será que essa pessoa ela acaba também eh absorvendo toda eh esse essa questão do clima, do ambiente em que ela está inserida? Então, a gente tem que conversar amanhã sobre isso. Nós vamos conversar, temos aqui especialistas que vão nos orientar e é importante que você esteja conosco porque todos os dias aqui é um ensinamento diferente de assuntos que fazem parte do nosso dia a dia. Grande abraço para você, fique bem, uma ótima terça-feira e até amanhã em mais uma edição do estúdio Câmara. Beijo, se cuide. Ciao. Ciao.